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quarta-feira, 12 de maio de 2021

A fotografia aérea no levantamento topográfico de 1938

Levantamento topográfico em 1938 pela Sociedade Portuguesa de Levantamentos Aéreos, Lda. compreendendo a margem norte do Tejo (concelhos de Lisboa e Oeiras) e a margem Sul do Tejo (concelhos de Almada, Seixal e Barreiro).

Sociedade Portuguesa de Levantamentos Aéreos Lda .
Aero Club de Portugal, Revista do Ar n.° 1

Cartas topográficas com escalas 1:1000; 1:2500 e 1:5000 e fotografias aéreas a preto e branco. (1)

Levantamento topográfico em 1938 esquema da divisão em cartas.
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra


A SPLAL teve como sócio fundador e director técnico o General Norton de Matos, personalidade notável da primeira metade do século XX, director dos Serviços de Geodesia e Agrimensura da Índia de 1890 a 1900.

Sociedade Portuguesa de Levantamentos Aéreos Lda .
Aero Club de Portugal, Revista do Ar n.° 1

Outras figuras nacional, como o Capitão aviador Arantes Pedroso, os engenheiros Ferraro Vaz, Carvalho Xerez, Santos Silva, entre outros, decidiram participar também na organização desta nova empresa particular sediada em Lisboa.

Sociedade Portuguesa de Levantamentos Aéreos Lda.
Restos de Colecção

Instalada na Rua da Escola Politécnica, a empresa possuia aviação própria para fotografia aérea, câmaras aéreas próprias e toda a aparelhagem para restituição e elaboração de cartas por métodos fotogramétricos.

 Messerschmitt M 18 "Pato Marreco" utilizado pela SPLAL em voos aerofotogramétricos.
(CS-AAH ex-D-1860)
Boletim do IGeoE n.° 72, novembro 2010

Durante o final da década de 30 e ao longo de quase toda a década de 40, a SPLAL foi juntamente com a E.N.E.T. adjudicatário de trabalhos de natureza fotogramétrica de organismos públicos como os Serviços Cartográficos do Exército e o Instituto Geográfico Cadastral . (2)

Grupo de trabalho da S.P.L.A.L. e plataforma aérea (avião) para levantamentos fotogramétricos.
Vôa Portugal - O Portal da Aviação Portuguesa, 2013.
Desenvolvimento de um SIG para gestão portuária – O caso do Porto de Lisboa

ooOoo

Vistas aéreas do levantamento topográfico em 1938 no concelho de Almada
Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra

Torre do Bugio
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Mar da Calha;
Pequeno Canal ou Golada do Tejo;
Bico de Pato.

Torre do Bugio

Trafaria

Trafaria

Caparica
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Murfacém;
Porto dos Buchos;
Quinta do Portinho;
Portinho da Costa.

Trafaria, Porto dos Buchos, Portinho da Costa.

Caparica

Caparica, Portinho da Costa, Enseada da Paulina.

Caparica
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Enseada da Paulina;
Torre Velha;
Lazareto;
Porto Brandão.

Caparica, Enseada da Paulina, Porto Brandão.

Caparica

Caparica, Banática.

Pragal/Almada
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Alfazina;
Montalvão;
Palença-de-Baixo;
Arrábida.

Almada, Palença.

Almada/Cacilhas

Almada, Arialva, Olho-de-Boi, Ginjal.

Almada/Cacilhas
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Estrada da Fonte da Pipa;
Fonte da Pipa;
Forte/Castelo de Almada;
Quinta do Almaraz;
Mercado de Almada (inaugurado em 1937);
Quinta dos Serras.

Almada (Olho-de-Boi), Ginjal (Cacilhas).

Cacilhas

Cacilhas, Ginjal, Margueira.

Cacilhas/Cova da Piedade
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Quinta da Alegria:
Quinta do Furadouro;
Ponta da Rocha;
Caranguejais;
Estrada da Mutela;
Fábrica de cortiça Cabruja & Cabruja Lda.;
Caldeira do moinho de maré da Mutela.

Cacilhas (Margueira), Cova da Piedade (Mutela).

Cova da Piedade
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Caranguejais;
Estrada da Mutela;
Fábrica de cortiça Cabruja & Cabruja Lda.;
Caldeira do moinho de maré da Mutela;
Cais da Farinha;
Jardim da Cova da Piedade.

Cova da Piedade, Mutela, Caramujo.

Cova da Piedade
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Quinta do Pombal;
Estrada do Pombal (Rua das Rosas do Pombal);
Estrada Cova da Piedade/S. Sebastião (Rua Dr. Oliveira Salazar).

Cova da Piedade, Mutela, Caramujo.

Cova da Piedade/Laranjeiro
Elementos toponímicos/urbanísticos:
Romeira;
Praia Pequena;
Quinta do Outeiro;
Palácio do Alfeite.

Cova da Piedade (Caramujo), Laranjeiro (Alfeite).


(1) Levantamento topográfico realizado em 1938...
(2) Recuperação Radio-Geométrica e Catalogação Digital de Cobert

Mais informação:
Boletim do IGeoE n.° 72, novembro 2010
Outras vistas aéreas nos Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra
Aero Club de Portugal, Revista do Ar
Desenvolvimento de um SIG para gestão portuária –O caso do Porto de Lisboa

Outros levantamentos:
RAF 1947

terça-feira, 3 de março de 2015

Delícias ou descrições de Lisboa

Les delices de l’Espagne et du Portugal: ou l’on voit une description exacte des antiquités, des provinces, des montagnes, des villes, des riviéres, des ports de mer (...) de Juan Alvarez de Colmenar,

Vista de lisboa do lado do Tejo.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

[...] as gravuras surgem com a legenda em francês mesmo na versão holandesa desta obra, que foi publicada no mesmo ano com o título Beschryving van Spanien en Portugal waar in, op het naauwkeurigste, al het geene, dat zoo ten opzigte van hunnen ouden (...).

Vista da praça do palácio em Lisboa.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

As gravuras aí reproduzidas surgem num volume só com as imagens, que não está datada mas também poderá ser de cerca 1707, o qual tem por título Les royaumes d’Espagne et de Portugal representés en tailles-douces trés exactes, dessinées sur les lieux mêmes qui comprennent les principales villes.

Palácio do conde de Aveiro em Lisboa onde Charles III foi alojado.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

A preparação das gravuras é indicada como sendo da responsabilidade de: J. Baptist Sculp. - J Goerce delin, seguindo-se de perto as que foram traçadas por Dirck Stoop para as vistas dos monumentos e do casamento de D. Catarina,

Vista do palácio real de Lisboa.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

mas com o acréscimo e ligeiras alterações das duas que haviam sido apresentadas por van Merle (o palácio Corte Real com a Ribeira das Naus) e Pieter van den Berge (o palácio Corte Real com o torreão do Paço da Ribeira), sendo por isso a colecção que reúne tudo o que havia sido publicado no século XVII, a que se acrescentaram novas imagens sobre a Inquisição. (1)

Vista do palácio que o rei de Portugal comprou.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Juan Álvarez de Colmenar autor de "Les Delices de l'Espagne et du Portugal" (Leiden, Pieter van der Aa: 1707), traduzidas para neerlandês "Beschryving van Spanjen en Portugal"

Vista do porto e da igreja de Belém e da de Santo Amaro.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Provavelmente um francês que vivia nos Países Baixos.

O Tejo, rio, Cascais, Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

Assume-se que tenha adotado um nome espanhol a pedido do editor para apoiar o seu livro em Espanha e Portugal. (2)

Igreja e mosteiro real de Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...

El gravat presenta la torre de Belem a Lisboa obra de l’arquitecte Francisco de Arruda. La construcció d’aquesta es va iniciar en el segle XV impulsada pel monarca Manuel I. La imatge mostra la ciutat, la torre i el mar Atlàntic amb vaixells. Existeixen molts gravats d’aquesta torre i tots presenten una imatge molt semblant. Destaquen els d’Allain Manesson Mallet i Albrizzi (1755). (3)

Vista da Torre de Belém.
Imagem: Les delices de l'Espagne et du Portugal...


(1) Lisboa do século XVII "a mais deliciosa terra do mundo"
(2) The British Museum
(3) Col·lecció Josep Ibarz

Leitura adicional:
Colmenar, Juan Alvarez, Les delices de l'Espagne et du Portugal, eu l'en voit des montagnes, des villes, des rivières, Volume 5, Leiden, Pierre van der Aa, 1707
Iconografia de Lisboa

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Praça de touros do campo de S. Paulo

No rocio de Almada havia um coreto de musica, d'onde partiam para as casas compridas grinaldas de louro e murta, entremeadas de lanternas para a illuminação à noite;

Fotografia satélite nocturna
Imagem: ESA

e faziam-se ali n'essa tarde cavalhadas; para o que se lançava de uma janella a outra, em todo o comprimento da praça, uma grande corda, em que se penduravam panellas de barro cheias de água de cheiro ou de ratos, balõezinhos contendo pardaes ou lagartixas, casaes de pombos, de rolas, e outros objectos.

Dia de S. João em Almada, Diário Illustrado, 16 de junho de 1883.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Uma duzia de mascarados a cavallo em rocinantes tentavam, cada um por sua vez, na corrida a galope, desprender da corda e enfiar nas lanças de que vinham armados estes prémios d 'aquelle jogo;

Vista aérea tomada do cockpit do A320 depois do pôr do sol, André Garcez, 2012.
Imagem: André Garcez Photography no Facebook

mas quasi sempre se quebravam as panellas, se rasgavam os balõezinhos. e voavam os pardaes, os pombos e as rolas, caindo os ratos, a agua de cheiro ou as lagartixas por toda a praça, o que dava logar a grandes risadas, chupas e apllausos (...)

Diário Illustrado, 5 de outubro de 1884.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

A noite illuminava-se todo o rocio, queimam-se um fogo de vistas e appareciam novamente a dança dos pausinhos e outras, com muita musica e arruido.

Na tarde do dia seguinte corriam-se touros em S. Pauio (...)

Proximo, no amplo campo de S. Paulo, fica a praça de touros, construida em 1843.

in Queiróz, Luíz de, Branco e Negro Semanário Ilustrado, n° 56 2° Ano, Lisboa, António Maria Pereira (Livraria AMP), 1896 - 1898.

[...] na Outra Banda, surge em Almada, em 1843, no sitio do Campo de S. Paulo, uma Praça de Touros, cujas bancadas e camarotes de madeira (com capacidade para 5000 espectadores), assentavam numa estrutura oitavada circundante de alvenaria.
Naquela Praça, as corridas mais importantes do ano, aconteciam por altura das festas de S. Joao Baptista, padroeiro da cidade, atraindo milhares de forasteiros à Vila de Almada.
Em 1904, sofreu urn incêndio, tendo ardido toda a estrutura em madeira.
Ano e meio mais tarde, foi reconstruida, mas nunca mais atingiu o esplendor festivo da Festa Brava que tinha tido na ultima metade de Oitocentos.
Foi desactivada e mais tarde demolida por meados dos anos 30 de 1900.

in Veiga, Luís Bayó, Boletim O Pharol, n° 13 

José Bento d'Araujo, praça de S. Paulo em Almada, 24 de junho de 1881.
Imagem: almaDalmada

 A corrida era de sete touros todos bravissimos,

Almada em Portugal, a multidão descontente tendo maltratado os toureiros, estes largaram sobre ela os touros,
Le Pellerin, n° 1807, 1911.
Imagem: Delcampe

e passou-se sem novidade a dos primeiros seis e que seria picado por um cavalleiro que se havia de apresentar de mascara (...)

Eram nesse tempo os combates de touros muito de moda entre a fidalguia... (1)

Touros largados contra a multidão, Le Petit Journal, 20 de agosto de 1911.
Imagem: Mundo do Livro, (Mundo do Livro no Facebook)


(1) Silva, Avelino Amaro da, O Caramujo, romance histórico original, Lisboa, Typographia Universal, 1863, 167 págs.