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domingo, 4 de março de 2018

A povoação do Caramujo na década 1900

Povoação na freguezia de S. Thiago e concelho dc Almada, districto de Lisboa. É contigua ao pittoresco logar da Cova da Piedade. Graças á sua situação sobre o Tejo, que lhe permitte fáceis communicaçòes com os navios mercantes que veem ao porto de Lisboa, teve em tempos o Caramujo grande commercio de vinhos para o Brazil e África.

Caramujo, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 15, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

Hoje restam apenas algumas casas das que se entregavam a esse commercio, taes como as das firmas Valladares, Figueiredo, Paiva, etc. Em consequência d’esse embarque dos vinhos, era aqui numerosa a classe dos tanoeiros, mas esta industria está hoje decahida.

Tanoeiros.
Imagem: Memórias e Identidades da Cooperativa de Consumo Piedense

Pelo contrario, o desenvolvimento industrial é importante. Existem no Caramujo varias fabricas para a preparação da cortiça, taes como as da Companhia Ingleza, Villarinho & Sobrinho, Rankin & Son’s, e outros pequenos estabecimentos de rolheiros e quadradores de cortiça.

Rankin & Son’s na Quinta do Outeiro, Caramujo e enseada da Cova da Piedade, Francesco Rocchini, ant. a 1895.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa Rankin & Son’s

Uma das melhores fabricas de moagem em Portugal está aqui estabelecida é a da firma A. J. Gomes & Commandita, successora da viuva de Manuel José Gomes & Filhos.

Fábrica Gomes, Caramujo, Arnaldo Fonseca, c 1900.
Imagem: Maria Conceição Toscano 

Toda construida em cimento armado, acha-se dotada dos apparelhos mais modernos e aperfeiçoados. O edificio é dividido em andares, em cada um dos quaes se faz uma operação distincta da moagem, tudo automatica e mechanicamente.

Cilindros verticais em interior de fábrica semelhante à moagem Gomes do Caramujo.
Imagem: Samuel Roda Fernandes, Fábrica de Molienda "António José Gomes"

A illuminação é electrica, e tão importante estabelecimento póde considerar-se um verdadeiro modelo no seu genero. 

Planchisters em interior de fábrica semelhante à moagem Gomes do Caramujo.
Imagem: Samuel Roda Fernandes, Fábrica de Molienda "António José Gomes"

Em 25 de março dc 1903 realisou a Academia de Estudos Livres uma excursão a esta fabrica, publicando-se por essa occasião na imprensa jornalistica varias descripções interessantes, entre as quaes se póde indicar a do Diário de 29 do mesmo mez e anno [v. Tesis Doctoral - Fábrica de Molienda "António José Gomes", Primer edificio de hormigón en Portugal La revitalización de espacios degradados - Micro y macro dificultades de una tecnología - Samuel Roda Fernandes - Anexos]

Tem est. tel. e post. permutando malas com Almada e Lisboa. (1)


(1)  Diccionário Histórico... Vol. II, Lisboa, João Romano Torres, 1906

Pesquisas relacionadas:
Diccionário Histórico... Vol. II, Lisboa, João Romano Torres, 1906, pesquisa: caramujo
Diccionário Histórico... Vol. II, Lisboa, João Romano Torres, 1906, pesquisa: cacilhas
Diccionário Histórico... Vol. II, Lisboa, João Romano Torres, 1906, pesquisa: caparica

Referências:
Samuel Roda Fernandes, Fábrica de Molienda "António José Gomes"

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Almada, reportagem fotográfica Paulo Guedes, c. 1903

Paulo Emílio Guedes (1886-1947), nasceu em Mondim de Basto da Beira a 23 de Março de 1886 e faleceu em Lisboa a 1 de Dezembro de 1947.

Papelaria e tipografia Paulo Guedes & Saraiva, Joshua Benoliel, início do século XX.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Foi fotógrafo de imagens que posteriormente editava em postais ilustrados através da sua firma "Papelaria e Tipografia Paulo Guedes e Saraiva", em 1912 já tinha publicado cerca de mil novecentos postais diferentes.

Os agrupamentos temáticos abrangem panorâmicas de Lisboa, aspectos de rua, feiras, jardins, tipos populares, interiores e exteriores de edificios, acontecimentos sociais e festividades religiosas. Sem nunca ter abandonado a actividade de fotógrafo, trabalhou nos últimos anos da vida como livreiro. (1)

Paulo Emílio Guedes & Saraiva, verso de Bilhete Postal Ilustrado, UPU, década de 1900.
Imagem: Nazaré em Postal Ilustrado

Papelaria e Tipografia Paulo Guedes e Saraiva, Aurea 80, Portugal - Lisboa

Grande empresa editora de B.P.I.´s de grande qualidade e de predomínio fototipico. Como F. A. Martins , utilizou e cedeu clichés de e a outros editores, tendo editado para a província , por encomenda e com clichés de fotógrafos locais.

Conhecem-se-lhe varias colecções editadas , com numeração geral em romano ou em árabe pela ordem crescente e com sub numeração por localidade ou sub-colecções temáticas. A sua colecção geral intitula-se "Portugal " em que sobressaíram reportagens da situação politica e da vida portuguesa. Subdividiu-se em varias sub-colecções ou colecções temáticas.

A edição relativa ao concelho de Almada compreende, que seja do nosso conhecimento, os postais numerados de DCCLXXXV a DCCCVI da colecção geral:

  • 01 Chegada do vapor a Cacilhas
  • Almada, Chegada do vapor a Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 01, década de 1900.
    Imagem: AVM

  • 02 Um desembarque em Cacilhas
  • Almada, Um desembarque em Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 02, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 03 Pharol de Cacilhas
  • Almada, Pharol de Cacilhas, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 03, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 04 Chafariz de Cacilhas
  • Almada, Chafariz de Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 04, década de 1900.
    Imagem: Alexandre Flores, Almada antiga e moderna... Cacilhas, Almada, ... 1987

  • 05 Largo do poço em Cacilhas
  • Almada,  Largo do Poço em Cacilhas, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 05, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 06 Uma das muralhas do castelo
  • Almada, Uma das muralhas do castelo, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 06, década de 1900.
    Imagem: Delcampe

  • 07 O interior do castelo
  • Almada, O interior do castelo, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 7, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 08 Uma das peças do castelo
  • Almada, Uma das peças do castelo,  ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 1, década de 1900.
    Imagem: AVM

  • 09 Lado sul (vista panorâmica com o n° 10)
  • Almada, Lado Sul, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 09, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 10 Lado norte (vista panorâmica com o n° 09)
  • Almada, Lado Norte, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 10, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 11 Camara Municipal
  • Almada, Camara Municipal,
    ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 11, década de 1900.
    Imagem: Delacampe

  • 12 Bocca do vento
  • Almada, Boca do Vento, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 12, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 13 Jardim da Cova da Piedade
  • Jardim da Cova da Piedade, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 13
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 14 Uma Burricada
  • [Cova da Piedade], Uma Burricada, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 14, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 15 Caramujo
  • Caramujo, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 15, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 16 Romeira

  • Almada,  Romeira, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 16, década de 1900
    Imagem: Alexandre Flores, Almada antiga e moderna... Cova da Piedade, Almada, ... 1990

  • 17 Largo Lago da Quinta Real do Alfeite
  • Almada,  Largo da Quinta Real do Alfeite, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 17, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 18 Palácio Real do Alfeite
  • Almada, Palácio Real do Alfeite, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 18, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 19 Praia do Alfeite
  • Almada,  Praia do Alfeite, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 19, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 20 Cacilhas
  • Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 20, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 21 Ginjal
  • Almada, Ginjal, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 21, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 22 n. id.
  • 23 Typos de catraeiros
  • Typos de Catraeiros,
    ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 23, década de 1900.
    Imagem: Delcampe

A extinção da Papelaria Guedes herdeira da firma Paulo Emilio Guedes ocorreu antes de 1922. (2)


(1) Arquivo Municipal de Lisboa
(2) Vicente Sousa, Neto Jacob, Portugal no 1º quartel do século XX documentado pelo bilhete postal ilustrado...,
Bragança, Câmara Municipal, 1985, cf. Nazaré em Postal Ilustrado

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O pequeno operário

In Memoriam: Jaime Ferreira Dias (1903 - 1932)

O meu coração está cheio de sepulturas. Entre as que me despertam maiores saüdades está a do nosso querido Jaime Ferreira Dias. Nunca conheci quem o excedesse em bondade, simplicidade, em candura. E rarissimos serão os que poderemos comparar com êle na gentileza da vida tão limpida e, ao mesmo tempo, tão infortunada. Militante dos ideais socialistas, Jaime Ferreira Dias foi um socialista que se impunha ao respeito de todos pela sua coerência, pela sua probidade, pelo seu sincero idelismo, foi, numa palavra, um socialista digno desse nome. Proferindo estas palavras de inteira justiça, perpassam-me pelo espírito algumas cartas que dele guardo e em que a grandeza da sua alma se reflectia como num puro cristal. (1)

Jaime Ferreira Dias entre os seus: D.a Helena Reis Ferreira Dias e as filhas Maria Otília e Maria Gabriela.
Imagem: Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada

Gente desapossada da terra, onde trabalharam pais e avós (que eram poucos por estes sitios) e ainda homens, mulheres e crianças de campos longinquos, como Charneca, Sobreda e até Fernão Ferro. que todas as madrugadas iniciavam uma marcha forçada e caminho da fábrica, distanciada uma légua, e, quantas vezes, duas e até três. No regresso (havia ainda o regresso, com o corpo já moido de fadiga), outro tanto seria palmilhado, o que perfazia, por vezes, dez, vinte e trinta quilómetros diários para obter o aluguer da força de trabalho.

Ao recordarmos Jaime Ferreira Dias, a criança que nunca foi menino, o pequeno operário arrancado à paisagem rústica, mas a quem um golpe de adversidade, em contrapartida, dá a possibilidade de se cultivar, melhor compreendemos e sentimos quanto o peso da ignorância paralisa ou ergue barreiras a tantos dos seus antigos irmãos de classe. Mas tentamos esboçar a sua figura, uma das mais limpidas, generosas e fraternas de quantas viveram na margem esquerda do Tejo.

Nasceu na Charneca de Caparica a 26 de Maio de 1903. Filho do operário corticeiro Alfredo Ferreira Dias, ainda garoto empregou-se na fábrica onde seu pai trabalhava, no Caramujo, da firma Henry Bucknall & Sons, Ltd. Caminhava todas as manhãs muitos quilómetros para ser pontual no iocal do trabalho. Ele e o pai, munidos do saco com o almoço, faziam aquela jornada de manhã e à tarde. Em épocas de invernia tornava-se um inferno aquela caminhada de dois pobres e solitários trabalhadores.

Aos doze anos, devido a ter sido atingido por uma das máquinas daquela fábrica, viu-se privado do braço direito. Regressado do Hospital ao Caramujo, o então gerente da casa Bucknall, Sr. David Ferguson [sic, David Fergusson (?-1930)], resolveu manda-lo educar, pagando do seu bolso o preço dos estudos.

Cedo as faculdades de inteligência de Jaime Ferreira Dias começaram a demonstrar tendência para as lutas de emancipação da classe operária. Ingressando por esse tempo nas fileiras do Partido Socialista Português [partido fundado em 1875 e suprimido em 1933, realizou ainda uma conferência em 1933], o seu dinamismo tornou-se notado, conquistando a estima e a admiração dos dirigentes deste partido, entre os quais se contavam o advogado e dramaturgo Ramada Curto e o jornalista e escritor Bourbon e Meneses. É surpreendente a actividade literária do nosso blcgrafado: contos, poesias, crónicas, artigos doutrinários, polémicas, traduções, criticas literárias e teatrais, textos ao sabor do quotidiano. A defesa das crianças, dos humilhados e ofendidos, dos "escravos da gleba" —esta uma frase tantas vezes repetida por Jaime Ferreira Dias! — inundou a Imprensa nos poucos anos que lhe restavam para viver [...]

Faleceu no Hospital de S. Marta, a 14 de Novembro de 1932, apenas com 29 anos de idade. Deixou mulher, D. Helena Reis Dias, e duas filhinhas de tenra idade. O seu corpo veio para Almada, seguido por densa multidão. Gente de todas as tendências e classes quisera prestar assim a última homenagem a Jaime Ferreira Dias. A banda da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense esperou o corpo, em Cacilhas, para o acompanhar ao cemitério de S. Paulo.

À beira do coval falaram Bourbon e Meneses, Ramada Curto, José Augusto Machado, que representava os inválidos do Comércio, e José Alaiz. Foram lidas duas mensagens: uma de D. Francisco de Melo e Noronha e outra do Clube Columbófilo "Os Voadores" [...]

Jaime Ferreira Dias escreveu entre outros opúsculos: Os Escravos da Gleba, Duas Uniões Vitoriosas, sendo este uma peça teatral em 1 acto.

Teatro, Duas Uniões Victoriosas, Jaime Ferreira Dias, 1931.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade

Traduziu, e Bourbon e Meneses prefaciou, o livro de Paul Lafarge Porque crê em Deus a Burguesia.

Amante do movimento associativo almadense, era sócio honorário do União Piedade Futebol Clube e do Clube Columbófilo "Os Voadores".

Jaime Ferreira Dias foi uma personalidade com destaque na vida cultural e associativa de Almada.
Foi sócio e dirigente da Sociedade Filarmómica União Artística Piedense e da Cooperativa Piedense.
Foi igualmente sócio honorário do União Piedade Futebol Clube e do Clube Columbófilo “Os Voadores”.
Foi ainda um dos fundadores da Associação de Classe dos Empregados no Comércio e Indústria de Almada (1931) [...]

A sua actividade literária distribui-se pelo conto, poesia, crónica, artigos doutrinários, polémicas, traduções, críticas literárias e teatrais.
Publicou os folhetos de crítica social Escravos da Gleba, [1928] (existente na Biblioteca/Arquivo de História Social, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa - PT/AHS/PQ1170-B0140) e A Mulher: escrava do lar e das convenções sociais, Lisboa, Biblioteca de Educação Social, 1929, 24 p. (existente no Centro de Informação & Documentação da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e no Arquivo Histórico Social).

Publicou a peça de teatro Duas Uniões Victoriosas, peça em 1 acto que foi representada pela primeira vez, no teatro Garrett, na Cova da Piedade, a 24 de Maio de 1931.

Cova da Piedade, Cine-Teatro da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial


in Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA (disponível ocasionalmente)

Segue uma longa lista (pelo punho do próprio) da sua colaboracão na Imprensa:

Em O TRABALHO
001.° A Ideia em Marcha
002.° Lei que se deturpa
003.° Os descrentes
004.° À Mocidadez (O campo — soneto)
005.° A Luta de Classes
006.° Aos Escravos da Gleba
007.° Processos de Luta
008.° Os sem Trabalho
009.° A Humanidade deles
010.° lniquidades Sociais (Soneto)
011.° À Mocidade de Almada
012.° Colaboracionismo
013.° A Coerencia da História
014.° O Natal
015.° A Todos Os Escravos (Um soneto)
016.° A Expressão dum Fracasso
017.° A Actividade Socialista (Uma página)
018.° A Uma Tese
019.° O Problema Emancipador
020.° Ex-Homens
021.° Emigrantes
022.° A Educação Operária
023.° Um Grande Vulto de Socialista Antero de Quental
024.° Gruta de Trogloditas
025.° A XI Conferencia lntemacional do Trabalho
026.° Os sem trabalho
027.° A Fome
028.° Bodos
029.° A Linha Comungante (Novela)
030.° A Crise

58 colunas de prosa em O TRABALHO

Em O VEGETARIANO - 1927
015.° O Alvorecer (Soneto)
016.° A Angústia de Mãe (Soneto)
017.° Contradiçóes Absurdas (com gravura)
019.° ldílio-versos, com gravura
020.° A Inocência (Soneto)
022.° Sonho e flores (Soneto)
023.° A vida do campo e a febre do êxodo
024.° Vozes da Natureza (Soneto)

Em O VEGETARIANO - 1928
025.° Ao cair da tard - (Soneto)
026.° Na Relva - (Soneto)
027.° O Sobreiro
028.° Um filho (Soneto)
029.° Resposta a D. Francisco de Melo e Noronha
030.° lnvernando

Em O ECO-TELEGRAFO POSTAL
001.° Processos de Luta transcripção d'O TRABALHO
002.° A Humanidade burguesa
003.° Bendita a Rebeldia - Soneto
004.° Os Escravos da Gleba - Soneto
005.° Carteiro da Aldeia - Novela
006.° Pai? — ... Incógnito - Novela

Em A VOZ DE ALMADA
001.° As Contradicões da Igreja

Em O LIBERTADOR
001.° Ao sr. Ministro do Trabalho

Em A MOCIDADE
001.° Vária colaboração

Em A ACADEMIA jornal comemorativo do 32.° aniv.
001.° Saudações - Soneto

Em A NOVA ARCÁDIA
001.° A Inocência - Soneto

Em O CONTRUCTOR CIVIL - Porto
001.° Bom Caminho» (Mais artigos que se perderam com os jornais).

Em A VOZ DO OPERÁRIO - V. N. de Gaia
001.° A Voz do Operário

Em O VEGETARIANO - 1926
001.° Encantos da Natureza - Costa de Caparica
002.° Maio - Soneto
003.° Espectáculos Deshumanos
004.° A tua imagem - Poesia
005.° Caramujo
006.° A Cidade Massiça e a Cidade ideal (c/grav.)
007.° Lavadeiras- - Soneto
008.° A Pena de Morte
009.° Bendita a Rebeldia - Soneto
010.° As vindimas (com gravura)
011.° Os Escravos da Gleba - Soneto
012.° Os Estupificantes (c/ estudo em gesso, grav.)
013.° A Miséria - Soneto

Em a REPÚBLICA SOCIAL - 1927
267.° A Todos os Escravos
267.° Coisas do Momento» - Soneto 269.° O perigo da Indiferença
277.° Caricatural esboço duma grande cidade
277.° A Infância - Quadras
279.° O Problema Sexual na Sociedade Futura
280.° A Magia dos Soneto
280.° A Era Nova - Soneto
281.° Em Almada - O Apego à Tradição
282.° Do Apego a Tradição a Injúria Soez
282.° O Malhador - Soneto
283.° A Inocência - Soneto
284.° Eclipses
292.° Marcelino - O Pastor N.os 292/298
293.° A Minha Crença - Soneto
294.° Contrastes Desprimorosos
296.° Liberto, enfim - Soneto
300.° Necrópole Insurrecta
305.° Esboço Novelesco, Thomaz, o sacristão

Em a REPÚBLICA SOClAL - 1928
309.° Emigração
310.° A Glorlficação do Trabalhador
311.° A Esquadra lngleza no Te]o
313.° Tema de todos os dias - O LAR
317.° Nós e a Protecção Operária
320.° Trabalhadores, filiai-vos no P.S.P.
324.° Uma data, um anseio. uma esperança
326.° Compromissos...
329.° Um grito de dor
333.° Acidentes de Trabalho (2 N.os
340.° Sangue na guerla e lucidez de espírito
341.° Sejamos Mulheres - pseud. M. Rosa da Luz
346.° A Mocidade e o Socialismo
354.° A Miséria e a Doença

Em O PROTESTO - 1927
227.° Os interesses dos que trabalham
233.° A Opolência dos mortos e a miséria dos vivos; Na Relva - Soneto
234.° Preito dos Novos
235.° Vozes da Natureza - Soneto
236.° Indiferença, analfabetismo — eis o caos social 1 1/2 ››
236.° 1.° de Maio — Em Almada
237.° Alerta Mocidade
237.° Interpretação cooperativista
238.° Lei que se deturpa
240.° Em Almada — O apego a Tradição
240.° A Miséria-Soneto
241.° Desmoronamento - Soneto (Mais colaboração)
243.° Lei que se deturpa
244.° Lei que se deturpa (continuação)
247.° A Margem da Vida - Soneto
252.° O que se passa pela Itália
255.° Saibam quantos
258.° A Escravatura Moderna

Em O PROTESTO - 1928 (continuação)
275.° A Ansia do Fim
280.° Discurso (Morte de A. Dias da Silva)
281.° Os Vencidos

283.° Nem um catre no hospital
283.° Bendita a Rebeldia - Soneto
285.° As épocas e as doutrinas
290.° O Curro e a Religião
291.° No Regime dos Senhorios
291.° A Terra, o Campo, a Riqueza (com m/foto)
292.° No Regime do Salariato
293.° A Higiene
307.° Almas do outro Mundo
309.° O Estado e a Assistencia Social (Mutilado)
310.° Emigrantes — critica a Ferreira de Castro

Em O ALMANDENSE
001.° Regionalismo
002.° Uma Ponte Levadiça
003.° Municipalismo
004.° Instrução, Problema Municipalista
005.° A Margem Sul do Tejo
006.° O Flagelo da época
007.° A Margem da Morte
008.° Realismo e Democracia
009.° O Ladir dos Críticos e o Riso dos Asnos
010.° Contrastes Oportunos /
011.° A Assistência
011.° Bocage
014.° A Dor Humana
015.° Mosaicos
016.° Um Pesadelo
017.° Oratória
017.° Almas do outro Mundo
017.° Contrastes Oportunos (Resposta)
019.° Concepções ideológicas
019.° Bosquejos locais
020.° A Evolução Mecânica e a Trans. Social
021.° Cosmopolitismo ou quê?
021.° Farrapos
022.° Martirológio
023.° A Luz do Alfabeto
024.° Fraticidas
025.° Urbanismo Almandense
026.° Quadros
027.° Terra de Ninguém - Novela de Cost. Regionais
028.° Traumatismo Social
028.° Crianças
029.° Duque de Vizeu (critica teatral)
031.° A Odisseia dos Marítimos
032.° Atrraz duma Quimera
033.° O Culto da Indiferença
034.° A Escola e a Crianca

[...] Três semanas após a abertura desta escola [escola primária na antiga Cardosa do Caramujo, actual rua Tenente Valadim], as aulas tinham uma frequência de 110 alunos, lecionados pelo saudoso professor José Martins Simões. Esta obra realizou-a o esforço de alguns ardorosos sócios. A escola possuiu um estandarte próprio, que era o enlevo da garotada, e um grande benemérito desta terra, que foi António José Gomes, de tal modo perƒilhou esta obra, que vestiu mais uma centena de alunos, dando-lhes um fardamento.

Os filhos da Piedade, que hoje são homens, devem a esta escola a instrução que disfrutam! António José Gomes patrocinou a escola que aquele punhado de homens criou, e sendo exígua já a capacidade das salas da Sociedade para a regular frequência escolar, edificou aquele benemérito a escola situada na Avenida que tem o seu nome e que é a melhor de todo o concelho!

António José Gomes, década de 1890.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

Este estabelecimento de ensino, foi. pois inspirado pela iniciativa que teve o seu campo de ensaio — e que profícuo ensaio! — na Sociedade Filarmónica União Artística Piedense.


in Dias, Jaime Ferreira, citado em Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.

036.° Cooperativismo
038.° Economia Nacional — A Ind. Cort. e a Exportação da Cortiça em Bruto
039.° Crónica da Primavera 2
039.° Abril - Soneto
040.° Amor e a Sociedade


Jaime Ferreira Dias colaborou ainda por varias vezes no El Socialista, de Madrid. (2)


(1) Bourbon e Menezes citado em Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.
(2) Op. Cit.

Leitura relacionada:
Flores
, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Trafaria 1900, cliché Faustino António Martins

Em torno do selo e das colecções por si motivadas produziu-se vasta bibliografia. Começavam, de imediato, as publicações especializadas relacionadas com os selos, dedicadas aos seus coleccionadores.

Selo de D. Carlos I, 25 reis de 1895,
desenho e gravura de Louis-Eugène Mouchon.
Imagem: Delcampe

Álbuns e catálogos foram as primeiras, mas produzidos fora das fronteiras nacionais. Foi preciso esperar pelo ano de 1887, para aparecer a primeira publicação periódica portuguesa, O Philatelista, Orgão do Centro Philatelico Portuguez, propriedade de Faustino A. Martins, publicada em Lisboa, com irregularidade, em 4 séries, até Abril de 1896. (1)

O Philatelista, revista mensal, 1887.
Imagem: Os selos Coroa da Guiné

Supomos ser curioso citar aqui, para ilustrar esta época, o que se escrevia em 1894, no número 3 da série III, de "O PHILATELISTA". Esta revista, dirigida pelo conhecido comerciante português Faustino Martins, criou a partir deste número de sua publicação, uma interessante secção intitulada "Galeria Philatelica".

Nela aparece o "retrato" do coleccionador em foco, e uma breve descrição da sua colecção. Para abrir essa Galeria, com vista a "incitar à imitação", é o próprio Faustino António Martins o número 1 dos quadros que a irão ornamentar.

A ele se refere o articulista a certo passo, nestes termos: "A sua colecção conte cerca de 14.000 variedades, além de mais de 3000 das emissões continentais e coloniais de Portugal, que constituem a mais rica colecção de selos portugueses que temos visto e que certamente existe...". (2)

Faustino António Martins ou F. A . Martins (como assina na maioria dos seus bilhetes postais) foi grande filatelista, director e proprietário do Filatelista (publicação mensal dedicada aos coleccionadores de selos e órgão do centro Filatélico Português).

Torre do Bugio na barra de Lisboa (segundo uma gravura de J. pedrozo), ed. Martins/Martins & Silva, 458.
Imagem: Delcampe

Foi proprietário de um estabelecimento comercial, posteriormente especializado na compra e venda de selos, estabelecimento esse, situado na Praça Luís de Camões Nº35 Lisboa, fundado em 1867, existindo ainda em 1894, como vimos em exemplares da revista.

Faustino António Martins aderiu e torno-se editor e comerciante de cartofilia em 1900, alias muito associada á filatelia. Esta importante casa editora sofreu varias modificações no seu nome: Faustino A. Martins / F.A. Martins / ed. Martins / Martins / ou Martins & Silva entre outras variantes. Usou monogramas de que conhecemos FAM e MS.

Trafaria (Portugal), Vista geral e rio Tejo, ed. Martins/Martins & Silva, 28, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

O prestigio adquirido pelo seu estabelecimento foi enorme , atendendo á grande qualidade e variedade de exemplares. Iniciou actividade editorial sob a sigla F.A.Martins a partir de 1900, Edição Martins a 1902 e Martins e Silva provavelmente em 1903.

Como outros editores de B.P.I.'s F.A.Martins emitiu juntamente com alguns comerciantes, em regime de parceria e por encomenda.

A sua produção retratou a vida publica e oficial da época, bem como aspectos do território, do povoamento e da sociedade, das actividades económicas e culturais, das paisagens e costumes de quase todo o país.

Como muitos outros editores cedeu clichés ou direitos de uso, por acordo ou venda, a colegas, sobretudo, das cidade e vilas da província, teve a colaboração dos melhores fotógrafos de Lisboa,  do Porto e de Coimbra, bem como de outros pontos da província e usou clichés cedidos por outros editores.

Trafaria — Vista geral, ed. J. Quirino Rocha, 01, década de 1900.
Imagem: Delcampe - Oliveira

Todos os seus postais são numerados por ordem crescente em árabes.

Trafaria — Vista parcial, ed. J. Quirino Rocha, 07, década de 1900.
Imagem: Delcampe - Oliveira

Conhecem-se-lhe a colecção "Portugal" e as sub colecções: "Lisboa", "Collection portugaise" "Collecção Portugueza" "Collecção Relvas", "Lisboa Typos das ruas" e colecções de Costumes entre outras. (3)

Trafaria — Vista geral, ed. Martins/Martins & Silva, 1201, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

Faustino Martins foi um comerciante de filatelia com estabelecimento na Praça Luis de Camões, nº 35 em Lisboa que dizia em 1888 ao referir-se ao seu negócio: "... do nosso estabelecimento, sem dúvida hoje o primeiro da Europa na especialidade do comércio e pelo enorme depósito de muitos milhões de selos que possuimos de todo os países do globo". (4)


(1) Em Torno do Selo Postal Português
(2) A Evolução das Coleções Clássicas
(3) Nazaré em Postal Ilustrado
(4) Os selos Coroa da Guiné