segunda-feira, 30 de setembro de 2019

J. Marciano, Tanoaria e Estabelecimento de banhos no Ginjal

É um cidadão duma gordura hyperbolica o meu amigo J. Marciano. Antes do alvorescer da mocidade, já elle movia entre as mãos infantis arcos e aduelas. A julgar pelos seus olhos pequenos e vivos, que ainda hoje scintillam de alegria e bom humor, devia ser um rapaz endiabrado. Com o tempo e o trabalho o corpo, na sita forte musculatura, engrossou de tal sorte, como que avolumando-se segundo a forma dos productos da sua industria, que hoje parece um pequeno tonel. 

Cais do Ginjal, Óleo, Alfredo Keil
Casario do Ginjal



J. Marciano, porém, apesar da grande materia ponderavel, que a natureza houve por bem justapor em camadas adiposas á sua estructura, conserva ainda uma grande agilidade do movimentos, é sempre o primeiro a apparecer na sua tanoaria, onde trabalham dezenas de operarios, e nunca o sol ao nascer o apanhou na cama.

É um gosto vêl-o. em mangas de camisa, ao raiar d'alva, defronte d'esse bailo horisonte do Ginjal, que tem por fado as dentadas ameias graníticas da serra de Cintra, e no primeiro plano a magnifica foz do Tejo cristalino, é uma delicia vêl-o a destacar-se na penumbra crepuscular como um collosso de bronze, porque elle é trigueiro como um Beduíno. 

Dá as suas ordens a sessenta, oitenta, cem operarios, e toda aquella engrenagem viva de intelligencia  e vontades entra em movimento methodico, regular, preciso, como as rodas d'uma machina. É sobretudo distincto como elle mantem a desse o modo, a disciplina do trabalho. 

Nunca, no meio de tantos operarios, e n'um dos lugares mais afastados do centro do povoado, houve a minima desordem. Os operarios de J. Marciano seguem o exemplo do patrão; em regra pode dizer-se que são os mais bem comportados de Almada. 

Fabricam-se n'aquella tanoaria toneis dama grandeza collossal ao pé dos quaes o meu é como a cabana do pescador junto do Kremelin, por hypothese.

Já, em noite de borrasca, eu e uma caravana de rapazes fomos surprendidos por um d'estes aguaceiros de verão, que despejam sobre as cabeças torrentes de chuva em que se rasgam as cataratas do ceu; e salvou nos um desses toneis monstruosos, que não tinha ainda os tampos, e em que entramos á vontade, como na Arca de Noé. 

Mas a actividade industrial de J. Marciano não se limita, nem se podia limitar, a fazer toneis. Sendo o Ginjal uma das mais pitorescas margens do Tejo, lembrou-se de construir ali um chalet para banhos. 

Lisboa vista do Ginjal, Alfredo Keil.
Casario do Ginjal

Dito e feito. Tudo o que havia de carpinteiros e pedreiros em disponabilidade no concelho de Almada marchou logo para dar começo á portentosa fabrica, e em menos de tres meses uma longa casaria branca flanqueada de elegantes ogivas envidraçadas, surgia como por encanto sobre a arenosa praia do Ginjal. 

Dentro ha banhos de todas as qualidades, deste a torrente, que e despenha dos altos rochedos, até a simples "douche", desde o banho russo, ou a vapor, até á delicada immersão em urna de marmore em tepida agua perfamada. 

J. Marciano fez e ezornou aquillo com um gosto verdadeiramente oriental.

Avultam as estatuas de alabastro nos mosaicos dos nichos das piscinas; tranças de flores de nacar suspendem da aboboda de crystal petriticações marinhas, conchas das mais bellas reverberações prismaticas, naiades e ondinas, de fôrmas voluptuosas, destacam nadando no ether dos frescos das paredes; plantas aquaticas de largas folhas avelludadas fluctuam em vasos collossaes de porcelana; todo o que o requinte da arte e do luxo póde inventar para deleite da vista o do olfato ali se ostenta como palacio de fadas. 

Por isso tambem os banhos do Ginjal são boje os mais concorridos de damas, donzeis e trovadores. Fazem-se ali n'estes dois meses proximos futuros sonetos, odes e poemas, como nunca os fez a antiga Arcadia Portugueza. 

Vidal já cantou aquella praia em redondiiba maior, e Florencio Ferreira sagrou-lhe na harpa magoada uma das suas mais harmoniosas endechas. 

Vapor da carreira de Cacilhas, 1890, Óleo, Alfredo Keil
Casario do Ginjal



Este anno consta-nos que ha de descer para aquellas bandas do Tejo uma constellação de poetas. J. Marciano recebe-os a todos de braços abertos, e é muito capaz de lhes abrir a torneira da fonte Castalia de qualquer dos seus mais bojudos toneis de Malvasia. (1)


(1) Diário Illustrado, 26 de julho de 1882

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Grande Parada dos Bombeiros Portugueses

16 de Junho de 1935

A parada teve como pano de fundo as principais artérias da Baixa de Lisboa, sendo assistida, ao longo de todo o percurso, por enorme multidão, desperta pela vistosidade dos fardamentos e das viaturas, para além dos estandartes e das bandas de música que marcaram a cadência das garbosas e disciplinadas formações de bombeiros. O número de participantes saldou-se num verdadeiro êxito: 2488 homens e 114 viaturas (15 carros de pessoal, 110 carros de combate, 2 ambulâncias e 17 auto-macas).

Viatura dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

Em termos organizativos, as forças motorizadas concentraram-se em Belém, na Avenida da India, dirigidas pelo comandante do então Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa, major Frederico Vilar, enquanto as forças apeadas, sob a orientação do comandante dos Bombeiros Voluntários Portuenses, major Gabriel Cardoso, reuniram entre a Praça de D. Pedro IV e a Praça dos Restauradores [...]

Viatura dos Bombeiros Voluntários de Almada na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

Numa tribuna instalada na Avenida da Liberdade, assistiu à parada o Presidente da República, general Óscar Carmona, acompanhado do ministro do Interior, Manuel Rodrigues Júnior, e do governador civil de Lisboa, tenente-coronel João Luís de Moura, entre outras altas entidades do Estado. (1)

Viatura dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

À noite

As viaturas concentraram-se às 22 horas na avenida da India e cada bombeiro recebeu uma provisão de fogo de artifício. Uma hora depois o cortejo pôs-se a caminho. Ao chegar ao Terreiro do Paço a iluminação do percurso imediato foi atenuada e principiou a queima de fogo, dos veículos em marcha.


Viatura dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

O aspecto feérico da longa fila de carros, donde jorravam fachos de luz, era deslumbrante. A todo o momento subiam no ar foguetes que se derramavam depois em lágrimas refulgentes de luz ante os olhares da multidão maravilhada. (2)


(1) Bombeiros de Portugal
(2) Ilustração N.º 229, 1 de julho de 1935

Artigo relacionado:
Museu de Bombeiros

Mais informação:
O Noticias Ilustrado n.° 367, 1935, cf. A voz dos egrégios avós

Leitura relacionada:
Victor M. Neto, Bombeiros Voluntários de Cacilhas, 120 Anos a servir..., Cacilhas, Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Cacilhas, 2011


Informação relacionada:
Liga dos Bombeiros Portugueses, Núcleo de História e Património Museológico

sábado, 7 de setembro de 2019

Chafariz de Cacilhas (os festejos da inauguração)

Foi no domingo dia de grandes festejos em Cacilhas. Logo de manhã começaram a subir ao ar muitos foguetes annunciando a costumada festividade religiosa, e tambem a inauguração do excellente chafariz que a camara municipal mandou construir n'aquelle local.

Chafariz de Cacilhas, inaugurado em 1 novembro 1874.
Biblioteca Nacional de Portugal

Ás 11 horas da manhã sairam dos paços do concelho a camara municipal, que se compunha do sr. presidente Bernardo Francisco da Costa, dos srs. vereadores Antonio de Brito, e Salvador Duarte, escrivão e todos os seus empregados; acompanhavam tambem a camara o sr. Palmeirim, administrador do concelho, o seu escrivão e empregados da administrado, além das diferentes auctoridades, e cavalheiros da terra indo á frente de todos uma excelente philarmonica.

Banda da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, 1894-1896.
InfoGestNet

Chegados a Cacilhas e junto do chafariz, onde se haviam collocado uma meza e cadeiras, estava o sr. engenheiro director o sr. Carlos Agostinho da Costa, soltando a agua e fazendo-a correr pelas quatro torneiras, e fez entrega á camara da obra que lhe havia sido incumbida, lavrando-se em seguida o auto de inauguração, que foi assignado pelas auctoridades e por muitos funccionarios que se achavam presentes, entre os quaes vimos o sr. commendador Holbeche, conservador Quaresma, dr. Loureiro, Manuel de Jesus Coelho, Madureira Chaves, Chichorro da Costa, etc.

As damas mais elegantes de Almada tambem concorreram a embellesar este acto com a sua presença. 

Nas janellas das casas em ter-no do chafariz viam-se magnificas toilettes. 

Encerrado o auto o sr. presidente leu em voz alta a seguinte saudação que foi acolhida com acalorados vivas: 

Retrato de Bernardo Francisco da Costa
Galeria dos Goeses Ilustres

Salve, ó fonte amiga! Manem fecundas e perennaes tuas aguas puras e cristalinas. Nunca tuas forças cancem; nunca teu curso sereno esmoreça; nunca teu doce murmurio cesse.

Salve, ó fonte amiga! A aurora, que hoje esplendida te raia, seja a luz suave que sempre teus dias innocentes doire. Se nas salsas aguas do mar peregrina perdida andavas; se entre os limos do visinho rio teus ricos encantos se iam sumidos; se assim aviltada em lamentavel olvido por seculos se contava esse teu viver mesquinho; por seculos se contém tambem, d'ora avante, teus dias alegres e formosos.

Salve, ó fonte amiga! Tres vezes salve! Mil distantes metros percorrendo risonha vens até ás nossas moradas? Mil vezes bem vinda sejas. Milhares de vezes tuas limpidas aguas possam nossos labios libar. Por milhões valham teus gratos serviços. 

Vem, ó mimosa fonte, ser nossa companheira quotidiana, presidir á hygiene publica, extinguir os incendios. Vem ó fonte meiga, entra sempre copiosa assim na modesta cabana do pobre, como nos amplos salões do rico. Desde muito anciosamonte desejada, a despeito de larga descrença nascida, entre labores arduos creada, com merecida alacridade recebida; vem ó filha deste povo, entre nós e para nós viver.

Cacilhas (Portugal), Largo do Costa Pinto, ed. Martins/Martins & Silva, 18, década de 1900
Delcampe

Não te desvaneças porém de seres hoje a unica, que amanhã novas irmãs comtigo á partilha virão. Nem então d'ellas inveja deves ter porque sempre a primogenita has de ser. Nem tão pouco te pése o seres obra modesta e não faustosa, pois sabes que no mundo tudo é relativo, e que por muitos d'aqueiles, que podem apreciar as condições difficeis d'este concelho, foste reputada de fundação quasi impossivel.

Ouves essas harmonias? Escutas essas philarmonica? Sentes o atroar estridente dos foguetes? Observas as bandeiras e galhardetes que as ruas enfeitam? Contemplas gostosa tantas damas lindas, tantos cavalheiros elegantes, que todos risonhos se apinham em torno de ti. Apraz-te este numeroso e alegre concurso? Embevece-te o prazer phrenetico e ruidoso que te circunda? É a tua recepção festival, é o enthusiasmo por um dos muitos melhoramentos de que esta terra carece, e a que justamente o povo aspira.

Anima-o, ó fonte fagueira, para que na larga, se bem que custosa, vereda de creações uteis e produclivas prosiga corajoso. Fortalece-o para que novas victorias nestas lutas incruentas das artes da paz alcance glorioso; para que na marcha encetada não suspenda o passo; para que com outros e mais avantajados beneficios dote este concelho; para que rompa novas vias de communicação e aperfeiçoe as antigas; para que, em uma palavra, a seus obreiros conceda recursos e cooperação.

É pois que tu, ó recemvinda, me dizes que te anima profunda gratidão a este bom povo, por haver quebrado o encanto da tua mofina existencia passada — ao concelho deste districto porque prestes deu todo o superior apoio para a tua regeneraçao — á camara e conselho municipal, que se empenharam até levar a cabo a tua emancipação ao joven architeeto, que com dedicação inexcedível construiu o teu elegante berço e aos proprietarios do Ginjal, Covalinho e Cacilhas que benevolamente coadjuvaram os trabalhos; concede-me o doce encargo de teu interprete e permitte que em teu nome eu diga:

Vivam os habitantes do concelho de Almada. 

Viva o conselho do districto de Lisboa. 

Vivam a camara e o conselho municipal de Almada.

Vivam todos aquelles que cooperaram para se levar a effeito esta obra.

Cacilhas 1 de novembro de 1874.

Seguia-se a ceremonia religiosa que todos os annos se faz, n'este dia, em Cacilhas, em cumprimento de um voto feito por occasião do terramoto de 1755. 

A imagem da Nossa Senhora do Bom Successo, conduzida em procissão pela sua irmandade, vem até á beira mar, pára ali, todos ajoelham, e resa-se um antiphona: é um acto edificante e de muito respeito. 

Cacilhas, imagem da Nossa Senhora do Bom Sucesso em procissão.

Na procissão ia o Santissimo, levado pelo reverendo padre João Pereira Netto, que depois cantou á missa, orando ao Evangelho o reverendo conego Antonio José Pereira. Tanto a festa como o sermão foram rnagnificos.

A todos estes actos seguiu-se um opiparo lunch ao Ginjal em casa do sr. engenheiro Costa, para oque tinha convidado muitos dos seus amigos, e posto que não assistissimos, por motivos superiores aos nossos desejos, com, tudo, bem informados, sabemos que não deixou nada a desejar. O sr. Costa e a sua familia obsequiaram o mais possivel os seus convivas.

Á noite deu sr. presidente da camara um baile esplendido ás pessoas das suas relações, tendo-lhe prestado para esse fim a sua casa o seu intimo amigo o sr. Isidoro Netto, por ser mais espaçosa do que a de s. ex.ª. Tudo foi deslumbrante n'esta reunião de pesssoas de amisade, primeiro que tudo a amabilidade dos donos da casa, depois a animação do baile, a profusao do serviço; em fim não ha phrases com que se descreva o que ali se passou. 

Vista da Praça do Comércio, rio Tejo e Cacilhas na Outra banda, Francesco Rocchini (1822 - 1895), c. 1868.
  Biblioteca Nacional de Portugal

O baile terminou ás 6 horas da manhã. As toilettes eram em geral de muito gosto. A ex.ª sr.ª D. Luiza Costa tinha um lindo vestido de faie azul claro enfeitado de ramos de flores; — da mesma côr vestia a ex.ª sr.ª  D. Amelia Affonso com toda a elegancia propria da sua ingenuidade; a ex.ª sr.ª D. Amalia Tavares vestia de veludo preto por estar de luto, era rico o seu vestuario; — sua irmã a ex.ª sr.ª   D. Henriqueta Tavares Marques tambem vestia de damasco preto, uma rica toitette; a ex.ª sr.ª   D. Maria José Collares trajava um rico vestido de setim côr de rosa, com enfeitos pretos; — da mesma cõr em damasco, com enfeites brancos, e rendas de França era a toitette da ex.ª sr.ª   D. Izabel Affonso: emfim todas as senhoras estavam elegantissimas. — Foi um baile esplendido na verdadeira significação da palavra. (1)


(1) Diario Illustrado, 3 de novembro de 1874

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Chafariz de Cacilhas

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Real Capella do Apostolo S. Simão (a festa annual)

A Meza da Real Irmandade de Nossa Senhora da Piedade dos Milagres, e da Victoria, da Cova de Mutella, limite da Villa de Almada, tem determinado fazer a festa annual da Invocação da sua Real Irmandade no presente anno da maneira seguinte:

Cova da Piedade, igreja Nossa Senhora da Piedade, década de 1970.
almaDalmada

No dia 28 do corrente, vespera da sua festividade annual, se cantará huma solemne Missa, por muzica vocal e instrumental, pela conservação da Preciosa Vida de Sua Magestade o Senhor Dom Miguel I, Augusto Protector Perpétuo da mesma Real Irmandade,

D. Miguel I e suas irmãs dando graças a Nossa Senhora da Conceição da Rocha, 29 de janeiro de 1829.
Cabral Moncada Leilões

finda a qual se fará a inauguração das Reaes Armas no frontespicio da Real Capella do Apostolo S. Simão, onde a mencionada Irmandade se acha erecta, com todas as demonstrações de jubilo em similhantes occasiões praticadas, e á noute illuminação.

Bandeira de D. João V, também armas reais de D. Miguel na bandeira nacional de Portugal de 1826 a 1830.
Wikipédia

No dia 29 se fará com muito maior pompa, que nos annos antecedentes, a festividade annual denominada, da Casa, com Missa solemne por muzica vocal e instrumental, Sacramento exposto todo o dia, á tarde segundas Vesperas de Nossa Senhora, e Te Deum em Acção de Graças pela conservação de Sua Magestade o Senhor Dom Miguel I no Throno de Seus Maiores, e pelas Mercês que o Mesmo Augusto Senhor foi servido liberalizar a esta Irmandade declarando-Se seu Protector Perpétuo, e concedendo á mesma, e á Capella em que se acha erecta, o Titulo, Honras, e Privilegios de Reaes;

Paroquianos no adro da igreja da Cova da Piedade.
Delcampe

á noute illuminação, e hum vistoso fogo de artificio, havendo em ambos os dias e noutes muzica de arraial: sendo Oradores, no Sabbado á festividade o Muito Reverendo Padre Mestre Frei Francisco da Piedade; no Domingo de manhã, o Muito Reverendo Padre Mestre Frei Pedro da Purificação Alves Preto; e de tarde o Muito Reverendo Padre Mestre Frei José Machado, todos Prégadores Regios, e Dominicos. (1)


(1) Gazeta de Lisboa, 18 de agosto de 1830

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S. Simão das Barrocas
Nossa Senhora da Piedade

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Clube Desportivo da Cova da Piedade (reportagem da revista Stadium)

A "Stadium" não esquece nunca o labor desinteressado e valioso dos clubes que propagam os desportos na provincia. A sua acção, modesta em geral, e brilhante e valiosa muitos vezes, tem merecido palavras de elogio e provocado algumas iniciativas de estímulo para a sua actividade. Conhecer a sua existêna, auscultar as suas aspirações, é concorrer para aprecia-los melhor. Vários clubes da província tem passado pelas coluna, da Stadiurn, em referência mais ou menos ampla a uma obra que é sempre digna de realce.

Clube Desportivo da Cova da Piedade no acto da sua inauguração, em 1947.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Neste número, no de hoje, cabe a vez ao Clube Desportivo da Cova da Piedade. É, entre as agremiações mais novas, uma das que mais tem progredido. Em pouco mais de um ano, pôde levar atletas ao estrangeiro e colher aí uma vitória esplendida. Pois é desta colectividade que vamos falar, numa reportagem que tem muito de oportuna. E vamos dividir em très partes, que se completam — condições em que se fundou, a obra do um ano e projectos para o futuro.

O Clube Desportivo da Cova da Piedade e a sua fundação

Cova da Piedade talvez seja mais conhecida como localidade de transito para o sul do pais. É o primeiro núcleo populacional que se encontra no caminho, depois da travessia dificil por Cacilhas. Considerada assim, de passagem, é de-cetro uma terra como outras... Para quem a visite é uma localidade em pleno desenvolvimento. A proximidade do novo Arsenal de Marinha, à volta do qual se está criando uma cidade moderna deu, à Cova da Piedade. melhores condições de vida e expansão.

Situada também perto de Almada, séde do seu concelho, e da movimentação de Cacilhas, recebeu delas influência desportiva. Formaram-se há, anos, dois clubes: Sporting Clube Pledense e União Piedense. Não merece a pena indicar com rigor a antiguidade de cada um dos clubes [v. artigo relacionado: Clube Desportivo da Cova da Piedade]...

Basta afirmar que a acção desportiva do lugar se dispersava por duas colectividades. E que, por serem modestas, alguns dos seus melhores atletas procuravam representar clubes da capital, com mais atractivos para quem tem aspirações de progresso e fama. 

Criou-se, assim, explicou-nos um director do Desportivo da Cova da Piedade. a ideia de uma concentração de estorço., numa só agremiação, com fundas raizes na região a que pertence — um clube que representasse dignamente a sua terra e agrupasse todos os valores dispersos. 

A menina Maria Gabriela Barbosa Álvaro conduz as chaves para a abertura da sede do Desportivo pelo Dr Salazar Carreira, no acto da inauguração.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

As pessoas que mais se distinguiram, nesta campanha, c que encaminharam os doia clubes para a fusão, foram os srs. dr. Luís Álvaro Júnior, advogado; dr. Raúl Cerqueira Afonso, diplomado em Ciéncias Económicas e Financeiras; Domingos Cabrita. Júnior, todos sócios de ambas as agremiações locais, e Salvador Marques de Assunção, diretor do Sporting Clube Piedense. 

Em 28 do Janeiro de 1947, realizou-se uma reunião magna do povo da Cova da Piedade, para se pronunciar publicamente acerca do projecto de fusão dos dois clubes. A ideia foi bem aceite e a data citada figura como sendo a da fundação do Desportivo, visto que nela se resolveu organizar um novo clube, com raie título. 

Na mesma reunião, que a Cova da Piedade não esquecerá facilmente, resolveu-se ainda nomear uma comissão organizadora, que ficou sendo a ,primeira comissão administrativa do C. D. C. P. . Dela fizeram parte os srs. dr. Luís Álvaro Júnior, dr. Raúl Cerqueira Afonso, Domingos Cabrita Júnior e Salvador Marques de Assunção, já apontados, com Augusto Baptista, Filipe Andrade Moreira, Manuel Palmeiro Barbosa, José Ribeiro de Sousa, Carlos Matos Peres. Pedro Lopes Rodrigues, António da Costa, Diogo da Silva Nunes e José da Fonseca.

Alguns dos convidedos à festa de inauguração da sede do Desportivo.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

A comissão organizadora resolveu aproveltar o edifício que estava destinado para a sede do União Piedade, a sede do Sporting para uma escola e o campo desportivo Silva Nunes, do União, perto do centro da localidade. O edifício da sede foi mobilado, não tão completamente conto era nosso desejo, mas por modo que não coloca mal o clube. 

Em 1 de Anril do mesmo ano, com pouco mais de três meses de fundação, o Cube Desportivo da Cova da Piedade pôde realizar o acto que marcou melhor, sob o ponto de vista representativo, o começo oficial da sua actividade. Referimo-nos à inauguração da séde social. Ao acto presidiu o sr. dr. Salazar Carreira, inspector de desporto, em representação do sr. tenente-coronel Sacramento Monteiro, Director Geral de Desportos. E estiveram também presentes, com muito prazer para o Desportivo, o sr. Comandante Sá Linhares, ilustre presidente da Camara Municipal de Almada, vários vereadores, Benvindo Cardoso, pela Federação Portuguesa de Ciclismo, e Jaime Franco, pelo Atlético Clube de Portugal.

A festa constou da inauguração oficial da sede e de uma escola privativa do Desportivo, para educação pré-escolar, e visita ao campo de jogos.

Surgira, pois, um novo clube.

A obra de um clube novo e o seu trabalho de um ano

O Desportivo começou a funcionar com 1.023 sócios e aproveitando as instalações já apontadas — sede no edifício destinado à sede do União Piedade; escola de preparação pré-escolar, para crianças de 5 a 7 anos de idade. na antiga sede do Sporting Piedense; e campo de jogos Silva Nunes. O nome do campo constitue homenagem ao antigo sócio n.° 1 do União Piedade, Silva Nunes, que ficou sendo também sócio n.° 1 do Desportivo. 

O numero de sócios subiu para 1.823. A escola tem 50 alunos. O campo de jogo, tem sido aproveitado para futebol e andebol. Para a prática do voleibol é utilizada a esplanada da União Artística Piedense, gentilmente oferecida pela respectiva direcção. 

Quando o Desportivo iniciou a sua acção desportiva, organizou e manteve secções para os seguintes desportos: futebol, ciclismo, andebol. voleibol, ténis de mesa e bilhar desportivo. Para poder disputar provas nestas modalidades, o Desportivo filiou-se nas respectivas Federações e Associações, filiando-se ainda na Associação de Atletismo, embora não constituisse logo secção especial para esse desporto. 

O edificio da sede tem dois andares. No primeiro, estão montados um bar, um salão de jogos com bilhar desportivo e ténis de mesa, e um posto de enfermagem. No pavimento superior, encontram-se instalados o gabinete da direcção. o gabinete das comissões, a biblioteca e sala dos trofeus. 

No campo há uma boa vedação e existe uma bancada com capacidade para 300 pessoas. Tem balneário. E comporta uma assistência de 4.000 espectadores.

Um resumo de actividades

O número de praticantes desdobra-se como segue:
Futebol — 4 categorias, com 83 inscrições. 
Ciclismo — 4 categorias e 14 corredores. 
Andebol — 15 jogadores.
Voleibol — 14. 
Ténis de mesa — 15. 
Cicloturismo — 27. 
Atletismo (intersócios) — 17. 
Bilhar desportivo — 6. 
Natação (populares) — 8.
A secção de andebol está ern reorganização. 
O Desportivo disputou campeonatos em futebol ciclismo e voleibol

Os primeiros resultados

Em Futebol, a categoria de honra classificou-se em primeiro lugar no campeonato distrital, ao qual não concorreram os clube. da 1.ª e 2.ª Divisão. Em reservas e em segundas categorias ficou no segundo poeto. Em juniores, terceiro. O Desportivo passou, depois, ao campeonato nacional da 3.ª Divisão. Chegou à final, batendo o outro finalista, Académico de Viseu, no Entroncamento. No fim do tempo regulamentar, oa dois clubes estavam empatados com 2-2. No prolongamento, o Cova da Piedade marcou trés pontos, sem resposta. Venceu, pois, por 5-2. A classificação obtida permitiu a entrada do Desportivo na fase final da Taça de Portugal. A prova é, porem, difícil. E o Desportivo não tem grandes aspirações. 

A primeira equipa de futebol do Desportivo da Cova da Piedade, vencedora do capeonato nacional de III Divisão e do campeonato distrital de Setubal.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Em voleibol, os jogadores do Desportivo ficaram campeões da sua série mas foram eliminados pelo Naval Setubalense, campeões da série de Setúbal. Fizeram dois desafios. Na Cova da Piedade, perderam por 5-3. A cidade do Sado a derrota não passou da tangente — 2-3.

A secção de ciclismo tem sido a mais brilhante e movimentada. Em independentes, a equipa do Desportivo classificou-se em 4.° lugar na "Volta a Portugal", a seguir ao Benfica, ao Sporting e ao Porto; e Baltazar Rocha foi o décimo, individualmente, na classificação geral. Manuel Pinto Ribeiro ganhou a Rampa do Vale de Santo António. Jorge Pereira e Baltazar Rocha conquistaram a Taça "Corpos", em Orense, Jorge Pereira ficou em primeiro, na classificação individual, e Baltazar em terceiro. João Joaquim Nunes desistiu. 

Os quatro corredores que representaram o Desportivo da Cova da Piedade na XII Volta a Portugal em bicicleta.
Jorge Pereira ganhou também uma prova em Orense.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Este ano, Jorge Pereira colocou-se em primeiro, nos 100 quilómetros em linha, ex-aequo com João Lourenço. Adoeceu, todavia, e não completou as provas do campeonato regional. Baltazar Rocha, Pinto Ribeiro e António Vieira deram ao Desportivo o segundo lugar no Grande Prémio Alfredo Piedade. E, no campeonato nacional de amadores juniores, um corredor da Cova da Piedade ficou em segundo.

Quanto ao ciclo turismo, a equipa do Desportivo, de principiantes, composta por Vítor Antunes, Alberto Sarty e Diamantino dos Santos, ganhou o título de campeão de Lisboa, em competência com os representantes do Benfica e do Casa Pia. E um grupo formado por António Dias, Sabino David e José Mourinha, realizou um raide ao centro do país, num total de 894 quilómetros.

Outros nomes — e outros factos

A direcção actual, a primeira que o clube elegeu, tem a seguinte composição: 

Presidente, Augusto José Baptista; vice-presidente, Domingos Cabrita Júnior; tesoureiro, Emílio dos Santos Ganhão; secretário-geral, José Ribeiro de Sousa; secretário-adjunto, António da Costa; vogais. Salvador Marques da Assunção, Filipe Andrade Moreira, Manuel Palmeiro Barbosa e José da Fonseca. 

A direcção tem sido auxiliada por uma comissão constituída pelos srs. António Reis, João Augusto dos Reis. Carlos Filipe, César Costa Figueiredo, António Pereira da Cruz. João Palmeiro Barbosa, Carlos Reis Duarte e outros. 

O Desportivo organizou apenas uma prova, no dia da inauguração da sede — o I "Circuito Piedense", em ciclismo, para Iniciados. Ganhou-a Edgard Marques, do Benflea, recentemente apurado campeão nacional de amadores seniores. Em segundo, ficou José Barroso, do Desportivo. 

E houve ainda uma outra festa, a marcar a posição do clube na sua região — uma festa de homenagem aos atletas da região que se destacaram e destacam no desporto nacional, pelas suas proezas e pelos seus títulos — Mário, Francisco e João da Silva Merques, très irmãos com carreiras gloriosas.

João da Silva Marques, campeão e recordista de natação,
um dos homenageados pelo Desportivo.
[Stadium 309, 1943]
[João Silva Marques – Rei e Senhor da Natação Ibérica nos Anos 30/40]

O Clube Desportivo da Cova da Piedade e os seus projectos

Não quizemos fechar esta reportagem sem saber quais são os trabalhos que o novo clube tem em curso ou projecto.

Pouco nos disseram a tal respeito e por urna razão de certo modo simples — não existir maior preocupação que a de caminhar sem precipitações e sem grandes aspirações. Há porem um problema importante em estudo — o campo de jogos. E não é porque não disponha de um campo melhor que muitos da provincia. É porque não satisfaz, especialmente pelo defeito que revelou desde que começou a ser aproveitado: é amplo, está tratado com cuidado; apresenta aspecto regular; mas alaga com facilidade, quando sobre ele cai alguma chuvada forte. 

Seria fácil alarga-lo, para futebol e andebol, e tem terreno que podia permitir a prática de outros desportos. Seria, no entanto, dificil e dispendioso prepara-lo para não alagar. A direcção procura por isso resolver o problema com a aquisição de um novo campo. E, à volta da localidade, não faltam terrenos alguns deles dependentes de entidades oficiais, que bem podiam auxiliar um clube digno de simpatia, pela obre já realizada em prol do rejuvenescimento da mocidade e na valorização da região o que pertence. 

Entre as peasoas e entidades a que tem recorrido, o Desportivo da Cova da Piedade destaca o sr. comandante Sá Linhares, presidente da Câmara Municipal de Almada, a quem o concelho deva já reunir alguns notaveis melhoramentos. Tem sido amável para com os representantes do clube, compreende as suas necessidades e procura diligentemente atende-las. Ha, pois, confiança nos  bons reoultados da intervenção do sr. comandante Sá Linhares, neste assunto palpitante do novo campo. E ja não é pouco.

A sede social do
Clube Desportivo da Cova da Piedade no acto da sua inauguração, em 1947.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Além do problema em referência, o desportivo da Cova da Piedade procura apenas de momento. assegurar melhor as suas instalaçóes, completando o mobiliario da sede, e alargar a sua acção desportiva a maior número de desportos, de modo a justificar o proposito de reunir, num só clube todos os atletas da Cova da Piedade, quando não houver necessidade de material especial. Não ha, porém, pressas e não ha demoras. Tudo a seu tempo e na devida altura.

A Direcção está reorgonizando a secção de andebol, vai alargar a pratica do atletismo e pensa dedicar-se também a basquete e à patinagem. Conta, para isso, com a boa vontade dos seus sócios e com a cooperação da Industria local e da Imprensa.

A industria piedense tem auxiliado o C. D. C. P. com varios donativos periodicos, distinguindo-se nesta colaboração oportuna e preciosa, as seguintes firmas: Henrique Bucknal & Sons, Limitada. Rankins, Limitada e Cabruja & Cabruja.

Pelo que o que se relaciona com a Imprensa, o novo clube confessou-nos estar muito reconhecido, principalmente aos jornais desportivos, pela publicidade dispensada a todas as suas iniciativas e pelo ambiente de simpatia e estimulo com que se tem referido à acção do clube. 

Casa Renner
(antiga alfaiataria Benjamim M. Oliveira)

Essa simpatia é, no entanto, merecida em absoluto, dizemos nós agora. É por isso mesmo que pensamos nesta reportagem à vida da nova agremiação. E é ainda por tal motivo que lhe apresentamos os nossos votos de largo progresso. (1)


(1)  Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Artigo relacionado:
Clube Desportivo da Cova da Piedade

Informação relacionada:
Casas que a "Stadium" recomenda (1) 
Casas que a "Stadium" recomenda (2)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Tristezas não pagam dívidas

Cacilhas e Almada foram outras estâncias onde os "ruços" se aproveitaram para as folgas divertidas dos lisboetas. Cacilhas ganhou até foros de Universidade pela abundância de "bacharéis" que se estadeavam no seu largo, oferecendo-se ao apetite viajeiro da estúrdia elegante primeiro, de patuscada popular depois. A burricada perdeu com o tempo os seus pergaminhos de elegância.

Os ingleses em Cacilhas, Os costumes antigos - Portugal de algum dia, ilustração de Roque Gameiro, 1931.
Roque Gameiro.org

D. Fernando 1.° era amador estreme dêsse divertimento cacilheiro. Quando a política zumbia muito e os generais e os políticos fervilhavam no paço à volta da rainha, o rei preferia os burros aos cortesãos guerrilheiros e, com três ou quatro âulicos, cavalgava os jumentos da Outra-banda e ía divertir-se a Almada, à Cova da Piedade, ao Monte ou ao Alfeite.

A preferência régia impôs como moda a burricada de além-rio, e esta tornou-se um dos passeios obrigatórios de Lisboa para os seus naturais e até para os estrangeiros. Visitar então Lisboa e não andar de burro na Outra-banda, era como hoje não ir ao Jardim Zoológico ou à Estufa-fria do Parque da Avenida.

Pontos nos ii, 27 de setembro de 1888

O negócio dos burros cresceu: quási que se formaram emprêsas, companhias, trusts de jumentaria que alargavam a sua exploração até os confins de Caparica.

Groupe d'indigènes des déserts du Sud du Portugal faisant la promenade en âne; je suis à l'extrême droite.
— Costa da Caparica. Jour de Pâques Année 1907 —.
Delcampe

Era por isso freqüente os estrangeiros alcandorarem-se até Almada a ver a vista sôbre a cidade, e a marujada inglêsa não faltava a essas excursões de turismo obrigatório, equilibrando-se sôbre o tombadilho extravagante e movimentado das albardas mal seguras das cilhas.

Hoje a própria burricada de Cacilhas caíu em desuso. As camionetas, em vez dos ruços, é que enchem o largo e o negócio faliu inteiramente.

Cacilhas, Carro Carreira da Empreza Camionetes Piedense, Leslie Howard, década de 1930.
Museu da Cidade de Almada

É mais um costume popular que se arquivou no sótão das recordações, e só andam de burro os donos dos burros, até que um dia, dispensado mesmo tal auxílio, êste prestante animal se arquive numa mangedoira de museu. (1)


(1) Roque Gameiro, Matos Sequeira, Portugal de algum dia..., Lisboa, Empreza Nacional de Publicidade, 1931

Artigo relacionado:
Jackass Bay (ou Os ingleses em Cacilhas)

Informação relacionada:
Roque Gameiro.org: Costumes antigos, Os / Portugal de algum dia (1931)

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

petit cabanon

Tendo como base a obra "petit cabanon", de Le Corbusier, o objectivo deste trabalho era a projecção do nosso próprio cabanon, com uma área interior máxima de 16.00 m2, sem limites de área exterior.

maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008

Para cumprir a área exigida chegou-se a um módulo de 5.00m por 3.20m, que será repetido quatro vezes longitudinalmente, seguindo a direcção do rio Tejo e, consequentemente, a direcção das casas existentes junto à margem do rio.

O tema do projecto baseia-se na contemplação da cidade de Lisboa sobre o rio Tejo e na ligação entre ambos, dando-se a ilusão de que o espaço interior é maior do que na realidade o é, dando continuidade à cobertura e ao pavimento.

maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008

O segundo módulo do projecto é exactamente o prolongamento do pavimento e da cobertura, que se transforma numa pala apoiada por dois pilares nas suas extremidades.

maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008

O terceiro módulo é constituído por um pequeno tanque e o quarto por um deck que termina numa parede que possui duas funções, a primeira é abrigar o espaço do vento e a segunda é torná-lo um local mais íntimo. (1)


(1) maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008 (Archinect people)