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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Grande Parada dos Bombeiros Portugueses

16 de Junho de 1935

A parada teve como pano de fundo as principais artérias da Baixa de Lisboa, sendo assistida, ao longo de todo o percurso, por enorme multidão, desperta pela vistosidade dos fardamentos e das viaturas, para além dos estandartes e das bandas de música que marcaram a cadência das garbosas e disciplinadas formações de bombeiros. O número de participantes saldou-se num verdadeiro êxito: 2488 homens e 114 viaturas (15 carros de pessoal, 110 carros de combate, 2 ambulâncias e 17 auto-macas).

Viatura dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

Em termos organizativos, as forças motorizadas concentraram-se em Belém, na Avenida da India, dirigidas pelo comandante do então Batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa, major Frederico Vilar, enquanto as forças apeadas, sob a orientação do comandante dos Bombeiros Voluntários Portuenses, major Gabriel Cardoso, reuniram entre a Praça de D. Pedro IV e a Praça dos Restauradores [...]

Viatura dos Bombeiros Voluntários de Almada na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

Numa tribuna instalada na Avenida da Liberdade, assistiu à parada o Presidente da República, general Óscar Carmona, acompanhado do ministro do Interior, Manuel Rodrigues Júnior, e do governador civil de Lisboa, tenente-coronel João Luís de Moura, entre outras altas entidades do Estado. (1)

Viatura dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

À noite

As viaturas concentraram-se às 22 horas na avenida da India e cada bombeiro recebeu uma provisão de fogo de artifício. Uma hora depois o cortejo pôs-se a caminho. Ao chegar ao Terreiro do Paço a iluminação do percurso imediato foi atenuada e principiou a queima de fogo, dos veículos em marcha.


Viatura dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas na II Grande Parada dos Bombeiros Portugueses em 16 de Junho de 1935.
InfoGestNet

O aspecto feérico da longa fila de carros, donde jorravam fachos de luz, era deslumbrante. A todo o momento subiam no ar foguetes que se derramavam depois em lágrimas refulgentes de luz ante os olhares da multidão maravilhada. (2)


(1) Bombeiros de Portugal
(2) Ilustração N.º 229, 1 de julho de 1935

Artigo relacionado:
Museu de Bombeiros

Mais informação:
O Noticias Ilustrado n.° 367, 1935, cf. A voz dos egrégios avós

Leitura relacionada:
Victor M. Neto, Bombeiros Voluntários de Cacilhas, 120 Anos a servir..., Cacilhas, Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Cacilhas, 2011


Informação relacionada:
Liga dos Bombeiros Portugueses, Núcleo de História e Património Museológico

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Clube Desportivo da Cova da Piedade (reportagem da revista Stadium)

A "Stadium" não esquece nunca o labor desinteressado e valioso dos clubes que propagam os desportos na provincia. A sua acção, modesta em geral, e brilhante e valiosa muitos vezes, tem merecido palavras de elogio e provocado algumas iniciativas de estímulo para a sua actividade. Conhecer a sua existêna, auscultar as suas aspirações, é concorrer para aprecia-los melhor. Vários clubes da província tem passado pelas coluna, da Stadiurn, em referência mais ou menos ampla a uma obra que é sempre digna de realce.

Clube Desportivo da Cova da Piedade no acto da sua inauguração, em 1947.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Neste número, no de hoje, cabe a vez ao Clube Desportivo da Cova da Piedade. É, entre as agremiações mais novas, uma das que mais tem progredido. Em pouco mais de um ano, pôde levar atletas ao estrangeiro e colher aí uma vitória esplendida. Pois é desta colectividade que vamos falar, numa reportagem que tem muito de oportuna. E vamos dividir em très partes, que se completam — condições em que se fundou, a obra do um ano e projectos para o futuro.

O Clube Desportivo da Cova da Piedade e a sua fundação

Cova da Piedade talvez seja mais conhecida como localidade de transito para o sul do pais. É o primeiro núcleo populacional que se encontra no caminho, depois da travessia dificil por Cacilhas. Considerada assim, de passagem, é de-cetro uma terra como outras... Para quem a visite é uma localidade em pleno desenvolvimento. A proximidade do novo Arsenal de Marinha, à volta do qual se está criando uma cidade moderna deu, à Cova da Piedade. melhores condições de vida e expansão.

Situada também perto de Almada, séde do seu concelho, e da movimentação de Cacilhas, recebeu delas influência desportiva. Formaram-se há, anos, dois clubes: Sporting Clube Pledense e União Piedense. Não merece a pena indicar com rigor a antiguidade de cada um dos clubes [v. artigo relacionado: Clube Desportivo da Cova da Piedade]...

Basta afirmar que a acção desportiva do lugar se dispersava por duas colectividades. E que, por serem modestas, alguns dos seus melhores atletas procuravam representar clubes da capital, com mais atractivos para quem tem aspirações de progresso e fama. 

Criou-se, assim, explicou-nos um director do Desportivo da Cova da Piedade. a ideia de uma concentração de estorço., numa só agremiação, com fundas raizes na região a que pertence — um clube que representasse dignamente a sua terra e agrupasse todos os valores dispersos. 

A menina Maria Gabriela Barbosa Álvaro conduz as chaves para a abertura da sede do Desportivo pelo Dr Salazar Carreira, no acto da inauguração.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

As pessoas que mais se distinguiram, nesta campanha, c que encaminharam os doia clubes para a fusão, foram os srs. dr. Luís Álvaro Júnior, advogado; dr. Raúl Cerqueira Afonso, diplomado em Ciéncias Económicas e Financeiras; Domingos Cabrita. Júnior, todos sócios de ambas as agremiações locais, e Salvador Marques de Assunção, diretor do Sporting Clube Piedense. 

Em 28 do Janeiro de 1947, realizou-se uma reunião magna do povo da Cova da Piedade, para se pronunciar publicamente acerca do projecto de fusão dos dois clubes. A ideia foi bem aceite e a data citada figura como sendo a da fundação do Desportivo, visto que nela se resolveu organizar um novo clube, com raie título. 

Na mesma reunião, que a Cova da Piedade não esquecerá facilmente, resolveu-se ainda nomear uma comissão organizadora, que ficou sendo a ,primeira comissão administrativa do C. D. C. P. . Dela fizeram parte os srs. dr. Luís Álvaro Júnior, dr. Raúl Cerqueira Afonso, Domingos Cabrita Júnior e Salvador Marques de Assunção, já apontados, com Augusto Baptista, Filipe Andrade Moreira, Manuel Palmeiro Barbosa, José Ribeiro de Sousa, Carlos Matos Peres. Pedro Lopes Rodrigues, António da Costa, Diogo da Silva Nunes e José da Fonseca.

Alguns dos convidedos à festa de inauguração da sede do Desportivo.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

A comissão organizadora resolveu aproveltar o edifício que estava destinado para a sede do União Piedade, a sede do Sporting para uma escola e o campo desportivo Silva Nunes, do União, perto do centro da localidade. O edifício da sede foi mobilado, não tão completamente conto era nosso desejo, mas por modo que não coloca mal o clube. 

Em 1 de Anril do mesmo ano, com pouco mais de três meses de fundação, o Cube Desportivo da Cova da Piedade pôde realizar o acto que marcou melhor, sob o ponto de vista representativo, o começo oficial da sua actividade. Referimo-nos à inauguração da séde social. Ao acto presidiu o sr. dr. Salazar Carreira, inspector de desporto, em representação do sr. tenente-coronel Sacramento Monteiro, Director Geral de Desportos. E estiveram também presentes, com muito prazer para o Desportivo, o sr. Comandante Sá Linhares, ilustre presidente da Camara Municipal de Almada, vários vereadores, Benvindo Cardoso, pela Federação Portuguesa de Ciclismo, e Jaime Franco, pelo Atlético Clube de Portugal.

A festa constou da inauguração oficial da sede e de uma escola privativa do Desportivo, para educação pré-escolar, e visita ao campo de jogos.

Surgira, pois, um novo clube.

A obra de um clube novo e o seu trabalho de um ano

O Desportivo começou a funcionar com 1.023 sócios e aproveitando as instalações já apontadas — sede no edifício destinado à sede do União Piedade; escola de preparação pré-escolar, para crianças de 5 a 7 anos de idade. na antiga sede do Sporting Piedense; e campo de jogos Silva Nunes. O nome do campo constitue homenagem ao antigo sócio n.° 1 do União Piedade, Silva Nunes, que ficou sendo também sócio n.° 1 do Desportivo. 

O numero de sócios subiu para 1.823. A escola tem 50 alunos. O campo de jogo, tem sido aproveitado para futebol e andebol. Para a prática do voleibol é utilizada a esplanada da União Artística Piedense, gentilmente oferecida pela respectiva direcção. 

Quando o Desportivo iniciou a sua acção desportiva, organizou e manteve secções para os seguintes desportos: futebol, ciclismo, andebol. voleibol, ténis de mesa e bilhar desportivo. Para poder disputar provas nestas modalidades, o Desportivo filiou-se nas respectivas Federações e Associações, filiando-se ainda na Associação de Atletismo, embora não constituisse logo secção especial para esse desporto. 

O edificio da sede tem dois andares. No primeiro, estão montados um bar, um salão de jogos com bilhar desportivo e ténis de mesa, e um posto de enfermagem. No pavimento superior, encontram-se instalados o gabinete da direcção. o gabinete das comissões, a biblioteca e sala dos trofeus. 

No campo há uma boa vedação e existe uma bancada com capacidade para 300 pessoas. Tem balneário. E comporta uma assistência de 4.000 espectadores.

Um resumo de actividades

O número de praticantes desdobra-se como segue:
Futebol — 4 categorias, com 83 inscrições. 
Ciclismo — 4 categorias e 14 corredores. 
Andebol — 15 jogadores.
Voleibol — 14. 
Ténis de mesa — 15. 
Cicloturismo — 27. 
Atletismo (intersócios) — 17. 
Bilhar desportivo — 6. 
Natação (populares) — 8.
A secção de andebol está ern reorganização. 
O Desportivo disputou campeonatos em futebol ciclismo e voleibol

Os primeiros resultados

Em Futebol, a categoria de honra classificou-se em primeiro lugar no campeonato distrital, ao qual não concorreram os clube. da 1.ª e 2.ª Divisão. Em reservas e em segundas categorias ficou no segundo poeto. Em juniores, terceiro. O Desportivo passou, depois, ao campeonato nacional da 3.ª Divisão. Chegou à final, batendo o outro finalista, Académico de Viseu, no Entroncamento. No fim do tempo regulamentar, oa dois clubes estavam empatados com 2-2. No prolongamento, o Cova da Piedade marcou trés pontos, sem resposta. Venceu, pois, por 5-2. A classificação obtida permitiu a entrada do Desportivo na fase final da Taça de Portugal. A prova é, porem, difícil. E o Desportivo não tem grandes aspirações. 

A primeira equipa de futebol do Desportivo da Cova da Piedade, vencedora do capeonato nacional de III Divisão e do campeonato distrital de Setubal.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Em voleibol, os jogadores do Desportivo ficaram campeões da sua série mas foram eliminados pelo Naval Setubalense, campeões da série de Setúbal. Fizeram dois desafios. Na Cova da Piedade, perderam por 5-3. A cidade do Sado a derrota não passou da tangente — 2-3.

A secção de ciclismo tem sido a mais brilhante e movimentada. Em independentes, a equipa do Desportivo classificou-se em 4.° lugar na "Volta a Portugal", a seguir ao Benfica, ao Sporting e ao Porto; e Baltazar Rocha foi o décimo, individualmente, na classificação geral. Manuel Pinto Ribeiro ganhou a Rampa do Vale de Santo António. Jorge Pereira e Baltazar Rocha conquistaram a Taça "Corpos", em Orense, Jorge Pereira ficou em primeiro, na classificação individual, e Baltazar em terceiro. João Joaquim Nunes desistiu. 

Os quatro corredores que representaram o Desportivo da Cova da Piedade na XII Volta a Portugal em bicicleta.
Jorge Pereira ganhou também uma prova em Orense.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Este ano, Jorge Pereira colocou-se em primeiro, nos 100 quilómetros em linha, ex-aequo com João Lourenço. Adoeceu, todavia, e não completou as provas do campeonato regional. Baltazar Rocha, Pinto Ribeiro e António Vieira deram ao Desportivo o segundo lugar no Grande Prémio Alfredo Piedade. E, no campeonato nacional de amadores juniores, um corredor da Cova da Piedade ficou em segundo.

Quanto ao ciclo turismo, a equipa do Desportivo, de principiantes, composta por Vítor Antunes, Alberto Sarty e Diamantino dos Santos, ganhou o título de campeão de Lisboa, em competência com os representantes do Benfica e do Casa Pia. E um grupo formado por António Dias, Sabino David e José Mourinha, realizou um raide ao centro do país, num total de 894 quilómetros.

Outros nomes — e outros factos

A direcção actual, a primeira que o clube elegeu, tem a seguinte composição: 

Presidente, Augusto José Baptista; vice-presidente, Domingos Cabrita Júnior; tesoureiro, Emílio dos Santos Ganhão; secretário-geral, José Ribeiro de Sousa; secretário-adjunto, António da Costa; vogais. Salvador Marques da Assunção, Filipe Andrade Moreira, Manuel Palmeiro Barbosa e José da Fonseca. 

A direcção tem sido auxiliada por uma comissão constituída pelos srs. António Reis, João Augusto dos Reis. Carlos Filipe, César Costa Figueiredo, António Pereira da Cruz. João Palmeiro Barbosa, Carlos Reis Duarte e outros. 

O Desportivo organizou apenas uma prova, no dia da inauguração da sede — o I "Circuito Piedense", em ciclismo, para Iniciados. Ganhou-a Edgard Marques, do Benflea, recentemente apurado campeão nacional de amadores seniores. Em segundo, ficou José Barroso, do Desportivo. 

E houve ainda uma outra festa, a marcar a posição do clube na sua região — uma festa de homenagem aos atletas da região que se destacaram e destacam no desporto nacional, pelas suas proezas e pelos seus títulos — Mário, Francisco e João da Silva Merques, très irmãos com carreiras gloriosas.

João da Silva Marques, campeão e recordista de natação,
um dos homenageados pelo Desportivo.
[Stadium 309, 1943]
[João Silva Marques – Rei e Senhor da Natação Ibérica nos Anos 30/40]

O Clube Desportivo da Cova da Piedade e os seus projectos

Não quizemos fechar esta reportagem sem saber quais são os trabalhos que o novo clube tem em curso ou projecto.

Pouco nos disseram a tal respeito e por urna razão de certo modo simples — não existir maior preocupação que a de caminhar sem precipitações e sem grandes aspirações. Há porem um problema importante em estudo — o campo de jogos. E não é porque não disponha de um campo melhor que muitos da provincia. É porque não satisfaz, especialmente pelo defeito que revelou desde que começou a ser aproveitado: é amplo, está tratado com cuidado; apresenta aspecto regular; mas alaga com facilidade, quando sobre ele cai alguma chuvada forte. 

Seria fácil alarga-lo, para futebol e andebol, e tem terreno que podia permitir a prática de outros desportos. Seria, no entanto, dificil e dispendioso prepara-lo para não alagar. A direcção procura por isso resolver o problema com a aquisição de um novo campo. E, à volta da localidade, não faltam terrenos alguns deles dependentes de entidades oficiais, que bem podiam auxiliar um clube digno de simpatia, pela obre já realizada em prol do rejuvenescimento da mocidade e na valorização da região o que pertence. 

Entre as peasoas e entidades a que tem recorrido, o Desportivo da Cova da Piedade destaca o sr. comandante Sá Linhares, presidente da Câmara Municipal de Almada, a quem o concelho deva já reunir alguns notaveis melhoramentos. Tem sido amável para com os representantes do clube, compreende as suas necessidades e procura diligentemente atende-las. Ha, pois, confiança nos  bons reoultados da intervenção do sr. comandante Sá Linhares, neste assunto palpitante do novo campo. E ja não é pouco.

A sede social do
Clube Desportivo da Cova da Piedade no acto da sua inauguração, em 1947.
Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Além do problema em referência, o desportivo da Cova da Piedade procura apenas de momento. assegurar melhor as suas instalaçóes, completando o mobiliario da sede, e alargar a sua acção desportiva a maior número de desportos, de modo a justificar o proposito de reunir, num só clube todos os atletas da Cova da Piedade, quando não houver necessidade de material especial. Não ha, porém, pressas e não ha demoras. Tudo a seu tempo e na devida altura.

A Direcção está reorgonizando a secção de andebol, vai alargar a pratica do atletismo e pensa dedicar-se também a basquete e à patinagem. Conta, para isso, com a boa vontade dos seus sócios e com a cooperação da Industria local e da Imprensa.

A industria piedense tem auxiliado o C. D. C. P. com varios donativos periodicos, distinguindo-se nesta colaboração oportuna e preciosa, as seguintes firmas: Henrique Bucknal & Sons, Limitada. Rankins, Limitada e Cabruja & Cabruja.

Pelo que o que se relaciona com a Imprensa, o novo clube confessou-nos estar muito reconhecido, principalmente aos jornais desportivos, pela publicidade dispensada a todas as suas iniciativas e pelo ambiente de simpatia e estimulo com que se tem referido à acção do clube. 

Casa Renner
(antiga alfaiataria Benjamim M. Oliveira)

Essa simpatia é, no entanto, merecida em absoluto, dizemos nós agora. É por isso mesmo que pensamos nesta reportagem à vida da nova agremiação. E é ainda por tal motivo que lhe apresentamos os nossos votos de largo progresso. (1)


(1)  Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Artigo relacionado:
Clube Desportivo da Cova da Piedade

Informação relacionada:
Casas que a "Stadium" recomenda (1) 
Casas que a "Stadium" recomenda (2)

domingo, 10 de setembro de 2017

A banhos na Margueira com Romeu Correia

A praia da Margueira Velha, que era uma autêntica piscina natural, era um dos locais escolhidos por Orlando Avelar e muitos outros jovens da altura como: Sérgio Malpique, António Calado, Francisco Avelar, Romeu Correia, Ramiro Ferrão e Mário da Cruz Fernandes, para irem ao banho e conviverem. (1)

Saltando da muralha (detalhe).
Imagem: Imagem: Boletim "O Pharol"

Pois esta Margueira (Velha) era livre e a malta ia para lá com plena autonomia. Tinha um esporão que entrava pela água dentro e era aí que a rapaziada aprendia a atirar-se para as salsas ondas do rio.

Para entrar na outra (Margueira Nova) já piava mais fino. Apesar de ser mais solicitada tinha que se passar junto a um Posto da Guarda-fiscal e quando estavam de serviço os guardas Caturra e Barreto, nem pensar por lá seguir.

Aonde é que os meninos vão? Perguntavam os guardas de cinzento...

Nós vamos ao banho, senhor guarda, afirmavam com voz muito humilde. Pois se os meninos querem ir ao banho, vão pela Margueira Velha que a água é igual [...]

Para a doca da Margueira,
Iam os putos reinar,
Quais capitães da areia,
Para ali iam nadar.

Para o rio, na Margueira,
A muralha era um céu,
Acabou-se a brincadeira,
Quando a Lisnave apareceu.

Só em pelo, sem calção,
Todos nus, em ritual,
Mas sempre com atenção,
Ao mau do guarda fiscal. (2)

Venância Quaresma Correia Guerreiro, irmã do escritor almadense Romeu Correia, por parte do pai, nasceu em Cacilhas, no Ginjal no dia 16 de Junho de 1933.

Foto de 1935, na praia da Margueira. Da esquerda para a direita: 1o plano: Francisco Avelar e Orlando Avelar. 2o plano: Eduardo (padeiro), Romeu Correia, Ramiro Ferrão e António Calado. (Foto de Mário da Cruz Fernandes, cedida pelo seu filho Mário Simões Fernandes)
Imagem: As Margueiras

Recorda ainda hoje com vivacidade as suas primeiras idas à praia com o seu irmão, sempre acompanhados por um grupo de amigos, do qual faziam parte Francisco Calado, Francisco Avelar, Francisco Bastos, Sérgio Malpique e Chico Carapinha, Jorge Parada e Adelino Moura, entre outros, quase todos eles praticantes de atletismo.

Naquele tempo, para tomarem um bom banho os jovens não precisavam de apanhar qualquer meio de transporte.

O rio Tejo, com as suas águas límpidas, tranquilas e convidativas, estava mesmo ali pertinho de casa. Era só descer a pé pela rua da Margueira, que se bifurcava em dois caminhos. À direita ficava a praia da Margueira Nova, onde se encontrava a guarita da Guarda-Fiscal, que controlava o acesso à praia de seixos e areia branca, onde a Guarda proibia a entrada à rapaziada. 

No entanto, para alguns privilegiados a mesma guarita servia de vestiário.

À esquerda encontrava-se a praia da Margueira Velha, junto à casa da família Carbone onde se tinha de ter cuidado com as cascas de ostras para não cortar os pés descalços. Por vezes, quando os mais destemidos da malta mergulhavam sem pensar e calculavam mal o nível da maré-cheia, ficavam todos cortados nas ostras. Nesta praia, portanto, tinham de ser ter alguns cuidados e, acima de tudo, aproveitar para tomar banho com a maré bem cheia.

Saltando da muralha.
Imagem: Boletim "O Pharol"

Foi nesta mesma praia da Margueira Velha que o Romeu ensinou a sua irmã Venância a nadar. Mais tarde, haveria também de neste local ensinar a nadar a sua mulher Almerinda.

Cuidadosamente, o Romeu para proteger a irmã quando iam ao banho, levava-a às cavalitas. Na falta de fato de banho apropriado, a pequena ia habitualmente para dentro de água vestida de cuecas, que tinha de secar antes de vestir a roupa. As tias não podiam descobrir que estava molhada, quando chegava a casa, pois ela estava mesmo proibida de ir ao banho.

Vista panorâmica da Margueira (detalhe), Mário Novais, década de 1930
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

Uma vez, desprevenida, molhou também o vestido. Estava no pontão a correr, agitando o vestido para o secar, quando se desequilibrou, caiu à água e voltou a molhar completamente as duas peças de roupa que tinha vestido nesse dia.

Margueira antiga (desenho original de Humberto Borges) sobreposição a actual vista satélite no Google Maps.
Imagem: Boletim "O Pharol"

Não tendo tempo para voltar a secar o vestuário, chegou a casa com ele ainda molhado. A partir daí, descoberta a sua já proibida ida a banhos, a menina Venância ficou igualmente proibida pela família de ir à praia da Margueira. (3)

Praia de doce encanto
Onde desde cedo
As crianças se banhavam.
Em suas límpidas águas sonhavam,
Desde manhã
ao sol se pôr na epifania.

Margueira, Anyana, 1981.
Imagem: As Margueiras..., Junta de Freguesia de Cacilhas, 2013

Na ansiada hora
Da maré cheia
Eram tão sãos
Os gritos de alegria
Junto aos chamados
Da mãe que os repreendia.

E quando no caminho
Em aromas suaves da aurora
Derramando a vivacidade da sua energia
Aqueles seres pequeninos
Saltavam em pés coxinhos
Como alcatruzes nas noras.

E era tão belo
O correr do momento
E era tão sã
A sã euforia
Que marcaram bem
Na distância
No tempo
O que lhes ficou
No pensamento
O que jamais na razão desaparecia
Vamos! Está na hora da maré!
Era um grito
Na chamada de lar em lar
E sem esperar
Sempre correndo em frente
Aquele magote de gente
Se encontrava em cruzamento das Margueiras,
A nova e a velha,
Como que em juramento
De crédito na vida
No amor, na verdade, na fé plena
Na fé de esperança e caridade
Que corre ainda hoje
Estes caminhos
Nas memórias da saudade.

AnyAna (4)



(1) As Margueiras..., Junta de Freguesia de Cacilhas, 2013
(2) As Margueiras..., cf. José Luis Tavares, Almada minha, 2010
(3) As Margueiras..., Junta de Freguesia de Cacilhas, 2013
(4) AnyAna in As Margueiras..., Junta de Freguesia de Cacilhas, 2013

Informação relacionada:
Recordar as Margueiras - I
Recordar as Margueiras - II
Júlio Diniz

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um lugar ao sol

A primeira colónia balnear da FNAT [inaugurada a 31 de Julho de 1938] é, assim, instalada na Mata da Caparica, com a designação "Um Lugar ao Sol" [...]

Costa da Caparica, FNAT, Colónia de férias Um Lugar ao Sol.
Imagem: Delcampe

A diferença mais significativa entre "Um Lugar ao Sol" e as restantes colónias balneares, está no facto de esta ter sido construída de raiz para o efeito, pensada como uma "cidade de férias", enquanto as restantes resultariam da adaptação de edifícios já existentes àquela função [...]

Introduzindo o conceito de "Turismo de massas" em Portugal, ou, neste contexto específico, talvez mais "para as massas", a filosofia de "Um lugar ao Sol" do Estado Novo nada tinha a ver com a visão futurista de Cassiano Branco para a Praia Atlântico, apresentada cinco anos antes, embora ambas anunciassem, pioneiramente, a conquista de direitos sociais que só com a regulamentação das férias pagas, em 1937, se vieram a concretizar, e timidamente [...]

Costa da Caparica, Jardim da FNAT, ed. Passaporte, 46, década de 1960.
Imagem: Delcampe

Em 1934, os Sindicatos Nacionais dos Bancários, Escritórios, Seguros, Balcão e Música apresentam à Comissão do Centro de Estudos Corporativos da União Nacional, presidida pelo engenheiro Higino de Matos Queiroz, a proposta conjunta da criação de uma "Colónia de Férias e Repouso" para o usufruto dos seus filiados.

A iniciativa é bem recebida pelas entidades oficiais e assumida pelos Serviços de Acção Social do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP), organismo integrado na Presidência do Conselho de Ministros e a funcionar sob a supervisão do Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social.

Para a concretização desta obra é pedida à Direcção Geral da Fazenda Pública a cedência de terrenos do Estado na Mata da Caparica, área classificada em regime florestal e abrangida pela zona de servidão militar das Baterias de Alpena e Raposeira [...]

Costa da Caparica, Bairro de Santo António e Foz do Tejo, ed. Passaporte, 2, década de 1960.
Imagem: Delcampe, Oliveira

A escolha da melhor implantação para o estabelecimento deste equipamento levanta alguma polémica. A Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas defende uma outra localização que não no interior da Mata, argumentando que "no interesse da população [e da própria instituição que se vai fundar] tão meritória obra pode ser realizada sem prejuízo da massa de pinhal existente" [...]

É na sequência deste pedido de cedência de terrenos que é criada a FNAT, a 13 de Junho de 1935, instituição à qual é feita a cessão da parcela escolhida e "que a princípio se destinava [apenas] a manter e dirigir" a Colónia de Férias, mas, logo, vê a sua acção estendida a “um campo mais largo, capaz de abranger todos os trabalhadores portugueses e promover o aproveitamento do seu tempo livre" [...]

Costa da Caparica, Colónia de Férias da Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, Mário Novais, 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

O jornal O Século [ed. 13 Julho 1938] visita as instalações, ainda antes da obra concluída, para nos dar conta da disposição geral do conjunto:

"Separados, existem dois dormitórios para solteiros, outros tantos para casados, e um para raparigas.

Costa da Caparica, alunas do Centro Católico Português no pinhal, 1938.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Mais afastado, foi construído o pavilhão que se destina ao pessoal e onde se instalou também a lavandaria e armazem.

Cada quarto tem quatro camas dispostas como nos beliches de bordo. Só os que se destinam aos (...) casados possuem apenas uma cama, além de outra de menores dimensões para os filhos. Nos refeitórios existem duches, lavabos e retretes privativas. (...)

A área total da colónia é de cento e oitenta mil metros quadrados. Ali se pensa, em breve, construir uma secção para crianças, dotada de uma piscina com água do mar."

Interessante é que, em apenas três anos, a superfície de pinhal ocupada pela instalação da Colónia de Férias tinha aumentado de cerca de 40.000 metros quadrados para 180.000, mais que quadruplicando a área cedida no "Têrmo de Cessão" de 19 de Agosto de 1935 [...]

Costa da Caparica, FNAT - Um lugar ao Sol, Vista aérea, ed. Neogravura.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Após a inauguração oficial da Colónia da Costa da Caparica, um outro artigo deste jornal fazia referência ao facto de os autores do projecto, "embora respeitando fielmente a tradição arquitectónica das construções portuguesas [, terem aproveitado] muitos ensinamentos colhidos na visita que fizeram no ano passado, às colónias de férias oficiais, italianas e alemãs".

Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.).
Costa da Caparica, aspecto do almoço dos trabalhadores dos Sindicatos Nacionais, 1937.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Acrescentava, ainda, que em todo o conjunto se podiam reconhecer as feições de uma obra que Salazar desejava "simples, despretenciosa, agradável, higiénica e confortável" [...]

Costa da Caparica, Colónia de Férias da Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, Mário Novais, 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

O sino da FNAT é o alarme que faz levantar da cama os preguiçosos às 8 horas da manhã, às 9 horas toca a sineta para o pequeno almoço, às 10 horas vai-se até à praia privativa da FNAT, onde o banheiro é conhecido pelo Tarzan.

António Gonçalves Ribeiro, Tarzan da Costa.
Imagem: Notícias da Gandaia

Por volta das 12 e 30, os colonos (...) regressam e cada um dirige-se para os seus aposentos onde um duche fresco dessalga o corpo. Entretanto ouve-se a sineta, convidando (...) ao almoço.

Costa da Caparica, Entrada ao refeitório da FNAT, ed. Passaporte, 45, década de 1960.
Imagem: Delcampe

À tarde dorme-se a sesta, joga-se uma partida de pingue-pongue, ou uma bilharada. Os mais idosos (...) passam a tarde jogando o loto.

E até às 17 horas pouco movimento se nota na Colónia.

Costa da Caparica, FNAT, Salão de Jogos 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

Por volta das 18 horas os colonos mais novos jogam voleibol e patinam.

Cerca das 20 horas a sineta faz-se ouvir novamente — São horas de jantar. Depois, o Bar e as salas de diversão enchem-se de pessoas e, por vezes, faz-se um Pé de Dança.

A partir das 23 horas o silêncio reina em absoluto [...]

Pela publicação celebrativa dos Dez Anos de Alegria no Trabalho ficamos a saber que, em 1945, o complexo da colónia "Um Lugar ao Sol" era constituído por 29 edifícios. Número que, em comparação com os 7 pavilhões inicialmente construídos, testemunhava o sucesso da iniciativa junto dos Sindicatos Nacionais.

Um ano depois, na presença do Presidente da República, o General António Oscar de Fragoso Carmona, são inauguradas as novas instalações da Cozinha e do Refeitório, assim como novas unidades de alojamento, passando a Colónia a contar com 30 pavilhões, aumentando a sua capacidade para cerca de 1.000 veraneantes por turno.

Vinte anos depois da criação da FNAT, em 1954, eram já 38 os pavilhões existentes, que permitiam receber, em simultâneo, 1.555 pessoas, obrigando a uma nova ampliação do refeitório e ao complemento da oferta de serviços facilitados dentro do espaço da Colónia. Entre eles, a construção de um Parque de Campismo, em 1953 [...]

Cada "Pavilhão Familiar para Casais com Filhos" era composto por onze quartos e por instalações sanitárias colectivas, distribuídos a partir de um corredor central ao qual se acedia, de um dos extremos do volume, através de um pequeno pátio com pérgolas.

Costa da Caparica, Colónia de férias da FNAT Pavilhão n° 1, ed. Passaporte, 100, década de 1960.
Imagem: Delcampe

A área dos quartos era reduzida, cerca de 10 m2, considerando que neles dormiam um casal com dois filhos, estes instalados em beliches, e que em cada quarto havia, ainda, uma pequena área com retrete e lavabo.

Na selecção dos pedidos de inscrição na Colónia de Férias, a que tinham acesso apenas os trabalhadores "que se situavam em categorias profissionais inferiores à de chefe de secção", eram considerados prioritários os beneficiários da FNAT que se fizessem acompanhar do maior número de filhos e os que auferissem de menores rendimentos; os que tivessem indicação médica expressa, comprovada pelos serviços da Fundação, da "necessidade absoluta de uma estadia à beira mar"; os sócios mais antigos; quem residisse o mais afastado do litoral; e quem menos vezes tivesse utilizado a colónia balnear.

Festa na colónia de férias Um Lugar ao Sol.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Qualquer dúvida seria resolvida por sorteio. (1)


(1) Lobo, Susana Luísa Mexia, Arquitectura e Turismo: Planos e Projectos. As Cenografias do Lazer na Costa Portuguesa. Da 1.ª República à Democracia, Coimbra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2013

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Clube Desportivo da Cova da Piedade

Na Cova da Piedade, tinham sede no jardim central , em torno do qual se erguem dois edifícios monumentais — o palácio neoclássico da família Gomes e um Chalet romântico onde viveu o gerente da fábrica de moagens — , a Cooperativa Piedense, a Sociedade de Socorros Mútuos Piedense, a Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (SFUAP), o Clube Recreativo Piedense e o Sporting Clube Piedense. (1)

Vista Geral — Cova da Piedade ed. desc., década de 1900
Imagem: Delcampe

O Sporting Clube Piedense, da Cova da Piedade, acaba de se filiar na Associação de Foot-ball de Setúbal, pelo que se encontra regular, podendo efectuar jogos com todos os filiações de qualquer associação do paíz [jornal "O Sado", edição de 17 de março de 1935].

in Futebol Saudade

A fundação do Clube Desportivo da Cova da Piedade, em 28 de Janeiro de 1947, foi resultante da fusão entre o União Piedense Futebol Clube (também conhecido pelo epíteto de "Espanhóis", devido às cores do seu equipamento), fundado em 16/04/1914 e o Sporting Clube Piedense [filial nº 67 do Sporting Clube de Portugal].


União Piedense Futebol Clube, "Espanhóis".
Imagem: Dina Teresa

Para a formação do novo Clube foi constituída uma comissão organizadora, composta por Domingos Cabrita Júnior (Presidente), Manuel Palmeira Barbosa, Pedro Lopes Rodrigues, Augusto José Batista, Filipe Andrade Moreira, José Ribeiro de Sousa, Salvador Marques de Assunção, Carlos de Matos Flores, Carlos Peres e Antónia Moreira da Costa.

Clube Desportivo da Cova da Piedade.
Imagem: Voz Desportiva

Durante estes anos da vida da colectividade, houve dirigentes que, pela sua acção, se salientaram, como por exemplo, o Dr. José Malheiro (Director do Boletim Mensal), José Cardoso Rosa e o Dr. Castro Rodrigues, entre outros. 

Os factos mais relevantes da História do Clube, são os seguintes:

No campo cultural, ter mantido, desde sempre, escolas pré-primárias, onde milhares de crianças receberam as primeiras luzes da instrução.

Sorteio Páscoa a favor da ecola pré-primária, 1953.
Imagem: João Gabriel Isidoro

[...] os dirigentes do clube, muitos deles oriundos da classe operária, aperceberam-se da necessidade em receber crianças com idades compreendidas entre os três e os seis anos de idade, não só para ajudar as mães trabalhadoras, como ministrar os primeiros ensinamentos, rumo ao ensino oficial.

Inauguração da escola do Clube Desportivo Cova da Piedade.
Imagem: João Gabriel Isidoro

Nasceu, assim, na Estrada das Barrocas, a primeira escola pré-primária do país que manteve actividade regular, apesar das perseguições políticas aos seus dirigentes e professores.

Alunos da escola do Clube Desportivo Cova da Piedade, 1961.
Imagem: Ana Maria Almeida

Em Novembro de 1963, abriram as aulas nocturnas destinadas a preparar adultos que pretendessem completar o actual 9º ano de escolaridade ou, simplesmente, melhorar a sua cultura geral.  Em paralelo realizaram iniciativas complementares, tais como: exposições de artes plásticas, visitas de estudo e debates com figuras da Cultura, com a presença dos escritores Ferreira de Castro, Bernardo Santareno, Matilde Rosa Araújo, Assis Esperança e os actores Fernando Gusmão, Morais e Castro e Joaquim Benite (encenador).

No ano de 1967 Almada enfrentou a repressão do regime salazarista e as Escolas foram particularmente visadas.

Programa do 10° Aniversário das escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade (excerto), 1973.
Imagem: Fernando Cruz


in Boletim Municipal, Camara Municipal de Almada, outubro 2007

No campo desportivo, a participação de uma equipa de ciclismo numa prova internacional, disputada em Espanha, na qual averbou o 1º lugar individual e colectivo e, ainda, a participação na XII Volta a Portugal em Bicicleta, conquistando o 10º lugar individual e o 4º lugar por equipas. (2)

Cova da Piedade, a multiddão aguardando os ciclistas da 7a Volta a Portugal em 1938.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Fundado a 28-1-1947 teve como actividades de início, o ciclismo, futebol, handebol, voleibol, campismo e ténis de mesa. No desporto-rei, o futebol, conquistou o campeonato nacional da 3a divisão, na época de 1948, ingressando, então. na divisão secundária, onde se manteve só por dois anos.

Equipa de futebol do Clube Desportivo da Cova da Piedade.
Imagem: Futebol de Outros Tempos

Finalmente, em 1960, regressou  à 2a Divisão Nacional, cotando-se, desde então, como um dos principais animadores do torneio, dispondo firmemente a guindar-se a um plano ainda mais alto.

Clube Desportivo da Cova da Piedade.
Imagem: CADERNETAS E CROMOS

Aspecto geral do campo de jogos do clube, denominado Parque Silva Nunes, com lotação para 10 000 espectadores, pelado e com iluminação eléctrica. Os seus lugares são, por vezes, insuficientes para os espectadores que, frenéticos, aplaudem o Desportivo, sonhando vê-lo embrenhado em mais altos voos.

Campo de futebol do Clube Desportivo da Cova da Piedade, Parque Silva Nunes, Quinta das Farias, década de 1960.
Imagem: CADERNETAS E CROMOS

Fotografia de alguns elementos do clube, envergando as suas camisolas de cor "grenat", e alinhando o guarda-redes, normalmente de preto e amarelo. (3)

Equipa de futebol do Clube Desportivo da Cova da Piedade.
Salientaremos, de entre o seu lote de jogadores, os nomes de: Pimenta, Castro, Assis, Simões, Sim-Sim, Rui Silva, Laranjeiro, Jurado, Torres, Vitorino, Pedro Silva, Bambo, Tito e José Alberto.
Imagem: CADERNETAS E CROMOS

Em futebol, o nosso Clube conquistou em 1947/48 e 1970/71 o título de Campeão Nacional da 3ª Divisão e foi finalista na época de 1976/77.

Equipa de futebol do Clube Desportivo da Cova da piedade, época de 1970 - 1971.
Em cima: Portela, Saturnino,  ? (Director), Salvador (Treinador), Durães, Pinhal, Carlos Cunha, Artur Jorge Quaresma, Franklin, Helder, Casimiro, Jesus e Cardoso (Massagista).
Em baixo: Adanjo, Vitorino, Victor Manuel, Necas, Victor Lopes, Adriano, Vieira, Ramusga, Vilarinho e Belo.
Imagem: Armando Ribeiro

Clube Desportivo da Cova da Piedade, aspecto dos festejos da subida à 2a divisão em 16 de maio de 1971.
Imagem: Carlos Castanheira

Conseguiu, também, 5 títulos de Campeão Distrital da 1ª Divisão [...]

Como jogadores mais salientes, entre outros, passaram pelo nosso Clube nomes como Móia, Rendeiro e Luís Boa Morte. 

Já treinaram o Cova da Piedade Mário Wilson, Jacinto Carmo Marques, Alexandre Peics, etc. (4)

Jacinto do Carmo Marques.
Imagem: Ser Benfiquista


(1) Pereira, Joana Dias, A produção social da solidariedade operária: o caso de estudo da Península de Setúbal, Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, 2013
(2) Clube Desportivo da Cova da Piedade
(3) CADERNETAS E CROMOS
(4) Clube Desportivo da Cova da Piedade

Informação adicional:
Futebol em Portugal
Museu do Futebol
Futebol de Outros tempos

O Clube Desportivo da Cova da Piedade e a sua fundação, Stadium n.° 289, 18 de junho de 1948

Informação relacionada:
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