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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Cella Nova, Senhora da Rosa de Caparica

Alferrara e Mendoliva constituíam, com o lugar de Barriga, ou Cela Nova (futuro mosteiro de Nossa Senhora da Rosa da Caparica), um núcleo de eremitérios fundados em torno das vilas de Almada, Palmela e Setúbal, numa zona de forte presença santiaguista e com o apoio régio e dos mestres da Ordem. 

Nossa Senhora da Rosa com o Menino (detalhe), séc. XVI.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Sitos em território da diocese olisiponense, acabariam, todos eles, por ser anexados ao mosteiro do Santíssimo Sacramento de Lisboa, fundado nessa cidade em 1647 e posteriormente escolhido como nova sede da Província dos Paulistas. 

Com a extinção das casas de Alferrara e de Nossa Senhora da Rosa da Caparica, já concluída em 1813, os cartórios de todos os eremitérios acima referidos acabariam assim por migrar para Lisboa e, após 1834, com o arquivo desta casa, viriam a transitar para a Torre do Tombo [...]

Nossa Senhora da Rosa com o Menino, séc. XV.
Imagem: Wikipédia

Filho de Mestre Joane [Fernando, regedor, a. 1433-1463 (Barriga — Cela Nova)], físico do Infante D. João, apresenta-se a si mesmo, em 1445, como "pobre Jrmjtam da Jrmjndade e companhia de Meem de sseaura pobre Ja finado".

Companheiro, pois, de Mendo Seabra, ingressou na pobre vida ainda antes de 1433, dado que, após a morte de João Fernandes, regedor da Serra de Ossa, ocorrida necessariamente antes desta data, é a ele quem o dito Mendo envia para reger o eremitério de Barriga, que este entretanto reedificara.

Sabemos que Mendo Seabra manteve, até à sua morte, o governo de Mendoliva e a supervisão sobre os eremitérios de Barriga ou Cela Nova e de Alferrara, colocando aí eremitas da sua confiança.

Santo Antão e S. Paulo 1.o Ermita, Mestre dos Arcos,
(Gregório Lopes ?).
Imagem: MNAA

Na eminência da sua morte (1442), nomeara para o suceder, com os mesmos poderes, ao eremita João Eanes, a quem também o regedor de Cela Nova manifestou a sua obediência, atestada no diploma que para o efeito manda redigir em Setúbal a 29 de Setembro de 1445. 

Pelo mesmo documento, procurava ainda garantir o reconhecimento de todos os bens que lhe haviam sido anteriormente doados como pertencentes ao conjunto da comunidade. 

Para isso inclui no mesmo acto o traslado de uma anterior doação que lhe fora feita, ainda em 1442 mas já após a morte de Mendo Seabra, de chãos, casas e outros bens no dito lugar de Barriga, renunciando expressamente a todo o direito pessoal sobre os mesmos [....] (1)

*
*     *

A vila de Almada encontrava-se, desde 1385, entre as terras doadas ao Condestável, com a respectiva jurisdição, mantendo, contudo, a Ordem de Santiago os seus direitos de padroado sobre as igrejas da urbe, na sequência do escambo estabelecido com o rei Dinis em 1297. 

Em Maio de 1422, Nuno Álvares Pereira doaria a vila e os respectivos direitos jurisdicionais à sua neta Isabel, futura mulher do Infante D. João, administrador do mestrado santiaguista.

Em 1527, uma visitação feita pelos oficiais da Ordem de Santiago revela a existência, neste local, de uma ermida, que aparentava obras recentes e com algum investimento ao nível dos materiais construtivos e decorativos, das pinturas, imagens e alfaias.

De nave única, embora com dois altares laterais, dispunha ainda de uma torre sineira, pia baptismal e alpendre. Anexa, refere-se a existência de uma sacristia e de estruturas de habitação para os pobres, rodeadas por uma vinha e pomar.

Apesar dos dados disponíveis confirmarem o apoio recebido posteriormente por parte de importantes membros da nobreza, nada se conhece sobre eventuais reconstruções ou ampliações do mosteiro, sabendo-se que este manteve sempre uma comunidade de pequenas dimensões.

Extinção: c. 1813, sendo as respectivas rendas anexadas ao Mosteiro do Santíssimo Sacramento de Lisboa.

The environs and harbour of Lisbon (assinalam-se o mosteiro e a ribeira), Laurie & James, publ. 1812.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Vestígios materiais do eremitério medieval: A igreja do mosteiro já se encontrava em completo estado de ruína e abandono em finais do século XIX, sobrevivendo hoje apenas alguns vestígios arquitectónicos integrados em casas particulares. (2)

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, 1813
Imagem: IGeoE

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional. (3)

*
*     *

Notas:
Cela Nova (Termo de Almada)
Designação:
1. Barriga (termo de Almada) [Termo documentado pela primeira vez em 1414 (cf. TT, Mosteiro de Nossa Senhora da Rosa da Caparica, maço 2 de pergaminhos, nº 30 [antigo maço 1, nº 1] (1414.12.10, Almada). Pressupõe que o eremitério já existia nessa data, aproximando-se da data de 1410 proposta pela cronística moderna da Ordem para a fundação do eremitério (cf. Fr. Manuel de S. Caetano Damásio, Thebaida Portuguesa…, tomo I, p. 325).), é utilizado paralelamente com o de Cela Nova.]
2. Cela Nova (termo de Almada) [Assim referido por Mendo Seabra em 1442 (TT, Mosteiro de Nossa Senhora da Consolação de Alferrara, maço 3, nº 17). Ao longo do período medieval, é utilizado paralelamente com o de Barriga para designar este eremitério.]
3. Vale de Grou (termo de Palmela [sic]) [O topónimo surge em duas cartas régias, de 1451 e 1455, na última referindo-se pertencer ao termo de Palmela (TT, Chancelaria de D. Afonso V, lv. 35, fl. 93v e lv. 15, fl. 183). Contudo, o topónimo pertence efectivamente ao concelho de Almada e à freguesia da Caparica, respeitando os documentos referidos ao eremita Fernando (III) que dirige o eremitério de Cela Nova entre a. 1433 e 1463 (cf. parte II, B 96).]
4. Santa Maria de Barriga (termo de Almada) [TT, Leitura Nova, Odiana, lv. 3, fls. 145v-146 (1457.03.03, Lisboa).]
5. Santa Maria da Rosa (termo de Almada) [Já aparece com a referência a Santa Maria da Rosa em 1511 - TT, Mosteiro de Nossa Senhora da Rosa da Caparica, maço 2 de pergaminhos, nº 35 [antigo maço 1, nº 33] (1511.06.11, Borba).] (4)


(1) João Luís Inglês Fontes, Da "Pobre vida" à congregação da serra de ossa..., 2012
(2) João Luís Inglês Fontes, Idem
(3) Arquivo Nacional Torre do Tombo
(4) João Luís Inglês Fontes, Idem, ibidem

Mais informação:
Chronica dos Erémitas da Serra de Ossa, no reyno de Portugal...
Santuario Mariano e Historia das Imagēs milagrosas de Nossa Senhora...
Chorographia moderna do reino de Portugal...
Corografia Portugueza e descripçam topografica...
Portugal antigo e moderno...

Informação relacionada:
Histórias da História da Charneca de Caparica
Mosteiro da Rosa na revista ARTIS

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Courelas e Figueirinhas

Em 1695 o Conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, arrendou ao Capitão-Mor Álvaro Pereira de Carvalho, uma propriedade no sítio "aonde chamam as figueirinhas [à direita na imagem]" que contactava "da banda do Sul com a estrada pública que vem da Mutela para Cacilhas... e do Norte com a estrada que vem de S. Sebastião para Cacilhas". (1)

Almada, vista sul tomada do mirante da Quinta dos Bichos, posteriormente, Quinta da Alegria,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Conforme Pereira de Sousa (op. cit), [Azinhaga de Mata-Cães] uma designação popular para a Azinhaga das Courelas, do lugar que no século XIX e até à viragem do século XX começava na Rua José Fontana [ao centro na imagem].

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Este nome surge relacionado com um proprietário conhecido por Mata-cães da Mutela, que terá vivido em Almada antes de 1682, "apodo" cuja atribuição seria mais tarde reconhecida a uma outra pessoa no século XIX, sem que qualquer relação se possa estabelecer em concreto.

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Verifica-se no entanto que em 1857 esta designação aparece relacionada, com a compra de "uma Quinta chamada S. Luís, vulgo Matacães, próximo da Mutela", cuja localização seria correspondente à zona da Rua Luís de Queiróz.

Almada, vista em primeiro plano da Estrada da Mutela e, em segundo, da Azinhaga das Courelas,
Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Veja-se o esquema da estrutura de quintas [que consta na Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, de 1813, e aquela] elaborada por Atkins et, al. (2006, p. 46), cuja localização é indicada entre as quintas das Serras, Armeiro, Caranguejais e S. Sebastião de Baixo;

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal, José Maria das Neves Costa (detalhe), 1813,
Estrutura de Quintas em Almada. Atkins, 2006.
Imagem: Praça da Liberdade, Almada - Apropriação e vida da praça no século XXI

ou o mapa de Almada em 1902, onde a zona correspondente a este lugar revela um enorme vazio delimitado por um polígono de quatro ruas ou caminhos, cuja configuração se manteve até à actualidade,

Corpo do Estado Maior do Exército, assinaladasas quintas, a Estrada Distrital 156, a Estrada Real 79 etc., 1902.
Imagem: IGeoE

muito próxima daquela que representam o traçado da Av. Dom Nuno Álvares Pereira, com a Rua Luíz de Queiróz, a Av. Rainha D. Leonor e a Rua Padre António Vieria. (2)


(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Luís Gonçalves, Praça da Liberdade, Almada - Apropriação e vida da praça no século XXI

Artigos relacionados:
Horizontes
O centro cívico
Praça da Renovação
Largo Gil Vicente

Outras leituras:
Revista pittoresca e descriptiva de Portugal com vistas photographicas, Lisboa, Imprensa Nacional, 1861-63
Encyclopedia of Nineteenth-Century Photography

sábado, 27 de agosto de 2016

Memórias simples

Ha no destricto desta Freguesia dous pórtos de mar, hum he о da Fonte da Pipa, com seu Forte para a banda do Poente, com huma praya como a deu a natureza sem artificio algum, frequentado de muitas embarcações, especialmente lanchas, que a ella vem fazer aguadas, e pode admittir até dezoito désta casta de embarcações.

Cacilhas, Praia da Fonte da Pipa e Olho-de-Boi, João Vaz.
Imagem: Casario do Ginjal

O outro porto he o do Cubal, com huma praya mais espaçosa, que a do primeiro, assim no comprimento, como na largura, tambem sem artificio, frequentado de varias embarcações, como são; bateiras, e fragatas, e as que o frequentão todos os dias fao dezasseis, e tem capacidade para admittir até cincoenta embarcações, como barcos de Cassilhas, que em muitas occasioens do anno vem amarrar nella, pela causa de ser abrigado das tormentas dos Nordestes, e Lestes, que por aqui correm com grande violencia. (1)

Vista de Cacilhas e do Tejo, Charles Landseer, 1825.
Imagem: Instituto Moreira Salles

Além de subsistirem traços “do cais e instalações [...] com características identificáveis de final do séc. XVII e XVIII [...],” sofrendo, no entanto, "sucessivos acrescentos e alterações, particularmente após meados de oitocentos," também é verdade que no século XVIII se construíram de raiz "armazéns e cais de alvenaria. A impossibilidade de expansão para a arriba obriga à extensão do cais pela margem à medida das necessidades".

Em 1813, "parte significativa destes armazéns eram propriedade da família Paliarte [...]." Dedicava-se, como de resto a maioria dos comerciantes de vinho ali estabelecidos, à actividade exportadora. (2)

Cacilhas Ginjal Grémio Vista aérea 01 c 1960
Imagem: OBSERVADOR

Segundo os poucos testemunhos disponíveis, a actividade comercial exercida pela Sociedade Theotónio Pereira no século XIX e, ainda, na primeira metade do século XX, tinha por base uma série de produtos agrícolas já transformados, de que se destacavam, entre outros, os vinhos, as aguardentes e o azeite.

A firma que, tanto quanto se sabe, nas suas várias fases em momento algum se dedicou à produção ou sequer à transformação dos produtos que transaccionava, pelo menos em grande escala, tinha a sua sede em Lisboa, sendo possível, ou bastante provável, que até à aquisição dos armazéns localizados no Cais do Ginjal — não sendo de descartar a possibilidade de aqui ter funcionado sempre a actividade armazenista —, toda a mercadoria ficasse acondicionada em depósitos situados na zona ribeirinha de Lisboa ou nas imediações desta.

Panorama de Cacilhas (Ginjal, Fonte da Pipa, Olho de Boi, Quinta da Arealva), 1967.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

A de qualquer modo precoce localização, na vida da empresa, dos seus armazéns no Cais Ginjal, encontra-se indirectamente documentada por se saber que quando em Agosto de 1871 foram adquiridos por Theotónio Pereira vários prédios no dito cais, dos números 12 ao 22, havia pelo menos um deles que confrontava com a propriedade da Viúva Theotónio Pereira & Filhos [...]

[...] um prédio na Rua Direita em Almada; um prédio rústico no Ginjal; um outro, também no Ginjal, descrito como rústico e urbano (composto de vinhas – parreiras – árvores de fruto, horta, com duas nascentes de água, casa para caseiro, telheiro e forno); sete prédios urbanos no Ginjal, quase todos eles armazéns com um ou dois pisos; um "domínio" principal de uma "praia denominada do baixo mar, no sítio do Ginjal" de que era "senhoria" a Câmara Municipal de Almada; um segundo "domínio" principal de "uns armazéns, casa e pátio no Ginjal" de que era "senhoria directa" a mesma Câmara Municipal [...] 

Cais do Ginjal, Óleo, Alfredo Keil.
Imagem: Casario do Ginjal



Das vinhas do citado prédio rústico e urbano, "uma quinta encantadora, encostada à rocha de Almada", com o seu "grande parreiral de belíssimas uvas", seguia este seu fruto "em caixas para o estrangeiro" [...]

Foi no Ginjal que nasceu de madrugada Virgínia Theotónio Pereira, a mais nova dos cinco irmãos. Na altura, e como sucedia não poucas vezes, seu pai encontrava-se num pequeno bote a pescar "ao candeio acompanhado de dois pescadores vizinhos". No fim dessa madrugada, levou para casa, entre outro pescado, um "possante congro de 15 quilos." Regressou entusiasmado pela pescaria mas "mal passou os umbrais ouviu um cué-cué de bebé nascido" [...]

Almada, Ginjal, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 21, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

Era naquela mesma casa "de fora" do Ginjal que José Correia [avô do escritor Romeu Correia], o encarregado das adegas e dos armazéns de vinhos, marcava os "pas de quatre e as quadrilhas". Juntava-se-lhes "sempre que possível o pessoal menor, depois de se assear", para dar o "seu pé de dança, que acabava sempre num galope à roda mesa da sala de jantar". (3)


(1) P.e Luís Cardoso, Diccionario geografico, ou noticia historica de todas as cidades..., Lisboa, na Regia Officina Sylviana e da Academia Real, 1747, 2 vol.
(2) Martinez, ... ser mestre do vapor de Cacilhas, 2005
(citações de Maria Ângela Correia Luzia, A memória, a cidade e o rio, Lisboa, 1996)
(3) Martinez, idem

Leitura relacionada:
Cais do Ginjal. Da fortuna à decadência

Artigo relacionado:
O Ginjal não é para raparigas solteiras

Tema:
Ginjal

domingo, 5 de junho de 2016

Villa Maria da Conceição

No Caramujo e Romeira, os edifícios de habitação mais antigos (para além das habitações existentes sobre os armazéns), estavam implantados entre os armazéns, nos espaços livres entre as fábricas ou eram antigos armazéns adaptados,

Villa Maria da Conceição, 2016.
Imagem: AVM

como é o caso da Vila Maria da Conceição, um antigo armazém de vinhos.


A carta de 1813 mostra que o ribeiro da Mutela desaguava no Tejo através de dois braços, um deles dirigindo-se para a Romeira.

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, 1813 — 1816.
Imagem: IGeoE

Em 1849, o ribeiro só estava canalizado para o lado da Romeira, já não desaguando nas valas, também conhecidas por "abertas".

Plano Hydrográfico do Porto de Lisboa (detalhe), 1847.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Aqui construiu-se uma comporta que impedia a entrada da água nas marés vivas; sem o controle da comporta, a água, ao penetrar pela vala, transpunha as suas margens, alagando a parte baixa da Cova da Piedade.

Almada, Romeira, Paulo Emílio Guedes & Saraiva,16, década de 1900.
Imagem: Delcampe

O sítio ficou conhecido por Sarilho, nome do engenho que fechava a comporta e que ficava situado no cruzamento entre o Largo da Romeira e a Rua Manuel José Gomes, junto ao início do quarteirão da Vila Maria da Conceição.

Panorâmica da fábrica William Rankin & Sons na quinta do Outeiro no Alfeite, 1885.
Imagem: Alexandre M. Flores, Almada na história da indústria corticeira e do movimento operário...

[...] que se localiza em frente de uma das antigas portas da [fábrica] Rankins [instalada numa quinta senhorial do século XVIII]. (1)


(1) Samuel Roda Fernandes, Fábrica de molienda António José Gomes, Lisboa, Universidade Lusíada, 2013

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Corrida de laços

N'estes dias de verão o Tejo é lindo; o sol faisca nas suas aguas, as margens parecem reverdecer e toda essa encantadora bahia do Alfeite de areias de ouro abre-se maravilhosamente á nossa vista, deixando vêr o fundo magestoso dos pinhaes, os torcicolos dos canaes a scenographia dos montes, erguidos sob a limpidez do céo. 

A pitoresca entrada do Alfeite do lado do rio, 1913.
Imagem: Hemeroteca Digital

Pelas tardes a aragem é branda e apetece navegar no rio para ir descançar um pouco na quinta do Alfeite.

O desembarque no cais do Alfeite, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

Foi um passeio que a Associação Naval realisou com os seus magnificos barcos acompanhados pelo "Alcochete" onde iam as senhoras das familias dos socios emquanto os habeis remadores conduziam velozmente as suas embarcações.

O vapor Alcochete que conduziu os convidados ao Alfeite, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

Fizeram-se as provas do programma com os seguintes resultados: outriggers foi ganho pelo Douro; inriggers pelo Rio Minho. 

Na quinta do Alfeite. A partida para a corrida dos laços, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

Na corrida de laços ganharam a sr.a D. Maria Madeira e o sr. Alberto Madeira na de velocidade D. Henriqueta Clinton, na mixta miss Shirely e o sr. Henrique d'Aragão.

Os divertimentos na quinta do Alfeite, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital


(1) O passeio ao Alfeite do sócios da Associação Naval, Illustração Portugueza n.° 280, Lisboa, 3 julho 1911

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Iconografia de Lisboa (8.ª parte)

Na segunda metade do século XVIII quatro factos em Lisboa atraíram a atenção de artistas, para assunto das suas estampas. Foram eles:

Aqueduto das águas livres, vista a montante dos arcos, século XIX.
Imagem: Turismo Matemático

a) — "O Aqueduto das Águas Livres". Esta obra deu origem a uma gravura em cobre, de autor desconhecido, que representa a "Exzata Copia da formatura dos Arcos da Agua Livre", e a outras.

Aqueduto das águas livres, ponte e ribeira de Alcântara, século XIX.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

b) — "A Catástrofe do Terremoto do Primeiro de Novembro de 1755" impressionou consideravelmente a imaginação de muitos artistas estrangeiros, que gravaram grande número de estampas, alegóricas umas, e outras representando a cidade durante o cataclismo, as quais foram decalcadas sobre vistas panorâmicas já conhecidas, em que os diferentes artistas representaram os edifícios a desconjuntarem-se e a desmoronarem-se, com o fogo a irromper por todos os lados.

Lisboa antes do terramoto de 1755 - exibido no Museu Nacional de Arte Antiga from Lisbon Pre 1755 Earthquake on Vimeo.

Todas essas vistas dão bem a medida da fecunda imaginação e fantasia dos seus autores!

Lisboa 1755, fantasia de antes e durante o terremoto, Mateus Sautter.
Imagem: Histórias com História

Apenas dois desenhadores franceses, Paris e Pedegache, vieram a esta cidade copiar "algumas ruinas de Lisboa causadas pelo terremoto e pelo fogo do primeiro de Novembro do anno 1755", que foram gravadas em Paris por Jac. Ph. Le Bas em 1757.

Ruínas da Torre de S Roque ou Torre do Patriarca, Sé de Lisboa e Igreja de S. Paulo, Jacques-Philippe Le Bas, 1755.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

É uma colecção de 6 gravuras. Com o respectivo frontispício, que mostram bastante fantasiosamente o estado a que ficaram reduzidos seis edifícios da cidade por efeito daquele cataclismo.

Ruínas da Praça da Patriarcal, Igreja de S. Nicolau e Ópera do Tejo, Jacques-Philippe Le Bas, 1755.
Imagem: Cabral Moncada Leilões


Além desta colecção de Le Bas, um musico de Augsburgo, Johan Michael Roth, coligiu as matrizes de cobre, e editou uma obra: "Augsburgische Sammlung derer wegen des höchstbetrübten Untergangs der Stadt Lissabon", etc. que contém, além de varios mapas e vistas das cidades de Portugal, Espanha e outras, algumas gravuras que haviam sido publicadas sobre o terremoto de 1755, sucedido em Lisboa e noutras terras.

Lisboa, Terremoto de 1755, ex voto dedicado a Nossa Senhora da Estrela.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

A medalhística também foi enriquecida com algumas medalhas cunhadas com vistas em baixo relevo da cidade a desmoronar e a incendiar-se durante o terremoto.

Apenas um artista português é que, sobre o terremoto de Lisboa, produziu uma vista iconográfica: consiste ela num quadro a óleo, devido ao pincel de João Armando Glama Ströberle, e representa uma cena de desolação junto às ruinas da desaparecida Igreja de Santa Catarina. Está no Museu de Arte Antiga.

Alegoria ao Terremoto de 1755, João Glama Strobërle (1708–1792).
Imagem: Wikipédia

Quanto ao terremoto de 1755, e à descrição dos lugares e estragos por ele provocados, mencionaremos a Panorâmica de Lisboa em 1763 de Bernardo de Caula, conforme abordagem que fizemos em janeiro de 2015.

Vista e perspectiva da Barra Costa e Cidade de Lisboa (detalhe),  Bernardo de Caula, 1763.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

c) — "O atentado contra D. José e a Execução dos indigitados criminosos" foi objecto de várias gravuras em cobre, nacionais e estrangeiras.

"Desta forma morreram justiçados...", retrato simbólico do acto da execução dos Távoras.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

d) — O "Monumento de D. José e a Praça do Comércio", onde ele foi erigido, também desde antes da sua inauguração serviram de assunto para gravadores.

Alçado lateral do projecto da estátua equestre de D. José I.
Eugénio dos Santos e Carvalho.
Imagem: ComJeitoeArte

A primeira gravura do monumento foi aberta em cobre para uma estampa não assinada, que serviu de modelo para o desenho estampado nos aparelhos de louça que o Marquês de Pombal mandou fazer na China para servirem no banquete que se efectuou por ocasião da inauguração do monumento.

Pouco depois foram gravadas duas estampas da Praça com o Monumento, devidas ao buril de Gaspar Fróis Machado, que foram reproduzidas por artistas anónimos no mesmo século.

Praça do Comércio, projecto Eugénio dos Santos, gravura de Fróis Machado (?), século XVIII, reprodução anacrónica.
Imagem: Bic Laranja

A Joaquim Carneiro da Silva se deve uma gravura da "Estátua Equestre de D. José", depois reproduzida, em menor escala, por Gaspar Fróis Machado, que também gravou uma "Vista da Torre de Belém, P.° Lx.a" em 1783.

Em 1767 foi pintado pelos pintores franceses L. Michel Vanloo e C. Joseph Vernet um quadro a óleo, comemorativo dos principais actos da administração do Marquês de Pombal, com o retrato do mesmo.

Marquês de Pombal, Louis-Michel van Loo e Claude-Joseph Vernet, 1767.
Imagem: Oeiras com História

Esta excelente pintura esteve no palácio dos Marqueses de Pombal em Oeiras, e acha-se hoje numa sala da Câmara Municipal da mesma vila.

Foi objecto de uma gravura de J. Beauvarlet, sobre desenho de A. J. Padrão e J. S. Carpinetti., em 1767, mais tarde reproduzida em vários formatos e por quase todos os processos conhecidos.

Nesta segunda metade do século ainda a maioria dos artistas que tomaram a cidade de Lisboa ou os seus edifícios para assunto dos seus trabalhos eram estrangeiros, e pouco mais de meia dúzia de nomes de nacionais se podem mencionar.

No último quartel do século XVIII, ainda como consequência do impulso dado pelo Marquês de Pombal a todos os ramos de ensino, originou-se em Portugal uma nova renascença artística.

Do estrangeiro vieram artistas arquitectos, escultores, gravadores; artistas portugueses foram estudar a Itália; e deste intercâmbio resultou uma maravilhosa criação de artistas nacionais.

Os pintores Domingos António de Sequeira (1768-1837), Francisco Vieira Portuense (1765-1805) e João Glama Ströberle (1708-1792) [v. acima], os gravadores Joaquim Carneiro da Silva (1727-1818), Gaspar Fróis Machado (1759-1796) e Francisco Vieira Lusitano, o arquitecto José da Costa e Silva, os escultores Joaquim Machado de Castro e João José de Aguiar, e tantos outros, podem pôr-se em confronto com os melhores que havia no estrangeiro.

Sopa de Arroios, população portuguesa deslocada durante a Guerra Peninsular, 1813,
des. Domingos António de Sequeira,  grav. Gregório Francisco de Queiroz.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A estes artistas devemos acrescentar o nome de Francesco Bartolozzi [1728-1815], que gravou em cobre uma estampa alusiva ao epicurismo, tendo ao fundo o Aqueduto das Águas Livres. No século XIX há outras estampas deste artista sobre assuntos olisiponenses.

Embarque do principe regente de Portugal com toda a Familia Real em 27 de novembro às 11 horas da manhã [1807],
des. Henri L' Évêque (1769-1832), grav. Francesco Bartolozzi (1728-1815).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

No que respeita, porém, a estampas de Lisboa, poucas, mas excelentes, se produziram no final do referido século, tanto nacionais como estrangeiras. (1)


(1) Vieira da Siva, Augusto, Iconografia de Lisboa, Revista Municipal n.° 32, Câmara Municipal de Lisboa, 1947
 
Artigos relacionados:
Da fábrica que falece à cidade de Lisboa
Delícias ou descrições de Lisboa
Panorâmica de Lisboa em 1763

Leitura adicional:
Lisboa do século XVII "a mais deliciosa terra do mundo"

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Moinho do Mesquitela

Designava-se por Mesquitela o moinho de maré e respectiva caldeira, situados entre a Mutela e o Caramujo.

O Tejo em frente do Caramujo, Revista Illustrada, fotografia de A. Lamarcão, gravura de A. Pedroso (editada), 1892.
Referencia: Toscano, Maria da Conceição da Costa Almeida, A fábrica de moagem do Caramujo património industrial
Imagem: Fernandes, Samuel Roda, Fábrica de molienda António José Gomes

Mais precisamente, a caldeira ocupava o espaço hoje tomado pelo ultimo quarteirão do lado nascente da rua Manuel Febrero, ficando o Moinho sobre a actual avenida Aliança Povo M.F.A..

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal, José Maria das Neves Costa, 1813 (detalhe)
Imagem: Instituto Geográfico do Exército


A sul da caldeira ficavam as valas alimentadas pelas águas do ribeiro da Mutela (o que corre pelo vale de Mourelos) e pelas águas de maré. 

A passagem entre as valas e a caldeira era "a ponte", nome que ainda hoje é lembrado.

Cova da Piedade, Arnaldo Fonseca, 1890
Imagem: Boletim do Grémio Portuguez d’Amadores Photographicos *

Desde o século XVII, e até fins do século XVII, moinho e caldeira diziam-se dos Costas, por pertencerem aos Costas, armeiros mores do reino.
O moinho de maré só funcionava na vazante. Nas enchentes os três rodízios estavam parados, e a comporta abria com a força da água que entrava na caldeira.
A água da caldeira mantinha-se represada, aguardando o período da vazante para que os rodízios se colocassem em movimento. Abertos os acessos aos rodízios, estes giravam produzindo energia para as mós triturarem os cereais.

in Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1990, 318 págs.

O moinho de maré da Mutela já existia pelo menos no século XV, com base numa carta de venda datada de 1497, de umas casas e marinhas na praia da Mutela [...]

in Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.


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Barcos dos Moinhos
Barques elles transportent des molins de l'autre côté
de l'eau les farines pour la Ville
Imagem: Souza, João de, Caderno de Todos os Barcos do Tejo, Sociedade de José Fonseca, 1785
Passaram a designar-se por Mesquitela após a atribuição em 1787 do Título de Visconde de Mesquitela ao Armeiro-Mor D. José Francisco da Costa e Sousa, que casara coma filha primogénita e herdeira do 1.° Visconde de Mesquitela.

Em 1883 o inglês Jorge Taylor, maquinista da moagem do caramujo, aforou aos Mesquitela a caldeira e terrenos vizinhos. 

Este mesmo Jorge Taylor, em 1907, fez doação de parte da propriedade ao seu patrão, António José Gomes, o industrial da moagem do Caramujo, recebendo em troca uma pensão de 10.000 réis por mês.
Quando em 1907 Jorge Taylor fez doação da propriedade, declarou na escritura que trabalhava na moagem havia mais de quarenta anos.
Sendo ele o conductor da máquina a vapor da moagem muito provávelmente desde a instalação, conclui-se que a moagem dispunha da máquina desde cerca de 1866.
A propriedade, cedida a António José Gomes, destinava-se, em parte, à construção da escola primária.

 A escola, a primeira que teve a Cova da Piedade, foi inaugura da em 1911, e tem o nome de António José Gomes, então já falecido.

Escola Primária António José Gomes, inaugurada em 1911, projecto do arquitecto Adães Bermudes.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

A caldeira e o moinho estavam em 1910 na posse de Manuel de Jesus Silva que pagava 50.000 réis de foro aos herdeiros do conde de Vila Franca; depois, cerca de 1911, foram arrendados ao industrial José Alves da Silva, por nove anos.

A caldeira desapareceu, por entulhamento, cerca de 1920 e o moinho foi demolido quando se abriu a estrada de Cacilhas à Cova da Piedade [a partir de 1947]. (1)

O Tejo em frente do Caramujo, Revista Illustrada, fotografia de A. Lamarcão, gravura de A. Pedroso, 1892.
Referencia: Toscano, Maria da Conceição da Costa Almeida, A fábrica de moagem do Caramujo património industrial
Imagem: Fernandes, Samuel Roda, Fábrica de molienda António José Gomes



(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.

Leitura adicional:

Toscano, Maria da Conceição da Costa Almeida, A fábrica de moagem do Caramujo património industrial, Vol I , Lisboa, Universidade Aberta, 2012, 16.37 MB.


Fernandes
, Samuel Roda, Fábrica de molienda António José Gomes, Lisboa, Universidade Lusíada, 2013.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Palença de Baixo

A melhor notícia de que dispomos desta fortaleza [fortim da Banática] é devida ao conde dos Arcos [D. José Manuel de Noronha e Menezes de Alarcão] que atribui a construção ao mandado de D. João III [que reinou de 1521 a 1577] e a localiza não na actual Banática mas sim em Palença de Baixo...

Vista da parte ocidental de Lisboa, Alexandre Jean Noel, início da década de 1790
Imagem: FRESS

Duarte Joaquim Vieira Junior refere que "onde está a fábrica de tijolo — hoje é fábrica de guano — existiu em tempos um fortim que foi construído no reinado de D. João III, e do qual ainda hoje há vestígios, existindo os paióis de pólvora, que foram feitos sob a rocha, para o lado de leste, e que ainda no tempo de D. Miguel foi este artilhado e guarnecido até 1833 pelas tropas do usurpador".

A informação é confusa quanto ao local... (1)

Lissabon, vista tomada de Palença, 1830
Imagem: Mundo do Livro, (Mundo do Livro no Facebook)

O portinho de Palença de Baixo é um pequeno varadouro com a praia de areia, situado a poente da Arrábida.

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, 1813
Imagem: IGeoE

Junto da praia, sobre um terrapleno murado, fica a quinta de S. Lourenço...

É topónimo que designou além da quinta o varadouro...

A quinta foi propriedade dos condes da Cunha, cujo brasão se pode observar sobre o portal de entrada, em fins do século XVII e manteve-se na posse destes até ao século XIX.

Segundo informação de Rui Manuel Mesquita Mendes, Palença, em Almada, já é mencionada em documentos da primeira metade do século XV e a família Cunha já vive na sua Quinta no início do século XVI.

D. Catarina da Cunha fundou em 1522 um morgado com obrigação de missas numa Capela da Sé de Lisboa pagas por um "Casal em Almada, junto à sua Quinta de Palença".

Foi uma das mais vastas propriedades do concelho. (2)

Casa e capela da quinta de S. Lourenço
Imagem: SIPA

Exemplo notável de integração na paisagem (encosta S. do Rio Tejo), dominando visualmente a cidade e o estuário do rio; o envolvimento do lado S. está hoje totalmente adulterado pela perturbação visual do complexo industrial da Tagol. (3)

Instalaram-se em Almada nos finais do século XIX cinco fábricas, entre as quais se destaca a Fábrica de Cerâmica de Palença, localizada na praia do mesmo nome e em laboração desde 1884.

Utilizava um forno contínuo e quatro intermitentes alimentados a carvão mineral e explorava barreiros locais.

Cais da Fábrica de Palença, ed. desc.
Imagem: Portimagem

Para além da cerâmica comum, produzia também materiais de construção, como tijolo e telha marselha.

Ocupando mais de uma centena de operários, a fábrica manteve a sua actividade até aos anos setenta do século XX. (4)

Telha marselha da Fábrica de Palença


(1) Pereira de Sousa, R. H., Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal, 1981, 192 págs.

(2) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs. 

(3) SIPA

(4) Silva, Francisco Manuel Valadares e, Ruralidade em Almada e Seixal nos séculos XVIII e XIX, Imagem, Paisagem e Memória, Lisboa, Universidade Aberta, 2008, 271 págs.