domingo, 22 de julho de 2018

23 de julho de 1833, a Batalha da Cova da Piedade, por Charles Napier

Um forte Destacamento d'Infantaria , com três esquadrões de Cavallaria atravessarão o Tejo para Almada, debaixo do commando de Telles Jordão, Miguelista assanhado, e um grande bárbaro, e destinado a receber alli o justo castigo por todas as crueldades que tinha commettido, sendo Governador de S. Julião. 

Battle of Cape St. Vincent of 1833.
A squadron of Portuguese frigates commanded by British Admiral Napier on behalf of the Queen Maria Liberal faction defeated King Miguel’s Absolutist squadron, in the Portuguese Civil War
The Westphalian Post

Atravessou-se no dia 23 uma planície que separa Azeitão do logar d'Amora, e onde o inimigo se devia ter postado. Descobrirão-se então os seus Postos avançados, mas retirarão-se á aproximação do Duque; e os paisanos trouxerão á noticia de que o inimigo tinha tomado posição sobre dois montes sobranceiros ao caminho que conduz a Almada, e que alli tinhão estabellecido uma Linha d'Atiradores. 

Vista da Amora, Tomás da Anunciação, 1852
MNAC (museu do Chiado)

O Duque fez sahir os seus Caçadores em ambos os flancos da sua columna, e continuou a marcha, retirando-se os Atiradores do inimigo de outeiro em outeiro, até á entrada do desfiladeiro que pela Barreira do Alfeite, se abre no Valle da Piedade.

Tejo junto à Praia do Alfeite, António Ramalho, 1880.
Alexandra Reis Gomes Markl, António Ramalho, Pintores Portugueses, Lisboa, Edições Inapa, 2004

Este valle que se estende até á margem do Tejo por detráz de Cacilhas, he fechado da parte do Sul pelas Alturas d'Almada, e abre em um pequeno espaço, onde se entra de um lado pelo caminho por onde o Duque avançava, e do outro pelos caminhos do Pragal, á esquerda; d' Almada no centro, e de Cacilhas, por Mutella, da direita.

Almada vue d'Alfeita [sic], François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: artnet

Para alli o inimigo, conhecendo a sua superioridade em cavallaria, procurou atrahir a Columna, a fim de se poder aproveitar d'aquella arma. O Duque , que conhecia o terreno, antevio e estava preparado, para esta manobra, o que era confirmado pela pouca resistência até então opposta á sua marcha.

Almada, vista sul, Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Continuou comtudo, e apenas os seus flanqueadores, que se achaváo estendidos pelo vale tiverão desalojado os do inimigo, e a testa da Columna entrado pela estrada do Alfeite, que se ouvio ao longe o estrépito de cavallaria, e logo depois, dois esquadrões, pelo caminho de Cacilhas o carregarão com uma impetuosidade que lhes devia ter assegurado a victoria. 

Vista nascente de Almada e Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Charles Landseer, 1825.
Instituto Moreira Salles

A Infanteria Portugueza tem horror á cavallaria, e principiávão a vaciliar, porem o Duque e o seu Estado-Maior indo á frente da Columna, pelo seu nobre exemplo e exhortação para estarem firmes, restaurarão a confiança; e quando o inimigo se aproximava da Columna, uma descarga lançou por terra os guias e cavallos da frente, e os que sobreviverão fugirão em grande confusão... 

Pátria coroando os seus heróis, Veloso Salgado, 1904.
Museu Militar de Lisboa, Sala das Lutas Liberais (ex Sala das Campanhas da Liberdade).
Imagem: Maria João Vieira Marques

O Duque proseguio no seu feliz êxito com vigor, e deixando o 6.° d'lnfanteria para cobrir os caminhos do Pragal e Almada, avançou com o resto das suas tropas em direitura a Cacilhas, a fim de cortar a retirada ao inimigo, tendo feito occupar as avenidas que conduzem a Almada por varias Companhins do 3.° d'Infanteria. 

O inimigo tinha duas peças de campanha á entrada do largo de Mutella; mas o 2.° e 3.° de Caçadores, desprezando o seu fogo, armarão baionetas e tomarão a Artilheria; e fazendo avançar a testa da Colunma, o Duque penetrou já depois de noite até ao Caes de Cacilhas. 

Plan de Lisbonne son port, ses rades et ses environs avec une petite carte routière du Portugal (detalhe), 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal


He absolutamente impossivel descrever a desordem que teve logar n'esta occasião. Infanteria , Cavallaria, e bagagens , — Generaes, Officiaes, e Soldados , se precipitavão dentro das embarcações. 

A escuridão da noite augmentava a confusão; misturárão-se os vencedores com os vencidos; e, muito em honra dos primeiros, pouparão o inimrgo que já não resistia; meia hora depois ambos os contrários já erão amigos.

Praia de Cacilhas, The Harbour of Lisbon, Charles Henry Seaforth (1801 - c. 1854).
reprodução em colecção particular

Como a Fortaleza d'Almada se não tinha ainda rendido, o Duque fez contramarchar as suas tropas, deixando uma guarda no Caes de Cacilhas, e marchou para a entrada d'aquella Villa; mas desejando poupar quanto fosse possivel as suas tropas e o inimigo vencido, e evitar a desordem inseparável de uma entrada forçada n'uma Cidade em uma escura noite, fez alli alto, e o General Schwalbach, que commandava a testa da Columna, mandou o seu Ajudante-de-campo, o Alferes Jorge, com bandeira parlamenlar para intimar á fortaleza que se rendesse. 

Este foi desgraçadamente encontrado por alguns da Cavallaria Miguelista, e por elles mortalmente ferido.

O Duque permaneceo na sua posição, e no dia seguinte ao amanhecer rendêo-se Almada, e a guarnição depôz as armas na ezplanada. 

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Wikimedia

A perda do inimigo n'esta acção não poderia ter sido menos de mil homens em mortos, feridos, e afogados; Telles Jordão, que era o Commandante foi do numero dos primeiros; elle merecia bem o sen destino. (1)


(1) Charles Napier (trad. Manoel Codina), Guerra da successão em Portugal, Lisboa, 1841

Tema:
Guerras Liberais

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Restaurantes no Ginjal

Não sabemos se o leitor já adivinhou que estamos no Ginjal, à beira-rio. O nosso olhar foge-nos para o cenário maravilhoso da cidade, que nos fica em frente envolta numa poalha luminosa de fim do tarde a recortar o seu perfil caprichoso num fundo azul cobalto.

Cacilhas, ed. Manil, 3010 Q.
Delcampe

Depois, ficamos por momentos a observar os pormenores decorativos dos restaurantes típicos de margem: conchas coladas nas paredes, tanques contendo peixes ainda vivos, como nos mercados chineses, crustáceos de várias espécies marinhas, que dariam motivo para sôbre tão expressivo terna se escrever vivas páginas naturalistas... 

Vista aérea do Cais do Ginjal, c. 1960.
OBSERVADOR

Nota-se nos rostos e no ambiente característico que envolve êste lugar de refúgio, certa expressão saudável e de desprendimento. (1)

Cacilhas, Ginjal, década de 1940 (Secretariado de Propaganda Nacional).

A restauração é uma das atividades que mais fama deu ao Ginjal. A notícia que em 1931 [19 de julho] se lê n'O Almadense, sob o título "Os restaurantes do Ginjal vão-se civilizando", mostra que há muito se criara o hábito de aí procurar boa comida e boa bebida [...] 

Êste atencioso servidor e os vermelhos crustáceos tentam...
Um pela gentileza; as lagostas pela gula que despertam

"Os toldos de serapilheira que lhes tapavam as portas noutros tempos e a fila de fogareiros de barro onde se assavam sardinhas e se abria o marisco, tudo isso desapareceu para dar lugar a casas decentes onde decentemente se pode comer"

Uma tabuleta que é uma indicação gulosa aos que apreciam as caldeiradas

Criam-se assim condições para que cada vez mais pessoas se desloquem propositadamente ao cais para apreciar os petiscos preparados nos vários restaurantes da zona. 

Não  se mexam agora...
Riam um bocadinho... pronto...
Vão ficar mais bonitos do que a minha sogra

"Do lado de Cacilhas, estes ocupavam logo os primeiros edifícios"

Á porta do Floresta do Ginjal, 6 de agosto de 1940.
"patuscada de sardinhas e caldeiradas de lulas"
Delcampe, Bosspostcard

"Começando aqui pelo princípio do Ginjal, há o Farol, que era dantes a Fonte da Alegria, que era uma tasca. Foi sempre uma tasca que deu muito dinheiro… Aquilo a vender sandes e copos era um disparate!" […]

Hispano-Suiza de D. José Anadia em Cacilhas de partida para Sevilha, em 1912.
Restos de Colecção

"Depois, onde está aquele restaurante baixinho, era o restaurante da Maria Vagueira."

Aperitivos populares – os burriés e os camarões –
ainda são mais apreciados e, também, os mais acessíveis

Depois a entrada da Floresta era aquela entrada que ia dar a uma tasca lá por cima, pela Rua das Terras" […]

Vai já... Vai já...assim se anuncia, através do
característico "hall" aos impacientes "gourmets"

"Depois a seguir havia um restaurante que era o Pepe" […] 

"Depois ainda havia o Pita, que era o restaurante Abrantino no primeiro andar, [que] ardeu, e por baixo outro restaurante que era a Palmira das Batatas" […]

Cacilhas, uma família em 1940.
Delcampe, Bosspostcard

"Depois ao lado era o Gonçalves […] e a seguir era o restaurante da espanhola. Era a mãe da Madalena Iglésias. Ao fundo do cais ainda havia o Ponto Final."

"O Floresta do Ginjal […] era assim chamado por ser todo tapado com folhas de parreira, permitindo a realização de grandes festas com fados" […] (2)

Cacilhas, Restaurante Floresta do Ginjal.

Para finalizar este pequeno artigo da melhor maneira, aqui se recordam os principais restaurantes que funcionaram no Ginjal, quase todos ocupando então os primeiros edifícios à entrada do Cais e que abriram as suas portas a partir da década de 30, referenciando-se por ordem sequencial, no sentido de Cacilhas para a Fonte da Pipa:

Lisboa vista do Cais do Ginjal, Cacilhas (detalhe), Horácio Novais.

Maria Vagueira / Floresta do Ginjal (Out. 1934) / Os Bagueiras / Palmira das Batatas, (Abril 1935) mais tarde "O Grande Elias" / Tomé Pita (Out° 1934) mais tarde "O Abrantino"

Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa, A. F. Lopes e Rodrigues Thomaz, gravura, 1932.
Biblioteca Nacional de Portugal

/ O Gonçalves (Jun 1939) / Conchas do "José da Avó" (Mar° 1939). (3)


(1) Mundo Gráfico, 15 de abril de 1944
(2) Elisabete Gonçalves, Memórias do Ginjal, Centro de Arqueologia de Almada, 2000
(3) Os restaurantes no Ginjal, O Pharol n.° 8, dezembro de 2008

Artigo relacionado:
Na esplanada do forte de Cacilhas
O corredor do Ginjal

Mais informação:
Alexandre Flores no Facebook (O Ginjal antigo e os seus restaurantes...)
Alexandre Flores no Facebook (A famosa «Estrêla do Ginjal»...)

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Cova da Piedade (1873-1886)

1873

Logo ao nascer do sol embandeiraram quasi todas as cazas, e subiram ao ar muitos foguetes em signal de regosijo pelo anniversario da entrada das tropas liberaes. (1)

Almada, vista sul, Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

As casas da villa estavam illuminadas. No largo da Piedade tocavam, antes da chegada da commissão, tres philarmonicas.

Divisava-se em todos os semblantes o maior regosijo. Correu tudo com o maior enthusiasmo, o que se deve ao muito amor dos portuguezes á liberdade, e sem o mais pequeno incidente desagradavel, o que se deve á muita cordura dos cidadãos. (2)

Terreiro da Cova da Piedade, actual Largo 5 de Outubro.
ICMA cf. Fábrica de molienda António José Gomes

A direcção dos festejos por tão fausto acontecimento tinha sido confiada a uma grande commissão composta dos seguintes cavalheiros: — Presidente, Eduardo Tavares — Wenceslau Francisco da Silva — Jose Maria do Valle — Augusto Cesar de Lima — A. L. J. Quintella Emauz — João Antonio Xavier Carvalho Freirinha — Julio Cesar Coelho — Antonio Faria G. Zagallo — S. Duarte Ferreira — Rafael Fortunato Alves Cunha — Antonio Francisco Silva Junior — Manuel Francisco da Silva — Christovam de Mattos— Antonio Candido Lopes — João Alegro Pereira Ernesto — Alvaro Seabra — Barreiros (Delegado) e Guilherme Maria de Nogueira.

Esta commissão veiu de Almada para o largo da Piedade, ás 7 horas da tarde, acompanhada da philarmonica da villa, e de muitas senhoras que todas vestiam de azul e branco.

Banda da Incrível Almadense, c. 1894 - 1896.
Restos de Colecção

Ahi, collocando-se na frente da egreja, o sr. Eduardo Tavares, presidente da mesma commissão e deputado por aquelle circulo, fez um brilhante improviso, commemorando os factos da batalha dada n'aquelle sitio; disse que os que o acompanhavam n'aquella occasião não estavam ali como vencedores, nem tão pouco revestidos de odios de partidos; e appellou para o patriotismo de todos os portuguezes para conservarem a independencia e a liberdade que ha quarenta annos desfrutámos.

Concluído o discurso, o sr. Tavares levantou vivas á liberdade, sendo correspondido pela grande multidão que o cercava. Então deram-se também vivas aos veteranos da liberdade e ao sr Eduardo Tavares.

Eduardo Tavares (1831-1875).
Biblioteca Nacional de Portugal

Em seguida foi distribuído a 50 pobres um bodo que se compunha de 230 grammas de carne, um pão, meio kilo de arroz e 100 réis em dinheiro.

Este bodo foi oflerecido por uma commissão especial composta dos srs. Eduardo Tavares — João Allegro Pereira — Padre João Netto — A. L. J. Quintella Emauz — Manuel Joaquim Motta e Lourenço Anastacio Ferreira de Aguiar.

Durante o bodo tocou uma philarmonica difíerentes peças de musica. Acabado o bodo, dirigiram-se todos ao largo onde se achava collocado o busto do duque da Terceira; e ahi foram levantados novos vivas á liberdade e entusiasticamente correspondidos.

Estátua do Duque da Terceira (detalhe).
Desenho de Simões d'Almeida, gravura J. Pedrozo, 1877.
Biblioteca Nacional de Portugal

Todas as senhoras, como dissemos, trajavam de azul e branco; e todos os cavalheiros traziam ao peito um ramo de perpetuas preso com fitilhos também azues e brancos. (3)

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1874

Damos hoje á estampa a fachada do elegante hotel que ha de inaugurar-se amanhã na Cova da Piedade.

Hotel Club na Cova da Piedade, inaugurado a 31 de maio de 1874.
Hemeroteca Digital

O sitio é realmente lindissimo. Não podia o seu proprietário escolher melhor local. Defronta com o jardim publico que servirá de recreio aos visitantes. 

O hotel tem excellentes accommodações para hospedes. Conhecemos o proprietario e podemos assegurar que o tratamento será excellente.

Deve ser muito concorrido no tempo dos banhos, principalmente porque está proximo de Lisboa e offerece grandes commodidades. (4)

HOTEL CLUB
NA PIEDADE, OUTRA BANDA

DOMINGO, 31 do corrente se imaugurará o novo Hotel Club, casa de café e bilhar, estabelecido em casa apropriada e acabada de construir; reunindo ao mais esmerado aceio todas as commodidades a desejar.
Serviço de almoço, lunch e jantar por lista, e nos domingos e dias santificados jantar de meza redonda. (5)
HOTEL CLUB
NA PIEDADE, OUTRA BANDA

CONTINUA servindo todos os dias por lista.
Aos domingos e dias santificados, ha tambem jantares de meza redonda. (6)

[...] propriedade de Pompeu Dias Torres, dono do "Hotel Club" e da maior parte dos terrenos da comunidade piedense. [...] (7)

Entrada do Jardim, Cova da Piedade, ed. desc., década de 1900

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Fez-se um jardim, que está povoado de arbustos ainda tenros. Ao meio d'elle, um coreto onde ás tardes dos domingos uma orchestra entretem os passeantes. 

Á roda do jardim edificações novas, alegres, e a poucos passos d'ali o hotel Club, que respira limpeza e aceio.

Cova da Piedade, Arnaldo Fonseca, 1890
Boletim do Grémio Portuguez d’Amadores Photographicos

Á beira da estrada o Salão Veneziano, com os seus gelados e sorvetes e o seu champagne democrático, porque se serve aos copos, e cada copo a troco de um tostão [...] 

Os ranchos cruzam-se com vivacidade meridional; no hotel nota-se continuo fluxo o refluxo de hospedes; de toda a paisagem allumiada pelas scintillaçòes e pelos raios do nosso bello sol exhala-se um aroma de contentamento, e de bem estar; n'uma palavra, respira-se na margem de além Tejo o ar saudavel da civilisação, ar perfumado de um certo conforto, que até agora não era o distinctivo dos areiaes ardentes e das povoações tristonhas da outra banda.

Terreiro da Cova da Piedade, Rua das Salgadeiras.
ICMA cf. Fábrica de molienda António José Gomes

N'um paiz, em que o gosto pelas diversões marítimas fosse um sentimento popular, profundamente gravado na imaginação e nos hábitos communs, que admiravel theatro lhes estava aberto na vasta enseada do Tejo, a qual encurvando-se largamente diante da cidade, e bordando-se em suas margens ora de vinhedos, ora de praias arenosas, ora de pinhaes, ora de logares e de villas, que na brancura do seu cáio parecem lavradas de alabastro, aproxima-se de Lisboa pelo pontal de Cacilhas, que, n'este ponto, dá á margem fronteira, entalada entre a enseada e o rio, a apparencia de um isthmo  [...]

O Tejo em frente do Caramujo, Revista Illustrada, fotografia de A. Lamarcão, gravura de A. Pedroso, 1892.
Fábrica de molienda António José Gomes

Com o "fora da terra" paralysou-se de todo o movimento da sociedade elegante [...]

Do Commercio do Porto
Cartas Lisbonenses, Visconde de Benalcanfor [Ricardo Augusto Pereira Guimarães] (8)

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Cacilhas está se tornando um dos passeios mais lindos para a gente de Lisboa.

Vapor da carreira de Cacilhas, 1890, Óleo, Alfredo Keil
  Casario do Ginjal



A chamada Cova da Piedade acaba de ser elegantemente ajardinada com um coreto de música no centro.

Jardim da Cova da Piedade, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 13
Fundação Portimagem

No último domingo abriu-se ali um Hotel Club magnífico.

O local é encantador. Todos os domingos há música no jardim e é grande a concorrência do povo.

Paço Real do Alfeite, Aguarela, Enrique Casanova
ICabral Moncada Leilões

Perto da Cova da Piedade há a magnífica quinta real do Alfeite, cujas portas el-rei deu ordem para estarem abertas para os visitantes passearem. (9)

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1886

Escrevo-lhes estas linhas de uma pequena, mas bem interessante povoação, aonde vim passar o verão.

Ramalho Ortigão (1836 - 1915).
Wikipédia

A Cova da Piedade fica ao sul do Tejo, a vinte minutos da ponte dos vapores, na estrada de Cacilhas a Cezimbra.

Da bacia da Piedade faz parte a praia do Caramujo para léste, e para oeste o lindo e fértil valle de Mourellos, todo elle um pomar, em que a bella uva trincadeira, de bagos grossos e duros como cerejas, amadurece em enormes cachos, por entre as romanzeiras, as figueiras moscatel, as macieiras e os medronheiros cobertos de fructo.

É uma terra abençoada para a producção.

N'uma estreita nesga de quinta, uma familia habilidosa e diligente vive n'um confortável commodo burguez sem outra renda além da que resulta do cuidadoso amanho da sua vinha e da sua horta [...]

Cova da Piedade, zona rural, Francesco Rocchini, anterior a 1895.
Arquivo Municipal de Lisboa

Durante a mocidade de nossos paes, a Cova da Piedade foi celebre pela casa de pasto do antigo Escoveiro, theatro de memoráveis noitadas de amor e de batota.

O pretexto da concurrencia ao Escoveiro era a sua afamada sopa de camarões e os salmonetes, que elle preparava do um modo especial, mettendo-os no forno envoltos n'um papel com manteiga, e servindo-os em sumo de limão, polvilhados de pimenta. 

Botequim de Lisboa no século XIX, Alberto de Sousa, 1924.
Museu da Cidade de Lisboa

Uma belleza! Comidos os salmonetes, armava-se a mesa do monte e muitos dos estroinas celebres da terrível Lisboa de ha trinta annos abancavam ao jogo até o outro dia pela manhã [...] 

Ainda hoje, depois de tantos annos, o prédio respectivo, á entrada da estrada de Cezimbra, sempre fechado, de frontaria apalaçada, mas ennegrecida, tem como um ar de desgraça.

Extinto o Escoveiro, veio o José [Joaquim?] dos Melões, e as merendas populares suecederam-se aos jantares e ás ceias da burguezia romântica.

No Lazareto de Lisboa, Joaquim dos Melões, Rafael Bordalo Pinheiro, 1881.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Hoje, o logar é um considerável centro industrial, com uma grande officina da moagem a vapor e quatro fabricas de rolhas, no sitio do Caramujo.

Tejo junto à Praia do Alfeite, António Ramalho, 1880.
Alexandra Reis Gomes Markl, António Ramalho, Pintores Portugueses, Lisboa, Edições Inapa, 2004

Ha abastados agricultores, intelligentes e instruidos, tomando a terra a serio como Pompeu Dias Torres, que amanhece a anoitece a cavallo, e percorre quotidianamente a área de toda a sua lavoura, dirigindo em pessoa as cavas, as mondas, os varejps, as podas, as vindimas, as lagaradas, as cortimentas, todos os serviços emflm da grande lavra; 

e como Paulo Plantier, que na sua quinta do Pombal fabrica o mais especial vinho branco da região e as mais bellas rosas de todo o paiz, em rosaes de dez mil pés, cingidos de sementeiras preciosas de morangos e de melões da mais fina e delicada selecção horticola.

Paisagem com casa, Bertha Ortigão.
Cat. Palácio do Correio Velho, 17 de dezembro de 2008.
Arcadja

Além d'estes elementos de actividado o de riqueza local, quasi todas as pequenas casas da população indígena da Piedade são, mais ou menos, restaurantes campestres, com a taberninha á frente, o retiro bucólico ao fundo, com a mesa de jardim debaixo do parreiral ou do aboboreiro, e o terreno para o jogo da malha ou do chinquilho, a um lado da horta. 

Porque não ha dia lindo, com céu azul, quer de verão, quer de inverno, em que uma alegre burricada ou uma cavalgada impetuosa não passe com os respectivos cavalleiros aguçados de appetite pelo ar vivo do campo, uns ávidos de coelho guizado, de fritura d'ovos e chouriço, e de salada de pimentas, outros sequiosos da frescura de um melão maduro e da espuma vermelha do vinho palhete de Santa Martha ou do S. Simão, sugado pela chupéta ao batoque do casco e decilitrado ao pé da mãi.

Almada [Cova da Piedade], Uma Burricada, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 14, década de 1900.Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1990, 318 págs.

Os estudantes e os caíxeiros preferem nas excursões equestres os esgalgados o escancellados cavallos de Cacilhas, aos quaes elles se impõem o dever sagrado de tirar em duas horas de gineta as manhas de uma vida intoira de mortificação e de jejum.

Os mestres d'officios com suas mulheres, os pequenos logistas com as suas famílias, as coristas do theatro do Recreio ou da Trindade com os músicos ou com os poetas seus amigos, as costureiras e as cocottes com os seus companheiros, optam pelos burrinhos, em cujos albardôes o guarda-pó do cavalleiro, enfunado ao sopro, da brisa, e as bamboloantes botinas da dama, descobertas até o ultimo botão, são logo dopois de montar um começo auspicioso de festança. 

Burricada, Veloso Salgado.
Cabral Moncada Leilões

E na minha qualidade de paizagista eu bemdigo os que continuam a ser pela velha tradição da burricada cacilheira, porque não ha cousa que mais avivente e alegre o macadam poeirento, faiscante de sol, entre os aloés e as oliveiras alvacentas da beira das estradas, do que essas luminosas manchas movediças de guardas-sol brancos, azues e vermelhos, trespassados de sol, por baixo das quaes tremeluz em leves e fugidias pulverisações de prata, a terra solta, ferida pelo choto miudinho dos jericos. (10)


(1) Diario Illustrado, 24 de julho de 1873
(2) Idem
(3) Idem, ibidem
(4) Diario Illustrado, 30 de maio de 1874
(5) Diario Illustrado, 30 e 31 de maio de 1874
(6) Diario Illustrado, 7 de junho de 1874
(7) Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 - 1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.
(8) Diário Illustrado, 31 de julho de 1874
(9) Diário do Maranhão, sexta-feira, 26 de Junho de 1874
(10) Gazeta de Noticias, 7 de dezembro de 1886 

Artigos relacionados:
Os festejos de 24 de julho de 1874
Cova da Piedade elegante e encantadora em 1874
Hotel Club da Piedade

terça-feira, 10 de julho de 2018

Contos rápidos: uma passeata...

Até que finalmente tinha chegado o desejado dia dos annos da Marianna, em que segundo promettera o primo Alfredo, iriam todos passear até á Outra Banda. 

Recordação de uma "pandiguinha" na tapada do Alfeite em 28 de Setembro de 1913.
Casa Comum

Desde as quatro da manhã que em casa dos Rochas, andava tudo n'uma debadoira, pois cheirava a pandega, e demais a mais, pandega paga pelo primo, rapaz com algum vintem, que estava para casar  com a Piedade, irmã da Marianna.

O pae das raparigas, o sr. Rocha, um amanuense encravado do ministerio do Reino, a quem o magro ordenado mal chegava para sustentar aquella tropa fandanga de seis pessoas, elle, mulher e quatro filhas, exultava de contente n'aquelle dia, não só por poupar o jantar em casa; como também lhe cheirar a comer de borla e tirar o seu ventresinho de miseria. 

A D. Pulcheria senhora já quarentona e mãe de raparigada, essa tombem não cabia dentro da pelle, com o contentamento que sentia, e agourando de antemão um dia bem passado fóra de casa. 

Ás seis horas chegou o Alfredo, todo dandy, de fato claro, Panamá de palha posto á mosqueteiro, e saboreando um carmelita aromatico, que deixava nos ares um aroma deliciosissimo.

As Rochas estavam esperando impacientes, todas aprumadas e mais firmes do que o seu apelido, na casinha de fóra, por isso foi um delírio quando a campainha telintou alegremente.

— Ora graças!... disse a D. Pulcheria que foi quem abriu a porta, emquanto o Rocha pae escovava o côco e as filhas ensaiavam caretas ao espelho. 

Julguei que não chegava hoje!... O seu relogio está muito atrasado! 

— Ora essa?... Está pelo tiro, que o accertei hontem, voltou o Alfredo puchando pela cebolla e mostrando-a á futura sogra. 

— Então é o de cá, que está adiantado, voltou a Annita cofiando o penteado na testa. 

O Alfredo foi-se chegando para o pé, da Piedade e apertou-lhe a mão ternamente, emquanto o pae Rocha, já de bengala empunhada e chapéo na cabeça, dizia:

— Bem, então não ha tempo a perder. Vamos andando a ver se apanhamos o vapor das seis e meia.

Embarque na ponte dos Vapores Lisbonenses, fotografia de Joshua Benoliel (1873-1972).
Arquivo Municipal de Lisboa

Eram sete e meia quando o alegre bando desembarcou em Cacilhas.

O Alfredo sempre agarrado ao braço da Piedade, propôz para irem ao Alfeite vêr a quinta, mas primeiro seria conveniente almoçarem em qualquer parte.

Acceite o convite com todo o contentamento, dirigiram-se a uma casa de pasto onde almoçaram regaladamente bife, ovos estrellados, vinho etc.

Se nós agora fossemos de burricos até ao Joaquim dos melões? alvitrou o Rocha pae.

Cá por mim antes queria ir á Cova da Piedade, disse o Alfredo olhando sorrateiramente para a prima, que se poz vermelha como um tomate.

Cova da Piedade, Rua Tenente Valadim, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe

Nada, nada vamos nos burros dar um passeio maior, retorquiram em côro as outras irmãs.

Alugaram-se burros e começaram a montar, mas o Alfredo e a prima deixavam-se ficar para traz, cochichando em voz baixa.

— Então vocês não veem nos burros? perguntou a D. Pulcheria já quando os jumentos se punham em marcha.

Grupos de arraial, Alfredo Roque Gameiro, J. Novaes Jr., c 1900.
Internet Archive

Não mamã! respondeu a Piedade batendo as palmas. Vão andando, vão andando, que eu e o primo vamos em cavallo... 

E foram.  (1)


(1) O Zé, successor do Jornal "O Xuão", 13 de dezembro de 1910

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Almada (1967)

No cineteatro da Academia Almadense estreou-se no mês findo o documentário colorido "Almada – Varanda do Tejo", ao qual assistiu o senhor Governador Civil do distrito de Setúbal, que se encontrava acompanhado pelos senhores presidente e vice-presidente da câmara, vereadores e entidades militares, civis e religiosas.

Excerto do filme Almada - Varanda do Tejo (cor, 35 mm), Ricardo Malheiro, 1967.
Cinemateca Digital

Patrocinado pela câmara de Almada, [o filme foca] a projecção turística urbana e industrial do concelho de Almada. (1)


(1) Jornal Praia do Sol, 1 de novembro de 1967

sexta-feira, 15 de junho de 2018

A Escola Naval e o Arsenal do Alfeite

Dez horas batidas nesta manhã de Setembro transparente e calma, encontro junto à Casa da Balança do velho Arsenal do Terreiro do Paço, o 1.° tenente Teixeira da Silva, meu guia amável na visita que pretendo fazer à Escola da Marinha e Oficinas da Real Quinta do Alfeite, na margem fronteira.

Uma expressiva imagem do Arsenal do Alfeite.
Panorama n° 4, setembro de 1941

Aguarda-nos um rebocador, onde empreendemos a travessia. 

Diante de nós o Tejo prolonga-se num plaino reverberante, incendiado pela crueza da luz, que desce a prumo sobre a água e entontece o vôo musical das gaivotas.

O rio vive as horas matinais da faina ribeirinha que já Fernão Lopes, há quinhentos anos, não resistiu ao gôzo de anotar, e a vela côr de açafrão, perdida além, é a legenda que melhor acerta no perfil moreno de Lisboa.

Ao lado, o vaporzinho cacilheiro deixa um rasto de espumas batidas pela hélice diligente. 

À medida que nos acercamos da margem esquerda, ficam para trás as povoações da Cova da Piedade e do Caramujo, sumidas na teia de névoas que sobe da massa aquática e alastra pelas ribas até as envolver.

Vista aérea da Escola Naval e do Arsenal do Alfeite, Mário Novais.
Flickr

Agora destrinço, nitidamente, as diversas construções que compõem os conjuntos da Escola Naval e das Oficinas; no primeiro plano, à direita, observo com curiosidade o palácio mandado levantar, nos meados do século xlx, por D. Pedro V. 

Salto para um batelão, que me facilita o desembarque e antes de iniciar a minha peregrinação. chamo à lembrança. apressadamente, a leitura, feita na véspera, do "Guia de Portugal". A Quinta do Alfeire, situada a S.E. da Cova da Piedade, entesta com o Seixal e foi propriedade da Rainha D. Leonor Teles. 

Em 1401, passou para D. Duno Alvares Pereira, sendo muito mais tarde adquirida por D. Pedro II, que a encorporou na Casa do Infantado.

D. João IV e D. Miguel acrescentaram-na com novas quintas circunjacentes, até que em 1834 foi definitivamente incluída nos bens da coroa. 

Na Escola Naval recebe-me, fidalgamente, o 2.° Comandante Nuno Frederico de Brion, com aprumo e galhardia, timbre dos marinheiros de alta estirpe. 

Um ângulo da Escola Naval.
Flickr

Percorro as instalações escolares acompanhado pelo Oficial de serviço, que leva a sua gentileza ao ponto de tentar explicar-me o funcionamento da aparelhagem complicada que me rodeia.

Tudo aqui é de um asseio irrepreensível e o ambiente das aulas alegre e cheio de claridade. 

Visito a Oficina Escolar e de Reparações, o Gimnásio e as instalações dos Cadetes, atravesso um campo de "foot-ball' e entro no edifício do Comando, obra dos arquitectos Rebelo de Andrade, que conseguiram sugerir nos volumes da construção reminiscências de arquitectura náutica de feliz equilíbrio. 

O "hall", pavimentado de mosaicos de lioz, é encimado por uma ampla galeria, que corre nas quatro faces, assente em colunas de cantaria de Sintra. 

A fachada do edifício de comando da Escola Naval — Foto Mário Novais.
Flickr

No piso inferior do edifício alinham-se as salas de aula, pedagógicamente apetrechadas com o material indispensável para um ensino que necessita, a cada passo, de se apoiar no próprio objecto. 

Mostram-me, entre outras, as aulas de torpedos, motores, máquinas, balística e electricidade; subo ao primeiro andar, onde se encontra o gabinete do Comandante, mobilado com um bom gôsto que me surpreende, dou ainda um olhar pela Sala do Conselho, apeteço, por um pouco, a simpática solidão da Biblioteca e galgo a escada de caracol que me leva ao terraço, do qual descubro um admirável panorama, diluído na lonjura em que se projecta. 

Do meu lado direito descortino o castelo de Palmela e o dorso violeta da Serra da Arrábida; à esquerda, alonga-se um exíguo promontório, onde se aninham as vilas de Cacilhas e de Almada e, na quieta luminosidade do entardecer, avulta, como pano de fundo, a cidade de Lisboa, reflectida na translucidez irisada do Tejo. 

Vista do Arsenal do Alfeite, Mário Novais.
Flickr

Deixo o corpo central do edifício com a sua Ponte de Comando, Tôrre da Bússola, Casa da Pilotagem e outras dependências; espreito o pinhal rumorejante e adivinho ali a melodia doce de um melro, que parece suspensa no esmorecer da luz. 

Resta-me, apenas, como final da viagem, a colheita de alguns elementos, que me disponho a adquirir, sôbre a organização e funcionamento do Arsenal edificado beira-rio, em frente da Escola de Marinha. 

O poderoso guindastre do Arsenal.
Panorama n° 4, setembro de 1941

Compôem-no um corpo de vários edifícios; porém, sómente dois são obra dos arquitectos irmãos Rebelo de Andrade, pertencendo os restantes a construções anteriores. 

Da actividade das suas oficinas, fala, mais do que que tudo, o Relatório do ano de 1940, publicado há pouco. Dêle extraímos os dados estatísticos que se nos afiguram de maior importância. 

Assim, para os que se interessem pela questão, diremos que em 1940 foi construído no Arsenal do Alfeite o novo navio hidrográfico "D. João de Castro", ultimada a construção de duas lanchas de fiscalização, começada a construção de outras duas, de um batelão, dois vapores arrastões, seis embarcações menores e duas vedetas. 

Uma expressiva imagem do Arsenal do Alfeite.
Panorama n° 4, setembro de 1941

Quanto ao trabalho de reparações e de beneficiações, destaca-se o efectuado no contratorpedeiro "Lima" e na canhoneira "Ibo", realizado com a melhor das proficiências técnicas. 

Do exposto no referido Relatório conclui-se que o movimento diário do Arsenal, no capítulo de consertos e melhoramentos, foi, no ano findo, de seis navios com o total de 5.550 toneladas, perfazendo o pessoal mobilizado no serviço, o elevado número de 1.474 pessoas. 

As amplas oficinas do Arsenal — Foto Mário Novais.
Panorama n° 4, setembro de 1941

Julgamos estas notas suficientes para, através delas, se poder calcular o enorme e disciplinado esfôrço que representa a renovação das nossas indústrias navais, superiormente orientadas. Basta ir ao Alfeite e procurar ver, para disso trazermos a certeza. (1)


(1) Panorama n° 4, setembro de 1941

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Mais informação:
Flickr (FCG), Mário Novais