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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Mappa de Portugal antigo e moderno

Lisboa. Esta barra, onde desemboca o Tejo, está no meio de duas fortalezas, chamadas vulgarmente de S. Gião, ou Julião, e S. Lourenço, ou Torre do bogio, que outros dizem Cabeça seca, em distancia huma da outra de 980 passos geométricos de sete palmos e meyo cada passo.

Mappas das provincias de Portugal novamente abertos e estampados em Lisboa, João Silvério Carpinetti, 1769.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Em tempo do insigne Geógrafo Estrabo tinha a boca desta barra 2500 passos ; agora se tem estreitado muito mais, e por causa dos cachopos, que existem no meyo della, se faz difficil a entrada, a qual se divide em dous canaes: o que toma por entre os cachopos, e a fortaleza de S. Gião, chama-se canal da terra, e he perigoso:

Descrição e plantas da costa dos castelos e fortalezas..., Felippe Tersio, 1617.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

o que vay por entre os cachopos da Trafaria, e a Cabeça seca, ou fortaleza de S. Lourenço , chama-se carreira da alcaçova, e he a mais segura, porque tem 500 braças de largo, e 9 de alto com bom fundo.

Descrição e plantas da costa dos castelos e fortalezas..., Felippe Tersio, 1617.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Entrando pela barra dentro, a duas léguas se vê a formosa torre de Belém, obra delRey D. Manoel, fundada 200 passos sobre o Tejo; e continuando a pequena distancia de huma legua da parte do Norte, se vê a grande Cidade de Lisboa: 

Vista da parte oriental de Lisboa, Alexandre Jean Noel, início da década de 1790.
Imagem: FRESS

mas como o Tejo forma aqui o mais famoso porto do mundo, e hum grande seyo, fazendo-se navegável no espaço de vinte léguas, posto que não continue na mesma largura, daremos noticia de todos os portos, que ha desde a barra para dentro do Tejo de huma, e outra parte.

Portos do Tejo da parte do Sul:

Trafaria; Portinho de Costa; Torre velha; Porto brandão; Manatega; Alfansina; Arrábida;

Vista da parte ocidental de Lisboa, Alexandre Jean Noel, início da década de 1790.
Imagem: FRESS

Arialva; Fonte da pipa; Cacilhas; Caramujo; Motella; Oliveirinha; Corroyos; Santa Martha; Talaminho; Amora; Rio dos Judeos; Arrentella; Seixal; Rosario; Porto dos PP. Paulistas; Aldeya; Cabo da Linha; Coina; Fornos delRey; Palhaes; A Telha; A Verderena; Barreiro; Lavradio; Barra a barra; Alhos vedros; Moita; Esteiro furado; Sarilhos grandes; Sarilhos pequenos; Aldeya Galega; Lançada; Quinta de D. Maria; Samouco; Alcouxete; Barroca d'Alva; Pancas; C,amora Correa, Benavente; Salvaterra; Escaroupim; Mugem; Santa Martha; Almeirim; Chamusca; Pinheiro; Moita; Barca; Brito; Santa Margarida; Crucifixo; &c.

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Bateis d'Agoa a'ssima
Bateaux du haut Tage, ils transportent des provisions à la
Ville et changent aussi de voile come dans la Fig. A
Imagem: Todos os barcos do Tejo

Portos do Tejo da parte do Norte:

S. Gião;

Uma chalupa armada emergindo da foz do Tejo passado o Bugio, Thomas Buttersworth (1768 – 1842).
Imagem: Bonhams

Oeiras; Caxias; Carcavelos; Paço d'Arcos; Cartuxa; Boa Viagem; Santa Catharina; Pedrouços; Belém;

Iate Emily de través para o seu proprietário, Lord Belfast, subir a bordo, ao largo da Torre de Belém,
John Christian Schetky (1778 - 1874).
Image: artnet

Junqueira; Santo Amaro; Alcântara; Pampulha; Santos velhos; Caes do Tojo; A Dizima; Remolares; Corpo Santo; Caes da Pedra; Alfama; Caes do Carvao; Bica do Sapato; Santa Apollonia; Cruz da Pedra; Madre de Deos; Xabregas; Grilo; Beato António; Poço do Bispo; A Martinha; Braço de prata; Cabo rubo; Unho de D. Garcia; Marvilla; Olivaes; Sacavém.

Aqui desagua este rio no Tejo por huma grande boca, fazendo huma protundissima foz; e ficando quasi ao Norte da Cidade, volta contra o Noroeste, onde fe encontrão os vistosos portos de Unhos, Frielas, Mealhada, Granja, Marnotas , Santo António do Tojal, &c.

Continuando pela marinha direita, segue-se:

Massaroca; Santa Iria; Povoa; Alverca; Alhandra; Villa-Franca; Povos; Castanheira; Villa-Nova; Azambuja; Casa branca; Valada; Porto de Mugem; Santarém; Azinhaga; Labruja; Cardiga; Barquinha; Tancos; Payo de pelles; Praya; Punhete; Redemoinhos; Abrantes.

Tornando agora a seguir o progresso da marinha do Oceano Lusitanico, prossegue a Costa da Roca de Cintra até o Cabo de Espichel na distancia de oito léguas ao Sudoeste.

Linha de costa da Torre do Bugio ao Cabo Espichel (fotomontagem).
Observam-se as elevações moinhos do Chibata, Monte Córdova (Serra de S. Luís) e Serra da Arrábida, conforme descrito no Plano hydrographico da barra do porto de Lisboa, Francisco Maria Pereira da Silva, 1857.
Imagem: AVM

Em outro tempo se chamou Promontóio Barbarico, habitação dos povos Sarrios. No cimo desta terra está hum Templo dedicado à milagrosa Imagem de Nossa Senhora do Cabo.



(1) Castro, João Baptista de, Mappa de Portugal antigo e moderno, (in Archive org) Lisboa, officina de de Francisco Luiz Ameno, 1762, 3 vol.

Artigo relacionado:
Panorâmica de Lisboa em 1763

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Na Cova da Piedade com António Avelino Amaro da Silva

Pinheiro dos Frades, Cova da Piedade, ed. desc.
Imagem: A árvore do centenário

Quem sae da quinta dos Frades, na Outra-Banda, e segue a estrada para o norte, vae ter a um lindo valle, a que chamam Cova da Piedade, ficando-lhe da esquerda, na correnteza das casas, aquella onde está a aula de instrucção primaria, e a taberna da tia Libania, e da direita a capella real de Nossa Senhora da Piedade, fundada em 1762, e que deu o nome ao valle e á povoação que n'elle existe.

Largo e Mercado, Cova da Piedade, ed. desc., década de 1900

Era este o caminho que n'uma manhã de março de 1831 seguia o contra-mestre de navios mercantes, Joaquim de Jesus, por alcunha Espanta-maridos, montado n'um jumento de aluguel, d'aquelles que a toda a hora se encontram na praia de Cacilhas, e seguido de um rapazinho de pé descalço.

Almada [Cova da Piedade], Uma Burricada, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 14, década de 1900.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1990, 318 págs.

A alcunha foi-lhe posta por ter salvado uma pobre mulher, que o marido queria deitar da janella abaixo.

Gritava ella que lhe acudissem, e toda a gente em alaridos, sem o brutal marido desistir, até que os brados e a expressiva mimica de Joaquim de Jesus lhe fizeram largar a presa.

Entrada do Jardim, Cova da Piedade, ed. desc., década de 1900

Já se vê que o epitheto não era devido a motivos desfavoraveis para o contra-mestre. (1)


(1) Silva, Avelino Amaro da, O Caramujo, romance histórico original, pág. 1, Lisboa, Typographia Universal, 1863, 167 págs.
 


Ver artigo biográfico dedicado: António Avelino Amaro da Silva



António Avelino Amaro da Silva 

Não sei si nasceu no Brazil ou si naturalizára-se brazileiro, tendo seu berço em Portugal. Sendo piloto examinado pela escola naval portugueza, serviu alguns annos como agrimensor na cidade de Valença, provincia do Rio de Janeiro. Escreveu: — O caramujo: romance historico original. Rio de Janeiro, 1863, 
in Diccionario Bibliográfico Brasileiro PELO DOUTOR Augusto Victorino Alves Sacramento Natural da Bahia PRIMEIRO VOLUME, RIO DE JANEIRO, TYPOGRAPHIA NACIONAL 1883.

Aranha, Pedro Wenceslau de Brito, Factos e homens do meu tempo, memórias de um jornalista, Lisboa, A.M. Pereira, 1908, 1042 págs.

Notícia do falecimento de Avelino Amaro da Silva
Imagem: Tribuna Liberal, Domingo, 24 de Março de 1889