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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Almada no mapa do rio Tejo e da cidade de Lisboa em 1663 por Dirk Stoop

Chegaram esta manhã as gravuras do rio Tejo e da Cidade de Lisboa, que mediu com a sua própria mão e imprimiu por ordem do rei. My Lord agrada-se com isso, mas eu penso que deveria ter sido melhor feito se não tivesse sido um trabalho ocasional. Além disso, informei-o da tiragem sobre cetim branco, que ele logo encomendou. (1)  

Map of the river Tagus and the city of Lisbon (detail), Dirk Stoop, 1663.
British Museum

O primeiro conjunto de gravuras que Stoop produziu em 1662 após a sua chegada a Inglaterra foi uma série muito rara de oito longas vistas horizontais que mostram cada etapa da viagem de Catarina a Londres, desde a chegada de Lord Montagu ao Tejo, com a frota inglesa enviada para a transportar, até à procissão triunfal ao longo do Tamisa (Hollstein 31-8). 

Cada gravura tem textos em inglês e português, e cada um deles é dedicado a uma pessoa diferente, desde Lord Montagu (o Conde de Sandwich) e ao rei Charles, ao Mayor da Cidade de Londres.


A água-forte exibida aqui mostrada foi feita no ano seguinte e destaca-se da série anterior. A história encontra-se no diário de Pepys de 24 de Agosto de 1663 [v. acima ...]

Esta é a única impressão sobrevivente da água-forte e está impressa em cetim branco, como sugeriu Pepys. A falta de editor mostra que se tratava de uma água-forte particular não comercial. A cota de armas real dedica-a ao rei, enquanto as armas de Sandwich acima da cártula do título mostram seu papel no assunto.

Map of the river Tagus and the city of Lisbon, Dirk Stoop, 1663.
British Museum

O canto inferior esquerdo mostra o retrato de Sandwich a segurar a sua régua de medição, e o modo incompleto como o plano foca o estuário do Tejo prova que foi tirada do seu plano feito no local.

Map of the river Tagus and the city of Lisbon (detail), Dirk Stoop, 1663.
British Museum

Uma nota de rodapé de Sir Oliver Millar ao diário de Pepys (IV p.286) sugere que a fonte é um plano no diário de Sandwich, no qual ele registrou 'O restante das minhas observações do rio de Lisboa são aperfeiçoadas e impressas na minha gravura de cobre sobre a orientação de Kinges.' Evelyn regista que Sandwich também era um gravador amador ('Sculptura' p.131).


A depreciação de Pepys da água-forte como meio de impressão é uma expressão típica da preferência estética contemporânea em favor da gravura. Assim como seu desejo de vê-las impressos em seda em vez de papel. (2)


(1) The Diary of Samuel Pepys, Monday 24 August 1663

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Almada, a propósito de Nogueira da Silva (II de II)

Estamos em 1868, em Lisboa. A época não é das mais propícias ao florescimento das artes, o que ninguém deve estranhar, porquanto impera um gosto acentuadamente provincial nos costumes, nos trajos, no jornalismo, nos interiores das casas, no teatro, na literatura, em toda a vida citadina. 

Lisboa vista do Pragal, na Outra-Banda, gravura, Nogueira da Silva, 1858.

Não interessa averiguar se este gosto é bom ou mau. Os vindouros que se deem, querendo, a esse trabalho crítico, aliás desprovido, quanto a nós, senão de significado, pelo menos de eficácia. O que dá encanto e razão de ser às modas e aos estilos de vida social, é justamente aquilo que melhor distingue as épocas umas das outras:  quase sempre; os traços mais exorbitantes, os pormenores mais caricatos. 

Quem sabe se no século XX, por exemplo (aí por 1946) as lisboetas elegantes não se atreverão a exibir uma indumentária mais aparentemente ridícula do que esta, em uso nos nossos salões e avenidas?... Todas as épocas têm os seus grotescos, as suas manias, os seus telhados de vidro. E é isso mesmo que lhes confere, meu caro leitor, nitidez, graça, distinção. 

Panorama n.° 30, 1946

Mas íamos dizendo que estamos em 1868  exactamente no dia 13 de Março. Como densa e escura núvem que de súbito cobrisse uma paisagem primaveril, acaba de espalhar-se pela cidade a notícia da morte de Nogueira da Silva. O leitor não ignora, decerto, de quem se trata, nem quanto o país fica devendo ao fino espírito, ao poderoso talento e à infatigável capacidade de trabalho do malogrado artista que esse nome usou:  nem mais nem menos do que centenas de admiráveis desenhos e gravuras em madeira.

Sim, muitas centenas! Paisagens, retratos, composições livres, ilustrações, caricaturas, cópias rigorosas (e quantas de inestimável valor documental!) de monumentos arquitectónicos, de esculturas, de peças de ourivesaria, de tábuas e azulejos dispersos pelo país - tudo atraía e impressionava a sensibilidade plástica de Nogueira da Silva, e era por ele interpretado ou transposto para o papel e a madeira com uma destreza inexcedível e uma graça inimitável.

Panorama n.° 30, 1946

Merecia a pena que alguém, algum dia, preenchesse os lazeres de umas férias com o benemérito labor de contar e classificar esses trabalhos, insertos na "Revista Popular", no "Jornal para rir", nas "Celebridades contemporâneas" e, principalmente, nos numerosos volumes do "Archivo pittoresco".

Claro está que nem todos os desenhos e gravuras do ilustrador das Obras completas de Nicolau Tolentino têm o mesmo interesse, a mesma altura.

Panorama n.° 30, 1946

Deve mesmo dizer-se, por respeito à verdade e à sua memória, que as produções de Nogueira da Silva são de irregularíssima qualidade. Nem todos os géneros se quadravam à sua vocação e ao seu temperamento. 

Na interpretação da figura, por exemplo (e particularmente no retrato) foi, por vezes, deplorável. No entanto, não era por gosto de contrariar-se nem por doentia atracção abísmica que o artista insistia nesse cultivo; - era, sem nenhuma dúvida, por mera necessidade, por obrigação profissional. 

Panorama n.° 30, 1946

Aqui temos um traço bem distinto da personalidade de Nogueira da Silva: num país em que são raros os artistas profissionais, e sobretudo na sua época, ele nada tinha de amador. Quem sabe, mesmo, se não terá sido o primeiro desenhista português verdadeiramente profissional  menos livre do que nenhum outro de satisfazer os imperativos do seu temperamento, mais vítima da fatalidade de ser "pau para toda a obra?"

A infelicidade obstinou-se em perseguir e ensombrar a sua estrela, que tinha brilho bastante para resplandecer no pardo firmamento da arte nacional. Quase não houve revez que não o afligisse, injustiça que não o ofendesse, miséria que não o ameaçasse.

Panorama n.° 30, 1946

Desde a incompreensão paterna à quase cegueira, desde a fome ao vexame de ser acusado de curandeiro, Nogueira da Silva conheceu e suportou, com um estoicismo exemplar, as maiores adversidades - inclusivê a de ter prestado as melhores provas num concurso para a regência da cadeira de Desenho da Escola Politécnica, e ficar aguardando ein vão (por razões que nunca se chegaram a apurar) a decisão do juri...

A arte venceu, mais uma vez, mas também mais uma vez saíu mal-ferida da batalha. As mutilações que sofreu esta forte e singular personalidade, são. bem notórias e confrangedoras. No entanto, cabe ao laborioso artista o mérito de ter reformado e desenvolvido, entre nós, a gravura em madeira, até então só apreciàvelmente cultivada por Manuel Maria Bordalo Pinheiro e José Maria Batista Coelho.

Vista de Almada tomada do Campo de S. Paulo, Nogueira da Silva, grav. Coelho Junior, 1859.
Archivo Pittoresco, Hemeroteca Digital

É aí, repetimos, que se encontra o maior número de trabalhos de Nogueira da Silva, atestando, além da espantosa multiplicidade do seus recμrsos técnicos, a penetrante acuidade do seu espírito de observação e o afinado gosto do seu humorismo  virtudes às quais não foi estranha a influência dos mais famosos desenhadores e gravadores franceses contemporâneos, sobretudo de Gavarni. 

Panorama n.° 30, 1946

Como ilustrador, julgamos possível e justo que algum cronista do próximo século (aí por volta do ano de 1942...) afirme que o volume das Obras completas de Nicolau Tolentino é "uma das raras edições portuguesas do século XIX que, não sendo classificável como livro de arte  por excesso de tiragem e modéstia de materiais  é, todavia, um espécime perfeito de livro ilustrado. Pois onde se vê, como nele, uma harmonia tão grande entre o espírito do autor e dp ilustrador da sua obra?" 

— "Nogueira da: Silva não ilustrou mais nenhum livro. Sete anos depois, morreu. Faz de conta que tivemos dezenas de Nogueiras da Silva. Vale lá a pena recordar o seu nome?"


Panorama n.° 30, 1946

Como caricaturista, Francisco Augusto (iamo-nos esquecendo de dizer que eram estes os seus prenomes) foi dos mais engraçados que desde sempre se contam na história da arte nacional. O "D. Quichote" do século XIX e muitas das caricaturas que publicou  acompanhadas de biografias, crónicas e legendas humorísticas da sua autoria  nas "Celebridades contemporâneas", no "Jornal para rir", no "Archivo pittoresco" e noutros periódicos da época, deram brado e fizeram escola. 

A ironia do seu traço, apontada aos ridículos da baixa burguesia, aos narizes-de-cera, às vaidades balofas, era por vezes contundente, mas nunca grosseiramente ofensiva. É que o seu humor provinha menos de ressentimentos, do que de uma visão mais evoluída, ·mais urbana dos homens e das coisas.

Panorama n.° 30, 1946

Nogueira da Silva foi um artista da cidade. Por isso lhe repugnava, mais do que tudo, o "arrivismo", o recem-chegadismo provinciano. E afinal, feitas bem as contas, talvez tenha sido essa pecha da vida portuguesa — tão evidentemente acentuada no seu tempo — a causa fundamental das suas vicissitudes.


(Conforme com o original).

CARLOS QUEIROZ (1)


(1) Panorama n.° 30, 1946

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Almada, a propósito de Nogueira da Silva (I de II)

Fica esta villa fronteira á cidade de Lislooa na outra margem do Tejo. São duas irmãs apartadas que folgam de se estar vendo, assentadas no alto uma e outra e ambas namoradas dos navios que vêm de todo o mundo, rio acima, lançar ferro por entre ellas.

Vista de Almada tomada do Campo de S. Paulo, Nogueira da Silva, grav. Coelho Junior, 1859.
Archivo Pittoresco, Hemeroteca Digital

Lisboa, a morgada, não tem mais escondida, em sombra e fabulas a sua origem, de que. Almada a sua. 

Sôa porém, e se crê, haver esta sido fundada imoles inglezes de Guilherme de Longa-espada, do quem D. Afonso. Henriques se ajudou no arrancar Lisboa oro mouros; e que nome de Amada lhe ficara por corrupção de Vimadel; que na linguagem de então significava povoado grande; nome que da terra se pegou a um nobre seu morador, de quem descende, ao que rezam genealogicos, a esclarecida familia dos Almadas; ainda que outros querem que Almada se appellidasse o sitio, por ser esse. ou com esse parecido, o nume de um arabe (Almades ou Almadão) que alli dominava. 

Conjectura-se todavia que a primeira fundação do logar fôra muito mais antiga, existindo já elle em tempo dos romanos dos romanos com a denominação Caetobrix ou Caetobrica. 

Em nossos dias, na guerra civil em que se pleitearam e sentenciaram a final os direitos da dinastia representou Almada e Cacilhas, que sob dois nomes são uma e mesma povoação, um papel que a historia, seja quem for que a escrever, ha de sempre qualificar por guapamente heroico: d'alai arrancou vôo de águia sobre Lisboa o duque da Terceira, coroando-se com a mais brilhante fortuna a temeridade mais inaudita. 

Ares puros, aguas doces e salubres, abundância de todo o necessario, prospectos infindos terras e mar, tornam Almada sitio mui cobiçado para saude e para regalo, é para as calmas do verão um suplemento de Cintra, se o póde haver, e com duas vantagens: a da economia e da facil e continuada comunicação com Lisboa, por via dos vapores que sem descanso, vão e vêm.

Possue também a sua gloria literária: alli nasceu, viveu, se finou, e jaz sepultado o nosso poeta latino Diogo de Paiva de Andrade. (1)


(1) Archivo Pittoresco n.° 37, 1859

domingo, 29 de abril de 2018

Lisboa, vista de Almada (c. 1830)

Oposta a Lisboa fica Almada, no cume, e perto do extremo leste, das altas falésias que se estendem ao longo da margem sul do Tejo, e dali para o mar. Desta elevada posição, temos uma série de vistas panorâmicas de grandeza incomparável.

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia

Para o norte, toda a extensão de Lisboa é vista cobrindo as colinas opostas e formando um bordado brilhante para o Tejo. 

Lisbon from Almada (detalhe), Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia

Para o oeste, esse nobre rio é visto continuando seu curso majestoso, fluindo para o Oceano Atlântico, entre as torres distantes de S. Julião e do Bugio. 

Para o leste, o rio espraia-se num vasto estuário, delimitado por um longo trecho de terras baixas. 

Para o sul, as alturas de Almada descem para um vale coberto de vinhas, atrás do qual há uma subida gradual de colinas arborizadas, até que, a uma distância de várias milhas, o horizonte é delimitado pela cordilheira montanhosa da serra da Arrábida, tendo a notável rocha de Palmella, coroada pelo castelo em direcção ao leste, e o distante castelo mouro de Cezimbra em direção ao oeste.

Na vista que acompanha, o espectador é supostor olhar o rio, na direção nordeste. Parte de Lisboa ocupa a esquerda da cena. O Convento da Penha de França fica na colina mais distante desse lado. Um pouco à direita, na colina adjacente, fica a Capela de Nossa Senhora da Monte.

Lisbon from the chapel hill of Nossa Senhora do Monte, Drawn by Lt. Col. Batty, 1830.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O castelo é visto a cobrir a colina ainda mais à direita; e as torres da Igreja de São Vicente, o lugar fúnebre dos monarcas portugueses, coroam o cume da colina perto do extremo da cidade.

Em linha com as torres de São Vicente, mas mais perto do espectador, estão as velhas torres castanhas da catedral; e à sua frente, perto do Tejo, estão os edifícios que encerram a Praça do Comércio: estes, com a Alfândega, o Arsenal Naval e o Cais de Sodré formam um imponente conjunto de edifícios.

Numerosos navios estão espalhados na ampla bacia do Tejo; o todo, combinado com a ousada e precipitada altura de Almada no primeiro plano, formam uma impressionante e interessante paisagem. (1)


(1) Robert Batty, Select Views of some of the Principal Cities of Europe, London, ..., 1832

Artigos relacionados:
Almada bélica e bucólica no século XIX
Originais de Robert Batty

Mais informação:
Dictionary of painters and engravers, biographical and critical...
Robert Batty

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Grande passeio à Outra Banda (3 de 10)

Lá no castelo de Almada,
Fica a "troupe" embasbacada.

Almada, Uma das muralhas do castelo, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 06, década de 1900.
Imagem: Delcampe

Viram a vista de fama, 
Do esplendido panorama. 
E o padre pondo-se a pé, 
E abrindo o olho baço, 
Gritava: "Lá está a Sé... 
Mais o terreiro do Paço... 
A Penha de França... o Monte... 
A Graça ao lado... e defronte,
O zimborio da Estrella... 
Ih! Jesus! que vista aquella! 
Todos, todos... "ai, que encanto!" 
O Gamboa, diz: "Oh! mana, 
Olhe o forte de Monsanto,
Onde esteve o Gungunhana... 
Que vista esta tão bella...
Lá está acolá... Palmella.
E ali assim... Belem... 
Até se vêem os omnibus! 
A egreja dos Jeronymos.

Lisboa, Panorama do Rio Tejo, Alberto Malva, 14, c. 1900.
Imagem: Delcampe

A Inglaterra não tem, jóias,
Nem a França nem a Suissa,
Uns panoramas eguaes, 
De tão completa cubiça!
Olhem para todo este rio...
Que belezas naturaes! ... 
Olha a torre do Bugio, 
E a bahia de Cascaes!"

Notem que o rapaz dos burros, 
Esta, pois que não esqueça, 
Levava ás costas, no pau, 
Enfiada uma condessa, 
Com a petisqueira... mau!

Era o farnel: Carne assada,
Com batatas, estufada,
E tres gallinhas coradas,
Que é melhor não fallar n'isso,
C'o competente chouriço,
E pescadinhas marmotas,
D'estas de rabo na bocca;
Em quatro vidros, compotas,
Porém, fructa, muito pouca;
Porque dizia o Gambôa:
"Na Outra Banda ha á toa."

Chafariz do Pombal, Almada, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe

Segue o cyrio triumphal,
Para o "Joaquim dos Melões", 
Pelo sitio dos Pombal, 
Onde os nossos figurões
E o padre no seu macho, 
Começam nas libações, 
Copo cheio, copo a baixo.

O Gambôa com a pressa, 
De saltar do albardão, 
Cai, e bate co'a cabeça, 
Logo ali no meio do chão! 
O rapaz, p'ra lhe acudir, 
Por bregeiro e maganão, 
Deixa cahir a condessa, 
Ao pé do caramachão, 
E tudo desata a rir 
Na maior animação.

Logo aquella boa gente, 
Lá do "Joaquim dos Melões", 
Excellentes creaturas, 
Que são todas attenções, 
E deff'rências as mais puras, 
Que eu amo sinceramente, 
Logo todos mui afflictos, 
Acudiram ao Gambôa, 
Chapinhando-lhe a cabeça, 
Com agua-ardente bem boa.

No Lazareto de Lisboa, Joaquim dos Melões, Rafael Bordalo Pinheiro, 1881.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Limpa-lhe o padre a poeira, 
E diz com sua voz fina: 
"Deixe provar a piteira, 
Sôra Dona Carolina, 
Eu também soffri abalo... 
E ella cheira... cheira... cheira... 
Cheira que é mesmo um regalo!"

Não faço d'isto segredo, 
Em Cacilhas agregou-se, 
A este rancho decantado, 
O senhor Julio Azevedo, 
Um cavalheiro estimado, 
De bondade todo cheio, 
Em companhia também, 
Do illustre senhor Feio 
Um puro homem de bem.

A Caminho do Pic Nic...
Imagem: Delcampe

Iam os dois na charrétte 
A trote na egua baia, 
Com o Sousa e o Rodrigues, 
Para a quinta d'Atalaya. 

Mas como era o Gambôa, 
Amigo d'este quartetto. 
Lá foram todos na pandega, 
No cyrio q'rido e selecto.

Amora Avenida Marginal Lado Sul Manuel Henriques Jr 01.jpg
Imagem: Delcampe

Pouco mais de meia hora, 
Com grande jovialidade, 
Tudo foi da Piedade, 
Até ao logar d'Amora: 
E tudo na melhor ordem, 
Sem ninguém dar uma raia, 
Abancou rindo e folgando, 
Lá na quinta d'Atalaya. (1)


(1) Diário Illustrado, 10 de agosto de 1896

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Grande passeio à Outra Banda (2 de 10)

Aporta ao Caes de Cacilhas, 
O barco com esta carga, 
Riam de mãos na ilharga, 
Loucamente ambas as filhas.

Barco a vapor a atracar em Cacilhas.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Um batalhão de cocheiros, 
E um rancho de burriqueiros, 
A gritar aos empurrões, 
Começam: "Patrões! patrões! 
Cá está o bello caleche, 
Do José d'Alcabideche, 
Com cavallos alazões."

Almada, Pharol de Cacilhas, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 03, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

Os homens, então dos burros, 
Uns nos outros davam murros, 
Lá a gritarem aos centos, 
Dizendo muita gracinha, 
Como o Domingos Graxinha; 
"Cá estão os bellos jimentos, 
Só de uma cana, pimpões, 
Para a bella sociedaae, 
Ir n'um rufo á Piedade, 
Para o Jaquim dos Malões!"

E mal que desembarcaram, 
Todos logo os agarraram, 
Pucha daqui e dali, 
O padre Luiz não ri, 
Pois pizou-lhe o melhor calo, 
Um burriqueiro borracho, 
Que o q'ria pôr a cavallo, 
Em cima de um grande macho. 

O Gambôa com calor, Grita: 
"Isto não se atura! 
Uma vergonha! um horror!" 
Dando uma descompostura 
Em toda aquella imperícia, 
Apostrophando a policia, 
E senhor administrador! 

O janota de chapeu alto,  Raphael Bordallo Pinheiro.
Imagem: Bordallo Pinheiro

No meio pois d'estas scenas... 
De muita coisa arengada, 
Resolveram as pequenas, 
Ir tudo de burricada.

Olha vai tu Henriqueta... 
Vai aqui n'esta burrinha, 
Que tem optima cadeirinha, 
Toda chic... de muleta.

Gritava o Gambôa então: 
"Eu quero um burro valente 
Bem valente é que se quer, 
Aqui p'rá minha mulher, 
Porque é senhora doente. 
E para a mana, um burrão, 
Que não tenha joelheiras, 
Que ellas não sao cavalleiras.

Patrão! patrão! Ó patrão!
Vai aqui no meu "Cigano" 
O raio d'este garrano, 
Neja d'ir ao meio do chão,
Se o sabem levar na mão...

O saloio com alforges,  Raphael Bordallo Pinheiro.
Imagem: Bordallo Pinheiro

Isto é uma labareda! 
Melhor que o melhor cavallo! 
É n'este que o sôr Zagalo 
Vai á quinta da Sobreda. 

O padre... (que graça eu acho)! 
Lá se agarrou sempre ao macho.

No meio dos seus decoros, 
Solta um furioso berro, 
E começa a gritar: "Mau!"
Por ter o selim, nos loros, 
Um velho estribo de ferro, 
E outro grande pau!

O pequeno saltou logo, 
P'ra cima do Papa Moscas, 
E no burro... bumba!... fogo!...
Valentes calcanheiradas, 
Com as esporas de rôscas, 
N'um ferrageiro compradas, 
Com sanguinários intentos.

Para o moço dos jumentos, 
Grita o Gambôa: "Rapaz! 
Não te ponhas com espantos, 
Onde ha vinho aqui capaz?" 

É no Francisco dos Santos, 
E na Fonte d'Alegria, 
E também o ha no Ayres, 
Mesmo um vinhão! que fatia!

Rua Direita — Cacilhas, ed. desc., década de 1900
Imagem: Delcampe, Oliveira

Grita o padre que par'cia, 
Mesmo a cavallo um macaco:

"Quem tem vinho de rachar,
É acolá o Marráco;
Parece até Malvaria!
Ou até o do Ginjal,
Um vinho monumental!
Do paço do Lumiar,
D'ir a cabeça pl'o ar...
Valente como um velhaco,
Que o conde vende a pataco!"


Domingo quatro petizes, 
Foram lá. Oh que felizes!
E beberam meio litro 

Dizendo agora os vereis: 
"Foi-se um vintém... acabou-se! 
Mas a gente consolo-se, 
Cada um por conco réis!"

Compremos lá tres borrachas,
Já que o vinho está na berra,
Vamos á loja do Serra,
Que tem bolos e bolachas.

Um burriqueiro casmurro, 
Chamado: o "José das Postas", 
Senta depressa n'um burro, 
Dona Francisca, que grita, 
Toda corada e afflicta, 
Quasi dando-lhe nm desmaio: 
"Filho! filho! minha filha! 
Apertem-me bem a cilha... 
A albarda joga e eu caio!" 

Confuzo o Gambôa, então
Diz á esposa: "Cautella! 

Que o diacho da barbella, 
É um cordel de pião!"

Isto aqui é um deleite, 
Um dia passa-se a rir, 
P'rá semana havemos vir, 
Ver a quinta do Alfeite, 
Que tem mil, antiguidades, 
Peço nas Necessidades, 
Ao commendador Ignacio, 
Que é como eu um vegete, 
O obsequio de um bilhete, 
Para vermos o palacio,

A mana foi n'um sendeiro, 
De amarella e azul albarda, 
Que par'cia um conselheiro, 
Exactamente de farda.

Almada, Largo do Poço em Cacilhas, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 03, década de 1900.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

E aqui parte o rancho bello, 
Na famosa burricada, 
Pela calçada de Almada, 
Em direcção ao Castello. (1)


(1) Diário Illustrado, 9 de agosto de 1896

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Defesa de Lisboa em 1810 (II)

A única parte da província da Estremadura, situada a sul do Tejo, que pode ter alguma importância para a defesa geral do reino, é a margem do rio, de Almada até à Trafaria; mas mesmo isso não tem consequências materiais, já que os navios podem ser ancorados numa posição em que fiquem fora do alcance dos tiros de canhão; e Lisboa tem pouco a temer de um ataque a partir desse ponto.

Esboço do terreno da margem esquerda do Tejo, extendendo-se de Almada à Trafaria, entrincheirado como posição militar, cf. Journals of sieges carried on by the army under the Duke of Wellington, 1811-1814.
(Assinalam-se também o Vale de Mourelos interseptado por vedações e os esteiros no lugar da Piedade)
Imagem: Internet Archive

Deveria isso, contudo, ser minimizado o suficiente para conservar esta parte de terra oposta [a Lisboa] durante tanto tempo quanto possível; uma extensão de terra de cerca de quatro léguas deveria, em primeira instância, ser ocupada, desde Aldea Gallega [Montijo] até Setúbal.

Historical military picturesque..., George Landmann, View up the Tejo.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Este território é na sua maior parte florestal, com fortes charnecas ou arbustos e pequenas árvores.   Setuval, ou St. Ubes [Setúbal], um porto de mar de comércio considerável, está já fortificado, mas não é um lugar de alguma grande força.

Historical military picturesque..., George Landmann, Cidade e porto de Setúbal.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Palmela é um posto forte, e poderá ainda ser mais fortificado. O sapal na estrada para Elvas, a cerca de uma légua e meia de Aldea Galega, pode vir a ser uma vantagem. Existe um caminho longo que o atravessa, no qual pode ser eregida uma bateria.

A linha pode, quando necessário, ser recuada à esquerda, para Coina, por detrás de um ribeiro que corre para o Tejo nesse ponto [rio Coina].

Historical military picturesque..., George Landmann, Palmela vista da estrada da Moita, Estremadura.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Finalmente, as alturas acima de Almada, podem ser fortificadas com redutos, ou outros trabalhos de campo. 

Journals of sieges carried on by the army under the Duke of Wellington, 1811-1814, trabalhos de campo.
Imagem: Internet Archive

Eu mencionei estes postos, mas se me é permitido dar uma opinião, a menos que eles possam ser ocupados por uma força considerável, seria mais anconselhável evacuar esta parte da província "in toto", do que arriscar a perda de pequenos corpos na sua defesa; se confrontados a outros [corpos] mais numerosos;

Journals of sieges.., trabalhos de campo.
Imagem: Internet Archive

e penso que me posso aventurar a afirmar, que o perigo de serem interrompidos impediria qualquer inimigo de avançar com um pequeno [corpo] para este ponto, especialmente se a província da Beira e a parte oriental da Estremadura continuarem inconquistadas. (1)  


(1) William Granville Eliot, A treatise on the defence of Portugal..., London, T. Egerton..., 1810

Leitura relacionada:
Cardozo de Bethencourt, Catalogo das obras referentes á guerra da peninsula, Lisboa, Academia das Sciências, 1910
William Francis Patrick Napier, History of the War in the Peninsula and in the South of France, London, G. Routledge, 1882
Papers on subjects connected with the duties of the Corps of Royal Engineers Vol. III, London, J. Weale, 1837

Informação relacionada:
Biblioteca Digital do Exército

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Um romance da vida real (deambulações de Childe Harold...)

Mr. Glenville e Amelia, tête-à-tête nas ruinas do Castelo de Almada...

Childe Harold, veio a Lisboa, para escrever um poema, ao qual deu o nome "Portugal"; para a informação que prestou sobre o país, cujo nome tem, poderia muito bem ter sido escrito em Grub Street; pois depois de um rápido olhar para a Nova e a Velha Lisboa, instalou-se num antigo convento de Sintra, e, fechado do mundo, começou e terminou seu poema em seis meses.

Historical military picturesque..., George Landmann, Sintra (onvento da Pena).
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Começou por descrever a sepultura de Fielding, o romancista, e terminou com a informação, que a Colina de Almada foi o assunto de algumas linhas escritas por Mickle, tradutor do Lusíadas [...]

Vista de Lisboa tomada de Almada (detalhe).
Imagem: Byron, Childe Harold's Pilgrimage..., London, John Murray, 1869

Amélia, que ele imaginara estar a sofrer de uma recaída na sua indisposição, reclinou-se descuidadamente sobre o ombro do honorável Mr. Glenville, que lhe lia o seu interminável poema, que ela ouvia com aparente prazer. 

,
Amelia Osborne (1754–1784) por François-Hubert Drouais.
Marquesa de Carmarthen, Baronesa de Darcy, Baronesa de Conyers, Condessa de Mértola.
Primeira esposa de John "Mad Jack" Byron, pai de Lord Byron.
Imagem: Wikipedia

Um ruído, que Freeman fez ao tropeçar em algumas pedras soltas, fez com que se levantassem e Glenville colocasse o braço dela no seu; dirigiram-se para a praia, entraram num barco, e partiram para Belém [...]

Historical military picturesque..., George Landmann, Torre de Belém.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Embora Harold lhe perguntasse se tinha saído, Amelia nunca lhe disse que tinha ido à Colina de Almada; e Glenville, que o chamou para lhe dar boas-vindas a casa, queixou-se que lhe não tinha sido possível acompanhá-la nos seus costumados passeios nocturnos. Havia decepção e dissimulação nisso, o que Harold não gostou; não havia necessidade de manter em segredo que ela tinha saído com Glenville, e assim, fez Harold suspeitar que nem tudo estava certo [...]

Harold não veio para jantar, nem para dormir: Amelia esperou ansiosamente até à meia-noite, quando um criado lhe trouxe uma carta, como a seguinte:

"Braganza Hotel [rua Do Thezouro Velho, 36], Lisboa

Senhora,

A sua decisão de embarcar para Inglaterra tem toda a minha aprovação, e onde quer que vá, leve consigo os meus melhores votos de saúde e felicidade. Admito que o seu desejo súbito de deixar Lisboa me surpreendeu e teria feito muito mais, se eu não estivesse preparado para uma mudança nos seus sentimentos, ao tê-la visto com o seu amigo entre as ruínas do Castelo de Almada, num momento em que me tinha escrito a dizer que estava muito doente. 

Embarcações no Cais da Misericórdia. Aspecto do Hotel Bragança, ao fundo, na metade esquerda da imagem.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Durante toda a vida tenho tido por costume dar as minhas opiniões livres de disfarces, e se eu a tivesse deixado de a amar, ter-lho-ia dito sem hesitação. Onde não há confiança mútua, não pode haver real afeição, e quando a senhora se inclinou à dissimulação, perdeu tudo, excepto a minha amizade [...]" (1)


(1) John Harman Bedford, Wanderings of Childe Harolde: A Romance of Real Life..., London, Jones & Co., 1825

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A Arte da Guerra e o Castelo de Almada

No alto de um pittoresco monte sobranceiro ao Tejo, fica o castello, que foi construído no reinado de D. Manuel ampliado em 1666 por mandado de D. Affonso VI [...]

Fort d'Almade, 1685, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre, Alain Manesson Mallet, 1696.
Imagem: Columbia University

As principais obras aqui realizadas estavam associadas a períodos de instabilidade política, como por exemplo a Guerra da Restauração (1640-1668), quando o Castelo de Almada foi reparado entre 1658 e 1666; (1)

Painel de azulejos na rua da Quinta da Horta, no Pragal, em Almada.
Imagem: Rui Coutinho

Alain Manesson estuda matemática e geometria com o engenheiro militar Philippe Mallet, que ensina desde 1654 no colégio de Bourgogne. Manesson Mallet seguidamente torna-se mosqueteiro no regimento da guarda de Louis XIV. 

Em 1663, por instância de Pierre de Massiac, parte para Portugal, então empenhado na ultima fase da Guerra da Restauração (1640-1668) para entrar ao serviço de Afonso VI.

Método para fortificar as Cidades com uma nova Muralha, em aí encerrando a Antiga

Vista do castelo de Almada e de Lisboa, 1663 (detalhe).
Imagem: Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars, ou l'art de la guerre

Da Ortografia; Perfil ou Representação da Altura dos Terraços; e das Larguras e Profundidades dos Fossos

Fort d'Almade, 1685, Op. Cit.
Sob as ordens do marechal Schomberg, serve como engenheiro de campo e armas do rei e depois como sargento-mor de artilharia na província do Alentejo. Fortifica nomeadamente os castelos de Arronches (1666) et de Ferreira (1667) e estabelece reparações nos sistemas defensivos de Évora e Estremoz.

Após a assinatura do tratado de Lisboa (1668), Manesson Mallet regressa a França [...] (2)

Ruínas do castelo de Almada, Carta Geographica da Provincia da Estremadura (detalhe), c.1777 - 1780?
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

[...] no fim do século XVIII, num período conturbado da política europeia, o Castelo de Almada (fig. 6), que fora severamente danificado com o terramoto de 1755, foi totalmente reedificado com o apoio da população almadense em 1797, segundo projecto de Francisco d’Alincourt, também responsável por um projecto de uma nova fortificação da Torre Velha da Caparíca e respectiva bateria baixa de 1794 e 1796, e só em parte construído, o qual fora ordenado pela rainha D. Maria I ao Marechal General Duque de Lafões, sendo inspector Guilherme Luís António de Valleret, no ano de 1794. (3)

Planta do castelo de Almada em 1772.
Imagem: Rui Manuel Mesquita Mendes.

O rio Tejo, abaixo e oposto a Lisboa, é ladeado por rochas íngremes e grotescas, particularmente no lado sul. Essas no arco sul, são geralmente mais altas e muito mais magníficas e pitorescas que os penhascos de Dover. Sobre uma das mais altas dessas rochas, e diretamente opostas a Lisboa, permanecem as ruínas planas do Castelo de Almada.

Vista de Lisboa tomada de Almada, século XVIII.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

Em dezembro, 1779, como o Autor deambulava entre estas ruínas, foi atingido pela ideia, e formou o plano do seguinte poema; uma ideia que, pode permitir-se, foi natural para o Tradutor dos Lusíadas, e o plano pode, até certo grau, ser chamado como um suplemento a esse trabalho [...] (4)

Vista geral de Lisboa, tomada perto de Almada, século XVIII.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa
Será contudo no período da Guerra Peninsular, que se verificará o conjunto mais vasto de obras de fortificação quer da Linha de Defesa da Margem Sul, quer do Castelo de Almada (1814, fig. 6), as quais foram decididas pelo Gen. Wellesley (futuro Duque de Wellington) e conduzidas por militares britânicos, nomeadamente o Eng.° Goldfich e o Tenente Coronel Richard Fletcher dos "Reaes Engenheiros Bretanicos", assim como pelo Major Neves Costa.

Castelo de Almada após as reparações de 1810, gravura (detalhe), Pierre Eugène Aubert (Aubert pére),
cf. Lisbon from Fort Almeida [sic], Drawn by C. Stanfield from a Sketch by W. Page, Engraved by E. Finden,
Fieldmarshal The Duke of Wellington.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Durante a Guerra Civil realiza-se em 1833 uma nova campanha de obras no Castelo de Almada por iniciativa de D. Miguel, e presumivelmente conduzidas pelo Eng.° Louis Mounier, nas quais o castelo foi ampliado. (5)

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830.
Imagem: Wikimedia


(1) Rui M. Mesquita Mendes, Obras Pública nos Concelhos de Almada e Seixal..., Centro de Arqueologia de Almada, 2015
(2) Wikipédia
(3) Rui M. Mesquita Mendes, idem
(4) William Julius Mickle, Almada hill: an epistle from Lisbon, Oxford, W. Jackson, 1781
(5) Rui M. Mesquita Mendes, idem, ibidem

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Gallica, Biblioteque nationale de France:
Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre
Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre
Alain Manesson Mallet, Les Travaux de Mars ou L'Art de la Guerre

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