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sábado, 7 de janeiro de 2023

Taludes do Almaraz

Observaram-se em diversos levantamentos alguns desmornamentos mas estes apenas ocorreram a partir da face rochosa do trecho escarpado superior, não afectando a respectiva crista. Evitaram-se os locais que se sabia terem sido alterados por interferência directa do Homem (escavações para adoçamento da crista, sobre o Olho de Boi, ou para alargamento de plataformas, sobre o Ginjal).

Olho de Boi, João Vaz, 1887.
Museu Nacional Soares dos Reis

O único caso de recuo efectivo de um trecho de escarpa ocorreu a meia encosta entre Boca do Vento e Fonte da Pipa, em 1992 e, por ser do conhecimento prévio do autor, foi facilmente detectado no levantamento de fotografias aéreas de 1994.

No mesmo local, ocorreram em datas posteriores àquele levantamento outras ocorrências (a partir de Janeiro de 1996) e, como aquele, associadas a uma mesma camada rochosa que formava uma consola de grande balanço.

Derrocada parcial do talude fronteiro à Fonte da Pipa
Cristo Rei, ed. Bazar Mumi n° 218.
Delcampe Bosspostcard


Em relação ao trecho de escarpa contínua entre Cacilhas e Arialva, o tipo dominante de movimento de terrenos consiste em quedas de blocos a partir das paredes verticais ou sub-verticais, onde as camadas mais rijas formam consolas postas em destaque pela erosão diferencial dos estratos confinantes mais brandos, inferiores e superiores (...)

A ocorrência em 1992, 1996 e 1997, de quedas de blocos de grande volume (várias dezenas de metros cúbicos) concentrando-se no trecho entre Boca do Vento e Fonte da Pipa, justifica-se pela presença, nesse local, de um espesso banco calcário a calcarenítico formando consolas com cerca de 3 m de balanço. Muito próximo deste trecho, um pouco a oeste, registe-se a queda, em 1968, de um bloco de cerca de 150 toneladas sobre as instalações da antiga Companhia Portuguesa de Pescas.

Perfil geológico simplificado do trecho de taludes entre Castelo de Almada e o Seminário de São Paulo, sobre Olho de Boi, desenhado sobre fotografia tomada a partir da margem oposta
cf. Pedro Lamas, Os taludes da margem sul do Tejo, 1998

A maior parte destas ocorrências tem a sua origem, quase sempre, a meia altura da escarpa, não sendo visíveis os seus efeitos no total deste sector. Da escarpa, destacam-se blocos aproximadamente prismáticos ou em diedro, no caso do maciço se encontrar compartimentado por diaclases oblíquas à sua parede.

Registe-se, ainda, um talude sobranceiro ao cais do Ginjal, coberto por depósitos de vertente espessos, onde ocorreu um escorregamento que obrigou à realização de obras de estabilização importantes (...) (1)


(1) Pedro Lamas, Os taludes da margem sul do Tejo, 1998

Artigos relacionados:
Fonte da Pipa e sua água
Fonte da Pipa e seu caminho
Sítio de Olho-de-Boi

sábado, 9 de julho de 2022

O prédio azul

À beira cais, sobressaía o imponente prédio construído na década de 1850, com a sua fachada frontal forrada de azulejo azulado por debaixo do qual através da entrada pela porta com o no 52, se tinha acesso não só à habitação do primeiro piso mas também acesso por outra porta ao espaço existente no piso térreo, onde em tempos existiu a Taberna do “Luis dos Galos”, para além da escadaria ao fundo do corredor por onde se chegava ao Pátio do Ginjal.

O prédio azul no Cais do Ginjal.
O Pharol n° 47, dezembro 2021

Todo o 1° piso do prédio destinado a habitação constituía um só fogo com 8 assoalhadas e nele residia o encarregado dos armazéns e sua família. Anos mais tarde, no início da década de 1930, a firma CR&F, procede à mudança dos seus armazéns para outro local situado mais além na direcção poente do cais do Ginjal. Com a deslocação do encarregado, todo o 1° andar ficou vago, vindo a ser arrendado a uns inquilinos que nele instalaram a “Pensão Bom Gosto” que ali funcionou até ao limiar dos anos 50.

 O prédio azul no Cais do Ginjal.

Com o encerrar da pensão, a empresa proprietária do imóvel, decidiu proceder a obras de remodelação do 1° piso, de modo a adaptá-lo para duas habitações sendo aberta na fachada defronte ao cais, uma porta com o n° 50, pela qual se subia por escada, ao 1° Esq°, enquanto a habitação do 1° Dt° manteve a antiga entrada pela porta localizada ao início do interior do corredor do Ginjal. (1)

maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008

Em breve descrição, e segundo o testemunho de Júlia Capelo, o Pátio do Ginjal, situava-se nas traseiras do prédio sobranceiro ao rio, distribuído numa plataforma elevada junto ao sopé da escarpa da arriba fóssil.

Confinava com um outro patamar mais elevado, a que chamavam Quinta do “tio João” também com algumas casas onde viviam duas figuras populares do Pátio: o “tio João do Ginjal” e o “António Pescador” com sua família.

A Quinta do Tio João.
O Pharol n° 47, dezembro 2021

O seu acesso ao Pátio, era feito pela entrada do no 52 no cais do Ginjal, seguindo-se um corredor que finalizava em escadaria de pedra a que se seguiam dois lances de degraus em madeira até se chegar ao Pátio.

Corredor do Ginjal. De regresso, Manuel Abranches, 1953.
Plano Focal n° 4, Hemeroteca Digital de Lisboa

Há referências que desde o séc. XVII, já neste local existia um núcleo de pequenas habitações ocupadas por gente ligada sobretudo à faina de pesca no rio Tejo. (2)


(1) Luis Bayó Veiga, Maria Julia... O Pharol n° 47, dezembro 2021
(2) Idem

Tema: Ginjal

Leitura relacionada:
O Pharol n° 34, O Ginjal “porta a porta” 1a parte: Da “Fonte da Alegria” ao “Grémio”
O Pharol, n° 35 O Ginjal “porta a porta” 2a parte: Do “Grémio” ao “Corredor do Ginjal”
O Pharol n° 36, O Ginjal “porta a porta” 3a parte: Do “Corredor do Ginjal” ao “Ponto Final”

sábado, 7 de maio de 2022

Caldeirada à Fragateiro

O vapor da carreira dá signal, e a primeira escuma escachoa-lhe das rodas, no instante em que rente do caes uma fragata passa, com uma especie de deus marinho á ré, puxando a vela, emquanto o resto da companha desvia com arpões o costado da pesada traquitana, e o cão de bordo agita a cauda aos flavores da caldeirada que no convez refoga alegremente, sobre um lumareu jovial de pinho e d’urze. (1)

Vapor no Tejo (detalhe), Alfredo Keil 1890.
Casario do Ginjal

Os meus avós maternos foram, ele fragateiro e ela cozinheira do melhor restaurante de Caldeirada à Fragateiro, no Ginjal em Cacilhas, o Gonçalves.

Fragata do Tejo em frente ao cais do Ginjal.
Arquivo Municipal de Lisboa

Gostaria de comentar que nesta caldeirada não entrava a batata. Como elementos principais apenas o que era pescado no Tejo, a cebola e o tomate.

O peixe era basicamente o safio, a raia e a tremelga, a que chamavam "galinha do mar", a irós, o xarroco e, às vezes, corvina quando apareciam "enjoadas" à tona da água.

Lisboa vista do Cais do Ginjal, Cacilhas (detalhe), Horácio Novais.

O cozinhado era feito num alguidar de barro que mais tarde passou a ser em tacho, também de barro. Os ingredientes eram colocados em camadas, a cebola, o tomate e o pescado, por esta ordem e tantas quantas fossem, dependendo do número de comensais e não se mexia, apenas se girava (agitava) o recipiente. (2)


(1) Alfredo de Mesquita, Lisboa Illustrada, 1903
(2) Fernando Castro (comentários) em Receitas e Menus .net

Artigos relacionados:
Fragatas e varinos do Tejo
Restaurantes do Ginjal
Caldeirada à Pescador
etc.

Leitura relacionada:
Memórias de fragateiros... As embarcações tradicionais do Tejo Memórias de fragateiros Carlos Mateus de Carvalho Evolução das diferentes tipologias no período de 1785 a 1978...

Fragateiros no cinema:


quarta-feira, 16 de março de 2022

Costa Almirante (o Nélson)

Agora ali, no rio, obedecendo às ordens do Almirante, logo nas primeiras remadas tive remorsos da minha leviandade. A pobre da Ermelinda à minha espera, cheia de problemas, e eu embarcado no escaler, remo entre mãos, a escutar as baboseiras do Costa, que ficava maluquinho quando se via no posto de comando.

Pequenas embarcações do Tejo junto a navio de guerra.
Arquivo Municipal de Lisboa

A sua farda de marinha, os gales dourados, o chapéu-armado, as duas medalhas de cobre a baloiçarem no peito. Mesmo sabendo que as condecorações as ganhara ele como sargento, na Primeira Guerra Mundial, tudo ali me parecia fora do tempo em que nos situávamos.

Os gritos de comando, os apitos histéricos, os ralhos quando não fazíamos o que ele queria, transformavam a tripulação do escaler num bote de doidos. Os quatro remadores eram tratados por "marujos" (...)

O Rainha Vitória singrava agora a direcção do navio-almirante, o couraçado Nélson, para lhe prestar as honras do estilo.

O Costa exigia disciplina na remada, cabeça e ombros direitos, pás dos remos bem metidos na água e puxadas ao peito. A maré estava a fazer carneirinhos, a voltar à vazante, vindo constantes borrifos refrescar a tripulação.

HMS Nelson
off Spithead for the 1937 Fleet Review
Wikipedia

— Marinheiros! Quando eu ordenar Ninguém rema! — avisou o Costa — a marinhagem prepara-se para a saudação a navio-almirante.

Já da outra vez que alinhei nestes trabalhos fora a mesma manobra diante da esquadra francesa. Que felicidade experimentava o meu vizinho nestas manhãs no Tejo! O rosto bolachudo, bigode e perinha, olhos pequenos e mortiços, enquadrados naquele fardamento carnavalesco, davam-Ihe um ar de ter fugido de um hospital de doidos (...)

Atenção! Ninguém rema! ordenou o nosso comandante. Suspendemos a remada e erguemos os remos. O escaler ainda navegou por momentos, sereno, deixando-se arrastar na maré. Diante de nós tínhamos a enorme montanha de aço, o casco do mastodôntico Nélson.

O Costa retirou o chapéu da cabeça, no que foi imitado por todos nós, e rompeu com os hurras! — três vezes as nossas boinas se ergueram numa gritada saudação. Olhando para a parte superior do casco do couraçado não descortinámos um inglês sequer.

Eramos como uma pulga a saudar um elefante. O Costa tossiu, teve um esgar de decepção, e disfarçou, colocando o pomposo chapéu na cabeça. A marinhagem imitou-o sem palavras, mas ainda esperançada a aparição de gente do Nélson, que nos acenasse um leve adeus.

De súbito, lá do alto, dois vultos debruçaram-se na amurada e vazaram, sem a mínima cerimónia, um latão pejado de imundícies. Cordas líquidas de porcaria desceram na direcção do nosso escaler, borrando-nos, sem piedade.

HMS Nelson
Members of the South African Royal Naval Volunteer Reserve
Wikipedia

Cabrões! Filhos da puta! berrou o nosso Almirante, perdendo a compostura. Num instante ficámos irreconhecíveis, imundos de óleo e de outras coisas, que a nossa afição não permitia que avaliássemos. O Rainha Vitória bailou por momentos com o entulho e o nosso pânico, caindo o Alberto ao rio agarrado a um remo.

As nossas caras e vestes estavam nura lástima, havia borras sobre tudo o que era branco e colorido, parecíamos uma visão de pesadelo. Recolhido o nosso companheiro que fora pela borda fora, tentámos passar por água as partes mais atingidas pelas borras. As mãos, a cara, os punhos dos remos, foram chapinhados com água salgada. Não havia palavras para classificar aquele percalço naval, que nos atingira naquela hora.

Depois dos palavrões, enraivecidos, soltados pelo Costa Almirante e a retirada do filho do Tejo, blasfemou o Fernando, com lágrimas na garganta:

— Se tivesse um torpedo aqui afundava este sacana! Mas o Vitor, cheio de bom senso, aconselhou que talvez fosse melhor afastarmo-nos da vizinhança do Nélson, pois corríamos o risco de sermos bombardeados com outro despejo.


Todos, incluindo o comandante, anuímos na retirada. Remos ajustados nos toletes, pás metidas no rio, cada um fazia o derradeiro esforço de regresso ao Cais do Ginjal.

Cais do Ginjal, Amadeu Ferrari, década de 1940.
Arquivo Municipal de Lisboa

A cara do Costa trazia estampado todo o estigma de malogro. Atirava com o chapéu-armado para o fundo do escaler, sacudia ainda pedaços de sujidade das orelhas, do bigode, do pescoço, cuspia, enojado, gostos estranhos que he apareciam no paladar. Pequenos barcos a remos ou à vela, que se cruzavam connosco, admiravam-se do nosso aspecto desastroso. E ouvimos alguns gritos trocistas, à laia de conselho:

— Declara guerra à Inglaterra, ó patriota!

Respeitado pela idade e a compostura cívica quando o viam em terra, aquela malta ao vê-lo agora sujo e maltratado no rio, vingava-se, cobarde e traiçoeira. Eram como punhaladas no Costa tais dichotes da canalha da praia. E, sem aparente reacção, rosnava para os nossos ouvidos:

A escumalha está como quer! Cavalo-marinho no lombo é o que vocês precisam! (...)

Cais do Ginjal, 1935.
Romeu Correia, O Tritão, Lisboa, Editorial Notícias, 1982

Aproximámo-nos do cais, onde os dois turcos de ferro esperavam o escaler para tê-lo içado durante os dias necessários. Alguns curiosos aguardavam a abordagem do Rainha Vitória, que sempre proporcionava um esper táculo fora do comum. Não pudemos evitar desta vez mais risos e chacota entre os que estavam na muralha.

Na varanda, a D. Preciosa gritava, aflita: Que vos aconteceu, ó Costa?

Logo o Rui que, embrulhado num xaile, estava por detrás da mãe, comentou, divertido: Foram bombardeados, dona Preciosa! (1)


(1) Romeu Correia, Cais do Ginjal, Lisboa, Editorial Notícias, 1989, 188 págs.

Informação relacionada:
Colóquio/Letras, Romeu Correia, O Tritão, Editorial Notícias, 1983
Colóquio/Letras, Romeu Correia, Cais do Ginjal

Tema:
Romeu Correia

segunda-feira, 14 de março de 2022

Costa Almirante (o Rainha Victória)

Costa Almirante, que, sendo caixa no Montepio geral, tinha a loucura da Marinha de Guerra, pois construira um escaler e fixara dois turcos de ferro na borda da muralha para arriar ou subir a embarcação. Aos domingos e dias santos, o "caixa" fardava-se de almirante e embarcava escoltado por quatro marujinhos, seus filhos.

Chegada a Lisboa de S. M. Maria Pia de Sabóia (detalhe), João Pedroso, PNA.
Google Arts & Culture

Ordens de comando, apitos de ordenança, remos ao alto em continência, tudo isto como num barco de guerra, o pai e os quatro rapazes exibiam nessa manhã um espectáculo no rio até a mulher por termo ás manobras, aparecendo, na varanda, a gritar:

— Ó Costa vem almoçar! A comida está na mesa!... (1)

Ao passar junto da casa do Sabino Costa parei para observar mais uma vez o escaler "Rainha Victória" suspenso nos dois turcos de ferro implantados å beira da muralha. Os quatro remos, o leme e o pequeno mastro, o Costa Almirante os havia recolhido, a recato de invejosos e ladrões.

Este vizinho era inconfundível no Cais do Ginjal, nenhum como ele animava as manhãs de domingo e alguns feriados, escaler descido nas águas do rio, ele fardado de almirante de opereta, marujinhos seus filhos aos remos, e toda a equipagem a navegar Tejo fora, cumprindo ordens do pequeno e ridículo comandante.

Chegada a Lisboa de S. M. Maria Pia de Sabóia (detalhe), João Pedroso, PNA.
Google Arts & Culture

Um filho-remador, obrigado pelo capricho paterno a cumprir a heróica tarefa matinal, mantinha-se casmurro não aprendendo a nadar. O menino Rui era a única ovelha ronhosa daquela família de marinheiros que, no caso de naufrágio, desceria às profundezas como um solitário prego.

Panorâmica dos armazéns da Sociedade Theotónio Pereira e conjunto habitacional privado (n.os 53 a 64).
Boletim O Pharol 40


O pai sofria, tentando na muralha e nas areias do Ginjal, com colete-de-cortiça, corda e outros apetrechos de protecção, que o rapaz se afoitasse sobre a massa líquida do rio. Mas tudo em vão. Era este falhanço, o maior, que maculava a carreira náutica do caixa do Montepio Geral. (2)


(1) Romeu Correia, O Tritão, Lisboa, Editorial Notícias, 1982, 174 págs.
(2) Romeu Correia, Cais do Ginjal, Lisboa, Editorial Notícias, 1989, 188 págs.

Informação relacionada:
Colóquio/Letras, Romeu Correia, O Tritão, Editorial Notícias, 1983
Colóquio/Letras, Romeu Correia, Cais do Ginjal

Tema:
Romeu Correia

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

À margem do rio, Manuel Tavares Junior

Manuel Tavares é uma figura algo lendária, porque pouco se sabe sobre a sua vida pessoal, exceto que nasceu no Couto de Cucujães (concelho de Oliveira de Azeméis), no ano de 1911, e que faleceu no ano de 1974.

Vista do Tejo e de Lisboa a partir de Almada, Manuel Tavares Junior, 1963.

... distinguiu-se como paisagista, tema em que se destacam as marinhas e a ria, e também como retratista de trechos citadinos. Das muitas exposições que realizou individualmente há que realçar as que tiveram lugar em Lisboa, no ano de 1942, em Almada (1961), Coimbra (1936).

Cista de Cacilhas (Ginjal), Manuel Tavares, 1950.
Cabral Moncada Leilões

Das mostras coletivas em que participou, os destaques vão para as ocorridas na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa (1950 e 1952), a primeira Exposição dos Artistas de Aveiro (1970), a Grande Exposição dos Artistas Portugueses (1935) e ainda exposições realizadas em Lisboa (1952, 1966 e 1974), Almada (1961), Faro (1968), Matosinhos (1953 e 1963) e Porto (1935).


Olho de Boi - Beira Tejo, Manuel Tavares, 1960
Cabral Moncada Leilões

Manuel Tavares está representado em diversos museus, nomeadamente no Museu Soares dos Reis (Porto), de Aveiro, de Beja, de Faro e de Matosinhos, bem como em coleções privadas, portuguesas como estrangeiras. (1)


(1) Cardoso Ferreira, Aveirense ilustre – Manuel Tavares, aguarelista de renome internacional, 2017

Artigo relacionado:
À margem do mar, Manuel Tavares Junior

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Fábrica moderna para produção de óleo de fígado de bacalhau

A Sociedade Nacional dos Armadores do Bacalhau [SNAB] completou a construção de uma nova fábrica para produção de óleo de fígado de bacalhau no Ginjal, Cacilhas, no município de Almada.

Ginjal, vista aérea c. 1960.
OBSERVADOR

A fábrica consiste em três edifícios: (1) o laboratório, escritórios e edifícios administrativos; (2) a própria fábrica; e (3) abrigo para tanques de armazenamento.

Vista da entrada da fábrica. À direita, o edifício administrativo; à esquerda, a fábrica, vista leste.
Commercial Fisheries Review nr. 65, November 1955

A capacidade de produção é de cerca de 30 toneladas de matéria-prima por oito horas diárias, variando de acordo com o número de tratamentos efectuados.

Vista do armazém. Abriga tanques metálicos para armazenamento.
Commercial Fisheries Review nr. 65, November 1955

A capacidade de armazenamento é de aproximadamente 1.100 toneladas, de acordo com um despacho de 30 de agosto da Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa.

Interior da fábrica mostrando os tanques de operação.
Commercial Fisheries Review nr. 65, November 1955

A fábrica está equipada para neutralizar ácidos gordos livres; limpeza e secagem; desodorização parcial; filtragem; e extração de estearinas e outros resíduos. Tratamentos ainda mais especializados podem ser realizados no futuro.

Interior dos armazéns que abrigam os tanques de armazenamento.
Commercial Fisheries Review nr. 65, November 1955

A fábrica está ainda equipada com uma grande secção para encher, rotular e embalar as garrafas com um nível elevado de produção e pode processar o óleo de fígado de bacalhau para qualquer uso conhecido, seja para nutrição humana ou animal. (1)

Outra vista do interior da fábrica.
Commercial Fisheries Review nr. 65, November 1955

Um importante documento que, possivelmente, marca o início da distribuição do óleo de fígado de bacalhau nas escolas, sobretudo para os alunos mais carenciados, constitui a Circular nº 2628 de 4 de Janeiro de 1956. Como consta nessa circular que chegou às escolas naquele ano:

"Os serviços da Direção Geral do Ensino Primário, estão a distribuir pelas cantinas escolares do Distrito, elevado número de frascos de óleo de fígado de bacalhau, destinado a completar a alimentação das crianças pobres que são beneficiadas por aquelas instituições. Em cumprimento de despacho superior determina-se aos senhores diretores das cantinas citadas: 

1º.) - que promovam seja efectuada pelos agentes de ensino a conveniente propaganda no sentido de se ensinar aos estudantes a utilidade do uso do óleo de fígado de bacalhau; 

Rótulo para frasco.

2º.) - sejam conservados, cuidadosamente lavados, os frascos do óleo, depois de vazios, tendo em conta a futura utilização; as embalagens devem ser cuidadosamente conservadas; 

3º.) - que informem diretamente a Direção sobre a data do recebimento, número de frascos e despesa que, porventura, tenham efectuado com o transporte."

Crianças de Bradford Inglaterra tomam dose de medicamento.
PostcardEddie

Segundo as fontes consultadas, distribuía-se o óleo de fígado de bacalhau “DÓRI”. Este óleo era dado diariamente na sala de aula aos alunos com vista ao melhoramento da sua condição nutricional e de saúde. (2)

Embalagem.


(1) Commercial Fisheries Review nr. 65, November 1955
(2) Monica Truninger, A evolução do sistema de refeições escolares... 2012

Artigo relacionado:
O Grémio

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

J. Marciano, Tanoaria e Estabelecimento de banhos no Ginjal

É um cidadão duma gordura hyperbolica o meu amigo J. Marciano. Antes do alvorescer da mocidade, já elle movia entre as mãos infantis arcos e aduelas. A julgar pelos seus olhos pequenos e vivos, que ainda hoje scintillam de alegria e bom humor, devia ser um rapaz endiabrado. Com o tempo e o trabalho o corpo, na sita forte musculatura, engrossou de tal sorte, como que avolumando-se segundo a forma dos productos da sua industria, que hoje parece um pequeno tonel. 

Cais do Ginjal, Óleo, Alfredo Keil
Casario do Ginjal



J. Marciano, porém, apesar da grande materia ponderavel, que a natureza houve por bem justapor em camadas adiposas á sua estructura, conserva ainda uma grande agilidade do movimentos, é sempre o primeiro a apparecer na sua tanoaria, onde trabalham dezenas de operarios, e nunca o sol ao nascer o apanhou na cama.

É um gosto vêl-o. em mangas de camisa, ao raiar d'alva, defronte d'esse bailo horisonte do Ginjal, que tem por fado as dentadas ameias graníticas da serra de Cintra, e no primeiro plano a magnifica foz do Tejo cristalino, é uma delicia vêl-o a destacar-se na penumbra crepuscular como um collosso de bronze, porque elle é trigueiro como um Beduíno. 

Dá as suas ordens a sessenta, oitenta, cem operarios, e toda aquella engrenagem viva de intelligencia  e vontades entra em movimento methodico, regular, preciso, como as rodas d'uma machina. É sobretudo distincto como elle mantem a desse o modo, a disciplina do trabalho. 

Nunca, no meio de tantos operarios, e n'um dos lugares mais afastados do centro do povoado, houve a minima desordem. Os operarios de J. Marciano seguem o exemplo do patrão; em regra pode dizer-se que são os mais bem comportados de Almada. 

Fabricam-se n'aquella tanoaria toneis dama grandeza collossal ao pé dos quaes o meu é como a cabana do pescador junto do Kremelin, por hypothese.

Já, em noite de borrasca, eu e uma caravana de rapazes fomos surprendidos por um d'estes aguaceiros de verão, que despejam sobre as cabeças torrentes de chuva em que se rasgam as cataratas do ceu; e salvou nos um desses toneis monstruosos, que não tinha ainda os tampos, e em que entramos á vontade, como na Arca de Noé. 

Mas a actividade industrial de J. Marciano não se limita, nem se podia limitar, a fazer toneis. Sendo o Ginjal uma das mais pitorescas margens do Tejo, lembrou-se de construir ali um chalet para banhos. 

Lisboa vista do Ginjal, Alfredo Keil.
Casario do Ginjal

Dito e feito. Tudo o que havia de carpinteiros e pedreiros em disponabilidade no concelho de Almada marchou logo para dar começo á portentosa fabrica, e em menos de tres meses uma longa casaria branca flanqueada de elegantes ogivas envidraçadas, surgia como por encanto sobre a arenosa praia do Ginjal. 

Dentro ha banhos de todas as qualidades, deste a torrente, que e despenha dos altos rochedos, até a simples "douche", desde o banho russo, ou a vapor, até á delicada immersão em urna de marmore em tepida agua perfamada. 

J. Marciano fez e ezornou aquillo com um gosto verdadeiramente oriental.

Avultam as estatuas de alabastro nos mosaicos dos nichos das piscinas; tranças de flores de nacar suspendem da aboboda de crystal petriticações marinhas, conchas das mais bellas reverberações prismaticas, naiades e ondinas, de fôrmas voluptuosas, destacam nadando no ether dos frescos das paredes; plantas aquaticas de largas folhas avelludadas fluctuam em vasos collossaes de porcelana; todo o que o requinte da arte e do luxo póde inventar para deleite da vista o do olfato ali se ostenta como palacio de fadas. 

Por isso tambem os banhos do Ginjal são boje os mais concorridos de damas, donzeis e trovadores. Fazem-se ali n'estes dois meses proximos futuros sonetos, odes e poemas, como nunca os fez a antiga Arcadia Portugueza. 

Vidal já cantou aquella praia em redondiiba maior, e Florencio Ferreira sagrou-lhe na harpa magoada uma das suas mais harmoniosas endechas. 

Vapor da carreira de Cacilhas, 1890, Óleo, Alfredo Keil
Casario do Ginjal



Este anno consta-nos que ha de descer para aquellas bandas do Tejo uma constellação de poetas. J. Marciano recebe-os a todos de braços abertos, e é muito capaz de lhes abrir a torneira da fonte Castalia de qualquer dos seus mais bojudos toneis de Malvasia. (1)


(1) Diário Illustrado, 26 de julho de 1882

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

petit cabanon

Tendo como base a obra "petit cabanon", de Le Corbusier, o objectivo deste trabalho era a projecção do nosso próprio cabanon, com uma área interior máxima de 16.00 m2, sem limites de área exterior.

maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008

Para cumprir a área exigida chegou-se a um módulo de 5.00m por 3.20m, que será repetido quatro vezes longitudinalmente, seguindo a direcção do rio Tejo e, consequentemente, a direcção das casas existentes junto à margem do rio.

O tema do projecto baseia-se na contemplação da cidade de Lisboa sobre o rio Tejo e na ligação entre ambos, dando-se a ilusão de que o espaço interior é maior do que na realidade o é, dando continuidade à cobertura e ao pavimento.

maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008

O segundo módulo do projecto é exactamente o prolongamento do pavimento e da cobertura, que se transforma numa pala apoiada por dois pilares nas suas extremidades.

maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008

O terceiro módulo é constituído por um pequeno tanque e o quarto por um deck que termina numa parede que possui duas funções, a primeira é abrigar o espaço do vento e a segunda é torná-lo um local mais íntimo. (1)


(1) maria bello, cais do ginjal, portugal, 2008 (Archinect people)

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Ninette

O baptismo do "inrigger" do Ginásio Clube do Sul, construído em Cacilhas [...]

Inrigger do Ginásio Clube do Sul, Ninette, Baptismo, 1926.
Museu de Marinha

Foi-lhe atribuído o nome de "Ninette".

Inrigger do Ginásio Clube do Sul, Ninette, Baptismo, 1926.
Museu de Marinha

A cerimónia a que assistiram várias individualidades realizou-se pelas 14 horas do dia 14 de março de 1926.

Inrigger do Ginásio Clube do Sul, Ninette, Lançamento à água, 1926.
Museu de Marinha

Lançamento à agua em Cacilhas do inrigger "Ninette" [...]

Inrigger do Ginásio Clube do Sul, Ninette, Lançamento à água, 1926.
Museu de Marinha

Construido no Ginjal, no estaleiro do desportista Augusto Salgado, que também dirigiu a respectiva construção.

Inrigger do Ginásio Clube do Sul, Ninette, Treino no Rio Tejo, 1926.
Museu de Marinha

Tripulações de embarcações do Ginásio Club do Sul, treinando-se no rio Tejo. É a "Ninette". (1)

Inrigger do Ginásio Clube do Sul, Ninette, Treino no Rio Tejo, 1926.
Museu de Marinha

Prova de mar da guiga "Ninette", do prestigiado Ginásio Clube do Sul, descendo o Tejo, entre a antiga Fábrica Symington & C.ª e o Farol de Cacilhas, em 14 de Março de 1926. 

Inrigger do Ginásio Club do Sul, Ninette, reprodução de foto original de F. Santos (1926).
Colecção de Alexandre Flores

Na imagem, da esquerda: António Carbone, Tomaz Raimundo da Silva, Hernâni Jorge da Silva, Manuel da Luz "Maçangão" e Augusto Salgado.

Com a modalidade do remo, o Ginásio Clube do Sul obteve uma série de triunfos dignos de menção, entre os quais: a "Grande Travessia de Lisboa" (1929), onde a equipa de remadores estabeleceram o "record" de fundo de 9. 260 mil milhas; a valiosa taça "Dr. Manuel de Arriaga", disputada em "in-riggers" de 4 remos, durante 4 anos consecutivos; o campeonato de "out-riggers" de "g", na Figueira da Foz (11 de Setembro de 1927), onde a equipa apenas com um treino na véspera da corrida, com um barco emprestado da Associação Naval 1.º de Maio da F. da Foz, alcançou o 1.º lugar. 

A equipa vencedora do Campeonato Nacional do Remo na Figueira da Foz era constituída por: António Carbone (timoneiro), João Jurado (voga), Domingos R. Pinto (7), António Nunes (6), José Antunes (5), Carlos Henriques (4), Hernâni Jorge da Silva, Aurélio Joaquim (2) e Américo Morais. (1)

(1) Museu de Marinha
(2) Alexandre Flores

Artigo relacionado:
Ponte dos vapores da Trafaria

Leitura relacionada:
Fernando Barão, Henrique Mota, Ginásio Clube do Sul - 75 Anos de Glória, 1995

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Álvaro e Pedro, no Tejo (1977-1983)

Álvaro Martins Homem (1941), Argus (1983-94). Arrastão de aço, construído no estaleiro da Companhia União Fabril, Lisboa (C107), em 1941, para SNAB, Sociedade Nacional dos Armadores do Bacalhau.

"Estuário do Tejo - Cais do Olho de Boi 1984 - 3 atuneiros da Empresa de Pescado do Algarve; 4 arrastões da CPP da classe ALMADA; 4 arrastões da SNAPA da classe ILHA DE SÃO VICENTE; os arrastões PEDRO DE BARCELOS e ÁLVARO MARTINS HOMEM, da SNAB" cf. Navios à vista, edição Santuário do Cristo-Rei, Henrique Santos

Custou 6.285.345$92, equipado e com o motor foi avaliado em 10.835.345$92. Foi registado em Lisboa a 12 de Julho de 1941, com o nome de Álvaro Martins Homem, com o número G419 e com o indicativo CSGV.

Arrastão Álvaro Martins Homem entra em Leixões nos anos cinquenta.
Os Arrastões do Bacalhau (1909-1993)

O navio tinha 1.250,15 tab e 623,26 tal. O casco tinha de comprimento 65,70 metros, 71,13 de comprimento ff, 11,04 de boca, 5,00 de pontal e 5,23 de calado. Estava equipado com um motor Diesel, marca Fairbanks-Morse, tipo 37D16 fabricado em 1940, de 7 cilindros, a 2 tempos e com a potência de 950 HP. 

Aspecto inicial do arrastão Álvaro Martins Homem.
Os Arrastões do Bacalhau (1909-1993)

Com um hélice, o navio atingia a velocidade de 11 nós. Dispunha de tanques para 392 m3 de Diesel Oil e capacidade para 1.314,6 m3 de peixe salgado, ou sejam 18.008 quintais de bacalhau.

Arrastão Álvaro Martins Homem.
Baseado no desenho nº1154 dos estaleiros Navais da CUF, 1939, existente Museu de Marinha
Os Arrastões do Bacalhau (1909-1993)

Era tripulado por 8 oficiais e 64 outros tripulantes. Realizou a primeira campanha em 1941, capitaneado por José Nunes de Oliveira. Foi autorizado a realizar viagens de comércio de 14 de Setembro de 1942 a 15 de Fevereiro de 1943. A 8 de Janeiro de 1946 recebeu o número LX-10-N320. Em 23 de Fevereiro de 1956 as arqueações passaram a ser 1.256,43 tab, 596,91 tal e 1.510 tm de porte. Foi suprimida a capacidade de arrasto a bombordo e substituído por alojamentos em 1964?. O parque da pesca foi coberto em 1971?. As arqueações passaram a ser 1.250,15 tab e 623,26 tal.

Sociedade de Reparações de Navios, Lda.
Duas Pátrias, julho de 1954

A partir de 1977 foi imobilizado no Tejo aguardando a transformação para a pesca com redes de emalhar. Em 23 de Março de 1983 foi adquirido pela Parceria Geral de Pescarias, Lda.

Arrastão Álvaro Martins Homem no Cais do Ginjal.
Arquivo Municipal de Lisboa

Em 28 de Setembro de 1983 foi registado em Ponta Delgada com o nome de Árgus e com o número PD-449-N. Foi transformado em navio de pesca com redes de emalhar com quatro lanchas e parcialmente congelador em 1989 para 223 toneladas, para a qual foi pedido um subsídio321. Apesar da modificação, manteve os aros de arrasto e o guincho. Em 6 de Setembro de 1989, foram averbadas as arqueações 1.255,26 tab e 586,26 tal. Voltou à pesca em 1989, capitaneado por Armando Vieira Lau. A 7 de Setembro de 1993 regressou da última viagem. Foi demolido em Alhos Vedros. O registo foi cancelado em 5 de Abril de 1994. (1)

Pedro de Barcelos (1945), Labrador (1983-1993). Arrastão de aço construído no estaleiro da Companhia União Fabril (C118) em Lisboa, em 1945, para a SNAB, Sociedade Nacional dos Armadores do Bacalhau.

Arrastão Pedro de Barcelos a pescar nos anos cinquenta. já equipado com radar.
Os Arrastões do Bacalhau (1909-1993)

Foi lançado em 12 de Maio de 1945, juntamente com o João Álvares Fagundes. Custou 7.011.150$00, equipado e com o motor foi avaliado em 18 mil contos. Foi registado em Lisboa em 7 de Agosto de 1945, com o nome Pedro de Barcelos, com o número LX-17-N e com o indicativo CSDL. O navio tinha 1.269,45 tab, 660,27 tal e 1.430 tm de porte bruto. O casco tinha de comprimento 66,05 metros, 71,45 de comprimento ff, 64,00 entre pp, 11,03 de boca, 5,00 de pontal e 5,45 de calado. Estava equipado com um motor Diesel, marca Mirrless, com o nº 5882/42, fabricado em 1944, de 8 cilindros e com a potência de 950 HP a 250 rpm. Com um hélice de 4 pás, o navio atingia a velocidade de 11 nós. Dispunha de tanques para 431 m3 de Diesel Oil e capacidade para 1.327,4 m3 de peixe salgado, ou sejam 18.183 quintais de bacalhau.

Era tripulado por 7 oficiais e 66 outros tripulantes. Realizou a primeira campanha 1945, capitaneado por José Nunes de Oliveira. Foi instalado um novo motor Diesel em Halifax, da marca Cooper-Bessemer tipo LS8DR, nº 3861, fabricado em 1947, de 8 cilindros e 300 rpm. Com 1.000 BHP e 12 nós de velocidade. O motor original foi montado no navio de pesca à linha Sam Tiago então em construção para a SNAB. Em 2 de Maio de 1953, foram averbadas as alterações do aparelho motor. Em 8 de Maio de 1964, foram averbadas as seguintes alterações, resultante do fecho da borda a bombordo a ré, 1.399,31 tab e 736,88 tal. O motor passou a sobrealimentado e com 1.320 BHP. Em 15 de Junho de 1976 foram averbadas as arqueações, resultante do fecho do parque de pesca, para 1.458,24 tab e 781,39 tal.

Foi imobilizado no Tejo em 1977, após incêndio que lhe destruiu a ponte. Não voltou a navegar. Foi vendido à Parceria Geral de Pescarias em 26 de Março de 1983.

Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau.
Duas Pátrias, julho de 1954

Foi registado em 28 de Setembro de 1983 em Ponta Delgada como Labrador e com o número PD-450-N e com as novas arqueações, 1.299,80 tab e 662,86 tal. Foi pedido um subsídio para modernizado e conversão em navio para a pesca com redes de emalhar. A quota de pesca na NAFO, deste navio foi usada pelo Neptuno. Foi pedido o seu abate 1986330. Em 25 de Maio de 1993, foi considerado demolido, por Baptista & Irmão, Lda. (2)

(1) Ricardo Lisboa da Graça Matias, Os Arrastões do Bacalhau (1909-1993)
(2) Idem

Artigos relacionados:
O Grémio
Sítio de Olho-de-Boi

Mais informação:
Pedro de Barcelos (Museu Maritimo de Íhavo)
Álvaro Martins Homem (Museu maritimo de Íhavo)
Frota da pesca do bacalhau em 1946
A pesca do bacalhau, Duas Pátrias, julho de 1954