quarta-feira, 22 de abril de 2020

O novo autocarro da Piedense

Todos se lembram da miséria, há uma meia dúzia de anos atrás, dos transportes na região de Almada e Caparica. O problema dos transportes colectivos da nossa região foi resolvido pela Empresa de Camionetes Piedense, já antiga, mas que pela sua nova e generosa gerência tomou um rumo progressivo, que seria injustiça não pôr em destaque.


Volvo da Empresa de Camionetes Piedense, 4 de março de 1950.
Delcampe bosspostcard

Ele satisfez a população natural da Costa, os banhistas, os frequentadores habituais, os forasteiros, o comércio, o bom nome da região e de Almada. Horários encurtados, veículos cómodos, serviço primoroso, pessoal correcto.

Berliet PCR da Empresa de Camionetes Piedense, 1949.
Gazeta dos Caminhos de Ferro, n.° 1470, 1949

Agora pode cada um dirigir-se à Praia do Sol, pela Trafaria ou por Cacilhas, que nem tem que esperar nem tem que se preocupar com o regresso. E deste modo as edificações de moradias e a instalação de famílias no verão ou em todo o ano multiplicam-se, e o concelho de Almada conta com um seguro elemento no seu progresso; os transportes colectivos.

Não é, pois, por favor ou por simples contumélia, que o nosso boletim cumprimenta os srs. José de Sousa e Silva, gerente da Empresa de Camionetes Piedense, e o seu compreensivo sócio sr. Agostinho Linhares. 

E hoje, 1 de Janeiro, precisamente, foi inaugurado um novo autocarro, de modelo moderno, e que vai acrescentar a excelência dos serviços da Empresa. (1)


(1) O progresso dos transportes, O novo autocarro da Piedense

Artigos relacionados:

A Ideal de Carrocerias
Empresa de Camionetes Piedense
Uma empresa que se impõe

terça-feira, 21 de abril de 2020

Memórias da minha rua

Memórias da minha rua é um livro com memórias de vivências passadas numa rua do Município de Almada na década de 1955/65. 

Mutela, Cecília Alves e outras crianças, c. 1960.
Cecília Alves

Retrata a forma como então se vivia dia a dia num pequeno aglomerado urbano do nosso país, descrevendo não só as vidas de alguns moradores da rua, como as atividades económicas, recreativas, sociais e até políticas desenvolvidas pelos personagens. 

Rua Manuel Febrero, (álbuns de fotografia da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada).
InfoGestNet

A maior parte das histórias contadas são verdadeiras, havendo, contudo, algumas que são ficção.

Mutela, Cecília Alves e outras crianças, c. 1960.
Cecília Alves

No conjunto são as memórias de uma rua pela perspectiva do olhar de uma criança. (1)

Memórias da minha rua.
Cecília Alves


(1) Programa Fórum Municipal Romeu Correia, janeiro e fevereiro 2019

Informação relacionada (outras crianças em Mutela):
O meu livro de memórias: Os meus primeiros anos

Leitura relaacionada:
Cecília do Carmo Alves, Memórias da minha rua, Olhão, 2018, 155 pág.

Cecília Alves apresenta "Memórias da Minha Rua" em Olhão.
Região Sul

sábado, 28 de março de 2020

Na Lapa de Cacilhas em 4 de junho de 1950

Aspectos da parada dos Bombeiros Voluntários de Almada

Cacilhas (Lapa), Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada.
InfoGestNet

Jeep n.°2 com moto-bomba n.°4 (Standard) e carro oficina com roulotte.

Cacilhas (Lapa), Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada,.
InfoGestNet

Extra rápido n.° 1.

Cacilhas (Lapa), Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada.
InfoGestNet

Extra rápido n.° 1.

Cacilhas, Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada.
InfoGestNet

Jeep n.°1 com moto-bomba n.° 5 (Denniz).

Cacilhas, Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada.
InfoGestNet

Carro oficina com roulotte.

Cacilhas, Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada.
InfoGestNet

Início do desfile da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada.

Cacilhas, Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada.
InfoGestNet

Desfile da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada à entrada da rua Cândido dos Reis.

Cacilhas, Parada dos Bombeiros Voluntários de Almada.
InfoGestNet


Artigos relacionados:
Grande Parada dos Bombeiros Portugueses
Bombeiros Voluntários do Caramujo
Museu de Bombeiros

Leitura relacionada:
Victor M. Neto, Bombeiros Voluntários de Cacilhas, 120 Anos a servir, 1891-2011, Cacilhas, Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Cacilhas, 2011

quinta-feira, 5 de março de 2020

O perré!

Nos anos cinquenta, todos os estaleiros das praias da Margueira e Mutela foram encerrados em consequência do aterro de toda a frente ribeirinha que se estende de Cacilhas à Cova da Piedade, seguido da construção de uma muralha e da avenida que ainda hoje existe.

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(cábrea "Eng.º Manuel Espregueira")
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(colocação de blocos por meio da cábrea "Eng.º Manuel Espregueira")
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(colocação de blocos de retenção por meio da cábrea "Eng.º Manuel Espregueira")
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(começo das obras)
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(começo das obras do perré)
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(colocação de blocos de retenção)
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(construção do perré)
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Obras em Cacilhas para o futuro estaleiro naval da Lisnave, 24/11/1949
(construção do perré)
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Na década de sessenta, como já antes referimos, foi construído nesse local o estaleiro da "Lisnave" também conhecido pelo "estaleiro da Margueira" [...]

Vista aérea do perré na variante à Estrada Nacional 10, zona da Mutela e da Margueira, 1958
IGeoE

Para o rio, na Margueira
A muralha era um céu
Acabou-se a brincadeira
Quando a Lisnave apareceu (1)



(1) As Margueiras, Contributos para a história de Cacilhas, J.F. de Cacilhas, 2013

Artigos relacionados:
Estaleiros de praia
A banhos na Margueira com Romeu Correia
Ante-projecto do Arsenal de Marinha na margem sul do Tejo
Lisnave
Kong Haakon VII na Lisnave
Doca 13
História alternativa

Leitura relacionada:
Decreto-Lei n.º 44708 - Diário do Governo n.º 267/1962, Série I de 1962-11-20
Boletim do Porto de Lisboa n.° 179, abril, maio e junho de 1967
Salvaterra e eu (pesquisa: Lisnave)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Grupo Dramático Recreativo de Cacilhas

Acaba de se fundar na localidade de Cacilhas, por alguns rapazes da nossa melhor sociedade, um grupo dramático intitulado "Grupo Dramático Recreativo".

Pontal de Cacilhas, ed. Alberto Malva/Malva & Roque, 135, década de 1900
Delcampe

Este grupo que tem por sede uma bella e pittoresca habitação situada na rua Carvalho Freirinha, além de ser a uníca associação de recreio n'aquella localidade, é sem duvida, um delicioso passatempo para todos aquelles que já se inscreveram no numero dos seus associados. 

Cacilhas (Portugal), Largo do Costa Pinto, ed. Martins/Martins & Silva, 18, década de 1900
Delcampe

Brevemente tem lugar a primeira recita, em que sóbe à scena o commovente drama em 3 actos, Escravos e Senhores, e a engraçada comedia em 1 acto Valentes e Medrosos [a fingir].

Projecta se uma corrida de bycicletes nos meados de junho proximo, em que tomarão parte distinctos amadores d'esse genero de sport, residentes n'esta Villa. 

Rua Direita, Cacilhas, ed. desc., década de 1900
Delcampe, Oliveira

O sr Demetrio Lopes, proprietario da "Maison Confiance" já fez acquisição de diversas machinas para o mesmo fim. (1)

Passou a denominar-se "Club Recreativo José Alvelino", o "Grupo Dramatico Recreativo, de Cacilhas".

É definitivamente no dia 6 de maio proximo, que se realiza na séde d'este Club, a primeira recita brilhantemente ensaiada pelo sr. Antonio Luiz Avellar, e dedicada pela direção aos socios e suas familias. 

João Rafael

As obras na organisação do palco e sala desta sympathica agremiação encontram-se quasi concluídas. A direcção composta de distinctos e bem conceituados cavalheiros esforça se, para que esta festa seja revestida do maior deslumbramento possivel. (2)


(1) A Liberdade n.° 1, 15 de abril de 1906
(2) A Liberdade n.° 2, 29 de abril de 1906

Artigo relacionado:
Clube Recreativo José Avelino

Informação relacionada:
Ministério da Administração Interna: Club Recreativo José Avelino (1924)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Recordação de Cacilhas

Em Cacilhas tudo é primitivo, rústico, muito à moda provinciana. E os garotos, de epiderme clara, limpa, fortes rosêtas nas faces, pés descalços e barretes, negros à cabeça, falam uma linguagem pitoresca e pedem um escudo, enquanto as mulheres, de lenço sarapintado e saia de chita arregaçada, põem a mão em concha, junto aos lábios, para gritar o nome dos filhos que jogam "às escondidas", no adro da igreja.

Rua Carvalho Freirinha em Cacilhas (detalhe), década de 1960.
Arquivo Municipal de Lisboa

Todo esse caleidoscópio, e o exame, desse precioso material humano, simples mas rico de colorido, forte de nuanças vivas, tem de ser apreciado com a celeridade de um átomo. As horas voam. 

O Berlinde por um Óculo, fotografia de Fernando Barão.
Casario do Ginjal

Os convites para novas excursões aumentam; e uma única certeza nos assalta: dentro de alguns dias, tudo isso será uma recordação. Grata e imorredoura, das mais felizes, mas apenas recordação. (1)


(1)  Celestino Silveira, De Lisboa e da província... Revista da Semana n.° 2, 1950

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Egreja do Espírito Santo

Encontra-se bastante arruinada esta pequena mas elegante egreja situada no centro da vila d'Almada, em cujo templo estão patentes aos fieis as sagradas Imagens da Paixão, que antigamente sahiam em procissão, no domingo de Ramos, Imagens de subido valor artistico de muito merecimento.

Largo do Espírito Santo, espólio Cassiano Branco.
Arquivo Municipal de Lisboa

A irmandade que alli presta culto, é pobre, e não possue rendimentos para que possa accudir ás obras indispensaveis, de que carece a referida Egreja, que é propriedade do Estado, e n'esta conformidade o rev.° parocho, com a mai-ria dos seus parochianos, habitantes d'Almada, assignados em um memorial, pediram ao governo as precisas obras, a exemplo do que se tem feito a outras Egrejas, as quaes não são pertencentes ao Estado. 

Rua Dr. Francisco Inácio Lopes, espólio Cassiano Branco.
Arquivo Municipal de Lisboa

Este pedido foi feito e entregue no ministerio das obras publicas em 24 de maio de 1897, sem que até hoje tenha tido deferimento. 

A velha travessa do Espírito Santo, espólio Cassiano Branco.
Arquivo Municipal de Lisboa

Pedimos ao sr. ministro das obras publicas, se digne ordenar a desejada obra, não só pelos motivos expostos, como tambem pela conservação dos objectos de culto que alli existem, e proporcionar trabalho a alguns dos muitos operarios que se encontram desempregados.

Eduardo Tavares [As Instituições, propriedade de] (1)


(1)  As Instituições, domingo 20 de março de 1898

Artigo relacionado:
Salão das carochas
Almada no espólio do arquitecto Cassiano Branco