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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sobre os animais que nos ajudam a viver

Embora a industrialização fosse uma realidade em vários países ocidentais, no século XIX, a mecanização dos veículos ainda não era uma prática corrente, pelo que toda a sociedade se estruturava forçosamente a partir da força animal, quer a nível dos processos agrícolas, quer no transporte de bens e pessoas.

Trens de aluguer em Cacilhas, c. 1907.
Imagem: Alexandre Castanheira, Romeu Correia, Memória Viva de Almada, Câmara Municipal de Almada, 1992

A estes animais de tração era exigido um trabalho e um esforço muito superior às suas capacidades físicas, sendo muitas vezes mantidos em condições impróprias e tratados pelos seus proprietários com violência.

O excesso de carga, a permanência durante longos períodos de tempo a temperatu ras excessivas, a carência alimentar e hídrica por largas horas correspondiam a situações correntes no quotidiano urbano e rural [...]

As constantes inquietações com o bem-estar animal refletem-se na implementação de um conjunto de disposições destinadas a minorizar o sofrimento inerente ao trabalho quotidiano. 

Neste sentido, a Sociedade Protetora dos Animais cedeu diversos fontanários a algumas câmaras municipais, em especial na área de Lisboa e Porto, para que os animais de tração podessem saciar a sede.

Sede compassivos para com os pobres animais que vos ajudam a viver, lê-se, à esquerda da imagem, na placa aposta ao bebedouro para os animais, Cacilhas, Leslie Howard, década de 1930.
Imagem: Museu da Cidade de Almada

Curiosamente, após colocação destas infra-estruturas, a população com frequência furtava as torneiras e os baldes colocados nos diversos locais [...] (1)

A Sociedade Protectora dos Animais considerava maus tratos infligidos a animais não humanos os seguintes (artigo 1º, ponto 1º, Sociedade Protectora dos Animaes do Porto, 1911):
a privação de limpeza, alimentos, ar, luz e movimento em relação às leis naturais e sociais da saúde pecuária;
o trabalho excessivo sem descanso ou transporte de cargas excessivas; o obrigar a levantar os animais que caíam com chicotadas;
a exposição ao calor ou ao frio excessivo;
a aplicação de instrumentos que causassem feridas;
a utilização no trabalho de animais feridos ou famintos; 

o transporte de animais para alimentação em condições geradoras de sofrimento; 
a manutenção de animais fechados sem que possam respirar ou movimentar-se, sem comida ou água;
o depenar e esfolar animais vivos ou o seu abate através de métodos que provoquem sofrimento;
a engorda mecânica de aves;
o atiçar de animais uns contra os outros ou contra pessoas;
a exibição de animais magros em sítios públicos;
o abandono na via pública de animais domésticos feridos ou cansados;
a destruição de ninhos;
o cegar de aves canoras;
o atar aos animais objetos que os enfureçam ou causem sofrimento;
o queimar com água ou materiais inflamáveis;
o lançamento em casas de espetáculos de pombas ou outras aves;
a prática de diversões que causem ferimentos ou morte e ainda, a implementação de qualquer ação violenta que conduza a sofrimento por diversão ou maldade 


in Alexandra Amaro e Margarida Felgueiras, op. cit.


(1) Alexandra Amaro e Margarida Felgueiras, Perspetiva Histórica Sobre a Educação e o Movimento de Defesa dos Animais, Escola Superior de Educação de Coimbra, 2013

Informação adicional:

2014-08-29 | Lei (Publicação DR)

Lei 69/2014

Título: Procede à trigésima terceira alteração ao Código Penal, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 400/82, de 23 de setembro, criminalizando os maus tratos a animais de companhia, e à segunda alteração à Lei n.º 92/95, de 12 de setembro, sobre proteção aos animais, alargando os direitos das associações zoófilas [DR I série N.º166/XII/3 2014.08.29 (pág. 4566-4567)]

in Assembleia da República

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Valderozal

Em o Collegio de S. Antam da cidade de Lisboa, hua quinta, ou pera melhor dizer, huma grande vinha, chamada Valderozal [Vale do Rosal], que está na banda dálem, no termo de Almada, limite de Caparica, na freguesia de nossa Senhora do Monte, distante do porto de Cafsilhas, quasi huma boa legoa:

Quinta do Vale do Rosal, 1911 in Ilustração Portuguesa, n° 263 II série.
Imagem: Hemeroteca Digital

fica esta quinta no meyo de huma grande, & estendida charneca; he o lugar todo á roda muy tosco, seco, & esteril, cheyo de sylvados incultos, côtinuado de matos maninhos & de areaes escalvados, escondido em valles, cercados de brenhas , cubertos de pinheiraes bravios, de zimbros, de tojos, & de outros frutices sylvestres:

Carta chorographica dos terrenos em volta de Lisboa (detalhe), 1814.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

he o sitio mais accommodado pera caças de monteria, que pera morada de gente culta, & por isso muy frequentado de corças, & veados, infestado de lobos, & de outros semelhantes animaes monteses.

Mas he por outra parte este deserto muy accommodado pera hum sancto retiro os homens, & contemplações com Deos; porque he muy solitario tem estradas, & caminhos muy livres, tem sahidas muy alegres, & entre ellas a principal he a que leva ao mar (que dista da quinta, pela parte do Poente, cousa de meya legoa) pera o qual se déce por humas quebradas entre algumas barrocas, que o tempo, & a corrente das agoas tem abertas.

O caminho do Cruzeiro, Quinta de Vale de Rosal.
Imagem: Histórias da História de Charneca de Caparica no Facebook

Do alto d'estas quebradas se sobe pera algumas assomadas, que tem vistas muy appraziveis, muy largas, & muy fermosas porque se descobre todo este grande valle, que começa quasi ao pé da montanha de Palmela, & se vay estendendo ate Nossa Senhora do Cabo, & dahi volta pera Caparica, & vem a fazer em roda cousa de doze, ou treze legoas;

N. S.ra DO CABO
Virgem Maria defendei dos perigos aos que na
vegaó sobre Augoas do Mar

alem dis­to se descobre daly muita parte da cidade de Lisboa, & se vem montes muy fermosos, como he o de S. Luis, & a serra da Arrábida, que ficam pera a parte do Sueste, & tambem se alcança pera o Noroeste a famosa serra de Sintra; & tem outras villas de longes muy saudosos.

Vems­e tambem huas grandes serranias de arèa, que aly chamam os Medos & vam quasi continuando até huma grande alagoa, chamada Albofeyra, de muita pescari­a, que está como trés legoas da quinta, pera a parte do Sul, caminho de Nossa Senhora do Cabo.

Escarpements formés par le Miocène et Pliocène entre Costa de Caparica et Adissa [Adiça], cliché P Choffat, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

Destas assomadas se descobrem muy largamente as muy estendidas campinas do Oceano Atlantico,que aly vem tributar suas immensas agoas naquella fermosa praya, que se vay estendendo por espaço de seis legoas da ponta da Trafaria, junto a Caparica, até o Cabo de Espichel, a que os antiguos chamaram "caput Barbaricum":

Linha de costa da Torre do Bugio ao Cabo Espichel (fotomontagem).
Observam-se as elevações moinhos do Chibata, Monte Córdova (Serra de S. Luís) e Serra da Arrábida, conforme descrito no Plano hydrographico da barra do porto de Lisboa, Francisco Maria Pereira da Silva, 1857.
Imagem: AVM

& como toda aquella paragem he costa brava, o continuo bater que nella faz o rolo do mar, o quebrar das ondas encapelladas naquellas aréas s­olitarias, a largueza daquellas prayas, a solidão de todo aquelle si­tio, causa por huma parte grandes lembranças, & saudades da gloria aos contemplativos, por outra parte o continuo crecer, & baixar das marés, o rolo do mar, a resaca das ondas, a vista de muy fermosos orizentes, a largueza daquellas immensas agoas, dá grande occasiam pera discorrer na immensidade do creador, & dizer com o Propheta, Mirabiles elationes maris, mirabilis in altis Dominus [Maravilhosas são as ondas do mar; maravilhoso é o Senhor nas alturas, Salmo 92, 4].

Pera este sitio de Valderozal se veyo recolher o Padre Ignacio de Azevedo com aquelle seu esquadram de gente apostada ao martyrio:

Quarenta Mártires do Brasil, no Museu Diocesano de Arte Sacra da Catedral de Las Palmas.
Imagem: Wikipédia

há na quinta algumas casas, humas mais antigas, que já nella havia, quando os Padres a compraram, que foy no anno de 1559. outras que elles fizeram de novo, a saber, hum dormitorio com doze cellas, pera os Religiosos, huma capella muy bem traçada, muy airosa, & capás, por sy, & por suas tribunas (a qual ajudou a fazer Martim Gonçalves da Camara, escrivam da Puridade delRey Dom Sebastiam, por causa do muito que seu irmam o Padre Luis Gonçalves gostava deste sitio, como adiante veremos) (1)


(1) Telles, Balthazar, Chronica da Companhia de Iesu, na provincia de Portugal, Lisboa, Paulo Craesbeeck, 1647

Informação relacionada:
Quinta do Vale do Rosal

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Sobre a questão corticeira de 1911

O Caramujo é um logar no concelho de Almada, á margem sul do Tejo, na bacia que este fórma em frente de Lisboa e conhecida pelo nome de Alfeite. É logar onde se exerce em larga escala a industria corticeira, estando ali estabelecidas muitas fabricas com uma população não inferior a 2:000 operarios corticeiros.

A questão corticeira, os incendios das fabricas do Caramujo.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

A industria corticeira é uma das mais nativas do país, que para a alimentar tem a primeira materia prima; mas pela mais incompreensivel das contradicções, é esta industria a que tem atravessado maiores crises entre nós, não pela falta de materia prima, que abunda, mas por faltas de trabalho ou de remuneração suficiente do mesmo.

Entretanto a cortiça tem largo consumo mundial, por suas varias aplicações, um consumo quasi tão importante como o da borracha, e o nosso país é o maior produtor e exportador desta materia.

Fabrica Villarinho depois do incendio.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Estamos assim em presença de um problema economico por estudar, como tantos outros em nosso país, e cuja solução só se poderá encontrar no desenvolvimento do trabalho nacional para o que são precisos capitaes e saber profissional.

Emquanto não se conseguir este desideratum a nossa industria corticeira será apenas uma industria rudimentar de exportação para o estrangeiro por um valor minimo, e que nos é devolvida depois de manufaturada, nas suas diferentes aplicações, por valor muito maior. Em resumo, é uma mina portuguésa em que os portuguêses só auferem o trabalho do mineiro!

A ignorancia faz desconhecer as riquezas do trabalho, e como a maioria do capital está em mãos de ignorantes, é claro que se retrae para as industrias e procura na agiotagam ou no jogo das bolsas o rendimento de que precisa para não se desvalorisar.

O grande incendio das fabricas de cortiça do Caramujo. A fachada das fabricas incendiadas, foto A. C. Lima.
Imagem: Hemeroteca Digital

Isto é assaz primitivo, mas é, infelizmente, assim entre nós. Este é o estado das industrias em Portugal, incluindo a industria Mãe — a Agricultura.

Como se vê nem as industrias que mais razão tem de existencia no país, como a corticeira, escapam á regra geral, e bem pelo contrario é esta que, nos unimos tempos, nestes tempos de gréves, que estão sendo o pão nosso de cada dia, mais gréves tem levantado.

A ultima deu-se a meio do mes passado em consequencia de uma fabrica, a dos srs. Vilarinho & Sobrinho e de que é tambem proprietarío o sr. conde de Silves, fechar por falta de trabalho.

Francisco Manuel Pereira Caldas, filho de Marcelino José Pereira Caldas e de Maria Joaquina Gomes Vilarinho, nasceu em Monção a 8 de Dezembro de 1844. Era sobrinho de Salvador Gomes Vilarinho. 

Francisco M. Pereira Caldas.
Imagem: GeneAll

Foi um abastado proprietário e industrial de cortiças em Silves e no Caramujo. Militou no Partido Progressista, tendo sido deputado por Silves e por Oliveira de Azeméis. Coube-lhe o Título de Visconde de Silves, que foi criado por D. Luís I, por decreto de 28 de Outubro de 1886. 

Casou-se primeiramente com sua prima, Teresa Gomes Vilarinho, com quem teve duas filhas, e posteriormente com Albertina Moutinho, com quem teve uma filha e um filho. 

Foi-lhe atribuído por D. Carlos I, o Título de Conde de Silves, criado por decreto de 7 de Julho de 1897. Nesse mesmo ano, organizara a visita da família real a Silves. Faleceu em Silves, a 13 de Maio de 1915.

in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia Lda., Lisboa-Rio de Janeiro, Vol. XXIX

Após a morte de Salvador Gomes Vilarinho, em 1883, a empresa de Silves passa a ser administrada pelo seu sobrinho [Francisco Manuel Pereira Caldas]. Na década de 1880 instalou uma unidade produtiva no Caramujo, concelho de Almada.

Em 1911, numa altura marcada por crise, protestos operários e recurso à greve, a fábrica do Caramujo foi encerrada, não resistindo à crise que atravessava o sector. Desfecho igual se verificou na fábrica de Silves, isto no ano de 1915. Francisco Pereira Caldas, acabaria por morrer nesse mesmo ano.

in Grandes empresas industriais de um país pequeno...

Os proprietarios desta fabrica anunciaram com antecipação aos seus operarios que a fechavam, prevenindo-os ainda para procurarem trabalho noutras fabricas, mas estas não os puderam admittir, por terem pouco trabalho tambem pois só funcionavam cinco dias em cada semana.

O chefe Carvalho dirigindo os trabalhos de rescaldo nos armazens das fábricas Fernandes, Villarinho.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Os operarios da fabrica Vilarinho & Sobrinho, na prespetiva [sic] de não terem trabalho, entenderam que o melhor era declararem-se cm greve, o que fizeram na vespera do dia da fabrica fechar, impedindo até que os proprietarios embarcassem uma porção grande de fardos de cortiça em quadros.

A Associação dos Corticeiros da localidade, que tinha intervido para resolver a situação, vendo que não conseguira obter trabalho nas outras fabricas para os operarios desempregados, deixou a estes a liberdade de procederem como entendessem, o que deu em resultado declarar-se a greve de todos os corticeiros de Almada, realisando estes um comicio na Cova da Piedade, insistindo pela admissão dos operarios sem trabalho, nas outras fabricas, isto imposto como ultimatum.

Fabrica Villarinho depois do incendio.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Depois de algumas conferencias com os fabricantes e operarios por intermedio do sr. Governador Civil, conferencias sem resultado satisfatorio para os operarios, estes que se conservavam em comicio, sob a presidencia do operario Bartholomcu Constantino, dispersaram, não sem ter havido acaloradas discussões, terminando a reunião cerca das 7 horas da tarde.

O rescaldo.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Hora e meia depois rompia um pavoroso incendio na fabrica dos srs. Vilarinho & Sobrinho, ateado por varios pontos do edifício, pondo em alarme toda a povoação.

Fabrica Villarinho depois do incendio.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Dos pontos altos de Lisboa e da margem do Tejo foi logo visto o grande incendio, tratando-se imediatamente de enviar socorros assim como do Barreiro e de alguns navios de guerra.

Os socorros que primeiro chegaram foram os dos bombeiros voluntarios de Cacilhas com duas bombas e carro de ambulancias, mas, desgraçadamente, mãos criminosas cortaram as mangueiras, inutilisando o seu auxilio pronto.

O incendio cada vez mais se desenvolvia e não foi sem um trabalho estenuante que se conseguiu localisal-o quanto possivel numa arca de 10:000 metros quadrados, compreendendo a fabrica e barracões de depositos e algumas casas de habitação. Um horror!

O acampamento d'alguns moradores da fabrica incendiada.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Pela madrugada foram presos corno suspeitos dez operarios dos considerados agitadores, incluindo Bartolomeu Constantino, os quaes deram entrada na cadeia de Almada, onde se tem conservado, em consequencia dos operarios corticeiros se oporem obstinadamente a que os presos sejam removidos para Lisboa.

Os corticeiros em frente da cadeia d'Almada a fim de impedir que os presos fossem conduzidos para Lisboa.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Os presos negam em absoluto que tivessem intervido no incendio, alegando que á hora que elle se declarou, estavam em suas casas com a familia. A greve continua sem solução. (1)

Os corticeiros em frente da cadeia d'Almada a fim de impedir que os presos fossem conduzidos para Lisboa.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Lisboa viu na noite de 22 para 23 d'agosto um grande clarão no outro lado do rio. Correu gente para os pontos altos da cidade a vêr o espetaculo e dentro em pouco sabia-se que estava a arder a fabrica de cortiça do Caramujo pertencente ao sr. conde de Silves.

O fogo apparecera em tres partes ao mesmo tempo e com tanta intensidade que se communicou aos depositos situados a dez metros de distancia. Quando os voluntarios d'Almada o quizeram debellar repararam que tinham sido cortadas as mangueiras.

O rescaldo.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Pediram-se logo anciosamente reforços para Lisboa; embarcou muito material d'incendio com cavallaria e infantaria da guarda republicana que foram recebidas com manifestações hostis.

A fabrica ficou totalmente reduzida a cinzas e as auctoridades d'Almada julgando que o incendio era um acto de sabotage, levado a effeito depois do comicio da classe corticeira terminado momentos antes de elle se manifestar, prendeu o agitador operario Bartholomeu Constantino e pouco depois alguns dos seus companheiros.
Bartolomeu Constantino foi um dos anarquistas portugueses mais proeminentes, senão o mais proeminente, no período conturbado da transição entre a Monarquia e a República.

Ao contrário de quase todos os outros revolucionários do seu tempo, que após a queda da monarquia, se foram rendendo às mordomias e corrupção do novo regime republicano, Bartolomeu Constantino manteve sempre uma grande autenticidade de convicções, tendo morrido em 11 de Janeiro de 1916 na mais completa miséria, com 52 anos.

Bartolomeu Constantino.
Imagem: Hemeroteca Digital

Ao longo da vida esteve preso 36 vezes!

Tal como vem descrito no Assento de Baptismo nº 145 do Livro dos Assentos dos Baptismos da Igreja da Nossa Sra. do Rosário da Vila de Olhão (existente no Arquivo de Faro) e confirmado pelos Arquivos do Cemitério dos Prazeres em Lisboa (onde ocorreu o seu funeral), Bartolomeu Constantino nasceu em Olhão, na Rua das Lavadeiras, em 23 de Junho de 1863, filho de mãe solteira, Antónia da Cruz, e de pai incógnito, neto materno de António da Cruz e Rosa da Conceição [...]

Dotado de qualidades oratórias extraordinárias, tornou-se num exaltado apologista da divisão equitativa da propriedade e das riquezas, passando a sua palavra a ser indispensável nos grandes comícios revolucionários da época [...]

Na sua época — a viragem entre o séc. XIX e o séc. XX — assistia-se ao nascimento de sonhos e utopias, mas também de enganos e mal-entendidos.

Em Portugal, os monárquicos resistiam sem fé à deterioração do seu regime, e os republicanos acreditavam ingenuamente que bastaria destronar o rei para, num passe de mágica, o País reencontrar a sua antiga grandeza [...]

Bartolomeu Constantino era um anarquista muito próximo dos possibilistas, que apelava à mudança com um mínimo de violência, através da educação das massas operárias [...]

Devido ao seu esforço, primeiro fundou-se a União Socialista, em 1899, e depois a Federação Socialista Livre, em 1901 [...]

Em 1903 Bartolomeu Constantino deixa Lisboa e segue para o Algarve, onde aparece ligado ao Grupo "Libertos", de Faro.

Viu-se envolvido nos incidentes ocorridos nesta cidade, em Fevereiro de 1904, por ocasião da visita do primeiro-ministro João Franco.

Acusado de ser organizador destes distúrbios, é preso em Junho de 1904, na Associação Marítima, onde residia e, posteriormente, julgado em Olhão no dia 4 de Agosto.

É defendido por Afonso Costa (várias vezes futuro primeiro-ministro de Portugal durante a 1ª República) que se desloca ao Algarve [...]

Passa a viver em Setúbal, onde instalou em 1906 um estabelecimento de comidas e bebidas e, em Junho de 1908, fixa residência em Almada (Mutela) onde participa activamente nas lutas sindicais da Federação Corticeira.

Teve um papel muito importante nesta região, durante a revolta que conduziu à proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 [...]

Após a República, promove o primeiro Congresso Anarquista português de 11 a 13 de Novembro de 1911 [...]

Regressa a Lisboa, sendo a sua última morada uma loja do Beco da Ricarda, nº 4, na freguesia do Sacramento.

Quando morre em 11 de Janeiro de 1916, na mais completa miséria, a emoção nas classes operárias foi enorme [...]

in Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão

Quando na manhã seguinte os quizeram enviar para Lisboa o povo e os corticeiros da região agglomerados diante da cadeia mostraram que o impediriam a todo o transe, transigindo n'este ponto o administrador do concelho.

O administrador do concelho sr. Raul Pires conferenciando com commandante e alguns officiaes da forças da guarda republicana.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

As outras fabricas da localidade foram logo cercadas por forças da guarda republicana, afim de impedirem tentativas da parte dos operarios que unanimemente negam o delicto que lhes imputam.

As patrulhas da guarda Republicana impedindo a passagem.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Os prejuizos na fabrica do sr. conde de Silves são avaliados em duzentos e cincoenta contos de réis que teem de ser pagos na sua quasi totalidade pela Sociedade Portugueza.

No dia seguinte a associação de classe dos corticeiros reuniu em Marvilla e n'um protesto contra as accusações feitas aos seus companheiros, e ás sua prisões, deliberou fazer a gréve geral e desde logo a começou.

As ruínas da fábrica de Villarinho.
Imagem: Hemeroteca Digital, Illustração Portugueza, 4 de setembro 1911

Reclamou um inquerito rigoroso, repelindo toda a acção n'um acto que continua a não considerar como de sabotage. (2)


(1) O Occidente, revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, n.° 1177, setembro, 1911
(2) Illustração Portuguesa, n.° 289, Lisboa, Empreza do Jornal O Seculo, 1903- , setembro, 1911

Artigo relacionado:
A visita do sr. ministro


Informação adicional:
A cortiça nos debates parlamentares da nação portuguesa (1839-1899)

sexta-feira, 13 de março de 2015

A visita do sr. ministro

No forte de Caxias estão presas 93 pessoas, e presos estão também o Afonso Costa, o João Pinto dos Santos, o Ribeira Brava, etc. A policia desandou então a prender a tôrto e a direito. O José de Figueiredo que mora no Campo de Sant'Anna, por cima da esquadra, ouviu isto: Ao telefone, o chefe da esquadra para o governo civil: — Já prendemos quatro. — Prendam mais. — Era preso quem passava na rua [...], 30 de janeiro de 1908

Na travessia do Tejo, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

— Na noite do regicidio fui ao Paço, com o Campos Henriques. O Julio de Vilhena, a quem procurei em casa, não foi porque lhe faltava um botão na braguilha. Assisti a tudo: tiraram o rei e o principe de dentro do carro.

O rei de Portugal e o príncipe herdeiro morrem assasinados em 1 de fevereiro de 1808 (detalhe),
Le Petit Journal, 16 de Fevereiro.

O rei estava disforme. A rainha, se tinha dito alguma coisa desagradavel ao João Franco no Arsenal, no Paço não lhe disse palavra. A Maria Pia perguntava de quando em quando: — A morte do rei será muito sentida? — Estava tudo preparado para uma revolução. O Afonso Costa não deu o signal porque esperava a morte do Franco.

O desembarque em Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Pormenor absolutamente authentico: o João Franco ainda se ofereceu para governador civil de Lisboa [...], 3 de fevereiro de 1908

O desembarque em Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Dias mais tarde havia sujeitos que se chegavam á beira das pessoas que deitavam luto e perguntavam-lhe com ar de troça: — Então morreu-lhe alguem da familia?...

O desembarque em Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O Correia d'Oliveira: — Se visse!... Quasi ninguem tirava o chapeu quando o enterro passou... A sombra do rei comeu, sumiu a do principe. Tem-se distribuido muitos papeis com estes dizeres: "Morte aos Sanguinarios Afonso Costa, Alpoim, Ribeira Brava, os Verdadeiros Assassinos DE EL-REI E DO PRINCIPE REAL". E outros, escriptos á machina, atribuindo o crime a este e áquelle [...], 11 de fevereiro de 1908 (1)

A multidão aguardando o ministro na villa de Cacilhas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O sr. ministro da justiça no concelho de Almada

O sr ministro da justiça percorrendo a quinta, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O ministro da justiça visitou hoje a quinta do Rosal que pertenceu aos jesuítas e está hoje encorporada nos bens nacionaes.

As ruinas da casa da quinta e da capella incendiadas pelo povo nos dias da revolução, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital

O povo d'Almada fez uma grande manifestação ao sr. dr. Affonso Costa que se demorou a vêr a antiga propriedade da Companhia e que é excellente. (2)

O sr ministro da justiça contemplando as ruinas, Joshua Benoliel, 1911.
Imagem: Hemeroteca Digital


(1) Brandão, Raul, Memórias, Vol. I, Porto, Renascença Portuguesa, 1919
(2) Illustração Portuguesa, n.° 263, 6 de março 1911

terça-feira, 21 de outubro de 2014

SFUAP, origens, teatro e escola

Sociedade Filarmónica União Artística Piedense, desde 1889.

Cova da Piedade, piscina da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense, c. 1970.
Dimensões, em metros: comp. máx., 25; larg. máx., 21; larg. mín., 16; prof. mín., 1,20; prof. máx., 5,40; alt. máx. das pranchas de salto, 15.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

A Sociedade Filarmónica União Artística Piedense é a segunda mais antiga do concelho, e foi fundada a 23 de outubro de 1889.

Sociedade Filarmónica União Artística Piedense, 23-10-1889.
Imagem: AVM

Foram seu fundadores: Domingos da Saúde, Daniel Andrade, José António Gomes, António Pais Padrão, Manuel Tavares, António Xavier de Araújo, Carlos Ayrens [Ahrens], António Pedroso, Francisco Caramelo e Artur Ferreira Paiva.

Decorridas algumas semanas foi inaugurada a primeira sede instalada no sul do Jardim Público da Cova da Piedade, na chamada "Casa do Freitas". (1)

As origens desta colectividade remontam à velha colectividade "Sociedade Filarmónica União Artística do Caramujo" *  [...] com sede na Rua Direita do Caramujo.
* Sociedade Filarmónica 23 de Julho Caramujense, c. 1876, cf. Centro de Arqueologia de Almada, Cova da Piedade, Património e História, Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 2012.
Neste local funcionou também o antigo "Theatro do Caramujo".

Por volta de 1890, fundava-se o "Theatro Almeida Garrett", também conhecido por "Theatrinho na Cova da Piedade" [...]

Situado onde hoje está instalado o actual Cine-Teatro da "Sociedade União Piedense", tinha sido antes uma adega, propriedade de Pompeu Dias Torres, dono do "Hotel Club" e da maior parte dos terrenos da comunidade piedense. [...]


Hotel Club da Cova da Piedade
Imagem: Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, Freguesia da Cova da Piedade

José Joaquim Correia, ao instalar naquele local uma casa de pasto, que passou a ser conhecida pelo "75", teve a feliz ideia de aproveitar a retaguarda para montar o teatro.

Para isso foi constituída uma sociedade por acções populares, de que foram principais accionistas: António José Gomes. José Joaquim Correia, José Vicente Gomes Cardoso, Joaquim Caetano Veríssimo, José Figueiredo, Manuel Marques "das C"aeiras", Joaquim José Vieira, Sargento Paulo (dos torpedeiros), António Vicente Pais Padrão (industrial corticeiro), mestre António Maria Ribeiro, Carlos Ahrens, António Gonçalves, Joaquim Gonçalves e Alfredo Sandeman.

O primeiro espectáculo no "Theatro Garrett" foi composto pelo drama "O Gaspar Serralheiro" e a comédia "Por causa dum clarinete". [...]

Cova da Piedade, Cine-Teatro da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

António José Gomes comprou o referido edifício em 1898 e alugou-o à Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (desde 1901), com a renda mensal de 10$00 [sic] a troco de uma quota associativa daquele. Consta que a casa foi alugada por António José Gomes a um cunhado seu, Carlos Ahrens (também fundador da S.F.U.A.P.), na condição da colectividade manter a Banda Filarmónica. [...]

Alguns anos mais tarde, face às inúmeras carências de instrução que afligiam a população, a colectividade enveredou pela instrução, criando uma escola primária [na antiga Cardosa do Caramujo, actual rua Tenente Valadim,] com aulas diurnas para as crianças (na sua maioria, filhos de operários cortíceiros) e nocturnas para adultos. [...] (2)

Alunos da Escola União Piedense, inaugurada em outubro de 1904 na Cardosa.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

[...] Três semanas após a abertura desta escola, as aulas tinham uma frequência de 110 alunos, lecionados pelo saudoso professor José Martins Simões. Esta obra realizou-a o esforço de alguns ardorosos sócios. A escola possuiu um estandarte próprio, que era o enlevo da garotada, e um grande benemérito desta terra, que foi António José Gomes, de tal modo perƒilhou esta obra, que vestiu mais uma centena de alunos, dando-lhes um ƒardamento.

Os filhos da Piedade, que hoje são homens, devem a esta escola a instrução que disfrutam! António José Gomes patrocinou a escola que aquele punhado de homens criou, e sendo exígua já a capacidade das salas da Sociedade para a regular frequência escolar, edificou aquele benemérito a escola situada na Avenida que tem o seu nome e que é a melhor de todo o concelho!

António José Gomes, década de 1890.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

Este estabelecimento de ensino, foi. pois inspirado pela iniciativa que teve o seu campo de ensaio — e que profícuo ensaio! — na Sociedade Filarmónica União Artística Piedense. (3)

Escola Primária António José Gomes, inaugurada em 1911, projecto do arquitecto Adães Bermudes.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial


(1) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.

(2) Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.

(3) Dias, Jaime Ferreira, citado em Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Moinho do Mesquitela

Designava-se por Mesquitela o moinho de maré e respectiva caldeira, situados entre a Mutela e o Caramujo.

O Tejo em frente do Caramujo, Revista Illustrada, fotografia de A. Lamarcão, gravura de A. Pedroso (editada), 1892.
Referencia: Toscano, Maria da Conceição da Costa Almeida, A fábrica de moagem do Caramujo património industrial
Imagem: Fernandes, Samuel Roda, Fábrica de molienda António José Gomes

Mais precisamente, a caldeira ocupava o espaço hoje tomado pelo ultimo quarteirão do lado nascente da rua Manuel Febrero, ficando o Moinho sobre a actual avenida Aliança Povo M.F.A..

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal, José Maria das Neves Costa, 1813 (detalhe)
Imagem: Instituto Geográfico do Exército


A sul da caldeira ficavam as valas alimentadas pelas águas do ribeiro da Mutela (o que corre pelo vale de Mourelos) e pelas águas de maré. 

A passagem entre as valas e a caldeira era "a ponte", nome que ainda hoje é lembrado.

Cova da Piedade, Arnaldo Fonseca, 1890
Imagem: Boletim do Grémio Portuguez d’Amadores Photographicos *

Desde o século XVII, e até fins do século XVII, moinho e caldeira diziam-se dos Costas, por pertencerem aos Costas, armeiros mores do reino.
O moinho de maré só funcionava na vazante. Nas enchentes os três rodízios estavam parados, e a comporta abria com a força da água que entrava na caldeira.
A água da caldeira mantinha-se represada, aguardando o período da vazante para que os rodízios se colocassem em movimento. Abertos os acessos aos rodízios, estes giravam produzindo energia para as mós triturarem os cereais.

in Flores, Alexandre M., Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1990, 318 págs.

O moinho de maré da Mutela já existia pelo menos no século XV, com base numa carta de venda datada de 1497, de umas casas e marinhas na praia da Mutela [...]

in Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial (1847 -1909), Cova da Piedade, Junta da Freguesia, 1992, 175 págs.


5
Barcos dos Moinhos
Barques elles transportent des molins de l'autre côté
de l'eau les farines pour la Ville
Imagem: Souza, João de, Caderno de Todos os Barcos do Tejo, Sociedade de José Fonseca, 1785
Passaram a designar-se por Mesquitela após a atribuição em 1787 do Título de Visconde de Mesquitela ao Armeiro-Mor D. José Francisco da Costa e Sousa, que casara coma filha primogénita e herdeira do 1.° Visconde de Mesquitela.

Em 1883 o inglês Jorge Taylor, maquinista da moagem do caramujo, aforou aos Mesquitela a caldeira e terrenos vizinhos. 

Este mesmo Jorge Taylor, em 1907, fez doação de parte da propriedade ao seu patrão, António José Gomes, o industrial da moagem do Caramujo, recebendo em troca uma pensão de 10.000 réis por mês.
Quando em 1907 Jorge Taylor fez doação da propriedade, declarou na escritura que trabalhava na moagem havia mais de quarenta anos.
Sendo ele o conductor da máquina a vapor da moagem muito provávelmente desde a instalação, conclui-se que a moagem dispunha da máquina desde cerca de 1866.
A propriedade, cedida a António José Gomes, destinava-se, em parte, à construção da escola primária.

 A escola, a primeira que teve a Cova da Piedade, foi inaugura da em 1911, e tem o nome de António José Gomes, então já falecido.

Escola Primária António José Gomes, inaugurada em 1911, projecto do arquitecto Adães Bermudes.
Imagem: Flores, Alexandre M., António José Gomes: O Homem e O Industrial

A caldeira e o moinho estavam em 1910 na posse de Manuel de Jesus Silva que pagava 50.000 réis de foro aos herdeiros do conde de Vila Franca; depois, cerca de 1911, foram arrendados ao industrial José Alves da Silva, por nove anos.

A caldeira desapareceu, por entulhamento, cerca de 1920 e o moinho foi demolido quando se abriu a estrada de Cacilhas à Cova da Piedade [a partir de 1947]. (1)

O Tejo em frente do Caramujo, Revista Illustrada, fotografia de A. Lamarcão, gravura de A. Pedroso, 1892.
Referencia: Toscano, Maria da Conceição da Costa Almeida, A fábrica de moagem do Caramujo património industrial
Imagem: Fernandes, Samuel Roda, Fábrica de molienda António José Gomes



(1) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs.

Leitura adicional:

Toscano, Maria da Conceição da Costa Almeida, A fábrica de moagem do Caramujo património industrial, Vol I , Lisboa, Universidade Aberta, 2012, 16.37 MB.


Fernandes
, Samuel Roda, Fábrica de molienda António José Gomes, Lisboa, Universidade Lusíada, 2013.


domingo, 20 de abril de 2014

O Domingo no Tejo

Aos Domingos a Lisboa que durante uma longa semana, mourejou  na fábricas, nas oficinas, nos estabelecimentos de comercio, procura sempre que póde, e principalmente quando chega o Verão, com os seus dias grandes e belos desencalmar-se nos suburbios, encher os pulmões de ar tonificante, deliciar-se na contemplação sonhadora dos extensos horisontes e refazer as energias que o contacto com a natureza apura e exalta... (1)


(1) Ilustração Portuguesa, 1911 (?) Lisboa, Empreza do Jornal O Seculo, 1903-
Fonte: Olhai Lisboa