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domingo, 1 de janeiro de 2023

Os O'Neill e a Quinta da Arealva

Foi o local escolhido por João O’Neill para sua residência, no que foi ajudado pelo Reitor do Colégio Irlandês em Lisboa. A quinta estremava a Nascente com a Quinta do Olho de Boi pertencente a primos da sua mulher D. Valentina Ferreira uma proprietária na Merceana perto de Alenquer.

Vista de Lisboa (tomada da margem sul), Alexandre-Jean Noël.
Cabral Moncada Leilões

Nessa época quase todos os chefes das grandes famílias Irlandesas que não aderiram ao protestantismo e à Coroa Inglesa, foram proscritos e para manter os seus direitos de linhagem viram-se obrigados a sair da Irlanda na esperança de poderem voltar. A ancestral tendência em associar a natureza humana ao resto da natureza levou o povo a apelidar esse movimento de Flight of the Wild Geese — voo dos gansos bravos — pela semelhança com o regresso das aves migratórias ao seu ponto de partida.

A dúvida quanto à probabilidade da criação de condições que tornassem o regresso útil levou muitos destes lideres emigrados, a procurar soluções mais duradouras que, tirando partido da sua experiencia, dos seus hábitos e da sua visão especial da vida, se lançassem em actividades em que tivessem um fac- tor diferenciador positivo em relação aos seus concorrentes.

A produção e distribuição de vinho e de bebidas alcoólicas em cuja avaliação eram peritos, foi naturalmente uma das principais escolhas. O afinado sentido de humor dos irlandeses levou-os a apelidar estes líderes emigrados “Wine Geese” os gansos do vinho.

A nossa família obteve as duas qualificações: Wild Geese pela saída de Felim O’Neill para França à frente do regimento O’Neill da Brigada Irlandesa e Wine Geese devido à montagem pelo seu neto Shane ou João na Quinta da Arealva de uma adega e um negócio de compra e venda de vinhos, que mais tarde evoluiu para a exportação de vinhos para os Estados Unidos em colaboração com Charles, seu irmão, que veio mais tarde para Portugal armando um navio “João e Carlos” especialmente destinado a este transporte e que usava o ainda existente cais da Quinta para a carga e descarga dos vinhos.

Os vinhos foram ganhando fama tendo João recebido a visita de Giuseppe Baretti, um homem de letras e um desfrutador da vida, que o visitou em 1760 assinalando a sua visita numa das suas obras, onde descreve o cais, a qualidade dos vinhos e a elegância da adega e da quinta. (1)

E foi uma felicidade que aquele senhor negociante de vinhos que se chama O'Neal, usasse para commigo de tanta cortezia quanta vilania tinha praticado o velho doutor da tal mulher nova, o qual apenas quiz consentir que eu depenicasse um cacho das suas vinhas, que todavia estavam carregadíssimas d'elles.

Retrato de Giuseppe Baretti (1719-1789) por Joshua Reynolds.
Wikipedia

Deu-me com liberalidade o sr. O'Neal a beber quanto eu quiz, e fez-me provar mais qualidades de vinhos muito estimados, e aos meus suados barqueiros deu tambem um garrafão, pondo ainda dificuldade em deixar metter algum dinheiro no bolso de um seu pequeno.

Aquelle cavalheiro tem a sua casa protegida do rio por uma espécie de molhe construido de grossos penedos, e, tendo eu subido a esse molhe, recreei-me de ver dois escravos da Guiné, mais pretos do que pez nadarem no rio, e darem viravoltas e saltos na agua, e mergulhos, que era um regalo vel-os; e, a troco de alguns cobres que lhes dei, armaram uma dança sobre as ondas, cantando á sua moda, ora mergulhando, ora pulando de todo no ar. de modo tão assombroso, que seria mais facil agarrar uma enguia pelo rabo. (2)

Quinta da Arealva (detalhe)
Margarida Bico

Valentina Ferreira morre em 1766 e João O’Neill resolveu construir em sua memória uma ermida a que deu o nome de S. João Baptista, padroeiro de Almada. Aí casou a sua filha Maria com Brian Lynch em 1774. Em 1786 dois dos seus filhos puseram-lhe uma acção de partilhas e obtiveram do tribunal a posse provisória da Quinta.

João O’Neill morreu em 1788 e após a sua morte a casa e quinta passaram para a sua filha Maria que a vendeu em 1813 a João Luis Lourenço (...) (3)


(1) António Cunha Bento, Inês Gato de Pinho, Maria João Pereira Coutinho, Património arquitectónico civil de Setúbal e Azeitão, 2019
Occidente n.° 625, 5 de maio de 1896
António Cunha Bento, Inês Gato de Pinho, Maria João Pereira Coutinho, Idem

Artigo relacionado:
Almada em 1760

Informação relacionada:
Lugares de Almada: Da Fonte da Pipa à Arialva, passando pelo Olho de Boi
Andrew Shepherd, The O’Neills of Portugal, 2020

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Quinta de São Pedro no Pragal

Quinta ao Pragal, no extremo da povoação, do lado sul da EN. 377, junto ao viaduto por onde esta estrada transpõe a auto-estrada do Sul (...)

Pragal, Quinta de S. Pedro, Augusto de Jesus Fernandes.
Arquivo Municipal de Lisboa

Quando se construiu a auto-estrada do Sul, a A2, a quinta foi retalhada tendo desaparecido o lado oeste da quinta, salvou-se da demolição a entrada da quinta constituída por um magnifico portal do Século XVIII e também um painel de azulejos da mesma época e a antiga adega, hoje recuperada para habitação (...)

Pragal, Quinta de S. Pedro, Augusto de Jesus Fernandes.
Arquivo Municipal de Lisboa

Em 1900 pertencia a Salvador Duarte Ferreira e, em data que desconhecemos, entrou na posse de Jose Carlos da Maia o conhecido politico republicano assassinado em 1921.

É agora (2003) habitada, na parte que dela restà, por um neto daquele, o pintor de arte (José) Carlos da Maia. Com o nome de S. Pedro hà outra quinta na Freguesia da Caparica (...) (1)

Planta da Quinta do Ill.mo e Ex.mo Snr. Principal de Sousa sita no lugar do Pragal, termo da vila de Almada levantada em Setembro de 1803. Dedicada a Ill. ma e Ex.ma D. Marianna de Sousa Coutinho por seu respectuoso e obrigadíssimo creado M.J.N.G. Reduzida do original e calculada por M.M.F. (2)

Planta da quinta do Principal de Sousa sita no Pragal, termo da vila de Almada (detalhe), 1803.
ANTT

Descrição iconogratica de uma quinta caracteristica do termo de Almada no século XIX, com as confrontações, as arcas utilizadas para o cultivo da vinha. horta. lavoura e pomar, os caminhos, as estruturas de apoio à atividade agricola e as áreas funcionais de habitação da casa principal. (3)

Planta com esquema e legenda do interior do edificio (detalhe), 1803.
1. portão 2. entrada, pátio  3. escada exterior com alpendre e pequena varanda 4. corredor 5. salinha bilhar  6. sala 5 janelas 7. passagem para a casa de jantar 8. casa de jantar 9. gabinete de meu pae (pequena livraria) 10. quarto da mmmm (?) 11. escadas para o quarto das criadas 12. o meu quarto 13. pequena sala onde me vestia 14. quarto de meus paes 15. capella 16. pequenas tribunas 17. quarto do mano Rodrigo e da mana 18. casa de passagem e de entrada 19. quarto para hospedes 20. copa, casa de jantar dos criados, escada para o quarto das manas 21. fonte em frente do portão  22. lagar 23. adega 24. poço (allegretes, passeio, horta) 25. jardim exterior 26. entrada para a capella
ANTT

Levantamento topográfico da propriedade rural e planta da casa pertença de D. José Antonio de Meneses e Sousa Coutinho, diacono da igreja Patriarcal de Lisboa e membro do Conselho de Regência do Reino que governou Portugal durante a ausência da corte no Brasil.


Planta da quinta do Principal de Sousa sita no Pragal, termo da vila de Almada, 1803.
ANTT

O Principal de Sousa, membro de uma das famílias abastadas e nobres do reino, é irmão de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o 1.° Conde de Linhares. A propriedade, conhecida também por Quinta de S. Pedro, foi doada pelo Principal de Sousa às suas irmas D. Mariana e Maria Balbina de Sousa Coutinho. (4)


(1) Pereira de Sousa, Almada, Toponímia e História, Câmara Municipal de Almada, 2003
(2) ANTT
(3) Almada na História, Boletim de Fontes Documentais, n° 27/28, 2014
(4)
Idem
 

Artigos relacionados:
Panorâmicas do Pragal

Leitura relacionada:
Fundo Condes de Linhares ANTT

Leitura relacionada (Principal Sousa/Gomes Freire de Andrade):
Eunice Relvas, A Lisboa de Gomes Freire (1781-1817), Revista Militar, 2605/2606, Fevereiro/Março de 2019
Daniel Estudante Protásio, Os algozes de Gomes Freire: análise prosopográfica e ideológica de alguns decisores do seu processo
Luis Stau Monteiro, Felizmente há luar!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Vias terrestres

No termo de Almada, três vias sobressaíam, todas elas orientadas na direcção Este/Oeste. De Almada a Murfacém corria a estrada de Caparica, tendo como ponto intermediário mais importante Santa Maria do Monte. 

Embouchure de la Rivière Du Tage (detalhe), Nicholas De Fer, 1710.
RareMaps.com

Com a mesma orientação, com início um pouco abaixo de Cacilhas, um outro caminho seguia pelo Vale de Mourelos, ao encontro do anterior na zona envolvente do Monte de Caparica (A primeira via corresponde à estrada Almada que, desde há muito, une Almada à Trafaria, enquanto a segunda seguiria um trajecto próximo ao da actual via rápida de Caparica); mais a sul, ainda no mesmo sentido, uma terceira ligação saía de Corroios rumo à Sobreda.

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal, José Maria das Neves Costa, 1813 (detalhe)
Instituto Geográfico do Exército

Em volta da vila, uma série de caminhos secundários, entrecruzados por azinhagas, ligava capilarmente os núcleos agricultados, associando à vila lugares como Cabo da Vila, Campo, Alvalade, Almorouche, Benacidril, Pombal, Mutela, S. Simão.

De Coina irradiavam as vias que permitiam aceder ao espaço meridional da Península da Arrábida. Na periferia da vila, a estrada velha de Almada, que prosseguia para Setúbal com passagem por Azeitão, ramificava-se, assegurando a ligação a Sesimbra. Do término oriental da vila saía o caminho de Palmela.

Historical military picturesque..., George Landmann, Palmela vista da estrada da Moita, Estremadura.
Biblioteca Nacional de Portugal

Por terra, a vila comunicava ainda, a leste, com Barracheia e, a assegurando a ligação a Sesimbra norte, por um caminho lateral ao esteiro, com Romagem e Palhais. Na margem oposta unia-se igualmente a Palmeira.

As duas saídas do castelo, as portas de Azóia, a oeste, e de Azeitão (ou do Sol), a nascente, assinalavam simbolicamente o início dos dois braços em que podemos inscrever as linhas nucleares do povoamento do concelho: a ligação a Azeitão que se prolongava no «caminho que vai pelas aldeias» até Camarate, e a estrada para Santa Maria do Cabo, com passagem em Zambujal e Azóia.

Carta militar das principaes estradas de Portugal (detalhe), Lourenço Homem da Cunha de Eça, 1808.
Biblioteca Nacional de Portugal

De Santana saía, ainda, o acesso para a povoação acastelada e para a Ribeira de Sesimbra . Da referida porta do Sol, uma calçada conduzia igualmente à zona ribeirinha.

Sesimbra, tinha em Santana a charneira do eixo viário que atravessava longitudinalmente todo o concelho.

Carta chorographica dos terrenos em volta de Lisboa  (detalhe), 1814.
Biblioteca Nacional de Portugal

Esta trama viária era fechada a ocidente por um longo caminho que, partindo das imediações do Monte de Caparica, acompanhava a orientação da linha de costa e serviria lugares como a Adiça e a lagoa de Albufeira, antes de atingir Alfarim. (1)



(1) José Augusto C. F. Oliveira, Na Península de Setúbal, em finais da Idade Média: organização do espaço, aproveitamento dos recursos e exercício do poder, 2008

Artigos relacionados:
Cartografias
Mappa de Portugal antigo e moderno
Estradas Real 79, Distrital 156 e outras vias

S. Simão das Barrocas

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A casa da Quinta da Oliveira

D. Francisco de Noronha (1863-1953), fidalgo de quatro costados — e dos quais não blasona — é um ancião de 85 anos, que vive no seu solar modesto de Cacilhas, contiguo aos terrenos que foram dos condes Assumar e dos marqueses de Alorna, integrados na casa Mascarenhas, e que há pouco passaram, e em boa hora, para a Camara Municipal de Almada.

A casa de D. Francisco de Noronha (Prédio do Gato).
Alexandre M. Flores, Almada antiga e moderna, Freguesia de Cacilhas, CMA, 1985

D. Francisco, de memória viva, metido entre os seus livros — que são alguns preciosos — as suas evocações, os seus constantes escritos literários que dispersa, generosamente — conheceu Bulhão Pato. Foi da sua privança.

D. Francisco de Melo e Noronha (1863-1953).
Espólio AIRFA (InfoGestNet)

— Como não ser? Meu tio, que foi juiz desembargador, legou-me esta minha pobre casa, que ele comprara aí por 1872. Por aqui tenho vivido. (1)

*
*     *

É sempre um prazer encontrar alguém interessado como nós em conhecer os antepassados. Na nossa família existe uma geração em que se sabe ter havido escritura ante-nupcial, em que se estipulava a conservação e prioridade do apelido Netto, num casamento cerca de 1820, em S. Paulo de Almada (meus tetra-avós). também encontrei Assentos de Baptismo, Casamento e Óbito desde cerca de 1580; aliás os assentos só passaram a ser obrigatórios nessas datas. 

Muito do restante foi encontrado em enciclopédias, História de Portugal de Alexandre Herculano, Torre do Tombo e tradição oral e familiar. (2)

Almada, Casa do Gato, posteriormente Externato Liceal de Almada (Externato do Gato), década de 1960.
Casario do Ginjal

É interessante que haja uma certa continuidade da ideia da ascendência judaica, pois o meu trisavô Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1827-1859), [filho de Isidoro de Oliveira Carvalho nascido em Secarias, Arganil, 1 de abril de 1776 e falecido em Almada no ano de 1849 e de Ana Moreira Netto nascida em Vilela, Paredes, 5 de julho de 1799 e falecida em Almada no ano de 1851, ], tinha uma Estrela de David por cima do portão de entrada da sua casa em Almada [Quinta da Alegria, anteriormente dita dos Bixos?]

[Da descendência de Isidoro de Oliveira Carvalho (1776-1849) e de Ana Moreira Netto (1799-1851), para além de Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1827-1859), conhecemos ainda Maximiana Isidora Oliveira Netto, nascida na Quinta da Oliveira, Almada, em 23 de abril de 1832, que casou em 2 Fevereiro 1850, em S. Tiago, Almada, com António Carlos Pereira Serzedello, e Feliciana Isidora Oliveira Netto, nascida também na Quinta da Oliveira, Almada, em 24 de outubro de 1833, que casou em 14 Abril 1850 com José Eduardo Pereira Serzedello (v. mais informação sobre os Pereira Serzedello).]

Antiga residência de D. Francisco de Noronha, década de 1970.
Alexandre M. Flores, Almada antiga e moderna, Freguesia de Cacilhas, CMA, 1985

O meu bisavô Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1850-1883) casou com uma senhora, que também devia ter ascendência judaica e dos 6 filhos que tiveram, 3 tinham nomes judaicos, Moisés Levi, Henrique Samuel e Esther. Um primo que ainda conheci era Levi Jenochio. 

No entanto foram sempre educados na religião católica, com muita abertura de espírito! O filho varão mais velho continuava a tradição do nome e apelido, meu avô José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1875-1960) (3)

Á noite deu sr. presidente da camara [Bernardo Francisco da Costa, no domingo, 1 de novembro de 1874, por ocasião dos festejos da inauguração Chafariz de Cacilhas] um baile esplendido ás pessoas das suas relações, tendo-lhe prestado para esse fim a sua casa o seu intimo amigo o sr. Isidoro Netto [Isidoro de Oliveira Carvalho Netto], por ser mais espaçosa do que a de s. ex.ª.

Retrato de Bernardo Francisco da Costa
Galeria dos Goeses Ilustres

Tudo foi deslumbrante n'esta reunião de pesssoas de amisade, primeiro que tudo a amabilidade dos donos da casa, depois a animação do baile, a profusao do serviço; em fim não ha phrases com que se descreva o que ali se passou. 

O baile terminou ás 6 horas da manhã. As toilettes eram em geral de muito gosto. A ex.ª sr.ª D. Luiza Costa tinha um lindo vestido de faie azul claro enfeitado de ramos de flores; — da mesma côr vestia a ex.ª sr.ª  D. Amelia Affonso com toda a elegancia propria da sua ingenuidade; a ex.ª sr.ª D. Amalia Tavares vestia de veludo preto por estar de luto, era rico o seu vestuario; — sua irmã a ex.ª sr.ª   D. Henriqueta Tavares Marques tambem vestia de damasco preto, uma rica toitette; a ex.ª sr.ª   D. Maria José Collares trajava um rico vestido de setim côr de rosa, com enfeitos pretos; — da mesma cõr em damasco, com enfeites brancos, e rendas de França era a toitette da ex.ª sr.ª   D. Izabel Affonso: emfim todas as senhoras estavam elegantissimas. — Foi um baile esplendido na verdadeira significação da palavra. (5)

José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1875-1960) nasceu às 20h00 do dia 2 de Junho de 1875, na Rua da Oliveira em Cacilhas, numa casa conhecida por "Casa do Gato".

José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto
(Almada 02-06-1875 – Lisboa 10-01-1960)
Ser Benfiquista

O pequeno José era filho de Isidoro de Oliveira Carvalho Netto, proprietário, natural de Almada e de Dona Júlia Amélia Freitas Netto, doméstica e natural da freguesia de Nossa Srª dos Anjos em Lisboa.

Nasceu no seio de uma família abastada mas quis o destino que na sua meninice a sua família entrasse em falência num processo de garantia para um banqueiro chamado Moura Borges. (4)

Foi educado na Casa Pia, frequentou as Belas Artes de Lisboa, o curso de Escultura com 20 valores, com Anatol Calmels e Jose Simões de Almeida, tio, seus professores. Foi seu colega Simões de Almeida, sobrinho.

As suas obras foram premiadas com Medalhas de Bronze e Prata, em 1895, 1896 e 1898. Em 1910 recebe o Prémio Valmor. Foi bolseiro em Paris de 1909 a 1911. Na Exposição Madrid de 1912 recebeu a comenda de Isabel a Católica. Possui ainda medalha de Ouro da exposição do Rio de Janeiro 1923.

Professor de Desenho da Escola Nacional e vários colégios dependentes da Casa Pia de Lisboa, tendo sido seu aluno Leopoldo de Almeida.

Foi um dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica, na farmácia Franco em Belém, em Fevereiro de 1904 [...] (6)


(1) Diário de Lisboa, 28 de agosto de 1946
(2) Manuela Netto Rocha, Geneall
(3) Manuela Netto Rocha, Idem
(4) Ser Benfiquista
(5) Diario Illustrado, 3 de novembro de 1874
(6) José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto, Wikipédia

Artigos relacionados:
Courelas e Figueirinhas
D. Francisco de Noronha recorda Bulhão Pato
Largo Gil Vicente
Serzedello & Ca., Laboratorio Chimico na Margueira

terça-feira, 13 de junho de 2017

Almada 1945-1965

Já não é difícil prognosticar o futuro da margem sul, sob os aspectos urbano, industrial, turístico, etc., porque se vé nitidamente a direcção do movimento, iniciado há cerca de 20 anos e que ultimamente se vem tornando cada vez mais firme.

Um dos actuais encantos de Almada está precisamente nos imprevistos aspectos que a cidade satélite nos desvenda: eis o velho e romântico petroleiro de carro puxado a mula, contrastando com a moderna linha dos edifícios.
Fotografia de António Homem Christo, in Almada, a cidade satélite, Revista Eva, Dezembro de 1960.
Imagem: Dias que Voam

A vila de Almada teria em 1940 sete ou oito mil habitantes, praticamente na totalidade oriundos de almadenses. Lisboa saltou o Tejo e desenvolveu rapidamente Almada, que transformou em cidade sua satélite e sua zona residencial. 

Almada, Vista Geral (tomada do Campo de S. Paulo), ed. desc., década de 1940.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Não tardará muito que Almada atinja o décuplo da sua população de há um quarto de século. Quem como nós, viveu em Almada a maior parte deste espaço de tempo, viu rasgar avenidas e alinhar prédios pelas quintas que alastravam pelas encostas do Vale Caramujo-Caparica; 

Paisagem rural. A caminho de Caparica, década de 1940. Pintura de José de Azevedo (1914-2000).
Imagem: Alexandre Flores no Facebook

viu deslocar-se o centro cívico de Almada e modificar-se radicalmente o aspecto de Cacilhas; 

Plano Parcial de Urbanização de Almada (PPUA) relativo à localização do Cento Cívico, 1947.
Imagem: Câmara Municipal de Almada

viu regular-se a margem do rio entre Cacilhas e a Cova da Piedade;

Porto de Lisboa, vista aérea de Cacilhas e dos lugares de Ginjal e Margueira, década de 1950.
Imagem: Porto de Lisboa

viu surgir no Laranjeiro-Feijó um grande centro, que não tardará a ser freguesia independente; viu lançar as bases da fixação populacional com a criação de escolas médias particulares e oficiais e com o auspicioso início da construção de um dos maiores estaleiros do mundo.

Vista aérea da variante à Estrada Nacional 10, zona da Mutela e da Margueira, 1958
Imagem: IGeoE

Os últimos 20 anos abriram a Almada perspectivas inteiramente novas: — de pequeno burgo monolítico, constituído pelo aglomerado de algumas famílias conhecidas, passou a ser a cidade sem coesão, formada na maioria por emigrados imigrados provindos de todos os recantos do País.

Praça da Renovação, década de 1960.
Imagem: Delcampe

Sob o ponto de vista urbano, Almada tornou-se grande; sob o ponto de vista social, não enriqueceu com o mesmo ritmo; e perdeu a unidade que tinha dantes. Almada deixou de ser um meio pequeno, para residência e trabalho de vizinhos; agora é uma cidade cujos habitantes mútuamente se desconhecem. 

Almada, Cacilhas - Vista Parcial, ed. J. Lemos, s/n, década de 1950.
Vista da Avenida Frederico Ulrich, atual 25 de Abril, Vila Brandão e morro do moinho.
Imagem: José Luis Covita

É fácil de prever o progressivo encarecimento de rendas e a consequente fixação na zona de Almada de pessoas de um mais alto nível de vida. Em contrapartida, é fatal que mais longe venha a construir-se a zona habitacional de classes pobres, para a qual veremos partir, infelizmente, muito bons almadenses de hoje.

Transportando a água, Júlio Diniz, década de 1950.
Imagem: O Pharol

Sob o ponto de vista industrial, Almada aproveitará principalmente a sua privilegiada situação sobre a margem do Tejo, em grande parte ainda por explorar. Aparecerão, por certo, novas instalações portuárias, para passagem de mercadorias destinadas ao "além-Tejo" ou dali provenientes. 

Cacilhas, ed. Supercor, 1808, década de 1980.
Imagem: Delcampe

É natural que a política de fixação à terra não permita o estabelecimento de muitas indústrias de outra natureza tão próximo da capital. Mas é sob o ponto de vista turístico que Almada aguarda um grande futuro.

Cova do Vapor, vista aérea (detalhe), 1953.
Imagem: Flickr

Rica de praias e de matas, incomparáveis pela grandeza e pela beleza, c colocada como obrigatória porta de passagem para a extraordinária península de Setúbal, Almada poderá ter no turismo urna das suas grandes fontes de riqueza.

Costa da Caparica, O Transpraia, ed. Passaporte, 615
Imagem: Delcampe, Oliveira

É isto, em linhas muito rápidas, o que será o futuro próximo de Almada. — E o distante?

O Berlinde por um Óculo, fotografia de Fernando Barão.
Imagem: Casario do Ginjal

Para esse, cumpre-nos lançar os alicerces, para que os futuros habitantes o construam. (1)


(1) Jornal de Almada 07 de agosto de 1966

Artigos relacionados:
Almada em 1960
O centro cívico

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Fortes, esbeltas e um pouco ariscas

Nunca encontraram, á hora do desembarque, as mulheres dos figos? 

Lisboa.Vendedeira de figos, Joshua Benoliel, 1912.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Veem, ainda fusque fusque, da Outra banda, no primeiro bote de carreira, com os seus grandes cestos. Apparecem no caes de Cacilhas de noite ainda, e vão ellas próprias muitas vezes accordar os barqueiros e avisal-os de que já se avista a manhã.

Lisboa.Vendedeira de figos, Joshua Benoliel, 1912.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

São, em geral, raparigas fortes, esbeltas; um pouco ariscas, como dizem, os saloios, da terra que é secca e solta.

Lisboa.Vendedeira de figos, Joshua Benoliel, 1912.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Debalde os barqueiros se estafam em finezas e lhes juram emquanto remam que depois de acabar a lua são ellas a estrella d'alva: nem lhes dão um sorriso, nem um figo.

Lisboa.Vendedeira de figos, Joshua Benoliel, 1912.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Essa mesma rebeldia os seduz, e ainda mais porfiam em as alcançar, esperando-as sem somno á hora em que ellas voltam da Sobreda, do Monte, de Caparica, de Valmourellos. (1)


(1) JuIio César Machado, Lisboa na rua
cf. Alberto Pimentel, A Estremadura portuguesa, Volume II, Lisboa, Empreza da História de Portugal, 1908, 539 págs.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Courelas e Figueirinhas

Em 1695 o Conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, arrendou ao Capitão-Mor Álvaro Pereira de Carvalho, uma propriedade no sítio "aonde chamam as figueirinhas [à direita na imagem]" que contactava "da banda do Sul com a estrada pública que vem da Mutela para Cacilhas... e do Norte com a estrada que vem de S. Sebastião para Cacilhas". (1)

Almada, vista sul tomada do mirante da Quinta dos Bichos, posteriormente, Quinta da Alegria,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Conforme Pereira de Sousa (op. cit), [Azinhaga de Mata-Cães] uma designação popular para a Azinhaga das Courelas, do lugar que no século XIX e até à viragem do século XX começava na Rua José Fontana [ao centro na imagem].

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Este nome surge relacionado com um proprietário conhecido por Mata-cães da Mutela, que terá vivido em Almada antes de 1682, "apodo" cuja atribuição seria mais tarde reconhecida a uma outra pessoa no século XIX, sem que qualquer relação se possa estabelecer em concreto.

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Verifica-se no entanto que em 1857 esta designação aparece relacionada, com a compra de "uma Quinta chamada S. Luís, vulgo Matacães, próximo da Mutela", cuja localização seria correspondente à zona da Rua Luís de Queiróz.

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Veja-se o esquema da estrutura de quintas [que consta na Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, de 1813, e aquela] elaborada por Atkins et, al. (2006, p. 46), cuja localização é indicada entre as quintas das Serras, Armeiro, Caranguejais e S. Sebastião de Baixo;

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal, José Maria das Neves Costa (detalhe), 1813,
Estrutura de Quintas em Almada. Atkins, 2006.
Imagem: Praça da Liberdade, Almada - Apropriação e vida da praça no século XXI

ou o mapa de Almada em 1902, onde a zona correspondente a este lugar revela um enorme vazio delimitado por um polígono de quatro ruas ou caminhos, cuja configuração se manteve até à actualidade,

Corpo do Estado Maior do Exército, assinaladasas quintas, a Estrada Distrital 156, a Estrada Real 79 etc., 1902.
Imagem: IGeoE

muito próxima daquela que representam o traçado da Av. Dom Nuno Álvares Pereira, com a Rua Luíz de Queiróz, a Av. Rainha D. Leonor e a Rua Padre António Vieria. (2)


(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Luís Gonçalves, Praça da Liberdade, Almada - Apropriação e vida da praça no século XXI

Artigos relacionados:
Horizontes
O centro cívico
Praça da Renovação
Largo Gil Vicente

Outras leituras:
Revista pittoresca e descriptiva de Portugal com vistas photographicas, Lisboa, Imprensa Nacional, 1861-63
Encyclopedia of Nineteenth-Century Photography

domingo, 26 de junho de 2016

Panorâmicas do Pragal

Nesta viagem pelo Pragal vimos casas com uma história e ruas com nomes interessantes. Conhecemos coisas novas e reparámos em estátuas que no dia-a-dia esquecemos de lhes dar importância. Até viajámos no tempo.

Panorâmica do Pragal, Augusto de Jesus Fernandes, 1966.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

O Pragal faz parte da cidade de Almada, mas antigamente era uma aldeia com quintas grandes [...]

Panorâmica do Pragal (foto montagem), Augusto de Jesus Fernandes, 1963.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Quando fomos à Peregrinação do Pragal passámos por muitas ruas e casas antigas. Nesta aventura ficámos a conhecer a história do Pragal contada pela arqueóloga Elisabete e alguns alunos da turma foram os pilotos dos percursos [...] (1)


(1) Turma Curiosa, Peregrinação no Pragal

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Costa de Caparica: notas cronológicas

Assim como a Trafaria, a Costa de Caparica era originalmente um aglomerado de pescadores, que no ano de 1770 se estabeleceram vindos de Ílhavo [e, mais tarde, do Algarve,] nas suas próprias embarcações.

Pescador (detalhe), Narciso Alfredo de Morais,  1923.
Imagem: ARCADJA

As suas habitações não passavam de pequenas cabanas de colmo dispostas no areal, onde os pescadores se abrigavam durante o Verão, queimando-as no fim da campanha e regressando às suas origens [...] (1)

1472Criação da freguesia da Caparica pelo Papa Sisto IV.
1558Edificação do Convento dos Capuchos por ordem de Lourenço Pires de Távora.

Mapa de Portugal, Fernando Álvares Seco, 1561
Imagem: Wikimedia Commons (detalhe)

1755Devido ao terramoto há registo de mortos e o Convento dos Capuchos é afetado.
1780Construção do cemitério da Costa (de facto o actual cemitéro data de 1848, o que não descarta  que a data de 1780 possa referio o antigo, v. O cruzeiro do lugar da Costa).
1800Edificação da primeira casa de alvenaria na Costa, a Casa da Coroa a partir de 1824.

Costa da Caparica, Casa da Coroa.
Imagem: Centro de Arqueologia de Almada

1834Camponeses instalam-se no Convento dos Capuchos.

Caparica, Convento dos Capuchos, década de 1900.
Imagem: Hemeroteca Digital

1840Incêndio, fogo do Quinquilheira, que destrói 48 barracas.
1856Construído o primeiro caminho de ligação entre os Capuchos e a Costa.

Costa da Caparica, Alfredo Keil (1851 - 1907).
Imagem: Palácio do Correio Velho

1854Incêndio, o fogo Rosa do Ché-Ché que consome 50 barracas.
1876O Padre Hughes instala-se na Costa e dá início ao Colégio do Menino Jesus.

Costa da Caparica, Colégio do Menino Jesus dito "convento", imagem estereoscópica (detalhe), c. 1900
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

1878Abertura da vala da Costa, com a função de drenar os pântanos do Juncal.
1878Florestação das dunas da Costa e Trafaria, por iniciativa do deputado Costa Pinto.

Plano hydrographico da barra do porto de Lisboa (detalhe), Francisco M. Pereira da Silva, 1857.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

1879Construção do Poço ou Fonte da Bomba.

Praia do Sol, C. Caparica, ed. José Nunes da Silva, s/n, Poço de Bomba, Chafariz
Imagem: Delcampe

1880Reedificação da Igreja da Costa por João Ignácio Alfama da Costa.

Costa da Caparica, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Mário Novais, 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

1882Início das obras de drenagem do pântano do Juncal.
1882Construção de duas estradas de acesso à Trafaria e Costa.
1886Incêndio que destrói 60 barracas, o fogo do Costa Pinto.

Costa da Caparica, Depois do incendio de 1884, desenho de Rafael Bordalo Pinheiro
Imagem: Hemeroteca Digital

1888Construção da estrada que liga Almada, a Trafaria e a Costa, dirigida por Liberato Teles.

Trafaria, Estrada da Costa, ed. Manuel Henriques, 16, década de 1900.
Imagem: Delcampe

1895Intensas cheias provocam o transbordo das valas e o alagamento dos terrenos.
1895Possível início da construção da duna artificial ou "escarpado".

Costa da Caparica, o "escarpado" junto à praia, vista aérea, 1930 — 1932.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

1925Classificação da Costa de Caparica como estância balnear, DR nº 11335, de 9 de Dezembro.
1926Criada a freguesia da Trafaria que abrange a Costa, DR nº 12432, 7 de Outubro.
1929Naufrágio do Pensativo a 12 de dezembro.
1930Apresentado o plano modernista para a Costa de Caparica pelo arquiteto Cassiano Branco.

Costa de Caparica, Praia Atlântico.
Pormenor de Solução Urbanística, Cassiano Branco, Arquitecto, 1930.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

1931Construção da ligação entre a Trafaria e a Costa, denominada por estrada florestal.

Trafaria, Estrada da Costa, ed. Manuel Henriques, 16, década de 1900.
Imagem: Delcampe

1934Primeira brochura turística a abordar exclusivamente a Costa de Caparica.

Praia do Sol, Caparica, ed. Guia de Portugal Artístico, M. Costa Ramalho, 1934.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

1934Inaugurado o Hotel Praia do Sol, a primeira unidade hoteleira do distrito de Setúbal.

Costa da Caparica, Hotel Praia do Sol, ed. Passaporte, 10, década de 1950.
Imagem: Delcampe

1938Inaugurada a Casa dos Pescadores da Costa de Caparica.

Costa da Caparica, Casa dos Pescadores, Comissão Municipal de Turismo, ed. Neogravura, Mario Novais, 1946.Imagem: Delcampe - Bosspostcard

1939Inaugurada a Colónia de Férias Um Lugar ao Sol da FNAT.

Costa da Caparica, FNAT, Colónia de férias Um Lugar ao Sol.
Imagem: Delcampe

1946Apresentado o Plano de Urbanização dos arquitetos Gröer e Faria da Costa.

Planta de Conjunto do Plano de Urbanização da Costa da Caparica, Mário Novais, 1946.
Imagem: FCG Biblioteca de Arte

1949Criada a freguesia da Costa da Caparica, desanexada à Trafaria.
1952Concluídas as obras de restauro do Convento dos Capuchos.

Costa da Caparica, Almada, Convento dos Capuchos (após o restauro em 1952), Ed. Passaporte, 32
Imagem: Fundação Portimagem

1952Inaugurado o Parque de Campismo do Clube de Campismo de Lisboa.

Costa da Caparica, entrada do parque do Clube de Campismo de Lisboa.
Imagem: Delcampe

1957Construída a primeira estrutura de defesa costeira, o esporão da Cova do Vapor.
1960Inauguração do comboio turístico Transpraia.

Costa da Caparica, O Transpraia, ed. Passaporte, 615
Imagem: Delcampe, Oliveira

1960A área entre a Trafaria e a FNAT passa a designar-se por S. João da Caparica.
1962Galgamentos de mar e destruições na Costa de Caparica.
1964A Arriba Fóssil da Costa de Caparica é cortada em Brielas para a passagem Via Rápida.

Vista de Caparica tomada dos Capuchos, após os desaterros no vale cego de Brielas para a construção do IC 20.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

1970Construído o Bairro Campo da Bola, demolido durante Programa Costa Polis.
1971As dunas do topo da Arriba Fóssil integram a mata dos Medos, Reserva Botânica.
1971Concluído o Plano Geral de Urbanização da Trafaria-Vila Nova-Costa de Caparica.

Costa da Caparica, vista aérea, c. 1980.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

1984A Arriba Fóssil é constituída Paisagem Protegida, DR n.º 168/84, 22 de maio.
1985A Costa da Caparica é elevada a vila, 9 de julho.
1995Início da cobertura da rede de esgotos de drenagem pluvial.
1998Demolida a Casa da Coroa, "por se encontrar em elevado estado de degradação".

Brasão e Coroa do Reino de Portugal antes colocados na "casa da coroa"
Imagem: caparica news

2000Obras de restauro do Convento dos Capuchos.
2003Reparação do paredão sob a tutela do INAG, após abatimento do mesmo.
2004Discussão pública dos Planos de Pormenor do Projeto Costa Polis.
2005A Costa de Caparica é elevada a cidade, DR nº 10/2005, 26 de janeiro.
2007Início das obras do Projeto Polis na Costa de Caparica.
2007Obras de alimentação artificial de praias.
2008Obras de alimentação artificial de praias.
2008Inaugurado o Jardim Urbano da Costa de Caparica, obra do Projeto Polis.
2009Obras de alimentação artificial de praias.
2010Término do Projeto Polis sem que todos os trabalhos tivessem sido concluídos. (2)

Costa da Caparica, praias urbanas Costa Polis, 2009.
Imagem: Programa Polis

No ano atual, 2014, assistiu-se a relatos de um inverno violento para a Costa de Caparica e Cova do Vapor, causando inúmeros estragos nos apoios de praia e infraestruturas mais próximas. 

Marítimo da Costa de Caparica, Narciso Afredo de Morais Moraes.
Imagem: Hemeroteca Digital

As investidas do mar nesse Inverno colocaram novamente a descoberto a obra de defesa costeira dos anos 60 do século XX, que consistia em blocos do Miocénico (material da Arriba) enterrados a fim de proteger a duna.

Costa da Caparica, A praia 35 K de comprida, ed. Passaporte, 10, década de 1950.
Imagem: Fundação Portimagem

No Verão de 2014 recorreu-se novamente à alimentação artificial de praias, a fim de reconstituir o perfil de praia e deste modo tornar possível a sua utilização em época balnear. (3)


(1) Marta Oliveira, Evolução Natural e Antrópica Trafaria - Cova do Vapor - Costa de Caparica, Lisboa, UL, 2015
(2) ref.as cf. Marta Oliveira, op. cit.
(3) Idem

Tema:
Costa da Caparica