Mostrar mensagens com a etiqueta Torre Velha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Torre Velha. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Cronologia breve da Torre Velha (3 de 3)

Torre Velha ou Fortaleza de São Sebastião de Caparica

Torre Velha, John Thomas Serres, c. 1801.
Imagem: Catarina Pires no Facebook

1801

Em 1801, terminado o infeliz conflito que ficou conhecido por "guerra das laranjas" e nos custou a perda de Olivença, encontramos de novo desactivadas as fortalezas da margem sul. As guarnições haviam sido reduzidas ao mínimo e descuradas as dotações de pólvora e munições.

A situação de abandono das fortalezas e a negligência em cuidar da defesa manteve-se até à partida de D. João VI para o Brasil. Os acontecimentos europeus pareciam não perturbar a inércia da corte e dos responsáveis. A Torre conservava as linhas gerais de 1692, apenas com a renovação da bateria baixa, aliás inacabada.

Torre Velha, corte pela falésia.
Imagem: Pedro Cid, A Torre de S. Sebastião de Caparica...

Confirma-o uma memória do marquês de La Roziere onde se indicam 4 baterias: a primeira era aquela designada em 1692 por braça baixa e ficava virada a norte; tinha sete peças de ferro calibre 24 e duas peças de bronze calibre 18 "sobre reparos de marinha quase apodrecidos". 

A segunda bateria estava na explanada imediatamente a sul, contígua e muito alta, era o espaço com parapeito compreendido entre a velha torre e a cortina nascente; tinha 6 peças de calibre 6 "sobre reparos de marinha fora de serviço".

A terceira bateria estava na explanada dita "praça alta" em 1692; tinha 5 peças de bronze de calibre 18. 

A quarta bateria era provavelmente aquela abaixo e contígua à primeira, mas não havia sido acabada; é uma das previstas no projecto de D'Alincourt.

1807 (ocupação francesa)

A situação da Torre de S. Sebastião e dos seus acrescentamentos constam do relatório do oficial francês Amaute elaborado em 6 de Dezembro de 1807, logo após a ocupação francesa: Forte da Torre Velha.

Esta fortificação é fechada por urna porta dupla [refere-se à porta de armas na cortina sul], está rodeada de um pequeno fosso do lado de terra, não foi feita senão para bater o rio; entretanto podia fazer-se aí uma vigorosa defesa, se bem que ela seja dominada por uma elevação não inferior a 150 toesas [1, 82 m...]

1810

A ideia de uma linha de defesa terrestre na margem sul não era nova — tivera-a já o conde de Lippe em 1762 — mas foram afinal os ingleses que, sob as directrizes do tenente-coronel J. Fletcher, comandante do corpo de engenheiros de Wellesley e do capitão John Jones, adjunto daquele, que executaram as linhas de defesa, nos anos de 1810-11. 

Esboço do terreno da margem esquerda do Tejo, extendendo-se de Almada à Trafaria, entrincheirado como posição militar, cf. Journals of sieges carried on by the army under the Duke of Wellington, 1811-1814.
(Assinalam-se também o Vale de Mourelos interseptado por vedações e os esteiros no lugar da Piedade)
Imagem: Internet Archive

Duas linhas no total de 21 fortes protegiam os ingleses de um ataque por sul, cobrindo a margem do rio desde a Margueira até Alpena. Com excepção do Forte de Almada, o n.° 1 da segunda linha eram todos redutos de campanha, de construção provisória.

Estas linhas, tal como a linha de defesa próxima a nõrte de Lisboa, destinavam-se a exercer uma acção de retardamento no caso de rotura das Linhas de Torres ou de um poderoso ataque pelo Alentejo permitindo nestes casos o reembarque das tropas inglesas. 

Quanto aos franceses de Junot, não chegaram a construir qualquer linha de defesa equivalente, mas colocaram na margem esquerda um forte contingente de tropas. (1)

1813

Foi em 1813 que o lazareto foi mudado para a Torre Velha, ou de S. Sebastião, havendo então três barracas para arrecadação de fazendas, um acanhado armazém sobre a bateria do forte e mais duas pequenas casas, uma para recolher os escaleres, tendo superiormente a secretaria, e outra, chamada a da balança, onde eram pesadas as fazendas, a fim de se cobrarem as percentagens, que constituíam, os emolumentos para os empregados. 

Era em pontões que os quarentenários, sem commodidade de espécie alguma e em uma accumulação, contra a qual embalde todos reclamavam, tinham de passar o tempo da sua quarentena, sem ao menos haver um isolamento que inspirasse alguma confiança [...]

1837

O conselho de saúde, criado em 1837, representou logo ao governo sobre a impropriedade com que a Torre Velha estava servindo de lazareto, e a necessidade urgente de se construir um em logar conveniente e com todas as condições exigidas pela sciencia moderna e pela humanidade. (2)

1840

Hum occulo apontamos os nós de sobre o terraplano superior da torre de Belem, e com seu auxilio desenhamos nossa estampa, com todas as gentilesas, que d'ali podemos ver.

Vista da Torre Velha, O jovem naturalista n .° 9, 1840.

Abstemo-nos de formar a resenha de seus detalhes, por quanto, assaz escrupuloso na imitaçam dos originaes, cremos que nossa estampa falla evidentemente a intelligivel linguagem do desenho, e tanto, quanto em nossa fraquesa cabe.  Á vista do que havemos dito da posiçam d'esta torre, he facil de ver, que sua frente olha perpendicularmente ao Septemtriam ou Norte. 

Ella parece ser mui anterior á torre, sua visinha. 

O gruppo de casas que vemos á direita n'huma pequena praia tem por nome o "Lazareto" onde se depositam as carregações dos navios, que sam emprasados pelo Conselho da saude.

Lá, temos tambem huma rampa, guarnecida d'hum muro, que he o caminho para entrar-se na torre. (3)

Torre Velha, Lisbonne, François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: Sotheby's

Em 1844 começou a construcção de dois armazéns de alvenaria em andares, destinados ás mercadorias, e uma muralha na praia para as descargas e desembarques. (4)

1864


A invasão da febre amarella em 1857 foi causa de que se fizessem algumas obras havia muito altamente reclamadas pela hygiene publica, e pelo decoro da capital; e tambem de que se planisassem outras não menos necessarias, mas que não passaram de simples projectos.

Novo lazareto da Torre Velha, Barbosa Lima, 1864.
Imagem: Novo lazareto da Torre Velha, Archuivo Pittoresco n.° 27, 1864

Entre as primeiras tem um togar distincto pela sua importantia o novo lazareto, obra gigantesca, para a qual não chegou a primeira somma de cem contos de réis votada pelas cortes. Achava-se estabelecido o antigo lazareto na Torre de S. Sebaslilio de Caparica, vulgarmente chamada Torre Velha [...] (5)

1868

Em 11 de maio de ISGS apresentou o engenheiro D. António de Almeida o ante-projecto de uma doca no lazareto, formada por um molhe de alvenaria hydraulica revestido de cantaria, tendo 100 metros de extonsão e parallelo ao cacs de terra, na direcção de Nascente a Poente, deixando ao centro uma entrada de 10 metros de largura.

Vista da enseada da Paulina e da Torre Velha, 1897.
Imagem: Branco e Negro Semanário Ilustrado



Em 1875 construiu-se na doca do Lazareto a primeira ponte-caes de madeira, cujo projecto foi elaborado pelo engenheiro Cândido de Moraes.

Enseada Paulina, cais e armazéns do Lazareto, 1897.
Imagem: Branco e Negro Semanário Ilustrado
Tinha 30 metros de comprimento por 6 de largura, partindo de um terrapleno que se conquistou com uns inuros assentes sobre a rocha, que se encontrava por fora do caes.

Esta ponte deteriorava-se rapidamente, e a doca assoreava-se, o que dava origem a repetidas reclamações do ministério do reino.

Vista da Torre Velha e do Lazareto (novo), 1897.
Imagem: Branco e Negro Semanário Ilustrado

Em 1880 construiu-se nova ponte de madeira, a qual mais tarde foi substituída por outra de estacas metallicas.

Torre Velha de Caparica, 2009.
Imagem: Wikipédia

Em 1892 estava de novo a doca por tal forma assoreada, que o ministério do reino dizia que os passageiros já não podiam ir desembarcar ao caes, o que levou a novos projectos de construcção e de reparação das pontes-caes [...] (6)


(1) R. H. Pereira de Sousa, Pequena história da Torre Velha, Almada, Câmara Municipal, 1997
(2) Adolpho Loureiro, Os portos maritimos de Portugal... Vol. III, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904
(3) O jovem naturalista n .° 9, 1840
(4) Adolpho Loureiro, Idem
(5) Novo lazareto da Torre Velha, Archuivo Pittoresco n.° 27 1864
(6) Adolpho Loureiro, Idem, ibidem

Artigos relacionados:
Torre Velha por dom António
Líricas de Melodino
Defesa de Lisboa em 1810 (I)
Defesa de Lisboa em 1810 (II)
Defesa de Lisboa em 1810 (III)
Lazareto de Lisboa, em 1897

Leitura adicional:
Catarina Oliveira, IGESPAR, I.P./ Maio de 2012
Linhas de Fortificação da Margem Sul
Fortificações da foz do Tejo
À descoberta das sentinelas...
Forte de São Sebastião de Caparica (fortalezas.org)
rossio. estudos de lisboa n. 7 dez 2016
A (abandonada)Torre de São Sebastião de Caparica
Lugares Esquecidos, Torre de S. Sebastião da Caparica

Bibliografia:
Sousa, R. H. Pereira de, Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Almada, 1981
Sousa, R. H. Pereira de, Pequena história da Torre Velha, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1997
Júnior, Duarte Joaquim Vieira, Villa e termo de Almada: apontamentos antigos e modernos para a história do concelho, Typographia Lucas, Lisboa, 1896
Cid, Pedro, A Torre de S. Sebastião de Caparica e a arquitectura militar do tempo de D. João II, Lisboa, Ed. Colibri, 2007

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Cronologia breve da Torre Velha (2 de 3)

Torre Velha ou Fortaleza de São Sebastião de Caparica

Torre Velha, John Thomas Serres, c. 1801.
Imagem: Catarina Pires no Facebook

1586 (domínio filipino, Torre dos Castelhanos)

Durante a dinastia filipina, novamente as questões da defesa costeira portuguesa se tornaram prementes, pelo que a Torre Velha voltaria a ser alargada e modernizada. Durante este período ficava conhecida como Torre dos Castelhanos. (1)

Na Torre velha vê-se claramente a praça baixa de artilharia. A fortaleza de madeira da Cabeça Seca não está desenhada pelo que é lícito deduzir que havia desaparecido ou estaria muito destruída.

Zee Caerte van Portugal... (detalhe), Lucas Janszoon Waghenaer, 1586.
Imagem: Wildernis

1590

Esta estampa faz parte de uma colecção datada de 1673, mas pelas fortalezas nela inscritas e por a fortaleza da Cabeça Seca ser ainda a construção de madeira devemos recuar a data para 1590, ou até anterior.

A barra do Tejo baseada no Regimento de Pilotos de António de Mariz Carneiro de 1642, reprodução de 1673.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal


Estão representados o alcance útil da artilharia e as principais direcções de tiro, tanto quanto parece [] distingue-se a planta em"U" da Torre Velha. (2)

Torre de Belém (D), Castello de Almada (P), Torre Velha (Q), Forte da Trafaria (R).
Descrição e plantas da costa... (detalhe), Felippe Tersio, c.1590.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Lembro-me como se fosse hoje. Deixada a estrada de Porto Brandão, subimos um caminho de terra atravessando, não sem medo, a mole semi-derruída do Lazareto (construido em 1867) então ocupada por retornados; passá­mos grades e galgámos muros; atravessámos uma vasta zona de mata quase amazónica (sinal da humidade retida no fosso aquático que rodeava por terra a fortaleza...); passámos pela frente abaluartada feita em 1571 por Áfonso Alva­rescomo eu sabia por textos, mas que nunca viracom o seu belo portal de pedra almofadada e ponte levadiça, entrando no pátio onde estão os restos setecentistas do Palácio do Governador e as ruínas da capela de São Sebas­tião; para então, ao fim de uma larga esplanada tendo Lisboa como pano de fundo, vê-la erguer-se: a Torre.

Vista norte: Porto Brandão (A), Torre Velha (B), Porto da Torre Velha (C), Torre de Belém (O).
Descrição e plantas da costa... (detalhe), Felippe Tersio, 1590.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

A primeira impressão é, devo confessá-lo, de alguma decepção. (2)

1640 (restauração da independência de Portugal)

Entregou-se o Castello da Cidade, e no mesmo dia as Torres de Belém, Cabeça Secca, Torre Velha, Santo António , e o Castello de Almada, tendo a Duqueza de Mantua a que passava as ordens, que sem resistencia se guardavam.

Mandaram os Governadores sahir do Paço a Duqueza de Mantua para o de Xabregas , onde foi acompanhada do Arcebispo de Braga, e daqui foi mandada para o Mosteiro de Santos das Commendadeiras da Ordem de Santiago.

Os Officiaes de Guerra , e Fazenda Castelhanos , foram postos em custodia competente [...]

Era o principal cuidado delRey [D. João IV] a defensa do Reyno, e assim tratou logo de nomear Generaes, e Cabos para as Províncias [...] 

 a Torre de Belém a António de Saldanha, e por seu Tenente Jacintho de Sequeira; a Torre da Cabeça Secca S. Lourenço ao Capitão Rolão, e por seu Tenente Bernardo Botelho; a Torre Velha a seu Capitão mor Ruy Lourenço de Távora; (3)

1668

A torre é um edifício simples, rectangular sobre o alto, sem traço de decoração: arqui­tectura em estado puro. Mas depois de rodeá-la e examinar as suas paredes nuas, de descobrir nos cantos ao pé do chão seteiras cruzetadas de belo traça­do quatrocentista, outras no andar de cima para tiro vertical; de ver a porta de origem — no piso superior como nas torres medievais, mas de verga recta — com um brasão liso [de Portugal] (de D. João II gasto pelo tempo ou dos Távoras, senhores de Caparica, picado por ordem de Pombal?); de galgar a larga escadaria bar­roca até ao enorme vazio interno, a que falta grande parte do piso em madeira; de observar a magnífica abóbada de berço sem uma fissura apesar dos seus 530 anos de idade — pois uma das conclusões deste trabalho foi datá-la sem erro de 1481 — e de subir a escada a um canto na parede, com frestas para ilu­minação, vigia e tiro, que conduz sem falha ao amplo terraço do alto, de onde se goza de uma vista soberba sobre a foz do Tejo, o efeito muda por completo. (4)

Viaje de Cosme de Médicis por España y Portugal (1668-1669), Pier Maria Baldi.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

1692

Um retrato muito exacto da fortificação é-nos proporcionado por uma planta d 1692. A planta mostra a torre, então já rebaixada circundada por duas cortinas com três baluartes nos ângulos e do lado oeste uma praça de artilharia, junto da antiga Torre. 

Planta da Torre Velha de Caparica, Mateus do Couto, 1692.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Todas as partes fundamentais traçadas na planta de 1692 subsistem nos nosso dias. São elas, escolhendo as mais características: A torre do século XV, já rebaixada; As cortinas leste e sul e os três baluartes; O fosso, a leste, agora entulhado; A casa do governador, a capela adossada à cortina da porta de armas e uma construção abrigando uma escada no ângulo sueste da praça de armas.

c. 1700

São partes agora desaparecidas a escadaria de acesso à praça baixa de artilharia e esta mesma praça com os respectivos paiois. O desaparecimento da bateria baixa é, por certo, mais uma vez, consequência do progressivo recuo da arriba com sucessivos aluimentos. Na cortina leste, a planta dá-nos ideia de que, pelo lado interior, o da praça de armas, se fez um alargamento em relação ao existente no século XVI, acrescentando paiois. Também pelo lado sul a cortina da porta de armas podem ter sofrido intervenção semelhante, mas aqui a evolução é menos evidente.

Configuração da entrada da Barra do Porto de Lisboa... (detalhe), c. 1700.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

Este processo do rápido recuo da arriba resulta da fraca consistência do terreno, onde os calcários do terciário pouco consolidados e muito fracturados se misturam com grandes quantidades de terreno argilo-arenoso e com un espessa camada de aluvião [...]

1794

O conde de Lippe, o grande reformador do nosso exército, dedicou grande atenção às fortificações e preconizou mesmo a construção de uma linha de defesa com frente olhando para sul ao longo da linha de alturas entre Almada e a Raposeira; natural seria pois ter havido intervenção nas fortalezas marítimas a sul do Tejo, nomeadamente a Torre de S. Sebastião.

Torre Velha ou Torre de S. Sebastião da Caparica, Francisco de Alincourt,1794.
Imagem: Instituto Geográfico do Exército

Uma "Memória Geográfica Sobre o Reino de Portugal", publicada em Paris em 1767, informa o seguinte: "A esta torre [S. Vicente de Belém] opõe-se pelo lado sul a Torre Velha ou de S. Sebastião. Está situada sobre uma montanha e as suas baterias altas e baixas cruzam a da Torre de Belém."

Da descrição pouco se pode inferir mas é possível que a fortificação estivesse então operacional. Na última década do século XVIII a Torre sofreu obras: um ofício dirigido ao juiz de fora da vila de Almada, datado de 24 de Fevereiro de 1793 faz referência ao envio de madeiras "para as obras que se estão fazendo na Torre Velha".

Caparica Torre Velha em Porto Brandão,  Cota GEAEM 2696-2A-25A-36 1795.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

Estavam pois em curso, obras na torre, o que se confirma por um relatório de Guilherme Luís António de Valleré de 9 de Setembro de 1794 dirigido ao ministro da guerra, o Duque de Lafões.

Neste relatório, muito detalhado na descrição da artilharia, munições e palamenta existentes na torre, afirma Valleré que, "com as obras que se lhe têm acrescentado é capaz de se lhe colocar na frente que defende a passagem do Tejo, a artilharia seguinte: 12 peças de calibre 36; 13 peças de calibre 24; 11 peças de calibre 18; 7 peças de calibre 12. 

Caparica Planta da Torre Velha do Porto de Lisboa, Cota GEAEM 2700-2A-25A-36 1700 1900.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

No total portanto de 43 peças só nas frentes do Tejo e previa ainda mais 6 peças de calibre 6 para defesa pelo lado de terra. De acordo com o mesmo relatório de Valleré o número de peças existente era inferior ao previsto: 5 peças de ferro de calibre 24; 7 peças de bronze de calibre 18; 7 peças de bronze de calibre 12; 6 peças de ferro de calibre 6.

Havia ainda mais uma peça de bronze desmontada e inutilizada. Todas as peças estavam montadas sobre reparos de marinha, novos.


Dirigiu as obras entre 1794 e 1796 o coronel Francisco D'Alincourt que, neste último ano apresentou um projecto para ampliação da fortaleza. 

O projecto não foi executado, apenas se verificando agora a existência de algumas partes que lhe podem corresponder.

São elas: um largo parapeito junto da bateria baixa que se propunha acasamatada, com frente para oeste-noroeste, que ainda estava por acabar em 1803 e uma bateria acasamatada para 6 peças, prevista para defesa pelo lado de terra, situada no canto sudoeste da praça alta, num lugar onde a planta de 1692 representava a muralha como inacabada. 

Caparica Torre Velha em Porto Brandão, Cota GEAEM 2680-2A-25A-36 1700 1900.
Imagem: Fortificações da foz do Tejo

Um excelente desenho a cores de 1796 assinado por D'Alincourt mostra-nos que toda a artilharia destinada a atirar sobre navios seria disposta em baterias baixas acasamatadas. No desenho observam-se 29 canhoneiras em bateria baixa e 10 em bateria alta. 

Torre Velha ou Torre de S. Sebastião da Caparica, Francisco de Alincourt, 1794.
Imagem: Instituto Geográfico do Exército

A perspectiva não permite observar quaisquer posições viradas a norte e noroeste pelo que a previsão de artilhamento pode ainda ser superior aquilo que é visível no desenho. (6)


(1) Catarina Oliveira, IGESPAR, I.P./ Maio de 2012
(2) R. H. Pereira de Sousa, Pequena história da Torre Velha, Almada, Câmara Municipal, 1997
(3) Rafael Moreira in Pedro Cid, A Torre de S. Sebastião de Caparica..., Lisboa, Ed. Colibri, 2007
(4) António Caetano de Sousa, Historia genealogica da Casa Real... Tomo VII, 1740
(5) Rafael Moreira in Pedro Cid, Idem
(6) R. H. Pereira de Sousa, Idem

Artigos relacionados:
Torre Velha por dom António
Líricas de Melodino
Importância relativa

Leitura adicional:
Catarina Oliveira, IGESPAR, I.P./ Maio de 2012
Linhas de Fortificação da Margem Sul
Fortificações da foz do Tejo
À descoberta das sentinelas...
Forte de São Sebastião de Caparica (fortalezas.org)
rossio. estudos de lisboa n. 7 dez 2016
A (abandonada)Torre de São Sebastião de Caparica

Bibliografia:
Sousa, R. H. Pereira de, Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Almada, 1981
Sousa, R. H. Pereira de, Pequena história da Torre Velha, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1997
Júnior, Duarte Joaquim Vieira, Villa e termo de Almada: apontamentos antigos e modernos para a história do concelho, Typographia Lucas, Lisboa, 1896
Cid, Pedro, A Torre de S. Sebastião de Caparica e a arquitectura militar do tempo de D. João II, Lisboa, Ed. Colibri, 2007

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Cronologia breve da Torre Velha (1 de 3)

Torre Velha ou Fortaleza de São Sebastião de Caparica

Torre Velha, John Thomas Serres, c. 1801.
Imagem: Catarina Pires no Facebook

c. 1385-1390 (D. João I)

A fortificação dos lugares marítimos começou neste Reyno mais tarde; porque como naquelle tempo havia poucas mercancias, e comércios com os Estrangeiros, não tinhão os Corsarios em que fizessem suas prezas; com tudo El Rey D. João I. começou a fortificar os portos de Lisboa, e Setuval, fazendo no Tejo ao pé da Villa de Almada a Torre Velha [atalaia]; porque não tivessem abrigo os inimigos daquella banda, assim como o não tinhão da de Lisboa. 

A mesma diligencia fez em Setuval, edificando a Torre do Outão sobre o Canal do porto [...] (1)

O Mestre de Aviz, advertido pela experiência, escolheu o sitio, aonde as duas margens do Tejo se apertavam mais, e levantou na do sul uma bateria ao lume de agua. É provável que o seu plano fosse construir outra na margem do norte, mas não chegou a realisa-lo, e D. Duarte e D. Affonso V, não se occuparam d'esta obra.

c. 1490
(D. João II)

D. João II, mais cuidadoso, augmentou o forte de D. João I com uma bateria alta, e determinou erguer na ponta fronteira de Belém a torre de S. Vicente, cuja planta riscara o chronista Garcia de Rezende, a fim de cruzar com os d'ella os fogos da Torre Velha de Caparica. (2)


Foram tam temidas no mar as caravellas de Portugal muito tempo que nenhuns navios por grandes que fossem as ousavam esperar, atee que se soube a maneira em que traziam os ditos tiros e se trouxeram depois como agora trazem geralmente em todas partes o que dantes nam era; e el-rey foy o primeyro que o enventou. E assi mandou fazer entam a torre de Cascaes com sua cava com tanta e tam grossa artelharia que defendia o porto.

E assi outra torre e baluarte de Caparica defronte de Belem em que estava muita e grande artelharia, e tinha ordenado de fazer hüa forte fortaleza onde ora está ha fermosa torre de Belem que el-rey Dom Manoel que santa gloria aja mandou fazer, pera que a fortaleza de hüa parte e a torre da outra tolhessem a entrada do rio.

A qual fortaleza eu per seu mandado debuxey e com elle ordeney aa sua vontade; e ele tinha ja dada a capitania della a Alvoro da Cunha seu estribeiro-mor e pessoa de que muito confiava; e porque el-rey logo faleceo nam ouve tempo pera se fazer. (3)

1571 (D. Sebastião, fortaleza de S. Sebastião de Caparica)

Com o mesmo cuidado e providencia que a cidade de Lisboa deve ser fortalecida de novo Castello e de Muros e Torres, e Portas e Baluartes e De Bastiães, ao modo das fortalezas modernas, que hoje se custumam por toda a cristandade. E se posivel for cercada toda de novo e forte muro: inda que os velhos que lhe fez El Rei Don fernando, sejam ao seu modo honestamente fortes pela boa argamassa e entulhos que tem (que foi a melhor obra. que nenhum Rei fez em Lisboa. depois das Igrejas).

Da fábrica que falece à cidade de Lisboa (i. e. construções que faltam à cidade de Lisboa), Francisco de Holanda, 1571.
Imagem: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de S. Paulo

Assi mesmo deve ser fortalecida, repairada e acabada a fortaleza de Belém E a de São Gião pois que tem tanto custado sem estar bem acabada. 

E isto, com alguns baluartes fortes que lhe respondam da outra banda da Trafaria e da área da Adiça; hum de fronte da Torre de Belem, onde esta a torre velha e o outro de fronte de S. Caterina de Ribamar que he a mais segura fortaleza de Lisboa ali onde acabam os Montes D almada e começam a área da ponta da Trafaria ou cachopo. (4)

1572

Neste Anno de 572 se acha que se entregou a Lourenço Pires [de Távora] a fortaleza de S. Sebastião de Caparica chamada comunmente a Torre velha situada em oposição da de Belém da outra parte do Rio com o intento de ajudar a empedir a entra do porto de Lisboa aos imigos que o intentassem, tinhalhe ElRey [D. Sebastião] prometido a Capitania della desde quando se principiava, e foi o primeiro Capitam que teve logrou a pouco, mas conserva-se em sua casa que anda de juro. (5)

1580 (D. António, prior do Crato, perda da independência de Portugal)

Retrato do sitio e ordem da batalha dada entre o senhor dom António, nomeado rei de Portugal, e o duque de Alba, tenente e capitão general do rei católico dom Filipe II, diante de Lisboa por mar e por terra, num mesmo dia, 25 de agosto de 1580. Palmela 5 leguas de lisboa; Almada; Armada de dom António; galeras de sua magestade; Torre Velha que estava por dom António [...] (6)

Batalha de Alcântara, 1580, representação c. de 1595.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Quasi seguro de vencer pelo oiro todos os corações [Filipe II de Espanha], mandara ao seu ministro [D. Cristovão de Moura], que alem de alliciar para o seu serviço o comitre [oficial das galés] hespanhol Contreras, que recebia soldo a bordo das galés de Portugal (ajuste que se realisou sem custo), procurasse attrahir os governadores das fortalezas de S. Julião e de Caparica [...]

O embaixador, sempre diligente, não se demorou em o satisfazer [...] Caparica dava-lhe pouco cuidado [...]

Batalha de Alcântara (detalhe), 1580, representação c. de 1595.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O governador era um dos Tavoras, Ruy Lourenço, seu primo, e de ha muito, asseverava elle, que lhe dera a sua palavra; como porém fosse moço e inexperiente, o ministro promettia chama-lo de novo, e assegurar se da sua deslealdade á pátria, e da sua fidelidade aos interesses castelhanos. (7)


(1) Manoel Severim de Faria, Noticias de Portugal Tomo I, Lisboa, Off. A. Gomes, 1791
(2) Rebello da Silva, História de Portugal Tomo V, Lisboa, Imprensa Nacional, 1871 
(3) Garcia de Resende, Vida e Feitos D'El-Rey Dom João Segundo, 1545
(4) Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, Francisco de Holanda, 1571
(5) Ruy Lourenço de Tavora, Historia de varoens illustres do appellido Tavora..., 1648
(6) Portraict du sitie et ordre de La bataille donnee entre Le sr. don Antonio nommé roy de portugal et Le duc dalbe...
(7) Rebello da Silva, História de Portugal Tomo I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1871

Artigos relacionados:
Torre Velha por dom António
Líricas de Melodino
Importância relativa

Leitura adicional:
Catarina Oliveira, IGESPAR, I.P./ Maio de 2012
Linhas de Fortificação da Margem Sul
Fortificações da foz do Tejo
À descoberta das sentinelas...
Forte de São Sebastião de Caparica (fortalezas.org)
rossio. estudos de lisboa n. 7 dez 2016
A (abandonada)Torre de São Sebastião de Caparica

Bibliografia:
Sousa, R. H. Pereira de, Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Almada, 1981
Sousa, R. H. Pereira de, Pequena história da Torre Velha, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1997
Júnior, Duarte Joaquim Vieira, Villa e termo de Almada: apontamentos antigos e modernos para a história do concelho, Typographia Lucas, Lisboa, 1896
Cid, Pedro, A Torre de S. Sebastião de Caparica e a arquitectura militar do tempo de D. João II, Lisboa, Ed. Colibri, 2007

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Líricas de Melodino

Francisco Manuel de Melo (1608 – 1666)

Em 19 de Novembro de 1644, quando tudo parecia sorrir-lhe, é preso como suposto instigador dum crime de homicídio. Um tal Francisco Cardoso tivera relações amorosas com a mulher dum criado de D. Francisco Manuel, chamado João Vicente, a quem o escritor havia despedido. Cardoso é assassinado, e dois dos criminosos declararam que tinham perpetuado o crime por mandado de D. Francisco Manuel. Preso a pedido do pai do morto, foi D. Francisco encerrado no Castelo, donde depois o transferiram para a Torre de Belém, e mais tarde para a Torre Velha, na margem esquerda do Tejo.

Torre Velha ou Torre de S. Sebastião da Caparica, Francisco de Alincourt, técnica mista, 1794.
Imagem: Instituto Geográfico do Exército

O juiz dos Cavaleiros condena-o a degredo perpétuo para a Africa. Na segunda instância, é condenado a degredo, mas para a Índia e com privação duma Comenda que lhe havia sido concedida. A terceira instancia mantém o degredo, mas para o Brasil (1650).

Esta sentença só foi mandada executar em 1652, mas só passados mais três anos é que D. Francisco segue para o exílio. Era em 1655, onze anos depois da prisão [...] (1)

De consoada a uma S. P. [F. P. no original]:

Que vos hei de mandar de Caparica,
de que vós, prima, não façais esgares?
Porque de graças e benções aos pares,
disso, graças a Deus, sois vós bem rica...

Uma extensa vista de Lisboa no rio Tejo com a praça do Terreiro do Paço, a velha catedral e o castelo de S. Jorge, Joseph, ou Giuseppe, Schranz, depois de 1834.
Imagem: MAGNOLIA BOX

Mel e açúcar? São cousas de botica.
Coscorões? São piores que folares.
Perus? Não, que são pássaros vulgares.
Porco? Só de o dizer nojo me fica,

Mandara-vos o sol, se desta cova
m'o deixaram tomar; mas é fechada
e inda o é mais para mi a rua nova.

Pois, se há de ser de nada a consoada,
mandar-vos hei sequer, prima, esta trova,
que o mesmo vem a ser que não ser nada.

Responde a um amigo [...]:

Casinha desprezível, mal forrada,
furna lá dentro, mais que inferno escura;
fresta pequena ; grade bem segura;
porta só para entrar, logo fechada;

Torre Velha ou Torre de S. Sebastião da Caparica, Francisco de Alincourt, técnica mista, 1794.
Imagem: Instituto Geográfico do Exército

cama que é potro; mesa destroncada;
pulga que por picar faz matadura;
cão só para agourar ; rato que fura;
candeia nem co'os dedos atiçada;

grilhão, que vos assusta eternamente;
negro boçal e mais boçal ratinho,
que mais vos leva que vos traz da praça;

sem amor, sem amigo, sem parente,
quem mais se doi de vós diz : — "Coutadinho"
Tal vida levo. Santo prol me faça. (2)

Desgraça, enveja de tudo:

Junto do manso Tejo, que corria
para o mar que nos braços o esperava,
jaz um pastor, que no semblante dava
mostras da dor que o coração cobria.

Embouchure de la Rivière Du Tage, Nicholas De Fer, 1710


Falava o gesto quanto n'alma havia,
que quiçá por ser muito ela o calava;
mas, vencido do mal que o atormentava,
sem licença do mal assi dizia:

Cidade e Castelo de Bellisle [Belém, ilhéu] no rio Tejo; o palácio do rei; Lisboa está atrás deste ponto.
John Thomas Serres (desenho), Joseph Constantine Stadler (gravura), 1801.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

"Corre alegre e soberbo, ó doce Tejo,
pois vives sem fortuna, de que esperes
que encaminhe teu passo a teu desejo.

Vás e tornas é irás como vieres.
Ditoso tu, que vês o que eu não vejo;
ditoso tu, que vás adonde queres" (3)


(1) Melo, Francisco Manuel de, O Poeta Melodino, Porto, Companhia Portuguesa Editora, 1921
(2) Idem
(3) Idem, ibidem

Biblioteca Nacional de Portugal:
Obras de Francisco Manuel de Melo

sábado, 12 de dezembro de 2015

Importância relativa

O valor e o interesse da Torre Velha como fortificação já estavam definitivamente liquidados em meados do século XIX.

Torre Velha, Lisbonne, François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: Sotheby's

A defesa próxima de Lisboa estava ultrapassada pelo aumento do alcance e da eficácia da artilharia [...]

Torre Velha, Lisbonne (detalhe), François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: Sotheby's

A partir de então ficou como simples depósito e alojamento, anexo ao depósito de munições do Porto Brandão de onde igualmente se retirara a bateria. (1)

Torre Velha, Lisbonne (detalhe), François d'Orléans, prince de Joinville, 1842.
Imagem: Sotheby's


(1) Pereira de Sousa, R. H., Pequena história da Torre Velha, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1997

Artigo relacionado:
Príncipe de Joinville

Tema:
Torre Velha

domingo, 30 de novembro de 2014

Torre Velha por dom António

E assi mandou fazer entam a torre de Cascaes com sua cava com tanta e tam grossa artelharia que defendia o porto.

A barra do Tejo baseada no Regimento de Pilotos de António de Mariz Carneiro de 1642, reprodução de 1673.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

E assi outra torre e baluarte de Caparica defronte de Belem em que estava muita e grande artelharia, e tinha ordenado de fazer hüa forte fortaleza onde ora está ha fermosa torre de Belem que el-rey Dom Manoel que santa gloria aja mandou fazer, pera que a fortaleza de hüa parte e a torre da outra tolhessem a entrada do rio.

Da fábrica que falece à cidade de Lisboa (i. e. construções que faltam à cidade de Lisboa), Francisco de Holanda, 1571.
Imagem: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de S. Paulo

A qual fortaleza eu per seu mandado debuxey e com elle ordeney aa sua vontade; e ele tinha ja dada a capitania della a Alvoro da Cunha seu estribeiro-mor e pessoa de que muito confiava; e porque el-rey logo faleceo nam ouve tempo pera se fazer.

Torre Velha em 1767, Conde dos Arcos.
Imagem: Caparica através dos séculos

E a sua nao grande que foy a mayor, mais forte e mais armada que se nunca vio, mays a fez pera guarda do rio que pera navegar.

Que posta sobre ancora no meo do rio ella soo o defendera, quanto mays a fortalleza e torre, porque era a mayor e mais forte e armada nao que se nunca vio. (1)

Lisbona citta principale nel regno di Portogallo fu presa dall'armatta con l'esercito del re catolico all ultimo d'agosto l'anno 1580, Mario Cartaro.
Imagem: Universität Salzburg

Retrato do sitio e ordem da batalha dada entre o senhor dom António, nomeado rei de Portugal, e o duque de Alba, tenente e capitão general do rei católico dom Filipe II, diante de Lisboa por mar e por terra, num mesmo dia, 25 de agosto de 1580.

Batalha de Alcântara, 1580, representação c. de 1595.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Palmela 5 leguas de lisboa; Almada; Armada de dom António; galeras de sua magestade; Torre Velha que estava por dom António;

Batalha de Alcântara (detalhe), 1580, representação c. de 1595.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

rio Tejo; naus de sua magestade;

Entrada no estuário do Tejo da armada espanhola comandada por D. Alvaro de Bazan, sala de Portugal, palácio de El Viso del Marqués.
Imagem: Barcos, mar y arte

Lisboa; castelo; arrabal de Santa Catarina; portugueses; moinho; italianos; italianos; Burgo; Santo Amaro; quinta; Belém; Torre de Belém; S. Bento; 

portugueses que fogem; portugueses que fogem; ponte de Alcântara; italianos e ; alemães; alojamiento do exército de sua magestade; 

campo de dom António; tendas de dom António; portugueses; ribeira de Alcântara; 

D. António Prior do Crato.
Carta de Jodocus Hondius (detalhe), London, 1592.
Imagem: Map History

artilharia de sua magestade; espanhois; artilharia de sua magestade; quintas; 

portugueses de dom António; portugueses;

duque de Alba; alemães; cavalaria de sua magestade; Sancho de Avila; arcabuzeiros espanhois que vão acometer cavallos ligeiros; o prior don Fernando; arcabuzeiros a cavalo e ginetes (2)

O ano da batalha maldita.
Animação: Expresso


(1) Resende, Garcia de, Vida e feytos d'el-rey Dom João II, Liuro das obras de Garcia de Resende, Lisboa, Luis Rodrigues, 1545
(2) Biblioteca Nacional de Portugal

Leitura relacionada:
Coral, Carlos Jokubauskas, O último Avis: D. Antônio, o antonismo e a crise dinástica portuguesa (1540-1640), 2010, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, São Paulo.
Castelo Branco, Camilo, D. Luiz de Portugal neto do Prior do Crato, 1896, Chardron — Lello, Porto.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 30 — 32.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 37 — 39.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 52 — 55.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 59 — 61.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 74 — 76.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 91 — 93.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 107 — 109.
Archivo Pittoresco, vol. II n° 4, 1858, págs 138 — 141.