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terça-feira, 6 de julho de 2021

Imaginário do 23 de julho de 1833 com lugares, tropas e uniformes

O combate do dia 23 de julho de 1833, todos os anos recordamos a história. O cortejo cívico dos veteranos das campanhas da liberade, que celebrava esta e outras vitórias em 1880 já não existia, o passado foi sendo progressivamente esquecido. Recentemente duas publicações vieram relembrar e enriquecer o conhecimento dos locais da acção e das gentes que nesse acontecimento interviram :
Recontemos pois a mesma história com o suporte destas novas referências.

ooOoo

Atravessou-se no dia 23 uma planície que separa Azeitão do logar d'Amora, e onde o inimigo se devia ter postado. Descobrirão-se então os seus Postos avançados, mas retirarão-se á aproximação do Duque; e os paisanos trouxerão á noticia de que o inimigo tinha tomado posição sobre dois montes sobranceiros ao caminho que conduz a Almada, e que alli tinhão estabellecido uma Linha d'Atiradores. 
 
Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, 1813.
Instituto Geográfico do Exército

O Duque fez sahir os seus Caçadores em ambos os flancos da sua columna, e continuou a marcha, retirando-se os Atiradores do inimigo de outeiro em outeiro, até á entrada do desfiladeiro que pela Barreira do Alfeite, se abre no Valle da Piedade.

Duque da Terceira (detalhe) por John Simpson, após 1834.
Parques de Sintra

Este valle que se estende até á margem do Tejo por detráz de Cacilhas, he fechado da parte do Sul pelas Alturas d'Almada, e abre em um pequeno espaço, onde se entra de um lado pelo caminho por onde o Duque avançava, e do outro pelos caminhos do Pragal, á esquerda; d' Almada no centro, e de Cacilhas, por Mutella, da direita.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 30.
[Mutela, Caramujo], Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Para alli o inimigo, conhecendo a sua superioridade em cavallaria, procurou atrahir a Columna, a fim de se poder aproveitar d'aquella arma. O Duque, que conhecia o terreno, antevio e estava preparado, para esta manobra, o que era confirmado pela pouca resistência até então opposta á sua marcha.

Continuou comtudo, e apenas os seus flanqueadores, que se achaváo estendidos pelo vale tiverão desalojado os do inimigo, e a testa da Columna entrado pela estrada do Alfeite, que se ouvio ao longe o estrépito de cavallaria, e logo depois, dois esquadrões, pelo caminho de Cacilhas o carregarão com uma impetuosidade que lhes devia ter assegurado a victoria.


A Infanteria Portugueza tem horror á cavallaria, e principiávão a vaciliar, porem o Duque e o seu Estado-Maior indo á frente da Columna, pelo seu nobre exemplo e exhortação para estarem firmes, restaurarão a confiança; e quando o inimigo se aproximava da Columna, uma descarga lançou por terra os guias e cavallos da frente, e os que sobreviverão fugirão em grande confusão... 

O Duque proseguio no seu feliz êxito com vigor, e deixando o 6.° d'lnfanteria para cobrir os caminhos do Pragal e Almada, avançou com o resto das suas tropas em direitura a Cacilhas, a fim de cortar a retirada ao inimigo, tendo feito occupar as avenidas que conduzem a Almada por varias Companhias do 3.° d'Infanteria

O inimigo tinha duas peças de campanha á entrada do largo de Mutella; mas o 2.° e 3.° de Caçadores, desprezando o seu fogo, armarão baionetas e tomarão a Artilheria; e fazendo avançar a testa da Colunma, o Duque penetrou já depois de noite até ao Caes de Cacilhas. 


2.° Sargento de Caçadores 2 e Cabo de Caçadores 5.
Sérgio Veludo Coelho, Guerra Civil 1828-1834, tropas e uniformes

He absolutamente impossivel descrever a desordem que teve logar n'esta occasião. Infanteria , Cavallaria, e bagagens , — Generaes, Officiaes, e Soldados , se precipitavão dentro das embarcações.


Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 28.
Cacilhas, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

A escuridão da noite augmentava a confusão; misturárão-se os vencedores com os vencidos; e, muito em honra dos primeiros, pouparão o inimigo que já não resistia; meia hora depois ambos os contrários já erão amigos.

Vista nascente de Almada e Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Charles Landseer, 1825.
Instituto Moreira Salles

Como a Fortaleza d'Almada se não tinha ainda rendido, o Duque fez contramarchar as suas tropas, deixando uma guarda no Caes de Cacilhas, e marchou para a entrada d'aquella Villa; mas desejando poupar quanto fosse possivel as suas tropas e o inimigo vencido, e evitar a desordem inseparável de uma entrada forçada n'uma Cidade em uma escura noite, fez alli alto, e o General Schwalbach, que commandava a testa da Columna, mandou o seu Ajudante-de-campo, o Alferes Jorge, com bandeira parlamenlar para intimar á fortaleza que se rendesse.

Esboços de Paizages d'Mediterraneo e Lisboa, 27.
Montanha da Villa de Almada, Luiz Gonzaga Pereira, 1809.
Museu de Lisboa

Este foi desgraçadamente encontrado por alguns da Cavallaria Miguelista, e por elles mortalmente ferido. O Duque permaneceo na sua posição, e no dia seguinte ao amanhecer rendêo-se Almada, e a guarnição depôz as armas na ezplanada. 

A perda do inimigo n'esta acção não poderia ter sido menos de mil homens em mortos, feridos, e afogados; Telles Jordão, que era o Commandante foi do numero dos primeiros; elle merecia bem o sen destino. (1)

*
*     *

O duque viera sempre a marchas forçadas, e quando Telles Jordão menos o pensava, estava elle proximo da Cova da Piedade. Restava reforçar bem os flancos, e esperar o inimigo na Cova com o grosso das tropas.

Vista Geral — Cova da Piedade ed. desc., década de 1900

Este plano bem sustentado tornava critica a posição do duque, que não tinha para oppor aos 5:000 homens de tropas folgadas de Telles Jordão mais do que l:500, compostos dos pequenos corpos de infanteria 3 e 6, caçadores 2 e 3, poucas dezenas de academicos com duas pequenas peças ás costas de machos, e 47 lanceiros inglezes, tão bem montados como costumam apparecer os mouros na Praça do Salitre; e toda esta tropa quasi descalça, queimada pelo intenso sol de julho, e ralada de fadiga pelas não interrompidas marchas forçadas. (2)

Lanceiros de Bacon, mais tarde Lanceiros da rainha.
Sérgio Veludo Coelho, Guerra Civil 1828-1834, tropas e uniformes



Artigos relacionados:
O Caramujo, romance histórico (13/18), combate
23 de julho de 1833, a Batalha da Cova da Piedade, por Charles Napier
Derrota dos Miguelistas em Cacilhas

Wikipédia:
Duque da Terceira
António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha

Mais informação:
Elucidário Nobiliarchico, Apontamentos àcêrca das Bandeiras e Estandartes regimentais...
Arquivo Municipal do Porto (Documentos com referência a Cerco do Porto...)
Portuguese Civil Wars (facebook)
Portuguese Civil Wars (facebook): files
Portuguese Civil Wars (facebook): photos

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A casa da Quinta da Oliveira

D. Francisco de Noronha (1863-1953), fidalgo de quatro costados — e dos quais não blasona — é um ancião de 85 anos, que vive no seu solar modesto de Cacilhas, contiguo aos terrenos que foram dos condes Assumar e dos marqueses de Alorna, integrados na casa Mascarenhas, e que há pouco passaram, e em boa hora, para a Camara Municipal de Almada.

A casa de D. Francisco de Noronha (Prédio do Gato).
Alexandre M. Flores, Almada antiga e moderna, Freguesia de Cacilhas, CMA, 1985

D. Francisco, de memória viva, metido entre os seus livros — que são alguns preciosos — as suas evocações, os seus constantes escritos literários que dispersa, generosamente — conheceu Bulhão Pato. Foi da sua privança.

D. Francisco de Melo e Noronha (1863-1953).
Espólio AIRFA (InfoGestNet)

— Como não ser? Meu tio, que foi juiz desembargador, legou-me esta minha pobre casa, que ele comprara aí por 1872. Por aqui tenho vivido. (1)

*
*     *

É sempre um prazer encontrar alguém interessado como nós em conhecer os antepassados. Na nossa família existe uma geração em que se sabe ter havido escritura ante-nupcial, em que se estipulava a conservação e prioridade do apelido Netto, num casamento cerca de 1820, em S. Paulo de Almada (meus tetra-avós). também encontrei Assentos de Baptismo, Casamento e Óbito desde cerca de 1580; aliás os assentos só passaram a ser obrigatórios nessas datas. 

Muito do restante foi encontrado em enciclopédias, História de Portugal de Alexandre Herculano, Torre do Tombo e tradição oral e familiar. (2)

Almada, Casa do Gato, posteriormente Externato Liceal de Almada (Externato do Gato), década de 1960.
Casario do Ginjal

É interessante que haja uma certa continuidade da ideia da ascendência judaica, pois o meu trisavô Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1827-1859), [filho de Isidoro de Oliveira Carvalho nascido em Secarias, Arganil, 1 de abril de 1776 e falecido em Almada no ano de 1849 e de Ana Moreira Netto nascida em Vilela, Paredes, 5 de julho de 1799 e falecida em Almada no ano de 1851, ], tinha uma Estrela de David por cima do portão de entrada da sua casa em Almada [Quinta da Alegria, anteriormente dita dos Bixos?]

[Da descendência de Isidoro de Oliveira Carvalho (1776-1849) e de Ana Moreira Netto (1799-1851), para além de Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1827-1859), conhecemos ainda Maximiana Isidora Oliveira Netto, nascida na Quinta da Oliveira, Almada, em 23 de abril de 1832, que casou em 2 Fevereiro 1850, em S. Tiago, Almada, com António Carlos Pereira Serzedello, e Feliciana Isidora Oliveira Netto, nascida também na Quinta da Oliveira, Almada, em 24 de outubro de 1833, que casou em 14 Abril 1850 com José Eduardo Pereira Serzedello (v. mais informação sobre os Pereira Serzedello).]

Antiga residência de D. Francisco de Noronha, década de 1970.
Alexandre M. Flores, Almada antiga e moderna, Freguesia de Cacilhas, CMA, 1985

O meu bisavô Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1850-1883) casou com uma senhora, que também devia ter ascendência judaica e dos 6 filhos que tiveram, 3 tinham nomes judaicos, Moisés Levi, Henrique Samuel e Esther. Um primo que ainda conheci era Levi Jenochio. 

No entanto foram sempre educados na religião católica, com muita abertura de espírito! O filho varão mais velho continuava a tradição do nome e apelido, meu avô José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1875-1960) (3)

Á noite deu sr. presidente da camara [Bernardo Francisco da Costa, no domingo, 1 de novembro de 1874, por ocasião dos festejos da inauguração Chafariz de Cacilhas] um baile esplendido ás pessoas das suas relações, tendo-lhe prestado para esse fim a sua casa o seu intimo amigo o sr. Isidoro Netto [Isidoro de Oliveira Carvalho Netto], por ser mais espaçosa do que a de s. ex.ª.

Retrato de Bernardo Francisco da Costa
Galeria dos Goeses Ilustres

Tudo foi deslumbrante n'esta reunião de pesssoas de amisade, primeiro que tudo a amabilidade dos donos da casa, depois a animação do baile, a profusao do serviço; em fim não ha phrases com que se descreva o que ali se passou. 

O baile terminou ás 6 horas da manhã. As toilettes eram em geral de muito gosto. A ex.ª sr.ª D. Luiza Costa tinha um lindo vestido de faie azul claro enfeitado de ramos de flores; — da mesma côr vestia a ex.ª sr.ª  D. Amelia Affonso com toda a elegancia propria da sua ingenuidade; a ex.ª sr.ª D. Amalia Tavares vestia de veludo preto por estar de luto, era rico o seu vestuario; — sua irmã a ex.ª sr.ª   D. Henriqueta Tavares Marques tambem vestia de damasco preto, uma rica toitette; a ex.ª sr.ª   D. Maria José Collares trajava um rico vestido de setim côr de rosa, com enfeitos pretos; — da mesma cõr em damasco, com enfeites brancos, e rendas de França era a toitette da ex.ª sr.ª   D. Izabel Affonso: emfim todas as senhoras estavam elegantissimas. — Foi um baile esplendido na verdadeira significação da palavra. (5)

José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1875-1960) nasceu às 20h00 do dia 2 de Junho de 1875, na Rua da Oliveira em Cacilhas, numa casa conhecida por "Casa do Gato".

José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto
(Almada 02-06-1875 – Lisboa 10-01-1960)
Ser Benfiquista

O pequeno José era filho de Isidoro de Oliveira Carvalho Netto, proprietário, natural de Almada e de Dona Júlia Amélia Freitas Netto, doméstica e natural da freguesia de Nossa Srª dos Anjos em Lisboa.

Nasceu no seio de uma família abastada mas quis o destino que na sua meninice a sua família entrasse em falência num processo de garantia para um banqueiro chamado Moura Borges. (4)

Foi educado na Casa Pia, frequentou as Belas Artes de Lisboa, o curso de Escultura com 20 valores, com Anatol Calmels e Jose Simões de Almeida, tio, seus professores. Foi seu colega Simões de Almeida, sobrinho.

As suas obras foram premiadas com Medalhas de Bronze e Prata, em 1895, 1896 e 1898. Em 1910 recebe o Prémio Valmor. Foi bolseiro em Paris de 1909 a 1911. Na Exposição Madrid de 1912 recebeu a comenda de Isabel a Católica. Possui ainda medalha de Ouro da exposição do Rio de Janeiro 1923.

Professor de Desenho da Escola Nacional e vários colégios dependentes da Casa Pia de Lisboa, tendo sido seu aluno Leopoldo de Almeida.

Foi um dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica, na farmácia Franco em Belém, em Fevereiro de 1904 [...] (6)


(1) Diário de Lisboa, 28 de agosto de 1946
(2) Manuela Netto Rocha, Geneall
(3) Manuela Netto Rocha, Idem
(4) Ser Benfiquista
(5) Diario Illustrado, 3 de novembro de 1874
(6) José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto, Wikipédia

Artigos relacionados:
Courelas e Figueirinhas
D. Francisco de Noronha recorda Bulhão Pato
Largo Gil Vicente
Serzedello & Ca., Laboratorio Chimico na Margueira

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Entrada em Lisboa no dia 24 de julho de 1833

Segundo Eschwege [Wilhelm Ludwig von], e Chaumeil de Stella [Essai sur l'histoire du Portugal...], o exercito de D. Miguel compunha-se neste tempo de 5 divisões, e de uma columna movel:  

D. Miguel de Bragança (detalhe) por Johann Nepomuk Ender, 1827.
Google Arts & Culture

a 1.ª divisão occupava Lisboa sob o commando do Visconde do Pezo da Regua;
a 2.ª estava acantonada em Alcobaça e Caldas, e apoiava o seu flanco esquerdo em Torres Vedras: obedecia ao general Povoas;
a 3.ª occupava Torres Vedras e Cintra, sob as ordens de Pinto, e estendia-se além daquellas duas povonções;
a 4.ª, capitaneada pelo Visconde de Santa Martha, existia no Porto e margens do Douro;
a 5.ª divisão estava posta á disposição do governador do Algarve Visconde de Modelos;

Le Portugal et l’Europe en 1829.
Du Tage à l'Eridan épouvantant les Rois / Fait crouler dans le sang les Trônes et les lois!
La fortune toujours du parti des grands crimes / Les forfaits couronnés devenus légitimes!

Google Arts & Culture


ao sul de Lisboa entre Almada e Setubal, manobrava a columna movel, que era cumposta de milicianos.

O exercito permanente era formado das tropas seguintes: 

3 regimentos de artilheria com 29 peças e 7 obuzes; 8 regimentos de cavallaria e 5 esquadrões de policia (5:346 homens com 2:852 cavallos), 
16 regimentos de infanteria, 4 ditos de sapadores, e a guarda da policia (24:136 homens), 
e além disto 49 batalhões de realistas (18.336 homens e 209 cavados), 
e 50 regimentos de milícias (27:508 homens), os quaes se não serviam muito para o serviço do campo, podiam comtudo ser aproveitados para guarnições. (1)

Bandeira de Caçadores n° 7 com legenda.
Elucidário Nobiliarchico

A conhecida diversão para o Algarve, que elle imaginou, e tão felizmente conduzio, é um dos períodos mais brilhantes da carreira militar do actual Duque da Terceira.

Duque da Terceira (detalhe) por John Simpson, após 1834.
Imagem: Parques de Sintra

Desembarcou á testa de 2:500 homens em Cacella na costa do sul do Algarve a 21 de Junho de 1833;

Historical military picturesque..., George Landmann, Faro.
Biblioteca Nacional de Portugal

atravessou velozmente esta província, e o Alemtéjo, e por meio de um rápido movimento illudio o general Mollelos, que o aguardava em Beja com 6:000 homens, e obteve deste modo sobre elle um avanço de dois dias;

accommetteu Setúbal;

Historical military picturesque..., George Landmann, Setúbal.
Biblioteca Nacional de Portugal

bateu a 21 de Julho a divisão do brigadeiro Freitas, e a 23 Telles Jordão em Cacilhas; 

e na manhã do dia 24 entrou em Lisboa, a qual tinha abandonado poucas horas antes o duque de Cadaval [v. Rezumida noticia da vida de d. Nuno Caetano Alvares Pereira de Mello...] com forças quatro vezes superiores, apesar de que a largura do rio, e uma numerosa artilheria facilitavam tanto a defeza, que a menor resistência de Cadaval teria posto o duque da Terceira na impossibilidade até de ousar um attaque sobre Lisboa.

Historical military picturesque..., George Landmann, View up the Tejo.
Biblioteca Nacional de Portugal

Mau grado lodos estes obstáculos, o general de D. Pedro estava tão seguro do resultado, que na vespera, quando ainda as tropas de Cadaval guarneciam Lisboa, escreveu ao Imperador annunciando-lhe a tomada da Capital.

Tenho em meu poder o original desta carta memorável; é o seguinte o seu contheudo: 



— Senhor! Tenho a honra de annunciar a Vossa Magestade, que neste momento acabo de bater completamente as tropas de Telles Jordão. 3 esquadrões, 15 peças, e 700 homens d'infanteria acham-se em meu poder.

O comportamento das forças do meu commando fica acima de todo o elogio. Espero datar do Castello de Lisboa o meu proximo bolletim. 

Beijo respeitosamente as mãos de Vossa Magestade.

— Duque da Terceira. — Cacilhas em 23 de Julho de 1833.


Sobre este officio, que tem o cunho da modéstia, e da simplicidade dos antigos, escreveu a rogos meus a formosa Duquesa da Terceira o seguinte sobrescripto: — Carta do Duque da Terceira ao imperador ua vespera da entrada em Lisboa.

Pátria coroando os seus heróis, Veloso Salgado, 1904.
Museu Militar de Lisboa, Sala das Lutas Liberais (ex Sala das Campanhas da Liberdade).
Maria João Vieira Marques

Tomei a liberdade de lhe propôr que substituísse por tomada a palavra entrada, ao que retorquiu immediatamenle o Duque "Tomada tido, porque o inimigo náo sustentou a sua posição; foi unicamente uma entrada", o Quantos aflatuados redactores de bulletins seriam capazes de dar uma resposta semelhante? (2)


(1) Felix Lichnowsky, Portugal. Recordações do anno de 1842, Lisboa, Imprensa Nacional, 1845

Alguns artigos relacionados:
23 de julho de 1833, a Batalha da Cova da Piedade, por Charles Napier
Derrota dos Miguelistas em Cacilhas

Wikipédia:
Duque da Terceira
António José de Sousa Manuel de Meneses Severim de Noronha

Mais informação:
Elucidário Nobiliarchico, Apontamentos àcêrca das Bandeiras e Estandartes regimentais...
Arquivo Municipal do Porto (Documentos com referência a Cerco do Porto...)
Portuguese Civil Wars (facebook)
Portuguese Civil Wars (facebook): files
Portuguese Civil Wars (facebook): photos

domingo, 22 de julho de 2018

23 de julho de 1833, a Batalha da Cova da Piedade, por Charles Napier

Um forte Destacamento d'Infantaria , com três esquadrões de Cavallaria atravessarão o Tejo para Almada, debaixo do commando de Telles Jordão, Miguelista assanhado, e um grande bárbaro, e destinado a receber alli o justo castigo por todas as crueldades que tinha commettido, sendo Governador de S. Julião. 

Battle of Cape St. Vincent of 1833.
A squadron of Portuguese frigates commanded by British Admiral Napier on behalf of the Queen Maria Liberal faction defeated King Miguel’s Absolutist squadron, in the Portuguese Civil War
The Westphalian Post

Atravessou-se no dia 23 uma planície que separa Azeitão do logar d'Amora, e onde o inimigo se devia ter postado. Descobrirão-se então os seus Postos avançados, mas retirarão-se á aproximação do Duque; e os paisanos trouxerão á noticia de que o inimigo tinha tomado posição sobre dois montes sobranceiros ao caminho que conduz a Almada, e que alli tinhão estabellecido uma Linha d'Atiradores. 

Vista da Amora, Tomás da Anunciação, 1852
MNAC (museu do Chiado)

O Duque fez sahir os seus Caçadores em ambos os flancos da sua columna, e continuou a marcha, retirando-se os Atiradores do inimigo de outeiro em outeiro, até á entrada do desfiladeiro que pela Barreira do Alfeite, se abre no Valle da Piedade.

Tejo junto à Praia do Alfeite, António Ramalho, 1880.
Alexandra Reis Gomes Markl, António Ramalho, Pintores Portugueses, Lisboa, Edições Inapa, 2004

Este valle que se estende até á margem do Tejo por detráz de Cacilhas, he fechado da parte do Sul pelas Alturas d'Almada, e abre em um pequeno espaço, onde se entra de um lado pelo caminho por onde o Duque avançava, e do outro pelos caminhos do Pragal, á esquerda; d' Almada no centro, e de Cacilhas, por Mutella, da direita.

Almada vue d'Alfeita [sic], François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: artnet

Para alli o inimigo, conhecendo a sua superioridade em cavallaria, procurou atrahir a Columna, a fim de se poder aproveitar d'aquella arma. O Duque , que conhecia o terreno, antevio e estava preparado, para esta manobra, o que era confirmado pela pouca resistência até então opposta á sua marcha.

Almada, vista sul, Joaquim Possidónio Narcizo da Silva, 1862.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Continuou comtudo, e apenas os seus flanqueadores, que se achaváo estendidos pelo vale tiverão desalojado os do inimigo, e a testa da Columna entrado pela estrada do Alfeite, que se ouvio ao longe o estrépito de cavallaria, e logo depois, dois esquadrões, pelo caminho de Cacilhas o carregarão com uma impetuosidade que lhes devia ter assegurado a victoria. 

Vista nascente de Almada e Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Charles Landseer, 1825.
Instituto Moreira Salles

A Infanteria Portugueza tem horror á cavallaria, e principiávão a vaciliar, porem o Duque e o seu Estado-Maior indo á frente da Columna, pelo seu nobre exemplo e exhortação para estarem firmes, restaurarão a confiança; e quando o inimigo se aproximava da Columna, uma descarga lançou por terra os guias e cavallos da frente, e os que sobreviverão fugirão em grande confusão... 

Pátria coroando os seus heróis, Veloso Salgado, 1904.
Museu Militar de Lisboa, Sala das Lutas Liberais (ex Sala das Campanhas da Liberdade).
Imagem: Maria João Vieira Marques

O Duque proseguio no seu feliz êxito com vigor, e deixando o 6.° d'lnfanteria para cobrir os caminhos do Pragal e Almada, avançou com o resto das suas tropas em direitura a Cacilhas, a fim de cortar a retirada ao inimigo, tendo feito occupar as avenidas que conduzem a Almada por varias Companhins do 3.° d'Infanteria. 

O inimigo tinha duas peças de campanha á entrada do largo de Mutella; mas o 2.° e 3.° de Caçadores, desprezando o seu fogo, armarão baionetas e tomarão a Artilheria; e fazendo avançar a testa da Colunma, o Duque penetrou já depois de noite até ao Caes de Cacilhas. 

Plan de Lisbonne son port, ses rades et ses environs avec une petite carte routière du Portugal (detalhe), 1833.
Biblioteca Nacional de Portugal


He absolutamente impossivel descrever a desordem que teve logar n'esta occasião. Infanteria , Cavallaria, e bagagens , — Generaes, Officiaes, e Soldados , se precipitavão dentro das embarcações. 

A escuridão da noite augmentava a confusão; misturárão-se os vencedores com os vencidos; e, muito em honra dos primeiros, pouparão o inimrgo que já não resistia; meia hora depois ambos os contrários já erão amigos.

Praia de Cacilhas, The Harbour of Lisbon, Charles Henry Seaforth (1801 - c. 1854).
reprodução em colecção particular

Como a Fortaleza d'Almada se não tinha ainda rendido, o Duque fez contramarchar as suas tropas, deixando uma guarda no Caes de Cacilhas, e marchou para a entrada d'aquella Villa; mas desejando poupar quanto fosse possivel as suas tropas e o inimigo vencido, e evitar a desordem inseparável de uma entrada forçada n'uma Cidade em uma escura noite, fez alli alto, e o General Schwalbach, que commandava a testa da Columna, mandou o seu Ajudante-de-campo, o Alferes Jorge, com bandeira parlamenlar para intimar á fortaleza que se rendesse. 

Este foi desgraçadamente encontrado por alguns da Cavallaria Miguelista, e por elles mortalmente ferido.

O Duque permaneceo na sua posição, e no dia seguinte ao amanhecer rendêo-se Almada, e a guarnição depôz as armas na ezplanada. 

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Wikimedia

A perda do inimigo n'esta acção não poderia ter sido menos de mil homens em mortos, feridos, e afogados; Telles Jordão, que era o Commandante foi do numero dos primeiros; elle merecia bem o sen destino. (1)


(1) Charles Napier (trad. Manoel Codina), Guerra da successão em Portugal, Lisboa, 1841

Tema:
Guerras Liberais

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Escoveiro (á Cova da Piedade)

No tempo de D. Miguel havia reuniões, a que se chamavam frescatas, termo favorito de um também engraçado, franco e generoso conviva, e que depois tomou por apellido Frescata, João Maria Frescata, cavalheiro de fino trato, que bem merecia ter um fim mais feliz do que teve (F. J. de Almeida, Apontamentos da vida de um homem obscuro, pag. 137).

Retrato de D. Miguel I, João Baptista Ribeiro, c. 1828.
Imagem: MNSR

Nas frescatas nas hortas dos arredores da Lisboa de 1833, guitarreavam-se modinhas. Assim acontecia na Gertrudes da Perna de Pau, no Manuel Jorge, ás portas de Sacavem, no Zé Gordo, na calçada de S. Sebastião da Pedreira, no Quintalinho, á Cruz do Taboado — onde se vendiam iscas de vitella espetadas em palitos — e no Calazans, á Cruz dos Quatro Caminhos.

Uma borga na horta das tripas, Raphael Bordallo Pinheiro, O António Maria n.° 305, 1891.
Imagem: Hemeroteca Digital

Nas suas succedaneas de 1846, já se guitarreava o fado, como succedia na Horta das Tripas, no Escoveiro (à Cova da Piedade), no Ezequiel ao Dafundo, no Miséria da estrada de Palhavã, na Vitelleira da travessa dos Carros, na Rabicha, no Campo Pequeno, no Arco do Cego, na Madre de Deus e no Beato António [...] (1)

*
*     *

Durante a mocidade de nossos paes, a Cova da Piedade foi celebre pela casa de pasto do antigo Escoveiro, theatro de memoráveis noitadas de amor e de batota.

Vista Geral — Cova da Piedade ed. desc., década de 1900
Imagem: Delcampe

O pretexto da concurrencia ao Escoveiro era a sua afamada sopa de camarões e os salmonetes, que elle preparava do um modo especial, mettendo-os no forno envoltos n'um papel com manteiga, e servindo-os em sumo de limão, polvilhados de pimenta. 

Uma belleza! Comidos os salmonetes, armava-se a mesa do monte e muitos dos estroinas celebres da terrível Lisboa de ha trinta annos abancavam ao jogo até o outro dia pela manhã.

Chafariz do Pombal, Almada, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe

N'uma noite que lhe deveria ter ficado de memória, o pobre Escoveiro deixou as caçarolas, para ver a jogatina, em que se faziam, paradas de cincoenta moedas, e arriscou de porta um cruzado novo. 

Cruzado novo foi elle, qua puxou atraz de si para o panno verde, dentro de pouco tempo, toda a linda fortuna que o Escoveiro accumulara om longos annos de sabia economia e de lucrativa gloria culinária. 

Cova da Piedade, zona rural, Francesco Rocchini, anterior a 1895.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

O infortúnio do estalajadeiro destingiu lugubremente na estalagem, e toda clientella — noivados, que por vezes vinham aos sabbados com os padrinhos, os parentes e os convidados celebrar os bodas com um jantar; raparigas alegres, rapazes patuscos, simples burguezes, pacatos amantes da boa mesa, e os próprios batoteiros, — fugiu, como de um lugar sinistro, da assignalada casa do Escoveiro arruinado.

Almada [Cova da Piedade], Uma Burricada, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 14, década de 1900.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Ainda hoje, depois de tantos annos, o prédio respectivo, á entrada da estrada de Cezimbra, sempre fechado, de frontaria apalaçada, mas ennegrecida, tem como um ar de desgraça. (2)


(1) Pinto de Carvalho (Tinop), História do Fado, Lisboa Empreza da História de Portugal, 1908
(2) Ramalho Ortigão, Gazeta de Noticias, 7 de dezembro de 1886

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Ilustrações de Finden à vida e obra de Byron

Pensou-se desejável fazer num volume, os primeiros oito números destas ilustrações de Lord Byron (1788-1824), em paisagem e retrato, para organizá-las de uma forma menos inconstante do que foi a ordem da sua publicação, e acompanhar as estampas com informação, de autores eminentes e de fontes originais, sobre os temas das gravuras.

Lord Byron (1788-1824) por Thomas Phillips, 1813.
Imagem: Wikipedia

O primeiro volume é assim apresentado ao público de uma forma completa; e os sucessivos oito números do trabalho serão, após a sua publicação, adaptados do mesmo modo,  formando assim um elegante acessório para a mesa de sala e para a biblioteca de obras ilustradas [...]

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BELEM CASTLE, LISBON

Desenhado por C. Stanfield, A.R.A.
[Associate of the Royal Academy]


Belem Castle, Drawn by C. Stanfield, Engraved by E. Finden.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal
On, on the vessel flies, the land is gone,
And winds are rude in Biscay's sleepless bay.
Four days are sped, but with the fifth, anon,
New shores descried make every bosom gay;
And Cintra's mountain greets them on their way,
And Tagus dashing onwards to the deep,
His fabled golden tribute bent to pay;
And soon on board the Lusian pilots leap,
And steer 'twixt fertile shores, where yet few rustics reap.

Childe Harold, canto i. St. 14.
[...] Saímos agora da Torre de Belém, onde um escritório é mantido para o registo de todos os navios que entram e saem do Tejo; assim como num estabelecimento de oficiais de alfândega, oficiais de saúde, e um deepartamento de policia naval, para a proteção da propriedade, e a defesa da passagem.

Belem Castle, Rev. William Morgan Kinsey, Portugal Illustrated in a series of letters, 1827.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Mr. Hobhouse, numa nota às linhas de Lord Byron "Escrito depois de nadar a partir Sestos a Abydos", diz, "Meu companheiro antes tinha feito uma travessia mais perigosa, mas menos célebre; lembro-me de que, quando estávamos em Portugal, ele nadou desde Lisboa velha até à Torre de Belém; e mesmo tendo que lutar com a maré,  a contra-corrente e o vento fresco, demorou pouco menos de duas horas a travessia".

LISBON, FROM FORT ALMADA

Desenhado por C. Stanfield, A.R.A. a partir de um Esboço de W. Page.


Lisbon from Fort Almeida [sic], Drawn by C. Stanfield from a Sketch by W. Page, Engraved by E. Finden, Fieldmarshal The Duke of Wellington
Imagem: Cesar Ojeda
What beauties doth Lisboa first unfold!
Her image floating on that noble tide,
Which poets vainly pave with sands of gold,
But now whereon a thousand keels did ride
Of mighty strength, since Albion was allied,
And to the Lusians did her aid afford:
A nation swoln with ignorance and pride,
Who lick, yet loathe, the hand that waves the sword,
To save them from the wrath of Gaul's unsparing lord.

But whoso entereth within this town,
That sheening for celestial seems to be,
Disconsolate will wander up and down
'Mid many things unsightly to strange ee;
For hut and palace shew like filthily,
The dingy denizens are reared in dirt;
No personage of high or mean degree
Doth care for cleanness of surtout or shirt,
Though shent with Egypt's plague, unkempt, unwashed, unhurt.

Childe Harold, canto i. st. 16, 17.
É difícil encontrar um único autor que tenha escrito sobre Lisboa, sem perceber que, quando quase esgotou os termos de panegírico sobre a sua bela localização e gloriosa aparência, traz instantaneamente, em contraste com estes, a linguagem do desprezo e repugnância à imundície e abominações desta pior que pintada sepultura.

"Quando entrámos Lisboa no ano passado, após a convenção de Cintra, pelas estradas que a ela levam a partir do Vimeiro" diz o coronel Leach, no seu "Rough Sketches of the Life of an Old Soldier...", "não tinhamos, até agora, uma oportunidade de julgar de sua aparência a partir do Tejo. As casas de campo e conventos ao lado das mais pitorescas colinas, densamente plantadas com vinhas; a legião de moinhos de vento perto de Belém; e, finalmente, a cidade em si, formam juntos uma imagem encantadora, que qualquer tentativa minha para lhes fazer justiça deve inevitavelmente falhar por completo. Além disso, de Lisboa e o seu rio têm sido muitas vezes descritos por penas muito mais capazes [...]"

No meio de tudo isso, no entanto, Lord Byron mostra-se, por escrito ao Sr. Hodgson de Lisboa, num dos seus mais alegres estados de espírito, diz ele: 

"Estou aqui muito feliz, porque gosto de laranjas, e falar mau latim com os monges, que o compreendem, como se fosse o seu próprio; e vou para a sociedade (com as minhas pistolas de bolso), e nado no Tejo que atravesso de uma vez, e passeio de burro ou mula, e digo palavrões em português, e tive uma diarreia e picadas dos mosquitos; mas o que é isso? o conforto não deve ser esperado por pessoas que vão a prazeres."

Da cena específica, que constitui o objecto da estampa em anexo, a melhor descrição é encontrada a acompanhar a vista do coronel Batty tomada quase do mesmo local, na sua obra "Select Views of the Cities of Europe", — Lisbon, from Almada.

"Em frente a Lisboa fica Almada, no cume, e perto do extremo leste, das altas falésias, que se estendem ao longo da margem sul do Tejo, a partir daí para o mar. A partir desta posição elevada temos uma série de vistas panorâmicas de grandeza incomparável."

"Para norte toda a extensão de Lisboa é vista cobrindo as colinas opostas, e formando uma borda brilhante para o Tejo. Para o oeste, o nobre rio é visto continuando seu curso majestoso, e fluindo para o oceano Atlântico oceano, entre as torres distantes de St. Julian e de Bugio; e para este o rio espalha-se num vasto estuário, delimitada por uma longa extensão de terra."

"Para sul os outeiros de Almada inclinam-se para um vale coberto de vinhedos, atrás do qual há uma subida gradual com colinas arborizadas, até que, a uma distância de várias milhas, o horizonte é limitado pela cadeia montanhosa da Serra d'Arrábida, tendo a notável montanha coroada com o castelo de Palmela para este, e o castelo mouro distante de Cezimbra em direção a oeste."

"Na vista em anexo, o espectador é suposto estar a olhar para montante do rio, na direção noroeste."

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia

"Parte de Lisboa ocupa o lado esquerdo da cena. O convento da Penha de Franca fica na colina mais distante nesse lado. Um pouco à direita, na colina ao lado, é a capela de Nossa Senhora da Monte. O castelo é visto cobrindo o morro ainda mais para a direita; e as torres da igreja de São Vicente, o local de enterro dos monarcas portugueses, coroam o cume da colina perto da extremidade da cidade." 

"Em linha com as torres de São Vicente, mas mais próximo do espectador, são as velhas torres castanhas da catedral [sé]; e à sua frente, perto para o Tejo, são os edifícios que cercam a Praça do Commercio: estes, com a Alfandega, o arsenal naval, e o Caes de Sodré, formam juntos uma gama imponente de edifícios. Numeros navios estão espalhados sobre a ampla bacia do Tejo;"

"o todo, combinado com a alta e precipitada falésia de Almada, em primeiro plano, formam uma interessante e impressionante paisagem".

CINTRA

Desenhado por C. Stanfield, A.R.A. a partir de um Esboço de Capt. Elliot.


Cintra, Drawn by C. Stanfield from a Sketch by Captain Elliot, Engraved by E. Finden, Fieldmarshal The Duke of Wellington
Imagem: ANTIQBOOK
Lo! Cintra's glorious Eden intervenes
In variegated maze of mount and glen.
Ah me ! what hand can pencil guide, or pen,
To follow half on which the eye dilates
Through views more dazzling unto mortal ken
Than those whereof such things the bard relates,
Who to the awe-struck world unlock'd Elysium's gates?

The horrid crags by toppling convent crown'd,
The cork-trees hoar that clothe the shaggy steep,
The mountain moss by scorching skies imbrown'd,
The sunken glen whose sunless shrubs must weep,
The tender azure of the unruffled deep,
The orange tints that gild the greenest bough,
The torrents that from cliff to valley leap,
The vine on high, the willow-branch below,
Mix'd in one mighty scene, with varied beauty glow.

Childe Harold, canto i. st. 18, 19.

MAFRA

Desenhado por D. Roberts a partir de um Esboço de C. Landseer.


Mafra, Drawn by D. Roberts from a Sketch by C. Landseer, Engraved by E. Finden.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal
Yet Mafra shall one moment claim delay,
Where dwelt of yore the Lusians' luckless queen;
And church and court did mingle their array,
And mass and revel were alternate seen
Lordlings and freres ill-sorted fry I ween!
But here the Babylonian whore hath built
A dome, where flaunts she in such glorious sheen,
That men forget the blood that she hath spilt,
And bow the knee to pomp that loves to varnish guilt.

Childe Harold, canto i. st. 29.


(1) William Brockedon (1787-1854), Edward Francis Finden (1791-1857), William Finden (1787-1852), Finden's illustrations of the life and works of Lord Byron, Vol. I, London, J. Murray, 1833

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Informação adicional:
D. G. Dalgado, Lord Byron's Childe Harold's pilgrimage to Portugal, Lisboa, Imprensa nacional, 1919
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