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domingo, 13 de março de 2016

O fado do Virgílio

A praia da Costa de Caparica, ainda ha poucos anos alcunhada de "praia selvagem", é hoje uma das mais concorridas e apreciadas praias de Portugal. Foi como que uma transformação de magica...

Praia da Costa da Caparica, 1933.
Imagem: Hemeroteca Digital

A praia, que era raramente visitada por uns raros visitantes, bate hoje o "record", da concorrência. Aflui ali, principalmente aos domingos, uma multidão enorme de gente de todas as camadas sociais, ávida de respirar, a plenos pulmões, o ar iodado do mar.

É vê-Ia, logo de manhã cedo, a correr para os vapores quê do Terreiro do Paço e de Belém fazem carreira para a Trafaria e a assaltar as "camionettes" que dali a conduzem á "Praia do Sol".

Trafaria — Caes de embarque, ed. Alberto Aguiar, 6, década de 1930.
Imagem: Delcampe

Familias inteiras, ajoujadas com seus farneis, vão para lá passar o dia, á sombra acolhedora dos toldos e das barracas de lôna. A população fluctuante da praia, dá-lhe uma vida cheia de movimento e de colorido bizarro.

A Praia do Sol, Um trecho da praia, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, s/n, c. 1930.
Imagem: Delcampe

E toda a gente se descalça e se mete na agua, que anda no seu vai-vem constante...

As crianças, umas completamente nuas, outras com os seus mais variados fatos de banho, imprimem-lhe uma nota alegre, chapinhando na agua, á beira do mar, ou a dár cabriolas na areia.

Costa de Caparica, Praia do Sol, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, s/n, década de 1930.
Imagem: Delcampe

Dentre elas sobressai, pela sua originalidade, um miudo de 7 anos chamado Virgílio, garoto esperto. azougado, que canta o fado sem acompanhamento, demonstrando uma excelênte memoria, pois que do seu "repertorio" fazem parte nada menos de seis cantigas, com o mote e suas respectivas decimas.

O pequeno Virgilio, tisnado pelo sol da praia, alegra a "Praia do Sol" cantando, junto dos visitantes domingueiros, os seus "fadinhos", dizendo os versos numa linguagem cheia de pitoresco...

Grupo de veraneantes na Costa da Caparica, 1933.
Imagem: Delcampe

Enquanto êle canta, as irmãsitas, a Izaura, a Madalena e a ldalina, apregoam e vendem "agua fresquinha" a tostão cada copo... É uma familia de gente pobre, trabalhadora. O pai trabalha sempre que ha em quê; 

Costa da Caparica, Wolfgang Sievers, 1935.
Imagem: eBay

a mãi acarreta bilhas de agua que as filhitas vendem, bem novas começando na luta pela vida, e Virgilio canta no verão, como a cigarra...

O repórter de O Século, ouvindo alguns pescadores da Costa da Caparica sobre a grave crise que atravessam, 1938.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

A grande simpatia que nos inspirou o simpático miudo, inspirou-nos os seguintes versos "virgilianos" que ele aprendeu com facilidade espantosa e aos quais imprime um grande tom de convicção:

Fado do Virgílio 

MOTE

Sou o rival do Menano, 
Canto conto um rouxinol; 
Sou pobre Caparicano 
E alegro a "Praia do Sol"

Filhos de pescadores da Costa da Caparica, 1933.
Imagem: Hemeroteca Digital

GLOSAS

Apesar de ser pequeno
E viver junto do mar, 
O "fadinho" sei cantar 
No estilo mais ameno; 
Para mim não há "empeno" 
A cantá-lo não me engano, 
Porque sou um lusitano, 
E, por êle, apaixonado, 
Por isso, a cantar o fado, 
"Sou o rival do Menano".


E toda a gente se encanta 
Ao ouvir a minha voz, 
Por aí corre veloz 
A fama desta garganta; 
A mim já nada me espanta 
Que, em breve, esteja no rol 
Dos grandes cantores de escol 
Que assombram com sua Arte, 
Pois eu, a modéstia aparte, 
"Canto como um rouxinol"...

Costa da Caparica, turistas posam à proa de um "Meia Lua".
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Embora eu ande descalço 
E pobremento vestido, 
Por todos sou bem-querido 
Pois não tenho olhar de falso; 
Da Honra sigo no encalço, 
Por ser um dever humano, 
O meu trabalho é insano 
Para não pedir esmola, 
E dizê-lo me consola: 
"Sou pobre Caparicano".

Costa da Caparica, turistas, 1938.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Aos domingos venho à praia 
Vêr mulheres quási nuas 
Que, em Lisboa, pelas ruas, 
Usam mui comprida a saia, 
E quando no céu espraia 
Seus lindos raios, o sol, 
E enquanto dura o "briol" 
E fazem bem às barrigas, 
Eu canto as minhas cantigas 
"E alegro a "Praia do Sol".

Veraneantes na Costa da Caparica, 1938.
Imagem: Dias que Voam

Por fim, munido de alguns exemplares do "seu" fado, dos muitos que lhe démos, e que um generoso amigo nos imprimiu gratuitamente em bom papel "couchet", o Virgílio distribui-os pelos mais graduados ouvintes, fazendo uma bôa colheita de "corôas" que êle corre a levar á mãi, sem gastar, sequer, um tostão, apesar de, na praia, haver muios "caramelos" e "barquillos" que êle conhece apenas de nome e de vista... 

Trafaria — Avenida Florestal, ed. Alberto Aguiar, década de 1930.
Imagem: Delcampe

Assim, espera juntar dinheiro para comprar um fato novo para ir à escola, pois, inteligente como é, depressa aprenderá a lêr, preparando-se para a vida. (1)


(1) Lima Pereira, Ilustração, n.° 14, 1933

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Arte xávega na Costa da Caparica a Património Imaterial

A Arte-Xávega é uma técnica de pesca tradicional que consiste na utilização de uma rede de cerco envolvente que é lançada no mar e depois puxada para terra.

O mar como patrimonio, exposicão: arte-xávega na Costa da Caparica, 2015.
Imagem: Francisco Silva

A Arte, como é designado o conjunto constituído por cordas, alares e saco, é lançada ao mar a partir de uma embarcação, deixando em terra a ponta da corda designada por banda panda. Depois de largar a rede, a embarcação regressa à praia trazendo a outra ponta de corda, designada por banda barca.

Logo que a segunda corda chega à praia inicia-se o processo de alagem em simultâneo de ambas as cordas, puxando para a praia a rede cuja boca do saco se mantém aberta através da utilização de boias e de pesos.

Praia do Sol, C. Caparica, ed. José Nunes da Silva, s/n
Imagem: Delcampe

Esta técnica de pesca, praticada também em outras regiões do país, foi trazida para a Costa da Caparica por comunidades piscatórias de Ílhavo e Olhão, responsáveis pelo povoamento do lugar. 

Adaptando-se às praias e ao mar da Costa da Caparica, a Arte-Xávega adquiriu características específicas que a distinguem de práticas semelhantes utilizadas em outras regiões do país.

Considerada como arte de cerco envolvente de puxar para terra a Arte-Xávega tem uma origem remota que segundo alguns autores remonta à pré-história, estando documentada em diversas regiões do Mediterrâneo mas também no Índico. 

Barco lua na praia de Cox's Bazar, baía de Bengala, Bangladesh.
Imagem: WATEVER

Em Portugal a utilização das redes da Arte-Xávega nos moldes que atualmente se conhecem remontam ao século XVIII e terão sido introduzidas por armadores andaluzes e catalães nas praias do Algarve e da Costa Nova, na sequência da proibição em 1725 da pesca de arrasto nas praias da Catalunha.

Na Costa da Caparica as condições naturais necessárias à utilização da Xávega: praia aberta e sem obstáculos, fundos de areia sem rocha e abundância de peixe, associada à proximidade da foz e estuário do Tejo, atraíram companhas de pescadores oriundos de Ílhavo e Olhão que aqui vinham pescar sazonalmente tirando partido do mar mais calmo e da proximidade do mercado da capital para o escoamento do pescado, principalmente sardinha.

Costa da Caparica, Entrando no mar, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, s/n, cliché João Martins

A partir de 1770 ter-se-ão fixado definitivamente na Costa as primeiras companhas oriundas de Ílhavo dando início ao povoamento do lugar, até então despovoado e desprezado pelas populações locais, em parte devido à insalubridade derivada da existência de pântanos e juncais que dominavam a paisagem de areal da costa atlântica da freguesia de Caparica.

Como forma de dar resposta a algumas das necessidades da população que então passou a constituir a povoação da Costa os mestres das companhas organizaram o "Cofre dos Quinhões das Companhas", para o qual cada companha contribuía conforme o pescado vendido, com o rendimento do cofre se pagava anualmente ao “cirurgião”, ao padre e ao escrivão.

Costa da Caparica, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Mário Novais, 1946.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

O muro de cemitério e a sua pequena capela, assim como o poço que abastecia a população de água potável, foram igualmente pagos com dinheiro do "Cofre", que financiava as festas em honra da padroeira, Nossa Senhora do Rosário, a manutenção da capela e o apoio aos mais desvalidos da comunidade.

Praia do Sol, C. Caparica, ed. José Nunes da Silva, s/n, Poço de Bomba.
Imagem: Delcampe

A organização social destas primeiras comunidades locais baseava-se em laços familiares e laborais, sendo que cada companha constituía como que uma família alargada, num segundo nível.

Os locais de origem marcavam de forma mais profunda a separação social entre ílhavos e algarvios, que ocupavam espaços territoriais diferenciados, cuja linha divisória (atual Rua dos Pescadores) separava os descendentes dos ilhavenses, a norte, dos algarvios, a sul.

Identificam-se entre alguns pescadores e pescadoras indivíduos oriundos do Alentejo que se fixaram na Costa da Caparica e desenvolveram a sua atividade em torno da pesca.

Costa da Caparica, Almada, Passaporte, 69, Pescadores transportando as redes.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Acerca da origem dos membros da comunidade piscatória importa ainda referir que a necessidade de força de trabalho utilizada na Arte-Xávega contribuiu para integrar na comunidade muitos indivíduos de origens desconhecidas que procuravam abrigo e trabalho nas companhas da Arte-Xávega.

Eram chamados barraqueiros por habitarem nas barracas da companha, utilizadas para guardar as redes e outros apetrechos de pesca. Esta realidade mantém-se atual, sendo que continuam a habitar nos alvéolos dos pescadores da Costa vários pescadores de origem africana.

A Praia do Sol, O transporte da rede e a faina, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 105.
Imagem: Delcampe

Contudo, na sua maioria, os membros da comunidade piscatória são naturais da Costa da Caparica, sendo a pesca uma atividade que se mantém no âmbito das famílias e um recurso perante a falta de outras oportunidades de ocupação profissional.

A Arte-Xávega seria então o principal método de pesca utilizado de entre outras artes tradicionais de cerco e alar para terra como o Chinchorro, a Rede-Pé, a Mugeira ou o Estremalho, artes que foram proibidas por terem malhagens reduzidas sendo por isso consideradas muito predatórias.

A pesca com a Arte-Xávega, mais precisamente a condução das redes, fazia-se com recurso a embarcações designadas Saveiros ou Barcos de Mar, trazidos pelos pescadores da Beira Litoral (Mira, Torreira, por exemplo onde ainda hoje são utilizados).

Barco de Mar, companha de S. José, praia de Mira.
Imagem: ahcravo's Blog

Eram movidos a remos por tripulações com cerca de vinte remadores a bordo, contudo as condições do mar da Costa da Caparica levaram à transformação dos Saveiros em embarcações mais pequenas e com um desenho ligeiramente diferente a que se chamou Meia-lua (por apresentarem as bicas simétricas enquanto o Saveiro apresenta a bica da proa mais elevada do que a da popa) ou Saveiro da Costa.


Em comum ambas as embarcações apresentavam o fundo plano, que permitia a manobra deslisando sobre a areia, bem como a popa e a proa elevadas para vencer a rebentação das ondas quer à vante quer à ré adaptando-se ao vale da onda.

O meia-lua, de dimensões variáveis consoante o número de remos que levava: dez, oito ou seis, embarcava uma tripulação composta pelo arrais, espadilheiro (manobrava o remo da espadilha colocado à popa que servia de leme), calador (responsável por "meter" e largar a rede), rapaz do pau da corda e os remadores, um por cada remo, conforme a dimensão da embarcação.

Pormenor da praia da Caparica, ed. Fotex, 144
Imagem: Delcampe

A partir de meados do século XX os meias-luas vão sendo substituídos por embarcações mais pequenas designados por "barco de duas bicas", que apresentavam ainda a popa e a proa levantadas mas com as bicas mais baixas, ainda movido a remos mas de mais fácil manobra e adaptado a outros tipos de pesca para além da Arte-Xávega.

Costa da Caparica, Saindo para o mar, ed. Centro de Caridade N. Sra. do Perpétuo Socorro, 173.
Imagem: Delcampe

Na Costa da Caparica a adaptação de motores aos barcos da Arte-Xávega iniciou-se na década de setenta do século XX. Fazia-se nos meia-lua através de um "poço" à popa, onde o motor era introduzido na vertical. Isso obrigava a que, na chegada à praia, o motor tivesse de ser levantado para não bater no fundo.

No sentido de aumentar a segurança e a estabilidade da embarcação, bem como torná-la mais versátil para outros tipos de pesca, foram sendo introduzidas as Lanchas ou Chatas.

Costa da Caparica, Puxando a barca para a pesca,
ed. Centro de Caridade N. Sra. do Perpétuo Socorro, 613.
Imagem: Delcampe - Bosspostcard

A mecanização da alagem através da adaptação de aladores à tomada de força dos tratores, introduzidos na década de setenta do século XX para apoiar as manobras das embarcações e o transporte do peixe, resulta de várias experiências realizadas por alguns armadores locais e generaliza-se a partir de finais da década de oitenta do século XX.

Costa da Caparica, Companha São José, de volta à faina, 2015.
Imagem: Francisco Silva no Facebook

Segundo a opinião de alguns pescadores, recolhida em contexto de diálogo informal, a mecanização dos barcos, do transporte do peixe e da alagem da rede é condição determinante para a sobrevivência da Arte-Xávega na Costa da Caparica, pois já ninguém se sujeitaria ao esforço necessário para realizar manualmente e à força de músculos todas as tarefas necessárias durante uma jornada de pesca.

Costa da Caparica, Pôr do Sol, ed. Passaporte, s/n.
Imagem: Delcampe

A faina da pesca realizada através da Arte-Xávega na Costa da Caparica, sendo praticada no mar e na praia constitui uma atração turística que cativa muitos dos frequentadores da praia nomeadamente banhistas que principalmente durante os meses de verão acorrem em grande número para observar a chegada à praia da rede e a escolha do peixe.

Nesse sentido apesar da proibição desta prática da pesca nas áreas concessionadas entre 09:00 e 19:00 horas, imposta durante a época balnear, alguns concessionários viabilizam o acesso dos tratores através das concessões no sentido de possibilitar a prática da Arte-Xávega.

A possibilidade de comprar peixe na praia diretamente aos pescadores constitui outro atrativo que contribui para a valorização da Arte-Xávega na Costa da Caparica enquanto recurso turístico, para além de favorecer o rendimento das companhas.

Encontram-se jovens de ambos os sexos integrados nas companhas da Arte-Xávega, tendo como principal objetivo auferir de algum rendimento monetário. 

Apesar de se observar alguma falta de interesse por parte das novas gerações em dar continuidade à atividade piscatória na Costa da Caparica, observa-se uma renovação das companhas entre as quais se encontram atualmente três governadas por “donos” com idades na casa dos quarenta anos ou menos.

Nesse sentido considera-se que os conhecimentos e experiência necessária ao governo da Arte, principalmente no que diz respeito à construção e manutenção das redes imprescindíveis à continuidade da prática da Arte-Xávega e sem qualquer viabilidade de produção industrial, se encontram minimamente salvaguardados e com possibilidade de terem continuidade e viabilidade económica.

Costa da Caparica, As redes, aguarela de Manuel Tavares, 1965.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

O património imóvel associado à comunidade piscatória da Costa da Caparica e por inerência à prática da Arte-Xávega relaciona-se com os locais de arrumação dos aparelhos e artes de pesca, bem como a habitação.

Contudo, em virtude do crescimento urbano da cidade da Costa da Caparica, observaram-se a partir da primeira metade do século XX transformações profundas que condicionaram a atual concentração habitacional da comunidade piscatória.

Os primeiros locais de fixação de população na Costa da Caparica dividiam-se em dois núcleos separados pelo traçado da atual Rua dos Pescadores — as famílias de pescadores oriundos do Algarve a norte, e as de Ílhavo a sul.

Costa da Caparica, Vista parcial e Rua dos Pescadores, ed. Passaporte, 72, década de 1960.
Imagem: Delcampe

As habitações primitivas da Costa eram construídas em tábuas e estorno (gramínea que se desenvolve nas dunas).

O primeiro bairro em alvenaria foi construído a norte da Rua dos Pescadores em 1884 por iniciativa do deputado Jaime Artur da Costa Pinto, com a finalidade de alojar as famílias de pescadores cujas habitações haviam sido destruídas por um incêndio.

Costa da Caparica, As novas edificações, 1887, desenho de João Ribeiro Cristino
Imagem: Hemeroteca Digital

Contudo, a partir do primeiro quartel do século XX, com o desenvolvimento da Costa da Caparica enquanto estância balnear e subsequente urbanização da zona norte da povoação as famílias dos pescadores que se aí se haviam instalado foram de alguma forma "empurradas" para sul, onde surgiu o bairro de barracas designado por "Rua 15".

Aspecto do bairro piscatório da Costa da Caparica, 1938.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

A partir da década de sessenta do século XX, com a construção do Bairro dos Pescadores, integrada nas medidas de fomento da pesca tradicional promovidas pelo Estado Novo através do almirante Henrique Tenreiro e da Junta Central da Casa dos Pescadores, sedeada na Costa da Caparica, a maioria dos pescadores da Costa da Caparica passa a dispor de habitação no bairro cuja construção se desenvolverá em três fases.

Acerca da habitação dos pescadores foi possível perceber que a proximidade da habitação ao mar é uma condição determinante para a viabilidade da atividade da pesca, pois a decisão acerca da saída para a faina depende da observação do estado do mar, pelo que a proximidade da praia é determinante na decisão dos mestres e na possibilidade de chamar os camaradas para a faina.

Importa referir que tradicionalmente um dos elementos da companha, geralmente uma criança, tinha a função de "chamador": percorria as habitações dos pescadores gritando "chama o arrais" convocando assim os pescadores para a faina.

Uma das zonas referidas pelos pescadores mais idosos, como local de referência para a comunidade piscatória da Costa da Caparica situa-se onde se encontra o Hotel Praia do Sol.

A Praia do Sol - O Hotel, década de 1930
ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia.
Imagem: Delcampe

Esse local era designado "o Alto" onde se concentrava um núcleo habitacional e onde se via o mar. Quando os alcatrazes caiam mergulhando no mar era sinal de sardinha.

Em data não determinada, quatro famílias da Costa da Caparica foram fundar a povoação da Fonte da Telha, onde se juntam também duas famílias da Charneca.

A Fonte da Telha (Costa da Caparica, Praia do Sol), Cruz Louro, 1937.
Imagem: Cruz Louro

A transformação determinante na história da Costa da Caparica e da sua comunidade piscatória opera-se a partir da década de vinte do século passado com a classificação de estância balnear.

As famílias de pescadores passam então a alugar as suas casas aos "banhistas" habitando durante o verão nas barracas de apoio à pesca, alguns pescadores durante esse período passam a trabalhar como banheiros nas praias concessionadas.

A Arte-Xávega, os seus pescadores e principalmente os barcos meia-lua, constitui uma atração turística, passando a imagem do pescador e do barco meia-lua a estar ligada à promoção turística da Costa como "imagem de marca".

Costa da Caparica, barco meia-lua, Adriano Sousa Lopes, década de 1930.
Imagem: Flickr

Diversos fotógrafos registaram imagens da faina piscatória na Costa da Caparica, sendo que algumas dessas imagens foram publicadas em postais e folhetos turísticos.

Artistas plásticos e fotógrafos, entre os quais se destacam José António Passaporte, João Martins e Júlio Dinis, registaram os métodos de pesca então utilizados na Arte-Xávega constituindo um acervo que permite documentar a Costa da Caparica e das suas gentes durante a primeira metade do século XX.

Importa ainda referir que não se realizou nenhum recenseamento da comunidade piscatória, havendo contudo indícios de que algumas pessoas que trabalham na pesca habitem em outras localidades do concelho, nomeadamente a Charneca e o Monte de Caparica, sem esquecer a Trafaria, povoação piscatória cuja ocupação antecede a Costa da Caparica e onde residem muitos pescadores que também pescam e integram as companhas da Costa.

As novas tecnologias de comunicação e a facilidade das deslocações com recurso a meios de transporte próprios terá introduzido algumas alterações ao nível dos locais de habitação dos pescadores, contudo o caracter familiar da atividade contribui para que na sua maioria a classe piscatória habite na Costa da Caparica.

As principais manifestações religiosas da comunidade piscatória da Costa da Caparica já não se realizam, contudo permanecem na memória coletiva das populações locais demonstrando a religiosidade própria dos pescadores que, não frequentando a igreja, possuem uma forte devoção associada à proteção que esperam receber.

As principais celebrações consistiam numa procissão em honra de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Costa da Caparica, durante a qual era transportada uma miniatura de meia-lua cuja tripulação é composta por Jesus Cristo e os apóstolos (imagem conservada na primitiva igreja paroquial).

Costa da Caparica, Procissão da Senhora do Rosário, Revista Ilustração, 1937.

A Nossa Senhora do Cabo Espichel constituiu outra das devoções da comunidade piscatória da Costa que, até às primeiras décadas do século XX participava regularmente no Círio do Cabo, percorrendo parte do percurso pela praia.

As práticas de pesca tradicional utilizadas na Costa da Caparica estão dependentes de um conjunto de fatores naturais que condicionam o sucesso da atividade e os riscos associados à navegação que podem colocar em perigo a integridade física dos pescadores.

Costa da Caparica, Almada, Passaporte, 60, Arribação dos pescadores após o lançamento das redes

Nesse sentido, embora seja difícil aferir as crenças e devoções particulares de cada pescador, alguns dos aspetos referidos no Anexo I em 19.3. [ver anexos], nomeadamente a pintura de um olho de cada lado da proa de algumas embarcações assim como os nomes que lhes são atribuídos, constituem no nosso entender aspetos que caraterizam as manifestações de Património Imaterial associadas à Arte-Xávega na Costa da Caparica. (1)



(1) MatrizPCI: Arte-Xávega na Costa da Caparica

Anexos:
MatrizPCI — Chata
MatrizPCI — Arte
MatrizPCI — Bibliografia
MatrizPCI — Multimédia

Temas:
Arte xávega
Saveiro meia Lua
Costa da Caparica

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Indevidamente chamada de Caparica

O desenvolvimento da propaganda turística em torno da Costa da Caparica chocava, porém, com o nítido atraso ao nível de infra-estruturas básicas de que a povoação padecia – a electrificação e a instalação de água canalizada, o saneamento básico e a construção do Bairro dos Pescadores eram reivindicações locais desde há muito colocadas, bem como a ligação por estrada à Fonte da Telha ou a construção de um estabelecimento hoteleiro [...]

Aspecto do bairro piscatório da Costa da Caparica, 1938.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Este era, na realidade, o grande móbil das elites locais, determinadas em constituir uma estância balnear na margem sul do Tejo.

Turistas na Costa da Caparica, década de 1920.

A acção de Manuel Agro Ferreira (1879-1943) insere-se neste contexto. Este solicitador proveniente da zona de Aveiro, com escritório em Lisboa, desde alguns anos que procurava as praias da Costa por motivos de saúde do seu filho, que sofria de raquitismo.

Em 1933, aproveitando a "política de realizações" do Estado Novo e o investimento então feito na construção rodoviária, Agro Ferreira propôs a construção de uma estrada marginal ao Tejo, que ligasse Cacilhas à Costa da Caparica, à semelhança da Marginal entre Lisboa e Cascais que seria inaugurada no contexto dos centenários.

Agro Ferreira defendia que Lisboa deveria ter acompanhado o Tejo no seu desenvolvimento urbanístico, ao invés de se ter desenvolvido para o interior, pois a sua vocação natural e histórica era desenvolver-se em duas margens.

Para isso, era necessário tornar a margem sul um núcleo importante de actividades industriais, comerciais e turísticas, criando uma avenida marginal que impulsionasse este desenvolvimento.

Esta proposta suscitou o interesse do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, presidido por Duarte Pacheco, que na mesma altura lançava um concurso público para a concessão da ponte sobre o Tejo, que viria depois a ser cancelado, mas que serviria de mote para os anos 50-60.

Agro Ferreira não deixou de continuar a sua luta ao apresentar no I Congresso Nacional de Turismo (1936) duas comunicações: "As praias da Costa, indevidamente chamada de Caparica" e "A Avenida da Margem Sul".

Na primeira, Agro Ferreira salientava o crescimento da Costa como fenómeno singular em Portugal e desenvolvia as suas teses anteriores, ao projectar na margem sul um complemento turístico a Sintra e aos Estoris, tendo como pólos centrais a Costa da Caparica, a Arrábida e o rio Sado.

Hotel da Praia do Sol,inaugurado em 1934.
Imagem: Restos de Colecção

Para que tal acontecesse, era urgente a intervenção estatal para levar a cabo um plano de urbanização na Costa da Caparica que pusesse termo à construção desordenada que até aí se havia verificado , bem como um conjunto de melhoramentos ao nível das vias de comunicação e transportes, do saneamento básico e do abastecimento de água.

Na segunda intervenção, Agro Ferreira sintetizava o seu projecto de 1933, acrescentando-lhe uma alteração, supostamente por sugestão de Duarte Pacheco: em vez de ligar Cacilhas à Trafaria, a Avenida Marginal deveria prolongar-se entre a base do Alfeite e a Costa da Caparica. (1)

A Praia do Sol - Uma vista parcial. Subida para os "Capuchos", dd. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 110.
Imagem: Fundação Portimagem

Só quem não tenha entrado a barra, a bordo dalgum transatlântico é que desconhece a impressão humilhante de ver desaproveitada a margem sul do Tejo, a "margem interdita". É uma vergonha, com franqueza!

Uma avenida que, partindo de Almada, fosse até à Trafaria, transformava magicamente a perspectiva inteira do porto. Dava, em pouco tempo, uma outra vida e uma outra animação ao rio. Modificava em meia dúzia de anos, e com todas as vantagens, a própria fisionomia da capital do País [...] (2)

Publicações de Agro Ferreira, Turismo e o Tejo e Avenida Sul do Tejo, 1933.
Imagem: Livraria Alfarrabista

As Praias da Costa — indevidamente chamada — de Caparica

A região da Costa de Caparica interessa á maior parte da população de Lisboa, pelo menos como seu melhor e mais próximo refugio, durante o verão: interessa a todos os que não queiram fazer a vida faustosa dos nossos Estoris; 

Costa da Caparica, pic-nic da Aliança Libertária, 1932.
Imagem: Mosca

os que tenham os filhos a tratar de doenças para que o regime marítimo é recomendado; aos que buscam repouso e bons ares de pinhais; áquêles para quem o regime especial com que melhor se definam estas praias, é tratamento único em Portugal.

Praia do Sol, Caparica, ed. Guia de Portugal Artístico, M. Costa Ramalho, 1934.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Nesta vastíssima e salubérrima região encontra a população de Lisboa, além de extensos areais e mar aberto - "um grande parque florestal, relvados frescos, árvores copadas, onde brinque, ria, jogue, tome ar puro e verdadeiramente se divirta em intimo convívio com a Natureza durante os dias em que possa fugir ao triste acotovelamento pelas ruas estreitas da cidade e dos cafés em que a mocidade vicía as horas de ócio"; basta atravessar o Tejo...

A Praia do Sol, Panorama dos Capuchos, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 107, década de 1930.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Estas praias são terapeuticamente indispensáveis á saúde moral e física da população, ao revigoramento, higiéne e formação dos filhos da décima parte da população do país — que tantos são, pelo menos, os habitantes de Lisboa [...]

Lançada a Praia do Sol, foi forçoso reconhecer que a multidão se aglomerava em dois ou três quilómetros dos 40 ou 50 quilómetros que constituem esta costa ao sul de Lisboa.

Dezenas de milhar de pessoas de diferentes tendencias, de diferente educação e de diferentes meios sociais, acorriam ao mesmo ponto restrito, prejudicando-se mutuamente, criando assim, uns aos outros, mal estar, contrariedade e desagrado.

Costa da Caparica, Vista geral, ed. Passaporte, 01.
Imagem: Delcampe

Inventou-se então a Lisboa-Praia, mais perto da Capital, servida pela ponte da Cova do Vapor e a cêrca de uma légua da Praia do Sol, pela beira-mar.

É indispensável e urgente elaborar uma planta para a Praia do Sol, planta em que se definam arruamentos urbanos de forma a que se não possa construir fóra do que fôr projectado.

Costa da Caparica, Vista parcial e o Hotel Praia do Sol, ed. Passaporte, 24, década de 1950.
Imagem: Delcampe

Para garantia de que essa planta seja respeitada por tôdas as entidades locais, deverá ela ser aprovada pelo Conselho Superior de Obras Públicas.

Assim se evitarão os inconvenientes observados e que tão justos protestos têm levantado, de se estar a construir uma povoação tendente a tomar grandes proporções, sem visão larga do seu futuro, em moldes acanhados e inestéticos, em que muitas vezes as construções ultrapassam os alinhamentos, sem respeito pelas plantas existentes, actualmente, bôas ou más que sejam.

Costa da Caparica, Hotel Praia do Sol, ed. Passaporte, 10, década de 1950.
Imagem: Delcampe

A continuar assim, a povoação resultará um aglomerado de casas não só banal mas condenável sob muitos aspectos. (3)


(1) Martins, Pedro, A caminho de um novo paradigma de praia: a Costa da Caparica nos anos 1920-1970
(2) Casario do Ginjal cf. Ferreira, Manuel d’Agro, Avenida Sul do Tejo, Cacilhas-Trafaria", Lisboa, 1933
(3) Ferreira, Manuel d’Agro, As Praias da Costa - indevidamente chamada - de Caparica: Relatório e Plano Geral, I Congresso Nacional de Turismo, Lisboa, 1936

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Pera

A propriedade, ou como é dito na língua portuguesa a Quinta, está situada numa parte do país que, pela sua fertilidade, recebeu o nome de Capa Rica ou Rico Manto. Esta freguesia forma uma espécie de península ou língua de terra que se projeta para oeste, situada entre o rio Tejo, no seu lado norte, e o Atlântico, a sul, que aqui faz a baía tão familiar a todos os lisboetas e que se estende desde a foz do Tejo até ao Cabo Espichel.

Costa da Caparica, Carta dos Arredores de Lisboa — 68 (detalhe), Corpo do Estado Maior, 1903.
Imagem: IGeoE

A Quinta situa-se cerca de uma milha a partir da extremidade ocidental desta língua de terra, e quase a uma distância igual a partir do Tejo e do Atlântico. O nome de Pera foi-lhe dado a ele a partir da abundância de peras anteriormente produzidas na sua vizinhança. A casa não era nem bonita, nem grande nem cômoda, mas cerca de vinte anos atrás, foi consideravelmente ampliada pela construção de uma outra divisão, que foi feita pelo falecido Presidente, o Right Rev. Monsenhor Baines [bispo eq.], e, atualmente, é suficientemente grande para acomodar, sob seu teto, todos os internos do Colégio. 

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

No piso térreo é composta por uma adega razoavelmente grande, notável pela sua frescura, usada para o armazenamento dos barris de vinho e os quartos destinados ao alojamento do caseiro ou fazendeiro e seus trabalhadores. No primeiro andar há uma boa cozinha, uma pequena capela, e seis quartos, um dos quais é grande e serve como um refeitório quando a comunidade aí está. No andar superior são quartos para os Superiores e o dormitório. Os espaços exteriores consistem numa destilaria nova e limpa, adega, lagar, e estábulo.

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

A simplicidade do edifício é amplamente compensada pelo cenário encantador que o rodeia. Indo de leste para oeste, situa-se a meio caminho da encosta norte de um belo vale, ou melhor, depressão com cerca de uma milha de diâmetro, com colinas opostas suavemente inclinadas, e de quase igual altura embora sem grande elevação, estendendo em direcção oeste, até ao Atlântico cujas margens sobrepõe. Todo o vale é vestido, desde a sua base ao seu bordo, com vinhas intercaladas aqui e ali com campos de milho.

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

Inúmeras casas brancas estão espalhadas nos lados suavemente inclinados, enquanto no cume das colinas podem ser vistos ao sudoeste uma igreja e um convento, agora, infelizmente, em ruínas e servindo como celeiro mas que até a supressão das ordens religiosas foi ocupado pelos frades da Ordem de S. Francisco.

Caparica, Convento dos Capuchos, década de 1900.
Imagem: Hemeroteca Digital

A sul, frente à Quinta, a cena é variada, aldeias, moinhos de vento, e pequenas plantações de pinheiros, enquanto a norte, atrás da Quinta encontram-se as duas vilas de Pera, cada um com seu moinho de vento. Pelo meio do vale passa uma estreita estrada pública ladeada de canas, que lhe dão a aparência de um riacho. 

Caparica, Pera, Quinta dos Ingleses, vista sul, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

Na extremidade ocidental onde o vale atravessa as colinas, e à distância de cerca de uma milha, uma parte do Atlântico é avistável, o rugido oco das ondas que batem na costa é incessantemente ouvido.

Vista de Caparica, tomada dos Capuchos, anterior aos trabalhos de construção do IC 20.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Vista de Caparica tomada dos Capuchos, após os desaterros no vale cego de Brielas para a construção do IC 20.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Imediatamente abaixo da Quinta fica a casa de campo, anteriormente pertencente ao Marquês de Valada, que, meio escondida atrás de um tufo de altas árvores antigas, forma um objeto pitoresco, especialmente numa noite de verão, quando como nos tempos antigos o gado era deixado solto para se alimentar nos campos vizinhos. 

Caparica, Pera, casa de campo, anteriormente pertencente ao Marquês de Valada, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

O vale é refrescado durante os calores do verão pela brisa do mar que entra na abertura a oeste, e o local é tão salutar que os seus habitantes geralmente chegam a uma velhice extrema. As terras do Colégio, que consistem quase inteiramente de vinhas ficam em volta da casa, estendendo-se desde o cume da colina norte, sobre a qual fica, até à estrada a sul, que atravessa o meio do vale . De tempos a tempos, conforme as oportunidades, apareciam acrescentos de terra, que por compra, eram feitos à propriedade original.

Encantador como este lugar de beleza natural, o amor dos filhos de Lisboa para com a Quinta deve ser procurado em dias felizes nos quais eles possam olhar para trás durante a "quinzena em Pera", que anualmente em setembro, a Comunidade aí passa.

A liberdade absoluta e sem contenção, que a reclusão da freguesia em que a Quinta está situada, torna possível o relaxamento da rigorosa disciplina do Colégio, a deliciosa sensação do "dolce far niente", que sucede à grave tensão mental da preparação para exames; a suave atmosfera ainda pura, revigorante e enriquecida carregada pela brisa a partir da ampla extensão do Atlântico, conferem um charme especial para as duas ou três semanas que aí são anualmente gastas lá, e que são familiarmente conhecida como "tempo da Quinta ".

Jardins do Colégio em Lisboa, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

A estas devem ser adicionadas a beleza da paisagem com "grupos de vinha nas colinas e suas frequentes divagações pelo vale [They had oft rambled forth along the vale...]", e os inúmeros pontos de interesse e de extrema beleza que se encontram ao alcance de um agradável passeio à noite .

Learn Your Homophones: Pear, Pair, and Pare
Imagem: grammarly

A simples menção do cume das alturas escarpadas que aqui formam a linha de costa, defrontando o vasto Atlântico, será suficiente para trazer de volta uma série de aprazíveis reminiscências a cada sucessiva geração de estudantes de Lisboa.

A Praia do Sol, Panorama dos Capuchos, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 107, década de 1930.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Para ver os resistentes pescadores puxar com as suas redes o tributo prateado exigido ás águas prolíficas, ou para passear ao longo da costa desolada e contemplar as ondas a arfar e a curvar soberbas, enquanto gradualmente se aproximam, como que impacientes de contenção, e, soando oco, se joguem furiosamente contra a praia, foram fontes de prazer que repetidas visitas nunca roubaram a sua frescura.

A Praia do Sol, Alando a rede, ed. Acção Bíblica/Casa da Bíblia, 106, década de 1930.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Aqui os grandiosos aspetos da natureza desvelam-se à vista, e o poderoso oceano poderia ser estudado nos seus humores sempre variáveis. (1)


(1) Croft, William, 1836-1926; Gillow, Joseph, 1850-1921; Kirk, John, 1760-1851 Historical account of Lisbon College, 1902, St. Andrew's press, Barnet

Informação relacionada:
Pontifical English College of Sts Peter and Paul - Lisbon