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terça-feira, 6 de julho de 2021

Imaginário do 23 de julho de 1833 com lugares, tropas e uniformes

O combate do dia 23 de julho de 1833, todos os anos recordamos a história. O cortejo cívico dos veteranos das campanhas da liberade, que celebrava esta e outras vitórias em 1880 já não existia, o passado foi sendo progressivamente esquecido. Recentemente duas publicações vieram relembrar e enriquecer o conhecimento dos locais da acção e das gentes que nesse acontecimento interviram :
Recontemos pois a mesma história com o suporte destas novas referências.

ooOoo

Atravessou-se no dia 23 uma planície que separa Azeitão do logar d'Amora, e onde o inimigo se devia ter postado. Descobrirão-se então os seus Postos avançados, mas retirarão-se á aproximação do Duque; e os paisanos trouxerão á noticia de que o inimigo tinha tomado posição sobre dois montes sobranceiros ao caminho que conduz a Almada, e que alli tinhão estabellecido uma Linha d'Atiradores. 
 
Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, 1813.
Instituto Geográfico do Exército

O Duque fez sahir os seus Caçadores em ambos os flancos da sua columna, e continuou a marcha, retirando-se os Atiradores do inimigo de outeiro em outeiro, até á entrada do desfiladeiro que pela Barreira do Alfeite, se abre no Valle da Piedade.

Duque da Terceira (detalhe) por John Simpson, após 1834.
Parques de Sintra

Este valle que se estende até á margem do Tejo por detráz de Cacilhas, he fechado da parte do Sul pelas Alturas d'Almada, e abre em um pequeno espaço, onde se entra de um lado pelo caminho por onde o Duque avançava, e do outro pelos caminhos do Pragal, á esquerda; d' Almada no centro, e de Cacilhas, por Mutella, da direita.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 30.
[Mutela, Caramujo], Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Para alli o inimigo, conhecendo a sua superioridade em cavallaria, procurou atrahir a Columna, a fim de se poder aproveitar d'aquella arma. O Duque, que conhecia o terreno, antevio e estava preparado, para esta manobra, o que era confirmado pela pouca resistência até então opposta á sua marcha.

Continuou comtudo, e apenas os seus flanqueadores, que se achaváo estendidos pelo vale tiverão desalojado os do inimigo, e a testa da Columna entrado pela estrada do Alfeite, que se ouvio ao longe o estrépito de cavallaria, e logo depois, dois esquadrões, pelo caminho de Cacilhas o carregarão com uma impetuosidade que lhes devia ter assegurado a victoria.


A Infanteria Portugueza tem horror á cavallaria, e principiávão a vaciliar, porem o Duque e o seu Estado-Maior indo á frente da Columna, pelo seu nobre exemplo e exhortação para estarem firmes, restaurarão a confiança; e quando o inimigo se aproximava da Columna, uma descarga lançou por terra os guias e cavallos da frente, e os que sobreviverão fugirão em grande confusão... 

O Duque proseguio no seu feliz êxito com vigor, e deixando o 6.° d'lnfanteria para cobrir os caminhos do Pragal e Almada, avançou com o resto das suas tropas em direitura a Cacilhas, a fim de cortar a retirada ao inimigo, tendo feito occupar as avenidas que conduzem a Almada por varias Companhias do 3.° d'Infanteria

O inimigo tinha duas peças de campanha á entrada do largo de Mutella; mas o 2.° e 3.° de Caçadores, desprezando o seu fogo, armarão baionetas e tomarão a Artilheria; e fazendo avançar a testa da Colunma, o Duque penetrou já depois de noite até ao Caes de Cacilhas. 


2.° Sargento de Caçadores 2 e Cabo de Caçadores 5.
Sérgio Veludo Coelho, Guerra Civil 1828-1834, tropas e uniformes

He absolutamente impossivel descrever a desordem que teve logar n'esta occasião. Infanteria , Cavallaria, e bagagens , — Generaes, Officiaes, e Soldados , se precipitavão dentro das embarcações.


Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 28.
Cacilhas, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

A escuridão da noite augmentava a confusão; misturárão-se os vencedores com os vencidos; e, muito em honra dos primeiros, pouparão o inimigo que já não resistia; meia hora depois ambos os contrários já erão amigos.

Vista nascente de Almada e Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Charles Landseer, 1825.
Instituto Moreira Salles

Como a Fortaleza d'Almada se não tinha ainda rendido, o Duque fez contramarchar as suas tropas, deixando uma guarda no Caes de Cacilhas, e marchou para a entrada d'aquella Villa; mas desejando poupar quanto fosse possivel as suas tropas e o inimigo vencido, e evitar a desordem inseparável de uma entrada forçada n'uma Cidade em uma escura noite, fez alli alto, e o General Schwalbach, que commandava a testa da Columna, mandou o seu Ajudante-de-campo, o Alferes Jorge, com bandeira parlamenlar para intimar á fortaleza que se rendesse.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 27.
Montanha da Villa de Almada, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Este foi desgraçadamente encontrado por alguns da Cavallaria Miguelista, e por elles mortalmente ferido. O Duque permaneceo na sua posição, e no dia seguinte ao amanhecer rendêo-se Almada, e a guarnição depôz as armas na ezplanada. 

A perda do inimigo n'esta acção não poderia ter sido menos de mil homens em mortos, feridos, e afogados; Telles Jordão, que era o Commandante foi do numero dos primeiros; elle merecia bem o sen destino. (1)

*
*     *

O duque viera sempre a marchas forçadas, e quando Telles Jordão menos o pensava, estava elle proximo da Cova da Piedade. Restava reforçar bem os flancos, e esperar o inimigo na Cova com o grosso das tropas.

Vista Geral — Cova da Piedade ed. desc., década de 1900

Este plano bem sustentado tornava critica a posição do duque, que não tinha para oppor aos 5:000 homens de tropas folgadas de Telles Jordão mais do que l:500, compostos dos pequenos corpos de infanteria 3 e 6, caçadores 2 e 3, poucas dezenas de academicos com duas pequenas peças ás costas de machos, e 47 lanceiros inglezes, tão bem montados como costumam apparecer os mouros na Praça do Salitre; e toda esta tropa quasi descalça, queimada pelo intenso sol de julho, e ralada de fadiga pelas não interrompidas marchas forçadas. (2)

Lanceiros de Bacon, mais tarde Lanceiros da rainha.
Sérgio Veludo Coelho, Guerra Civil 1828-1834, tropas e uniformes



Artigos relacionados:
O Caramujo, romance histórico (13/18), combate
23 de julho de 1833, a Batalha da Cova da Piedade, por Charles Napier
Derrota dos Miguelistas em Cacilhas

Wikipédia:
Duque da Terceira
António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha

Mais informação:
Elucidário Nobiliarchico, Apontamentos àcêrca das Bandeiras e Estandartes regimentais...
Arquivo Municipal do Porto (Documentos com referência a Cerco do Porto...)
Portuguese Civil Wars (facebook)
Portuguese Civil Wars (facebook): files
Portuguese Civil Wars (facebook): photos

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Real Capella do Apostolo S. Simão (a festa annual)

A Meza da Real Irmandade de Nossa Senhora da Piedade dos Milagres, e da Victoria, da Cova de Mutella, limite da Villa de Almada, tem determinado fazer a festa annual da Invocação da sua Real Irmandade no presente anno da maneira seguinte:

Cova da Piedade, igreja Nossa Senhora da Piedade, década de 1970.
almaDalmada

No dia 28 do corrente, vespera da sua festividade annual, se cantará huma solemne Missa, por muzica vocal e instrumental, pela conservação da Preciosa Vida de Sua Magestade o Senhor Dom Miguel I, Augusto Protector Perpétuo da mesma Real Irmandade,

D. Miguel I e suas irmãs dando graças a Nossa Senhora da Conceição da Rocha, 29 de janeiro de 1829.
Cabral Moncada Leilões

finda a qual se fará a inauguração das Reaes Armas no frontespicio da Real Capella do Apostolo S. Simão, onde a mencionada Irmandade se acha erecta, com todas as demonstrações de jubilo em similhantes occasiões praticadas, e á noute illuminação.

Bandeira de D. João V, também armas reais de D. Miguel na bandeira nacional de Portugal de 1826 a 1830.
Wikipédia

No dia 29 se fará com muito maior pompa, que nos annos antecedentes, a festividade annual denominada, da Casa, com Missa solemne por muzica vocal e instrumental, Sacramento exposto todo o dia, á tarde segundas Vesperas de Nossa Senhora, e Te Deum em Acção de Graças pela conservação de Sua Magestade o Senhor Dom Miguel I no Throno de Seus Maiores, e pelas Mercês que o Mesmo Augusto Senhor foi servido liberalizar a esta Irmandade declarando-Se seu Protector Perpétuo, e concedendo á mesma, e á Capella em que se acha erecta, o Titulo, Honras, e Privilegios de Reaes;

Paroquianos no adro da igreja da Cova da Piedade.
Delcampe

á noute illuminação, e hum vistoso fogo de artificio, havendo em ambos os dias e noutes muzica de arraial: sendo Oradores, no Sabbado á festividade o Muito Reverendo Padre Mestre Frei Francisco da Piedade; no Domingo de manhã, o Muito Reverendo Padre Mestre Frei Pedro da Purificação Alves Preto; e de tarde o Muito Reverendo Padre Mestre Frei José Machado, todos Prégadores Regios, e Dominicos. (1)


(1) Gazeta de Lisboa, 18 de agosto de 1830

Artigos relacionados:
S. Simão das Barrocas
Nossa Senhora da Piedade

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Entrada em Lisboa no dia 24 de julho de 1833

Segundo Eschwege [Wilhelm Ludwig von], e Chaumeil de Stella [Essai sur l'histoire du Portugal...], o exercito de D. Miguel compunha-se neste tempo de 5 divisões, e de uma columna movel:  

D. Miguel de Bragança (detalhe) por Johann Nepomuk Ender, 1827.
Google Arts & Culture

a 1.ª divisão occupava Lisboa sob o commando do Visconde do Pezo da Regua;
a 2.ª estava acantonada em Alcobaça e Caldas, e apoiava o seu flanco esquerdo em Torres Vedras: obedecia ao general Povoas;
a 3.ª occupava Torres Vedras e Cintra, sob as ordens de Pinto, e estendia-se além daquellas duas povonções;
a 4.ª, capitaneada pelo Visconde de Santa Martha, existia no Porto e margens do Douro;
a 5.ª divisão estava posta á disposição do governador do Algarve Visconde de Modelos;

Le Portugal et l’Europe en 1829.
Du Tage à l'Eridan épouvantant les Rois / Fait crouler dans le sang les Trônes et les lois!
La fortune toujours du parti des grands crimes / Les forfaits couronnés devenus légitimes!

Google Arts & Culture


ao sul de Lisboa entre Almada e Setubal, manobrava a columna movel, que era cumposta de milicianos.

O exercito permanente era formado das tropas seguintes: 

3 regimentos de artilheria com 29 peças e 7 obuzes; 8 regimentos de cavallaria e 5 esquadrões de policia (5:346 homens com 2:852 cavallos), 
16 regimentos de infanteria, 4 ditos de sapadores, e a guarda da policia (24:136 homens), 
e além disto 49 batalhões de realistas (18.336 homens e 209 cavados), 
e 50 regimentos de milícias (27:508 homens), os quaes se não serviam muito para o serviço do campo, podiam comtudo ser aproveitados para guarnições. (1)

Bandeira de Caçadores n° 7 com legenda.
Elucidário Nobiliarchico

A conhecida diversão para o Algarve, que elle imaginou, e tão felizmente conduzio, é um dos períodos mais brilhantes da carreira militar do actual Duque da Terceira.

Duque da Terceira (detalhe) por John Simpson, após 1834.
Imagem: Parques de Sintra

Desembarcou á testa de 2:500 homens em Cacella na costa do sul do Algarve a 21 de Junho de 1833;

Historical military picturesque..., George Landmann, Faro.
Biblioteca Nacional de Portugal

atravessou velozmente esta província, e o Alemtéjo, e por meio de um rápido movimento illudio o general Mollelos, que o aguardava em Beja com 6:000 homens, e obteve deste modo sobre elle um avanço de dois dias;

accommetteu Setúbal;

Historical military picturesque..., George Landmann, Setúbal.
Biblioteca Nacional de Portugal

bateu a 21 de Julho a divisão do brigadeiro Freitas, e a 23 Telles Jordão em Cacilhas; 

e na manhã do dia 24 entrou em Lisboa, a qual tinha abandonado poucas horas antes o duque de Cadaval [v. Rezumida noticia da vida de d. Nuno Caetano Alvares Pereira de Mello...] com forças quatro vezes superiores, apesar de que a largura do rio, e uma numerosa artilheria facilitavam tanto a defeza, que a menor resistência de Cadaval teria posto o duque da Terceira na impossibilidade até de ousar um attaque sobre Lisboa.

Historical military picturesque..., George Landmann, View up the Tejo.
Biblioteca Nacional de Portugal

Mau grado lodos estes obstáculos, o general de D. Pedro estava tão seguro do resultado, que na vespera, quando ainda as tropas de Cadaval guarneciam Lisboa, escreveu ao Imperador annunciando-lhe a tomada da Capital.

Tenho em meu poder o original desta carta memorável; é o seguinte o seu contheudo: 



— Senhor! Tenho a honra de annunciar a Vossa Magestade, que neste momento acabo de bater completamente as tropas de Telles Jordão. 3 esquadrões, 15 peças, e 700 homens d'infanteria acham-se em meu poder.

O comportamento das forças do meu commando fica acima de todo o elogio. Espero datar do Castello de Lisboa o meu proximo bolletim. 

Beijo respeitosamente as mãos de Vossa Magestade.

— Duque da Terceira. — Cacilhas em 23 de Julho de 1833.


Sobre este officio, que tem o cunho da modéstia, e da simplicidade dos antigos, escreveu a rogos meus a formosa Duquesa da Terceira o seguinte sobrescripto: — Carta do Duque da Terceira ao imperador ua vespera da entrada em Lisboa.

Pátria coroando os seus heróis, Veloso Salgado, 1904.
Museu Militar de Lisboa, Sala das Lutas Liberais (ex Sala das Campanhas da Liberdade).
Maria João Vieira Marques

Tomei a liberdade de lhe propôr que substituísse por tomada a palavra entrada, ao que retorquiu immediatamenle o Duque "Tomada tido, porque o inimigo náo sustentou a sua posição; foi unicamente uma entrada", o Quantos aflatuados redactores de bulletins seriam capazes de dar uma resposta semelhante? (2)


(1) Felix Lichnowsky, Portugal. Recordações do anno de 1842, Lisboa, Imprensa Nacional, 1845

Alguns artigos relacionados:
23 de julho de 1833, a Batalha da Cova da Piedade, por Charles Napier
Derrota dos Miguelistas em Cacilhas

Wikipédia:
Duque da Terceira
António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha

Mais informação:
Elucidário Nobiliarchico, Apontamentos àcêrca das Bandeiras e Estandartes regimentais...
Arquivo Municipal do Porto (Documentos com referência a Cerco do Porto...)
Portuguese Civil Wars (facebook)
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domingo, 22 de julho de 2018

23 de julho de 1833, a Batalha da Cova da Piedade, por Charles Napier

Um forte Destacamento d'Infantaria , com três esquadrões de Cavallaria atravessarão o Tejo para Almada, debaixo do commando de Telles Jordão, Miguelista assanhado, e um grande bárbaro, e destinado a receber alli o justo castigo por todas as crueldades que tinha commettido, sendo Governador de S. Julião. 

Battle of Cape St. Vincent of 1833.
A squadron of Portuguese frigates commanded by British Admiral Napier on behalf of the Queen Maria Liberal faction defeated King Miguel’s Absolutist squadron, in the Portuguese Civil War
The Westphalian Post

Atravessou-se no dia 23 uma planície que separa Azeitão do logar d'Amora, e onde o inimigo se devia ter postado. Descobrirão-se então os seus Postos avançados, mas retirarão-se á aproximação do Duque; e os paisanos trouxerão á noticia de que o inimigo tinha tomado posição sobre dois montes sobranceiros ao caminho que conduz a Almada, e que alli tinhão estabellecido uma Linha d'Atiradores. 

Vista da Amora, Tomás da Anunciação, 1852
MNAC (museu do Chiado)

O Duque fez sahir os seus Caçadores em ambos os flancos da sua columna, e continuou a marcha, retirando-se os Atiradores do inimigo de outeiro em outeiro, até á entrada do desfiladeiro que pela Barreira do Alfeite, se abre no Valle da Piedade.

Tejo junto à Praia do Alfeite, António Ramalho, 1880.
Alexandra Reis Gomes Markl, António Ramalho, Pintores Portugueses, Lisboa, Edições Inapa, 2004

Este valle que se estende até á margem do Tejo por detráz de Cacilhas, he fechado da parte do Sul pelas Alturas d'Almada, e abre em um pequeno espaço, onde se entra de um lado pelo caminho por onde o Duque avançava, e do outro pelos caminhos do Pragal, á esquerda; d' Almada no centro, e de Cacilhas, por Mutella, da direita.

Almada vue d'Alfeita [sic], François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: artnet

Para alli o inimigo, conhecendo a sua superioridade em cavallaria, procurou atrahir a Columna, a fim de se poder aproveitar d'aquella arma. O Duque , que conhecia o terreno, antevio e estava preparado, para esta manobra, o que era confirmado pela pouca resistência até então opposta á sua marcha.

Almada, vista sul, Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Continuou comtudo, e apenas os seus flanqueadores, que se achaváo estendidos pelo vale tiverão desalojado os do inimigo, e a testa da Columna entrado pela estrada do Alfeite, que se ouvio ao longe o estrépito de cavallaria, e logo depois, dois esquadrões, pelo caminho de Cacilhas o carregarão com uma impetuosidade que lhes devia ter assegurado a victoria. 

Vista nascente de Almada e Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Charles Landseer, 1825.
Instituto Moreira Salles

A Infanteria Portugueza tem horror á cavallaria, e principiávão a vaciliar, porem o Duque e o seu Estado-Maior indo á frente da Columna, pelo seu nobre exemplo e exhortação para estarem firmes, restaurarão a confiança; e quando o inimigo se aproximava da Columna, uma descarga lançou por terra os guias e cavallos da frente, e os que sobreviverão fugirão em grande confusão... 

Pátria coroando os seus heróis, Veloso Salgado, 1904.
Museu Militar de Lisboa, Sala das Lutas Liberais (ex Sala das Campanhas da Liberdade).
Imagem: Maria João Vieira Marques

O Duque proseguio no seu feliz êxito com vigor, e deixando o 6.° d'lnfanteria para cobrir os caminhos do Pragal e Almada, avançou com o resto das suas tropas em direitura a Cacilhas, a fim de cortar a retirada ao inimigo, tendo feito occupar as avenidas que conduzem a Almada por varias Companhins do 3.° d'Infanteria. 

O inimigo tinha duas peças de campanha á entrada do largo de Mutella; mas o 2.° e 3.° de Caçadores, desprezando o seu fogo, armarão baionetas e tomarão a Artilheria; e fazendo avançar a testa da Colunma, o Duque penetrou já depois de noite até ao Caes de Cacilhas. 

Plan de Lisbonne son port, ses rades et ses environs avec une petite carte routière du Portugal (detalhe), 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal


He absolutamente impossivel descrever a desordem que teve logar n'esta occasião. Infanteria , Cavallaria, e bagagens , — Generaes, Officiaes, e Soldados , se precipitavão dentro das embarcações. 

A escuridão da noite augmentava a confusão; misturárão-se os vencedores com os vencidos; e, muito em honra dos primeiros, pouparão o inimrgo que já não resistia; meia hora depois ambos os contrários já erão amigos.

Praia de Cacilhas, The Harbour of Lisbon, Charles Henry Seaforth (1801 - c. 1854).
reprodução em colecção particular

Como a Fortaleza d'Almada se não tinha ainda rendido, o Duque fez contramarchar as suas tropas, deixando uma guarda no Caes de Cacilhas, e marchou para a entrada d'aquella Villa; mas desejando poupar quanto fosse possivel as suas tropas e o inimigo vencido, e evitar a desordem inseparável de uma entrada forçada n'uma Cidade em uma escura noite, fez alli alto, e o General Schwalbach, que commandava a testa da Columna, mandou o seu Ajudante-de-campo, o Alferes Jorge, com bandeira parlamenlar para intimar á fortaleza que se rendesse. 

Este foi desgraçadamente encontrado por alguns da Cavallaria Miguelista, e por elles mortalmente ferido.

O Duque permaneceo na sua posição, e no dia seguinte ao amanhecer rendêo-se Almada, e a guarnição depôz as armas na ezplanada. 

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Wikimedia

A perda do inimigo n'esta acção não poderia ter sido menos de mil homens em mortos, feridos, e afogados; Telles Jordão, que era o Commandante foi do numero dos primeiros; elle merecia bem o sen destino. (1)


(1) Charles Napier (trad. Manoel Codina), Guerra da successão em Portugal, Lisboa, 1841

Tema:
Guerras Liberais

domingo, 29 de abril de 2018

Lisboa, vista de Almada (c. 1830)

Oposta a Lisboa fica Almada, no cume, e perto do extremo leste, das altas falésias que se estendem ao longo da margem sul do Tejo, e dali para o mar. Desta elevada posição, temos uma série de vistas panorâmicas de grandeza incomparável.

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia

Para o norte, toda a extensão de Lisboa é vista cobrindo as colinas opostas e formando um bordado brilhante para o Tejo. 

Lisbon from Almada (detalhe), Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia

Para o oeste, esse nobre rio é visto continuando seu curso majestoso, fluindo para o Oceano Atlântico, entre as torres distantes de S. Julião e do Bugio. 

Para o leste, o rio espraia-se num vasto estuário, delimitado por um longo trecho de terras baixas. 

Para o sul, as alturas de Almada descem para um vale coberto de vinhas, atrás do qual há uma subida gradual de colinas arborizadas, até que, a uma distância de várias milhas, o horizonte é delimitado pela cordilheira montanhosa da serra da Arrábida, tendo a notável rocha de Palmella, coroada pelo castelo em direcção ao leste, e o distante castelo mouro de Cezimbra em direção ao oeste.

Na vista que acompanha, o espectador é supostor olhar o rio, na direção nordeste. Parte de Lisboa ocupa a esquerda da cena. O Convento da Penha de França fica na colina mais distante desse lado. Um pouco à direita, na colina adjacente, fica a Capela de Nossa Senhora da Monte.

Lisbon from the chapel hill of Nossa Senhora do Monte, Drawn by Lt. Col. Batty, 1830.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O castelo é visto a cobrir a colina ainda mais à direita; e as torres da Igreja de São Vicente, o lugar fúnebre dos monarcas portugueses, coroam o cume da colina perto do extremo da cidade.

Em linha com as torres de São Vicente, mas mais perto do espectador, estão as velhas torres castanhas da catedral; e à sua frente, perto do Tejo, estão os edifícios que encerram a Praça do Comércio: estes, com a Alfândega, o Arsenal Naval e o Cais de Sodré formam um imponente conjunto de edifícios.

Numerosos navios estão espalhados na ampla bacia do Tejo; o todo, combinado com a ousada e precipitada altura de Almada no primeiro plano, formam uma impressionante e interessante paisagem. (1)


(1) Robert Batty, Select Views of some of the Principal Cities of Europe, London, ..., 1832

Artigos relacionados:
Almada bélica e bucólica no século XIX
Originais de Robert Batty

Mais informação:
Dictionary of painters and engravers, biographical and critical...
Robert Batty

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A Arte da Guerra e o Castelo de Almada

No alto de um pittoresco monte sobranceiro ao Tejo, fica o castello, que foi construído no reinado de D. Manuel ampliado em 1666 por mandado de D. Affonso VI [...]

Fort d'Almade, 1685, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre, Alain Manesson Mallet, 1696.
Imagem: Columbia University

As principais obras aqui realizadas estavam associadas a períodos de instabilidade política, como por exemplo a Guerra da Restauração (1640-1668), quando o Castelo de Almada foi reparado entre 1658 e 1666; (1)

Painel de azulejos na rua da Quinta da Horta, no Pragal, em Almada.
Imagem: Rui Coutinho

Alain Manesson estuda matemática e geometria com o engenheiro militar Philippe Mallet, que ensina desde 1654 no colégio de Bourgogne. Manesson Mallet seguidamente torna-se mosqueteiro no regimento da guarda de Louis XIV. 

Em 1663, por instância de Pierre de Massiac, parte para Portugal, então empenhado na ultima fase da Guerra da Restauração (1640-1668) para entrar ao serviço de Afonso VI.

Método para fortificar as Cidades com uma nova Muralha, em aí encerrando a Antiga

Vista do castelo de Almada e de Lisboa, 1663 (detalhe).
Imagem: Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars, ou l'art de la guerre

Da Ortografia; Perfil ou Representação da Altura dos Terraços; e das Larguras e Profundidades dos Fossos

Fort d'Almade, 1685, Op. Cit.
Sob as ordens do marechal Schomberg, serve como engenheiro de campo e armas do rei e depois como sargento-mor de artilharia na província do Alentejo. Fortifica nomeadamente os castelos de Arronches (1666) et de Ferreira (1667) e estabelece reparações nos sistemas defensivos de Évora e Estremoz.

Após a assinatura do tratado de Lisboa (1668), Manesson Mallet regressa a França [...] (2)

Ruínas do castelo de Almada, Carta Geographica da Provincia da Estremadura (detalhe), c.1777 - 1780?
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

[...] no fim do século XVIII, num período conturbado da política europeia, o Castelo de Almada (fig. 6), que fora severamente danificado com o terramoto de 1755, foi totalmente reedificado com o apoio da população almadense em 1797, segundo projecto de Francisco d’Alincourt, também responsável por um projecto de uma nova fortificação da Torre Velha da Caparíca e respectiva bateria baixa de 1794 e 1796, e só em parte construído, o qual fora ordenado pela rainha D. Maria I ao Marechal General Duque de Lafões, sendo inspector Guilherme Luís António de Valleret, no ano de 1794. (3)

Planta do castelo de Almada em 1772.
Imagem: Rui Manuel Mesquita Mendes.

O rio Tejo, abaixo e oposto a Lisboa, é ladeado por rochas íngremes e grotescas, particularmente no lado sul. Essas no arco sul, são geralmente mais altas e muito mais magníficas e pitorescas que os penhascos de Dover. Sobre uma das mais altas dessas rochas, e diretamente opostas a Lisboa, permanecem as ruínas planas do Castelo de Almada.

Vista de Lisboa tomada de Almada, século XVIII.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

Em dezembro, 1779, como o Autor deambulava entre estas ruínas, foi atingido pela ideia, e formou o plano do seguinte poema; uma ideia que, pode permitir-se, foi natural para o Tradutor dos Lusíadas, e o plano pode, até certo grau, ser chamado como um suplemento a esse trabalho [...] (4)

Vista geral de Lisboa, tomada perto de Almada, século XVIII.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa
Será contudo no período da Guerra Peninsular, que se verificará o conjunto mais vasto de obras de fortificação quer da Linha de Defesa da Margem Sul, quer do Castelo de Almada (1814, fig. 6), as quais foram decididas pelo Gen. Wellesley (futuro Duque de Wellington) e conduzidas por militares britânicos, nomeadamente o Eng.° Goldfich e o Tenente Coronel Richard Fletcher dos "Reaes Engenheiros Bretanicos", assim como pelo Major Neves Costa.

Castelo de Almada após as reparações de 1810, gravura (detalhe), Pierre Eugène Aubert (Aubert pére),
cf. Lisbon from Fort Almeida [sic], Drawn by C. Stanfield from a Sketch by W. Page, Engraved by E. Finden,
Fieldmarshal The Duke of Wellington.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Durante a Guerra Civil realiza-se em 1833 uma nova campanha de obras no Castelo de Almada por iniciativa de D. Miguel, e presumivelmente conduzidas pelo Eng.° Louis Mounier, nas quais o castelo foi ampliado. (5)

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia


(1) Rui M. Mesquita Mendes, Obras Pública nos Concelhos de Almada e Seixal..., Centro de Arqueologia de Almada, 2015
(2) Wikipédia
(3) Rui M. Mesquita Mendes, idem
(4) William Julius Mickle, Almada hill: an epistle from Lisbon, Oxford, W. Jackson, 1781
(5) Rui M. Mesquita Mendes, idem, ibidem

Discussão aberta sobre o artigo:
A Arte da Guerra e o Castelo de Almada no Facebook

Gallica, Biblioteque nationale de France:
Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre
Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre
Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre

Artigos relacionados:
Defesa de Lisboa em 1810
Defesa de Lisboa em 1834

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Luctas caseiras

Passos Manuel, durante os trabalhos das Cortes de 1821 reunidas no Palácio das Necessidades, que aprovariam a primeira Constituição Portuguesa. Pintura de Veloso Salgado, que decora o interior da Sala das Sessões do Parlamento.
Imagem: Assembleia da República

ADVERTÊNCIA PRELIMINAR

Devia comprehender um volume o trabalho de investigação historica a que demos o titulo de Luctas caseiras. Os materiaes, porém, reunidos sobre a epocha que nos propozemos historiar são tantos e tão valiosos, que impossivel foi incluir n'elle só a narração dos acontecimentos politicos de que Portugal foi testemunha de 1834 a 1851 [...]

Lisboa, Praça do Rossio no dia 1 de outubro de 1820. Entrada solene da Junta Provisória do Porto.
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INDICE ANALYTICO 

Introducção (pag. ix a clxxvi)

Revolução de 21 de agosto de 1820 — Installa-se no Porto uma junta provisória — Primeiras desintelligencias entre os seus membros — Drago Cabreira e Silva Carvalho — Fustão em Alcobaça da junta do Porto com a de Lisboa — Partido militar — Suas aspirações e fins — Projectos de revolução — Acontecimentos do dia 11 de novembro — Proclamação de Gaspar Teixeira e ordem do dia de Pereira Sampaio — Alliança momentânea de ultra-liberaes e absolutistas — O partido militar triumphante, mas não vencedor — O governo cede ás suas imposições, mas a população de Lisboa protesta, e tudo volta ao estado anterior — Radica-se a divergência entre os homens da revolução — Eleições — Memoria sobre a abstenção das chamadas classes privilegiadas — Congresso constituinte — Nomeação da regência — Opiniões politicas que predominavam no congresso — Muitos dos que alli se apresentaram como liberaes exaltados tornaram-se depois em ullra-conservadores — Impressão que na corte do Rio de Janeiro produz a noticia da revolução do Porto — Conselhos sensatos do conde de Palmella a D. João VI, que só uma revolução no Brazil obriga a acceitar a nova ordem de cousas eslabelecida em Portugal — Regresso de D. João VI á Europa — É vedado por ordem do congresso o desembarque em Lisboa a algumas das pessoas que o acompanhavam — Jura o rei perante o congresso as bases da nova constituição — Descontentamento que produz no congresso o discurso lido por essa occasião em nome do mesmo rei — Novo ministério com que o congresso se declara logo em opposição, que dias depois provoca uma crise, e em seguida a demissão de todos os ministros — Ultima-se a discussão da constituição, a que a rainha se recusa a prestar juramento — Novo rumo politico que começa a tomar a maioria do congresso — O procedimento da rainha em se recusar a jurar a constituição é o signal do alarme para os inimigos d'esta saírem a campo — Procede-se á eleição dos deputados para as côrtes ordinárias, triumphando em quasi toda a parle o partido liberal — Aberta a camara fere-se logo batalha entre liberaes e conservadores — Pronuncios de revolução absolutista, a que não é estranha a rainha — Medidas de repressão tomadas pelo governo — Fins a que visava a revolução — A camara ao lado do governo — Revolução absolutista em Traz os Montes abortada — O infante D. Miguel sáe de Lisboa para Villa Franca com uma parte da guarnição de Lisboa — Motivo d'esta jornada — Augmenta o numero dos parciaes do infante, cujos desígnios de derrubar a constituição são conhecidos de todos — Plano occulto — O governo leva o rei a condenmar o procedimento do infante — Tibieza da maioria dos deputados e demissão do ministério — D. João VI adhere tambern á revolução, e segue do mesmo modo para Villa Franca — Protesto da camara dos deputados — D. Miguel nomeado commandante em chefe do exercito — Ministério Palmella-Subserra — Regresso do rei a Lisboa, e politica adoptada pelo novo ministério — Projectos mallogrados de nova revolução absolutista — Assassinato do marquez de Loulé — Successos do dia 30 de abril — D. João VI passa para bordo de uma nau ingleza de onde providenceia sobre vários assumptos de politica interna, e ordena a saida do infante D. Miguel para França — Diligencias infructiferas para que a rainha D. Carlota Joaquina saia de Portugal — O partido miguelista continua a conspirar — Receios infundados que ao governo infunde ao partido liberal — Falta de união entre os membros do governo — Approximação entre liberaes e moderados — Rasões que teve o governo para afastar da successão da coroa o infante D. Miguel — Queda do ministério PalmelIa-Subserra — Reconhecimento da independência do Brazil, e declaração de que o herdeiro da coroa era o príncipe D. Pedro de Alcântara — Conselho de regência nomeado por D. João VI, e morte do mesmo soberano — Partidos políticos existentes ao tempo em Portugal — Aclamação do novo rei — Outorga da Carla constitucional, e nomeação de pares — Abdicação que da coroa de Portugal faz D. Pedro — Esforços dos absolutistas para que D. Miguel regresse a Portugal, e reconhecimento que o mesmo faz da soberania do irmão — Má impressão que no paiz e fora d'elle produz a noticia da outorga da Carta — Indecisão do governo em dar cumprimento aos decretos de D. Pedro — Saldanha, obrigando o governo a fazer jurar a Carta, obtém um logar no ministério e a chefia do partido liberal — Absolutistas em armas — Saldanha, que marchara contra os revoltosos, é afastado pela doença da gerência da pasta da guerra — Eleição de deputados e abertura do parlamento — Sublevação absolutista em Traz os Montes — O governo reclama o auxilio de tropas inglezas — Opposição que encontram nas duas camarás alguns dos seus actos — Os absolutistas são batidos — Recomposição ministerial — A opposição ao governo do parlamento augmenta na ses- são ordinária — Desentelligeneias graves entre a camara electiva e a dos pares — Proposta apresentada n'aquella para se pedir a demissão do ministério — Decretos e ordens de D. Pedro que não são cumpridas — Decrela-se uma amnistia — Saldanha reassume a sua pasta e promove a queda do ministério — Novos ministros— D. Miguel chamado ao Rio de Janeiro por D. Pedro recusa-se a partir — Saldanha demitte-se de ministro da guerra — Manifestação de sympathia que lhe faz o povo de Lisboa, e que dias depois se repete no Porto — Alteração no ministério — Medidas de repressão tomadas pelo governo — D. Pedro, approvando o procedimento de Saldanha, faz com que a regente demitta dois dos ministros — D. Miguel é nomeado por D.Pedro seu logar-tenente em Portugal — Descontentamento que este facto produz no partido liberal, e enthusiasmo que disperta entre os absolutistas — D. Miguel saindo de Vienna para Portugal segue por França e Inglaterra — Falta de interesse que offerecem as sessões parlamentares — Desembarque em Lisboa de D. Miguel e seu juramento á Carta — Nomeia novos ministros e dissolve a camará dos deputados — Representações que lhe são dirigidas para que se faça aclamar rei — São convocados os antigos três estados — Muitos liberaes emigram, para Inglaterra — O corpo diplomático pede os seus passaportes — O partido liberal appella para a revolução, onde se levanta o primeiro grito, e corpos de linha que adheriram — Junta provisória organisada no Porto — Apreciação que da mesma fazem dois escriptores contemporâneos — Forças liberaes e absolutistas — D. Miguel procura debellar a revolta — Primeiros recontros — Delegação da junta do Porto em Coimbra — Retirada das forças constitucionaes — Chegada de Inglaterra ao Porto de differeiítes generaes do partido liberal — Falta de união entre os recem chegados — Palmella commandante em chefe do exercito constitucional — Desanimo no campo liberal — Saldanha, que acceitára substituir Palmella no commando em chefe, exonera-se do mesmo commando — Retirada para Hespanha do exercito constitucional — O partido absolutista abusando da sua vicloria — O marquez de Palmella chefe da emigração — Saldanhistas e palmellistas — Deposito de Plymouth — Revolução na Madeira — Soccorros enviados para ali por Palmella — carta que este dirige a D. Pedro, defendendo-se das accusações que lhe faziam os seus inimigos — Este documento e a defeza que depois publicaram os membros da junta do Porto provoca protestos vehementes por parte de Saldanha e de seus partidários — Saldanha chefe da opposição a Palmella — Dissolve-se o deposito de Plymouth — Queixas infundadas que isto provoca por parte dos emigrados — Palmella procura mandar soccorros para a Terceira — Expedição para a mesma ilha sob o commando de Saldanha — O governo da Terceira é confiado por Palmella ao conde de Villa Flor — Regência nomeada por D. Pedro — Falta de confiança que a mesma inspira — Carta de Silva Carvalho sobre o assumpto — Aggravam-se as desintelligencias ha muito existentes entre Saldaidia e Palmella — Inslalla-se a regência na Terceira — Tentativa de revolta contra ella — Chegada de D. Pedro á Europa, seu pensamento politico com relação aos negócios de Portugal — Principia a formar-se o, depois, chamado partido de D. Pedro — Rodrigo Pinto Pizarro — Da expedição organisada para vir sobre Portugal é excluído Saldanha c outros officiaes seus partidários — No Porto — Esforços empregados pelos saldanhistas para avinda do seu chefe — Mousinho da Silveira deixa a pasta da fazenda, em que é substituido por Silva Carvalho — José da Silva Carvalho c o seu tempo (nota) — Difficuldades que levanta aquella crise ministerial — Vinda de Saldanha, e incremento que com este fado toma o seu partido — O governo principia a receiar dos triumphos militares de Saldanha — Palmella, que estava no desagrado de D. Pedro, é indigitado pelos saldanhistas para chefe do governo — Tomada Lisboa muda-se para ali o theatro da lucta politica — D. Pedro chefe de partido  — Crise ministerial — Cartas de alguns membios da opposição a D. Pedro — Novo partido opposicionisla — Uma medida violenta do governo contra um membro da opposição ia provocando uma revolução — D. Pedro implora a neutralidade de Saldanha — O partido miguelista agonisante — Conselho de generaes em Évora sob a presidência de D. Miguel — O general miguelista Lemos propõe uma suspensão de armas, que é acceita — Concessão de Evora Monte, que não agrada nem aos liberaes, nem aos miguelistas — Tumultos no theatro de S. Carlos — Tentativa de assassinato contra D. Miguel — Embarque do mesmo em Sines — Protesto que publica á sua chegada a Génova — Victorias successivas alcançadas pela opposição no Porto — A camara de Lisboa manifesta-se abertamente contra a marcha politica do governo — A opposição augmenta de dia para dia — Trabalhos eleitoraes — Prisão do coronel Pizarro — Candidatura do mesmo Pizarro — Viagem do regente ao Porto — A opposição triumpha ali na eleição de deputados — Abertas as camarás principia logo uma lucta formidável entre a opposição e o governo — Discute-se e approva-se uma proposta para a continuação da regência — Pares do governo e pares da opposição — Projecto de lei para a rainha poder casar com príncipe estrangeiro — Propostas contra D. Miguel.

S.M.I. o Senhor D. Pedro restituindo sua Augusta Filha a Senhora
D. Maria Segunda e a Carta Constitucional aos Portugueses,
Nicolas-Eustache Maurin,1832.
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CAPITULO I

1834-1835 (pag 1 a 179)

D. Pedro communica ás camarás que não pôde continuar a gerir os negócios públicos — O que motivou esta resolução — Projecto de uma regência— A rainha é declarada maior — Opposição que o projecto encontra na camara dos pares — Ultimo ministério de D. Pedro — Juramento da rainha — Como começa a exercer a soberania — Quem organisou o novo ministério — Morte de D. Pedro — Os novos ministros — Apresentação nas camaras do gabinete Palmella — Enterro do imperador — Projecto de responsabilidade ministerial apresentado pelo governo — Accusação da commissão de infracções sobre a nomeação de um presidente de conselho — Forças do governo e da opposição na camará electiva — Violência que adquirem os ataques da opposição — Iniciam-se os accordos — D. Miguel é banido para sempre de Portugal — Politica ministerial — A camará dos pares e a lei de liberdade de imprensa — O governo communica ás camaras que a rainha vae desposar o príncipe Augusto de Leuehtenberg — Rasões que houve para a escolha do noivo — Difficuldades por parte d'este em acceitar a mão da rainha — Condições inacceitaveis — Segredo que foi mister guardar sobre as negociações — A escolha do príncipe Augusto Leuehtenberg é bem recebida por todo o partido liberal — Dotação do príncipe e enxoval da rainha — Termina a sessão extraordinária do parlamento — Discurso de encerramento lido pela rainha — Reahre-se o parlamento, que logo é encerrado — Tentativas para attrahir Saldanha ao partido governamental — Reabertas novamente as camaras, a opposição inicia uma vigorosíssima campanha contra o governo — Mensagem de um grande numero de deputados pedindo a demissão do ministério — Saldanha abandona os seus antigos amigos e torna-se ministerial — Chegada do príncipe Augusto, acção nobilíssima destinada a commemorar a sua vinda, ratificação do seu casamento, discurso que pronuncia na camara dos pares por occasião de tomar ali assento — O príncipe é nomeado commandante em chefe do exercito — Tal nomeação levanta grande opposição — Doença e morte do príncipe — Tumultos que a noticia d'esta occasiona — Mensagem da camara dos deputados pedindo á rainha para que contráiha segundas núpcias — Resposta da rainha — Termina a sessão ordinária — Faz-se a historia d'ella — Carta de José Passos — O presidente do conselho e o ministro da justiça demittem-se — Dois ministros novos — O conde de Linhares presidente do conselho — Difficuldade em encontrar noivo para a rainha — Demissão do ministério — Golpe de vista sobre a sua administração — Plano financeiro do antigo ministro da fazenda Silva Carvalho — Indemnisações — A opposição não conquista o poder, é este que se lhe entrega — Ministério de conciliação presidido por Saldanha — Os novos ministros e o seu passado politico — Applauso geral e unanime com que é recebido — Programma ministerial apresentado por cada um dos novos ministros — Annuncios de tempestade — Alterações na atmosphera politica annunciadas diariamente pelo "Nacional" — Crise ministerial que se avizinha — A rainha procura afastal-a nobilissimamente — O ministro da fazenda Campos pede a demissão, que lhe é acceita — Manifesta-se abertamente a crise ministerial, que influencias palacianas procuram resolver em proveito próprio — É julgada indispensável a entrada de Silva Carvalho para o ministerio — Rodrigo da Fonseca Magalhães ministro do reino — A antiga opposição de novo em campo — Tratado de 1810 — O marquez de Loulé é subslituido na gerência da pasta da marinha por Jervis de Athouguia — O conde de Lavradio encontra emfim um noivo para a rainha — O principe de Carignan tão depressa escolhido como rejeitado — Assenta-se a final na escolha do principe Fernando Coburgo para marido da rainha — Tratado com a Hespanha sobre a livre navegação do Douro — Procedimento inqualificável de Saldanha para com Sá da Bandeira — Apologia que este faz dos seus serviços, e põe a claro alguns factos pouco honrosos da vida publica de Saldanha — O governo nomeia novos pares, e manda proceder á eleição supplementar do deputados — A campanha eleitoral — A Hespanha reclama o auxilio de Portugal para combater os carlistas em armas — Organisa-se uma divisão auxiliar para este fim — Instrucções dadas ao respectivo commandante — Apreciação injusta que d'ellas faz a opposicão — Projecto para a venda em globo das lezírias do Tejo e Sado — Protestos que levanta — Reforma de instrucção publica — Applausos e protestos com que é recebida — Crise ministerial provocada pela rainha — Esta acceita a demissão do ministério, e logo depois recusa-lh'a — Como se suicida um governo — Intervenção dos commandantes de alguns corpos nos trabalhos eleitoraes — Censura que aos mesmos inflige o commandante em chefe do exercito — Descontentamento que no exercito produz esta providencia — Officiaes desligados dos respectivos commandos — Manifestação militar contra o ministério — Em resultado d'ella e do voto do conselho d'estado, ouvido sobre o assumpto, o governo demitte-se — Novo ministério sob a presidência de José Jorge Loureiro — Os novos ministros — Economias — É revogada a reforma de instrucção publica do ultimo ministério — O governo triumpha nas eleições supplementares para deputados — forças do governo e da opposicão na camará electiva — Extincção do commando em chefe do exercito — Curto alcance das medidas ministeriaes — Os jornaes governamentaes são os primeiros a confessal-o — Estado anarchico em que se encontra o paiz — Realisa-se o segundo casamento da rainha — Discurso lido pela rainha na abertura do parlamento — O governo consegue ter maioria na camará electiva — Novo projecto para a venda das Lezírias — Estado precário do thesouro — Silva Carvalho defende brilhantemente a sua administração — É votado o projecto relativo ás lezírias — O ministro da fazenda, querendo engrandecer os seus méritos de estadista, exagera o mau estado da fazenda publica — Venda dos bens nacionaes a dinheiro de contado — Nas camaras a opposicão ao ministério cresce de dia para dia — Prorogação do tratado de 1810 — Nomeação do principe D. Fernando para commandante em chefe do exercito — O governo, ao ver-se fortemente atacado no parlamento, adia as camarás — Operação financeira mal recebida e peior succedida — Nota curiosa sobre o assumpto, escripta por Silva Carvalho — Demissão do ministro da fazenda — O ministério agonisa — Frieza com que é recebido o príncipe D. Fernando na sua chegada a Lisboa — O governo, encerrando repentinamente o parlamento, apressa a sua queda — Já demissionário nomeia o principe D. Fernando commandante em chefe do exercito — O marquez de Valença é encarregado de organisar ministério, mas depressa resigna a rnissão, que é confiada a Agostinho José Freire.

Duque de Saldanha (1790-1876), c. 1870.
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CAPITULO II

A revolução de setembro (pag. 181 a 240)

Novo ministério presidido pelo duque da Terceira — Manuel Gonçalves de Miranda — Silva Carvalho e a situação do thesouro — O principe D. Fernando assume o commando em chefe do exercito — Protesto da opposição — Club dos Camillos [Sociedade Patriótica Lisbonense] — Convocação extraordinária das camaras — O governo fixa previamente o que se deve discutir — Aberto o parlamento, o ministério soffre logo um cheque — Dissolução da camara electiva — Tumultos no Porto — Visita que a esta cidade faz o principe D. Fernando — Incêndio do thesouro — O governo triumpha nas eleições — Deputados eleitos —Annuncios de revolução — O governo pensa em tomar medidas repressivas — Manifestação popular em Lisboa á chegada dos deputados opposicionistas — Soares Caldeira, França e Leonel Tavares heroes do dia — A guarda nacional em armas proclama a constituição de 1822 — O governo em vão procura suffocar a revolta nascente — Fraternisação da tropa de linha com a guarda nacional — A revolução triumphante — Mensagem dos revoltosos á rainha — O governo demitte-se — O conde de Lumiares e o visconde de Sá da Bandeira são encarregados de formar novo governo — Recusa do visconde de Sá — Instancias do principe D. Fernando e do corpo diplomático para que não mantenha esta resolução — Condições impostas e acceitas — Novo ministério —Traços biographicos de cada um dos seus membros — A constituição de 1822 restabelecida — Juramento á nova constituição — Uma revolução em Hespanha foi uma das causas principaes da revolução de setembro — Antecedentes curiosos — Como se consolida a revolução — Situação financeira e economias — Dictadura — Começa a manifestar-se a desunião entre os vencedores — Resistência pacifica á nova ordem de cousas — Muitos funccionarios públi- cos demittem-se para não jurarem a nova constituição — Protesto dos pares do reino contra a nova constituição — Errada politica do partido cartista — A rainha em desconfiança permanente com o ministério — Vieira de Castro tenta em vão fazer desapparecer este preconceito — O principe D. Fernando exonerado do commando em chefe do exercito — Os mareehaes Terceira e Saldanha, nem juram a nova constiluição, nem são demittidos — Febre demissionaria — Tentativas da Bélgica, de accordo cora o gabinete inglez, para intervir nos negócios internos de Portugal — O paço favorecendo o restabelecimento da Carta — Annuncios de um golpe de estado.

Columbine e diversos navios experimentais na barra de Lisboa, John Christian Schetky, 1831.
Imagem: Royal Museums Greenwich

CAPITULO III

A Belemzada (pag. 241 a 358)

Preparativos de desembarqae da esquadra ingleza, surta no Tejo, na noite de 2 de novembro de 1836 — Protestos de Sá da Bandeira de fidelidade á monarchia perante o ministro inglez, e de Passos Manuel perante a rainha — O ministro da justiça Vieira de Castro é instado pela rainha para que de novo se proclame a Carta constitucional — O governo sabe que se conspira — A rainha, por conselhos do rei da Bélgica, deixa o paço das Necessidades e vae para o de Belém — Os ministros, a corte, conselheiros d'estado, auetoridades e corpos da guarnição são chamados por ordem da rainha a Belém — Nem todos obedecem — Golpe de estado — Demissão do ministério e nomeação immediata de outro, de que é presidente o marquez de Valença — Feição politica dos novos ministros — Proclamação da rainha — Passos Manuel propõe em conselho a resistência ao golpe de estado — A guarda nacional em armas — Passos Manuel é chamado a Belém pela rainha — Comité revolucionário em Lisboa — Forças que estavam em Belém — Assassinato de Agostinho José Freire — Photographia da revolução em Belém n'este momento — Franca e nobre exposição de Passos Manuel á rainha — Resposta enérgica de Passos Maimel ás ameaças de lord Howard [de Walden (Sá da Bandeira, Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, marquês de, The slave trade and Lord Palmerston's bill, 1840)], e um dito pouco feliz do principe D. Fernando — A rainha encarrega o marechal Saldanha e o conselheiro Trigoso de negociarem um accordo com Passos Manuel — Bases d'este accordo — Sá da Bandeira toma o commando da guarda nacional, e á sua frente marcha para Belem — Desembarque das tropas inglezas — Communieação do visconde de Sá ao marechal Saldanha — Reconhece-se afinal em Belém a impossibilidade de restaurar a Carta — Entrevista de Saldanha com Sá da Bandeira — A rainha nomeia Sá da Bandeira presidente do conselho, e deixa-lhe a livre escolha dos ministros — Recebido pela rainha, dicta as suas condições e indica o nome dos seus collegas — Excitação popular — A rainha assigna os decretos da nomeação do novo ministério, e volta para as Necessidades — Trecho de um discurso de Passos Manuel sobre o assumpto — Exemplo da hospitalidade ingleza — Cartas trocadas entre os chefes da contra-revolução triumphante e Silva Carvalho — Restabelecimento da ordem — Generosidade para com os vencidos — Triumvirato — Retrato de Passos Manuel por D. António da Costa — A iniciativa rasgada d'aquelle manifesta-se a uma longa serie de medidas decretadas por elle — Opposição que a Manuel Passos fazem os seus próprios amigos — Atacado na imprensa, defende-se n'uma carta dirigida ao "Nacional" — Decreta-se a elegibilidade dos ministros — Protestos que este decreto levanta por parte de alguns partidários do governo — João Bernardo da Rocha — Como se formou a opposição setembrista ao ministério — Clubs políticos — Eleição de deputados e poderes extraordinários que os mesmos recebem dos eleitores — Abre-se o congresso e fere-se a primeira batalha contra o governo — Discute-se o decreto da elegibilidade — Passos Manuel defende na camará os seus actos como ministro — Representação do partido cartista no congresso — Os poucos deputados d'este partido que foram eleitos renunciam aos seus logares — Situação financeira — Relatório de Manuel Passos — Discussão sobre as leis da dictadura — Defeza brilhante que faz Manuel Passos — Votação no congresso sobre o assumpto — Começa a discutir-se o projecto de uma nova constituição — Importância dos debates — É votada a generalidade d'aquelle projecto — A opposição setembrista no congresso— Votação contraria ao governo — Parece que este a aguardava para deixar o poder — Manuel Passos declara no congresso que se retira do poder — Ministério Passos.

Lisbonne vue du vieux port, François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: LMT no Facebook

CAPITULO lV

Conspiração das Marnotas (pag. 359 a 427)

Estado de fraqueza em que se encontrava o partido miguelista quando caiu o ministério Passos — D. Miguel em Roma — Falta de recursos pecuniários com que luctou durante muito tempo (nota) — D. frei Fortunato de S. Boaventura — Protesto de D.Miguel contra a venda dos bens nacionaes — Protecção e apoio que encontrou sempre na corte pontificia — António Ribeiro Saraiva — Os seus primeiros serviços á causa de D. Miguel, e desfavor com que os ministros d'este o trataram — É nomeado secretario de embaixada em Londres — Vem a Portugal com propostas do governo inglez para o reconhecimento de D. Miguel — Estas propostas, que foram rejeitadas, originam alterações no ministério miguelista — Ribeiro Saraiva agenceia a vinda para o exercito miguelista de alguns officiaes e marinheiros estrangeiros — Opposição que a este auxilio faz o ministério miguelista — Testemunho de vários escriptores sobre o aprisionamento da esquadra miguelista — Terminada a lucta entre D. Pedro e D. Miguel, António Ribeiro Saraiva continua em Londres com o mesmo caracter politico que até então tivera — Jornaes que em Portugal e no estrangeiro advogavam a causa de D. Miguel — Ribeiro Saraiva, havendo caído no desagrado do seu rei, é substituído na direcção do partido por D. frei Fortunato de S. Boaventura — Preseguições de que é víctima o partido miguelista era seguida á concessão de Évora Monte — Principia a manifestar-se em differentes pontos do paiz um scisma religioso— Cousas apparentes e reaes d'este scisma — Vista retrospectiva sobre as relações diplomáticas de Portugal com Roma, e apoio que na corte pontifícia sempre encontrou o governo de D. Miguel — Reformas ecclesiasticas decretadas pela regência de D. Pedro, e protestos do papa contra ellas — Tentativas de reconciliação por parte do governo portuguez com a corte pontifícia — Golpe de vista sobre o estado da administração ecclesiastica, e manifestação e progressos do scisma nas differentes dioceses do paiz — Guerrilhas miguelistas no Algarve — O Remechido — Projectos mallogrados de uma revolução combinada entre os miguelistas de Portugal e os carlistas de Hespanha — Tentativa de revolução nas proximidades de Lisboa, e prisão de alguns officiaes do antigo exercito de D. Miguel — Correspondência sobre o assumpto trocada entre o ministro de França e Sá da Bandeira.

Lisboa, Praça de D. Luiz e monumento ao Marquez de Sá da Bandeira, c. 1900.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Nota n.° 1, pag. 429
Nota n.° 2, idem
Nota n.° 3, pag. 432
Nota n.° 4, pag. 433
Nota n.° 5, pag. 440

A verdade histórica e a "Historia da revolução de setembro" pag. 485



Marques Gomes, Luctas caseiras: Portugal de 1834 a 1851, Lisboa, Imprensa Nacional, 1894