Mostrar mensagens com a etiqueta 1902. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1902. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Courelas e Figueirinhas

Em 1695 o Conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, arrendou ao Capitão-Mor Álvaro Pereira de Carvalho, uma propriedade no sítio "aonde chamam as figueirinhas [à direita na imagem]" que contactava "da banda do Sul com a estrada pública que vem da Mutela para Cacilhas... e do Norte com a estrada que vem de S. Sebastião para Cacilhas". (1)

Almada, vista sul tomada do mirante da Quinta dos Bichos, posteriormente, Quinta da Alegria,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Conforme Pereira de Sousa (op. cit), [Azinhaga de Mata-Cães] uma designação popular para a Azinhaga das Courelas, do lugar que no século XIX e até à viragem do século XX começava na Rua José Fontana [ao centro na imagem].

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Este nome surge relacionado com um proprietário conhecido por Mata-cães da Mutela, que terá vivido em Almada antes de 1682, "apodo" cuja atribuição seria mais tarde reconhecida a uma outra pessoa no século XIX, sem que qualquer relação se possa estabelecer em concreto.

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Verifica-se no entanto que em 1857 esta designação aparece relacionada, com a compra de "uma Quinta chamada S. Luís, vulgo Matacães, próximo da Mutela", cuja localização seria correspondente à zona da Rua Luís de Queiróz.

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Veja-se o esquema da estrutura de quintas [que consta na Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, de 1813, e aquela] elaborada por Atkins et, al. (2006, p. 46), cuja localização é indicada entre as quintas das Serras, Armeiro, Caranguejais e S. Sebastião de Baixo;

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal, José Maria das Neves Costa (detalhe), 1813,
Estrutura de Quintas em Almada. Atkins, 2006.
Imagem: Praça da Liberdade, Almada - Apropriação e vida da praça no século XXI

ou o mapa de Almada em 1902, onde a zona correspondente a este lugar revela um enorme vazio delimitado por um polígono de quatro ruas ou caminhos, cuja configuração se manteve até à actualidade,

Corpo do Estado Maior do Exército, assinaladasas quintas, a Estrada Distrital 156, a Estrada Real 79 etc., 1902.
Imagem: IGeoE

muito próxima daquela que representam o traçado da Av. Dom Nuno Álvares Pereira, com a Rua Luíz de Queiróz, a Av. Rainha D. Leonor e a Rua Padre António Vieria. (2)


(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Luís Gonçalves, Praça da Liberdade, Almada - Apropriação e vida da praça no século XXI

Artigos relacionados:
Horizontes
O centro cívico
Praça da Renovação
Largo Gil Vicente

Outras leituras:
Revista pittoresca e descriptiva de Portugal com vistas photographicas, Lisboa, Imprensa Nacional, 1861-63
Encyclopedia of Nineteenth-Century Photography

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Pera

A propriedade, ou como é dito na língua portuguesa a Quinta, está situada numa parte do país que, pela sua fertilidade, recebeu o nome de Capa Rica ou Rico Manto. Esta freguesia forma uma espécie de península ou língua de terra que se projeta para oeste, situada entre o rio Tejo, no seu lado norte, e o Atlântico, a sul, que aqui faz a baía tão familiar a todos os lisboetas e que se estende desde a foz do Tejo até ao Cabo Espichel.

Costa da Caparica, Carta dos Arredores de Lisboa — 68 (detalhe), Corpo do Estado Maior, 1903.
Imagem: IGeoE

A Quinta situa-se cerca de uma milha a partir da extremidade ocidental desta língua de terra, e quase a uma distância igual a partir do Tejo e do Atlântico. O nome de Pera foi-lhe dado a ele a partir da abundância de peras anteriormente produzidas na sua vizinhança. A casa não era nem bonita, nem grande nem cômoda, mas cerca de vinte anos atrás, foi consideravelmente ampliada pela construção de uma outra divisão, que foi feita pelo falecido Presidente, o Right Rev. Monsenhor Baines [bispo eq.], e, atualmente, é suficientemente grande para acomodar, sob seu teto, todos os internos do Colégio. 

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

No piso térreo é composta por uma adega razoavelmente grande, notável pela sua frescura, usada para o armazenamento dos barris de vinho e os quartos destinados ao alojamento do caseiro ou fazendeiro e seus trabalhadores. No primeiro andar há uma boa cozinha, uma pequena capela, e seis quartos, um dos quais é grande e serve como um refeitório quando a comunidade aí está. No andar superior são quartos para os Superiores e o dormitório. Os espaços exteriores consistem numa destilaria nova e limpa, adega, lagar, e estábulo.

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

A simplicidade do edifício é amplamente compensada pelo cenário encantador que o rodeia. Indo de leste para oeste, situa-se a meio caminho da encosta norte de um belo vale, ou melhor, depressão com cerca de uma milha de diâmetro, com colinas opostas suavemente inclinadas, e de quase igual altura embora sem grande elevação, estendendo em direcção oeste, até ao Atlântico cujas margens sobrepõe. Todo o vale é vestido, desde a sua base ao seu bordo, com vinhas intercaladas aqui e ali com campos de milho.

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

Inúmeras casas brancas estão espalhadas nos lados suavemente inclinados, enquanto no cume das colinas podem ser vistos ao sudoeste uma igreja e um convento, agora, infelizmente, em ruínas e servindo como celeiro mas que até a supressão das ordens religiosas foi ocupado pelos frades da Ordem de S. Francisco.

Caparica, Convento dos Capuchos, década de 1900.
Imagem: Hemeroteca Digital

A sul, frente à Quinta, a cena é variada, aldeias, moinhos de vento, e pequenas plantações de pinheiros, enquanto a norte, atrás da Quinta encontram-se as duas vilas de Pera, cada um com seu moinho de vento. Pelo meio do vale passa uma estreita estrada pública ladeada de canas, que lhe dão a aparência de um riacho. 

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, vista sul, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

Na extremidade ocidental onde o vale atravessa as colinas, e à distância de cerca de uma milha, uma parte do Atlântico é avistável, o rugido oco das ondas que batem na costa é incessantemente ouvido.

Vista de Caparica, tomada dos Capuchos, anterior aos trabalhos de construção do IC 20.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Vista de Caparica tomada dos Capuchos, após os desaterros no vale cego de Brielas para a construção do IC 20.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Imediatamente abaixo da Quinta fica a casa de campo, anteriormente pertencente ao Marquês de Valada, que, meio escondida atrás de um tufo de altas árvores antigas, forma um objeto pitoresco, especialmente numa noite de verão, quando como nos tempos antigos o gado era deixado solto para se alimentar nos campos vizinhos. 

Caparica, Pera, casa de campo, anteriormente pertencente ao Marquês de Valada, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

O vale é refrescado durante os calores do verão pela brisa do mar que entra na abertura a oeste, e o local é tão salutar que os seus habitantes geralmente chegam a uma velhice extrema. As terras do Colégio, que consistem quase inteiramente de vinhas ficam em volta da casa, estendendo-se desde o cume da colina norte, sobre a qual fica, até à estrada a sul, que atravessa o meio do vale . De tempos a tempos, conforme as oportunidades, apareciam acrescentos de terra, que por compra, eram feitos à propriedade original.

Encantador como este lugar de beleza natural, o amor dos filhos de Lisboa para com a Quinta deve ser procurado em dias felizes nos quais eles possam olhar para trás durante a "quinzena em Pera", que anualmente em setembro, a Comunidade aí passa.

A liberdade absoluta e sem contenção, que a reclusão da freguesia em que a Quinta está situada, torna possível o relaxamento da rigorosa disciplina do Colégio, a deliciosa sensação do "dolce far niente", que sucede à grave tensão mental da preparação para exames; a suave atmosfera ainda pura, revigorante e enriquecida carregada pela brisa a partir da ampla extensão do Atlântico, conferem um charme especial para as duas ou três semanas que aí são anualmente gastas lá, e que são familiarmente conhecida como "tempo da Quinta ".

Jardins do Colégio em Lisboa, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

A estas devem ser adicionadas a beleza da paisagem com "grupos de vinha nas colinas e suas frequentes divagações pelo vale [They had oft rambled forth along the vale...]", e os inúmeros pontos de interesse e de extrema beleza que se encontram ao alcance de um agradável passeio à noite .

Learn Your Homophones: Pear, Pair, and Pare
Imagem: grammarly

A simples menção do cume das alturas escarpadas que aqui formam a linha de costa, defrontando o vasto Atlântico, será suficiente para trazer de volta uma série de aprazíveis reminiscências a cada sucessiva geração de estudantes de Lisboa.

A Praia do Sol, Panorama dos Capuchos, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 107, década de 1930.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Para ver os resistentes pescadores puxar com as suas redes o tributo prateado exigido ás águas prolíficas, ou para passear ao longo da costa desolada e contemplar as ondas a arfar e a curvar soberbas, enquanto gradualmente se aproximam, como que impacientes de contenção, e, soando oco, se joguem furiosamente contra a praia, foram fontes de prazer que repetidas visitas nunca roubaram a sua frescura.

A Praia do Sol, Alando a rede, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 106, década de 1930.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Aqui os grandiosos aspetos da natureza desvelam-se à vista, e o poderoso oceano poderia ser estudado nos seus humores sempre variáveis. (1)


(1) Croft, William, 1836-1926; Gillow, Joseph, 1850-1921; Kirk, John, 1760-1851 Historical account of Lisbon College, 1902, St. Andrew's press, Barnet

Informação relacionada:
Pontifical English College of Sts Peter and Paul - Lisbon

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caminhos de areia

A rocha estava já em frente — paredão barrento, alcantilado, com ladeira aberta por milhentas chuvas, escavadas por pés teimosos do mesmo trilho.

Costa da Caparica, Carta dos Arredores de Lisboa — 68 (detalhe), Corpo do Estado Maior, 1902
Imagem: IGeoE

Ladeada de afusados eucaliptos, a estrada de asfalto torcia para a direita, arrastando depois o caminhante a desmedido ziguezague.

A Praia do Sol - Uma vista parcial. Subida para os "Capuchos", ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 110.
Imagem: Fundação Portimagem

Por isso, elas optavam sempre pelo caminho de cabras da Boca-do-Grilo, ladeira íngreme e pedregosa como o Inferno — mas, em quatro arrancos, punham-se lá em cima. (1)

Variante à Estrada Nacional 377 (detalhe), zona da Boca do Grilo.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Com a sardinha, empilhada,
Inda saltando vivaz,
Vem de cestinha avergada;
E lá de baixo, da praia,

Sentinelas ou Guardas avançadas, Caparica, Falcão Trigoso, 1935.
Imagem: Palácio do Correio Velho

E sobe a pino o almaraz;

Costa da Caparica, Alfredo Keil (1851 - 1907).
Imagem: Palácio do Correio Velho

Mas nem por sombras cançada! (2)


(1) Correia, Romeu, Calamento, Lisboa, Editorial Minerva, 1950.
(2) Bulhão Pato, Raimundo António de, Livro do Monte, georgicas, lyricas, 1896, Typographia da Academia, Lisboa.

Artigo relacionado:
Estradas Real 79, Distrital 156 e outras vias

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Caparicanas

Ercília Costa (1902 - 1985)

No inicio do nosso século havia um pescador caparicano que nas horas de ócio dedilhava a guitarra. Tocava e desabafava, inconformado com aquilo que, na sua singeleza, chamava triste sina...

A Praia do Sol, As primitivas barracas dos pescadores, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 111
Imagem: Delcampe

Havia constituído lar, e nele nasceram três meninas. Uma, a mais viva, de nome Ercília, muito cedo brincou com a guitarra e cantarolou, numa inocente imitação do progenitor. Aos quatro anos, acompanhava a mãe quando esta viajava até Lisboa, e durante a travessia do Tejo, nos vapores da carreira, lá os passageiros achavam graça às cantigas da pequenita, presenteando-a com moedas de cobre. Foram os primeiros aplausos e os primeiros ganhos da futura actriz-cantora.

Mais mulherzinha, veio residir em Lisboa e aprendeu o ofício de costureira de alfaiate. E tudo parecia ser mais uma rica vocação abortada pelo condicionalismo do dia-a-dia.

Ercília Botelho Farinha Salgueiro nasceu na Costa de Caparica a 3 de Agosto de 1902. Filha de Manuel Farinha e de D. Virgínia Maria Botelho. O apelido de Salgueiro adoptou-o apos o casamento com o funcionário bancário José Salgueiro, falecido em 27 de Junho de 1977.

Mas a vocação da jovem Ercília não se iria perder, e o interregno acabaria no dia em que, estando a trabalhar no oficio, alguém (ouvindo-a cantar...) lhe pergunta se queria tomar parte num coro de alunos do Conservatório Nacional, ali perto à Rua dos Caetanos. Tratava-se do Auto do Fim do Dia, prova de exame que teria lugar dali a dias no Teatro de S. Carlos.

O mestre da oficina dispensou-a por umas horas, e a bela voz de Ercília logo foi notada no improvisado coro. Dirigiam os ensaios o Maestro Hermínio do Nascimento, na parte musical, e Mestre António Pinheiro, quanto ao poema. E todos foram unânimes em classificar de esplêndida aquela voz surpreendida numa oficina de alfaiate.

Várias circunstâncias impediram a incipiente cantora de se cultivar. Rapariga pobre, nunca poderia empatar sete anos nos estudos. Mas uma nova oportunidade iria surgir pouco depois e, em 1928, estimulada pelos actores Mario Campos e Eugénio Salvador teste ao tempo doublé de futebolista do 1." team do Sport Lisboa e Benfica). começou a cantar o fado e outras canções.

Ercilia, que, entretanto, se baptizara como artista, unindo o primeiro nome ao da sua terra natal, passou a ser anunciada e conhecida por Ercília Costa.

Ercília Costa.
Imagem: du bleu dans mes nuages

Primeiro cantou fados no Olimpia, de Lisboa. Ferro de Engomar, em Benfica. e nos conhecidos retiros da Capital Café Luso, Solar da Alegria e Retiro da Severa. Dois meses após a sua estreia, gravou discos para a Brunswich e Odéon e, terminada essa tarefa, estreou-se no teatro, contratada pelo empresário José Loureiro.

Entretanto, recebia o cartão de artista de variedades. No Trindade, estreou-se na revista A Cigarra e a Formiga. Tempos depois, na Feira da Luz, no Apolo; no Variedades, com Satanela, Raul de Carvalho e Assis Pacheco no Canto da Cigarra; no Coliseu dos Recreios, na História do Fado; no Avenida, no Fogo-de-Vistas; no Maria Vitória, no Rei dos Fadistas: de novo no Coliseu, no Fim do Mundo e Última Maravilha.


Em 1931, visitou as Ilhas, tendo representado em todos os teatros da Madeira e Açores. Depois ici percorrendo todos os palcos do Minho ao Algarve. Em 1934, esteve presente em Vigo, nas festas luso-galaicas, aquando da inauguração da estátua a Camões: e segue logo para Madrid, onde actua em teatros e grava um disco no mesmo dia e na mesma firma em que gravava o argentino Carlos Gardel.

Ercilia é do tempo em que o artista actuava sem o auxílio do microfone. Então era exigido ao cantor, para lá do valor e da qualidade da peça a executar, um domínio absoluto sobre o auditório.

A forte personalidade do cantor tornava-se um factor de extrema importância. Ercilia Costa tinha esta última qualidade em elevado grau, ao ponto de, no enorme Coliseu dos Recreios, com a lotação esgotada (6000 espectadores), quando ela cantava, não se ouvia sequer uma mosca...

Um aspecto da formidável enchente do Coliseu dos Recreios, em cujo palco foi representada a revista O Fim do Mundo, com a participação de Ercília Costa e Leonor d'Eça, 1934.Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

E, como a sua concentração, nesses momentos de transe, a levava, mimicamente, a pôr as mãos como numa prece, alguém, impressionado, disse um dia que ela parecia uma santa a cantar o fado...

Diante do microfone, Ercília foi uma pioneira: no Posto Radiofónico CT1AA, de Abílio Nunes dos Santos, dos Grandes Armazéns do Chiado, foi o primeiro artista a actuar para ser ouvido no estrangeiro.

A nossa biografada, para lá do valor das orquestras que com ela colaboraram em inúmeros espectáculos e audições, pede que não nos esqueçamos do espantoso Armandinho, cuja guitarra por si dedilhada se transformava num coração humano com vida própria.


Quando do seu funeral, Ercília pediu licença à viúva do grande guitarrista para lhe beijar as mãos.

Continuando a citar os vários países e lugares onde a actriz-cantora actuou, temos que: em 1936, foi pela primeira vez ao Brasil, integrada na Companhia de Revista Adelina Abranches-Eva Stachino; por mais duas vezes visitou este país, em 1938 e 1945; nestas digressões percorreu de lés a lés a grande nação sul-americana.

Em 1937, esteve na Exposição Universal de Paris, actuando numa récita de gala no Teatro Campos Elisios, cantando ainda na emissora Rádio-Parisiènne. Em 1939, cantou na Exposição Mundial de Nova Iorque, demorando-se um ano na América do Norte, onde visitou 26 estados, indo até à Califórnia. Voltou aos Estados Unidos oito anos depois. Bing Crosby, Gary Cooper, Leo Carrillo e outros astros de Hollywood foram seus admiradores, presenteando-a com elogiosos autógrafos nas suas fotografias.

Ercilia Costa foi, no seu tempo, o artista português que gravou mais discos, sendo ainda (e isto constitui uma curiosa revelação...) a autora de várias músicas dos seus fados.

Interpretou dois filmes: Amor de Mãe, para a Aguia Filme, e Madragoa, de Perdigão Queiroga.




Leonor de Eça (1905 -1940)

Leonor da Cunha Eça Costa e Almeida veio ao mundo na Caparica a 8 de Agosto de 1905. Filha de João Lopo da Cunha de Eça e Almeida e de D. Maria Madre de Deus Dinis Almeida.

Leonor de Eça,
Margarida no filme As Pupilas do Senhor Reitor,
Leitão de Barros, 1935.
Imagem: Hemeroteca Digital

Actriz teatral e cinematográfica. Estreou-se em Abril de 1926 no Teatro Nacional, substituindo a actriz Ester Leão na protagonista de O Amor Vence, onde obteve êxito.

Desempenhou cerca de duas dezenas de papéis neste palco, dirigido por Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro. Foi duas vezes ao Brasil e trabalhou em quase todos os teatros de Lisboa, Porto e outras cidades.

A chegada, a Lisboa, da artista brasileira Aracelis Castor Bastos, na foto Estêvão Amarante, Aracelis Castor Bastos, Maria Velez, Maria Castelar, Leonor de Eça, Raul de Carvalho, 1936.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

No cinema, toma parte nos filmes As Pupilas do Sr. Reitor, de Leitão de Barros, e Pão Nosso, de Armando de Miranda. No primeiro filme foi premiada no Rio de Janeiro pelo seu desempenho de "Margarida". (2)




(1) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.
(2) Idem 

Informação relacionada:
Interpretações de Ercília Costa
Leonor de Eça no Dicionário do Cinema Português de Jorge Leitão Ramos

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Trafaria 1900, cliché Faustino António Martins

Em torno do selo e das colecções por si motivadas produziu-se vasta bibliografia. Começavam, de imediato, as publicações especializadas relacionadas com os selos, dedicadas aos seus coleccionadores.

Selo de D. Carlos I, 25 reis de 1895,
desenho e gravura de Louis-Eugène Mouchon.
Imagem: Delcampe

Álbuns e catálogos foram as primeiras, mas produzidos fora das fronteiras nacionais. Foi preciso esperar pelo ano de 1887, para aparecer a primeira publicação periódica portuguesa, O Philatelista, Orgão do Centro Philatelico Portuguez, propriedade de Faustino A. Martins, publicada em Lisboa, com irregularidade, em 4 séries, até Abril de 1896. (1)

O Philatelista, revista mensal, 1887.
Imagem: Os selos Coroa da Guiné

Supomos ser curioso citar aqui, para ilustrar esta época, o que se escrevia em 1894, no número 3 da série III, de "O PHILATELISTA". Esta revista, dirigida pelo conhecido comerciante português Faustino Martins, criou a partir deste número de sua publicação, uma interessante secção intitulada "Galeria Philatelica".

Nela aparece o "retrato" do coleccionador em foco, e uma breve descrição da sua colecção. Para abrir essa Galeria, com vista a "incitar à imitação", é o próprio Faustino António Martins o número 1 dos quadros que a irão ornamentar.

A ele se refere o articulista a certo passo, nestes termos: "A sua colecção conte cerca de 14.000 variedades, além de mais de 3000 das emissões continentais e coloniais de Portugal, que constituem a mais rica colecção de selos portugueses que temos visto e que certamente existe...". (2)

Faustino António Martins ou F. A . Martins (como assina na maioria dos seus bilhetes postais) foi grande filatelista, director e proprietário do Filatelista (publicação mensal dedicada aos coleccionadores de selos e órgão do centro Filatélico Português).

Torre do Bugio na barra de Lisboa (segundo uma gravura de J. pedrozo), ed. Martins/Martins & Silva, 458.
Imagem: Delcampe

Foi proprietário de um estabelecimento comercial, posteriormente especializado na compra e venda de selos, estabelecimento esse, situado na Praça Luís de Camões Nº35 Lisboa, fundado em 1867, existindo ainda em 1894, como vimos em exemplares da revista.

Faustino António Martins aderiu e torno-se editor e comerciante de cartofilia em 1900, alias muito associada á filatelia. Esta importante casa editora sofreu varias modificações no seu nome: Faustino A. Martins / F.A. Martins / ed. Martins / Martins / ou Martins & Silva entre outras variantes. Usou monogramas de que conhecemos FAM e MS.

Trafaria (Portugal), Vista geral e rio Tejo, ed. Martins/Martins & Silva, 28, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

O prestigio adquirido pelo seu estabelecimento foi enorme , atendendo á grande qualidade e variedade de exemplares. Iniciou actividade editorial sob a sigla F.A.Martins a partir de 1900, Edição Martins a 1902 e Martins e Silva provavelmente em 1903.

Como outros editores de B.P.I.'s F.A.Martins emitiu juntamente com alguns comerciantes, em regime de parceria e por encomenda.

A sua produção retratou a vida publica e oficial da época, bem como aspectos do território, do povoamento e da sociedade, das actividades económicas e culturais, das paisagens e costumes de quase todo o país.

Como muitos outros editores cedeu clichés ou direitos de uso, por acordo ou venda, a colegas, sobretudo, das cidade e vilas da província, teve a colaboração dos melhores fotógrafos de Lisboa,  do Porto e de Coimbra, bem como de outros pontos da província e usou clichés cedidos por outros editores.

Trafaria — Vista geral, ed. J. Quirino Rocha, 01, década de 1900.
Imagem: Delcampe - Oliveira

Todos os seus postais são numerados por ordem crescente em árabes.

Trafaria — Vista parcial, ed. J. Quirino Rocha, 07, década de 1900.
Imagem: Delcampe - Oliveira

Conhecem-se-lhe a colecção "Portugal" e as sub colecções: "Lisboa", "Collection portugaise" "Collecção Portugueza" "Collecção Relvas", "Lisboa Typos das ruas" e colecções de Costumes entre outras. (3)

Trafaria — Vista geral, ed. Martins/Martins & Silva, 1201, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

Faustino Martins foi um comerciante de filatelia com estabelecimento na Praça Luis de Camões, nº 35 em Lisboa que dizia em 1888 ao referir-se ao seu negócio: "... do nosso estabelecimento, sem dúvida hoje o primeiro da Europa na especialidade do comércio e pelo enorme depósito de muitos milhões de selos que possuimos de todo os países do globo". (4)


(1) Em Torno do Selo Postal Português
(2) A Evolução das Coleções Clássicas
(3) Nazaré em Postal Ilustrado
(4) Os selos Coroa da Guiné

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Liberato Teles

Francisco Liberato Telles de Castro e Silva (1843 — 1902)

É um illustrado funccionarío das obras publicas, conductor de 1.a classe do quadro auxiliar do corpo de engenheria civil sr. Francisco Liberato Telles de Castro da Silva, [...] prestando assim homenagem a um cavalheiro muito apreciavel pelos seus dotes de technico, de artista e de erudito, tres qualidades que reunidas formam um caracter deveras distincto.

Francisco Liberato Telles de Castro e Silva.
Imagem: Hemeroteca Digital

Como technico tem publicado varios estudos interessantes sobre diversas especialidades do seu conhecimento.

Data de 1873 o seu primeiro livro intitulado "Guia do empreiteiro". pequeno volume contendo formulas, tabellas, indicaçäo de processos de contstrucção, traçados de estradas, series de preços, etc; a clareza com queãistá escripto e a rnaneira por que o assunpto está tratado tomam este livro muito util e efficaz aos empreiteiros, mormente os de estradas.

Embora iniciada assim, por um livrinho de valor, a serie dos seus estudos, Liberato Telles só dezoito annos depois publicou o novo trabalho intitulado "Duas palavras sobre pavimentos", que é um tratado completo sobre processos antitigos e modemos usados no revestimento dos pavimentos, c no qual sob a forma de livro o auctor publicou os seus preciosos apontamentos profissionaes, enriquecendo-os de curiosas notas históricas. 

Demanda este trabalho muita atenção na regularização da superfície a calçar nivelando-se muito bem, em seguida fixar-se-ão os moldes dos desenhos a produzir, partindo dos centros para os lados; a posição do molde é determinada por meio de esquadria, ou por outra, determinado o eixo da rua, passeio, etc., fixar-se-á nos extremos um cordel indicando-o, e deste modo para o lado se levantarão perpendiculares e só por meio delas se poderão assentar convenientemente os moldes.

Assentes estes, começar-se-ão a encher os vazios com pedra de dimensões iguais às da calçada com pedra miúda, encostando-as de encontro aos moldes, preparando-se muito bem a pedra para poder produzir esse fim — cheios os vazios tiram-se os moldes e calcetam-se com pedra de outra cor o espaço por eles ocupado, empregando-se todos os cuidados na execução, obtendo-se assim bonitos desenhos…

in  Teles, Liberato, Duas palavras sobre pavimentos, Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora, 1896, 272 págs.

No anno passado sahiram do prélo a primeira e segunda edicão do primeiro estudo sobre Construcção Civil intitulado "Arte de Dourar", collecção de processos, enriquecida de varias notas interessantes acerca de alguns artistas douradores portuguezes.

Agora no corrente anno, opulentou ,o sr. Liberato Telles a nossa bíbliograiàliia tecbnica, industrial e artistitica com uma obra de grande tomo e importancia, à qual a imprensa do pais se tem referido lisongeiramente e que, fazendo parte da serie "A decoração na construcçao civil", se intitula "Pintura simples", epigraphe modesta que occulta um riquíssimo peculio de processos artisticos de factura pictural.

Pintura simples, Liberato Telles.
Imagem: Alfarrabista Roma

Adorna-o egualmente um interessante esboço historico da pintura, em que se delinem as épocas, tratando os pintores mais. notaveis de cada uma d'ellas, das ditferentes escolas e dos seus característicos, terminando com alguns traços biogaphícos dos principaes pintores portugueses. 

O texto principal da obrae assaz substancioso e util, pois trata detidamente das tintas, technica dos tons, dos oleos, das essencias, dos secantes, das gommas, das massas, das collas e dos vernizes usados na construcçäo civil, no interior e no exterior; segue-se a enumeração dos differentes generos de pintura e a reproducção dos variadissimos processos e termina por um album artisticarnente lithograpliado a cores com amostras das madeiras e marmores mais usualmente imitados.

Não sou Pintor como todos sabem, nem tenho a pretensão de passar por entendido no assunto como ficam sabendo; conheço apenas de pintura o que devem conhecer todos aqueles que seguiram a minha profissão.

in Teles, Liberato, Pintura Simples, A Decoração na Construção Civil, Lisboa, Typographia do Commercio, 1898, 1º vol 233 págs, 2º vol 252 págs.

Se a par d'estas obras publicadas e que tanto honram o seu auctor e abonam as suas faculdades de technico e tratadista nas especialidades, nós quizessemos tambem referirmo-nos às muitas obras de construcção civil que tem dirigido, muito teriamos a dizer, pois se lhe deve a cuidada e intelligente direcção de trabalhos importantes, taes como a transformação do velho pardieiro de Arroyos n'um hospital digno de vista; o alteamento do tecto da sala da Junta Consultiva de Obras Publicas, traballho em que se levantaram as asnas sem tocar no madeiramento; os grandes melhoramentos feitos no Lazareto, obras que dirigiu com notavel proliciencia, merecendo os mais decididos. louvores do engenheiro Cecilio da Costa.

Mas a obra que lhe foi querida por excellencia é a do ambamento interno do edificio da Madre de Deus, em Xabregas, onde o seu bom gosto e são criterio soube multiplicar-se em_carinhosos cuidados, forniando d`aquelIe historico edificio, verdadeiro escrinio de preciosidades, um incomparavel museu de antigos azuleios poriuguezes alli sabiamente collocados. obedecendo a methodica e artística distribuição. 

Ainda por ultimo são obra de direcção sua aquellas enormes abobadas que se estão fazendo no quartel dos marinheiros em Alcantara para sobre ellas assentar a respectivra parada.

Seria na verdade fastidioso querer deixar aqui uma mais Ionga enumeração das obras em que a actividade d'este distincto constructor se tem evidenciado, porque essa lista ficaria sempre muito longe da verdade.

Fallando assim um pouco pormenorisadamente dos trabalhos de Liberato Telles, não quizemos de modo algum. eximir-nos a fallar da vida do homem, accrescendo que o nosso periodico sempre prestou especial cuidado ás biograpliías dos seus retratados. 

Assim, sabemos que Liberato Telles é natural de Cacilhas, onde viu a luz do dia em 21 de janeiro de 1843. 

Pontaleto de Cacilhas, espólio do duque de Palmela, 1885.
Imagem: Delcampe

Seus paes, Francisco Liberato a Silva que foi 2.° commandante da guarda municipal, e D Maurícia Tellesde Castro da Silva, destinaram-o á carreira militar, onde a sua familia conta nomes illustres, frequentando para isso o Collegio Militar, cujo curso não completou, attrahido por outros estudos, como a economia politica, destinando-se à carreira diplomatica. 

Pela morte do conde do Lavradio que prometera protegel-o ne nova carreira, teve Liberato Telles que voltar para outros assumptosa sua actividade intelligente, trabalhando nas obras da fortificacão de Lisboa, e iniciando os seus estudos topográphicos, alcançando em 1863 o logar de aspirante a conductor, sendo collocado no districto de Santarem, onde em trabalhos importantes se conservou até 21 de dezembro de 1877, em que foi transferido para na direcção das obras publicas do districto de Lisboa.

Desde então para cá, Liberato Telles nunca deixou de affirmar os seus dotes de conductor illustrado, merecendo de mais em mais o dcsvanecedor apreço que todos que o conhecem lhe tributam, e ao qual nós juntamos tambem o nosso quinhão.  (1)
Os anuários comerciais de 1885 e 1888, no âmbito do levantamento de exitências de máquinas a vapor, referem a fábrica de britagem de pedra de Liberato Telles, na zona da Lapa, em Cacilhas.

Trituração de Pedras Liberato Telles & Companhia (Lapa, Cacilhas, 1885),
Docas A. J. Sampaio (Lapa, Cacilhas, 1888, 1896),
Fábrica de Britar Pedra Liberato Teles de Liberato Pinto (Cacilhas, 1888).


in A produção social da solidariedade operária: o caso de estudo da Península de Setúbal (1890-1930)

Vista tomada no porto de Cacilhas, face a Lisboa, Hubert Vaffier,  1889.
Imagem: Bibliothèque nationale de France

Para concluir a revista d'este numero, reproduziremos uma noticia que vem avivar-nos a saudosa lembrança de Liberato Telles, ha pouco fallecido. 

Este distinctissimo conductor de obras publicas, ultimamente agraciado com a promoção ao honroso cargo de conductor principal, organizara uma monographia interessante, como outras que elle deu à estampa, ácerca do edificio e egreja do antigo convento de S Paulo, em Almada, cujas obras de restauração foram, durante bastante tempo, dirigidas por aquclle illustre e benemerito funccionario.

Esta memoria, porém, infelizmente ficou manuscripta, e foi pelo auctor offerecida e enderessada ao conselho superior dos monumentos nacionaes, acompanhada de um magnifico album contendo photographias das fachadas, planta e corte do edificio, onde repousam entre outras, as ossadas de fr. Francisco Foreiro, qualificador do Santo Officio, e confessar de D. Joäo lll, que alli falleceu em 1581, e de D. Alvaro Abranches da Camara, um dos mais valorosos campeões da independencia, em 1640, e heroe das luctas com os hollandezes no Brazil. 

O fallecido Liberato Telles, cujo dedicado amor pelas cousas nacionaes e pelos assumptos artisticos e archeologicos era bem conhecido, pedia que o antigo convento de S. Paulo, theatro do pungente drama da vida de fr. Luiz de Sousa, fosse considerado monumento nacional.

Este magestoso templo que se achava já bastante arruinado, está sendo actualmente reparado por um troço de operários sob a direcção do illustre conductòr de obras publicas, sr. Liberato Telles de Castro e Silva.

Estas reparações foram mandadas fazer pelo governo, para o que muito contribuiu o nosso amigo e conterrâneo sr. Antonio Dionizio Parada.

ver artigo relacionado:  Almada em 1897

Ainda ha pouco, um dos nossos mais illustres investigadores, que tantos e tão relevantes serviços tem prestado à historia da arte nacional, o sr. dr. Sousa Viterbo, chamara sobre este ediñcio antiquissimo as attenções dos estudiosos, na sua interessantisstma Memoria, publicada na collecção das Memorias da Academia Real das Sciencias, intitulada: D. Manuel de Sousa Coutinho (fr. Luiz de Sousa) e sua mulher D. Magdalena Tavares de Vilhena (op. de 60 pg. — 1902).

Liberato Telles publicara tambem em 1901, no Boletim da Associação dos Conductores de Obras publicas, e depois em bella separata, a sua exceIente memoria acerca do antigo mosteiro e egreja da Madre de Deus, monographia acompanhada de um precioso album de illustrações de B. Ceia.

Relevante serviço prestariam por certo o Conselho Superior dos Monumentos, ou a referida Associação, publicando a memoria acerca do convento de S. Paulo. (2)



A Decoração na Construção Civil, Liberato Telles.
Imagem: Alfarrabista Roma


(1) O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 716, novembro, 1898.

(2) O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 862, dezembro, 1902


Bibliografia de Liberato Teles:


Teles, Liberato, Duas palavras sobre pavimentos, Lisboa, Typographia da Companhia Nacional Editora, 1896, 272 págs.

Teles, Liberato, Pintura Simples, A Decoração na Construção Civil, Lisboa, Typographia do Commercio, 1898, 1º vol 233 págs, 2º vol 252 págs.

Teles, Liberato, Mosteiro e egreja da Madre de Deus, Lisboa, Imp. Moderna, 1899, .

Teles, Liberato, A arte de dourar, Lisboa, Typographia do Commercio, 1900, 3.a edição revista e aumentada, 108 págs.


Outras referências: O Paço de Cintra, Lisboa, Imprensa Nacional 1903.