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terça-feira, 30 de junho de 2015

Empresa de Camionetes Piedense

A empresa Piedense tem uma frota de 44 veículos, a maioria dos quais com base nos chassis Volvo e Berliet de motor frontal.

Cacilhas, Lisboa vista de Cacilhas, ed. Postalfoto, 468, década de 1950.
Imagem: Delcampe

As carrocerias em alumínio foram construídas pela empresa em oficinas próprias, na Trafaria. O material utilizado foi em grande parte fornecido pela Aluminium Union, Ltd., da Grã-Bretanha, e o diretor e gerente geral, sr. Agostinho Ramos Munhá, está satisfeito com os resultados.

Cacilhas, autocarro Volvo, viatura 24 ou 26 da da Empresa de Camionetes Piedense, largo do Costa Pinto (detalhe), Mário Novais, c. 1947.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

As taxas de consumo de combustível dos veículos são baixas e uma grande poupança é feita em direitos de importação.

Versatilidade do chassis Berliet PCK 8 adaptável a diferentes carrocerias.
Imagem: Bus America

As carrocerias apresentam-se sem pintura, e têm-se revelado particularmente fáceis de limpar e manter.

Cacilhas, comemorações do centenário da Incrível Almadense, Júlio Dinis, Outubro de 1948.
Em segundo plano, autocarros com cabine recuada e, outros, com a volumetria do motor integrada no habitáculo.
Imagem: Museu da Cidade de Almada

As grandes janelas curvas, à frente e atrás, e as portas de dobrar são características do design. O sistema de entrada de passageiros pela traseira e saída pela frente, com o sistema de portas dobráveis, operadas manualmente, é generalizado em Portugal.

Trafaria, paragem de autocarros, Mário Novais, década de 1940.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

Os interiores são revestidos a alumínio natural, com estofos em vermelho. As janelas são de correr, de manuseamento rápido, com cortinas, e as luzes do teto têm painel antirreflexo. As camionetes têm instalado um relógio e um aparelho de rádio porque também são usadas ​​em serviços interurbanos e de turismo.

Berliet PCK 7, autocarro com carroceria do fabricante.
Imagem: Delcampe

Acima do lugar do motorista está um espelho à largura total que lhe dá uma visão completa do interior e, a seu lado, está disponível um assento especial para funcionários da empresa e da polícia, que são transportados gratuitamente.

Berliet PCR 10, interurbano com carroceria do fabricante.
Imagem: Delcampe

São transportados pelos veículos mercadorias, correio e passageiros. As mercadorias são transportadas no tejadilho [...] Na parte traseira do veículo, do lado de fora, há uma caixa de correio [...]

Berliet PCK, viatura 29 da Empresa de Camionetes Piedense, c. 1952.
Imagem: Publi Transport in Portugal

Muitos passageiros obtêm os seus bilhetes nos escritórios da empresa antes do embarque.

Às 62.000 milhas cada veículo é sujeito a uma inspeção geral e revisões pontuais são efetuadas nos intervalos de 42.000, 36.000 e 30.000 milhas. Duas grandes manutenções são feitas a cada mês, de maneira que nenhuma das camionetes trabalha mais de dois anos sem uma revisão completa.

Berliet PCK, viatura 29 da Empresa de Camionetes Piedense, década de 1950.
Imagem: José Luis Covita

As bombas de combustível são recalibrados numa máquina inventada por um empregado da empresa. O seu sucesso é tal que é frequentemente emprestada aos operadores de Lisboa.

Uma nova área de desenvolvimento da empresa é a construção de alguns atrelados de 16 lugares, que serão rebocados por pequenas unidades de tração, para o serviço de curta distância a partir do terminal na Costa da Caparica até à praia, que se está a tornar uma estância de fim de semana favorita dos lisbonenses.

Costa da Caparica, Almada, Largo Comandante Sá Linhares, ed. Passaporte, 08, década de 1950.
Imagem: Fundação Portimagem

Além das carreiras regulares, são também efetuados oito serviços de longa distância pelo sul e centro de Portugal. Estes serviços abrangem uma rota total de 1.020 milhas.

Cacilhas, Berliet PCR, viatura 31 (?) da Empresa de Camionetes Piedense, c. 1952.
Imagem: Publi Transport in Portugal

No total, 2 milhões de passageiros são transportados pela empresa em cada ano e os veículos cobrem 21 milhões de milhas.

Cacilhas, autocarro Berliet da Empresa de Camionetes Piedense, com o pára brisas em lanterna.
Imagem: José Luis Covita

Embora a qualidade dos veículos britânicos seja admirada pelo diretor geral, o mesmo acredita que, por causa do seu preço, não é atualmente possível a compra de veículos britânicos.

Cacilhas, autocarro Berliet, viatura 53 da Empresa de Camionetes Piedense.
Imagem: José Luis Covita

Os veículos franceses e suecos sempre prestaram um excelente serviço. (1)


(1) Commercial Motor (Archive),  Publi Transport in Portugal,  31 de outubro 1952, pág. 41

Artigo relacionado:
Uma empresa que se impõe


Bibliografia:
Covita, José Luis Gonçalves, História da Camionagem no Concelho de Almada, Almada, Câmara Municipal de Almada, 2004

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O farol de Cacilhas

Em 1886, a lanterna que assinalava a navegação, no pontaleto, foi substituída por um farolim.

Era todo em ferro, pintado de verde, dispondo de luz verde conforme as convenções internacionais e, ao seu lado, numa pequena casa, tinha uma corneta ou "ronca", para sinal de nevoeiro, accionada a ar comprimido. (1)

Farol de Cacilhas, 2010.
Imagem: Wikipédia


No longínquo dia de 15 de Janeiro de 1886, o Farol de Cacilhas iniciou as suas funções como Ajuda à Navegação.

Implantado no pontal [i. e. no pontaleto] de Cacilhas, este dispositivo de assinalamento era constituído por uma torre cilíndrica em ferro, pintada de vermelho com 12 metros de altura por 1,70 metro de diâmetro, dispunha de uma lanterna cilíndrica (espaço onde fica instalado o equipamento luminoso) com 8 vidraças e cúpula esférica pintada de verde, encimada por uma pequena esfera sobre a qual estavam montados um catavento e um pára-raios. 

Pontaleto de Cacilhas, espólio do duque de Palmela, 1885.
Imagem: Delcampe

Foi equipado com um aparelho iluminante de 5ª ordem (0,375m de diâmetro), com candeeiro de 2 torcidas. 

A luz era fixa, branca, alimentada a petróleo, disponibilizando um alcance luminoso de 11,5 milhas e iluminando um sector de 342º.

A partir de 9 de Maio de 1886 ficou pronto a funcionar um sinal sonoro estabelecido a Este do farol, abrigado numa guarita de ferro, constituído por um sino automático de movimento de relojoaria, o qual dava uma batida a intervalos de 5 segundos.

Farolim e moinho de Cacilhas, Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa (detalhe), 1932.
Imagem: TV Ciência

Historicamente o Farol de Cacilhas teve diversas combinações de cor entre a sua estrutura e a luz que emitia, sendo que em 1886, quando entrou em funcionamento, a estrutura era de cor vermelha e a luz de cor branca.

Cacilhas, Ao entardecer, Colecção Latina, Colecção Latina, Frederico [Pereira] Ayres, c. 1930.
Imagem: O FAROL - Associação de Cidadania de Cacilhas

Posteriormente (1928) a luz passou a ter cor verde e em 1935 a própria estrutura passou a ser de cor verde, a qual se manteve até ao momento da sua desativação em 1978.

Quando da sua reimplantação em Cacilhas (embora sem funções de farol, apenas como marca histórica), optou-se por recriar as características da sua inauguração, pelo que a estrutura ficou de cor vermelha e a luz (embora de baixa intensidade) de cor branca.

Excerto do esclarecimento prestado pela Chefia do Gabinete de Estudos — Direcção de Faróis, solicitado em Abril de 2012, na sequência da polémica, sobre a actual cor da torre do farol.

Almada, Pharol de Cacilhas, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 03, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

Em 1 de Janeiro de 1905, após ter sofrido algumas alterações de natureza técnica, o aparelho iluminante modificou a sua característica, passando a operar por ocultações de 5 segundos espaçadas por 55 segundos.

Cacilhas, Molhe e pharol, ed. Martins/Martins & Silva, 19, c. 1900.
Imagem: Delcampe, Oliveira

Entre Março de 1916 e 26 de Dezembro de 1918 o farol esteve apagado, por imposição de âmbito operacional, resultante da 1ª Grande Guerra. 

Em 1925 o aparelho iluminante foi substituído por outro de 4ª ordem (500mm diâmetro), tendo a característica do seu foco luminoso sido alterada em 01 de Março de 1927, passando de luz de ocultações, para luz de relâmpagos verdes.

Em 1931, foram anexadas duas pequenas câmaras, uma para a instalação do sinal sonoro e outra para acondicionamento das garrafas de gás.

Estes compartimentos viriam a ser ampliados em 1957, recebendo um segundo piso.

Cacilhas, estação fluvial, década de 1960.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

No mesmo ano, o sinal sonoro foi substituído por uma trompa de ar comprimido, tendo o sino sido cedido ao Instituto de Socorros a Náufragos para ser posteriormente instalado na Ericeira.

Em 1957 foi electrificado com energia da rede pública, ficando a utilizar como fonte luminosa a incandescência eléctrica com reserva a gás, tendo sido equipado com uma lâmpada de 500W / 110V e bico de gás acetileno com manga.

Farol de Cacilhas, ed. Passaporte, 20, 1957.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Aquando da inauguração do monumento ao Cristo-Rei (17 de Maio de 1959), foram montados 3 altifalantes no varandim do farol, para possibilitar a difusão à população de informações relacionadas com o evento.

Em Julho de 1959 o farol foi ligado à rede pública de água e o seu sinal sonoro desactivado em 31 de Março de 1977.

Cacilhas, vista do farol e do Tejo, ed. Cómer, década de 1960.
Imagem: Delcampe

Em 1978, com o aumento do número de cacilheiros e procurando ir de encontro ao conforto das pessoas, enquanto aguardavam o transporte fluvial no cais, evitando que estivessem permanentemente sujeitas a condições climatéricas adversas, foi tomada a decisão de desactivar o farol e, no local correspondente, construir uma gare de embarque de passageiros.

Cacilhas, farol e autocarros da Beira Rio, 1964.
Imagem: Lighthouses of Southern Portugal

Numa primeira fase ainda foi ponderada a colocação do Farol de Cacilhas noutro local, no entanto, a avaliação de que o farol já não apresentava interesse prático e utilidade como Ajuda à Navegação, conduziu inevitavelmente à extinção daquele dispositivo de assinalamento marítimo, tendo sido apagado no dia 18 de Maio de 1978 e iniciada a sua desmontagem nesse mesmo dia.

O último faroleiro a prestar serviço no Farol de Cacilhas, foi o faroleiro de 2ª classe (à data) Edgar Duarte Marques Casaca.

O antigo Farol de Cacilhas acabou por, em 1983, ser deslocado para a Ilha Terceira, nos Açores, com o objectivo de substituir o Farol da Serreta que fora destruído pelo sismo de 01 de Janeiro de 1980 (ler o artigo completo...) (1)

Lanterna instalada no Pontaleto de Cacilhas, Carta hydrographica do littoral de Cacilhas (detalhe), 1838.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal


(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.

(2) Direção dos faróis, Revista da Armada, setembro/outubro 2009.

Artigos relacionados: 
Na esplanada do forte de Cacilhas

Informação adicional: 
Direção de Faróis

O FAROL - Associação de Cidadania de Cacilhas
Boletim "O Pharol"

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O concelho de Almada

Depois da concessão do foral, [por D. Sancho I em 1190, Almada] passou a concelho independente com os seus magistrados próprios como é natural.

El Atlas del Rey Planeta (detalhe), Pedro Teixeira, 1634
Imagem: La descripción de España y de las costas y puertos de sus reinos

As suas confrontações primitivas eram: ao norte, o rio Tejo; ao sul, o concelho de Sesimbra; a oeste o oceano Atlântico, e a leste os rios Tejo e Coina.

Descripcion del reyno de Portugal (detalhe), Pedro Teixeira, 1662
Imagem: Biblioteca Nacional de España

Em 1350, como do concelho de Sesimbra se desanexou Vila Nogueira de Azeitão e outras freguesias, para formarem o concelho de Azeitão, ficou Almada sendo limitada ao sul por Sesimbra e Azeitão.

Sabemos que as freguesias de N. Sra. da Anunciação [sic, leia-se Assunção] do Castelo e de S. Tiago de Almada são muito antigas.

Presumimos que, para além destas, existam já também as freguesias de  N. Sra. da Graça de Corroios e N. Sra. da Conceição [sic, leia-se Consolação] de Arrentela.

Arrentela, vista geral, Jorge Almeida Lima, 1886
Imagem: Representações do Seixal e da Época no Olhar de Jorge Almeida Lima

Em 1472, à custa da freguesia da N. Sra. da Assunção, formou-se a freguesia de N. Sra. do Monte de Caparica.

Desde 1472 até 1724, ficou constituído o nosso concelho com as seguintes freguesias:
  • N. Sra. da Assunção do Castelo de Almada (também conhecida pela invocação de Santa Maria do Castelo de Almada);
  • S. Tiago de Almada;
  • N. Sra. do Monte de Caparica;
  • N. Sra. da Graça de Corroios;
    N. Sra. da Graça de Corroios (parece que desta freguesia fazia parte N. Sra. de Monte Sião de Amora que depois teria passado a ser freguesia);
  • N. Sra. da Consolação de Arrentela.

Por provisão do Cardeal Patriarca de Lisboa, D Tomás de Almeida, em 28 de Junho de 1734, foi desanexado da Arrentela o lugar do Seixal, que ficou constituindo uma paróquia sob a invocação de N. Sra. da Conceição.

Seixal, lado do nascente, Jorge Almeida Lima, 1886
Imagem: Representações do Seixal e da Época no Olhar de Jorge Almeida Lima

Da mesma foi também desanexado o lugar, depois freguesia, denominado Aldeia de Paio Pires.

Aparece-nos por estes tempos também a freguesia da Amora.

Vista da Amora, Tomás da Anunciação, 1852
Imagem: MNAC (museu do Chiado)

Almada foi assim uma grande circuncrição territorial que se manteve até 1834 com estas oito freguesias:
  • N. Sra. da Assunção,
  • S. Tiago,
  • Caparica,
  • Amora,
  • Corroios,
  • Arrentela,
  • Seixal,
  • e Aldeia de Paio Pires.

Moinho de maré de Corroios
Imagem: Pimentel, Alberto, A Estremadura portuguesa

Começa então a decadência.

Em Novembro de 1834, a freguesia de N. Sra. da Assunção foi anexada à de S. Tiago.

Em 6 de Novembro de 1836 foi constituído o concelho de Seixal, à custa do de Almada.

Aquele ficou com as Freguesias de Amora, Corroios (que estava anexado a Amora, sendo depois desanexado), Arrentela, Seixal e Aldeia de Paio Pires.

Almada conservou apenas as freguesias de S. Tiago e de Caparica.

Em 1895 foi extinto o concelho do Seixal, passando para o de Almada a freguesia de Amora (de que já fazia parte a de Corroios) [as outras freguesias, Arrentela, Seixal e Aldeia de Paio Pires, passaram para o concelho do Barreiro, tendo, em 1898, voltado para o concelho do Seixal].

Mas logo por decreto de 13 de Janeiro de 1898 foi criado de novo o concelho do Seixal, perdendo Almada mais uma vez a freguesia de Amora.

Almada fazia parte do distrito de Lisboa, mas passou a pertencer ao de Setúbal, quando este foi criado em 23 de Dezembro de 1926.

Mais tarde, em 7 de Fevereiro de 1928 (por Decreto n.° 15.004, publicado no Diário do Governo de 10 de Fevereiro de 1928), foi desanexada da freguesia de S. Tiago a freguesia da Cova da Piedade;

Limites da freguesia da Cova da Piedade
Imagem: Diário do Governo de 10 de Fevereiro de 1928

e, da freguesia do Monte de Caparica, a da Trafaria [criada pelo decreto n.º 12 432 de 7 de Outubro de 1926].

Trafaria (Portugal), Vista geral e rio Tejo, ed. Martins/Martins & Silva, 28, década de 1900
Imagem: Delcampe

Quanto à Costa da Caparica, essa torna-se freguesia pelo  Decreto n.° 37.301, publicado no Diário do Governo de 12 de Fevereiro de 1949. (1)

Costa da Caparica, Mário Novais, 1946
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian


(1) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.