segunda-feira, 15 de junho de 2015

Largo Gil Vicente

No último quartel do século XIX construiu-se a nova estrada Cacilhas - Trafaria que aproveitou parte das antigas azinhagas. A sul de Almada abriu-se um troço inteiramente novo desde onde é hoje a praça Gil Vicente [...] (1)

Planta do Rio Tejo e suas margens (detalhe), 1883.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

D. Francisco de Melo e Noronha (1863 - 1953)... muito respeitado nesta sua terra de adopção, onde residia em casa própria, no fim da Estrada Nova [...]

D. Francisco de Melo e Noronha.
Imagem: Correia, Romeu,
Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada

A sua residência, conhecida pela Casa do Gato, foi adequada, respeitando a sua vontade, a um liceu. (2)

Almada, Casa do Gato, posteriormente Externato Liceal de Almada (Externato do Gato), década de 1960.
Imagem: Casario do Ginjal

A partir de Julho de 1947 a CMA começou a vender, em hasta pública, os lotes resultantes da expropriação da Quinta do Conde [de Assumar, provavelmente D. João de Almeida Portugal], uma das propriedades sobre as quais incidia o PPUA [Plano Parcial de Urbanização de Almada, aprovado em abril de 1947]. 
Figueirinhas — Nome do sítio que abrangia as terras onde estão hoje o Largo de Gil Vicente, o princípio da Avenida D. Afonso Henriques e o princípio das ruas D. Sancho I e Bernardo Francisco da Costa.
O topónimo está em desuso e mesmo completamente esquecido.

Em 1665 o Conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, arrendou ao Capitão-Mor Álvaro Pereira de Carvalho, uma propriedade no sítio "aonde chamam as figueirinhas" que contactava "da banda do Sul com a estrada pública que vem da Mutela para Cacilhas... e do Norte com a estrada que vem de S. Sebastião para Cacilhas".

in PEREIRA DE SOUSA, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.

Almada, rua D Sancho I, em segundo plano figuram a "Casa do Gato" e a ainda área rural, década de 1950.
Imagem: almaDalmada

As verbas resultantes da venda de lotes e as receitas da água (desde 1945) foram aplicadas nas amortizações dos empréstimos e na implementação das obras de urbanização [...]

Entrada da Av. Afonso Henriques, Almada, Fotoselo ROTEP
(Roteiro Turístico e Económico de Portugal), 172.

O PUCA [Plano de Urbanização do Concelho de Almada, entregue por Étiènne de Gröer em setembro de 1946] e o PPUA previam o desenvolvimento urbanístico de Almada para sul, em torno de uma avenida central, designada por Rua I (actual Avenida Afonso Henriques) e construída paralelamente ao antigo eixo de ligação a Cacilhas (a chamada estrada nova).

Fotografia de António Homem Christo,
in Almada, a cidade satélite, Revista Eva, Dezembro de 1960.
Imagem: Dias que Voam

Entre as duas vias desenvolver-se-ia o novo centro cívico da vila, comercial, administrativo e religioso [...]

Praça Gil Vicente, vista parcial e início da Estrada Nova, década de 1950.Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

Embora a JAE tivesse assumido a construção da avenida central da zona nova de Almada, que constituía um troço da "estrada turística", e tivesse desenvolvido a sua ligação alternativa a Cacilhas, aquela nunca foi construída, nem as projectadas circulares. 

Almada, Praça Gil Vicente,ed. Postalfoto, 12, década de 1960.
Imagem: Delcampe

A ideia da cidade-jardim foi-se perdendo a partir da aplicação da legislação que reintroduziu a lógica do primado do loteamento particular, em oposição à urbanização planeada e executada pelos municípios da época de Duarte Pacheco. (3)

Almada, Praça de Gil Vicente e fonte luminosa, Ed. da Comissão Municipal de Turismo de Almada, 2, c. 1970.
Imagem: Postais Ilustrados


(1) PEREIRA DE SOUSA, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.
(3) Rodrigues, Jorge de Sousa, Infra-estruturas e urbanização da margem sul: Almada, séculos XIX e XX, 2000, 35 págs.

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