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terça-feira, 28 de julho de 2015

Ílhavos

Há três dias que ando metido na ria, com a barba por fazer, sujo como um ladrão de estrada e fora de toda a realidade. Afigura-se-me que vivo num país estranho — amplidão, água e sonho. Pelo areal os palheiros da Costa Nova, S. Jacinto e da Torreira... Que me importa! (1)

Arrais Ançã perscrutando o mar.
Imagem: 200 anos da Costa-Nova

Se é saveiro, barco do (de) mar, meia-lua, barco da Arte ou casca de noz, é-me indiferente. Os pescadores dão-lhe o nome por que na sua zona é conhecido, e o resto é conversa fiada. Aqui nos barcos tudo é muito "flutuante".

Praia de Espinho, ed. Martins/Martins & Silva, 1113 década de 1900.
Imagem: Delcampe

2 remos ou 4 remos? Médio oriente ou local? Etc., etc. Impossível saber, pois a arqueologia nada nos diz, e a documentação é muito recente. Para mim, o barco grande evoluiu do pequeno (quando as redes aumentaram de tamanho), e este evoluiu da bateira de mar, que por sua vez é uma transposição e adaptação da da Ria para o litoral.

 in Marintimidades

Para os bairros lisboetas de Alfama e Madragoa, este então designado por "Mocambo" vieram os de Ovar, Ílhavo, Murtosa e Pardilhó. Eles dedicaram-se à faina do mar enquanto elas vendiam o peixe ao mesmo tempo que enchiam a cidade com os seus pregões tão característicos. Tornaram-se conhecidas por "varinas" as peixeiras ovarinas que vieram para Lisboa.

Pescadores de Ilhavo, desenho de Annunciação, gravura de Pedrozo, c. 1860.
Imagem: Hemeroteca Digital

Esta gente formou ainda "colónias" em Almada, Trafaria e Costa da Caparica. A Costa de Caparica foi, quase até aos nossos dias, uma terra essencialmente piscatória e as primeiras habitações, cobertas ainda por colmo, foram construídas pelos pioneiros oriundos tanto do Algarve como de Ílhavo, no século XVIII.

Costa da Caparica, ed. Roland, c. 1950.
Imagem: Migracoes internas - os avieiros e outros

Os pescadores que exploravam as águas do rio Sado, da costa marítima adjacente e do alto, residiam quase todos em Setúbal, e alguns viviam a bordo das embarcações, como acontecia com os pescadores "ílhavos" que haviam emigrado para esta cidade em grande número.

Também os pequenos "varinos", tripulados por "ílhavos", actuavam junto à costa próxima dos bancos da barra e em todo o rio Sado, onde pescavam as espécies características da região.

Setubal, Castello de S Filippe, diferentes prôas de barcos de mar ílhavos na praia, c. 1868.
Imagem: Hemeroteca Digital

Praias de brancas e finas areias e de mar azul que também é céu. Costa de Caparica de finas e douradas areias numa imensidão onde o olhar se espraia tranquilamente.

Fonte da Telha e Lagoa de Albufeira onde sobrevivem os últimos pescadores das "artes" e das "meias-luas" oriundos de tão díspares regiões, como sejam Ílhavo, Costa Alentejana e Algarve.

Os primeiros habitantes do sítio de Olhão, seriam oriundos do distrito de Aveiro, talvez da freguesia de Ovar e Ílhavo porque em nenhuma praia algarvia se encontram pescadores mais audazes e com melhores disposições para a faina do mar e que se possam aproximar dos pescadores de Olhão.

Nessa altura [finais do século XVI] os Ilhavos, seguidos algum tempo depois por outros povos da Ria, pegaram nas suas canoas de tábua, que em praias de areia dourada facilmente entravam e saiam para o mar e partiram ao logo da costa estabelecendo novas povoações, entrando pelos rios Tejo e Sado e cruzando-se muitas vezes com os locais.

A arte da xávega, azulejos na Estação dos Caminhos de Ferro de Aveiro, F. Pereira, 1916.
Imagem: Arquivo Digital

Assim nasceram e cresceram Matosinhos, a Afurada, Mira, Cova da Gala, Costa de Lavos, Leirosa, Praia de Vieira de Leiria, Nazaré, Cascais, Costa da Caparica, Sto André, Aldeia da Meia Praia, Fuzeta, Olhão, Monte Gordo e Isla Cristina. (2)


(1) Brandão, Raul, Os Pescadores, Paris, Ailland, 1923, 326 págs, 127,7 MB
(2) Nomes de familias de Ílhavo no Litoral Português

Artigos relacionados:
Os saveiros meia lua da Costa da Caparica

Arte xávega descrita por Romeu Correia

Leitura relacionada:
Angeja, António, No rasto da diáspora dos ílhavos
Fonseca
, Senos da, 200 anos da Costa-Nova

Fonseca, Senos da, Factos & História , A arte da xávega
Souto, Henrique, Movimentos migratórios de populações marítimas portuguesas 
Alguns aspectos do traje popular da Beira Litoral

terça-feira, 5 de maio de 2015

Marinha do Tejo

Começàmos hoje a publicar a serie dos barcos de transporte que navegam no Tejo, desde o catraio até á fragata, desenhados do natural, com toda a exacção, pelo sr. Pedroso, e por elle mesmo gravados.

João Pedroso, Revista Illustrada, anno 1, n° 17, 1890.
Imagem: O Archivo Pittoresco e a evolução da Gravura de Madeira em Portugal

É mui variada, no casco e no apparelho, esta serie de embarcações, a que chamaremos "marinha do Tejo", se é que lhe não deviamos antes chamar marinha pequena, já que não temos marinha grande...

Não affiaçàmos, porém, que a nomenclatura de taes embarcações sáia rigorosa, porque, se o lapis do nosso artista conseguiu roproduzir a fórma e velame dc todos estes barquinhos do Tejo, outro tanto não podêmos nós conseguir quanto á denominação e origem de alguns d'elles.

Começando pelos catraios, que são os mais pequenos, a d'onde nós chamâmos geralmente catraeiros aos barqueiros, vemos que esta denominação não é muito antiga, porque não vem similhante vocabulo nos nossos bons auctores maritimos, sendo tão copiosa a lingua portugueza em termos nauticos. O alvará do tempo do marquez de Pombal (1765), que abaixo transcreveremos, diz que os "catraios" se tinham introduzido por aquelle tempo, e em tal quantidade, que por serem mui pequenos, e governados por gente ignorante, succediam muitas desgraças e avarias no Tejo, pelo que foram mandados queimar por ordem do marquez de Pombal, determinando-se qual havia de ser a lotação dos botes que, em logar dos catraios, se podiam construir. 

Eis o que dizia o alvará:

"Eu el-rei faço saber aos que este alvará virem, que sendo-me presentes em consuIta do senado da camara os graves inconvenientes que resultam do uso das pequenas embarcaçoes chamadas botes, ou catraios, que de tempos a esta parte se tem introduzido para os transportes que se fazem no Tejo; tendo causado por uma parte frequentes perigos as vidas das pessoas que n'eIIas se transportam; não so pela pouca segurança das mesmas embarcações, mas tambem pela ignorancia das pessoas que as governam. E pela outra parte destinando-se como mais proprias para as clandestinas conducções, e descaminhos das fazendas de contrabandos. Para cessarem de uma vez os referidos inconvenientes, sou servido prohibir, da publicação d'este em diante, o uso das referidas embarcações pequenas, permittindo somente o daquellas que são necessarias para o serviço dos navios: e mando, que todas as que ficam exeptuadas, em transgressão do disposto n'este alvará, sjam logo aprehendidas, e queimadas por ordem do senado da camara da cidade de lisboa, nas praias a ellas adjacentes: e que os proprietarios das mesmas embarcações, incorram alem da pena do perdimento d'ellas, na de seis mil réis applicados para as despesas do senado, e na de prisão pelo, espaço de vinte dias pela primeira vez: aggravando-se-lhes em dobro, tresdobro, e mais á proporção das relácias, as referidas penas nos casos de reincidencia. Sou servido outro sim determinar, que as embarcações que se occuparem nos transportes que se fazem de  Lisboa para Belem, e mais portos da sua visinhança, sejam construídas na conforntidade das formas e medidas, que vão declaradas no papel que baixa com este, assignado por Francisco Xavier de Mendonça Furtado, ministro e secretario de estado dos negocios da marinha e dominios ultramarinos."

As medidas a que se refere este alvará são as seguintes:

"Devem as mais pequenas embarcações d`estes transportes ter de bocca, no menos, 7 pés. De comprimento de roda a roda, ao menos 28 pés. A popa sera larga como do falua. O rodo da fôrma sera bem redondo á proporção da bocca para poder aguentar. E não poderá trazer qualquer destas embarcações mais que uma vela e um muletim."

Em cumprimento deste alvurá, o senado publicou um edital, para que todos os botes ou catraios, incursos na queima ordenada pelo alvará, se juntassem na prata de Santos, sobre graves penas. Ahi se lançou fogo a todos, o qual durou por muitos dias.

Os botes que de novo se construiram, segundo as medidas indicadas, ficaram-se chamando "catraios", tem uma so véla, e dois remos. Véde-o na estampa, que lá vem elle pela proa de um bote cacilheiro, do qual para o seguinte artigo se dará noticia.

Catraio e cacilheiro, gravura, João Pedroso, 1860.
Imagem: Hemeroteca Digital

Com a preciosa coadjuvação da capitania do porto, e da repartição do imposto municipal denominado "tramagalho" esperàmos poder esboçar uma historia curiosa de tantas embareaçõesinhas, quasi todas mui veleiras e airosas. (1)

Já dissemos, e se viu na gravura antecedente, que o bote de catraiar, ou catraio, como d'antes lhe chamavam, é a mais pequena embarcação de vela de quantas navegam no Tejo, apesar de os haver com capacidade para 15 passageiros, todos debaixo de toldo. Muitos d'estes botes, principalniente os do cáes do Sodré, alem da vela triangular de espicha, armam uma bojarrona á proa, e uma mezena á ré; com este panno ficam muito airosos e veleiros. Quando não tem vento armam dois, quatro, e às vezes seis remos.

Já se vê, pois, que hoje não ha botes tão pequenos e perigosos como aquelles, que por este motivo, mandou queimar o marquez de Pombal. 

Os catraeiros são por lei, tambem pombalina, obrigados a fazer exame perante o capitão do porto, sem o que a camara lhe não concede a licença necessaria para catraiar.

O bote cacilheiro, é o gigante dos catraios; rijo de borda, aguentando muito mar, e com alterosa vela triangular, não de espicha, mas içada ao tope do mastro, e engatada na proa, impina-se arrogantemente para ré. Enfunada com a grande corda de vento que apanha d'alto abaixo, arroja o bote num apice de Lisboa a Cacilhas, que é o seu porto. Antes da instituição da companhia dos vapores do Tejo, em 1838, os botes cacilheiros faziam carreiras alternadas com as faluas; hoje ha muito poucos, e nas horas desencontradas das viagens dos vapores da companhia é que fazem algumas carreiras.

Actualmente ha uns 300 botes matriculados em Lisboa.

A falúa tem duas velas, tambem triangulares ou latinas, mui altas, tendo a de ré duas escotas. É uma embarcação valentissima, e d'antes tinham quasi exclusivamente as falúas a carreira de Lisboa a Cacillias, tomando os passageiros no caes das Columnas da praça do Commercio. Com a instituição da companhia dos vapores, foram as falúas desapparecendo d'este caes, umas compradas pela propria companhia, para se desfazer d'ellas, e outras porque tomaram diverso destino, empregando-se no transporte de generos em differentes portos do Ribatejo.

Falúa, gravura, João Pedroso, 1860.
Imagem: Hemeroteca Digital

Para Aldêa-Gallega, Moita, Alcochete, e Barreiro, ainda ha carreiras de falúa. As que estão matriculadas sao apenas umas 20.

A falúa, além das duas velas, tem quatro remos, de que pouco se serve, por ser embarcação pesada: algumas vezes armam os remos para ajudar a vela, quando o vento não é de feição. (2)

Todos os barcos que navegam no Tejo pagam um imposto á camara municipal de Lisboa, chamado do "Tramagalho", imposição antiquissima, e tanto que se lhe perdeu já a etymologia, sem que os esmirilhadores de antiqualhas tenham até agora podido atinar com a derivação d'este nome.

A camara, em consulta de 28 de julho de 1852, propoz ao governo um formulario do que deviam pagar todas as embarcações que navegassem no rio de Lisboa, ou viessem a seus portos, o qual foi approvado pela regia resolução de 17 de setembro do mesmo anno.

Ei-lo aqui, como parte integrante da histotia d'esta marinha do Tejo.

De cada viagem que fazem a esta cidade os barcos de Villa-nova, pagam 200 rs.

De cada viagem que fazem os de Abrantes, Punhete, Tancos Barquinha, Chamusca, Azinhaga, Santarem, Escaropim, Salvaterra, Porto de Muge, Virtudes, Samora e Benavente, 150 rs.

De cada viagem que fazem os barcos de Povos, Villa-Franca, Alverca, Póvoa, Savcavem e Friellas,  100 rs.


Os barcos de Abrantes, Punhete, Tancos Barquinha, Chamusca e Azinhaga, pagam além de 150 rs. acima referidos, mais, de uma avença muito antiga, a que chamam "cabo de anno", pelas viagens que fazem aos portos do termo até Paço d'Arcos, 1:000 reis. 


Todas as embarcações dos portos acima declarados, que fazem viagens de verão, que vem a ser: conduzir palha ou fruta para esta cidade, o qual verão principia desde o dia de S. Pedro até á feira de Villa-Franca; não pagam n'este tempo por viagens, mas sim por avença que vem a ser:

Cada barco, 4:000 rs.
Cada bateira ou lancha, 3:000 rs.
Cada batel, 2:000 rs.

Os barcos do Samouco Alcochete, Aldea-Gallega, Moita, Lavradio, Alhos-Vedros, Barreiro, Aldea de Pae Pires, Seixal, Cacilhas, Porto Brandão, Trafaria, Coina, Cascaes, e Paço d'Arcos, pagam por ajuste.
As falúas, pagam 1:400 rs. por-anno.
As falúas que andam nas carreiras para Cacilhas, 2:000 rs.
Os barcos de Moios, 1:200 rs.
As fragatas, 1:000 rs.
Os botes, a 960 e 800 rs., conforme a sua grandeza.

Bote d'agua acima, gravura, João Pedroso, 1860.
Imagem: Hemeroteca Digital

Os barcos chamados d'agua a cima, cuja forma a nossa estampa representa, pertencem ao terceiro ramo d'esta tabela. (3)

Com o nome de aveiros, e não de saveiros, são estes barcos denominados na mesa do imposto chamada do Tragamalho. Talvez seja corrupção do primitivo nome que tinham quantos barcos vem ao Tejo da cidade de Aveiro, que são muitos.

A savara tambem mostra ter a mesma procedencia, mas estes tem quilha, e vão fóra da barra ajudar as moletas na pescaria.

O alijo traz na sua denominação o destino que tem, que é alijar, descarregar os barcos que não podem atracar. Ha tambem alijos de vela.

Saveiro, alijo e savara, gravura, João Pedroso, 1860.
Imagem: Hemeroteca Digital
Todas estas tres embarcações foram escrupulosamente copiadas dos onginaes, pelo nosso exímio gravador o sr. Pedroso, que é tambem um peritissimo pintor de navios. (4)

Depois dos botes são os varinos os que em maior numero sulcam o Tejo. Esta denominação que elles tem no vulgo não vem em nenhum diccionario da lingua, e tambem na repartição do imposto que elles pagam em Lisboa tal se lhes não chamam, mas aveiros, nome generico para todos os barcos que vem do districto de Aveiro. Estão actualmente registados e avençados na repartição municipal de Lisboa 431 varinos ou aveiros.

Varino e monaio, gravura, João Pedroso, 1860.
Imagem: Hemeroteca Digital

O monaio é uma especie de varino da mesma procedencia, mas tem diversa armação, como bem mostra o que esta desenhado na estampa, ao mar do varino.

Pela seguinte curiosa estatistica, que na citada repartição nos ministraram obsequiosamente, vemos que a marinha do Tejo se compõe ao presente de 1:143 vélas. (5)


Embarcações registadas e avençadas na repartição do Tramagalho, Lisboa, 1860.
Imagem: Hemeroteca Digital

Chamam aqui no Tejo a estes barcos, "dos moinhos" ou de "moios", porque se destinam especialmente a conduzir as farinhas do Ribatejo para Lisboa.

Os barcos dos moinhos são mais airosos que as falúas com as quaes todavia se parecem. Tem como ellas duas velas, porém mais baixas e mais largas: os mastros sao inclinados para a proa, por isso escusam de bujarrona.

Barco de moinho, gravura, João Pedroso, 1861.
Imagem: Hemeroteca Digital

Segundo a estatistica que já publicamos, ministrada pela mesa do Tragamalho, ou da imposição das embarcações, na camara municipal, ha no Tejo 34 barcos dos moinhos, e a sua amarração é no caes do Tojo, proximo ao terreiro do Trigo. (6)


(1) Hemeroteca Digital: Archivo Pittoresco, 1860, n° 31, pág. 247
(2) Hemeroteca Digital: Archivo Pittoresco, 1860, n° 33, pág. 261
(3) Hemeroteca Digital: Archivo Pittoresco, 1860, n° 36, pág. 285
(4) Hemeroteca Digital: Archivo Pittoresco, 1860, n° 41, pág. 325
(5) Hemeroteca Digital: Archivo Pittoresco, 1860, n° 48, pág. 380
(6) Hemeroteca Digital: Archivo Pittoresco, 1861, n° 9, pág. 70

Artigo relacionado:
Todos os barcos do Tejo


Informação relacionada:
As embarcações tradicionais do Tejo

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Francisco Inácio Lopes

Francisco Inácio (Ignacio) Lopes (1806-1893)

Aos 21 anos licenciou-se pela escola médica de Lisboa, tendo logo evidenciado a sua rara habilidade para o exercício da profissão, que imediatamente iniciou na terra da sua naturalidade [Almada], o que levou a Câmara, com o apoio da opinião pública, a nomeá-lo médico do partido do município, em junho de 1830 [...]

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830
Por decreto de 19 do corrente mes

Cirurgião Mór das Fortalezas e Baterias ao Sul do Tejo, sem vencimento algum, o Cirurgião do partido da Camara da Villa de Almada
Francisco Ignacio Lopes.

in Gazeta de Lisboa, n.° 131, 4 de junho de 1833.
[...] em 1850, aquando das eleições municipais, foi eleito vereador, e a Câmara em breve, o elegeu Presidente.

Por duas vezes e em épocas diferentes foi o dr. Francisco Inácio Lopes presidente da Câmara Municipal de Almada, onde realizou uma obra notabilíssima.

Vue de la rade et de la ville de Lisbonne
Imagem: Le Monde illustré, 1858, M. de Bérard.

Funda o Serviço de Socorros de Incêndios em 1850; manda construir poços em Vale de Rosal e Romeira; reedifica o chafariz da Fonte Santa; restaura o caminho novo para a Costa de Caparica, a calçada da Fonte da Pipa,

Vista parcial do Tejo, Casa da Cerca e estrada da Fonte da Pipa, 1858.
Aguarela, aut. desc., datada 14 de Março de 1858.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

a calçada da Trafaria, as estradas da Amendoeira, da Mutela e do Pombal, e promove muitas outras obras, entre as quais o cais de embarque e desembarque em Porto Brandão.

Enseada da Paulina, revista Branco e Negro n° 60, 1897 (ver artigo dedicado)
Imagem: Hemeroteca Digital

Contribui também para a construção da Capela do Cemitério; da Praça e Casa do Açougue; da Casa para a "Bomba", e, em 1860, voltando a ser presidente da Edilidade, promoveu a iluminação pública de Cacilhas e de Almada (luz de azeite).

Lisbonne
Imagem: L'Illustration, Journal Universel, 1860, Anastasi.

Finalmente, como último empreeendimento, manda construir o Grande Cais do Ginjal.

Cais do Ginjal, Óleo, Alfredo Keil
Imagem: Casario do Ginjal



Foi deputado às corte pelo círculo de Almada, vindo a ser reeleito três vezes até 15 de Janeiro de 1868 e, no ano de 1880, é novamente eleito procurador à Junta Geral do Distrito, o mesmo acontecendo no ano de 1886. (1)

Dr. Francisco Inácio Lopes.
Imagem: Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada
O resultado das eleições supplementares para deputados foi quasi todo favoravel ao ministério; apenas três candidaturas da oposição puderam vingar, e por pequena maioria: foram ellas as dos srs. Francisco Ignacio Lopes (cirurgião) [...]

in Diário do Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1860




(1) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.

Mais informação:
Occidente n° 541, 1 de janeiro de 1894

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Cenário da Trafaria e do Tejo

[...] Uma grande cabeça, chamada Cabeça Secca forma a actual goleta, que é muito larga. Na extremidade de montante d'esta cabeça fica o Bugio, defronte de S. Gião. 

Os cachopos adelgaçam-se muito, formando as duas barras, dando as sondagens, a do norte, a mais funda, com 10 braças, e a do sul com 7. 

A carreira grande tem o nome de Carreira de Alcáçova.

Palais d'Ajuda, Celestine Brelaz (Lenoir), c. 1830.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Na margem esquerda do Tejo, que principia na ponta da costa, ou bico da Calha, existe um grupo de pedras, conhecido pelo nome de Calhaus do Mar, que fica a duas e meia amarras do areal da Trafaria, que é uma povoação de pescadores, hoje muito concorrida na época balnear.

Lisboa, Vista do Paço da Ajuda, Louis Lebreton, c.1850.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O seu bello areal estende-se até o bico da Calha, continuando para o sul na costa oceânica. 

Toda a margem até Cacilhas é povoada de fabricas e de estabelecimentos industriaes e commerciaes, e é terminada por terrenos altos, cortados abruptamente para o rio.

Ajuda, Tomás José da Anunciação, c. 1860.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Porto Brandão, Banatica, Alfanzina, Porto de S. Lourenço, Portinho da Arrábida e Fonte da Pipa são pequenos portos, ou enseadas que se encontram, só para embarcações pequenas, até o pontal de Cacilhas, o qual forma o limite norte da Cova da Piedade.

Ahi principia a alargar-se o Tejo, recebendo os diversos esteiros, rios e braços de rio, que nelle desembocam e no grande mar interior, denominado Mar de Palha, majestoso estuário que forma o grande receptáculo das marés, as quaes no seu descenso para o mar conservam o porto e a barra nas melhores condições para a navegação. (1)

Vue de Lisbonne prise de Alfeite, Celestine Brelaz (Lenoir), c. 1830.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal


(1) Loureiro, Adolfo, Os portos maritimos de Portugal e ilhas adjacentes, Vol III parte 1, Lisboa, Imprensa Nacional, 1906

Leitura relacionada: Loureiro, Adolfo, Os portos maritimos de Portugal e ilhas adjacentes, Lisboa, Imprensa Nacional, 1906

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Almada de Francisco Inácio Lopes

Francisco Inácio (Ignacio) Lopes (1806 — 1893)

Aos 21 anos licenciou-se pela escola médica de Lisboa, tendo logo evidenciado a sua rara habilidade para o exercício da profissão, que imediatamente iniciou na terra da sua naturalidade [Almada], o que levou a Câmara, com o apoio da opinião pública, a nomeá-lo médico do partido do município, em junho de 1830 [...]

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830
Por decreto de 19 do corrente mes

Cirurgião Mór das Fortalezas e Baterias ao Sul do Tejo, sem vencimento algum, o Cirurgião do partido da Camara da Villa de Almada
Francisco Ignacio Lopes.

in Gazeta de Lisboa, n.° 131, 4 de junho de 1833.
[...] em 1850, aquando das eleições municipais, foi eleito vereador, e a Câmara em breve, o elegeu Presidente.

Por duas vezes e em épocas diferentes foi o dr. Francisco Inácio Lopes presidente da Câmara Municipal de Almada, onde realizou uma obra notabilíssima.

Vue de la rade et de la ville de Lisbonne
Imagem: Le Monde illustré, 1858, M. de Bérard.

Funda o Serviço de Socorros de Incêndios em 1850; manda construir poços em Vale de Rosal e Romeira; reedifica o chafariz da Fonte Santa; restaura o caminho novo para a Costa de Caparica, a calçada da Fonte da Pipa,

Vista parcial do Tejo, Casa da Cerca e estrada da Fonte da Pipa, 1858.
Aguarela, aut. desc., datada 14 de Março de 1858.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

a calçada da Trafaria, as estradas da Amendoeira, da Mutela e do Pombal, e promove muitas outras obras, entre as quais o cais de embarque e desembarque em Porto Brandão.

Enseada da Paulina, revista Branco e Negro n° 60, 1897 (ver artigo dedicado)
Imagem: Hemeroteca Digital

Contribui também para a construção da Capela do Cemitério; da Praça e Casa do Açougue; da Casa para a "Bomba", e, em 1860, voltando a ser presidente da Edilidade, promoveu a iluminação pública de Cacilhas e de Almada (luz de azeite).

Lisbonne
Imagem: L'Illustration, Journal Universel, 1860, Anastasi.

Finalmente, como último empreeendimento, manda construir o Grande Cais do Ginjal.

Cais do Ginjal, Óleo, Alfredo Keil
Imagem: Casario do Ginjal



Foi deputado às corte pelo círculo de Almada, vindo a ser reeleito três vezes até 15 de Janeiro de 1868 e, no ano de 1880, é novamente eleito procurador à Junta Geral do Distrito, o mesmo acontecendo no ano de 1886. (1)

Dr. Francisco Inácio Lopes.
Imagem: Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada
O resultado das eleições supplementares para deputados foi quasi todo favoravel ao ministério; apenas três candidaturas da oposição puderam vingar, e por pequena maioria: foram ellas as dos srs. Francisco Ignacio Lopes (cirurgião) [...]

in Diário do Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1860


(1) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.

Mais informação:
Occidente n° 541, 1 de janeiro de 1894

terça-feira, 24 de junho de 2014

O corredor do Ginjal

Pátio do Ginjal com vista enquadrada pelo vão de entrada.
Imagem: Gil, Ana Filipa da Costa, Projectar com o lugar. Indústrias criativas. Escola de artes cénicas do Ginjal, Faculdade de Arquitectura, Lisboa, 2010.

O cais do Ginjal foi mandado construir em 1860, quando presidia à edilidade almadense o dr. Francisco Inácio Lopes (1806 — 1893).

Planta do Rio Tejo e suas margens (detalhe), 1883.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Filho do concelho e médico de renome, este cidadão operou uma obra valiosíssiima na margem sul do Tejo.

Amigo pessoal do ministro do reino Fontes Pereira de Melo (1819 — 1887), e igualmente "regenerador", por duas vezes presidiu à Câmara Municipal de Almada [...]

Il molo di Cacilhas (Lisbona), parte II.
Vídeo: petrotubo

Assistir à construção de um bote reserva-nos grandes surpresas, pois ficamos a saber que se começa pela parte da embarcação que anda debaixo de água, como a quilha, o cavername e o costado.

Bote no Corredor do Ginjal.
Imagem: 

Há um ano, os três amigos aparelharam a madeira a golpes de serra e de plaina.

No domingo seguinte (eles só trabalhavam aos domingos) enterraram dois tacos de pinho na terra do barracão e sobre eles assentaram a comprida tábua da quilha.

Depois, fora um nunca acabar de enxó e de plaina para operar a curva das cavernas.

Houve ainda uma tarefa inicial muito penosa e demorada: aparelhar a linha da proa.

Esta fora arrancada a um tarolo cheio de nós e arrevesado.

Mas após uma manhã de luta contra a teimosia da madeira, dura que nem um corno, os três calafates acabaram por sair vitoriosos e erguer o nariz da bonita canoa.

Nasceu assim a proa da futura "Flor do Ginjal".

Corredor do Ginjal, Nuno Pinheiro, 1978.
Imagem: flickr

Esta obra estava a ser realizada no Corredor, nome de um lugar de passagem para as moradias do Marreta e do José Segundo, servindo ainda de caminho para a quinta da velha Elisa.

Corredor do Ginjal, acesso ao pátio.
Imagem: Correia, Romeu, O Tritão,.

O barracão onde carpinteiravam a "Flor" estava há anos abandonado, pois fora ali uma dependência da antiga tanoaria do Francisco de Cerca. (1)

Tanoaria Francisco da Cerca, corredor do Ginjal, 1900.
Imagem:   Correia, Romeu, Op. Cit.

O retiro do Luís dos Galos estava muito afreguesado.

Mesas colocadas no cais como era uso no Verão.

Os almoços de domingo eram sempre mais demorados, com os convivas em arrastadas conversas e discussões.

Já havia guitarras e violas sobre mesas e cadeiras, esperando a vez de serem dedilhadas.

Fadistas, Rafael Bordalo Pinheiro, 1877.
Gravura, João Pedroso.

Entrei e dirigi-me à cozinha, onde a tia Emilia preparava os petiscos.

Ela sorriu-me e perguntou-me:

— Já arranjaste trabalho?

— Ainda não, tia Emilia. Só para a semana volto à doca para saber a resposta.

— Deus queira, rapazinho.

— Isto está cada vez pior... — resmunguei.

Perto de nós, uma voz, rouca e irónica, meteu o bedelho na conversa.

— Quem está aí a dizer mal do nosso homem providencial?

Volto-me, assustado, acreditando mais uma vez no Porfírio, mas esbarro com o Carlos Pitocero.

O velho riu-se, fraterno, pousando a palma da mão sobre o meu ombro:

— É belo e reconfortante ouvir um jovem descrer da receita milagreira do tirano. Os velhos depositam as melhores esperanças na ressureição deste desgraçado povo. E cabe a vocês, com o sangue na guelra, descer à rua e lutar, lutar sem dar tréguas ao passado caquético e bolorento!... (2)


(1) Correia, Romeu, O Tritão, Lisboa, Editorial Notícias, 1982, 174 págs.

(2) Correia, Romeu, Cais do Ginjal, Lisboa, Editorial Notícias, 1989, 188 págs.

terça-feira, 17 de junho de 2014

H. Parry & Son, estaleiro no Ginjal

Vista dos Jardins e Palácio do Conde Burnay e do Tejo (detalhe), Francesco Rocchini, finais do século. XIX.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Ha no destricto desta Freguesia dous pórtos de mar, hum he о da Fonte da Pipa, com seu Forte para a banda do Poente, com huma praya como a deu a natureza sem artificio algum, frequentado de muitas embarcações, especialmente lanchas, que a ella vem fazer aguadas, e pode admittir até dezoito désta casta de embarcações.

Cacilhas, Praia da Fonte da Pipa e Olho-de-Boi, João Vaz.
Imagem: Casario do Ginjal

O outro porto he o do Cubal, com huma praya mais espaçosa, que a do primeiro, assim no comprimento, como na largura, tambem sem artificio, frequentado de varias embarcações, como são; bateiras, e fragatas, e as que o frequentão todos os dias fao dezasseis, e tem capacidade para admittir até cincoenta embarcações, como barcos de Cassilhas, que em muitas occasioens do anno vem amarrar nella, pela causa de ser abrigado das tormentas dos Nordestes, e Lestes, que por aqui correm com grande violencia. (1)

Almada, Ginjal, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 21, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

1852 — Os caldeireiros Hugh Parry e George Oakley chegam a Lisboa para trabalhar no Arsenal de Marinha.

1855 — Hugh Parry e George Oakley estabelecem-se por conta própria em Lisboa na Boa Vista. Nasce a H. Parry & Son.

1860 — [início da década de] Estabelecimento da Parry no Ginjal, no Cubal. Lançamento à água do Alcântara, vapor para transporte de passageiros, seguir-se-iam o Progresso o Lisbonense e o Belém — usavam como meio de propulsão rodas laterais, mediam cerca de 30 metros de comprimento, o casxo era em ferro e tinham uma lotação de cerca de 200 passageiros. 

Vapor da carreira de Cacilhas, 1890, Óleo, Alfredo Keil
Imagem: Casario do Ginjal

A sua construção era de tal forma resistente que estiveram ao serviço no Tejo mais de 30 anos.

1864 — Lançamento à água do Belém, o primeiro barco construído no estaleiro da Parry no Ginjal.

Navio a vapor Belém, o primeiro lançado ao mar em 1864
Imagem: Restos de Colecção

1866 — Associa-se à Parry Francis Churchill Cannell, genro de Hugh Parry.

1869 — Lançamento do Vapor n° 1 da Alfândega de Lisboa tendo como meio de propulsão a hélice.
[...] ahí por Fevereiro de 1874, [...] Começava n'essa ocasião o assentamento da linha de Carris de Ferro Americanos, do Terreiro do Paço ao Conde Barão, e existia, não havia muito, a carreira de vapores de rodas para Alcântara e Belém, de cuja opulenta frota fazia parte o roncador e cuspinhento vapor Progresso, com seu simbólico titulo de arrojado meio de transporte, e no qual tantas vezes embarquei.
in Prólogo do auto da Lisboa Velha, Affonso Lopes Vieira.
1876 — Morre Hugh Parry. Francis Cannell assume a gerência da empresa.

1890 — Ultimatum inglês.

1893 — Promessa de venda do estaleiro do Sampaio na Praia da Lapa em Cacilhas à firma H. Parry & Son pela importância de 90.000$000 réis.

1895 — Lançamento à água das lanchas canhoneiras Diogo Cão e Pedro de Annaya, encomenda da Subscrição Nacional em consequência do Ultimatum inglês. Também no mesmo ano foi construída a lancha canhoneira Honório Barreto.

1898 — Lançamento à água da canhoneira Chaimite.

Estaleiro no Ginjal, H. Parry & Son.
Imagem: Restos de Colecção

1899 — Concretização da venda do estaleiro do Sampaio de Cacilhas à H. Parry & Son.

1903 — Lançamento à água da canhoneira Tete.

Lancha canhoneira Tete.
Imagem: graptolite

1904 — Lançamento à água da lancha canhoneira Sena.

1938 — Fim do contrato de arrendamento do estaleiro da Parry no Ginjal e transferência de todos os serviços para Cacilhas. (2)

Embarcação de passageiros das carreiras do rio Tejo.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Na praia do Cubal [Cubalinho], naturalmente inclinada, estavam montadas as carreiras de construção, em madeira.

A murallha do cais era aí interrompida por uma ponte que se elevava quando havia lançamentos 

Estaleiro de construções navaes, H. Parry & Son, Cubal, Ginjal, 1890
Imagem: Museu de Marinha

"Quando a gente passava havia um sítio onde se metiam lá os batelões. Levantava-se aquela madeira para o batelão entrar, depois pousava-se a tábua. Era da Parry." (3)


(1) Cardoso, Luís, Diccionario geografico, ou noticia historica de todas as cidades..., Lisboa, na Regia Officina Sylviana e da Academia Real, 1747, 2 vol.

(2) Luzia, Angela, Esteves, Joana, Santos, Maria José E., A indústria naval em Almada: na rota do progresso, Almada, Câmara Municipal, 2012, 97 págs.

(3) Gonçalves (coord.), Elisabete, Memórias do Ginjal, Almada, Centro de Arqueologia de Almada, 2000, 88 págs.

domingo, 16 de março de 2014

O castelo, a igreja, a vila e a cerca

"... em 1374, D. Fernando prorrogou por mais um ano o prazo para serem terminados os muros da cerca... Nos séculos XVI-XVII a cerca desenvolvia-se já desde o castelo, passando pelas traseiras das casas da Rua Direita até à 'Praça Velha'..." (1)

Portogallo, Lisbona dal promontorio.
Gravura executada por Terzaghi sobre desenho de Barbieri reproduzido de um original do século XVII.


Configuração do castelo de Almada. (2)

Planta do castelo de Almada em 1772.
Imagem: Rui Manuel Mesquita Mendes.


Almeida por Almada.

O erro sistemático do esboço de Page, ou do desenho de Stanfield, associado à data tardia de publicação das reproduções, tende a deslocar, ou a misturar e confundir, eventos e análises da Guerra Penínsular e das Guerras Liberais. (3)

Lisbonne , vue du fort d'Almeida [sic] .  
Hugo, Abel, France militaire, Histoire des armées françaises de terre et de mer, de 1792 à 1837, Paris, Delloye, 1838, 5 vols.

O fumo que sai das chaminés, os mastros do navio a vapor, o Mar da Palha, os braços do Tejo. Lisboa mais bela, talvez, que Napoles ou Constantinopla.

Vue de la rade et de la ville de Lisbonne
Imagem: Le Monde illustré, 1858, M. de Bérard.

Realidade, fantasia, que faz viajar e sonhar.

Lisbonne
Imagem: L'Illustration, Journal Universel, 1860, Anastasi.

Imagens com castelo e casario que descrevem ou inspiram poemas românticos.

Lisbon view from the south bank of the Tagus
Trousset encyclopedia, 1886
Imagem: Byron, George Gordon, Childe Harold's Pilgrimage..., London, John Murray, 1869 (detalhe).

(1) PEREIRA DE SOUSA , R. H., Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal, 1981, 192 págs.

(2) Arquivo Nacional Torre do Tombo.

(3) Almada bélica e bucólica no século XIX.