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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Almada, reportagem fotográfica Paulo Guedes, c. 1903

Paulo Emílio Guedes (1886-1947), nasceu em Mondim de Basto da Beira a 23 de Março de 1886 e faleceu em Lisboa a 1 de Dezembro de 1947.

Papelaria e tipografia Paulo Guedes & Saraiva, Joshua Benoliel, início do século XX.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Foi fotógrafo de imagens que posteriormente editava em postais ilustrados através da sua firma "Papelaria e Tipografia Paulo Guedes e Saraiva", em 1912 já tinha publicado cerca de mil novecentos postais diferentes.

Os agrupamentos temáticos abrangem panorâmicas de Lisboa, aspectos de rua, feiras, jardins, tipos populares, interiores e exteriores de edificios, acontecimentos sociais e festividades religiosas. Sem nunca ter abandonado a actividade de fotógrafo, trabalhou nos últimos anos da vida como livreiro. (1)

Paulo Emílio Guedes & Saraiva, verso de Bilhete Postal Ilustrado, UPU, década de 1900.
Imagem: Nazaré em Postal Ilustrado

Papelaria e Tipografia Paulo Guedes e Saraiva, Aurea 80, Portugal - Lisboa

Grande empresa editora de B.P.I.´s de grande qualidade e de predomínio fototipico. Como F. A. Martins , utilizou e cedeu clichés de e a outros editores, tendo editado para a província , por encomenda e com clichés de fotógrafos locais.

Conhecem-se-lhe varias colecções editadas , com numeração geral em romano ou em árabe pela ordem crescente e com sub numeração por localidade ou sub-colecções temáticas. A sua colecção geral intitula-se "Portugal " em que sobressaíram reportagens da situação politica e da vida portuguesa. Subdividiu-se em varias sub-colecções ou colecções temáticas.

A edição relativa ao concelho de Almada compreende, que seja do nosso conhecimento, os postais numerados de DCCLXXXV a DCCCVI da colecção geral:

  • 01 Chegada do vapor a Cacilhas
  • Almada, Chegada do vapor a Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 01, década de 1900.
    Imagem: AVM

  • 02 Um desembarque em Cacilhas
  • Almada, Um desembarque em Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 02, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 03 Pharol de Cacilhas
  • Almada, Pharol de Cacilhas, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 03, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 04 Chafariz de Cacilhas
  • Almada, Chafariz de Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 04, década de 1900.
    Imagem: Alexandre Flores, Almada antiga e moderna... Cacilhas, Almada, ... 1987

  • 05 Largo do poço em Cacilhas
  • Almada,  Largo do Poço em Cacilhas, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 05, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 06 Uma das muralhas do castelo
  • Almada, Uma das muralhas do castelo, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 06, década de 1900.
    Imagem: Delcampe

  • 07 O interior do castelo
  • Almada, O interior do castelo, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 7, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 08 Uma das peças do castelo
  • Almada, Uma das peças do castelo,  ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 1, década de 1900.
    Imagem: AVM

  • 09 Lado sul (vista panorâmica com o n° 10)
  • Almada, Lado Sul, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 09, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 10 Lado norte (vista panorâmica com o n° 09)
  • Almada, Lado Norte, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 10, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 11 Camara Municipal
  • Almada, Camara Municipal,
    ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 11, década de 1900.
    Imagem: Delacampe

  • 12 Bocca do vento
  • Almada, Boca do Vento, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 12, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 13 Jardim da Cova da Piedade
  • Jardim da Cova da Piedade, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 13
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 14 Uma Burricada
  • [Cova da Piedade], Uma Burricada, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 14, década de 1900.
    Imagem: Delcampe, Bosspostcard

  • 15 Caramujo
  • Caramujo, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 15, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 16 Romeira

  • Almada,  Romeira, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 16, década de 1900
    Imagem: Alexandre Flores, Almada antiga e moderna... Cova da Piedade, Almada, ... 1990

  • 17 Largo Lago da Quinta Real do Alfeite
  • Almada,  Largo da Quinta Real do Alfeite, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 17, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 18 Palácio Real do Alfeite
  • Almada, Palácio Real do Alfeite, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 18, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 19 Praia do Alfeite
  • Almada,  Praia do Alfeite, Paulo Emílio Guedes & Saraiva 19, década de 1900
    Imagem: Delcampe

  • 20 Cacilhas
  • Cacilhas, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 20, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 21 Ginjal
  • Almada, Ginjal, Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 21, década de 1900.
    Imagem: Fundação Portimagem

  • 22 n. id.
  • 23 Typos de catraeiros
  • Typos de Catraeiros,
    ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 23, década de 1900.
    Imagem: Delcampe

A extinção da Papelaria Guedes herdeira da firma Paulo Emilio Guedes ocorreu antes de 1922. (2)


(1) Arquivo Municipal de Lisboa
(2) Vicente Sousa, Neto Jacob, Portugal no 1º quartel do século XX documentado pelo bilhete postal ilustrado...,
Bragança, Câmara Municipal, 1985, cf. Nazaré em Postal Ilustrado

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Teu tio José Carlos de Melo

Almada, 3 de Abril de 1941

Romeu

Tenho presente o teu bilhete de 29 de Março e recebido a 31 do mesmo mês.

Carta Postal (detalhe), ed. Câmara Municipal de Almada, c. 1940.
Imagem: Delcampe

Fiquei bem impressionado por tomar conhecimento de notícias agradáveis a teu respeito e é de esperar que criando amisade e boa disposição no trabalho o futuro se apresente sorridente, como em dias de primavera e, que os dias sombrios e negros, que se pretendiam atravessar no caminho, se afastem por completo deixando-te ampla liberdade para olhares o dia de amanhã com fé e esperança.

Carta Postal (detalhe), ed. Câmara Municipal de Almada, c. 1940.
Imagem: Delcampe

O futuro a ti pertence, respeita, fás-te respeitar, para que assim todos olhem para ti com simpatia, amisade e respeito.

Por cá todos bem e muito se recomendam.

Agradecendo a tua gentil lembrança, aceita um abraço do teu tio que muito te estima

José Carlos de Melo

Carta Postal (detalhe), ed. Câmara Municipal de Almada, c. 1940.
Imagem: Delcampe

Saudades, estou melhor, um abraço e beijinhos

Venância Quaresma Correia [irmã, 7 anos] 


Imagem: Delcampe

Artigos relacionados:
José Carlos de Melo
O Ginjal não é para raparigas solteiras

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Panorâmica da villa d'Almada

A villa d'Almada, assente num planalto, para o qual se vai subindo desde o cais de Cacilhas, coroa nobremente o território do concelho. (1)

Almada, Lado Sul, Lado norte, ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva, 09, 10, c. 1905.
Imagens: Delcampe

É uma coisa sabida por toda a gente que os garotos de Almada, são os mais desinquietos e indisciplinados de todo o mundo.

Apedrejam as árvores, partem os vidros das janelas, empoleiram-se nas camionetes, e fazem os miolos em água a muita gente. Nos jardins públicos são eles a arrelia dos pobres jardineiros que esgotam com eles um extenso vocabulário de salão, em alta grita, durante horas e horas.

São tão impertinentes como os mosquitos que nos obrigam a passar as noites ás palmadas á cara e a coçar os braços.

No passeio do Castelo, durante as festas são eles de uma arreliadora impertinência.

Penetram no recinto, misteriosamente, ás centenas, e vá de andar toda a noite em correrias, rebentando os arames das vedações invadindo tudo, empoleirando-se no palco, misturando-se com os músicos, rasgando a tela, e fazendo diabruras de todos os feitios e de todos os calibres.

Popular "Tio" Resgate explicando a Bíblia no adro da egreja do extincto convento de S. Paulo em Almada, 1911.
Imagem: Illustração Portugueza, Hemeroteca Digital

Se alguém os corrige, se alguém os obriga a sair dos recintos reservados eles arranjam maneira de dentro de cinco minutos, estarem todos outra vez no mesmo local. São únicos, estes garotos de Almada, e são precisas medidas especiais para nos defendermos deles. (2)

Almada, rua D. José de Mascarenhas, dia de "Mata o Judas",
fotografia de Júlio Pereira Dinis, c. 1975.
Imagem: Museu da Cidade de Almada


(1) Pimentel, Alberto, A Estremadura portuguesa, Volume II, Lisboa, Empreza da História de Portugal, 1908
(2) O Almadense: Semanário Republicano Regionalista, Ano II, n.º 64, domingo, 29 de Setembro de 1929


Artigo relacionado:
Almada em 1908
Cacilhas 1900, cliché Paulo Guedes
Ed. Paulo Emílio Guedes & Saraiva

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Trafaria 1900, cliché Faustino António Martins

Em torno do selo e das colecções por si motivadas produziu-se vasta bibliografia. Começavam, de imediato, as publicações especializadas relacionadas com os selos, dedicadas aos seus coleccionadores.

Selo de D. Carlos I, 25 reis de 1895,
desenho e gravura de Louis-Eugène Mouchon.
Imagem: Delcampe

Álbuns e catálogos foram as primeiras, mas produzidos fora das fronteiras nacionais. Foi preciso esperar pelo ano de 1887, para aparecer a primeira publicação periódica portuguesa, O Philatelista, Orgão do Centro Philatelico Portuguez, propriedade de Faustino A. Martins, publicada em Lisboa, com irregularidade, em 4 séries, até Abril de 1896. (1)

O Philatelista, revista mensal, 1887.
Imagem: Os selos Coroa da Guiné

Supomos ser curioso citar aqui, para ilustrar esta época, o que se escrevia em 1894, no número 3 da série III, de "O PHILATELISTA". Esta revista, dirigida pelo conhecido comerciante português Faustino Martins, criou a partir deste número de sua publicação, uma interessante secção intitulada "Galeria Philatelica".

Nela aparece o "retrato" do coleccionador em foco, e uma breve descrição da sua colecção. Para abrir essa Galeria, com vista a "incitar à imitação", é o próprio Faustino António Martins o número 1 dos quadros que a irão ornamentar.

A ele se refere o articulista a certo passo, nestes termos: "A sua colecção conte cerca de 14.000 variedades, além de mais de 3000 das emissões continentais e coloniais de Portugal, que constituem a mais rica colecção de selos portugueses que temos visto e que certamente existe...". (2)

Faustino António Martins ou F. A . Martins (como assina na maioria dos seus bilhetes postais) foi grande filatelista, director e proprietário do Filatelista (publicação mensal dedicada aos coleccionadores de selos e órgão do centro Filatélico Português).

Torre do Bugio na barra de Lisboa (segundo uma gravura de J. pedrozo), ed. Martins/Martins & Silva, 458.
Imagem: Delcampe

Foi proprietário de um estabelecimento comercial, posteriormente especializado na compra e venda de selos, estabelecimento esse, situado na Praça Luís de Camões Nº35 Lisboa, fundado em 1867, existindo ainda em 1894, como vimos em exemplares da revista.

Faustino António Martins aderiu e torno-se editor e comerciante de cartofilia em 1900, alias muito associada á filatelia. Esta importante casa editora sofreu varias modificações no seu nome: Faustino A. Martins / F.A. Martins / ed. Martins / Martins / ou Martins & Silva entre outras variantes. Usou monogramas de que conhecemos FAM e MS.

Trafaria (Portugal), Vista geral e rio Tejo, ed. Martins/Martins & Silva, 28, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

O prestigio adquirido pelo seu estabelecimento foi enorme , atendendo á grande qualidade e variedade de exemplares. Iniciou actividade editorial sob a sigla F.A.Martins a partir de 1900, Edição Martins a 1902 e Martins e Silva provavelmente em 1903.

Como outros editores de B.P.I.'s F.A.Martins emitiu juntamente com alguns comerciantes, em regime de parceria e por encomenda.

A sua produção retratou a vida publica e oficial da época, bem como aspectos do território, do povoamento e da sociedade, das actividades económicas e culturais, das paisagens e costumes de quase todo o país.

Como muitos outros editores cedeu clichés ou direitos de uso, por acordo ou venda, a colegas, sobretudo, das cidade e vilas da província, teve a colaboração dos melhores fotógrafos de Lisboa,  do Porto e de Coimbra, bem como de outros pontos da província e usou clichés cedidos por outros editores.

Trafaria — Vista geral, ed. J. Quirino Rocha, 01, década de 1900.
Imagem: Delcampe - Oliveira

Todos os seus postais são numerados por ordem crescente em árabes.

Trafaria — Vista parcial, ed. J. Quirino Rocha, 07, década de 1900.
Imagem: Delcampe - Oliveira

Conhecem-se-lhe a colecção "Portugal" e as sub colecções: "Lisboa", "Collection portugaise" "Collecção Portugueza" "Collecção Relvas", "Lisboa Typos das ruas" e colecções de Costumes entre outras. (3)

Trafaria — Vista geral, ed. Martins/Martins & Silva, 1201, década de 1900.
Imagem: Fundação Portimagem

Faustino Martins foi um comerciante de filatelia com estabelecimento na Praça Luis de Camões, nº 35 em Lisboa que dizia em 1888 ao referir-se ao seu negócio: "... do nosso estabelecimento, sem dúvida hoje o primeiro da Europa na especialidade do comércio e pelo enorme depósito de muitos milhões de selos que possuimos de todo os países do globo". (4)


(1) Em Torno do Selo Postal Português
(2) A Evolução das Coleções Clássicas
(3) Nazaré em Postal Ilustrado
(4) Os selos Coroa da Guiné

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Postais fotográficos J. Lemos

A reportagem regional da coleção de postais J. Lemos descreve aspetos e transformações urbanas da então vila de Almada, durante as décadas de 1950 e 1960.

Almada, Miradouro (detalhe), J Lemos, 07, década de 1950
Imagem: Delcampe

Lamentavelmente não dispomos de qualquer referência relativa à pessoa de J. Lemos, pelo que nos limitaremos à análise da edição dos postais fotográficos. Como também não é do nosso conhecimento outras edições fora do contexto já referido, supomos que se trata de um fotógrafo independente, ou de um editor local, provavelmente com estúdio fotográfico, estabelecido em Almada à semelhança da Foto Cristo Rei, que fotografou para o folheto da inauguração das novas instalações dos Correios, da Administração Geral dos CTT,  em 1956).

Almada, Praça da Renovação, ed. J. Lemos, 29, década de 1950.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

Se nos determos nos motivos e apresentação, é possível que J. Lemos, no caso da edição de postais, tenha trabalhado com, e/ou para, outros editores nacionais, tais como os Fotoselos ROTEP ou a Postalfoto que produziu postais para as papelarias Jubal e Valverde, ou que simplesmente, do mesmo modo, tenha seguido tendências mais recentes.

Almada, Vista Parcial, J Lemos, 31, década de 1960.

A composição dos objetos representados respeita e destaca os motivos e o contexto, evidenciando a sua qualidade documental.

Almada, Mercado, ed. J. Lemos, 103, década de 1950.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

No aspeto técnico, nomeadamente quanto aos enquadramentos, a linha de horizonte, ou a perpendicular a esta no ponto de fuga, em algumas das imagens, não respeitam o alinhamento paralelo com as margens, o que as torna menos profissionais, dificultando a sua leitura.

Almada, Mercado, ed. J. Lemos, 103 (imagem corrigida), década de 1950.
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna... Freguesia de Almada

Foram distribuídas no mercado postais de diversas séries agrupadas por localidade, Almada e Cacilhas, numerados em arábico de forma crescente.

A numeração aparecia na margem inferior do postal, seguida da localidade e de uma pequena descrição, sendo que um mesmo tema, nas diversas edições poderia, não ser reeferido pelo mesmo número da edição precedente.

As reproduções apresentavam a assinatura J. Lemos no canto inferior esquerdo no corpo da fotografia. O tipo de letra usado, foi, na maioria dos casos, cursivo e no corpo da fotografia nas primeiras edições, normal em margem própria nas posteriores ou em etiqueta sobreposta no corpo da fotografia, ou ambos, respetivamente assinalados na lista abaixo: c, n ou a.

O bordo dos postais apresenta-se recortado nas primeiras edições e liso nas posteriores.

Almada, Rua Bernardo Francisco da Costa, J Lemos, 68, década de 1960.
Imagem: Delcampe

  • 001 n Almada Vista do miradouro
  • 002 c Almada Praça da Renovação
  • 003 n Almada Seminário
  • 004 n Almada Jardim Comandante Sá Linhares
  • 006 n Almada Avenida D João I xx
  • 006 n Almada Vista Parcial
  • 007 n Almada Miradouro
  • 007 n Almada Miradouro (edição de natal e Ano Novo)
  • 008 n Almada, Jardim do Castelo
  • 008 n Almada, Jardim do Castelo (edição de Natal e Ano Novo)
  • Almada, Jardim do Castelo, ed. J. Lemos, 08, década de 1960.
    Imagem: Delcampe
  • 009 n Almada, Jardim do Castelo
  • 010 c Almada Castelo
  • 011 i  Almada Jardim Sá Linhares
  • 012 i  Almada Durante as Festas de S joão
  • 013 n Almada Durante as Festas de S joão
  • 016 i  Almada Avenida D Afonso Henriques
  • 018 i  Almada Avenida D Afonso Henriques
  • 021 n Almada Jardim Comand. Sá Linhares
  • 021 n Almada Vista Parcial
  • 027 n Almada Câmara Municipal
  • 028 n Almada Mercado
  • 029 n Almada Praça da Renovação
  • 031 n Almada Vista Parcial
  • 057 n Cacilhas
  • 061 i  Almada Rua Francisco Andrade
  • 064 i  Almada Largo das Andorinhas
  • 068 i  Almada Rua Bernardo Francisco da Costa
  • 075 a Almada Largo Gil Vicente
  • 103 a Almada Mercado
  • 105 a Almada Praceta de Olivença
  •  
  • s/n  a Almada Avenida D Afonso Henriques
  • s/n  a Almada Av D Nuno Alvares Pereira década de 1950 02
  • s/n  a Almada Jardim Público
  • s/n  i  Almada Largo Fernão Lopes
  • s/n  a Almada Praça da Renovação
  • Almada, Praça da Renovação, ed. J. Lemos, s/n, década de 1960.
  •  
  • 016 n  Cacilhas Estaleiro
  • Cacilhas, Estaleiro, ed. J. Lemos, 16, década de 1960.
    Imagem: Delcampe
    017 n  Cacilhas Vista Geral do Cais
  • Cacilhas, Estaleiro, ed. J. Lemos, 17, década de 1960.
  •  
  • s/n  a Cacilhas Vista Parcial


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Convento Dominicano de São Paulo de Almada

Quando depois de dominicano, Frei Luiz de Sousa escreve a sua Historia de S. Domingos, ao contar a fundação do convento de S. Paulo em Almada, por Frei Francisco Foreiro, no anno de 1569, e dando d'ella algumas noticias, deixa ainda transparecer n'essas paginas o encanto pela terra que tanto amára, e onde tanto amára.

Almada — convento de S. Paulo, in Almada em 1897
Imagem: Hemeroteca Digital

"Sitio, diz elle do local do convento, que como é no mais alto do monte, e pendurado sobre o mar, fica como grimpa, sujeito a todos os ventos. Porém, paga-se este damno com ser senhor de um tão fermoso e tão bem assombrado horisonte, que confiadamente e sem parecer encarecimento, podemos affirmar que não ha outro tal em toda a redondeza da terra". (1)

O Seminário de São Paulo de Almada foi fundado como seminário do Patriarcado de Lisboa no ano de 1935, mas já antes a casa contava com um rico historial, de grande relevo na vida de Portugal e de toda a zona circundante de Lisboa.

Assim, a vida desta belíssima casa começa no já longínquo ano de 1569, com a fundação do Convento Dominicano de São Paulo de Almada por Frei Francisco Foreiro, insígne teólogo que se distinguiu no Concílio de Trento, e então Provincial da sua Ordem no nosso país, que nele viria a falecer e ser sepultado em 1581, onde ainda hoje se encontra.

Em 1755, o Convento sofre grandes danos, e só a Igreja é restaurada quase de imediato, motivo pelo qual passa a sede da paróquia de Nª Sª da Assunção do Castelo, cuja igreja havia caído com o sismo.

Vista de Lisboa tomada de Almada, século XVII.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

Dez anos depois, e porque as condições nunca mais foram as mesmas desde aquele catalismo, os Frades Pregadores abandonam o Convento de São Paulo. Começa aqui o rol das muitas tribulações e mãos pelas quais o Convento passou.

Em 1775, os Dominicanos vendem a quinta a um industrial francês, François Palyart (1726 - 1816), e a casa conventual, em 1776 aparece já na posse das Ordens Militares, que por sua vez, e ainda no mesmo ano, a tornam a vender, desta feita ao mesmo francês que já tinha comprado a quinta.

A igreja e uma das alas do convento ficaram para a paróquia.

Almada — Interior da Egreja do Convento de S. Paulo, 1897.
Imagem: Hemeroteca Digital

Com o decreto de extinção das Ordens Religiosas de 1834, os bens dessas instituições passam a fazer parte do património estatal, mas isso em nada afecta a Igreja de São Paulo, que era paroquial e não de ordem religiosa.

Mas no ano seguinte, perde esse carácter, pois a paróquia de Nª Sª da Assunção do Castelo foi definitivamente incorporada na de Santiago de Almada, ficando a igreja entregue aos cuidados de uma das suas irmandades, a do Rosário.

Segue-se uma fase extremamente confusa, com vendas e contravendas, falências e casos mal esclarecidos.

Chegamos, entretanto, a 1855 com uma situação no mínimo caricata: a quinta e a casa eram de um proprietário, mas o corredor da Sacristia era de outro.

Almada, vista tomada do Campo de S. Paulo, desenho de Nogueira da Silva, gravura de Coelho Junior, 1859.
Imagem: Archivo Pittoresco, Hemeroteca Digital

E assim se foi caminhando, com tudo a ameaçar derrocada total. A irmandade da Assunção, para não deixar que a igreja se danificasse, fez restauros em 1897.

[...] reproduziremos uma noticia que vem avivar-nos a saudosa lembrança de Liberato Telles, ha pouco fallecido. 

Este distinctissimo conductor de obras publicas, ultimamente agraciado com a promoção ao honroso cargo de conductor principal, organizara uma monographia interessante, como outras que elle deu à estampa, ácerca do edificio e egreja do antigo convento de S Paulo, em Almada, cujas obras de restauração foram, durante bastante tempo, dirigidas por aquclle illustre e benemerito funccionario.

Esta memoria, porém, infelizmente ficou manuscripta, e foi pelo auctor offerecida e enderessada ao conselho superior dos monumentos nacionaes, acompanhada de um magnifico album contendo photographias das fachadas, planta e corte do edificio, onde repousam entre outras, as ossadas de fr. Francisco Foreiro, qualificador do Santo Officio, e confessar de D. Joäo lll, que alli falleceu em 1581, e de D. Alvaro Abranches da Camara, um dos mais valorosos campeões da independencia, em 1640, e heroe das luctas com os hollandezes no Brazil. 

Armas Abranches, segundo a lápide da sepultura da Igreja de São Paulo em Almada.
Imagem: TRAVESSA DOS CONJURADOS

O fallecido Liberato Telles, cujo dedicado amor pelas cousas nacionaes e pelos assumptos artisticos e archeologicos era bem conhecido, pedia que o antigo convento de S. Paulo, theatro do pungente drama da vida de fr. Luiz de Sousa, fosse considerado monumento nacional.

Este magestoso templo que se achava já bastante arruinado, está sendo actualmente reparado por um troço de operários sob a direcção do illustre conductòr de obras publicas, sr. Liberato Telles de Castro e Silva.

Estas reparações foram mandadas fazer pelo governo, para o que muito contribuiu o nosso amigo e conterrâneo sr. Antonio Dionizio Parada.

ver artigo relacionado:  Almada em 1897

Ainda ha pouco, um dos nossos mais illustres investigadores, que tantos e tão relevantes serviços tem prestado à historia da arte nacional, o sr. dr. Sousa Viterbo, chamara sobre este ediñcio antiquissimo as attenções dos estudiosos, na sua interessantisstma Memoria, publicada na collecção das Memorias da Academia Real das Sciencias, intitulada: D. Manuel de Sousa Coutinho (fr. Luiz de Sousa) e sua mulher D. Magdalena Tavares de Vilhena (op. de 60 pg. — 1902).

ver artigo relacionado:  Liberato Teles


Em 1913 está danificada grandemente, tendo sido as imagens atiradas pela ravina ou queimadas. Alguma coisa escapou, mas nada ficou incólume.

Popular "Tio" Resgate explicando a Bíblia no adro da egreja do extincto convento de S. Paulo em Almada, 1911.
Imagem: Illustração Portugueza, Hemeroteca Digital

Em 1934, o Patriarcado de Lisboa adquire a Quinta e o Convento, por intermédio do Cónego José Falcão, para instalação do Seminário Menor, sendo este inaugurado no ano seguinte, a 20 de Outubro de 1935, pelo então Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira, com 41 seminaristas.

O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Gonçalves Cerejeira ao inaugurar o novo seminário de S Paulo, 1935.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

O seu primeiro Reitor foi Monsenhor Francisco Félix, e o primeiro Vice-Reitor, o Padre António de Campos, mais tarde ordenado Bispo.

Por o espaço ser relativamente exíguo para o que se necessitava, logo em 1936 começam obras de ampliação, que foram terminadas e inauguradas em 1938.

Seminário de Almada, Pavilhão novo 01
Imagem: Delcampe, Oliveira

Cumpridas que foram, em 1960, as Bodas de Prata do Seminário, este preparava-se para atravessar o Concílio Vaticano II. No fim deste, em 1965, surgiu uma novidade: o Patriarcado de Lisboa iria criar três zonas pastorais — Santarém, Oeste e Setúbal — com vista à sua elevação a Diocese.

O Seminário de Almada ficou assim plenamente integrado na Zona pastoral de Setúbal.

Os acontecimentos, no entanto, não tomaram um rumo linear:

Seminário de Almada, Um dormitório
Imagem: Delcampe, Oliveira

nas conversações e nas reuniões havidas no seio da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a criação e os limites das novas dioceses, o Cardeal Cerejeira opôs-se a que o Santuário do Cristo-Rei e o Seminário de Almada fossem integrados no território da nova Diocese de Setúbal. 

Seminário de Almada, Vista geral 01
Imagem: Delcampe, Oliveira

A votação então havida foi inconclusiva, com a diferença de um voto a separar os bispos secundantes desta opinião e os seus opositores, para quem tudo o que estava abaixo da linha do Tejo no território do Patriarcado devia fazer parte da nova Diocese de Setúbal.

Vista do Seminário de Almada, Mário Novais, 1946
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian

E assim, a 16 de Outubro de 1975, pela Bula Studentes Nos, do Papa Paulo VI, era criada a Diocese de Setúbal, sem o Seminário de Almada e o Santuário de Cristo-Rei.

No entanto, mercê das insistências do Cónego João Alves, antigo Vice-Reitor do Seminário, que viria a ser Bispo de Coimbra e Presidente da Conferência Episcopal, a Bula trazia a clausula de que as duas instituições só ficariam em administração do Patriarcado "enquanto não se pode providenciar doutro modo". [...] (2)

O interior de um dos pátios do novo seminário de S. Paulo, 1935.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo


(1) Sabugosa, Conde de, Almada pelo conde de SabugosaSerões: revista mensal ilustrada, n° 2, Lisboa, 1905.
Fonte: Hemeroteca Digital 

(2) Seminário Maior de São Paulo.

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