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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Valderozal

Em o Collegio de S. Antam da cidade de Lisboa, hua quinta, ou pera melhor dizer, huma grande vinha, chamada Valderozal [Vale do Rosal], que está na banda dálem, no termo de Almada, limite de Caparica, na freguesia de nossa Senhora do Monte, distante do porto de Cafsilhas, quasi huma boa legoa:

Quinta do Vale do Rosal, 1911 in Ilustração Portuguesa, n° 263 II série.
Imagem: Hemeroteca Digital

fica esta quinta no meyo de huma grande, & estendida charneca; he o lugar todo á roda muy tosco, seco, & esteril, cheyo de sylvados incultos, côtinuado de matos maninhos & de areaes escalvados, escondido em valles, cercados de brenhas , cubertos de pinheiraes bravios, de zimbros, de tojos, & de outros frutices sylvestres:

Carta chorographica dos terrenos em volta de Lisboa (detalhe), 1814.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

he o sitio mais accommodado pera caças de monteria, que pera morada de gente culta, & por isso muy frequentado de corças, & veados, infestado de lobos, & de outros semelhantes animaes monteses.

Mas he por outra parte este deserto muy accommodado pera hum sancto retiro os homens, & contemplações com Deos; porque he muy solitario tem estradas, & caminhos muy livres, tem sahidas muy alegres, & entre ellas a principal he a que leva ao mar (que dista da quinta, pela parte do Poente, cousa de meya legoa) pera o qual se déce por humas quebradas entre algumas barrocas, que o tempo, & a corrente das agoas tem abertas.

O caminho do Cruzeiro, Quinta de Vale de Rosal.
Imagem: Histórias da História de Charneca de Caparica no Facebook

Do alto d'estas quebradas se sobe pera algumas assomadas, que tem vistas muy appraziveis, muy largas, & muy fermosas porque se descobre todo este grande valle, que começa quasi ao pé da montanha de Palmela, & se vay estendendo ate Nossa Senhora do Cabo, & dahi volta pera Caparica, & vem a fazer em roda cousa de doze, ou treze legoas;

N. S.ra DO CABO
Virgem Maria defendei dos perigos aos que na
vegaó sobre Augoas do Mar

alem dis­to se descobre daly muita parte da cidade de Lisboa, & se vem montes muy fermosos, como he o de S. Luis, & a serra da Arrábida, que ficam pera a parte do Sueste, & tambem se alcança pera o Noroeste a famosa serra de Sintra; & tem outras villas de longes muy saudosos.

Vems­e tambem huas grandes serranias de arèa, que aly chamam os Medos & vam quasi continuando até huma grande alagoa, chamada Albofeyra, de muita pescari­a, que está como trés legoas da quinta, pera a parte do Sul, caminho de Nossa Senhora do Cabo.

Escarpements formés par le Miocène et Pliocène entre Costa de Caparica et Adissa [Adiça], cliché P Choffat, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

Destas assomadas se descobrem muy largamente as muy estendidas campinas do Oceano Atlantico,que aly vem tributar suas immensas agoas naquella fermosa praya, que se vay estendendo por espaço de seis legoas da ponta da Trafaria, junto a Caparica, até o Cabo de Espichel, a que os antiguos chamaram "caput Barbaricum":

Linha de costa da Torre do Bugio ao Cabo Espichel (fotomontagem).
Observam-se as elevações moinhos do Chibata, Monte Córdova (Serra de S. Luís) e Serra da Arrábida, conforme descrito no Plano hydrographico da barra do porto de Lisboa, Francisco Maria Pereira da Silva, 1857.
Imagem: AVM

& como toda aquella paragem he costa brava, o continuo bater que nella faz o rolo do mar, o quebrar das ondas encapelladas naquellas aréas s­olitarias, a largueza daquellas prayas, a solidão de todo aquelle si­tio, causa por huma parte grandes lembranças, & saudades da gloria aos contemplativos, por outra parte o continuo crecer, & baixar das marés, o rolo do mar, a resaca das ondas, a vista de muy fermosos orizentes, a largueza daquellas immensas agoas, dá grande occasiam pera discorrer na immensidade do creador, & dizer com o Propheta, Mirabiles elationes maris, mirabilis in altis Dominus [Maravilhosas são as ondas do mar; maravilhoso é o Senhor nas alturas, Salmo 92, 4].

Pera este sitio de Valderozal se veyo recolher o Padre Ignacio de Azevedo com aquelle seu esquadram de gente apostada ao martyrio:

Quarenta Mártires do Brasil, no Museu Diocesano de Arte Sacra da Catedral de Las Palmas.
Imagem: Wikipédia

há na quinta algumas casas, humas mais antigas, que já nella havia, quando os Padres a compraram, que foy no anno de 1559. outras que elles fizeram de novo, a saber, hum dormitorio com doze cellas, pera os Religiosos, huma capella muy bem traçada, muy airosa, & capás, por sy, & por suas tribunas (a qual ajudou a fazer Martim Gonçalves da Camara, escrivam da Puridade delRey Dom Sebastiam, por causa do muito que seu irmam o Padre Luis Gonçalves gostava deste sitio, como adiante veremos) (1)


(1) Telles, Balthazar, Chronica da Companhia de Iesu, na provincia de Portugal, Lisboa, Paulo Craesbeeck, 1647

Informação relacionada:
Quinta do Vale do Rosal

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Do Vale da Enxurrada à Foz do Rego

Das recentes dissertações que nos referem (2 de 2)

A área de estudo é limitada a norte pela linha de costa da frente ribeirinha, a este pela Vala da Enxurrada que desagua no Rio Tejo e que limita assim a área de intervenção na vila da Trafaria, bem como é limitada pela área de intervenção específica da faixa de proteção à Arriba Fóssil da Costa de Caparica (faixa de 70 metros para o interior a contar da crista da arriba, segundo a Resolução do Concelho de Ministros nº178/2008, 24 de Novembro), a sul é limitada igualmente por uma linha de água, a Ribeira da Foz do Rego e a oeste é limitada pela linha de costa na frente oceânica.

Trafaria, Valle da Enxurrada, ed. J. Quirino Rocha, 3, década de 1900.
Imagem: Delcampe

A Arriba Fóssil da Costa de Caparica foi classificada como área protegida segundo o Decreto-Lei nº 168/84, de 22 de Maio, pelo seu excecional valor paisagístico, geológico e geomorfológico.

Costa da Caparica, vista da Quinta de Santo António e da Mata Florestal, tomada do Alto do Robalo, década de 1930.
Imagem: ed. desc.

Para além de diversos estratos de camadas subhorizontais de rochas sedimentares, de conteúdo fossilífero e de origem flúvio-marinha, a área da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica é igualmente uma reserva botânica de elevado interesse, a Mata Nacional dos Medos, classificada segundo o Decreto-Lei nº 444/71, de 23 de Outubro.

Escarpements formés par le Miocène et Pliocène entre Costa de Caparica et Adissa [Adiça], cliché P Choffat, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

A paisagem protegida que compreende parte da arriba fóssil estende-se por 13 km na plataforma litoral, desde a Costa de Caparica à Lagoa de Albufeira e tem uma superfície aproximada de 1599 hectares. (1)



(1) Oliveira, Marta N. S. C., Evolução Natural e Antrópica Trafaria - Cova do Vapor - Costa de Caparica, Lisboa, UL, 2015

Temas:
Costa da Caparica
Trafaria

Informação relacionada:
Almada, entre o Rio e o Mar
Vídeo: cmalmada

Almada - Banhada por um Mar de histórias
Vídeo: cmalmada

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O pequeno operário

In Memoriam: Jaime Ferreira Dias (1903 - 1932)

O meu coração está cheio de sepulturas. Entre as que me despertam maiores saüdades está a do nosso querido Jaime Ferreira Dias. Nunca conheci quem o excedesse em bondade, simplicidade, em candura. E rarissimos serão os que poderemos comparar com êle na gentileza da vida tão limpida e, ao mesmo tempo, tão infortunada. Militante dos ideais socialistas, Jaime Ferreira Dias foi um socialista que se impunha ao respeito de todos pela sua coerência, pela sua probidade, pelo seu sincero idelismo, foi, numa palavra, um socialista digno desse nome. Proferindo estas palavras de inteira justiça, perpassam-me pelo espírito algumas cartas que dele guardo e em que a grandeza da sua alma se reflectia como num puro cristal. (1)

Jaime Ferreira Dias entre os seus: D.a Helena Reis Ferreira Dias e as filhas Maria Otília e Maria Gabriela.
Imagem: Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada

Gente desapossada da terra, onde trabalharam pais e avós (que eram poucos por estes sitios) e ainda homens, mulheres e crianças de campos longinquos, como Charneca, Sobreda e até Fernão Ferro. que todas as madrugadas iniciavam uma marcha forçada e caminho da fábrica, distanciada uma légua, e, quantas vezes, duas e até três. No regresso (havia ainda o regresso, com o corpo já moido de fadiga), outro tanto seria palmilhado, o que perfazia, por vezes, dez, vinte e trinta quilómetros diários para obter o aluguer da força de trabalho.

Ao recordarmos Jaime Ferreira Dias, a criança que nunca foi menino, o pequeno operário arrancado à paisagem rústica, mas a quem um golpe de adversidade, em contrapartida, dá a possibilidade de se cultivar, melhor compreendemos e sentimos quanto o peso da ignorância paralisa ou ergue barreiras a tantos dos seus antigos irmãos de classe. Mas tentamos esboçar a sua figura, uma das mais limpidas, generosas e fraternas de quantas viveram na margem esquerda do Tejo.

Nasceu na Charneca de Caparica a 26 de Maio de 1903. Filho do operário corticeiro Alfredo Ferreira Dias, ainda garoto empregou-se na fábrica onde seu pai trabalhava, no Caramujo, da firma Henry Bucknall & Sons, Ltd. Caminhava todas as manhãs muitos quilómetros para ser pontual no iocal do trabalho. Ele e o pai, munidos do saco com o almoço, faziam aquela jornada de manhã e à tarde. Em épocas de invernia tornava-se um inferno aquela caminhada de dois pobres e solitários trabalhadores.

Aos doze anos, devido a ter sido atingido por uma das máquinas daquela fábrica, viu-se privado do braço direito. Regressado do Hospital ao Caramujo, o então gerente da casa Bucknall, Sr. David Ferguson [sic, David Fergusson (?-1930)], resolveu manda-lo educar, pagando do seu bolso o preço dos estudos.

Cedo as faculdades de inteligência de Jaime Ferreira Dias começaram a demonstrar tendência para as lutas de emancipação da classe operária. Ingressando por esse tempo nas fileiras do Partido Socialista Português [partido fundado em 1875 e suprimido em 1933, realizou ainda uma conferência em 1933], o seu dinamismo tornou-se notado, conquistando a estima e a admiração dos dirigentes deste partido, entre os quais se contavam o advogado e dramaturgo Ramada Curto e o jornalista e escritor Bourbon e Meneses. É surpreendente a actividade literária do nosso blcgrafado: contos, poesias, crónicas, artigos doutrinários, polémicas, traduções, criticas literárias e teatrais, textos ao sabor do quotidiano. A defesa das crianças, dos humilhados e ofendidos, dos "escravos da gleba" —esta uma frase tantas vezes repetida por Jaime Ferreira Dias! — inundou a Imprensa nos poucos anos que lhe restavam para viver [...]

Faleceu no Hospital de S. Marta, a 14 de Novembro de 1932, apenas com 29 anos de idade. Deixou mulher, D. Helena Reis Dias, e duas filhinhas de tenra idade. O seu corpo veio para Almada, seguido por densa multidão. Gente de todas as tendências e classes quisera prestar assim a última homenagem a Jaime Ferreira Dias. A banda da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense esperou o corpo, em Cacilhas, para o acompanhar ao cemitério de S. Paulo.

À beira do coval falaram Bourbon e Meneses, Ramada Curto, José Augusto Machado, que representava os inválidos do Comércio, e José Alaiz. Foram lidas duas mensagens: uma de D. Francisco de Melo e Noronha e outra do Clube Columbófilo "Os Voadores" [...]

Jaime Ferreira Dias escreveu entre outros opúsculos: Os Escravos da Gleba, Duas Uniões Vitoriosas, sendo este uma peça teatral em 1 acto.

Teatro, Duas Uniões Victoriosas, Jaime Ferreira Dias, 1931.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade

Traduziu, e Bourbon e Meneses prefaciou, o livro de Paul Lafarge Porque crê em Deus a Burguesia.

Amante do movimento associativo almadense, era sócio honorário do União Piedade Futebol Clube e do Clube Columbófilo "Os Voadores".

Jaime Ferreira Dias foi uma personalidade com destaque na vida cultural e associativa de Almada.
Foi sócio e dirigente da Sociedade Filarmómica União Artística Piedense e da Cooperativa Piedense.
Foi igualmente sócio honorário do União Piedade Futebol Clube e do Clube Columbófilo “Os Voadores”.
Foi ainda um dos fundadores da Associação de Classe dos Empregados no Comércio e Indústria de Almada (1931) [...]

A sua actividade literária distribui-se pelo conto, poesia, crónica, artigos doutrinários, polémicas, traduções, críticas literárias e teatrais.
Publicou os folhetos de crítica social Escravos da Gleba, [1928] (existente na Biblioteca/Arquivo de História Social, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - PT/AHS/PQ1170-B0140) e A Mulher: escrava do lar e das convenções sociais, Lisboa, Biblioteca de Educação Social, 1929, 24 p. (existente no Centro de Informação & Documentação da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e no Arquivo Histórico Social).

Publicou a peça de teatro Duas Uniões Victoriosas, peça em 1 acto que foi representada pela primeira vez, no teatro Garrett, na Cova da Piedade, a 24 de Maio de 1931.

Cova da Piedade, Cine-Teatro da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial


in Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA (disponível ocasionalmente)

Segue uma longa lista (pelo punho do próprio) da sua colaboracão na Imprensa:

Em O TRABALHO
001.° A Ideia em Marcha
002.° Lei que se deturpa
003.° Os descrentes
004.° À Mocidadez (O campo — soneto)
005.° A Luta de Classes
006.° Aos Escravos da Gleba
007.° Processos de Luta
008.° Os sem Trabalho
009.° A Humanidade deles
010.° lniquidades Sociais (Soneto)
011.° À Mocidade de Almada
012.° Colaboracionismo
013.° A Coerencia da História
014.° O Natal
015.° A Todos Os Escravos (Um soneto)
016.° A Expressão dum Fracasso
017.° A Actividade Socialista (Uma página)
018.° A Uma Tese
019.° O Problema Emancipador
020.° Ex-Homens
021.° Emigrantes
022.° A Educação Operária
023.° Um Grande Vulto de Socialista Antero de Quental
024.° Gruta de Trogloditas
025.° A XI Conferencia lntemacional do Trabalho
026.° Os sem trabalho
027.° A Fome
028.° Bodos
029.° A Linha Comungante (Novela)
030.° A Crise

58 colunas de prosa em O TRABALHO

Em O VEGETARIANO - 1927
015.° O Alvorecer (Soneto)
016.° A Angústia de Mãe (Soneto)
017.° Contradiçóes Absurdas (com gravura)
019.° ldílio-versos, com gravura
020.° A Inocência (Soneto)
022.° Sonho e flores (Soneto)
023.° A vida do campo e a febre do êxodo
024.° Vozes da Natureza (Soneto)

Em O VEGETARIANO - 1928
025.° Ao cair da tard - (Soneto)
026.° Na Relva - (Soneto)
027.° O Sobreiro
028.° Um filho (Soneto)
029.° Resposta a D. Francisco de Melo e Noronha
030.° lnvernando

Em O ECO-TELEGRAFO POSTAL
001.° Processos de Luta transcripção d'O TRABALHO
002.° A Humanidade burguesa
003.° Bendita a Rebeldia - Soneto
004.° Os Escravos da Gleba - Soneto
005.° Carteiro da Aldeia - Novela
006.° Pai? — ... Incógnito - Novela

Em A VOZ DE ALMADA
001.° As Contradicões da Igreja

Em O LIBERTADOR
001.° Ao sr. Ministro do Trabalho

Em A MOCIDADE
001.° Vária colaboração

Em A ACADEMIA jornal comemorativo do 32.° aniv.
001.° Saudações - Soneto

Em A NOVA ARCÁDIA
001.° A Inocência - Soneto

Em O CONTRUCTOR CIVIL - Porto
001.° Bom Caminho» (Mais artigos que se perderam com os jornais).

Em A VOZ DO OPERÁRIO - V. N. de Gaia
001.° A Voz do Operário

Em O VEGETARIANO - 1926
001.° Encantos da Natureza - Costa de Caparica
002.° Maio - Soneto
003.° Espectáculos Deshumanos
004.° A tua imagem - Poesia
005.° Caramujo
006.° A Cidade Massiça e a Cidade ideal (c/grav.)
007.° Lavadeiras- - Soneto
008.° A Pena de Morte
009.° Bendita a Rebeldia - Soneto
010.° As vindimas (com gravura)
011.° Os Escravos da Gleba - Soneto
012.° Os Estupificantes (c/ estudo em gesso, grav.)
013.° A Miséria - Soneto

Em a REPÚBLICA SOCIAL - 1927
267.° A Todos os Escravos
267.° Coisas do Momento» - Soneto 269.° O perigo da Indiferença
277.° Caricatural esboço duma grande cidade
277.° A Infância - Quadras
279.° O Problema Sexual na Sociedade Futura
280.° A Magia dos Soneto
280.° A Era Nova - Soneto
281.° Em Almada - O Apego à Tradição
282.° Do Apego a Tradição a Injúria Soez
282.° O Malhador - Soneto
283.° A Inocência - Soneto
284.° Eclipses
292.° Marcelino - O Pastor N.os 292/298
293.° A Minha Crença - Soneto
294.° Contrastes Desprimorosos
296.° Liberto, enfim - Soneto
300.° Necrópole Insurrecta
305.° Esboço Novelesco, Thomaz, o sacristão

Em a REPÚBLICA SOClAL - 1928
309.° Emigração
310.° A Glorlficação do Trabalhador
311.° A Esquadra lngleza no Te]o
313.° Tema de todos os dias - O LAR
317.° Nós e a Protecção Operária
320.° Trabalhadores, filiai-vos no P.S.P.
324.° Uma data, um anseio. uma esperança
326.° Compromissos...
329.° Um grito de dor
333.° Acidentes de Trabalho (2 N.os
340.° Sangue na guerla e lucidez de espírito
341.° Sejamos Mulheres - pseud. M. Rosa da Luz
346.° A Mocidade e o Socialismo
354.° A Miséria e a Doença

Em O PROTESTO - 1927
227.° Os interesses dos que trabalham
233.° A Opolência dos mortos e a miséria dos vivos; Na Relva - Soneto
234.° Preito dos Novos
235.° Vozes da Natureza - Soneto
236.° Indiferença, analfabetismo — eis o caos social 1 1/2 ››
236.° 1.° de Maio — Em Almada
237.° Alerta Mocidade
237.° Interpretação cooperativista
238.° Lei que se deturpa
240.° Em Almada — O apego a Tradição
240.° A Miséria-Soneto
241.° Desmoronamento - Soneto (Mais colaboração)
243.° Lei que se deturpa
244.° Lei que se deturpa (continuação)
247.° A Margem da Vida - Soneto
252.° O que se passa pela Itália
255.° Saibam quantos
258.° A Escravatura Moderna

Em O PROTESTO - 1928 (continuação)
275.° A Ansia do Fim
280.° Discurso (Morte de A. Dias da Silva)
281.° Os Vencidos

283.° Nem um catre no hospital
283.° Bendita a Rebeldia - Soneto
285.° As épocas e as doutrinas
290.° O Curro e a Religião
291.° No Regime dos Senhorios
291.° A Terra, o Campo, a Riqueza (com m/foto)
292.° No Regime do Salariato
293.° A Higiene
307.° Almas do outro Mundo
309.° O Estado e a Assistencia Social (Mutilado)
310.° Emigrantes — critica a Ferreira de Castro

Em O ALMANDENSE
001.° Regionalismo
002.° Uma Ponte Levadiça
003.° Municipalismo
004.° Instrução, Problema Municipalista
005.° A Margem Sul do Tejo
006.° O Flagelo da época
007.° A Margem da Morte
008.° Realismo e Democracia
009.° O Ladir dos Críticos e o Riso dos Asnos
010.° Contrastes Oportunos /
011.° A Assistência
011.° Bocage
014.° A Dor Humana
015.° Mosaicos
016.° Um Pesadelo
017.° Oratória
017.° Almas do outro Mundo
017.° Contrastes Oportunos (Resposta)
019.° Concepções ideológicas
019.° Bosquejos locais
020.° A Evolução Mecânica e a Trans. Social
021.° Cosmopolitismo ou quê?
021.° Farrapos
022.° Martirológio
023.° A Luz do Alfabeto
024.° Fraticidas
025.° Urbanismo Almandense
026.° Quadros
027.° Terra de Ninguém - Novela de Cost. Regionais
028.° Traumatismo Social
028.° Crianças
029.° Duque de Vizeu (critica teatral)
031.° A Odisseia dos Marítimos
032.° Atrraz duma Quimera
033.° O Culto da Indiferença
034.° A Escola e a Crianca

[...] Três semanas após a abertura desta escola [escola primária na antiga Cardosa do Caramujo, actual rua Tenente Valadim], as aulas tinham uma frequência de 110 alunos, lecionados pelo saudoso professor José Martins Simões. Esta obra realizou-a o esforço de alguns ardorosos sócios. A escola possuiu um estandarte próprio, que era o enlevo da garotada, e um grande benemérito desta terra, que foi António José Gomes, de tal modo perƒilhou esta obra, que vestiu mais uma centena de alunos, dando-lhes um fardamento.

Os filhos da Piedade, que hoje são homens, devem a esta escola a instrução que disfrutam! António José Gomes patrocinou a escola que aquele punhado de homens criou, e sendo exígua já a capacidade das salas da Sociedade para a regular frequência escolar, edificou aquele benemérito a escola situada na Avenida que tem o seu nome e que é a melhor de todo o concelho!

António José Gomes, década de 1890.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

Este estabelecimento de ensino, foi. pois inspirado pela iniciativa que teve o seu campo de ensaio — e que profícuo ensaio! — na Sociedade Filarmónica União Artística Piedense.


in Dias, Jaime Ferreira, citado em Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.

036.° Cooperativismo
038.° Economia Nacional — A Ind. Cort. e a Exportação da Cortiça em Bruto
039.° Crónica da Primavera 2
039.° Abril - Soneto
040.° Amor e a Sociedade


Jaime Ferreira Dias colaborou ainda por varias vezes no El Socialista, de Madrid. (2)


(1) Bourbon e Menezes citado em Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.
(2) Op. Cit.

Leitura relacionada:
Flores
, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade 

sexta-feira, 13 de março de 2015

A visita do sr. ministro

No forte de Caxias estão presas 93 pessoas, e presos estão também o Afonso Costa, o João Pinto dos Santos, o Ribeira Brava, etc. A policia desandou então a prender a tôrto e a direito. O José de Figueiredo que mora no Campo de Sant'Anna, por cima da esquadra, ouviu isto: Ao telefone, o chefe da esquadra para o governo civil: — Já prendemos quatro. — Prendam mais. — Era preso quem passava na rua [...], 30 de janeiro de 1908

Na travessia do Tejo, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

— Na noite do regicidio fui ao Paço, com o Campos Henriques. O Julio de Vilhena, a quem procurei em casa, não foi porque lhe faltava um botão na braguilha. Assisti a tudo: tiraram o rei e o principe de dentro do carro.

O rei de Portugal e o príncipe herdeiro morrem assasinados em 1 de fevereiro de 1808 (detalhe),
Le Petit Journal, 16 de Fevereiro.

O rei estava disforme. A rainha, se tinha dito alguma coisa desagradavel ao João Franco no Arsenal, no Paço não lhe disse palavra. A Maria Pia perguntava de quando em quando: — A morte do rei será muito sentida? — Estava tudo preparado para uma revolução. O Afonso Costa não deu o signal porque esperava a morte do Franco.

O desembarque em Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Pormenor absolutamente authentico: o João Franco ainda se ofereceu para governador civil de Lisboa [...], 3 de fevereiro de 1908

O desembarque em Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Dias mais tarde havia sujeitos que se chegavam á beira das pessoas que deitavam luto e perguntavam-lhe com ar de troça: — Então morreu-lhe alguem da familia?...

O desembarque em Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O Correia d'Oliveira: — Se visse!... Quasi ninguem tirava o chapeu quando o enterro passou... A sombra do rei comeu, sumiu a do principe. Tem-se distribuido muitos papeis com estes dizeres: "Morte aos Sanguinarios Afonso Costa, Alpoim, Ribeira Brava, os Verdadeiros Assassinos DE EL-REI E DO PRINCIPE REAL". E outros, escriptos á machina, atribuindo o crime a este e áquelle [...], 11 de fevereiro de 1908 (1)

A multidão aguardando o ministro na villa de Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O sr. ministro da justiça no concelho de Almada

O sr ministro da justiça percorrendo a quinta, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O ministro da justiça visitou hoje a quinta do Rosal que pertenceu aos jesuítas e está hoje encorporada nos bens nacionaes.

As ruinas da casa da quinta e da capella incendiadas pelo povo nos dias da revolução, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O povo d'Almada fez uma grande manifestação ao sr. dr. Affonso Costa que se demorou a vêr a antiga propriedade da Companhia e que é excellente. (2)

O sr ministro da justiça contemplando as ruinas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital


(1) Brandão, Raul, Memórias, Vol. I, Porto, Renascença Portuguesa, 1919
(2) Illustração Portuguesa, n.° 263, 6 de março 1911

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Fonte da Telha

Era a fonte de alegria sã, de saúde do corpo e da alma...

A Fonte da Telha (Costa da Caparica, Praia do Sol), Cruz Louro, 1937.
Imagem: Cruz Louro

A Costa do Sol fem sete léguas de extensão. Desde a Cova do Vapor ou Ponta da Areia onde pode ter comêço a sua exploração como praia, segue, entre o mar e pinhais, até à povoação actual.

A dois passos de Lisboa, êsse estranho, novo e intenso tom doirado das florestas de acácias, constituem um incentivo de digressão interessante: não é menos empolgante do que as amendoeiras em flôr.

As acácias em flõr formam um mar doirado ao lado do outro mar...

Daí para o sul, é uma cadeia de pontos pitorescos onde podem estabelecer-se novos núcleos de população ou onde quem queira pode isolar-se em maravilhosos recortes de paisagem.

Descida do Robalo, Foz do Rêgo, Descida dos Carrascalhinhos, Descida das Vacas. etc.. etc.. etc.. até ao paraíso — a Fonte da Telha — sem dúvida a praia ideal. o melhor que pode haver, — porque não pode haver melhor em parte alguma do mundo...

Fonte da Telha, Carta dos Arredores de Lisboa — 75 (detalhe), Corpo do Estado Maior, 1903.
Imagem: IGeoE

Dai para o sul, ainda poderia continuar a peregrinação: Blunete, Mina do Ouro, Balcões, a Malha Negra, Olhos de Água, a Lagôa...

Mas a Fonte da Telha é o paraiso. Na rocha, a 200 metros de altura, pinhal cerrado, secular, a tôda a extensão norte e sul; a rocha descai em declive suave a conduzir à praia, ali, pertinho a 100 ou 150 metros de distância.

Águas medicinais, férreas, bicarbonatadas e doutras mineralizações. Riqueza de peixe.

Fonte da Telha, Dois barcos, História pela imagem dos barcos na Costa de Caparica, Cruz Louro, 1971.
Imagem: Cruz Louro

Umas dezenas de barracas de pescadores subindo o declive.

A Fonfe da Telha é alguma coisa de extraordinàriamenie belo e salutar. Vive-se ali entre o mar e os pinheiros. São unânimes todas as opiniões: não há, não pode haver melhor.

Fonte da Telha, 2006.
Imagem: wikimapia

Estará, relativamenie a transportes e a comodidades, semelhante ao que a Praia do Sol era há uma dúzia de anos.

Quando a Praia do Sol fôr como Espinho, a Fonte da Telha será como a Granja. 

Entretanto, quem apreciava a rusticidade primiliva da Costa e lamenta agora a invasão do progresso, da concorrência tumultuária, tem ali e terá ainda durante muitos anos, vastissimo campo de isolamento.

Centro Turístico Internacional da Costa, separata do Jornal de Almada, 1968.
Imagem: Sesimbra identidade e memória

Ali, sim. Param as coisas da terra — é o paraíso. (1)


(1) Praia do Sol (Caparica): estância balnear de cura, repouso e turismo, Monografia de propaganda do Guia de Portugal Artístico, 1934, M. Costa Ramalho, Lisboa.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Uma elegante caçada ás raposas, em 1916

A équipe Saint-Hubert, organizada por senhoras e cavalheiros da primeira sociedade de Lisboa, que levaram o seu entusiasmo pelas caçadas até ao ponto de mandarem vir de Inglaterra um pratico para dirigir as suas diversões com todo o aparato que requerem, realisou mais uma das suas batidas, para o que escolheram os extensos pinheiraes proximos da Charneca de Caparica. (1)


(1) Ilustração Portuguesa, n° 523 II série, Lisboa, Chaves, José Joubert, 1903 -.
Fonte: Hemeroteca Digital