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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Reviralho

Logo que chegou à chefia do poder, em 5 de Julho de 1932, António de Oliveira Salazar começou a elaborar a Constituição sobre a qual assentaria o seu novo regime, o Estado Novo.

António de Oliveira Salazar, Associated Press, 1966.
Imagem: The Delagoa Bay World

Após ser plebiscitado, o texto constitucional foi promulgado em Abril de 1933, no ano em que o novo regime salazarista criou a polícia política (PVDE) e o Secretariado de Propaganda Nacional (SPN) e lançou as bases da legislação corporativa, que assentaria, depois da proibição das associações operárias, em Sindicatos Nacionais (SN) únicos e Grémios patronais todo-poderosos.

Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.).
Costa da Caparica, aspecto do almoço dos trabalhadores dos Sindicatos Nacionais, 1937.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Na luta contra o processo da chamada "fascização" dos sindicatos e num movimento de recusa de dissolução das organizações operárias nos SN e de formação de comités de base de luta por reivindicações económicas e liberdades políticas, ergueram-se os anarco-sindicalistas, os comunistas e alguns socialistas, respectivamente organizados na Confederação Geral do Trabalho (CGT), na Comissão Inter-Sindical (CIS) e na Federação das Associações Operárias (FAO), bem como elementos do Comité das Organizações Sindicais Autónomas (COSA). (1)

O Reviralho, Orgão do Comité de Defesa da República,
1a edição, 2o semestre de 1927.
Imagem: Hemeroteca Digital

Poder-se-ia dizer, como José Pacheco Pereira, que, sendo o "18 de Janeiro [de 1934] um dos mitos fundadores da imagem revolucionária do proletariado português", é "pouco importante saber quem e porquê" — "saber se foram os anarquistas da CGT ou os comunistas do PCP", "saber se o soviete da Marinha Grande" durou muito ou pouco tempo, no caso "cinco minutos" — argumentando que o "simbólico nunca precisou de enredos muito compridos para se agarrar desesperadamente ao fragmento do real sobre o qual se ergue" e que a força simbólica do "18 de Janeiro" começa "quando, no fim dos anos 30, os anarquistas desapareceram como organização e os comunistas se tornaram hegemónicos" no movimento operário.

O Reviralho, Orgão do Comité de Defesa da República, Ano 1, n° 7.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Se o "simbólico não precisa, de facto, de enredos compridos", algum enredo há, e importa saber com que malhas ele se tece. E como se ganha e como se perde, já que também nas guerras do simbólico há vencedores e vencidos. A força simbólica do "18 de Janeiro" andará ligada ao facto de os comunistas terem conquistado a hegemonia. Mas esta última não chega para explicar os sucessivos desaires dos anarco-sindicalistas. (2)

Derrotado o levantamento popular, começaram as perseguições e as capturas aos dirigentes sindicais, na sua maioria comunistas. Na noite de 18 e nos dias seguintes, varreram toda a região, casa a casa.

Nem o Pinhal de Leiria ficou por varrer [...]

Para Joaquim Gomes, não é por acaso que o levantamento operário de Janeiro de 1934 tem na Marinha Grande uma dimensão diferente da que assumiu noutras localidades. A fascização dos sindicatos era, na terra do vidro, apenas a gota de água que fez transbordar toda uma luta, que se vinha já desenvolvendo. "O número de greves e manifestações era espantoso" lembra [...]

Este estado permanente de luta que se vivia na Marinha Grande inicia-se no começo dos anos 30, com a grave crise que afectou o sistema capitalista e muito particularmente a indústria vidreira: aumentou a exploração, os dias de trabalho foram reduzidos, algumas empresas foram temporariamente encerradas. Esta situação é acompanhada por um incrível reforço da organização do PCP na Marinha Grande, o que contrastava com outros locais, onde esta era ainda muito débil.

"Na Marinha Grande, a influência comunista era muito superior a qualquer outra, socialista ou anarquista", recorda Joaquim Gomes. Até ao 18 de Janeiro, havia células do Partido em todas as fábricas e as Juventudes Comunistas tinham também muita força, sobretudo entre os aprendizes. (3)

Os processos de actuação dos chefes bolchevistas são conhecidos: "todos os meios são bons para alcançarem os fins",... Desde a mentira à confusão, desde a intriga à calúnia.

Temos à nossa frente um Boletim assinado pelo Secretariado do Partido Comunista. É por consequência um documento oficial. Trata do movimento de 18 de Janeiro. O seu conteúdo não eleva quem o redigiu; revela apenas uma falta de honestidade moral que nunca pode triunfar no seio do proletariado.

A audácia das suas afirmações, o descaramento com que se pretende demonstrar uma grande preparação revolucionária comunista para o citado movimento, não consegue iludir a própria massa operária, fora, ou desviada, do âmbito destas lutas.

É nestes momentos que os "chefes" bolchevistas pretendem ganhar terreno. Para isso confundem, baralham, sofismam, porque sempre produzirá algum resultado...

Conhecemos, porém, esses processos. Andamos por cá há alguns anos e sabemos perfeitamente como a sua acção tem sido conduzida. Mas vamos ao documento em questão. O que diz ele, em resumo? 

Diz isto:

"O 18 de Janeiro caracterizou-se precisamente pela expressão do desejo das massas de seguirem as palavras de ordem do Partido Comunista".

Já é audácia! Como se o referido movimento fosse obra sua! Mais ainda, para que se observe até onde vai o arrojo:

"Na margem Sul do Tejo, em Almada, Cacilhas, Porto Brandão, Alfeite, Cova da Piedade a greve foi geral. No Algarve, houve greves e manifestações de massas, sobretudo em Silves, alguns pontos do Alentejo seguiram, também, as palavras de ordem do nosso Partido".

Querem melhor?

Então, toda a acção desenvolvida pela classe trabalhadora na margem Sul do Tejo não foi orientada pela C.G.T.?

Que influência exerce nesses locais, ou melhor, nas respectivas classes, o partido bolchevista?

A organização de Silves não é retintamente cegêtista?

Para quê tanta mentira? (4)

O Governo Mente, Sarmento Beires.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Almada quase parou no dia 18 de Janeiro de 1934, devido à grande aderência dos trabalhadores do concelho à greve revolucionária, organizada pela Confederação Geral do Trabalho e pela Comissão Intersindical, as duas forças sindicais mais importantes na época junto dos trabalhadores.

Um aspecto do julgamento de Sarmento de Beires na Trafaria, 1934.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

A greve revolucionária deu-se devido à tentativa fascista de liquidar as Associações de Classe e os Sindicatos Livres, para quebrar a força e a união dos operários. Almada na época era um concelho razoavelmente industrializado, possuindo uma classe operária bastante esclarecida e aguerrida na defesa dos seus direitos. Os anarco-sindicalistas (CGT) eram a força política dominante junto dos trabalhadores da Margem Sul que operavam nas fábricas de cortiça e nos estaleiros navais.

Na manhã de 18 de Janeiro as fábricas de cortiça "Henry Bucknall", "Rankins & Sons", "Armstrong & Cook", de Almada, tal como a empresa moageira "Aliança", do Caramujo, e os estaleiros navais na Mutela em Cacilhas, tiveram de encerrar devido à ausência dos seus assalariados. Solidários com o movimento, os motoristas de autocarros e de automóveis de aluguer, interromperam as suas funções das 10.30 às 14 horas.

Como se não bastasse, não trabalharem, os operários invadiram as ruas de Cacilhas, Cova da Piedade e Almada, provocando alguma agitação que seria reprimida pelas forças da ordem.

Cacilhas, a revolta de 18 de Janeiro de 1934.
Imagem: Partido Comunista Português

Fracassada a greve revolucionária, a repressão não se fez esperar. Cerca de vinte trabalhadores foram apontados como os grandes causadores da paralisação, sendo presos e conduzidos para Lisboa, sob forte escolta policial.

Revolta de 18 de Janeiro de 1934, os presos são conduzidos a Lisboa.
Imagem: largo da memória

A maioria dos presos pertenciam aos movimentos anarquistas, afectos à CGT.

Uma das consequências desse movimento, foi a suspensão do semanário "O Almadense", e a prisão do seu director, Felizardo Artur, o qual seria libertado três semanas depois, do Forte da Trafaria, depois de se provar que não estava envolvido no movimento.

Mas o título "O Almadense" continuou proibido por largos anos. A grande contribuição dos trabalhadores almadenses nesta jornada de luta operária, ficou registada através do fabrico de engenhos explosivos e sua distribuição um pouco por todo o país. A "Fábrica de Bombas" situava-se na Cova da Piedade, num barracão alugado.

Os principais responsáveis da CGT por este sector eram, Manuel Augusto da Costa e Romano Duarte.

As maiores vitimas do movimento foram Manuel Augusto da Costa, natural do concelho do Seixal e os almadenses, Pedro Matos Filipe e Joaquim Montes, condenados a 14 anos de degredo. 


Joaquim Montes, ilustração de Ligia
in Milheiro, Luís Alves, Almada e a Resistência Antifascista
Imagem: largo da memória

Começaram a cumprir as suas penas na Fortaleza de Angra do Heroísmo, mas com o aparecimento do Campo do Tarrafal, a jóia da coroa das forças repressivas, foram transferidos para a malfadada Ilha de Santiago, fazendo parte da primeira leva de prisioneiros que foram estrear o presidio. (5)


(1) 18 de Janeiro de 1934
(2) O "18 de Janeiro": uma proposta de releitura
(3) 70 anos do 18 de Janeiro de 1934, na Marinha Grande
(4) 80 anos do 18 de Janeiro de 1934, in A Batalha, abril de 1934
(5) Milheiro, Luís Alves, Almada e a Resistência Antifascista, 2000

Artigo relacionado:
2 de fevereiro de 1926


Leitura relacionada:
Memórias e Identidades da Cooperativa de Consumo Piedense

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O pequeno operário

In Memoriam: Jaime Ferreira Dias (1903 - 1932)

O meu coração está cheio de sepulturas. Entre as que me despertam maiores saüdades está a do nosso querido Jaime Ferreira Dias. Nunca conheci quem o excedesse em bondade, simplicidade, em candura. E rarissimos serão os que poderemos comparar com êle na gentileza da vida tão limpida e, ao mesmo tempo, tão infortunada. Militante dos ideais socialistas, Jaime Ferreira Dias foi um socialista que se impunha ao respeito de todos pela sua coerência, pela sua probidade, pelo seu sincero idelismo, foi, numa palavra, um socialista digno desse nome. Proferindo estas palavras de inteira justiça, perpassam-me pelo espírito algumas cartas que dele guardo e em que a grandeza da sua alma se reflectia como num puro cristal. (1)

Jaime Ferreira Dias entre os seus: D.a Helena Reis Ferreira Dias e as filhas Maria Otília e Maria Gabriela.
Imagem: Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada

Gente desapossada da terra, onde trabalharam pais e avós (que eram poucos por estes sitios) e ainda homens, mulheres e crianças de campos longinquos, como Charneca, Sobreda e até Fernão Ferro. que todas as madrugadas iniciavam uma marcha forçada e caminho da fábrica, distanciada uma légua, e, quantas vezes, duas e até três. No regresso (havia ainda o regresso, com o corpo já moido de fadiga), outro tanto seria palmilhado, o que perfazia, por vezes, dez, vinte e trinta quilómetros diários para obter o aluguer da força de trabalho.

Ao recordarmos Jaime Ferreira Dias, a criança que nunca foi menino, o pequeno operário arrancado à paisagem rústica, mas a quem um golpe de adversidade, em contrapartida, dá a possibilidade de se cultivar, melhor compreendemos e sentimos quanto o peso da ignorância paralisa ou ergue barreiras a tantos dos seus antigos irmãos de classe. Mas tentamos esboçar a sua figura, uma das mais limpidas, generosas e fraternas de quantas viveram na margem esquerda do Tejo.

Nasceu na Charneca de Caparica a 26 de Maio de 1903. Filho do operário corticeiro Alfredo Ferreira Dias, ainda garoto empregou-se na fábrica onde seu pai trabalhava, no Caramujo, da firma Henry Bucknall & Sons, Ltd. Caminhava todas as manhãs muitos quilómetros para ser pontual no iocal do trabalho. Ele e o pai, munidos do saco com o almoço, faziam aquela jornada de manhã e à tarde. Em épocas de invernia tornava-se um inferno aquela caminhada de dois pobres e solitários trabalhadores.

Aos doze anos, devido a ter sido atingido por uma das máquinas daquela fábrica, viu-se privado do braço direito. Regressado do Hospital ao Caramujo, o então gerente da casa Bucknall, Sr. David Ferguson [sic, David Fergusson (?-1930)], resolveu manda-lo educar, pagando do seu bolso o preço dos estudos.

Cedo as faculdades de inteligência de Jaime Ferreira Dias começaram a demonstrar tendência para as lutas de emancipação da classe operária. Ingressando por esse tempo nas fileiras do Partido Socialista Português [partido fundado em 1875 e suprimido em 1933, realizou ainda uma conferência em 1933], o seu dinamismo tornou-se notado, conquistando a estima e a admiração dos dirigentes deste partido, entre os quais se contavam o advogado e dramaturgo Ramada Curto e o jornalista e escritor Bourbon e Meneses. É surpreendente a actividade literária do nosso blcgrafado: contos, poesias, crónicas, artigos doutrinários, polémicas, traduções, criticas literárias e teatrais, textos ao sabor do quotidiano. A defesa das crianças, dos humilhados e ofendidos, dos "escravos da gleba" —esta uma frase tantas vezes repetida por Jaime Ferreira Dias! — inundou a Imprensa nos poucos anos que lhe restavam para viver [...]

Faleceu no Hospital de S. Marta, a 14 de Novembro de 1932, apenas com 29 anos de idade. Deixou mulher, D. Helena Reis Dias, e duas filhinhas de tenra idade. O seu corpo veio para Almada, seguido por densa multidão. Gente de todas as tendências e classes quisera prestar assim a última homenagem a Jaime Ferreira Dias. A banda da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense esperou o corpo, em Cacilhas, para o acompanhar ao cemitério de S. Paulo.

À beira do coval falaram Bourbon e Meneses, Ramada Curto, José Augusto Machado, que representava os inválidos do Comércio, e José Alaiz. Foram lidas duas mensagens: uma de D. Francisco de Melo e Noronha e outra do Clube Columbófilo "Os Voadores" [...]

Jaime Ferreira Dias escreveu entre outros opúsculos: Os Escravos da Gleba, Duas Uniões Vitoriosas, sendo este uma peça teatral em 1 acto.

Teatro, Duas Uniões Victoriosas, Jaime Ferreira Dias, 1931.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade

Traduziu, e Bourbon e Meneses prefaciou, o livro de Paul Lafarge Porque crê em Deus a Burguesia.

Amante do movimento associativo almadense, era sócio honorário do União Piedade Futebol Clube e do Clube Columbófilo "Os Voadores".

Jaime Ferreira Dias foi uma personalidade com destaque na vida cultural e associativa de Almada.
Foi sócio e dirigente da Sociedade Filarmómica União Artística Piedense e da Cooperativa Piedense.
Foi igualmente sócio honorário do União Piedade Futebol Clube e do Clube Columbófilo “Os Voadores”.
Foi ainda um dos fundadores da Associação de Classe dos Empregados no Comércio e Indústria de Almada (1931) [...]

A sua actividade literária distribui-se pelo conto, poesia, crónica, artigos doutrinários, polémicas, traduções, críticas literárias e teatrais.
Publicou os folhetos de crítica social Escravos da Gleba, [1928] (existente na Biblioteca/Arquivo de História Social, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - PT/AHS/PQ1170-B0140) e A Mulher: escrava do lar e das convenções sociais, Lisboa, Biblioteca de Educação Social, 1929, 24 p. (existente no Centro de Informação & Documentação da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e no Arquivo Histórico Social).

Publicou a peça de teatro Duas Uniões Victoriosas, peça em 1 acto que foi representada pela primeira vez, no teatro Garrett, na Cova da Piedade, a 24 de Maio de 1931.

Cova da Piedade, Cine-Teatro da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial


in Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA (disponível ocasionalmente)

Segue uma longa lista (pelo punho do próprio) da sua colaboracão na Imprensa:

Em O TRABALHO
001.° A Ideia em Marcha
002.° Lei que se deturpa
003.° Os descrentes
004.° À Mocidadez (O campo — soneto)
005.° A Luta de Classes
006.° Aos Escravos da Gleba
007.° Processos de Luta
008.° Os sem Trabalho
009.° A Humanidade deles
010.° lniquidades Sociais (Soneto)
011.° À Mocidade de Almada
012.° Colaboracionismo
013.° A Coerencia da História
014.° O Natal
015.° A Todos Os Escravos (Um soneto)
016.° A Expressão dum Fracasso
017.° A Actividade Socialista (Uma página)
018.° A Uma Tese
019.° O Problema Emancipador
020.° Ex-Homens
021.° Emigrantes
022.° A Educação Operária
023.° Um Grande Vulto de Socialista Antero de Quental
024.° Gruta de Trogloditas
025.° A XI Conferencia lntemacional do Trabalho
026.° Os sem trabalho
027.° A Fome
028.° Bodos
029.° A Linha Comungante (Novela)
030.° A Crise

58 colunas de prosa em O TRABALHO

Em O VEGETARIANO - 1927
015.° O Alvorecer (Soneto)
016.° A Angústia de Mãe (Soneto)
017.° Contradiçóes Absurdas (com gravura)
019.° ldílio-versos, com gravura
020.° A Inocência (Soneto)
022.° Sonho e flores (Soneto)
023.° A vida do campo e a febre do êxodo
024.° Vozes da Natureza (Soneto)

Em O VEGETARIANO - 1928
025.° Ao cair da tard - (Soneto)
026.° Na Relva - (Soneto)
027.° O Sobreiro
028.° Um filho (Soneto)
029.° Resposta a D. Francisco de Melo e Noronha
030.° lnvernando

Em O ECO-TELEGRAFO POSTAL
001.° Processos de Luta transcripção d'O TRABALHO
002.° A Humanidade burguesa
003.° Bendita a Rebeldia - Soneto
004.° Os Escravos da Gleba - Soneto
005.° Carteiro da Aldeia - Novela
006.° Pai? — ... Incógnito - Novela

Em A VOZ DE ALMADA
001.° As Contradicões da Igreja

Em O LIBERTADOR
001.° Ao sr. Ministro do Trabalho

Em A MOCIDADE
001.° Vária colaboração

Em A ACADEMIA jornal comemorativo do 32.° aniv.
001.° Saudações - Soneto

Em A NOVA ARCÁDIA
001.° A Inocência - Soneto

Em O CONTRUCTOR CIVIL - Porto
001.° Bom Caminho» (Mais artigos que se perderam com os jornais).

Em A VOZ DO OPERÁRIO - V. N. de Gaia
001.° A Voz do Operário

Em O VEGETARIANO - 1926
001.° Encantos da Natureza - Costa de Caparica
002.° Maio - Soneto
003.° Espectáculos Deshumanos
004.° A tua imagem - Poesia
005.° Caramujo
006.° A Cidade Massiça e a Cidade ideal (c/grav.)
007.° Lavadeiras- - Soneto
008.° A Pena de Morte
009.° Bendita a Rebeldia - Soneto
010.° As vindimas (com gravura)
011.° Os Escravos da Gleba - Soneto
012.° Os Estupificantes (c/ estudo em gesso, grav.)
013.° A Miséria - Soneto

Em a REPÚBLICA SOCIAL - 1927
267.° A Todos os Escravos
267.° Coisas do Momento» - Soneto 269.° O perigo da Indiferença
277.° Caricatural esboço duma grande cidade
277.° A Infância - Quadras
279.° O Problema Sexual na Sociedade Futura
280.° A Magia dos Soneto
280.° A Era Nova - Soneto
281.° Em Almada - O Apego à Tradição
282.° Do Apego a Tradição a Injúria Soez
282.° O Malhador - Soneto
283.° A Inocência - Soneto
284.° Eclipses
292.° Marcelino - O Pastor N.os 292/298
293.° A Minha Crença - Soneto
294.° Contrastes Desprimorosos
296.° Liberto, enfim - Soneto
300.° Necrópole Insurrecta
305.° Esboço Novelesco, Thomaz, o sacristão

Em a REPÚBLICA SOClAL - 1928
309.° Emigração
310.° A Glorlficação do Trabalhador
311.° A Esquadra lngleza no Te]o
313.° Tema de todos os dias - O LAR
317.° Nós e a Protecção Operária
320.° Trabalhadores, filiai-vos no P.S.P.
324.° Uma data, um anseio. uma esperança
326.° Compromissos...
329.° Um grito de dor
333.° Acidentes de Trabalho (2 N.os
340.° Sangue na guerla e lucidez de espírito
341.° Sejamos Mulheres - pseud. M. Rosa da Luz
346.° A Mocidade e o Socialismo
354.° A Miséria e a Doença

Em O PROTESTO - 1927
227.° Os interesses dos que trabalham
233.° A Opolência dos mortos e a miséria dos vivos; Na Relva - Soneto
234.° Preito dos Novos
235.° Vozes da Natureza - Soneto
236.° Indiferença, analfabetismo — eis o caos social 1 1/2 ››
236.° 1.° de Maio — Em Almada
237.° Alerta Mocidade
237.° Interpretação cooperativista
238.° Lei que se deturpa
240.° Em Almada — O apego a Tradição
240.° A Miséria-Soneto
241.° Desmoronamento - Soneto (Mais colaboração)
243.° Lei que se deturpa
244.° Lei que se deturpa (continuação)
247.° A Margem da Vida - Soneto
252.° O que se passa pela Itália
255.° Saibam quantos
258.° A Escravatura Moderna

Em O PROTESTO - 1928 (continuação)
275.° A Ansia do Fim
280.° Discurso (Morte de A. Dias da Silva)
281.° Os Vencidos

283.° Nem um catre no hospital
283.° Bendita a Rebeldia - Soneto
285.° As épocas e as doutrinas
290.° O Curro e a Religião
291.° No Regime dos Senhorios
291.° A Terra, o Campo, a Riqueza (com m/foto)
292.° No Regime do Salariato
293.° A Higiene
307.° Almas do outro Mundo
309.° O Estado e a Assistencia Social (Mutilado)
310.° Emigrantes — critica a Ferreira de Castro

Em O ALMANDENSE
001.° Regionalismo
002.° Uma Ponte Levadiça
003.° Municipalismo
004.° Instrução, Problema Municipalista
005.° A Margem Sul do Tejo
006.° O Flagelo da época
007.° A Margem da Morte
008.° Realismo e Democracia
009.° O Ladir dos Críticos e o Riso dos Asnos
010.° Contrastes Oportunos /
011.° A Assistência
011.° Bocage
014.° A Dor Humana
015.° Mosaicos
016.° Um Pesadelo
017.° Oratória
017.° Almas do outro Mundo
017.° Contrastes Oportunos (Resposta)
019.° Concepções ideológicas
019.° Bosquejos locais
020.° A Evolução Mecânica e a Trans. Social
021.° Cosmopolitismo ou quê?
021.° Farrapos
022.° Martirológio
023.° A Luz do Alfabeto
024.° Fraticidas
025.° Urbanismo Almandense
026.° Quadros
027.° Terra de Ninguém - Novela de Cost. Regionais
028.° Traumatismo Social
028.° Crianças
029.° Duque de Vizeu (critica teatral)
031.° A Odisseia dos Marítimos
032.° Atrraz duma Quimera
033.° O Culto da Indiferença
034.° A Escola e a Crianca

[...] Três semanas após a abertura desta escola [escola primária na antiga Cardosa do Caramujo, actual rua Tenente Valadim], as aulas tinham uma frequência de 110 alunos, lecionados pelo saudoso professor José Martins Simões. Esta obra realizou-a o esforço de alguns ardorosos sócios. A escola possuiu um estandarte próprio, que era o enlevo da garotada, e um grande benemérito desta terra, que foi António José Gomes, de tal modo perƒilhou esta obra, que vestiu mais uma centena de alunos, dando-lhes um fardamento.

Os filhos da Piedade, que hoje são homens, devem a esta escola a instrução que disfrutam! António José Gomes patrocinou a escola que aquele punhado de homens criou, e sendo exígua já a capacidade das salas da Sociedade para a regular frequência escolar, edificou aquele benemérito a escola situada na Avenida que tem o seu nome e que é a melhor de todo o concelho!

António José Gomes, década de 1890.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

Este estabelecimento de ensino, foi. pois inspirado pela iniciativa que teve o seu campo de ensaio — e que profícuo ensaio! — na Sociedade Filarmónica União Artística Piedense.


in Dias, Jaime Ferreira, citado em Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.

036.° Cooperativismo
038.° Economia Nacional — A Ind. Cort. e a Exportação da Cortiça em Bruto
039.° Crónica da Primavera 2
039.° Abril - Soneto
040.° Amor e a Sociedade


Jaime Ferreira Dias colaborou ainda por varias vezes no El Socialista, de Madrid. (2)


(1) Bourbon e Menezes citado em Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.
(2) Op. Cit.

Leitura relacionada:
Flores
, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Almaraz

Nome com que se designa a orla esquerda do rio Tejo, em frente a Lisboa. (1)

Praça do Comércio e Rio Tejo, Francesco Rocchini (1822 - 1895), c. 1868.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Reflectindo-se nas aguas tranquillas do mais vasto e magestoso porto do mundo, banhada pela mansa corrente do seu aurífero Tejo, reclinando-se docemente sobre terrenos de leve pendor, onde aqui e ali brotam macissos de virente vegetação, sob um ceu de pureza inegualavel, e com um clima ameno e vivificante, a cidade de Lisboa revê-se nos terrenos fronteiros de alem-Tejo, semeados de povoações, de fabricas, de matas e de vinhedos, e que descem até a margem do rio por vertentes rápidas, ou por escarpas abruptas.

Baixa e Rio Tejo, Francesco Rocchini (1822 - 1895), c. 1868.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Pela base d'esses terrenos e banhadas pelas aguas do Tejo estendem-se as edificações, quasi ininterrompidamente, formando grupos, ou povoações, que tomam os nomes de Cacilhas, Ginjal, Arrábida, S. Lourenço, Affonsina [sic] e Banatica, até a Trafaria.

Baixa e Rio Tejo, Francesco Rocchini (1822 - 1895), c. 1868.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Em cima, Almada, a velha Cetobrica dos romanos, com as muralhas do seu castello e as torres das suas igrejas recorta pittorescamente o horizonte, reflectindo os raios afogueados do sol poente nas vidraças das casas, como se estivessem illuminadas em festa, ou ardendo em chammas [...]

Regata dos barcos da Channel Fleet em Lisboa, 1869.
Imagem: amazon

Na margem do S. ha ainda os seguintes pontos, que servem aos navegantes para a sua derrota:

Plano do porto de Lisboa e das costas adjacentes (detalhe), 1804.
Imagem: Bibliothèque nationale de France

Torrão — pequeno logar que fica mais a W. da margem S. do Tejo.

Calhaus do mar — grupo de pedras que existe próximo do areal da Trafaria.

Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa, A. F. Lopes e Rodrigues Thomaz, gravura, 1932.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Trafaria — povoação das mais importantes do S. do Tejo, com grande accumulação de casas de pescadores, facilmente reconhecível.

Trafaria, c. 1900.
Imagem: Delcampe

Lazareto — edifício de grandes dimensões assente no cimo da montanha e descendo pela vertente, com diversos corpos em amphitheatro.

Torre velha — fronteira á torre de Belém, e a W. do Porto Brandão — logar bem reconhecido, pela grande quantidade de casas que fícam adjacentes áquella margem.

Banatica — logar que bem se distingue pelas pedreiras em exploração, cortando o terreno em talude muito áspero, e ao qual ficam próximas as marcas do limite W. da milha maritima.

Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa, A. F. Lopes e Rodrigues Thomaz, gravura, 1932.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Alfanzina — pequeno porto a montante da Banatica.

Porto de S. Lourenço — fica ao N. do logar denominado Palença, e onde está installada uma grande fabrica de cerâmica.

Portinho da Arrábida — a nascente do qual, e na quebrada da montanha, ficam as duas marcas de alvenaria, que dão o limite E. da milha maritima. E com estas marcas e com as da Banatica que se vão acertar os relógios e experimentar o andamento dos navios. A milha official é dada pelo enfiamento dos dois grupos de marcas.

Torre de S. Paulo — na villa de Almada, a W. da povoação e em ponto elevado, uma das marcas mais importantes da margem sul do Tejo.

Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa, A. F. Lopes e Rodrigues Thomaz, gravura, 1932.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Pontal de Cacilhas — ponta SE. da povoação d'este nome, e limite N. da enseada chamada da Cova da Piedade. (2)

Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa, A. F. Lopes e Rodrigues Thomaz, gravura, 1932.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

[...] arribas da margem sul do Tejo desde Cacilhas à Trafaria. A denominação de Almaraz foi corrente entre a gente de rio e mar até principios do nosso século [XX] mas hoje restringe-se praticamente à quinta desse nome em Cacilhas. (3)


(1) Dicionário Priberam da Língua Portugues
(2) Loureiro, Adolfo, Os portos maritimos de Portugal e ilhas adjacentes, Vol III parte 1, Lisboa, Imprensa Nacional, 1906
(3) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.

Artigo relacionado:
H. Parry & Son, estaleiro no Ginjal


Informação relacionada:
Jornal Público, edição de 2 de julho de 2006

Lamas, Pedro Calé da Cunha, Os taludes da margem sul do Tejo - evolução geomorfológica e mecanismos de rotura, Lisboa, Universidade Nova, 1998, 21.71 MB.