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domingo, 22 de novembro de 2015

O centro cívico

Pela apreciação do Conselho Superior de Obras Públicas ficamos, ainda, a saber que a primeira fase de execução do Plano de Almada passava pela construção de um novo Centro Cívico nesta vila.

Plano Parcial de Urbanização de Almada (PPUA), Implantação do Cento Cívico, 1947.
Imagem: Ver Almada crescer: 10 anos do Museu da Cidade (catálogo)

Intervenção que pelo rigor e pormenor com que é elaborada não levanta quaisquer objecções por parte daquele organismo [...]

Almada, Tribunal, J Lemos, 03, década de 1960.
Imagem: Delcampe

Em conclusão, o Parecer considera "que a parte que se refere à análise, programa e estudo da urbanização do concelho de Almada, está em condições de servir de base aos ante-planos dos vários aglomerados" [...] (1)

Almada, Jardim Sá Linhares, ed. Postalfoto, 11, década de 1950.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard


(1) Lobo, Susana Luísa Mexia, Arquitectura e Turismo: Planos e Projectos. As Cenografias do Lazer na Costa Portuguesa. Da 1.ª República à Democracia, Coimbra, Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2013

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Largo Gil Vicente
Praça da Renovação
Horizontes

terça-feira, 30 de junho de 2015

Empresa de Camionetes Piedense

A empresa Piedense tem uma frota de 44 veículos, a maioria dos quais com base nos chassis Volvo e Berliet de motor frontal.

Cacilhas, Lisboa vista de Cacilhas, ed. Postalfoto, 468, década de 1950.
Imagem: Delcampe

As carrocerias em alumínio foram construídas pela empresa em oficinas próprias, na Trafaria. O material utilizado foi em grande parte fornecido pela Aluminium Union, Ltd., da Grã-Bretanha, e o diretor e gerente geral, sr. Agostinho Ramos Munhá, está satisfeito com os resultados.

Cacilhas, autocarro Volvo, viatura 24 ou 26 da da Empresa de Camionetes Piedense, largo do Costa Pinto (detalhe), Mário Novais, c. 1947.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

As taxas de consumo de combustível dos veículos são baixas e uma grande poupança é feita em direitos de importação.

Versatilidade do chassis Berliet PCK 8 adaptável a diferentes carrocerias.
Imagem: Bus America

As carrocerias apresentam-se sem pintura, e têm-se revelado particularmente fáceis de limpar e manter.

Cacilhas, comemorações do centenário da Incrível Almadense, Júlio Dinis, Outubro de 1948.
Em segundo plano, autocarros com cabine recuada e, outros, com a volumetria do motor integrada no habitáculo.
Imagem: Museu da Cidade de Almada

As grandes janelas curvas, à frente e atrás, e as portas de dobrar são características do design. O sistema de entrada de passageiros pela traseira e saída pela frente, com o sistema de portas dobráveis, operadas manualmente, é generalizado em Portugal.

Trafaria, paragem de autocarros, Mário Novais, década de 1940.
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

Os interiores são revestidos a alumínio natural, com estofos em vermelho. As janelas são de correr, de manuseamento rápido, com cortinas, e as luzes do teto têm painel antirreflexo. As camionetes têm instalado um relógio e um aparelho de rádio porque também são usadas ​​em serviços interurbanos e de turismo.

Berliet PCK 7, autocarro com carroceria do fabricante.
Imagem: Delcampe

Acima do lugar do motorista está um espelho à largura total que lhe dá uma visão completa do interior e, a seu lado, está disponível um assento especial para funcionários da empresa e da polícia, que são transportados gratuitamente.

Berliet PCR 10, interurbano com carroceria do fabricante.
Imagem: Delcampe

São transportados pelos veículos mercadorias, correio e passageiros. As mercadorias são transportadas no tejadilho [...] Na parte traseira do veículo, do lado de fora, há uma caixa de correio [...]

Berliet PCK, viatura 29 da Empresa de Camionetes Piedense, c. 1952.
Imagem: Publi Transport in Portugal

Muitos passageiros obtêm os seus bilhetes nos escritórios da empresa antes do embarque.

Às 62.000 milhas cada veículo é sujeito a uma inspeção geral e revisões pontuais são efetuadas nos intervalos de 42.000, 36.000 e 30.000 milhas. Duas grandes manutenções são feitas a cada mês, de maneira que nenhuma das camionetes trabalha mais de dois anos sem uma revisão completa.

Berliet PCK, viatura 29 da Empresa de Camionetes Piedense, década de 1950.
Imagem: José Luis Covita

As bombas de combustível são recalibrados numa máquina inventada por um empregado da empresa. O seu sucesso é tal que é frequentemente emprestada aos operadores de Lisboa.

Uma nova área de desenvolvimento da empresa é a construção de alguns atrelados de 16 lugares, que serão rebocados por pequenas unidades de tração, para o serviço de curta distância a partir do terminal na Costa da Caparica até à praia, que se está a tornar uma estância de fim de semana favorita dos lisbonenses.

Costa da Caparica, Almada, Largo Comandante Sá Linhares, ed. Passaporte, 08, década de 1950.
Imagem: Fundação Portimagem

Além das carreiras regulares, são também efetuados oito serviços de longa distância pelo sul e centro de Portugal. Estes serviços abrangem uma rota total de 1.020 milhas.

Cacilhas, Berliet PCR, viatura 31 (?) da Empresa de Camionetes Piedense, c. 1952.
Imagem: Publi Transport in Portugal

No total, 2 milhões de passageiros são transportados pela empresa em cada ano e os veículos cobrem 21 milhões de milhas.

Cacilhas, autocarro Berliet da Empresa de Camionetes Piedense, com o pára brisas em lanterna.
Imagem: José Luis Covita

Embora a qualidade dos veículos britânicos seja admirada pelo diretor geral, o mesmo acredita que, por causa do seu preço, não é atualmente possível a compra de veículos britânicos.

Cacilhas, autocarro Berliet, viatura 53 da Empresa de Camionetes Piedense.
Imagem: José Luis Covita

Os veículos franceses e suecos sempre prestaram um excelente serviço. (1)


(1) Commercial Motor (Archive),  Publi Transport in Portugal,  31 de outubro 1952, pág. 41

Artigo relacionado:
Uma empresa que se impõe


Bibliografia:
Covita, José Luis Gonçalves, História da Camionagem no Concelho de Almada, Almada, Câmara Municipal de Almada, 2004

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Largo Gil Vicente

No último quartel do século XIX construiu-se a nova estrada Cacilhas - Trafaria que aproveitou parte das antigas azinhagas. A sul de Almada abriu-se um troço inteiramente novo desde onde é hoje a praça Gil Vicente [...] (1)

Planta do Rio Tejo e suas margens (detalhe), 1883.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

D. Francisco de Melo e Noronha (1863 - 1953)... muito respeitado nesta sua terra de adopção, onde residia em casa própria, no fim da Estrada Nova [...]

D. Francisco de Melo e Noronha.
Imagem: Correia, Romeu,
Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada

A sua residência, conhecida pela Casa do Gato, foi adequada, respeitando a sua vontade, a um liceu. (2)

Almada, Casa do Gato, posteriormente Externato Liceal de Almada (Externato do Gato), década de 1960.
Imagem: Casario do Ginjal

A partir de Julho de 1947 a CMA começou a vender, em hasta pública, os lotes resultantes da expropriação da Quinta do Conde [de Assumar, provavelmente D. João de Almeida Portugal], uma das propriedades sobre as quais incidia o PPUA [Plano Parcial de Urbanização de Almada, aprovado em abril de 1947]. 
Figueirinhas — Nome do sítio que abrangia as terras onde estão hoje o Largo de Gil Vicente, o princípio da Avenida D. Afonso Henriques e o princípio das ruas D. Sancho I e Bernardo Francisco da Costa.
O topónimo está em desuso e mesmo completamente esquecido.

Em 1665 o Conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, arrendou ao Capitão-Mor Álvaro Pereira de Carvalho, uma propriedade no sítio "aonde chamam as figueirinhas" que contactava "da banda do Sul com a estrada pública que vem da Mutela para Cacilhas... e do Norte com a estrada que vem de S. Sebastião para Cacilhas".

in PEREIRA DE SOUSA, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.

Almada, rua D Sancho I, em segundo plano figuram a "Casa do Gato" e a ainda área rural, década de 1950.
Imagem: almaDalmada

As verbas resultantes da venda de lotes e as receitas da água (desde 1945) foram aplicadas nas amortizações dos empréstimos e na implementação das obras de urbanização [...]

Entrada da Av. Afonso Henriques, Almada, Fotoselo ROTEP
(Roteiro Turístico e Económico de Portugal), 172.

O PUCA [Plano de Urbanização do Concelho de Almada, entregue por Étiènne de Gröer em setembro de 1946] e o PPUA previam o desenvolvimento urbanístico de Almada para sul, em torno de uma avenida central, designada por Rua I (actual Avenida Afonso Henriques) e construída paralelamente ao antigo eixo de ligação a Cacilhas (a chamada estrada nova).

Fotografia de António Homem Christo,
in Almada, a cidade satélite, Revista Eva, Dezembro de 1960.
Imagem: Dias que Voam

Entre as duas vias desenvolver-se-ia o novo centro cívico da vila, comercial, administrativo e religioso [...]

Praça Gil Vicente, vista parcial e início da Estrada Nova, década de 1950.Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

Embora a JAE tivesse assumido a construção da avenida central da zona nova de Almada, que constituía um troço da "estrada turística", e tivesse desenvolvido a sua ligação alternativa a Cacilhas, aquela nunca foi construída, nem as projectadas circulares. 

Almada, Praça Gil Vicente,ed. Postalfoto, 12, década de 1960.
Imagem: Delcampe

A ideia da cidade-jardim foi-se perdendo a partir da aplicação da legislação que reintroduziu a lógica do primado do loteamento particular, em oposição à urbanização planeada e executada pelos municípios da época de Duarte Pacheco. (3)

Almada, Praça de Gil Vicente e fonte luminosa, Ed. da Comissão Municipal de Turismo de Almada, 2, c. 1970.
Imagem: Postais Ilustrados


(1) PEREIRA DE SOUSA, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.
(2) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.
(3) Rodrigues, Jorge de Sousa, Infra-estruturas e urbanização da margem sul: Almada, séculos XIX e XX, 2000, 35 págs.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O Bugio

Forte ou Torre de S. Lourenço, ou Bugio.

Da fábrica que falece à cidade de Lisboa (i. e. construções que faltam à cidade de Lisboa), Francisco de Holanda, 1571.
Imagem: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de S. Paulo

[...] se possível for havendo pedra ou fundamento seguro podia-se fazer este baluarte no meio da cabeça onde rebenta o mar dos Cachopos, que responde mais fronteiro a S. Gião, o qual podendo ser seria coisa fortíssima e que muito ajudaria a defender a barra de Lisboa de todo o perigo que por ela pode fazer dano alguma hora.

E estes tais baluartes haviam de ser rasos e baixos e fortíssimos e feitos não de pedra e cal mas de tijolo cozido muito delgado e forte que é muito mais seguro.

Digo do embasamento ou do pé do baluarte para cima que deve ser de pedra lioz os quais baluartes ou bastiães podem ser conformes a este desenho ainda que a forma seja pequena por não caber num livro maior. (1)

O projecto [de Francisco de Holanda] acabou por ser esquecido, e só em 1579, com a iminência de um ataque da armada castelhana a Lisboa, essa hipótese voltou a ser considerada, construindo-se então um forte de madeira no areal junto à Trafaria, que não teve relevância alguma na defesa da capital em 1580 [...]

Projecto para plataforma em madeira para o Bugio, Tibúrcio Spanochi, 1594.
Imagem: arquipélagos

Em Dezembro 1589 o monarca [Filipe II (de Espanha)]contratou o italiano Frei Vicêncio Casale para que traçasse a planta do forte da Cabeça Seca.

Descripção da boqua do Tejo, Vincenzo Casale, 1590.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

No final de Janeiro de 1590 o arquitecto apresentava a Filipe II o projecto, que contemplava as obras de engenharia necessárias à implantação da fortaleza no ilhéu de areia fronteiro a São Julião da Barra e apresentava ao rei duas planimetrias distintas, uma estrelada, outra circular. 

Esta última foi a escolhida, por apresentar maior solidez face ao impacto do mar e maior facilidade de mobilização da artilharia. (2)

Torre do Bugio, ed. Postalfoto, 167.
Imagem: Delcampe

Mediante o falecimento de Casale em Lisboa (1593), foram nomeados para dirigir as obras dois discípulos seus, Tibúrcio Spannochi e Anton Coll, sob a justificativa de que ambos eram conhecedores do "modo de fabricar y manejar los instrumentos" e para que a "traça començada" não fosse alterada [...]

A partir de 1598 a direção da obra foi assumida pelo engenheiro militar e arquiteto cremonense Leonardo Torriani, nomeado Engenheiro-mor do Reino, e como encarregado dela, Gaspar Rodrigues (Gaspar Roiz). A partir de então o projeto entrou numa nova fase, dadas as alterações que Torriani lhe introduziu, ampliando-a.

Em 1601 estava finalizada a colocação das pedras das bases [...]

Descrição e plantas da costa dos castelos e fortalezas..., Felippe Tersio, 1617.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Em planta datada de 1693 já se encontra figurada uma torre encimada por um farol. O relatório de inspeção efetuada em 1751 ao farol, mostra que o mesmo operava com azeite, no período de outubro a março, e que se encontrava em razoáveis condições.

Alçado e corte do Forte de S Lourenço da Cabeça Seca,
Mateus do Couto, desenho aguarelado, 1693.
Imagem: Fortalezas.org

Esta estrutura, destruída pelo terramoto de 1755, foi reedificada como um dos seis faróis erguidos na costa portuguesa para auxílio à navegação, conforme determinação de um Alvará do Marquês de Pombal datado de 1758.

O castelo do Bugio ficou tão inundado pela água que a guarnição disparou vários tiros em sinal de socorro e foi obrigada a retirar-se para a parte superior da torre.

Segundo o meu melhor cálculo, a água subiu cerca de dezasseis pés em cerca de cinco minutos e baixou no tempo por três vezes, e às duas a maré voltou ao seu curso natural.


in Lx_Risk

O novo farol entrou em funcionamento em 1775.

Torre do Bugio na Barra de Lisboa, João Pedroso, gravura
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Quando da eclosão da Guerra Peninsular (1808-1814), já estava ocupada pelas tropas napoleônicas (1807). O coronel Vincent, comandante da Engenharia das tropas de Jean-Andoche Junot, considerava o Bugio uma fortificação inadequada à defesa marítima de Lisboa, "(…) um fraco obstáculo contra o inimigo que, com vento favorável, tentasse forçar a passagem da barra".

Portuguese Shipping in the Mouth of the Tagus, S. Clegg, 1840.
Imagem: BBC Your Paintings

Essa visão foi confirmada quando, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828–1834), o Bugio foi alvo do fogo da artilharia da esquadra francesa que, sob o comando do almirante Albin Roussin, forçou a barra do Tejo [...] (3)

Na margem norte ainda se fez fogo sobre os franceses, mas na margem sul, a única reacção activa conhecida é a da Torre de S. Lourenço [Bugio]. (4)

A frota francesa commandada por Roussin força a entrada do Tejo, Pierre-Julien Gilbert, 1837.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo


(1) Souza, Maria Luiza Zanatta de, Um novo olhar sobre "Da fábrica que falece à cidade de Lisboa" ( Francisco de Hollanda 1571), São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2011.
(2) Património Cultural
(3) Fortalezas.org

 (4) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.

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O forçamento da barra do Tejo

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Jardim da Piedade

O jardim da Piedade,

Cova da Piedade, Jardim Público, ed. Papelaria Jubal, 2,  ed. Postalfoto, década de 1960.
Imagem: Delcampe

É pequeno mas tem graça,

Cova da Piedade, Arredores de Lisboa, ed. António M. Ribeiro.
Imagem: Delcampe

Tem um chafariz no meio,

Cova da Piedade, Arredores de Lisboa, ed. António M. Ribeiro.
Imagem: Delcampe

Dá de beber a quem passa. (1)

Cova da Piedade, Rua Tenente Valadim, ed. desc., década de 1900.
Imagem: Delcampe


(1) Quadra popular, no início do século XX, citada em Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs..