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terça-feira, 9 de agosto de 2022

Quinta de São Pedro no Pragal

Quinta ao Pragal, no extremo da povoação, do lado sul da EN. 377, junto ao viaduto por onde esta estrada transpõe a auto-estrada do Sul (...)

Pragal, Quinta de S. Pedro, Augusto de Jesus Fernandes.
Arquivo Municipal de Lisboa

Quando se construiu a auto-estrada do Sul, a A2, a quinta foi retalhada tendo desaparecido o lado oeste da quinta, salvou-se da demolição a entrada da quinta constituída por um magnifico portal do Século XVIII e também um painel de azulejos da mesma época e a antiga adega, hoje recuperada para habitação (...)

Pragal, Quinta de S. Pedro, Augusto de Jesus Fernandes.
Arquivo Municipal de Lisboa

Em 1900 pertencia a Salvador Duarte Ferreira e, em data que desconhecemos, entrou na posse de Jose Carlos da Maia o conhecido politico republicano assassinado em 1921.

É agora (2003) habitada, na parte que dela restà, por um neto daquele, o pintor de arte (José) Carlos da Maia. Com o nome de S. Pedro hà outra quinta na Freguesia da Caparica (...) (1)

Planta da Quinta do Ill.mo e Ex.mo Snr. Principal de Sousa sita no lugar do Pragal, termo da vila de Almada levantada em Setembro de 1803. Dedicada a Ill. ma e Ex.ma D. Marianna de Sousa Coutinho por seu respectuoso e obrigadíssimo creado M.J.N.G. Reduzida do original e calculada por M.M.F. (2)

Planta da quinta do Principal de Sousa sita no Pragal, termo da vila de Almada (detalhe), 1803.
ANTT

Descrição iconogratica de uma quinta caracteristica do termo de Almada no século XIX, com as confrontações, as arcas utilizadas para o cultivo da vinha. horta. lavoura e pomar, os caminhos, as estruturas de apoio à atividade agricola e as áreas funcionais de habitação da casa principal. (3)

Planta com esquema e legenda do interior do edificio (detalhe), 1803.
1. portão 2. entrada, pátio  3. escada exterior com alpendre e pequena varanda 4. corredor 5. salinha bilhar  6. sala 5 janelas 7. passagem para a casa de jantar 8. casa de jantar 9. gabinete de meu pae (pequena livraria) 10. quarto da mmmm (?) 11. escadas para o quarto das criadas 12. o meu quarto 13. pequena sala onde me vestia 14. quarto de meus paes 15. capella 16. pequenas tribunas 17. quarto do mano Rodrigo e da mana 18. casa de passagem e de entrada 19. quarto para hospedes 20. copa, casa de jantar dos criados, escada para o quarto das manas 21. fonte em frente do portão  22. lagar 23. adega 24. poço (allegretes, passeio, horta) 25. jardim exterior 26. entrada para a capella
ANTT

Levantamento topográfico da propriedade rural e planta da casa pertença de D. José Antonio de Meneses e Sousa Coutinho, diacono da igreja Patriarcal de Lisboa e membro do Conselho de Regência do Reino que governou Portugal durante a ausência da corte no Brasil.


Planta da quinta do Principal de Sousa sita no Pragal, termo da vila de Almada, 1803.
ANTT

O Principal de Sousa, membro de uma das famílias abastadas e nobres do reino, é irmão de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o 1.° Conde de Linhares. A propriedade, conhecida também por Quinta de S. Pedro, foi doada pelo Principal de Sousa às suas irmas D. Mariana e Maria Balbina de Sousa Coutinho. (4)


(1) Pereira de Sousa, Almada, Toponímia e História, Câmara Municipal de Almada, 2003
(2) ANTT
(3) Almada na História, Boletim de Fontes Documentais, n° 27/28, 2014
(4)
Idem
 

Artigos relacionados:
Panorâmicas do Pragal

Leitura relacionada:
Fundo Condes de Linhares ANTT

Leitura relacionada (Principal Sousa/Gomes Freire de Andrade):
Eunice Relvas, A Lisboa de Gomes Freire (1781-1817), Revista Militar, 2605/2606, Fevereiro/Março de 2019
Daniel Estudante Protásio, Os algozes de Gomes Freire: análise prosopográfica e ideológica de alguns decisores do seu processo
Luis Stau Monteiro, Felizmente há luar!

sábado, 20 de outubro de 2018

Na romaria da Ramalha

No dia seguinte celebrava-se a festa de S. João na capella da quinta da Ramalha, havia procissão, e depois saía a celebrada dança dos pausinhos, assim chamada por levarem os pares uns bordões pintados de vivas cores, com que faziam muitas sortes e passos agradaveis [...] (1)

Uma família piedense na romaria da Ramalha em 25 de junho de 1931.
Da esquerda para a direita, no 1° plano: Maria das Dores Banha; Henrique Banha; Lucrécia das Dores Banha e Ester Banha. No 2° plano, pela mesma ordem: Florêncio Banha; N. N. e Verdum Banha.
A fotografia foi cedida pela D. Lucrécia Banha.
InfoGestNet (SFUAP)

A festa pitoresca da Ramalha, que ocorria nas tardes de 24, — (antes e depois da saída da procissão com o andor de S. João Baptista da ermida de S. Antão, também conhecida por «capela da Ramalha», para Almada), — e de 25 de Junho, era muito concorrida por populares da "Outra Banda", em particular do concelho de Almada, até aos finais da década de 1960.

Famílias da Mutela na romaria da Ramalha em 25 de Junho de 1942.
A imagem ilustra os romeiros da Mutela, em 25 de Junho de 1942, reconhecendo-se, entre outros: João Gomes Silvestre («Marcela»), Emília, Maria Emília Laranjeiro, Maria Luísa, Domingos Teixeira, Sebastião Baptista, Cidalina Baptista, Rosa Pais Silvestre, Bernardino Ferreira Gomes Silvestre, Germano, João Peres, Laura "Baúta", Maria José "Baúta", Deolinda Silvestre, Caetano José Laranjeiro, Urbano "Aguadeiro", Maria Teixeira.
Estes e outros moradores, na sua maioria operários ligados à indústria naval e corticeira, confraternizavam, saboreando as suas merendas.
Alexandre M. Flores, Romeiros na Ramalha, Alexandre Flores no Facebook

Havia arraial, merendas, "comes e bebes", à sombra das oliveiras e das figueiras, desfile de carroças e galeras engalanadas com canas verdes e flores campestres, ranchos de folgazões que debandavam depois para as suas localidades ao som de harmónios, trompetes, flautas, clarinetes e outros instrumentos que traziam das colectividades que possuíam bandas.

Uma tarde na Ramalha.
José Pereira

Nesta festividade joanina, onde se junta o religioso e o profano, alguns romeiros tornaram-se bastante populares, como a «Flora» de Cacilhas e mais tarde do Laranjeiro; o «José da Aurora» da Mutela; os «Carrasquinhos» do Caramujo; o Henrique Banha e sua família; o «Tio Mealhas» da Romeira com o seu grande bombo; Heitor e Manuel Parada, de Almada; a «Ramboia» das Barrocas; o «Marcela» da Mutela; e outros romeiros brincalhões  [...] (2)


(1) António Avelino Amaro da Silva, O Caramujo, romance histórico original, Lisboa, Typographia Universal, 1863
(2) Alexandre M. Flores, Romeiros na Ramalha..., Alexandre Flores (Facebook)

Artigos relacionados:
A procissão de São João
Da Ramalhinha aos Crastos

Informação adicional:
Quinta e Capela de São João da Ramalha/Quinta dos Farinhas [e capela de Santo Antão] (SIPA)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

D. Bertha Ortigão na Cova da Piedade em 1886

Sabemos que D. Bertha Ortigão passara parte do outono de 1886 na Cova da Piedade em companhia de seu pai, Ramalho Ortigão.

D. Bertha Ortigão por Columbano, 7.ª Exp. do Grupo do Leão, 1887.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Como referido, nas Cartas Portuguezas, pelo ilustre escritor, teria a familia nessas férias visitado amigos e descoberto lugares. Ramalho anotara as recentes novidades e, ao mesmo tempo, relembrara as memórias do tempo de seu pai a propósito da ainda bucólica e pitoresca Cova da Piedade.

D. Bertha, durante estas visitas e passeios,  registava em algumas "pochades" as imagens que, supomos, mais tarde apuraria em telas pintadas a óleo, ou talvez as aprimorasse mesmo "sur place".

Paisagem com casa, Bertha Ortigão.
Solar da quinta de S. José em Linda-a-Velha, demolido para a construção do Estádio Nacional.
Cat. Palácio do Correio Velho, 17 de dezembro de 2008.
Imagem: Arcadja

Não conhecemos estes quadros, pois no catálogo da mostra em que foram apresentados a público não consta a imagem de algum deles.

No entanto, com a esperança de que algum dia nos venham a ser revelados, aqui ficam as referências que dispomos tal como descritas no catálogo da 6.ª exposição d'arte moderna, realizada em 1887, pelo Grupo do Leão que, sem compromisso, complementamos com fotografias de nossa escolha, embora um pouco mais tardias.

ORTIGÃO (D. B.) C. dos Caetanos, n.° 30.

68 — Valle Mourellos no outomno.

Pinheiro dos Frades, Cova da Piedade, ed. desc.
Imagem: A árvore do centenário

69 — O Lavadouro da quinta do Brejo.

Cova da Piedade, zona rural, Francesco Rocchini, anterior a 1895.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

70 — Esquina da estrada do Pombal.

Chafariz do Pombal, Almada, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe

71 — Taruca, Carocho e Farrusco.
72 — Rosas [da Quinta do Pombal de Paul Henri Plantier?] .
73 — Rosas.
74 — Arenques e vinho branco.
75 — Os moinhos do Pragal.

Almada, Pragal, Vista Parcial, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe

76 — Mademoiselle.
77 — Prato decoratico.
...

Ramalho Ortigão (1836 - 1915).
Imagem: Wikipédia

Ortigão, que escrevia sobre quase tudo, e que por este tempo era critico de arte já feito, espetava as suas "Farpas" por aqui e ali; não consta que alguma apreciação tenha feito aos quadros de D. Bertha. O que aumenta a nossa expectativa quanto aos mesmos.


Leitura relacionada: 
Sandra Leandro, Teoria e Crítica de Arte em Portugal no final do século XIX

Artigos Relacionados:
António Ramalho na praia do Alfeite em 1882
Passagem pelo grupo do Leão

Referências internas:
Ramalho Ortigão, verão de 1886
Os dias 23 e 24 de julho de 1833 (parte I)
Os dias 23 e 24 de julho de 1833 (parte II)

domingo, 26 de junho de 2016

Panorâmicas do Pragal

Nesta viagem pelo Pragal vimos casas com uma história e ruas com nomes interessantes. Conhecemos coisas novas e reparámos em estátuas que no dia-a-dia esquecemos de lhes dar importância. Até viajámos no tempo.

Panorâmica do Pragal, Augusto de Jesus Fernandes, 1966.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

O Pragal faz parte da cidade de Almada, mas antigamente era uma aldeia com quintas grandes [...]

Panorâmica do Pragal (foto montagem), Augusto de Jesus Fernandes, 1963.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Quando fomos à Peregrinação do Pragal passámos por muitas ruas e casas antigas. Nesta aventura ficámos a conhecer a história do Pragal contada pela arqueóloga Elisabete e alguns alunos da turma foram os pilotos dos percursos [...] (1)


(1) Turma Curiosa, Peregrinação no Pragal

domingo, 24 de maio de 2015

A ponte

O atravessamento contínuo do rio Tejo na área urbana da capital, uma aspiração quase secular, foi traduzido em termos técnicos, e pela primeira vez, pelo Eng.º Miguel Pais que propôs em 1876, em desenho, uma ponte entre o Grilo e o Montijo.

World without us, Lisbon bridge, josh, 2007.
Imagem: Space Collective

Esta proposta contemplava uma solução mista para os tráfegos rodoviário e ferroviário, de tabuleiro duplo e com setenta e seis tramos, dos quais setenta e quatro tinham 60 metros de vão e os dois extremos, 48 metros.

Post Apocalyptic bridge on Tagus river..., Peter Baustaedter, 2013.
Imagem: viralscape

Apesar do grande apoio que colheu nos meios técnicos, na opinião pública e em departamentos oficiais, este projecto não teve seguimento, tendo surgido ao longo dos anos outras ideias para a ligação da capital à margem Sul.

Ponte sobre o Tejo, estudo do engenheiro Miguel Pais, 1872.
Imagem:  Arquivo Municipal de Lisboa

Em 1888 o Eng.º Lye, de nacionalidade norte-americana, propõe a construção de uma ponte entre Almada e a zona do Tesouro Velho (atual Chiado) com uma estação ferroviária próxima do Largo das Duas Igrejas.

Posteriormente, em 1889, os engenheiros franceses Bartissol e Seyrig propõem uma ligação mista entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada, através de uma ponte com 2500 metros de comprimento, que seria assente numa série de arcos com vãos diferentes.

Ponte sobre o Tejo, projecto de E. Bartissol e T. Seyrig, O Occidente n.° 380, ilustração L. Freire, 1889.
Imagem: Hemeroteca Digital

Em 1890 surge nova proposta subscrita por uma empresa metalomecânica de Nuremberga que pretendia construir uma ponte entre o Beato e o Montijo, sugerindo uma localização muito próxima à que tinha sido proposta pelo Eng.º Miguel Pais.

Lisboa monumental, ilustração, Alonso (Joaquim Guilherme Santos Silva, 1871 — 1948).
Imagem: Hemeroteca Digital

Já no século XX, em 1913, foi proposto ao Governo, por uma firma portuguesa, fazer a ligação entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada.

Elegante projecto da ponte Lisboa Cacilhas,
propaganda republicana, década de 1910.
Imagem: O Mundo do Livro

Porém, em 1919, a empresa H. Burnay & C.ª, considerava que a travessia do Tejo deveria ser feita através de um túnel e não de uma ponte. Este túnel teria 4500 m de extensão e ligaria a capital a Almada entre Santa Apolónia e Cacilhas.

Vista do estuário do Tejo anterior à construção da ponte, c. 1960.
Imagem: ed. desc.

Dois anos mais tarde é feita nova sugestão para outra ponte mista, pelo Eng.º Alfonso Pena Boeuf, espanhol, a implantar entre a Rocha do Conde de Óbidos e Almada, com um comprimento total de 3 347 metros.

Curiosamente, esta proposta previa apenas um tabuleiro com via férrea dupla e quatro vias para circulação rodoviária. Em 1926, estando ainda de pé esta proposta, a empresa do Arq.º José Cortez - Cortez & Bruhns, apresentou, em esboço, a sugestão duma grande ponte suspensa de três vãos a lançar entre a parte alta da Rua do Patrocínio e as proximidades de Almada.

O Eng.º António Belo, em 1929, solicitou a concessão de uma linha férrea a construir entre o Beato e o Montijo, que incluía a respetiva ponte para a travessia.

Esta proposta mereceu, por parte do Ministro Duarte Pacheco, a atenção devida, tendo-se aberto para o efeito um concurso público em 1934, que não teve resultados concretos, visto que nenhuma das propostas correspondeu ao que o caderno de encargos estipulava sobre o regime de concessão.

Quatro anos mais tarde, retomada por um dos concorrentes - United States Steel Products - esta proposta também não obteve acordo, apesar da simplificação e redução de custo apresentadas.

Em 1942 foi nomeada uma comissão para o estudo das comunicações entre a zona oriental de Lisboa e o Sul do país, como consequência de diligências promovidas pelas Câmaras Municipais do Barreiro, Alcochete, Moita e Seixal para a melhoria das comunicações entre as sedes dos respetivos concelhos e Cacilhas.

Porém, com a decisão da construção da Ponte de Vila Franca de Xira, foram suspensos os trabalhos desta comissão. O Eng.º Pena Boeuf, em 1951, sugeriu uma nova travessia entre Almada e o Alto de Santa Catarina em Lisboa, propondo uma ponte suspensa.

Finalmente, para o estudo e resolução do problema das ligações rodoviária e ferroviária entre Lisboa e a margem Sul do Tejo, foi nomeada, por Portaria dos Ministérios das Obras Públicas e das Comunicações de junho de 1953, uma nova comissão que concluiu pela viabilidade técnica e financeira da travessia através de uma ponte ou de um túnel.

"Julgo meu dever, agora, se isso me é permitido, sem que a minha atitude pretenda ferir posições ou possíveis interesses criados, que na minha qualidade de Português, e nascido em Lisboa, e ainda como técnico, apresente também o meu parecer pessoal, fruto de muitos anos de análisee de estudos vários relacionados com as soluções das obras que mais uma vez se diz que vão empreender-se no estuário do Tejo.

Ponte sobre o Tejo, projecto de Cassiano Branco, 1958.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Não é, por certo, num simples artigo de jornal que poderei desenvolver amplamente problemas tão vastos e de tão grande complexidade técnica, no entanto vou tentar ser breve e claro nas considerações que se seguem.

Perspectiva da ponte sobre o Tejo vista do lado de Lisboa, Cassiano Branco, 1958.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Direi, pois, que ao projectar-se uma ponte que ligue as duas margens do Tejo, Lisboa - Almada, o problema impõe em primeiro lugar a escolha do sítio exacto do témino da directriz do seu tabuleiro Norte.

Perspectiva da ponte sobre o Tejo vista do lado de Almada, Cassiano Branco, 1958.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Este é o principal ponto nevrálgico [...]"

Cassiano Branco in "A ponte sobre o Tejo será a maior do Mundo", Diário de Lisboa 23 de março de 1958

O Governo optou pela construção de uma ponte e pelo Decreto-Lei n.º 42 238, autorizou o Ministério das Obras Públicas a abrir concurso para a sua construção.

Ponte sobre o Tejo, ilustração de Carlos Ribeiro, Revista Eva, dezembro de 1960.
Imagem: Dias que Voam 

Em Dezembro de 1960, foi criado, na dependência do Ministro das Obras Públicas, para a condução deste empreendimento, o Gabinete da Ponte sobre o Tejo, dirigido pelo Eng.º José Estevam Abranches Couceiro do Canto Moniz, na altura director dos Serviços de Conservação da Junta Autónoma de Estradas.

A viga mais comprida do mundo, edição do Ministério das Obras Públicas.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Em Março de 1960 abriu-se concurso internacional para a execução da obra, tendo esta sido adjudicada à United States Steel Export Company em maio de 1962.

A ponte sem tabuleiro, c. 1965.
Imagem: Estação Chronográphica

Compreendia a construção da ponte sobre o rio, a realização de um complexo rodoviário que incluía 15 km de autoestrada, trinta e duas estruturas de betão armado e pré-esforçado, o Viaduto Norte sobre Alcântara (com 945,11 m de extensão e catorze vãos, cujo tabuleiro de betão pré-esforçado é apoiado em pilares gémeos de betão armado, ligados por uma travessa horizontal a 10 metros do topo, destinada a suportar o tabuleiro ferroviário), um túnel sob a Praça da Portagem (com cerca de 600 metros de comprimento e destinado a receber a plataforma ferroviária do eixo de ligação da rede a Norte com a rede a Sul do rio Tejo), a sinalização e iluminação de toda a obra. (1)

Viagens escolares a Portugal.
Imagem: Herolé Reisen


(1) Estradas de Portugal

N. do E.: algumas imagens apresentadas são meramente ilustrativas ou conceptuais e não representam a vista real do empreendimento.

Artigos relacionados:
Projecto de travessia do Tejo em 1889
Lisboa monumental em 1906


Leitura relacionada:
Restos de Colecção

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Lisboa vista do Pragal, na Outra-Banda

Aportando, na Outra-banda, á praia chamada forno do tijolo, por n'ella haver uma fabrica d'este producto, e ganhando o cume da montanha que a domina quasi perpendicularmente, acha-se o viajante n'um logar, conhecido pelo nome de Pragal, d'onde descobre o mais rico e variado panorama.

Lisboa, Vista panorâmica desde Pragal de Cima, ed. Passaporte, 123.
Imagem: Delcampe

Não falta que ver e admirar d'ahi.

Obras da natureza e dos homens, isto é, paizagens amenas e agrestes , serras, planícies, mar, vasto ceo, cidade e monumentos historicos; tudo em larga cópia se lhe desenrola aos olhos maravilhados.

Lissabon, vista tomada de Palença, 1830
Imagem: Mundo do Livro, (Mundo do Livro no Facebook)

Pela esquerda, a barra e o Oceano perdendo-se no infinito dos ecos; á direita, Seixal, Barreiro, e Alcochete, transpirando vagarmente por entre os vapores de longínquos horisontes; a seus pés, a vastidão do Tejo, de cuja superficie, banhada pelos raios de um sol sem rival, parece sair e mover-se luz; na frente, surgindo da aguas prateadas do tranquillo rio, a vistosa, a pittoresca, a invejada Lisboa;

Vista da parte ocidental de Lisboa, Alexandre Jean Noel, início da década de 1790
Imagem: FRESS

ao lado d'esta, desdobrando-se até á barra, uma cumiada de montanhas, onde, por entre o matiz dos campos, se ve o colossal palacio d'Ajuda,

Vista do Tejo e do palácio da Ajuda, Charles Landseer, 1825.
Imagem: Instituto Moreira Salles

o famoso templo dos Jeronimos e a elegante torre de Belem, fallando-nos de riquezas e glorias passadas; para além de tudo , e tudo dominando, a magestosa Cintra, erguendo-se sobre as nuvens, indecisa e vaporosa, como para nos accelerar a cobiça d 'irmos de perto contemplar a maravilha do seu aspecto.

Lisboa, Vista panorâmica de Belém desde Pragal, ed. Passaporte, 124.

Eis a fecunda perspectiva, que do Pragal a vista abraça, e de que a gravura representa uma parte, Lisboa.

Lisboa vista do Pragal, na Outra-Banda, gravura, Nogueira da Silva, 1858.
Imagem: Hemeroteca Digital

Quando o leitor estiver triste aconselhàmol-o a que vá para o Pragal, e se sente no mesmo logar d'onde tirámos o desenho, e cremos que, ao desafogar os olhos e espraiar os sentidos por tão vasto e ma rico panorama, o coração se lhe alliviará. (1)

A ponte sem tabuleiro, c. 1965.
Imagem: Estação Chronográphica


(1) Silva, Nogueira da, Archivo Pittoresco, 2.° Anno, Julho, 1858, págs 4 - 5.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Bens em Caramujo e Pragal

Na tentativa de identificar e fazer corresponder aos personagens do romance histórico, O Caramujo, de António Avelino Amaro da Silva, pessoas do tempo da acção do mesmo, vim a encontrar no blogue abaixo mencionado alguns exertos que transcrevo:

Vista de Cacilhas e de S. Julião, Charles Landseer, 1825.
Imagem: Instituto Moreira Salles

Em 18 de Junho de 1790 [António Pereira Rangel (1749 - 1820)] fez um contrato de Emprazamento em três vidas, de um Prazo sito no local do Caramujo, na actual Cova da Piedade, pelo qual pagava anualmente "… de uma só vez em dias de natal…" a renda de 32.453 réis.

Em 27 de Janeiro de 1800, sendo referido ser homem de negócios, e morar no lugar do Caramujo, comprou um prazo composto por "… uma vinha com seu bocado de terra e uma terra de semear pão…" sito no lugar do Pragal, pela quantia de 200$000 réis.

A topographical chart of the entrance of the river Tagus (detalhe), W. Chapman, 1806.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Em 9 de Janeiro de 1801 comprou "… uma vinha com seu bocado de terra que tem suas oliveiras, sita defronte da quinta chamada Olho de Vidro…", pela quantia de 600$000 réis.

Almada, Largo do Pragal, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe

Em 27 de Janeiro de 1801 comprou "… humas terras com suas Cazas térreas e hum moinho de vento arruinado no dito logar do Pragal…", pela quantia de 600$000 réis.

Em 16 de Junho de 1801 comprou "… huma terra no citio do Juncal distrito do lugar do Pragal…", pela quantia de 100$000 réis.

Almada, Pragal, Vista Parcial, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe

Atente-se agora ao que era a paisagem rural e urbana de Almada no século XIX:

"… desde a Idade Média diversas culturas eram característica da paisagem rural, cereais, pinheiro, vinha, figueira... no litoral, as praias e os pequenos portos de pesca artesanal e intermediários na saída de produtos da região.

É sobretudo a via fluvial do Tejo (e afluentes) que se reveste de grande importância, pois por ela iriam ter a Lisboa diversos produtos, de princípio excedentes da produção local, depois até oriundos do Alentejo, Beira e parte da Estremadura, destinados à alimentação e exportação em função do grande mercado de Lisboa.

A View taken from LISBON of the Point of Cassilhas, the English Hospital, & the Convent of Almada * : On the opposite side of the Tagus _ the original drawing by Noel in the possession of Gerard de Visme Esq.r / Drawn by Noel ; Engraved by Wells.
* (n. do e.) Embaixo à esquerda, uma saloia em traje típico, vasquinha de lã e carapuço pontiagudo, numa embarcação de transporte fluvial.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal



No interior, lugarejos ou povoações, casais isolados e quintas senhoriais, courelas e azinhagas. A área rural era mais importante do que a urbana... a Mutela não passava de um pequeno grupo de casas;

Fountain at village outside Lisbon (Mutela?), 1906.
Imagem: Ecomuseu Municipal do Seixal

o Caramujo, uma restinga de areia; o lugarejo da Piedade algumas quantas casas junto à Igreja... A par do desenvolvimento do comércio de vinho com o Brasil e África assiste-se a uma notável azáfama de tanoeiros. Mas os armazéns de vinhos, vinagres e azeites mantinham-se ligados ao comércio e actividades agrícolas da região..."

Tanoaria Francisco da Cerca, corredor do Ginjal, 1900.
Imagem:   Correia, Romeu, O Tritão, Lisboa, Editorial Notícias, 1982, 174 págs.

[...] D. Luiza do Nascimento [esposa de António Pereira Rangel, em 1812,], vendeu pela quantia de 1.600$000 uma vinha e terra com árvores de fruta, com todos os seus pertences, entradas, saídas, serventias e logradouros, situada no sítio da Carvoeira, no limite da Vila de Almada.
Em 30 de Junho de 1654, o Padre António Soares de Albergaria vende a sua quinta da Alagoa, junto a Almada, a João Bornete (comerciante, morador na cidade de Lisboa), a qual constava então de:

"suas casas, e posso de água com sua nora, e mais com vinhas na dita quinta e outras fora da dita quinta, a saber a vinha do Regil e outra sita na Carvoeira, e outra que chamão as Figueiras e outra quando vai para Quebra Joelho".

A venda foi feita com licença dos Priores das Igrejas de Almada em Cabido dada em 8.7.1654, pois a quinta era em parte foreira às referidas Igrejas (Cfr. DGARQ-ADS, Cota 420: Livro do Tombo das Igrejas de Santa Maria do Castelo e São Tiago de Almada, f. 5V).(1)

in História de Almada

Romeira, Lavadeiras no Rio das Rãs, início do século XX
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade

"João de Almeida, cirurgião aprovado neste Reino e seus domínios, residente nesta Villa de Almada = Certifico que no lugar do Caramujo limite desta villa he morador o Sr. António Pereira Rangel, cavalleiro profeço na Ordem de Cristo o qual padece a muitos annos molestia de gota e presentemente se acha com dores excessivas nos ortos inferiores e para poder dar alguns paços lhe he preciso andar emcostado a hum pao, assim o considero incapaz de poder sahir da estremidade da sua casa e por ser verdade todo o referido e esta me ser pedida o passei que juro aos Santos Evangelhos.
Caramujo, 26 de Agosto de 1813"

[...] aos 22 dias do mês de Fevereiro de 1820 [António Pereira Rangel] faleceu na sua casa no Caramujo. (1)


(1) Família Escócia Sandoval

Artigo relacionado:
O Caramujo, romance histórico