segunda-feira, 9 de março de 2015

Estações de correio

A estação dos CTT de Almada foi aberta à exploração em 6 de janeiro de 1879 e reinstalada em 1937.

A nova estação dos Correios e Telégrafos, de Almada, 1937.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

As ligações telefónicas pertencem à APT. As ligações telegráficas com a Estação Central Telegráfica de Lisboa fazem-se pelo moderno sistema de fonogramas. A nova reinstalação tornou-se necessária devido ao considerável aumento de tráfego com o enorme crescimento da população. A estação fica localizada num dos melhores locais de Almada — a Praça da Renovação — e dispõe de amplas salas, cómodas na parte destinada ao público e bem apetrechadas e extensas no sector destinado aos serviços.

Praça da Renovação, Almada, Fotoselo ROTEP
(Roteiro Turístico e Económico de Portugal), 173.

Nesta próspera vila inaugura hoje a Administração-Geral dos CTT novas instalações para a sua estação, graças à prestante colaboração do activo industrial, Sr. Álvaro Pereira, que construiu o novo edifício do qual a Administração-Geral arrendou parte ao abrigo do Plano de Instalação e Reinstalação de pequenas Estações de Província. É uma instalação delineada com todos os requisitos técnicos para bem servir o público e as necessidades dos serviços.

Novas instalações dos correio de Almada, desdobrável, 1956.
Imagem: Fundação Portuguesa de Comunicações no Flickr


A Administração-Geral dos CTT ao proporcionar este novo melhoramento à população de Almada torna público o seu reconhecimento ao Ex.mo Sr. Álvaro Pereira, que com seu espírito de iniciativa e colaboração o tornou possível, alinhando assim ao lado de muitas dezenas de pessoas que por todo o país estão a fazer progredir as nossas vilas e aldeias ajudando ao mesmo tempo uma grande realização dos CTT a favor das terras pequenas. (1)

Novas instalações dos correio de Almada, desdobrável, 1956.
Imagem: Fundação Portuguesa de Comunicações no Flickr


(1) Fundação Portuguesa de Comunicações

sábado, 7 de março de 2015

O espreitador do mundo novo

Vindo á noticia do nosso bom Espreitador as infelicidades de huma romaria, que se fez com certo rancho de Senhoras ao sitio da Costa, a rogos de hum dos concorrentes se propôz descrever a mesma função, e os seus acasos, que não deixão de merecer a attenção das gargalhadas.

O espreitador na romaria, folheto 8, agosto.
Imagem: Internet Archive

Foi a cinco deste mez [agosto de 1802], que cinco sugeitos da fabrica moderna convierão em fazer huma função de romaria ao sitio da Costa, por quererem tirar o ventre de miséria de peixe: e onde se poderia pilhar mais fresco, do que alli ao tirar da rede? Oh gostosa caldeirada, ferve, e toma o gosto dos temperos, até que estas barrigas se vão cevar no teu protentoso molho! Esperem os pargos, detenhão-se os roballos, não appareção por ora os gorazes, nem os congros, em quanto estes cinco viajantes se não póem a caminho para os tirar do lanço!

No dia premeditado sahírão estes cinco individuos com duas famílias de Senhoras, humas assim, outras assado; porém todas de modernismo, á excepção de duas tias muito velhas , que servião de preladas áquella communidade. Pelas seis horas da manhã embarcou o rancho no Caes da Pedra com excessivo contentamento, e de alforje somente hum cruzado novo de pão. Cantarão-se modinhas pelo mar, houve muitas risadas; porém todos em jejum para poderem abranger a grandeza da caldeirada.

Barcos no Tejo, Luis Ascêncio Tomasini (1823 - 1902).
Imagem: Palácio do Correio Velho

Chegárão a Cacilhas, oh que lindeza de terra pelas providencias, que tem para o commodo das Senhoras! Apenas o rancho saltou no Caes, saltarão também no rancho vinte e dois garotos de grande marca, offerecendo burros ás Senhoras.

Hum se esmerava em dizer que o seu era de albardinha; outro dando hum murro no companheiro, se adiantava a inculcar o seu, porque rinha cadeirinha: acolá vinha hum banazolia meio bêbado, offerecendo hum macho de albarda: aqui vinha huma mulher com muitos cumprimentos, manifestando ao rancho hum machinho de sella, que apenas o apanhou justo, também logo pedio hum bocadinho de tabaco para a sua caixa, porque estava sem elle; e o resto da rapaziada aos bofetões, e cambalhotas huns aos outros, com seu sanguesinho nos queixos, pela emulação de "o meu burro he bom, o teu não presta".

Oferta de Cacilhas ao Hospital da Misericórdia, 1947.
Imagem: Correia, António

Já todos tinhão cavalgaduras, quando o círio da pescaria se organisou, e se pôz a caminho: forte festa, forte alegria, e forte jantar de peixe se espera. Tantas erão as Senhoras, tantas forão as quedas, que se derão.

Burricada, Francis Smith (1881 - 1961).
Imagem: Palácio do Correio Velho

Hum dos Tafues, que levava huma garrafinha de mostarda n'algibeira para despertar o appetite da caldeirada, infelizmente, quando huma Senhora cahio, elle descendo-se com mais brevidade, para lhe acodir, tal geiro deo, que fez a garrafa em farinha, e aqui temos dentro d'algibeira nada menos que outra caldeirada, que consta de bocados de vidro, hum lenço branco finíssimo ensopado em mostarda, ou forro da casaca perdido, e huma caixa de rapé quebrada, da qual o retrato náo tinha custado pouco. Que grandeza d'alma não he precisa a hum destes, para não fazer caso de semelhante desastre! O que lhe dava alguma consolação era saber que a Senhora, sua apaixonada tudo lhe havia de levar em conta.

Continuou tudo em socego depois desta mixordia, quando a poucos paços o machinho de sella, que era manhoso, se pôs aos couces de fórma que sacudio o cavalheiro, abrindo-lhe a cabeça na esquina de huma pedra. Oh desgraça, que tiraste de inquietar esta paz de espíritos! Chovem lenços a aperrar a cabeça do enfermo, elle branco como a cal da parede, esforça-se por não se mostrar maricas; huma das taes velhas limpa-lhe o rosto, a outra pergunta-lhe se deo no peito; mas elle de que mais se queixa he dos quadris , e de toda aquella parte: a apaixonada com as lagrimas nos olhos, maldiz a hora, em que lembrou a romaria.

Costa da Caparica, 1907.
Imagem: Delcampe

Sahindo de Cacilhas com oito rapazes pelo caminho, não tinhão hum só, que fosse buscar huma gota d'agua, porque he o costume desapparecerem, e só permittirem a graça da sua estimável companhia, quando a meza se põe. Aqui temos já hum festeiro a pé, que nunca mais montou no macho, por lhe tomar medo e huma das velhas sacrificando-se a ir de penitencia, com tanto que elle fosse a cavallo: o certo he que elle, e ella forão aos poucos.

Chegou o rancho á Costa, e dado à costa com fome do tamanho de todo aquelle areal.

Costa da Caparica, Praia do Sol, Fonte da Telha, 1940.
Imagem: Delcampe

Eis que negras, e condensadas nuvens enlutão a athomosféra; apparece hum relampago, dizendo pela voz de hum horroroso trovão: "não há peixe porque em quanto eu me demorar por este sitio, não tem licença os peixinhos, para virem fóra d'agoa".

Costa da Caparica, Praia do Sol, 1934.
Imagem: Praia do Sol (Caparica)...

Com effeito fallou o trovãosinho pela boca de Júpiter; porque o mar encapelado, e negro, relampagos successivos, trovões amiudados, e agua a cantaros, fazia tudo huma caldeirada, que se não podia tragar. Offerecião-se grandes interesses aos pescadores, mas nem assim os brutos se movião a ir botar a rede.

Costa da Caparica, 1907.
Imagem: Delcampe

Desenganado pois o rancho de que nao havia com que matar a fome, já corrião ás barracas daquelle sitio, onde não acharão mais que duas postas de bacalháo muito encortiçado, e quatro cebôlas cozidas: parece que o diabo de propósito lhes tinha preparado aquelle banquete. As Meninas lá se accommodárão com o pão do alforje, porém huma das velhinhas entrando com o bacalháo de volta, tanto rilhou, tanto rilhou nelle, que dos únicos quatro dentes, que tinha na boca, hum que estava já como badallo de sino, veio a terra. Os rapazes dos burros, que lhes cheirou a função a pão seco, por não deixarem saudades, se despedirão em silencio, e vierão para Cacilhas esperar o rancho.

Desconsoladamente votou o rancho das Senhoras em marchar logo daquellas praias, e pondo-se tudo outra vez a caminho com caras de Monges d'Arrabida, se até alli as tinhão de Anjinhos de presépio, chegarão a Cacilhas pingando: e naquelle lugar, com carapáos fritos, que foi o que se achou, puzerão huma rolha na boca á fome. Houve suas descomposturas com a dona do machinho, e mais palavra, menos palavra, affretou-se huma falua para ser transportado o rancho para Lisboa. 

O barco da carreira dos tolos, folheto 8, agosto.
Imagem: Internet Archive

Vinhão aquellas almas capazes de se pedir para ellas; porque vinhao ensopadas, agoniadas, esfaimadas, enxovalhadas, zangadas, e tudo o mais, que aqui se lhes poder ajuntar, que acabe em adas.

Saltarão para dentro da falúa: foi o arraes o braceiro das Senhoras, que ainda com ser grosseiro, tem occasiões, em que o interesse lhe ensina a politica. Chamou a companha; porém mal succedido, porque cada hum vinha por sua vez: ora desviava a falua do cães, ora tornava ao cães, e affretando a embarcação a este rancho, por suas móças de páo, qaeria fazer carreira. Gritava o arraes: lá vem o Senhor Capetão; dêm lá a não ao Senhor Capetão, venha cá, Senhor Capetão, venha cá commigo. E tal algazarra se fez, que duas horas e meia durou o embarque, e completou-se o chamado frete com algumas quarenta pessoas dentro.

Typos de Catraeiros,
ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 23, década de 1900.
Imagem: Delcampe

Ora em quanto a embarcação veio terra terra, vinhão as Senhoras do rancho nas suas glorias; mas tanto que se levantarão os páosinhos, e se lhes dependurarão os estandartes, eis a embarcação tazendo bordos, eis as balhadeiras a saltarem de crespas, e a botarem borrifos para dentro com cada sopapo, que era huma consolação. As Meninas carregando na falúa pela parte opposta, para ver se a endireitavão: as duas tias velhas já com cara de tericia, dizendo lá comsigo: negregada festa. A cada balanço chamava-se por quantos Santos tem a Folhinha. O que mettia mais compaixão era a tia desdentada a vomitar os carapáos fritos de Cacilhas; mas consolavão-na dizendo-lhe que isto livrava de huma doença: ao que ella respondia que antes queria ver-se achacada toda a vida, do que achar-se naquelles lances. E a final nesta confusão de misérias chegou tudo a salvo ao Caes da Pedra.

Marinha, Luis Ascêncio Tomasini (1823 - 1902).

Forão para casa, quasi como a páo, e corda, e dois mezes a fio se fallou na função a todos, que as visitavão. Quem quizer talhar outra festa semelhante, aqui lhe achará o risco. (1)


(1) Costa, José daniel Rodrigues da,  O espreitador do mundo novo: obra critica, moral, e divertida, Lisboa, Officina de J. F. M. de Campos, 1819 [1.a edição, 1802]

Leitura relacionada:
Humor impresso: cultura e política em "O Espreitador do Mundo Novo"


Outros trabalhos do autor:
Internet Archive

quinta-feira, 5 de março de 2015

Uma empresa que se impõe

O concelho de Almada tem todas as suas estradas sem reparação.

A caminho da Costa da Caparica, João José Penha Lopes, 1921.
Imagem:Arquivo Municipal de Lisboa

Mal se conhecem como estradas os barrancos, covas, montões de barro e areia por onde os carros e peões transitam de freguesia para freguesia. A única exepção é a estrada para Setúbal: o resto é uma verdadeira ruína. Neste estado das estradas é difícil o transito de automóveis e camionetes para transporte de passageiros.

Cacilhas, Carro Carreira da Empreza Camionetes Piedense, Leslie Howard, década de 1930.
À esquerda o bebedouro para os animais e ao fundo a zona da Lapa.
Imagem: Museu da Cidade de Almada

As necessidades do Concelho, porém, são cada vez mais prementes e as povoações teem imposto meios de transporte rápidos, cómodos e quanto possível económicos.

Para corresponder a estas necessidades, a Empresa de Camionetes Piedense L.da arrojou-se a estabelecer carreiras entre todas as povoações do concelho, servindo-se assim a Cova da Piedade, Pragal, Monte de Caparica, Charneca, Sobreda, Trafaria, V.a Nova e Praia da Costa.

Buick da Empresa de Camionetes Piedense carroçado em camionete.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Esta empresa, hoje uma das mais importantes nos seu genero no nosso país, pôz ao serviço das referidas carreiras os carros mais comodos e luxuosos do mercado, marcas GMC e Buick, com horarios que cumpre com todo o rigor, com carros de reserva para garantia no caso de qualquer superveniencia; — é um raro exemplo de organisação, tenacidade e arrojo que bem merece a contemplação e protecção das instancias e do publico.


Buick da Empresa de Camionetes Piedense com a carroçaria original.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Como em toda a parte, a concorrencia com carros inferiores tem procurado tirar proveito dos sacrificios que aquela Empresa fez para estabelecer as carreiras dentro do concelho, mas o publico tem correspondido, fiel e constantemente, aos esforços e modelar serviço da Empresa Piedense.

Berliet da Empresa de Camionetes Piedense, década de 1930.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna...

Para desejar é que as estradas sejam rápida e devidamente reparadas, só então se poderá dizer que nenhum outro concelho no país estará mais constantemente servido em transportes rapidos e comodos.

A Praia do Sol, Um trecho da estrada para Trafaria, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 112, década de 1930
Imagem: Delcampe

E só então, depois dessas reparações das estradas, a E. C. P. L. poderá cumprir com a ultima parte do seu programa: baratear os preços [...] (1)


(1) Sentinela de Almada, Jornal do destacamento misto do forte de Almada

quarta-feira, 4 de março de 2015

O forçamento da barra do Tejo

O forçamento da barra do Tejo pela esquadra comandada por Roussin (1781 - 1854), ocorrido em 11 de julho de 1831, em pleno período de lutas entre liberais e miguelistas, veio revelar que o Tejo estava longe de ser invulnerável, mesmo se bem defendido, e que a defesa marítima era muito precária.

Expedição do Tejo, desenho Pierre-Julien Gilbert, gravura Chavane, 1837.

Embora o ataque fosse esperado e os miguelistas tivessem promovido apressadamente o reforço das guarnições, que principiou alguns dias antes da entrada da esquadra, a oposição das fortalezas foi fraca e ineficaz.

La flotte française force l'entrée du Tage, Horace Vernet, c. 1840.
Imagem: Joconde

Na margem norte ainda se fez fogo sobre os franceses, mas na margem sul, a única reacção activa conhecida é a da Torre de S. Lourenço [Bugio]. (1)

A frota francesa commandada por Roussin força a entrada do Tejo, Pierre-Julien Gilbert, 1837.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

Junto da Torre de Belém, baluarte simbólico da entrada do Porto de Lisboa, o Almirante Roussin dá ordem de "alto fogo" para poupar a emblemática fortificação histórica, que arria a bandeira em sinal de rendição [...]

A frota francesa frente à Torre de Belém, Auguste Mayer.
Imagem Wikipédia

Às 17.00 horas, a rendição estava consumada. Dia 14 de Julho de 1831, uma convenção protocolar era assinada a bordo do "Suffren", por imposição dos franceses [...] (2)

Granier, Henri, Histoires des marins français... (detalhe).
Imagem: Amazon


(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Revista da Armada,  O forçamento do tejo em 1831 na iconografia marítima francesa, maio 2011

Leitura relacionada:
Lecomte, Jules, Expédition du Tage, La France maritime

terça-feira, 3 de março de 2015

Delícias ou descrições de Lisboa

Les delices de l’Espagne et du Portugal: ou l’on voit une description exacte des antiquités, des provinces, des montagnes, des villes, des riviéres, des ports de mer (...) de Juan Alvarez de Colmenar,

Vista de lisboa do lado do Tejo.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

[...] as gravuras surgem com a legenda em francês mesmo na versão holandesa desta obra, que foi publicada no mesmo ano com o título Beschryving van Spanien en Portugal waar in, op het naauwkeurigste, al het geene, dat zoo ten opzigte van hunnen ouden (...).

Vista da praça do palácio em Lisboa.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

As gravuras aí reproduzidas surgem num volume só com as imagens, que não está datada mas também poderá ser de cerca 1707, o qual tem por título Les royaumes d’Espagne et de Portugal representés en tailles-douces trés exactes, dessinées sur les lieux mêmes qui comprennent les principales villes.

Palácio do conde de Aveiro em Lisboa onde Charles III foi alojado.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

A preparação das gravuras é indicada como sendo da responsabilidade de: J. Baptist Sculp. - J Goerce delin, seguindo-se de perto as que foram traçadas por Dirck Stoop para as vistas dos monumentos e do casamento de D. Catarina,

Vista do palácio real de Lisboa.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

mas com o acréscimo e ligeiras alterações das duas que haviam sido apresentadas por van Merle (o palácio Corte Real com a Ribeira das Naus) e Pieter van den Berge (o palácio Corte Real com o torreão do Paço da Ribeira), sendo por isso a colecção que reúne tudo o que havia sido publicado no século XVII, a que se acrescentaram novas imagens sobre a Inquisição. (1)

Vista do palácio que o rei de Portugal comprou.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Juan Álvarez de Colmenar autor de "Les Delices de l'Espagne et du Portugal" (Leiden, Pieter van der Aa: 1707), traduzidas para neerlandês "Beschryving van Spanjen en Portugal"

Vista do porto e da igreja de Belém e da de Santo Amaro.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Provavelmente um francês que vivia nos Países Baixos.

O Tejo, rio, Cascais, Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Assume-se que tenha adotado um nome espanhol a pedido do editor para apoiar o seu livro em Espanha e Portugal. (2)

Igreja e mosteiro real de Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

El gravat presenta la torre de Belem a Lisboa obra de l’arquitecte Francisco de Arruda. La construcció d’aquesta es va iniciar en el segle XV impulsada pel monarca Manuel I. La imatge mostra la ciutat, la torre i el mar Atlàntic amb vaixells. Existeixen molts gravats d’aquesta torre i tots presenten una imatge molt semblant. Destaquen els d’Allain Manesson Mallet i Albrizzi (1755). (3)

Vista da Torre de Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...


(1) Lisboa do século XVII "a mais deliciosa terra do mundo"
(2) The British Museum
(3) Col·lecció Josep Ibarz

Leitura adicional:
Colmenar, Juan Alvarez, Les delices de l'Espagne et du Portugal, eu l'en voit des montagnes, des villes, des rivières, Volume 5, Leiden, Pierre van der Aa, 1707
Iconografia de Lisboa

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Postais fotográficos J. Lemos

A reportagem regional da coleção de postais J. Lemos descreve aspetos e transformações urbanas da então vila de Almada, durante as décadas de 1950 e 1960.

Almada, Miradouro (detalhe), J Lemos, 07, década de 1950
Imagem: Delcampe

Lamentavelmente não dispomos de qualquer referência relativa à pessoa de J. Lemos, pelo que nos limitaremos à análise da edição dos postais fotográficos. Como também não é do nosso conhecimento outras edições fora do contexto já referido, supomos que se trata de um fotógrafo independente, ou de um editor local, provavelmente com estúdio fotográfico, estabelecido em Almada à semelhança da Foto Cristo Rei, que fotografou para o folheto da inauguração das novas instalações dos Correios, da Administração Geral dos CTT,  em 1956).

Almada, Praça da Renovação, ed. J. Lemos, 29, década de 1950.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

Se nos determos nos motivos e apresentação, é possível que J. Lemos, no caso da edição de postais, tenha trabalhado com, e/ou para, outros editores nacionais, tais como os Fotoselos ROTEP ou a Postalfoto que produziu postais para as papelarias Jubal e Valverde, ou que simplesmente, do mesmo modo, tenha seguido tendências mais recentes.

Almada, Vista Parcial, J Lemos, 31, década de 1960.

A composição dos objetos representados respeita e destaca os motivos e o contexto, evidenciando a sua qualidade documental.

Almada, Mercado, ed. J. Lemos, 103, década de 1950.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

No aspeto técnico, nomeadamente quanto aos enquadramentos, a linha de horizonte, ou a perpendicular a esta no ponto de fuga, em algumas das imagens, não respeitam o alinhamento paralelo com as margens, o que as torna menos profissionais, dificultando a sua leitura.

Almada, Mercado, ed. J. Lemos, 103 (imagem corrigida), década de 1950.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

Foram distribuídas no mercado postais de diversas séries agrupadas por localidade, Almada e Cacilhas, numerados em arábico de forma crescente.

A numeração aparecia na margem inferior do postal, seguida da localidade e de uma pequena descrição, sendo que um mesmo tema, nas diversas edições poderia, não ser reeferido pelo mesmo número da edição precedente.

As reproduções apresentavam a assinatura J. Lemos no canto inferior esquerdo no corpo da fotografia. O tipo de letra usado, foi, na maioria dos casos, cursivo e no corpo da fotografia nas primeiras edições, normal em margem própria nas posteriores ou em etiqueta sobreposta no corpo da fotografia, ou ambos, respetivamente assinalados na lista abaixo: c, n ou a.

O bordo dos postais apresenta-se recortado nas primeiras edições e liso nas posteriores.

Almada, Rua Bernardo Francisco da Costa, J Lemos, 68, década de 1960.
Imagem: Delcampe

  • 001 n Almada Vista do miradouro
  • 002 c Almada Praça da Renovação
  • 003 n Almada Seminário
  • 004 n Almada Jardim Comandante Sá Linhares
  • 006 n Almada Avenida D João I xx
  • 006 n Almada Vista Parcial
  • 007 n Almada Miradouro
  • 007 n Almada Miradouro (edição de natal e Ano Novo)
  • 008 n Almada, Jardim do Castelo
  • 008 n Almada, Jardim do Castelo (edição de Natal e Ano Novo)
  • Almada, Jardim do Castelo, ed. J. Lemos, 08, década de 1960.
    Imagem: Delcampe
  • 009 n Almada, Jardim do Castelo
  • 010 c Almada Castelo
  • 011 i  Almada Jardim Sá Linhares
  • 012 i  Almada Durante as Festas de S joão
  • 013 n Almada Durante as Festas de S joão
  • 016 i  Almada Avenida D Afonso Henriques
  • 018 i  Almada Avenida D Afonso Henriques
  • 021 n Almada Jardim Comand. Sá Linhares
  • 021 n Almada Vista Parcial
  • 027 n Almada Câmara Municipal
  • 028 n Almada Mercado
  • 029 n Almada Praça da Renovação
  • 031 n Almada Vista Parcial
  • 057 n Cacilhas
  • 061 i  Almada Rua Francisco Andrade
  • 064 i  Almada Largo das Andorinhas
  • 068 i  Almada Rua Bernardo Francisco da Costa
  • 075 a Almada Largo Gil Vicente
  • 103 a Almada Mercado
  • 105 a Almada Praceta de Olivença
  •  
  • s/n  a Almada Avenida D Afonso Henriques
  • s/n  a Almada Av D Nuno Alvares Pereira década de 1950 02
  • s/n  a Almada Jardim Público
  • s/n  i  Almada Largo Fernão Lopes
  • s/n  a Almada Praça da Renovação
  • Almada, Praça da Renovação, ed. J. Lemos, s/n, década de 1960.
  •  
  • 016 n  Cacilhas Estaleiro
  • Cacilhas, Estaleiro, ed. J. Lemos, 16, década de 1960.
    Imagem: Delcampe
    017 n  Cacilhas Vista Geral do Cais
  • Cacilhas, Estaleiro, ed. J. Lemos, 17, década de 1960.
  •  
  • s/n  a Cacilhas Vista Parcial


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Toponímias urbanas oitocentistas

Em princípios do século XIX Cacilhas estendia-se quase duas centenas de metros ao redor da pequena baía.

Praia de Cacilhas, The Harbour of Lisbon, Charles Henry Seaforth (1801 - c. 1854).
Imagem: reprodução em colecção particular

O traçado das ruas principais pouco diferia do atual:
rua das Terras (Carvalho Freirinha);
rua das Terras da Igreja (beco do Bom Sucesso);
rua Direita (Cândido dos Reis);

Rua Direita — Cacilhas, ed. desc., década de 1900
Imagem: Delcampe, Oliveira

rua da Oliveira (Comandante António Feio).

[...]

O caminho da Pedreira [azinhaga, e mais tarde calçada, que corresponde à atual rua Elias Garcia] tinha poucas casas e a vila começava praticamente junto à travessa da Pedreira que vai ao castelo;

Almada, Largo do Poço em Cacilhas (detalhe), Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 05, década de 1900.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

as casas mais a poente situavam-se onde é hoje a Academia Almadense. 

Nenhuma outra comunicação importante leste-oeste existia a sul desta estrada.

Almada, Vista Geral (tomada do Campo de S. Paulo), ed. desc., década de 1940.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Da cerca subsistem uma parte a norte, entre o Palácio da Cerca e a rua da Academia Almadense, junto ao sítio onde em 1843 se construira uma praça de touros; do lado sul apenas um troço limitando os quintais das casas da rua Direita.

Almada, Lado Sul, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 09, década de 1900.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Nos primeiros anos do século XIX as ruas principais eram:
rua Direita (D. José de Mascarenhas e Capitão Leitão);

Almada. Rua Direita e Egreja de S. Paulo Câmara Municipal, ed. Martins/Martins & Silva, 31, c. 1900
Imagem: Fundação Portimagem

rua da Judiaria (mantém o nome);

Almada, rua da Judiaria, Barata Moura, 1961.
Imagem: Câmara Municipal de Almada

rua que vai dar à Boca do Vento (Trigueiros Martel?);
rua que vai da Boca do Vento à Praça Velha (Bulhão Pato);
rua da Lage (Rodrigues de Freitas);
rua do Passa Rego (Latino Coelho);
rua do Açougue (Henriques Nogueira);
rua ou azinhaga das Courelas (José Fontana);
rua do Campo (travessa do Campo);
rua do Forno (Augusto Maria da Silveira);
rua da Padaria (mantém o nome);
praça Nova (praça Luís de Camões);

Almada, praça Nova e rua Direita, década de 1890.
Imagem: Hemeroteca Digital

praça Velha (Largo José Alaíz).

No último quartel do século XIX construiu-se a nova estrada Cacilhas - Trafaria que aproveitou parte das antigas azinhagas.

Planta do Rio Tejo e suas margens (detalhe), 1883.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A sul de Almada abriu-se um troço inteiramente novo desde onde é hoje a praça Gil Vicente [...] (1)


(1) PEREIRA DE SOUSA, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.