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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Viva la República!

Ao meio dia, com minha mulher e um dos meus filhos, saio de casa, decidido a vêr campo, árvores e claras águas. 

Vista parcial de Almada,
reprodução do postal duplo Almada, Lado Sul, Lado norte, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 09, 10, c. 1905.
Imagem: Hemeroteca Digital

Lisboa pesa-me sobre o coração; sinto-me esmagado de tristeza, e procuro fugir ao contacto da realidade citadina. 

Em vão invoco a grandeza heróica da sua população revolucionária; inutilmente me ofereço visitas aos seus museus e aos seus jardins.

É outro ar que desejo. Lá longe, o próprio sol tem para mim mais calor, a luz é mais cariciosa ... E, se as aves cantam de entre a ramaria densa, é no alvoroço de que eu as oiça! 

Não deve haver — decerto não ha — quem mais do que eu apaixonadamente ame a liberdade, E sair de Lisboa é, hoje, para mim uma libertação... 

Sôbre a tolda dum pequeno vapor, que deslisa na travesssia do Tejo, vamos seguindo, com o olhar distraído, a esteira da espuma branca, erguida entre bandos de gaivotas. Acompanhando o vôo, o nosso olhar encontra a vastidão do rio, no fantástico reverbero de oiro e púrpura acendido pelo sol. Os navios embalam-se na amplidão das águas, por uma extensão de léguas, enquanto a ligeira brisa enfuna a vela dos barcos, que, ao largo, semelham aves aquáticas, de palpitantes asas desprendidas.

Cacilhas! Ao gritar alto o conhecido nome do povoado, o homem de bordo não pode supôr que vou tocar a terra com a ânsia de Colombo, aportando à América. O meu filho, que tem quatro anos, pergunta-me se vamos longe, e só então reparo que não fixei o itinerário. 

Enquanto a mãi compra, para o animar à caminhada, alguma fruta, decido-me pelo Alfeite. 

"É meia legua"" declaro-lhe. O pequeno não faz idéia da aventura em que se mete, mas sorri, e afirma com todo o ar solene, possível na sua idade: "Não canso, papá. Eu sou forte, papá. Eu quero".

Querer é uma cousa muito grave; Êle o sabe, Êle o tem já experimentado. Querer é comprometer-se a poder. E fica assente que faremos a pé a légua, de ida e volta.

Almada à vista, 1937.
Imagem: Hemeroteca Digital

Já Almada nos fica, com o seu castelo, à direita. Vamos descendo para o Caramujo. As oliveiras estão carrega-das, notamos, e aquele fruto já maduro faz.nos lembrar oliveiras distantes, e minha mulher recorda que as duzentas oliveiras que seu pai plantou há cinco anos na terra onde nascemos, na Beira Alta, já em dezembro terão dado seis ou sete alqueires de azeite.

E falamos deste poucochinho com ufania de lavradores.

— Mas que lindo deve estar aquele olival do Monte Grande! — digo. E cito-lhe o dono, que é um dos homens a quem no mundo eu tinha direito a querer mal! Meu filho, a ouvir-nos falar, fila-me interrogadoramente, e o olhar de minha minha mulher tem menos brilho. A sombra do ódio que passa! E é necessário que eu evoque tida a doçura bíblica da paisagem, todo o encanto daquelas montanhas agrestes, daquelas várzeas férteis, a abundância dos prados e os rebanhos e a nossa casa, tão graciosa entre a verdura, lar amorosissimo onde três famílias, pelas festas do ano, vão encontrar-se num só coração, para que essa nuvem sombria se dissipe. 

O que temos sofrido! 

Ranchos sobrevém, e as moças levam ao peito ramos de flores, como sôbre um altar votivo. O riso canta, e não há ver-sos que à viola sôem mais claros do que êle, e digam mais da paixão, da ânsia da vida. 

O riso canta, e nas faces, tão de saúde, de rapazes e raparigas, a alegria exulta. 

Aqui uma dança começa; enlaçam-se os primeiros pares, e a música vai ge-mendo o que o amor em todos os peitos soluça.
 
Levanta-se o pó na estrada... É uma "cavalgada.... de burros de Cacilhas. Os "cavaleiros" andam quási todos pelos doze anos, e agüentam-se valorosamente na asinina desfilada; um, porém, vai oscilante, não podendo garantir-lhe os seus oito anos que não saía pela cabeça da montada.

Grito-lhes, detenho-os, e restabelece-se a ordem. O dos oito anos vai na frente, agora.

O meu pequerrucho não deixa mais que se converse de outra coisa, e tenho de obrigar a minha palavra sobre a compra de um burrinho como aquele, para quando éle andar na escola... 

E discutiamos ainda — do caso, a idade do burro, a sua mansidão, mesmo a sua cor, quando chegámos à Quinta. 

O Alfeite é uma vasta herdade, mal tratada, de inferior rendimento, decerto; mas, com as suas arribas banhadas pelas águas, e as suas matas coroando as colinas, é geralmente julgada um dos mais apraziveis arredores de Lisboa, que é célebre por os ter excelentes. 

Mas, para mim, o Alfeite não é só um sítio pitoresco; é um lugar de repouso espiritual, de inefável recolhimento, em que todas as sensações dolorosas se apagam na contemplação da natureza, no silêncio do bosque e no doce marulho das vagas. 

Sentamo-nos; e a vista logo abrange o panorama da cidade. Brilham a cúpula da Estrela e as flechas da Sé; e a cidade tumultuosa, áquela hora, assim de longe, parece-me adormecida na outra margem, como se a corrente serena, que nas minhas veias agora estúa, fôsse a mesma que bate no seu coração sempre febril... 

Através da ramaria dos pinheiros mansos copados, voltando-nos para os montes de Almada, Lisboa evoca um quadro de Nápoles.

Em baixo a praia estreita, muito areada, sem rochedos, é uma fita de alvura nupcial. 

Perde-se a vista no Tejo, embevecido na serenidade das suas águas, na ridente grinalda das vilas e aldeias ribeirinhas, que o saúdam das encostas. 

Alfeite, 1937.
Imagem: Hemeroteca Digital

No ar puríssimo, essências fortes de floresta tonificam; ha mais doçura em nosso olhar, mais paz em nossa alma. É um banho lustral. Quando nos erguemos, sentimo-nos mais dos, mais vigorosos, melhores e enternecidos.

O pequeno mesmo, na esperança de colher medronhos, propõe "caminhar mais", e perdôa a algumas borboletas que com o chapeu colhêra. Fizeram pazes; desprenderam elas as asitas, e voou ele aos medronheiros. 

Estávamos na colheita, quando da mais alta arriba unia voz chamou. Era algum que descia, a trazer-me um ramo grande, cheio de frutas róseas, para a "menina". O meu José trepou comigo a meia encosta, protestando pela sua virilidade.

O autor do artigo com o seu filho José no Alfeite, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

Voltou contente. Mas eu é que tive de subir. Era um espanhol que, com dois patrícios seus, celebrava ali um pacto de amizade, de fraterna aliança, na luta amarga da existência. Pertenciam a essa generosa raça galega, tão boa, tão sofredora e tão resignada. 

Falámos da sua vida; e cada um teve uma história breve e comovedora: a orfandade, o abandono, a miséria. 

Calámo-nos; e todos nos fitávamos melancólicamente, quando um deles, de súbito, ergueu a voz, cantando. Foi o entusiasmo! E as insistências para que eu merendasse com eles, começaram... 

"Então passe um copo de vinho?". Escusei-me, falei do almõço tarde, de doença, de dieta. Sorriam... Mas — "com permisso" — e aquele que levára o ramo a meu filho segredou algumas palavras aos outros. Todos se levantaram, e, deixando um copo cheio sôbre a relva, bradaram-me em côro: — "Beberá usled saludando su Pátria!"

Peguei no copo, e, mal os meus lábios o haviam tocado, logo os três espanhóis, celebrando o seu triunfo, gritaram — "Viva la República!" tão clamorosamente que meu filho correspondeu lá do fundo do carreiro onde ficára, o tirso coroado de róseas frutas, como um ceptro glorioso de pacificação, bem alto erguido na sua mão infantil que, pela minha, entra na vida, já liberta.

Quando os deixei, eu era amigo daqueles homens. nascidos em terra estranha. 

Como os sentia muito mais perto do coração do que alguns portugueses que hoje tanto fiz por não lembrar!

ooOoo

 É meia noite; da Cidade nenhum rumor se levanta — sossegada e tranqüila — como se, de todo, houvesse aquietado a sua cólera a boa nova do triunfo das armas republicanas na fronteira. Acabaria a luta fratricida?

Meu filho dorme em minha frente, sereno, e minha mulher, serenamente, está junto de mim, velando. 

Alfeite, 1937.
Imagem: Hemeroteca Digital

Porque sinto, pois, que no meu rosto lágrimas vem tombando?

Lisboa, Outubro de 1911. (1)


(1) Lopes d'Oliveira, Um passeio ao Alfeite, Illustração n.° 271, 1 de abril de 1937

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um lugar ao sol

A primeira colónia balnear da FNAT [inaugurada a 31 de Julho de 1938] é, assim, instalada na Mata da Caparica, com a designação "Um Lugar ao Sol" [...]

Costa da Caparica, FNAT, Colónia de férias Um Lugar ao Sol.
Imagem: Delcampe

A diferença mais significativa entre "Um Lugar ao Sol" e as restantes colónias balneares, está no facto de esta ter sido construída de raiz para o efeito, pensada como uma "cidade de férias", enquanto as restantes resultariam da adaptação de edifícios já existentes àquela função [...]

Introduzindo o conceito de "Turismo de massas" em Portugal, ou, neste contexto específico, talvez mais "para as massas", a filosofia de "Um lugar ao Sol" do Estado Novo nada tinha a ver com a visão futurista de Cassiano Branco para a Praia Atlântico, apresentada cinco anos antes, embora ambas anunciassem, pioneiramente, a conquista de direitos sociais que só com a regulamentação das férias pagas, em 1937, se vieram a concretizar, e timidamente [...]

Costa da Caparica, Jardim da FNAT, ed. Passaporte, 46, década de 1960.
Imagem: Delcampe

Em 1934, os Sindicatos Nacionais dos Bancários, Escritórios, Seguros, Balcão e Música apresentam à Comissão do Centro de Estudos Corporativos da União Nacional, presidida pelo engenheiro Higino de Matos Queiroz, a proposta conjunta da criação de uma "Colónia de Férias e Repouso" para o usufruto dos seus filiados.

A iniciativa é bem recebida pelas entidades oficiais e assumida pelos Serviços de Acção Social do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP), organismo integrado na Presidência do Conselho de Ministros e a funcionar sob a supervisão do Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social.

Para a concretização desta obra é pedida à Direcção Geral da Fazenda Pública a cedência de terrenos do Estado na Mata da Caparica, área classificada em regime florestal e abrangida pela zona de servidão militar das Baterias de Alpena e Raposeira [...]

Costa da Caparica, Bairro de Santo António e Foz do Tejo, ed. Passaporte, 2, década de 1960.
Imagem: Delcampe, Oliveira

A escolha da melhor implantação para o estabelecimento deste equipamento levanta alguma polémica. A Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas defende uma outra localização que não no interior da Mata, argumentando que "no interesse da população [e da própria instituição que se vai fundar] tão meritória obra pode ser realizada sem prejuízo da massa de pinhal existente" [...]

É na sequência deste pedido de cedência de terrenos que é criada a FNAT, a 13 de Junho de 1935, instituição à qual é feita a cessão da parcela escolhida e "que a princípio se destinava [apenas] a manter e dirigir" a Colónia de Férias, mas, logo, vê a sua acção estendida a “um campo mais largo, capaz de abranger todos os trabalhadores portugueses e promover o aproveitamento do seu tempo livre" [...]

Costa da Caparica, Colónia de Férias da Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, Mário Novais, 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

O jornal O Século [ed. 13 Julho 1938] visita as instalações, ainda antes da obra concluída, para nos dar conta da disposição geral do conjunto:

"Separados, existem dois dormitórios para solteiros, outros tantos para casados, e um para raparigas.

Costa da Caparica, alunas do Centro Católico Português no pinhal, 1938.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Mais afastado, foi construído o pavilhão que se destina ao pessoal e onde se instalou também a lavandaria e armazem.

Cada quarto tem quatro camas dispostas como nos beliches de bordo. Só os que se destinam aos (...) casados possuem apenas uma cama, além de outra de menores dimensões para os filhos. Nos refeitórios existem duches, lavabos e retretes privativas. (...)

A área total da colónia é de cento e oitenta mil metros quadrados. Ali se pensa, em breve, construir uma secção para crianças, dotada de uma piscina com água do mar."

Interessante é que, em apenas três anos, a superfície de pinhal ocupada pela instalação da Colónia de Férias tinha aumentado de cerca de 40.000 metros quadrados para 180.000, mais que quadruplicando a área cedida no "Têrmo de Cessão" de 19 de Agosto de 1935 [...]

Costa da Caparica, FNAT - Um lugar ao Sol, Vista aérea, ed. Neogravura.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Após a inauguração oficial da Colónia da Costa da Caparica, um outro artigo deste jornal fazia referência ao facto de os autores do projecto, "embora respeitando fielmente a tradição arquitectónica das construções portuguesas [, terem aproveitado] muitos ensinamentos colhidos na visita que fizeram no ano passado, às colónias de férias oficiais, italianas e alemãs".

Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.).
Costa da Caparica, aspecto do almoço dos trabalhadores dos Sindicatos Nacionais, 1937.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Acrescentava, ainda, que em todo o conjunto se podiam reconhecer as feições de uma obra que Salazar desejava "simples, despretenciosa, agradável, higiénica e confortável" [...]

Costa da Caparica, Colónia de Férias da Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, Mário Novais, 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

O sino da FNAT é o alarme que faz levantar da cama os preguiçosos às 8 horas da manhã, às 9 horas toca a sineta para o pequeno almoço, às 10 horas vai-se até à praia privativa da FNAT, onde o banheiro é conhecido pelo Tarzan.

António Gonçalves Ribeiro, Tarzan da Costa.
Imagem: Notícias da Gandaia

Por volta das 12 e 30, os colonos (...) regressam e cada um dirige-se para os seus aposentos onde um duche fresco dessalga o corpo. Entretanto ouve-se a sineta, convidando (...) ao almoço.

Costa da Caparica, Entrada ao refeitório da FNAT, ed. Passaporte, 45, década de 1960.
Imagem: Delcampe

À tarde dorme-se a sesta, joga-se uma partida de pingue-pongue, ou uma bilharada. Os mais idosos (...) passam a tarde jogando o loto.

E até às 17 horas pouco movimento se nota na Colónia.

Costa da Caparica, FNAT, Salão de Jogos 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

Por volta das 18 horas os colonos mais novos jogam voleibol e patinam.

Cerca das 20 horas a sineta faz-se ouvir novamente — São horas de jantar. Depois, o Bar e as salas de diversão enchem-se de pessoas e, por vezes, faz-se um Pé de Dança.

A partir das 23 horas o silêncio reina em absoluto [...]

Pela publicação celebrativa dos Dez Anos de Alegria no Trabalho ficamos a saber que, em 1945, o complexo da colónia "Um Lugar ao Sol" era constituído por 29 edifícios. Número que, em comparação com os 7 pavilhões inicialmente construídos, testemunhava o sucesso da iniciativa junto dos Sindicatos Nacionais.

Um ano depois, na presença do Presidente da República, o General António Oscar de Fragoso Carmona, são inauguradas as novas instalações da Cozinha e do Refeitório, assim como novas unidades de alojamento, passando a Colónia a contar com 30 pavilhões, aumentando a sua capacidade para cerca de 1.000 veraneantes por turno.

Vinte anos depois da criação da FNAT, em 1954, eram já 38 os pavilhões existentes, que permitiam receber, em simultâneo, 1.555 pessoas, obrigando a uma nova ampliação do refeitório e ao complemento da oferta de serviços facilitados dentro do espaço da Colónia. Entre eles, a construção de um Parque de Campismo, em 1953 [...]

Cada "Pavilhão Familiar para Casais com Filhos" era composto por onze quartos e por instalações sanitárias colectivas, distribuídos a partir de um corredor central ao qual se acedia, de um dos extremos do volume, através de um pequeno pátio com pérgolas.

Costa da Caparica, Colónia de férias da FNAT Pavilhão n° 1, ed. Passaporte, 100, década de 1960.
Imagem: Delcampe

A área dos quartos era reduzida, cerca de 10 m2, considerando que neles dormiam um casal com dois filhos, estes instalados em beliches, e que em cada quarto havia, ainda, uma pequena área com retrete e lavabo.

Na selecção dos pedidos de inscrição na Colónia de Férias, a que tinham acesso apenas os trabalhadores "que se situavam em categorias profissionais inferiores à de chefe de secção", eram considerados prioritários os beneficiários da FNAT que se fizessem acompanhar do maior número de filhos e os que auferissem de menores rendimentos; os que tivessem indicação médica expressa, comprovada pelos serviços da Fundação, da "necessidade absoluta de uma estadia à beira mar"; os sócios mais antigos; quem residisse o mais afastado do litoral; e quem menos vezes tivesse utilizado a colónia balnear.

Festa na colónia de férias Um Lugar ao Sol.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Qualquer dúvida seria resolvida por sorteio. (1)


(1) Lobo, Susana Luísa Mexia, Arquitectura e Turismo: Planos e Projectos. As Cenografias do Lazer na Costa Portuguesa. Da 1.ª República à Democracia, Coimbra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2013

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Costa da Caparica — urbanismos
Art Deco

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O morro do moinho

Bem perto das Margueiras, existiam terras de cultivo, que garantiam a sustentabilidade dos ocupantes do espaço.

Vista poente de Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa, 1932.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Durante séculos, o trigo, o milho, a cevada e outros cereais, chegavam ao morro sobranceiro ao Tejo, onde os moinhos aí existentes cumpriam a sua função de fornecer aos habitantes a farinha, tão necessária à confecção do pão e de outros alimentos de uso quotidiano [...]

Vista nascente de Almada e Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Charles Landseer, 1825.
Imagem: Instituto Moreira Salles

Para facilitar a ligação entre o cais de Cacilhas e a Margueira existia um túnel, que passava por baixo do morro, logo a seguir à Lapa.

Junto à Lapa, encostado ao morro, existia um mirante, que se destacava pela sua altura a par do morro, cuja existência alimentou durante muitos anos a imaginação popular [...]

Detalhe da torre e mirante (arquvivo "O Século", Grupo de Obuses Pesados, Manobras militares do Outono), 1937.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

No início dos anos 50 instalou-se aí a fábrica de Manilhas do senhor Patraquim, na sequência do qual foi derrubado o muro existente que delimitava a propriedade e impedia o seu livre acesso, e abriu espaço à instalação de famílias no morro do Moinho.

O Berlinde por um Óculo, fotografia de Fernando Barão.
Imagem: Casario do Ginjal

Este local era conhecido de forma carinhosa por ilha do Papagaio Cinzento [...]

Construções no morro do moinho, c. 1950.
Imagem: Bildarchiv Foto Marburg

Como se torna evidente as habitações eram bastante modestas, sem electricidade, água canalizada e saneamento. 

Porém, no núcleo do moinho, algumas delas estavam acabadas com algum esmero, onde não faltava um pátio de entrada, perfeitamente delimitado com gradeamentos de madeira e passadiço do mesmo material até à porta de entrada das casas, onde pontificavam caramanchões e outras plantas ornamentais [...]

O abastecimento de água era feito através de chafarizes públicos. Inicialmente os habitantes do núcleo norte, desciam a encosta e recolhiam-na num chafariz existente no início do Beco do Bom Sucesso, os habitantes do núcleo do moinho transportavam-na do chafariz que também abastecia a Vila Brandão.

Chafariz de Cacilhas, década de 1950.
Imagem: Flores, A. M., Almada antiga e moderna,
roteiro iconográfico, Freguesia de Cacilhas

Mas no início dos anos sessenta a CMA com trabalho voluntário dos moradores levou a água ate à "Rocha", designação também dada à quinta da "Margueira Velha", onde foram implantados dois chafarizes, um no cimo do caminho por onde se acedia ao morro através do então Largo Costa Pinto que servia o núcleo norte e outro junto ao moinho, a poente, que servia esse núcleo.

Miúdos do Moinho, fotografia de Hélio Quartim, 1976.
Imagem: Museu da Cidade de Almada

Por esta altura foram também construídos balneários públicos com duas ou três cabinas de duche (água fria), um luxo [...]

Demolição de algumas barracas no morro de Cacilhas, c. 1970.
Imagem: Lurdes B. Ferreira

Porém, a centralidade da "Rocha" era, e ainda hoje é, o seu moinho de vento. Ao tempo deste relato era habitado pelo sr. João (João do moinho).

Solteirão, com várias namoradas, recriminado por isso pela sua "velha" mãe quando o visitava. (1)


(1) Farol, O, Associação de Cidadania de Cacilhas, As Margueiras, Contributos para a história de Cacilhas, Junta de Freguesia de Cacilhas, O Farol, 2013, 248 págs.

Artigos relacionados:
O torreão e a Lapa
O incendio da fabrica da Margueira
A menina do mirante




Moinho e moleiro do Oeste, Domingos Alvão, 1934.
Imagem: Moinhos de Portugal no Facebook

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Fragata D. Fernando II e Glória

A Fragata "D. FERNANDO II E GLÓRIA", o último navio de guerra exclusivamente à vela da Marinha Portuguesa e também a última "Nau" a fazer a chamada "carreira da India" verdadeira linha militar regular que, desde o século XVI e durante mais de 3 séculos, fez a ligação entre Portugal e aquela antiga colónia foi o último navio que os estaleiros do antigo Arsenal Real de Marinha de Damão construíram para a nossa Marinha.

Fragata D. Fernando II e Glória, Roger Chapelet (1903 - 1995).
Imagem: flickriver

Sob a supervisão do Guarda-Marinha construtor Naval Gil José da Conceição, foi encarregam da sua construção o mouro Yadó Semogi e nela participaram operários portugueses e indianos.

Fragata D. Fernando II e Glória, Roger Chapelet (1903 - 1995).
Imagem: Revista da Armada,  A recuperação da fragata D. Fernando II e Glória, janeiro 1998

O casco foi construído com madeira de teca proveniente de Nagar-Aveli e, após o lançamento à água, em 22 de Outubro de 1843, foi rebocado para onde aparelhou a galera. A sua construção importou em 100.630 mil réis.

A Fragata recebeu o nome de "D. FERNANDO II E GLÓRIA", não só em homenagem a D. Fernando Saxe Coburgo Gota, marido da Rainha D. Maria II, mas tambem por ter sido entregue à protecção de Nossa Senhora da Glória, de especial devoção entre os goeses.

Fragata D. Fernando II e Glória.
Imagem: Maritima et Mechanika

O navio foi preparado para receber 50 bocas de fogo, sendo 28 na bateria (coberta) e 22 no convés.

A lotação do navio variava consoante a missão a desempenhar, indo do mínimo de 145 homens na viagem inaugural ao máximo de 379 numa viagem de representação [...]

A viagem inaugural, de Goa para Lisboa, leve lugar em 1845 com largada em 2 de Fevereiro e chegada ao Quadro dos Navios de Guerra, no Tejo, em 4 de Julho.

Desde então, foi utilizado em missões de vários tipos até Setembro de 1865, data em que substituiu a Nau Vasco da Gama, como Escola de Artilharia, tendo ainda, em 1878, efectuado uma viagem de instrução de Guarda Marinhas aos Açores [...]

Fragata D.Fernando II e Gloria, 3 de Abril de 1963.
Imagem: Cesto da gávea

Em 1940, depois de ter sido considerado que já não se encontrava em condições de ser utilizado pela Marinha, iniciou uma nova fase da sua vida, passando a servir como sede da Obra Social da Fragata D. Femando, criada para recolher rapazes oriundos de familias de fracos recursos económicos, que ali recebiam instrução escolar e treino de marinharia, facilitando, assim, o seu ingresso nas marinhas de guerra, do comércio e de pesca. (1)

Fragata D. Fernando II e Glória, aguarela de Alberto Cutileiro, Museu da Marinha.
Imagem: Cesto da gávea

Desde finais da década de 40 até meados da década de 70 do século passado, decorreu (inicialmente a bordo de uma velha fragata da Carreira da India e posteriormente em instalações em terra) a Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória.

Fragata D. Fernando II e Gloria, selo de Carlos Alberto Santos, 1997.
Imagem: Tangerino

Em pleno Estado Novo, a Obra parece ter seguido um percurso que acompanhou o próprio sistema político vigente. Recorrendo a um sistema assistencial, educacional e de integração profissional próprios do período, assistiu-se ao crescimento, estagnação e declínio que seguiu o perfil do regime.

Fragata D. Fernando II e Gloria, selo de Carlos Alberto Santos, 1997.
Imagem: Tangerino

Tendo como objetivos principais, a recolha, educação e instrução de rapazes sem família ou sem recursos, a instituição pode, contudo, ter sido muito mais do que estes princípios fundadores previam.

A história da fragata D. Fernando II e Glória, pode dividir-se em várias fases que ilustram as características multifuncionais e multifacetadas que a mesma teve ao longo dos tempos, desde a sua largada de Goa para Lisboa em 1845 até à atualidade.

Assim podemos dividir em sete fases distintas a história do navio:
a) A fase da construção (1832 – 1845, durou 13 anos).
b) A fase operacional, onde efetuou várias viagens (1845 – 1878, durou 33 anos).
c) A fase em que foi Escola de Artilharia e sede de Brigada de Artilheiros (1865- 1937, durou 72 anos).

Fragata D. Fernando II e Gloria, Escola de Artilharia, 1904.
Imagem: Hemeroteca Digital

d) A fase em que foi sede de vários comandos e organismos (1938 – 1945, 7 anos).
e) A fase em que foi sede da “Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória” (1945 – 1963, 18 anos).
f) A fase imediatamente a seguir à destruição, o abandono (1963 – 1992, 29 anos).
g) O restauro, recuperação e museu (1992 até à atualidade).


in Alves, Américo José Vidigal, ASSISTÊNCIA, EDUCAÇÃO E TRABALHO NO ESTADO NOVO, O caso da Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória, 2013

Em Janeiro de 1945, o Ministro da Marinha, Américo Thomaz, através da Portaria nº 10:827 de 9-1-1945 (O.D.A. nº 8, de 10-1-1945) determina “que a fragata D. Fernando seja posta à disposição da Brigada Naval, para fins de instrução e utilização compatíveis com o estado em que se encontra.

Fragata D. Fernando II e Gloria, aula de ginástica, 1956.
Imagem: O caso da Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória

De acordo com o primeiro artigo, do capítulo I, denominado "Fundação e Objetivo" constante no Regulamento Geral da Obra144, "é criada a Obra Social da Fragata D. Fernando que tem como objetivo a recolha, alimentação, educação e instrução, gratuitamente e em regime de internato, de rapazes com 12 a 16 anos de idade, desprotegidos, sem família, sem meios e sem trabalho, a livrá-los dos perigos morais a que a ociosidade e a libertinagem os podem conduzir e prepará-los para a vida no mar, a servirem nas frotas das Marinhas de Guerra, mercante ou de pesca."

Fragata D. Fernando II e Gloria, alunos por identificar.
Imagem: Cesto da gávea

[...] o dia de entrada na fragata, era precedida de inspeções médicas, corte de cabelo, limpeza do corpo e distribuição de roupa interior (camisola e cuecas) e exterior (blusão e calças de cotim). Sobre o calçado, este ex-aluno, apenas refere que, aos pés era dado o “calejamento das águas do Tejo” o que pressupõe que no início da obra, ou nos primeiros dias de permanência, os alunos andariam descalços [...]

Fragata D. Fernando II e Gloria, alunos trabalhando com cabos a bordo.
Imagem: O caso da Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória

Neste primeiro dia eram ainda distribuídas as macas, que faziam as vezes da cama. Estas eram compostas por um travesseiro, um colchão, uma manta e uma coberta de lona. Depois desta distribuição, os alunos eram agrupados por pelotões para a formatura, comandados por alunos mais velhos.

Este enquadramento levado a cabo pelos alunos mais velhos era contínuo e não se confinava aos primeiros dias, sendo observável também à mesa, durante as refeições, e quando se desfilava em parada na via pública.

Durante a noite os alunos efetuavam vigias ao navio que duravam quatro horas. Além do aluno de vigia havia também um marinheiro ou grumete de vigilância, controlando este, a guarnição e os alunos.

Após passagem pelos lavabos para lavar cara, mãos e dentes, prosseguia-se ao enrolar das macas. Pouco tempo depois tocava a formar para a primeira refeição que, quase sempre, consistia em café com leite e pão com manteiga ou marmelada. A seguir ao pequeno-almoço tocava novamente a formar para distribuição de serviços, tarefas e obrigações. Entendia-se por serviços ou tarefas o escalamento para as embarcações, para baldeações e para lavagem de loiça de alumínio após as refeições.

Fragata D. Fernando II e Gloria, aprendendo a arte de fazer nós.
Imagem: O caso da Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória

As obrigações tratavam-se de tarefas fixas que alguns alunos podiam ter permanentemente, como adjuntos das oficinas de bordo (sapateiro e carpinteiro), aulas de instrução primária, de ginástica, de marinharia, de vela, de remo e de natação, entre outras.

Fragata D. Fernando II e Glória, familiares de alunos de visita, 1956.
Imagem: Cesto da gávea

Também a roupa era lavada pelos próprios alunos [...]

Fragata D. Fernando II e Gloria, mergulho no Tejo.
Imagem: O caso da Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória

Digno de registo é também o mergulho do Madeirense. Esta autêntica proeza aconteceu num dos primeiros verões após constituição da Obra, encontrando-se o navio fundeado em Belém, como era hábito nessa altura do ano. (2)


(1) Revista da Armada,  A recuperação da fragata D. Fernando II e Glória, janeiro 1998
(2) Alves, Américo José Vidigal, ASSISTÊNCIA, EDUCAÇÃO E TRABALHO NO ESTADO NOVO, O caso da Obra Social da Fragata D. Fernando II e Glória, 2013

Informação adicional:
D. FERNANDO II E GLÓRIA
Cesto da gávea

Cesto da gávea em imagens
No dia da apresentação da Tese de Mestrado de Américo Alves, sobre a Fragata D. Fernando II e Glória
Sachetti, António, D. Fernando II e Glória. A Fragata que Renasceu das Cinzas, Lisboa, Edições CCT, 1998
Sousa, Victor Manuel de, Apontamentos sobre a Fragata D. Fernando II e Glória, edição do autor
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segunda-feira, 9 de março de 2015

Estações de correio

A estação dos CTT de Almada foi aberta à exploração em 6 de janeiro de 1879 e reinstalada em 1937.

A nova estação dos Correios e Telégrafos, de Almada, 1937.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

As ligações telefónicas pertencem à APT. As ligações telegráficas com a Estação Central Telegráfica de Lisboa fazem-se pelo moderno sistema de fonogramas. A nova reinstalação tornou-se necessária devido ao considerável aumento de tráfego com o enorme crescimento da população. A estação fica localizada num dos melhores locais de Almada — a Praça da Renovação — e dispõe de amplas salas, cómodas na parte destinada ao público e bem apetrechadas e extensas no sector destinado aos serviços.

Praça da Renovação, Almada, Fotoselo ROTEP
(Roteiro Turístico e Económico de Portugal), 173.

Nesta próspera vila inaugura hoje a Administração-Geral dos CTT novas instalações para a sua estação, graças à prestante colaboração do activo industrial, Sr. Álvaro Pereira, que construiu o novo edifício do qual a Administração-Geral arrendou parte ao abrigo do Plano de Instalação e Reinstalação de pequenas Estações de Província. É uma instalação delineada com todos os requisitos técnicos para bem servir o público e as necessidades dos serviços.

Novas instalações dos correio de Almada, desdobrável, 1956.
Imagem: Fundação Portuguesa de Comunicações no Flickr


A Administração-Geral dos CTT ao proporcionar este novo melhoramento à população de Almada torna público o seu reconhecimento ao Ex.mo Sr. Álvaro Pereira, que com seu espírito de iniciativa e colaboração o tornou possível, alinhando assim ao lado de muitas dezenas de pessoas que por todo o país estão a fazer progredir as nossas vilas e aldeias ajudando ao mesmo tempo uma grande realização dos CTT a favor das terras pequenas. (1)

Novas instalações dos correio de Almada, desdobrável, 1956.
Imagem: Fundação Portuguesa de Comunicações no Flickr


(1) Fundação Portuguesa de Comunicações

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Fonte da Telha

Era a fonte de alegria sã, de saúde do corpo e da alma...

A Fonte da Telha (Costa da Caparica, Praia do Sol), Cruz Louro, 1937.
Imagem: Cruz Louro

A Costa do Sol fem sete léguas de extensão. Desde a Cova do Vapor ou Ponta da Areia onde pode ter comêço a sua exploração como praia, segue, entre o mar e pinhais, até à povoação actual.

A dois passos de Lisboa, êsse estranho, novo e intenso tom doirado das florestas de acácias, constituem um incentivo de digressão interessante: não é menos empolgante do que as amendoeiras em flôr.

As acácias em flõr formam um mar doirado ao lado do outro mar...

Daí para o sul, é uma cadeia de pontos pitorescos onde podem estabelecer-se novos núcleos de população ou onde quem queira pode isolar-se em maravilhosos recortes de paisagem.

Descida do Robalo, Foz do Rêgo, Descida dos Carrascalhinhos, Descida das Vacas. etc.. etc.. etc.. até ao paraíso — a Fonte da Telha — sem dúvida a praia ideal. o melhor que pode haver, — porque não pode haver melhor em parte alguma do mundo...

Fonte da Telha, Carta dos Arredores de Lisboa — 75 (detalhe), Corpo do Estado Maior, 1903.
Imagem: IGeoE

Dai para o sul, ainda poderia continuar a peregrinação: Blunete, Mina do Ouro, Balcões, a Malha Negra, Olhos de Água, a Lagôa...

Mas a Fonte da Telha é o paraiso. Na rocha, a 200 metros de altura, pinhal cerrado, secular, a tôda a extensão norte e sul; a rocha descai em declive suave a conduzir à praia, ali, pertinho a 100 ou 150 metros de distância.

Águas medicinais, férreas, bicarbonatadas e doutras mineralizações. Riqueza de peixe.

Fonte da Telha, Dois barcos, História pela imagem dos barcos na Costa de Caparica, Cruz Louro, 1971.
Imagem: Cruz Louro

Umas dezenas de barracas de pescadores subindo o declive.

A Fonfe da Telha é alguma coisa de extraordinàriamenie belo e salutar. Vive-se ali entre o mar e os pinheiros. São unânimes todas as opiniões: não há, não pode haver melhor.

Fonte da Telha, 2006.
Imagem: wikimapia

Estará, relativamenie a transportes e a comodidades, semelhante ao que a Praia do Sol era há uma dúzia de anos.

Quando a Praia do Sol fôr como Espinho, a Fonte da Telha será como a Granja. 

Entretanto, quem apreciava a rusticidade primiliva da Costa e lamenta agora a invasão do progresso, da concorrência tumultuária, tem ali e terá ainda durante muitos anos, vastissimo campo de isolamento.

Centro Turístico Internacional da Costa, separata do Jornal de Almada, 1968.
Imagem: Sesimbra identidade e memória

Ali, sim. Param as coisas da terra — é o paraíso. (1)


(1) Praia do Sol (Caparica): estância balnear de cura, repouso e turismo, Monografia de propaganda do Guia de Portugal Artístico, 1934, M. Costa Ramalho, Lisboa.