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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Laboratorio de Chimica no Citio da Margueira

O Laboratório-fábrica situado na Margueira existiria pelo menos desde 1825, ano em que foi elevado à categoria de fábrica de produtos químicos, com a atribuição do privilégio exclusivo de produção de ácido sulfúrico durante 14 anos (a existência do laboratórrio é mesmo anterior a 1825, v. imagem abaixo, c. 1809). (1)

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 29.
Laboratorio de Chimica no Citio da Margueira, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

A Fábrica de produtos químicos da Margueira era um estabelecimento com larga experiência na produção de químicos em grande parte aplicados no campo da Medicina e da Farmácia. O Laboratório da Margueira tinha sido elevado à categoria de fábrica na década de 20 do séc. XIX, através da concessão do direito exclusivo da produção "em grande" do ácido sulfúrico.

Margueira na enseada da Cova da Piedade (detalhe da vista de Cacilhas e de S. Julião), Charles Landseer, 1825.
Instituto Moreira Salles

Pela década de 40 mudara para novos proprietários (os irmãos na sociedade Serzedello & C.ª), e iniciara então um programa de reformas tecnológicas, que o conduziram da matriz dos tártaros (uma das produções mais significativas até aquela altura) e do carvão animal, para uma série mais diversificada de fabricos.

Do final dos anos 40 para a década de 50 produzia, entre outros, e para além do tártaro (bruto e cremor) e respetivos sais de sódio e potássio, os ácidos (fosfórico, bórico, nítrico, clorídrico), amónia, algodão-pólvora, alguns óleos e uma gama variada de sais de metais pesados, artigos característicos da nova Farmácia Química já corrente em Portugal.

Laboratorio Chimico de Serzedello & Ca., década de 1840.
(documento do acervo de Carlos António Serzedelo Palhares, Lisboa)

Foi um dos poucos estabelecimentos fabricantes de produtos químicos, mesmo sem apresentar o requerido número mínimo de operários (dez operários), com direito a figurar na Estatística Industrial de 1852. 

Este facto poderá indicar alguma excelência tecnológica que lhe permitiu ultrapassar o limite imposto pela escala industrial. 

Domínio tecnológico que teve na qualidade científica da formação dos seus técnicos, uma linha de conduta sempre perseguida, a começar pelo farmacêutico João Paulino Vergolino de Almeida (o proprietário anterior à família Serzedello), frequentando o curso de Física e Química de Luís da Silva Mousinho de Albuquerque no Laboratório de Química da Casa da Moeda, e continuada por outros farmacêuticos como José Dionísio Correia ou Francisco Mendes Cardoso Leal Júnior, assistindo igualmente ao mesmo curso [...]

Graphite Drawing, Southern Bank of Mouth of Tagus, C. L. Robertson, depois de 1866.
Sulis Fine Art

Considera-se que é esta “movida científica” de químico-farmacêuticos, “operários manufaturadores de produtos químicos”, a tentar realizar em primeiro lugar a passagem necessária de uma pequena produção química para uma escala mais alargada, próxima da escala industrial. Indivíduos com um pé na farmácia e outro na fábrica.

Graphite Drawing, Southern Bank of Tagus opposite Lisbon (detail), C. L. Robertson, depois de 1866.
Sulis Fine Art

Neste enquadramento, o Laboratório-Fábrica da Margueira, assume considerável importância, constituindo não só uma escola prática químico-farmacêutica, como também uma espécie de "viveiro" para futuros preparadores nos laboratórios de Química das escolas de Lisboa. (2)

Laboratório de Química no sítio da Margueira
Propriedade:  Serzedello & C.ª
Produtos: International exhibition, 1876 at Philadelphia, Diário Illustrado
Local: Margueira
Referências: Estatística Industrial de 1852

João António Pereira Serzedello & Companhia, "Droguista e comércio de produtos químicos" instalou-se no início do século XIX na Rua Direita de São Paulo, n.º 53, em Lisboa. Mais tarde, João A. P. Serzedello fundava com os sobrinhos José António, António José e António Joaquim a Serzedello & Companhia sediada no Largo do Corpo Santo, n.º 7. Em 1824, o tio João António deixa a sociedade, ficando este com a firma que já tinha constituído em 1822 (...)

Foi vendido à família Serzedello, em 1844, e a sua exploração ganhou um considerável desenvolvimento a partir de 1848, altura em que se deverá ter procedido a reformas tecnológicas, tendo-se tornado um estabelecimento de referência no âmbito da química e da farmácia, com participação em exposições universais onde recebeu distinções e nomeações pelos seus produtos.

Serzedello & Ca., década de 1840
(documento do acervo de Carlos António Serzedelo Palhares, Lisboa)



Em 1855 o laboratório da Margueira produzia ácido clorídrico e nítrico, diversos sais de chumbo e mercúrio, dissoluções de sais (de nitrato de cobre e de cloreto de antimónio) e nitratos (de potássio, de bismuto, de prata, entre outros), os “tártaros”, a potassa cáustica (hidróxido de potássio), etc.

Em 1852 a fábrica tinha seis operários. Laborou praticamente até ao século XX. Nela operaram 4 a 5 gerações da família Serzedello. (2)


(1) Ângela Ferraz, Materiais e Técnicas da Pintura a Óleo em Portugal (1836-1914): Estudo das fontes documentais, Volume II
(2) Isabel Maria Neves da Cruz, Da prática da química à química prática... Universidade de Évora, 2016,
(3) Ângela Ferraz, Materiais e Técnicas da Pintura a Óleo em Portugal (1836-1914): idem

Artigos relacionados:
A casa da Quinta da Oliveira
Serzedello & Ca., Laboratorio Chimico na Margueira
O laboratório químico da Margueira
Indústria química

Leitura relacionada:
RELATORIO GERAL DA EXPOSIÇÃO DE PRODUCTOS DE INDUSTRIA PORTUGUEZA, SOCIEDADE PROMOTORA DA INDUSTRIA NACIONAL, EM 22 DE JULHO DE 1838

International exhibition, 1876 at Philadelphia, Diário Illustrado

Mais informação:
"Janêllos" da História: Os Serzedello

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Luiz Gonzaga Pereira, Almada e o Tejo em 1809

Nasceu Luiz Gonzaga Pereira cm Lisboa, na Freguezia de S.to Estevão, em 21 de junho de 1796; era um dos trinta filhos de Joaquim Manoel Pereira, praça do regimento de Beça, onde prestou serviço até 1773, sendo nesse ano nomeado, por provisão régia, mestre da officina de aprestes de artilheria do Arsenal Real do Exercito, cargo que ocupou até 3 de março dc 1823, dia em que faleceu com 90 anos de idade, e 75 de serviço.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 27.
Montanha da Villa de Almada, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Casou em terceiras nupcias com Maria Barbara de Bulhões Diniz, de quem teve, entre outros filhos, Luiz Gonzaga Pereira.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 28.
Cacilhas, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Este casou em 1815 com Maria Antunes, de quem teve 12 filhos. Ainda muito novo já mostrava vocação para o desenho, como se vê pelos exemplares coligidos numa obra, a que adiante faremos referência, feitos com 13 anos de idade a bordo da náu Vasco da Gama, a qual fazia parte da esquadra do Estreito, que nos anos dc 1809 e 1810 cruzava nas aguas do sul de Hespanha e de Portugal, e do norte dc África [...]  (1)

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 29.
Laboratorio de Chimica no Citio da Margueira, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

NAU VASCO DA GAMA (1792-1822)

Nau de 80 peças construída no Arsenal de Marinha por Torcato José Clavina e António José de Oliveira, foi lançada à água em 15 de Dezembro de 1792, juntamente com a fragata Ulisses e o brigue Palhaço.


Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 21.
Cabo da Roca, e Serra de Cintra, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

As suas dimensões eram de 55,20 metros de quilha, 14,55 de boca e 11,52 de pontal. Com urna guarnição de 663 homens, armava com 28 peças de calibre 36, 32 de 24e 16 de 12. Participou nas Esquadras do Canal de 1793 e 1794.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 24.
Torre do Bogio, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Ficou em Lisboa durante a ocupação francesa por não se encontrar ainda em condições de navegar quando da chegada dos franceses.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 25.
Trafaria, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

A sua artilharia foi transferida para a Martim de Freitas. Durante a ocupação francesa serviu de de-pósito aos produtos e materiais saqueados pelos franceses, nomeadamente a prata das igrejas, conventos e capelas de Lisboa.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 23.
Torre de S. Jião, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Tomou parte nas Campanhas do Rio da Prata e de Montevideu em 1816. Ficou no Brasil depois da independência em 1822 [...]  (2)

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 30.
[Mutela, Caramujo], Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Coligidos em um outro livro ou album, que tem por titulo "Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa".

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 31.
Alfeite, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Teve principio em 1809, o qual pertenceu ao sr, José Joaquim d'Ascenção Valdez, e hoje é do auctor desta noticia, encontram-se 130 desenhos, quasi todos aguarelados, dos quaes os 34 primeiros representam vistas de vazios sitios do Mediterraneo, das costas de Portugal, e da Bahia do Tejo até ao Barreiro (?); os 93 imediatos são vistas de aspectos de Lisboa, e de edifícios e locaes da cidade; e os 3 ultimos são copias de assumptos de Loanda. 

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 32.
Seixal, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Pela numeração das estampas reconhece-se que o album está incompleto. Quando começou a fazer estes desenhos tinha Gonzaga Pereira 13 anos de edade [...] (3)

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 33.
Bahia do Seixal, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa


(1) Prefácio de A. Vieira da Silva, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833...
(2) Revista da Armada n.° 413, novembro de 2007
(3) Prefácio de A. Vieira da Silva, idem

domingo, 30 de agosto de 2015

Originais de Robert Batty

Para o Museu da Cidade [de Lisboa] ofereceu Fernando Rau, coleccionador de arte, em especial de gravuras, de que era conhecedor profundo, pouco antes de morrer, uma valiosa colecçõo de nove pequenas aguarelas, a sépia, originais do tenente-coronel do exército inglês, Robert Batty (1789 - 1849), que estivera na Península, integrado no exército de Wellington, durante a Guerra Peninsular.

Robert Batty (pai) por W. Daniell (detalhe), 1810,
segundo G. Dance, 1799.
Imagem: Wellcome Library

Estes originais, que se vieram juntar a outros que aquele museu já possuia, fazem parte dos estudos daquele militar-artista, quando da sua estadia em Lisboa e que mais tarde foram reproduzidos em gravura no álbum "Select Views of some of the principal cities of Europe", publicado em Londres, em 1832.

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia

Entre os originais agora oferecidos figuram os estudos das gravuras reprodudas naquele álbum, sob os titulos Praça do Pelourinho; Lisboa vista de Almada; e Lisboa vista da capela de N.a Senhora do Monte.

Lisbon from the chapel hill of Nossa Senhora do Monte, Drawn by Lt. Col. Batty, 1830.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Os restantes, que representam o Convento de N.a Senhora da Graça (três versões), a Torre do Bugio e uma paisagem ribeirinha não identificada, não foram reproduzidas naquele álbum.

Agumas gravuras de Robert Batty doadas por Fernando Rau.
Imagem: Hemeroteca Digital

Todos os aguarelas, cujas dimensões variam entre 0,028x0,037 e 0,072x0,123, estão assinadas. (1)


(1) Lisboa, Revista Municipal, II série, n.° 1, 1979

Mais informação:
Dictionary of painters and engravers, biographical and critical...
Robert Batty


Artigo relacionado:
Almada bélica e bucólica no século XIX

domingo, 19 de julho de 2015

Defesa de Lisboa em 1810

No início de dezembro, alguns movimentos das tropas francesas no sul da Espanha levaram a crer que uma movimentação estava a ser intentada no Alentejo, em apoio da renovada operação contra as linhas [de defesa], [no caso,] o promontório de Almada à esquerda do Tejo, oposto a Lisboa, que comanda a navegação do rio, e de cujas proteções abrange uma grande parte da cidade,* foi reduzido sob a superintendência do Capitão Goldfinch.

* O Tejo, oposto ao Castelo de Almada, tem apenas 2,200 jardas [2.011 mts.] de largo.

A military sketch of the country between Lisbon and Vimeiro occupied by the British Army (detail), 1810.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A esquerda desta posição ficava sobre a ampla bacia do Tejo, no alto imediatamente acima de Mutella; o seu centro estava no Monte de Caparica, Lugar de Monte, e a sua direita sobre a falésia rochosa, chamada de Altos da Raposeira, elevando-se acima do mar, a toda a extensão da sua frente, cerca de 8.000 jardas [7.315 mts.].

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, 1813
Imagem: IGeoE

Uma cadeia de redutos, 17 em número [revisto posteriormente], flanqueando-se mutuamente, e tendo seteiras frontais, para permitir a observação nas ravinas, foi estabelecida sobre os outeiros mais proeminentes desta linha, estando a sua defesa unida com, e apoiada por, várias casas de campo na sua retaguarda, que, sendo construídas em pedra, com recintos de pedra, podem a qualquer momento ser formidáveis postos.
  • 01 Forte de Almada
  • 02 Forte do Pragal, perto do Pau de Bandeira, alt. 108 mts.
  • 03 Forte de Palença, 200 mts. a norte de Palença de Cima
  • 04 Forte do Raposo, na colina do marco trigonométrico
  • 05 Forte do Bicheiro, Quinta do Bicheiro, Caparica
  • 06 Forte do Prior, sítio de S. António na povoação de Caparica
  • 07 Forte da Granja, Quinta da Granja entre Formosinho e Vigia
  • 08 Forte de Castelo Picão, pequena povoação no monte de Caparica
  • 09 Forte de Montinhoso, no sítio do mesmo nome
  • 10 Forte do Guedes, atual Quinta da Conceição
  • 11 Forte de Murfacém, a oeste de igreja, alt. 105 mts.
  • 12 Forte da Raposeira Pequena, no atual sítio de Alpena
  • 13 Forte da Raposeira Grande, no lugar do novo reduto de Alpena
  • 14 Forte da Margueira, alt. 35 mts.
  • 15 Forte do Conde, atual rua Lourenço Pires de Távora
  • 16 Forte de S. Sebastião, 100 mts. a sul da ermida de S. Sebastião
  • 17 Forte do Armeiro Mor, Pragal, alt. 80 mts.
  • 18 Forte do Melo, Ginjal do Monte, Caparica
  • 19 Forte do Pombal, lado sul da estrada Caparica - Casas Velhas
  • 20 Forte de Possolos, onde hoje se encontra o cemitério de Caparica
  • 21 Forte de Pera de Cima, Quinta da Conceição, alt. 200 mts.
  •  
  • in PEREIRA DE SOUSA , R. H., Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal, 1981, 192 págs.
Uma estrada afundada, que se estendia a quase toda a posição, na traseira dos redutos, formava uma comunicação segura entre eles e foi engenhosamente feita pelo oficial executivo para reforçar à sua defesa, cortada em banqueta, e protegendo fora do declive à sua frente, de modo a formar um caminho coberto normal, com locais armados nos pontos que davam os melhores flancos e que melhor poderiam ser apoiados pelos edifícios de pedra.

Fortificação típica das linhas de defesa de Lisboa, 1810.
Imagem: Papers on Subjects Connected with the Duties of the Corps of Royal Engnieers

O castelo de Almada, em ruínas, foi reparado e armado para defesa, de modo a formar uma espécie de cidadela interior, que deve garantir a comunicação com Lisboa até ao último momento; e como meio pronto de comunicação entre a esquadra e as várias partes da posição, foram contruídas estradas em várias pontos do penhasco,* formando a sua garganta.

* Após uma parte desta estrada ter sido construída, o acabamento do remanescente foi suspenso; em consequência dos inconvenientes ocasionados aos ocupantes de habitações privadas, e o conhecimento de que a estrada poderia, com a devida atenção, ser acabada quando requerido num tempo inferior ao necessário ao inimigo para reunir forças, e marchar através do Alentejo.

Ruínas do castelo de Almada, Carta Geographica da Provincia da Estremadura (detalhe), c.1777 - 1780?
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Foi proposto confiar a defesa desta posição aos marinheiros e fuzileiros navais da esquadra, juntamente com as milícias [ordenanças] e os corpos cívicos de Lisboa [voluntários], os redutos foram construídos com uma magnitude fora do comum, muitos sendo capazes de conter 400, 500, ou 600 homens, e desde 6 a 10 peças de artilharia; a guarnição calculada para o conjunto quando concluído será 7.500 homens e 86 peças de artilharia.

Soldado de Caçadores n° 6, 1811,
Organização de Beresford,
Aguarela de Ribeiro Arthur.
Imagem: Colecção de Postais de Ribeiro Arthur

Qualquer ataque de Almada neste momento só poderia ter sido uma operação secundária; mesmo se bem sucedida, o Tejo ter-se-ia interposto como um obstáculo intransponível entre os vencedores e Lisboa, e ocupação do promontório deveria ter sido completamente dependente do sucesso na frente. 

Portanto, qualquer modo de ocupação de Almada, que devesse prejudicar a defesa das linhas, dificilmente poderia ter sido justificado; mas era objeto de um grande valor, assim, por meio de profundos trabalhos e um esforço que de outra maneira não poderia ter sido tornado útil, por ter eliminado a possibilidade de pequenas forças inimigas perturbarem a esquadra, criando alarme e confusão na capital, e, talvez, espalhando o pânico através do país na retaguarda do exército, no momento em que as linhas [de Torres, a norte de Lisboa,] fossem atacadas [...]

Castelo de Almada após as reparações de 1810, gravura (detalhe), Pierre Eugène Aubert (Aubert pére),
cf. Lisbon from Fort Almeida [sic], Drawn by C. Stanfield from a Sketch by W. Page, Engraved by E. Finden,
Fieldmarshal The Duke of Wellington.
Imagem:  Biblioteca Nacional de Portugal

Nenhuma das objecções às linhas contínuas, no entanto, se aplicam aos postos fechados e isolados, cada um deles capaz de uma boa resistência, já que os intervalos entre eles não exigem uma linha de tropas de apoio, e após o fornecimento de guarnições para o trabalho, o exército pode permanecer em grupos abrigados, dos bombardeamentos, por algumas irregularidades do terreno perto do cume da elevações; 

Cabo do Regimento de Infantaria n° 24, 1813.
Aguarela de Ribeiro Arthur.
Imagem: Colecção de Postais de Ribeiro Arthur

ou se isso não se encontrar, no reverso, imediatamente abaixo da crista, pronto para se mover em grupos compactos e formidáveis sobre qualquer ponto ameaçado, ou formar em linha ou manobrar sobre os postos tomados, de maneira a melhor deter os esforços do assaltantes; um bom exemplo, cuja natureza da posição pode ser estudada nas defesas de Almada [...]

Soldado de Infantaria n° 8, 1810.
Aguarela de Ribeiro Arthur.
Imagem: Colecção de Postais de Ribeiro Arthur

Não se dá plano sobre as posições de Almada, Oeiras e Setúbal, já que é possível que, ao correr dos anos, sejam novamente ocupadas; uma referência aos planos pode ser feita por quem o deseje no escritório em Londres [...] (1)


(1) Jones, John Thomas, Memoranda relative to the lines thrown up to cover Lisbon in 1810, Londres, 1829

Leitura adicional:
Papers on Subjects Connected with the Duties of the Corps of Royal Engineers
Journals of sieges carried on by the army under the Duke of Wellington, in Spain, during the years 1811 to 1814

domingo, 9 de março de 2014

Almada bélica e bucólica no século XIX

Se dilemas há que nunca existiram, outros perduram sem que deles haja notícia.

William Page (1794 - 1872), topógrafo e pintor de paisagens, durante a Guerra Penínsular (1809 - 1814) fez o esboço daquilo que podia observar do campo do convento de S. Paulo.

Era Marechal de Campo Arthur Wellesley (1769 – 1852), o Duque de Wellington.

O esboço de Page, mais tarde, foi passado a desenho por Clarkson Frederick Stanfield (1793 – 1867), pintor de marinhas.

Pode ter sido na transcrição do esboço para o desenho que surgiu a grafia "Almeida" relativa ao topónimo Almada.

Desse desenho foi aberta uma gravura, pelo buril de Edward Francis Finden (1791–1857).

A gravura foi publicada, entre outros, em Finden's Landscape Illustrations to Mr. Murray's First Complete and Uniform Edition of the Life and Works of Lord Byron, London, John Murray, 1832, com o título "Lisbon from Fort Almeida [sic]".

Lisbon from Fort Almeida [sic], Drawn by C. Stanfield from a Sketch by W. Page, Engraved by E. Finden, Fieldmarshal The Duke of Wellington

Robert Batty (1789 – 1848), ilustrador e topógrafo, serviu na Guerra Peninsular (1809 - 1814) tendo sido ferido.

Regressou a Portugal (1826 - 1827) como Ajudante de Campo do General William Henry Clinton (1769 –1846) no apoio à jovem rainha D. Maria II (1819 - 1853) e à causa liberal.

Durante esse período, que precedeu a Guerra Civil Portuguesa ou Guerras Liberais (1828 - 1834), Batty fez um esboço daquilo que podia observar do campo do convento de S. Paulo..

Desse desenho foi aberta uma gravura, pelo buril de William Miller (1796 – 1882).

A gravura foi publicada em Select Views of some of the Principal Cities of Europe, London, Moon, Boys, and Graves, 1832, com o título "Lisbon from Almada".

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830