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terça-feira, 10 de novembro de 2015

O Tejo de Jean-Baptiste Pillement

Jean-Baptiste Pillement (1728–1808)

Nascido em Lyon em 1728, Jean Pillement foi um dos artistas mais europeus do século XVIII.

Vista de Lisboa, Jean Baptiste Pillement.
Imagem: Viático de Vagamundo

Ao longo da sua carreira, efetua numerosas viagens às capitais europeias, onde conhece um importante sucesso como pintor de chinoiseries e de paisagens.

Vista do Tejo com navios e barcos num mar agitado, Jean Baptiste Pillement, 1790.
Imagem: London Art Week 2015

Permanece por duas vezes em Portugal, a primeira vez no fim da década de 1740, a segunda cerca de 1780-86, antes de se instalar, provavelmente entre 1786-89, em Madrid.

Influenciado — como muitos outros pintores de paisagens e de marinhas — por Joseph Vernet, por vezes repetitivo nas suas composições de paisagem, Pillement soube aqui sair dos seus hábitos e distanciar-se do caracter eventualmente um pouco decorativo das suas telas e dar provas de uma maior inspiração, com esta atmosfera de bruma matinal azulada e avermelhada entregue com particular talento e poesia.

Pintada em 1785, enquanto Pillement estava em Portugal, esta composição retoma, embora desta vez de um pouco mais longe, a mesma vista que aquela de um pastel executado pelo artista dois anos antes (Londres, 7 julho 2000, lot 100, ill.). (1)

As margens do Tejo efeito de bruma, Les rives du Tage effet de brume, Jean Baptiste Pillement, 1785.
Imagem: Christie's

Estes dois pastéis, excecionalmente grandes, foram feitos em 1782 durante a segunda estadia de Pillement em Portugal, um período que é geralmente visto como o pico da sua carreira.

É durante esta estadia que Pillement com sucesso adiciona pasteis marítimos ao seu reportório. Estes pasteis marítimos, como o presente, mostram influências de artistas franceses, como Claude-Joseph Vernet (1714-1789), e de pintores de paisagens holandeses do século XVII.

Vista do rio Tejo com pescadores em terra e uma torre atrás, Jean Baptiste Pillement, 1782.
Imagem: Christie's

Na década de 1780 Pillement executa diversas vistas do rio Tejo, e como tantos outros temas tratados pelo artista, estas vistas mostram frequentemente composições similares com o uso dos mesmos elementos em diferentes trabalhos. (2)

O porto, Jean Baptiste Pillement, 1781.
Imagem: Flickr


Executada durante a primeira estadia de Pillement em Portugal, esta vista é claramente baseada na paisagem envolvente da foz do rio Tejo; como comparação veja-se a semelhante Vista do rio Tejo com pescadores a puxarem as redes [View of the River Tagus with Fishermen pulling in their Nets], datada de 1782, na coleção do Conde de Alferrarede (catalogo da exposição, Jean Pillement e o paisagismo em Portugal no século XVIII, Lisboa, 1996, p. 104, no. 23), ou Shipping of the Tagus, também de 1782 (P. Mitchell, Jean Pillement Revalued, Apollo, CXVII, January-June 1983, p. 46, fig. 1, 58.5 x 81.3 cm., 'Pillement's mastery of pastel is seen here on an unusually large scale.'). (3)

Vista do Tejo com pescadores em terra numerosos navios e uma ilha com uma torre atrás, Jean Baptiste Pillement, c. 1740.
Imagem: Christie's

Pillement também fez numerosos trabalhos usando composições semelhantes com paisagens com um rio rochoso; por exemplo, a paisagem presente é comparável, de perto, com a Paisagem de montanha [Paysage de montagne: sur une route, un homme sur un âne] no Museé du Louvre, Paris (inv. RF29472, M. Gordon-Smith, Pillement, Krakow, 2006, p. 270, no. 265). (4)

Paisagem com rio rochoso ao pôr-do-sol com pastores e pastoras com os seus animais, Jean Baptiste Pillement, 1782.
Imagem: Christie's


(1) Christie's
(2) Christie's
(3) Christie's
(4) Christie's

Mais informação:
Jean Pillement (1728-1808), um francês em Portugal

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Todos os barcos do Tejo

Caderno de todos os barcos do Tejo, Tanto
de Carga e Transporte como d'Pesca, por João de Souza
Lente d'Arquitectura Naval e Desenho da Companhia
de Guarda Marinha

quinta-feira, 27 de março de 2014

Os saveiros meia lua da Costa da Caparica

O meia-lua da Costa da Caparica, também conhecido pelo nome de saveiro e barco da arte era o barco usado na Caparica para a arte xávega, que lembra pelo seu arqueado e pela quase igualdade das bicas uma meia-lua perfeita.

Pormenor da praia da Caparica, ed. Fotex, 144
Imagem: Delcampe

Manuel Leitão define o meia-lua como sendo mais pequeno que o barco do mar, com fundo chato, mas com um tosado importante, que o levanta numa curva bastante acentuada até às rodas de proa e de ré, produzindo o perfil característico em crescente, que dá à embarcação o seu nome. (1)

Praia do Sol, Caparica, ed. José Nunes da Silva, s/n
Imagem: Delcampe

Cada “meia-lua” era manobrado por uma “companha” ou associação de pescadores que vieram sobretudo de Lavos e Buarcos para tomar parte numa forma particular de arrasto com rede de cerco.

Caparica, Aguarela, Carlos Pinto Ramos
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Alguns dos homens que trabalhavam nesta ocupação eram também do Algarve.

Barco varado, Aguarela, Carlos Pinto Ramos
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Estas grandes embarcações eram construídas com quatro bancadas para os remadores e as posteriores, mais pequenas, e em menor número, que mediam 8,50 x 2,40 metros aproximadamente, eram construídas com três. 

Costa da Caparica, Saíndo para a pesca, ed. Lif , 2
Imagem: Delcampe

A parte de ré do casco era deixada aberta para permitir espaço no qual era alojada a rede, as suas numerosas poitas e flutuadores de cortiça e os cabos de puxar.

Costa da Caparica, ed. desc.

Nos tempos antigos, alguns “meias-luas” eram aparelhados com vela e leme do tipo “xarolo” para a pesca no Rio Tejo, para vender o peixe nos mercados da margem norte.

Souza, João de, Caderno de Todos os Barcos do Tejo tanto de Carga e transporte como d'Pesca,
Sociedade de José Fonseca, 1785

Em 1948 existiam 14 “Meias Luas” na Caparica, mas o seu número foi descendo, podendo em 1970 serem contados pelos dedos de uma mão. 

Costa da Caparica, 1946, Mário Novais

Prevendo o seu rápido desaparecimento, o Museu de Marinha adquiriu em Junho de 1975 um exemplar que se encontra exposto junto à entrada para o Planetário e onde o visitante pode admirar as suas belas formas e toda uma arte que se vai extinguindo. (2)

Costa da Caparica, 1956
Imagem: Eulália Duarte Matos


(1) Lopes, Ana Maria, Marintimidades, O meia-lua: da praia para o Museu?... 

(2) Leitão, Manuel, Revista da Armada, Dezembro 2002, (pág. 397, ou pesquisar "Caparica")

Leitura relacionada: Fonseca, Senos da, Factos & História , A arte da xávega