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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Barca Isabel

Impedidos por negocios de momento, não podemos corresponder ao obsequioso convite do Sr. José Antonio Pereira Serzedello, distincto e mui estimado negociante desta praça, proprietario da barca Isabel, que da praia de Porto-Brandão, onde acabava de ser construido, devia correr para as aguas do Téjo no Domingo passado, 8 deste mez.

Barca Isabel, 1851.
"Janêllos" da História: Os Serzedello

Não presenceámos, portanto, o luzido espectaculo, a numerosa concorrencia, que appresentou nesse dia aquella parte da margem do sul do rio , e de que fizeram individuada relação alguns jornaes da capital, como a Lei e a Nação.

Constou-nos que não faltára coisa alguma ao esplendido da funcção, realçada pela afabilidade do proprietario do navio, que fez servir uma copiosa e variada collação aos seus amigos e convidados , não obstante o desgosto causado pela suspensão da barca na carreira, contra toda a expectativa.

Lisboa vista do Porto Brandão, James Holland, 1837, 1838 ou 1847.
Museu de Lisboa

Oxalá que fosse este o unico dissabor! Porém, somos informados de que no dia immediato, tentando-se dar impulso ao navio por meio da força braçal, rebentou o aparelho, ficando tão maltratados quatro homens, que ainda se acham em perigo de vida.

Porto Brandão, à esquerda do Tejo.
Ateneu Livros

O Sr. Serzedello sentiu-se tão commovido, que perdeu os sentidos, mas, tanto elle, como pessoas de sua familia, desveladamente se empenharam em prestar os auxilios ao seu alcance neste desastroso successo.

Barca [Brigue] Viajante (João Pedroso, atrib.).
Invaluable

Por conta do Sr. Serzedello se está construindo, no mesmo local de Porto-Brandão, um brigue, que será denominado Viajante. (1)


(1) Revista Universal Lisbonense, 12 de setembro de 1850

Artigos relacionados:
A casa da Quinta da Oliveira
Serzedello & Ca., Laboratorio Chimico na Margueira
O laboratório químico da Margueira
Indústria química

Mais informação:
"Janêllos" da História: Os Serzedello

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Brigue Pedro Nunes

O cahimento de hum navio no mar, hé o acto mais solemne que tem a marinha, e sem entrarmos agora nessa demonstração, conhece-se desde logo a sua importância e belleza, pelo afan com que o publico em todos os paizes do mundo civilisado concorre a presencia-lo attrahido por quantas maravilhas o mesmo acto, e o navio comprehendem. 

Brigue Pedro Nunes, João Pedroso Gomes da Silva, 1857.
Palácio Nacional da Ajuda

Com effeito a scena da fuga, ou ausência daquelle volume inerte e pesadíssimo, que se move como animado de força própria, ou impellido por mãos de fadas, hé tão singular, e produz na alma sensações tão gratas e novas, apesar de esperadas, que nos extasiam. 

Por pequeno que hum navio seja, hé sempre grandíssimo em relação ao individuo (homem) que o ha de tripular, e fazer mover pelo mechanismo da roda do leme que o ajuda a dar-lhe direcção: duzentas toneladas, por exemplo que hé só a parte que hum pequeno navio immerge, corresponde ao volume e peso de dois mil e seiscentos homens; e hé hum homem só, nesse acto do lançamento ao mar, que parece dar-lhe o primeiro impulso, para a carreira que o leva a fender o fluido que o ha de sustentar na posição conveniente ao seu arriscadíssimo e aventuroso serviço.

Na sua carreira fumegante, como que se despede para sempre da terra que o vio levantar-sc pouco a pouco d'entre hum montão de madeiros dispersos a destacados, sem figura alguma regular, até ao admiravel aggregamento delles, que, á primeira vista nada tem de commiim entre si, e donde resulta a final aquelle composto das mais bellas formas, das mais graciosas linhas curvas em tão diversos planos, dos contornos mais elegantes e variados, que apresenta o lindo casco de hum navio bem construído; onde só ha de rectilinea a quilha, na construcção moderna, pois na antiga era esta também curva: 

"Que a morte intimam com fragor horrendo, 
De longe ás curvas quilhas." 

como descreve o nosso Diniz [Ode a Vasco da Gama].

Que esmero no calafeto do fundo, que segurança no cavilhame das cavernas e braços, na pregadura do costado, e do forro impermeável ao filtramento de qualquer gola d'agua; que união nas taboas do convés e cobertas, que meio engenhoso e solido de fixar os váus, dormentes, e trincanizes?!

Como de tantos milhares de partes disparatadas e heterogeneas, se compoz hum todo movel em todos os sentidos, invariavel na sua forma, qualquer que seja a posição que occupe, e resistindo ao choque poderosíssimo das ondas encapelladas sem se desconjunctar?! 

Admirável cousa na verdade, e tanto mais admirável, quanto mais se medita na perfeição e complexo desta machina chamada navio, onde todas as artes, e sciencias que a industria e intelligencia humanas imaginaram, são necessárias para o acabamento e desempenho a que se destina.

Navio de guerra disse o imaginativo creador da Revolução de Setembro, era em si "idéa, espada e caminho"! Sim, hé "idéa, espada e caminho"; e só a sua idéa podia compor esta definição que resume quanto o mesmo navio significa, tripulado e conimandado por quem entenda e falle correctamente a lingua do militar marítimo.

Brigue Pedro Nunes (detalhe), João Pedroso Gomes da Silva, 1857.
Palácio Nacional da Ajuda

Dois navios de guerra, pois, ainda que pequenos, cahiram no dia 21 de junho de 1850 ao mar, dos estaleiros do arsenal da marinha de Lisboa, em presença de milhares e milhares de espectadores!

O menor delles que hé a escuna Angra riscada pelo sr. Moraes, parece-nos poder desde já affirmar que ha de servir bem e nobremente ao seu fim; quanto ao de maior lote, o brigue Pedro Nunes aguardaremos as provas que a experiência der, para fazermos juizo do seu mérito como navio de guerra. 

No entre tanto, mais doas flâmulas portuguezas tremularão nos seus topes por esses mares, e talvez vão ainda a remotas plagas mostrar de novo a intrepidez e sabedoria que n'outras eras tanto distinguiram os Vascos da Gama, os Joões de Castro, os Antonios Galvões, os Farias, e os Magalhães. 

Talvez, dizemos nós, porque não hé só nos grandes navios que se realisam navegações arriscadas, nem tão pouco só nas batalhas de muitas náos e fragatas que se mostra a valentia e audácia dos. homens de guerra, como bem o demonstrou o capitão Pevrieux na noite de 16 de agosto de 1801 a bordo da canhoneira Volcan contra Nelson no ataque de Boulonha, e o nosso destemido Quintella na curveta Andorinha contra a fragata franceza Chiffonne perto da Bahia no dia 19 de maio de 1801.

Cabimento do Pedro Nunes e da escuna Angra.

— Relatando porém o facto de hoje, diremos que ás duas e três quartos da tarde, que era a hora do preamar, deviam estes dois navios cahir na agua, mas como se esperasse por El-Rei até ás quatro, e a maré começasse a baixar, sem que o mesmo senhor apparecesse, permittio Sua Alteza o sr. Infante D. Luiz que o brigue Pedro Nunes partisse em quanto podia nadar; e com effeito elle escorregou admiravelmente pela carreira, deixando os milhares de espectadores maravilhados do modo por que fez aquelle trajecto, e fluctuou sobre as aguas do Tejo que tão fagueiras lhe lambiam o costado. 

Pouco depois chegaram Suas Magestades, El-Rei e seu augusto pai com toda a real familia que assistiram ao cahimento da escuna Angra, a qual ainda mais veloz que o Pedro Nunes levantou pelo attricto dos cachorros na carreira, hum fumo immenso, efendeo as aguas do mesmo Tejo, com huma velocidade de 10 a 12 milhas, cercando-se de cachões de espuma alvíssima que a rapidez do sulco produzio. 

O corpo de marinheiros da armada com a sua musica, achava-se postado entre os dois estaleiros com a frente para o mar, a companhia de guardas marinhas com correias, armas e bandeira fazia a guarda de honra a Suas Magestades, como em tão solemne acto sempre se praticou; o arsenal estava apinhado de curiosos de ambos os sexos e de todas as classes e jerarchias; o reducto da inspecção, era occupado pela corte e ministros estrangeiros com suas famílias; no cáes da mesma inspecção havia hum toldo e cadeiras para os altos funccionarios e membros das camaras legislativas; as janellas da sala do risco e da escola naval foram offerecidas e franqueadas a muitas senhoras que as adornaram com a sua presença e beldade, terminando a funcção ao aprazimento de todos, e sem o menor transtorno ou desgosto, o que hé de bom agouro para os navios que lhe deram causa, e aos quaes desejámos o melhor e mais patriótico futuro. (1)

Brigue Pedro Nunes (detalhe), João Pedroso Gomes da Silva, 1857.
Palácio Nacional da Ajuda

Nascido em 31 de outubro de 1838 [o infante D. Luiz], um anno depois do senhor D. Pedro V, e obedecendo á vocação precoce, assentou praça na armada aos oito annos de idade, e foi nomeado guarda marinha em 9 de outubro de 1846.

Promovido ao posto de segundo tenente em 19 de maio de 1851, ao de capitão tenente em 29 de outubro de 1854, e ao de capitão de fragata em 24 de março de 1858, encetou com menos de vinte annos a vida do mar, assumindo em 12 de setembro de 1857 o commando de brigue Pedro Nunes, e cruzando na costa de Portugal desde o dia 18 de janeiro do seguinte anno, sujeito em tudo como simples official ás obrigações e á responsabilidade do serviço naval. (2)


(1) Joaquim Pedro Celestino Soares, Quadros navaes, 1861
(2) Coroa poética no consorcio de suas magestades fidelissimas... 1862

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A casa da Quinta da Oliveira

D. Francisco de Noronha (1863-1953), fidalgo de quatro costados — e dos quais não blasona — é um ancião de 85 anos, que vive no seu solar modesto de Cacilhas, contiguo aos terrenos que foram dos condes Assumar e dos marqueses de Alorna, integrados na casa Mascarenhas, e que há pouco passaram, e em boa hora, para a Camara Municipal de Almada.

A casa de D. Francisco de Noronha (Prédio do Gato).
Alexandre M. Flores, Almada antiga e moderna, Freguesia de Cacilhas, CMA, 1985

D. Francisco, de memória viva, metido entre os seus livros — que são alguns preciosos — as suas evocações, os seus constantes escritos literários que dispersa, generosamente — conheceu Bulhão Pato. Foi da sua privança.

D. Francisco de Melo e Noronha (1863-1953).
Espólio AIRFA (InfoGestNet)

— Como não ser? Meu tio, que foi juiz desembargador, legou-me esta minha pobre casa, que ele comprara aí por 1872. Por aqui tenho vivido. (1)

*
*     *

É sempre um prazer encontrar alguém interessado como nós em conhecer os antepassados. Na nossa família existe uma geração em que se sabe ter havido escritura ante-nupcial, em que se estipulava a conservação e prioridade do apelido Netto, num casamento cerca de 1820, em S. Paulo de Almada (meus tetra-avós). também encontrei Assentos de Baptismo, Casamento e Óbito desde cerca de 1580; aliás os assentos só passaram a ser obrigatórios nessas datas. 

Muito do restante foi encontrado em enciclopédias, História de Portugal de Alexandre Herculano, Torre do Tombo e tradição oral e familiar. (2)

Almada, Casa do Gato, posteriormente Externato Liceal de Almada (Externato do Gato), década de 1960.
Casario do Ginjal

É interessante que haja uma certa continuidade da ideia da ascendência judaica, pois o meu trisavô Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1827-1859), [filho de Isidoro de Oliveira Carvalho nascido em Secarias, Arganil, 1 de abril de 1776 e falecido em Almada no ano de 1849 e de Ana Moreira Netto nascida em Vilela, Paredes, 5 de julho de 1799 e falecida em Almada no ano de 1851, ], tinha uma Estrela de David por cima do portão de entrada da sua casa em Almada [Quinta da Alegria, anteriormente dita dos Bixos?]

[Da descendência de Isidoro de Oliveira Carvalho (1776-1849) e de Ana Moreira Netto (1799-1851), para além de Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1827-1859), conhecemos ainda Maximiana Isidora Oliveira Netto, nascida na Quinta da Oliveira, Almada, em 23 de abril de 1832, que casou em 2 Fevereiro 1850, em S. Tiago, Almada, com António Carlos Pereira Serzedello, e Feliciana Isidora Oliveira Netto, nascida também na Quinta da Oliveira, Almada, em 24 de outubro de 1833, que casou em 14 Abril 1850 com José Eduardo Pereira Serzedello (v. mais informação sobre os Pereira Serzedello).]

Antiga residência de D. Francisco de Noronha, década de 1970.
Alexandre M. Flores, Almada antiga e moderna, Freguesia de Cacilhas, CMA, 1985

O meu bisavô Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1850-1883) casou com uma senhora, que também devia ter ascendência judaica e dos 6 filhos que tiveram, 3 tinham nomes judaicos, Moisés Levi, Henrique Samuel e Esther. Um primo que ainda conheci era Levi Jenochio. 

No entanto foram sempre educados na religião católica, com muita abertura de espírito! O filho varão mais velho continuava a tradição do nome e apelido, meu avô José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1875-1960) (3)

Á noite deu sr. presidente da camara [Bernardo Francisco da Costa, no domingo, 1 de novembro de 1874, por ocasião dos festejos da inauguração Chafariz de Cacilhas] um baile esplendido ás pessoas das suas relações, tendo-lhe prestado para esse fim a sua casa o seu intimo amigo o sr. Isidoro Netto [Isidoro de Oliveira Carvalho Netto], por ser mais espaçosa do que a de s. ex.ª.

Retrato de Bernardo Francisco da Costa
Galeria dos Goeses Ilustres

Tudo foi deslumbrante n'esta reunião de pesssoas de amisade, primeiro que tudo a amabilidade dos donos da casa, depois a animação do baile, a profusao do serviço; em fim não ha phrases com que se descreva o que ali se passou. 

O baile terminou ás 6 horas da manhã. As toilettes eram em geral de muito gosto. A ex.ª sr.ª D. Luiza Costa tinha um lindo vestido de faie azul claro enfeitado de ramos de flores; — da mesma côr vestia a ex.ª sr.ª  D. Amelia Affonso com toda a elegancia propria da sua ingenuidade; a ex.ª sr.ª D. Amalia Tavares vestia de veludo preto por estar de luto, era rico o seu vestuario; — sua irmã a ex.ª sr.ª   D. Henriqueta Tavares Marques tambem vestia de damasco preto, uma rica toitette; a ex.ª sr.ª   D. Maria José Collares trajava um rico vestido de setim côr de rosa, com enfeitos pretos; — da mesma cõr em damasco, com enfeites brancos, e rendas de França era a toitette da ex.ª sr.ª   D. Izabel Affonso: emfim todas as senhoras estavam elegantissimas. — Foi um baile esplendido na verdadeira significação da palavra. (5)

José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto (1875-1960) nasceu às 20h00 do dia 2 de Junho de 1875, na Rua da Oliveira em Cacilhas, numa casa conhecida por "Casa do Gato".

José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto
(Almada 02-06-1875 – Lisboa 10-01-1960)
Ser Benfiquista

O pequeno José era filho de Isidoro de Oliveira Carvalho Netto, proprietário, natural de Almada e de Dona Júlia Amélia Freitas Netto, doméstica e natural da freguesia de Nossa Srª dos Anjos em Lisboa.

Nasceu no seio de uma família abastada mas quis o destino que na sua meninice a sua família entrasse em falência num processo de garantia para um banqueiro chamado Moura Borges. (4)

Foi educado na Casa Pia, frequentou as Belas Artes de Lisboa, o curso de Escultura com 20 valores, com Anatol Calmels e Jose Simões de Almeida, tio, seus professores. Foi seu colega Simões de Almeida, sobrinho.

As suas obras foram premiadas com Medalhas de Bronze e Prata, em 1895, 1896 e 1898. Em 1910 recebe o Prémio Valmor. Foi bolseiro em Paris de 1909 a 1911. Na Exposição Madrid de 1912 recebeu a comenda de Isabel a Católica. Possui ainda medalha de Ouro da exposição do Rio de Janeiro 1923.

Professor de Desenho da Escola Nacional e vários colégios dependentes da Casa Pia de Lisboa, tendo sido seu aluno Leopoldo de Almeida.

Foi um dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica, na farmácia Franco em Belém, em Fevereiro de 1904 [...] (6)


(1) Diário de Lisboa, 28 de agosto de 1946
(2) Manuela Netto Rocha, Geneall
(3) Manuela Netto Rocha, Idem
(4) Ser Benfiquista
(5) Diario Illustrado, 3 de novembro de 1874
(6) José Isidoro d'Oliveira Carvalho Netto, Wikipédia

Artigos relacionados:
Courelas e Figueirinhas
D. Francisco de Noronha recorda Bulhão Pato
Largo Gil Vicente
Serzedello & Ca., Laboratorio Chimico na Margueira

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Alfeite visto da Piedade em 1850

Será hoje difícil saber quantos álbuns de esboços o artista terá utilizado ao longo do seu acidentado percurso criativo. Mas, certamente, que Cristino [João Cristino da Silva] trazia sempre consigo, nas suas deambulações, um pequeno álbum onde, simultaneamente, ia desenvolvendo a atenção do olhar, disciplinando a destreza da mão e registando a impressão do momento.

João Cristino Silva, auto-retrato (detalhe).
Imagem: Arcadja

Um desses álbuns de desenho terá passado do seu filho, o também pintor João Ribeiro Cristino (1858-1948), para o seu neto, o arquitecto Luís Cristino da Silva (1896-1976), cujo espólio foi doado à Fundação Calouste Gulbenkian na década de 1980, encontrando-se actualmente no fundo documental da Biblioteca de Arte. 

Alfeite visto da Piedade [sic: Val feito - visto da piadade], João Cristino da Silva, Album de desenhos, c. 1850.
Imagem: Álbum de desenhos de João Cristino da Silva (1829-1877) no flickr

Ao longo das duas faces das 68 folhas de papel que o tempo amareleceu, o avô Cristino desenhou apontamentos a grafite e carvão da paisagem e da arquitectura dos locais – Sintra, mas também Cascais, Santarém, Leiria, Buçaco… – por onde se fez a sua vida, e dos elementos animais – burros, bois, vitelos – e vegetais que os habitavam. 

Burro cacilheiro, João Cristino da Silva, Album de desenhos, c. 1850.
Imagem: Álbum de desenhos de João Cristino da Silva (1829-1877) no flickr

São várias as cenas de costumes numa atenção ao pitoresco que caracterizou a pintura do Romantismo nacional. (1)


(1) Álbum de Desenhos, Biblioteca de Arte Gulbenkian

Informação relacionada:
Álbum de desenhos de João Cristino da Silva (1829-1877) no flickr

terça-feira, 21 de junho de 2016

O abate das faluas

Representação contra a empresa das carreiras de Cacilhas.

Ill.mos Srs.

Á Companhia dos Barcos a vapor do Tejo e Sado, concedeu o Governo de Sua Magestade privilegio exclusivo para que ella, mediante as obrigações, a que se comprometteu, fosse a unica que podesse estabelecer carreiras de barcos a vapôr nos portos de norte e do sul do Tejo.

Lisboa, Ponte dos Vapores, estudo para leque, Veríssimos Amigos, c. 1850.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

O porto de Cacilhas pertencente a este municipio, foi um dos escolhidos pela Companhia — tractou esta de associar aos seus interesses os donos de 17 excellentes faluas de transporte que faziam bom e regular serviço no transito de Cacilhas para a Capital — obteve a compra dessas faluas, afim de inutilisar estas vias de communicação — começou regularmente o serviço com os seus vapores, 

Falua atracada num pequeno cais da margem sul.
Imagem: The Tagus Estuary Traditional Boats

porém depois foi diminuindo progressivamente este serviço, a ponto de se achar hoje reduzido a duas viagens de manhã, e tres de tarde: e na estação mais perigosa (Inverno) nem estas mesmas completatam arruinado o caes, porque nunca construiu a ponte a que era obrigada — reduziu a navegação deste porto a pequenos botes, e lanchas, governados por catraeiros inexperientes, que pela ignorancia desta tracto e pequenez dos vasos, torna perigosissimo este transito que tão frequentado é pelos habitantes deste Concelho o pelos da Capital.

Place du Commerce prise du Tage, Celestine Brelaz (Lenoir), c. 1830.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Depois de ter assim concorrido para a total ruína deste porto, e perigo de vida de seus habitantes é constante que a Companhia supplica ao Governo de Sua Magestade o acabar com esta carreira a vapor, afim de ficar gosando o privilegio somente para a do Riba Tejo, donde tira avultados lucros; e se chegar a obter seus fins, a nenhuma outra Companhia ou particular convirá deitar mão dos portos por ella abandonados, visto que lhes falta a compensação que póde dar a do Riba Tejo.

Panorama de Lisboa, Edward Gennys Fanshawe, 1856.
Imagem: Royal Museums Greenwich

É por isso que os abaixo assignados recorrem a esta Camara a quem compete velar pelos interesses do municipio, e bem estar de seus administrados, a fim de que leve ao conhecimento do Governo de Sua Magestade, todas estas circumstancias, e as mais de que deve estar ao facto, para que não seja attendida a supplica da actual Companhia de barcos a vapor do Tejo e Sado.

Almada 11 de Setembro de 1850. (Tem 165 assignaturas)

Barcos junto à torre do Bugio, Alfredo Keil (1850 - 1907).
Imagem: Cabral Moncada Leilões

Senhora.

Se é facto ter a Companhia da Navegação do Téjo por barcos movidos a vapor, requerido a Vossa Magestade ser alliviada da carreira de Cacilhas, fundamentando o seu pedido em consideraveis prejuizos que de tal carreira lhe tem resultado; não póde a Camara Municipal do Concelho d'Almada deixar de supplicar a Vossa Magestade o prompto indeferimento de tal pertenção.

Vue de la rade et de la ville de Lisbonne
Imagem: Le Monde illustré, 1858, M. de Bérard.

Senhora! se os prejuízos allegados pela Companhia, não fossem devidos ás administrações que dia tem tido, talvez fosse conveniente conceder-se-lhe algum favor, mas contra factos não prevalecem argumentos, e parecem de bastante pezo os mencionados na inclusa representação dos moradores deste municipio.

Cabeçalho de uma acção da Companhia da Navegação do Téjo por barcos movidos a vapor
Imagem: Restos de Colecção

Outras muitas circumstancias existem que esta camara não teria duvida em manifesta-las a Vossa Magestade, se tivesse a certesa da existencia da representação de que se tracta, mas não a tendo, e estando bem convencida de que um tão importante objecto não hade ser decidido sem serem ouvidas as partes interessadas, por isso aguarda essa occasião para dar mais amplo desenvolvimento a este negocio.

Embarcações no Cais da Misericórdia (Cais do Sodré).
A embarcação em destaque é uma falua, repare-se nos mastros tirados a vante e à ré.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

Almada em Camara aos 22 de Outubro de 1850 — Francisco Ignacio Lopes, presidente. (1)


(1) Revista Universal Lisbonense,  Representação contra a empresa das carreiras de Cacilhas, 2 de janeiro de 1851

Artigo relacionado:
Marinha do Tejo

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O Almoxarifado do Alfeite em 1850

As differentes propriedades que se acham comprehendidas no Almoxarifado do Alfeite, estão situadas na peninsula ao sul do Tejo, sendo a principal formada pelo complexo das Septe Quintas, todas unidas e communicaveis por espaçosas ruas,

Planta das Septe Quintas do Real Sitio do Alfeite, 1849.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

confinantes pelo norte com os sitios do Caramujo, e da Piedade, 

Planta das Septe Quintas do Real Sitio do Alfeite (detalhe), 1849.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

pelo poente com a estrada real do Alentejo, azinhaga do Rato, e quintas de Sancto Amaro, da Varegeira e do Rouxinol,

Planta das Septe Quintas do Real Sitio do Alfeite (detalhe), 1849.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

pelo sul, com os salgados do rio do Seixal, e pelo nascente com a praia; pega com este grupo o grande areial da ponta dos Corvos, que lhe pertence:

Planta das Septe Quintas do Real Sitio do Alfeite (detalhe), 1849.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

dous pinhais no sitio de Corroios,

Planta do Pinhal do Cabral, 1849.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

Planta do Pinhal das Courellas, 1849.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

a Albufeira situada na contracosta do cabo d 'Espichel, com o terreno adjacente, que se acha demarcado, e uma courella de vinha do dominio particular de Sua Magestade a Rainha, incorporada na mais meridional das Septe Quintas, completam o numero das propriedades circumscriptas por este circulo administrativo;

Planta da Lagoa d'Albufeira, 1849.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

de cada uma dellas, como se torna indispensável, faremos especial tombação. (1)


(1) Tombo do Almoxarifado do Alfeite, 1850

sábado, 2 de abril de 2016

Quinta do Outeiro do Alfeite

Pertenceu ao conjunto de quintas que faziam parte da Casa do Infantado. Foi adquirida em 1707 pelo infante D. Francisco ao conde de Tarouca. (1)

Viata da Quinta do Outeiro, Caramujo e enseada da Cova da Piedade, Francesco Rocchini, anterior a 1895.
Imagem: Arquivo Municipal de Lisboa

A Quinta do Outeiro apesar de ser da Capela instituída pelo Doutor Manuel Lucas da Silva, e sua mulher Dona Catarina Josefa de Lima, administrada pelo Doutor José da Silveira Zuzarte, foi incorporada na Quinta do Alfeite por a utorização da Rainha a Senhora Dona Maria 1ª, concedida por Alvará de 15 de Maio de 1789. (2)

Em 1834, pelo decreto lei de 18 de Março é extinta a Casa do Infantado e passados 10 anos é feito um tombo da Real Quinta do Alfeite a 21 de Março de 1844, pelo almoxarife Severiano Fernandes de Oliveira onde nos é dado a conhecer a relação de prédios do circulo administrativo do Almoxarifado do Alfeite [...]

Plano Hydrográfico do Porto de Lisboa (detalhe), 1847

[Relativamente à] Quinta do Outeiro - constituída por um prédio urbano (casas de habitação e várias casas de acomodações, cavalariça e palheiro e seis armazéns grandes) e prédio rústico (um bocado ajardinado, horta, vinha, arvores de pevide e caroço, e de espinho, poço com engenho e dois tanques) [...] (3)

Aproveitando a tradição do local para a prática da querenagem e as condições naturais de um baldio que existia junto à Quinta do Outeiro, uma das sete propriedades que a Casa do Infantado possuía no Alfeite, o industrial António José Sampaio instala um pequeno estaleiro nesse terreno junto ao salgado do rio, confinando a Sul com a referida Quinta do Outeiro, a Poente com a Romeira Velha, a Norte com o Caramujo e a Nascente com o rio Tejo.

Este estaleiro, vocacionado apenas para a construção de embarcações em madeira, encontrava-se em plena laboração em 1850 [...] (4)

[...] a Quinta do Outeiro tinha já sido vendida no tempo do Rei D. Luís à firma Rankin & Sons; (5)

Panorâmica da fábrica William Rankin & Sons na quinta do Outeiro no Alfeite, 1885.
Imagem: Alexandre M. Flores, Almada na história da indústria corticeira e do movimento operário...

A propriedade arrendada pela administração da Casa Real à William Rankin & Sons, foi depois comprada pela firma ao rei D. Luis, em hasta pública, em 1887, por vinte contos de réis.

Compreendia cinco armazéns, cavalariça, cocheira, casa para criados, palheiros, adega, lagar, casa de habitação com terreno para logradouro e terreno junto à praianuma área de 5168 m2.

Em 1898, a firma compra, também em hasta pública, ao rei D. Carlos, mais uma porção de terra com uma pequena casa e pomar, por cinco contos de réis e com a condição da William Rankin & Sons construir um muro com dois metros de altura para garantir a privacidade da Quinta Real do Alfeite.

Enseada da Cova da Piedade, c. 1900.
Em 1.° plano o pontão e a entrada da quinta do Alfeite e, em 2.°, o cais da Rankin & Sons.
Imagem: Museu da Cidade de Almada

Segundo Carol Mason, Cunison Deans Rankin adquire, em 1905, um estaleiro junto da fábrica, com anexos situados "na rua da praia" de acesso à quinta do Outeiro, à familia Sampaio, por dois contos de réis. (6)

A corticeira Rankin & Sons Ltd instalou-se na zona ribeirinha do Outeiro do Alfeite em 1884.

A preparação de pranchas de cortiça para exportação foi a actividade principal da fábrica durante os primeiros anos de funcionamento  [...]

A Rankin & Sons Ltd concentrou um grande número de mão-de-obra especializada, homens e mulheres divididos por sectores fabris, correspondentes às diversas fases da cadeia de produção.

Quinta do Outeiro do Alfeite, fábrica da Rankin and Sons, 1937.
Imagem: Rui M. M. Mendes

Esta corticeira constitui um exemplo do tipo de fábricas que se instalaram no Concelho. Acompanhou os períodos de recessão e de incremento no sector, o início das lutas operárias e a mobilização sindical e cooperativa dos trabalhadores. Encerrou definitivamente em 1956. (7)


(1) R. H. Pereira de Sousa, Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003
(2) Susana Maria Lopes Quaresma e Pereira, O palácio real do Alfeite..., Lisboa, Universidade de Lisboa, 2009, 5 Vols., cf. Alexandre M. Flores, António Neves Policarpo, Arsenal do Alfeite: contribuição para a história naval em Portugal, Junta de Freguesia, Laranjeiro, D. L. 1998, 2003
(3) Artur Vaz, Jornal da Região – Almada,  12. de julho de 2000
(4) Deputados do Grupo parlamentar do PCP, Cria o Museu Nacional da Indústria Naval, Lisboa, Parlamento, 2005
(5) Susana Maria Lopes Quaresma e Pereira, op. cit. 
(6) Alexandre M. Flores, Almada na história da indústria corticeira e do movimento operário (1860-1930), Câmara Municipal de Almada, 2003, cf. Alexandre M. Flores, Almada antiga e moderna, roteiro iconográfico, Freguesia da Cova da Piedade, Almada, Câmara Municipal de Almada, 1990
(7) Fábrica da Rankin & Sons


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O morro do moinho

Bem perto das Margueiras, existiam terras de cultivo, que garantiam a sustentabilidade dos ocupantes do espaço.

Vista poente de Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Plano Hidrográfico do Porto de Lisboa, 1932.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Durante séculos, o trigo, o milho, a cevada e outros cereais, chegavam ao morro sobranceiro ao Tejo, onde os moinhos aí existentes cumpriam a sua função de fornecer aos habitantes a farinha, tão necessária à confecção do pão e de outros alimentos de uso quotidiano [...]

Vista nascente de Almada e Cacilhas junto ao rio Tejo (detalhe), Charles Landseer, 1825.
Imagem: Instituto Moreira Salles

Para facilitar a ligação entre o cais de Cacilhas e a Margueira existia um túnel, que passava por baixo do morro, logo a seguir à Lapa.

Junto à Lapa, encostado ao morro, existia um mirante, que se destacava pela sua altura a par do morro, cuja existência alimentou durante muitos anos a imaginação popular [...]

Detalhe da torre e mirante (arquvivo "O Século", Grupo de Obuses Pesados, Manobras militares do Outono), 1937.
Imagem: Arquivo Nacional Torre do Tombo

No início dos anos 50 instalou-se aí a fábrica de Manilhas do senhor Patraquim, na sequência do qual foi derrubado o muro existente que delimitava a propriedade e impedia o seu livre acesso, e abriu espaço à instalação de famílias no morro do Moinho.

O Berlinde por um Óculo, fotografia de Fernando Barão.
Imagem: Casario do Ginjal

Este local era conhecido de forma carinhosa por ilha do Papagaio Cinzento [...]

Construções no morro do moinho, c. 1950.
Imagem: Bildarchiv Foto Marburg

Como se torna evidente as habitações eram bastante modestas, sem electricidade, água canalizada e saneamento. 

Porém, no núcleo do moinho, algumas delas estavam acabadas com algum esmero, onde não faltava um pátio de entrada, perfeitamente delimitado com gradeamentos de madeira e passadiço do mesmo material até à porta de entrada das casas, onde pontificavam caramanchões e outras plantas ornamentais [...]

O abastecimento de água era feito através de chafarizes públicos. Inicialmente os habitantes do núcleo norte, desciam a encosta e recolhiam-na num chafariz existente no início do Beco do Bom Sucesso, os habitantes do núcleo do moinho transportavam-na do chafariz que também abastecia a Vila Brandão.

Chafariz de Cacilhas, década de 1950.
Imagem: Flores, A. M., Almada antiga e moderna,
roteiro iconográfico, Freguesia de Cacilhas

Mas no início dos anos sessenta a CMA com trabalho voluntário dos moradores levou a água ate à "Rocha", designação também dada à quinta da "Margueira Velha", onde foram implantados dois chafarizes, um no cimo do caminho por onde se acedia ao morro através do então Largo Costa Pinto que servia o núcleo norte e outro junto ao moinho, a poente, que servia esse núcleo.

Miúdos do Moinho, fotografia de Hélio Quartim, 1976.
Imagem: Museu da Cidade de Almada

Por esta altura foram também construídos balneários públicos com duas ou três cabinas de duche (água fria), um luxo [...]

Demolição de algumas barracas no morro de Cacilhas, c. 1970.
Imagem: Lurdes B. Ferreira

Porém, a centralidade da "Rocha" era, e ainda hoje é, o seu moinho de vento. Ao tempo deste relato era habitado pelo sr. João (João do moinho).

Solteirão, com várias namoradas, recriminado por isso pela sua "velha" mãe quando o visitava. (1)


(1) Farol, O, Associação de Cidadania de Cacilhas, As Margueiras, Contributos para a história de Cacilhas, Junta de Freguesia de Cacilhas, O Farol, 2013, 248 págs.

Artigos relacionados:
O torreão e a Lapa
O incendio da fabrica da Margueira
A menina do mirante




Moinho e moleiro do Oeste, Domingos Alvão, 1934.
Imagem: Moinhos de Portugal no Facebook

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Francisco Inácio Lopes

Francisco Inácio (Ignacio) Lopes (1806-1893)

Aos 21 anos licenciou-se pela escola médica de Lisboa, tendo logo evidenciado a sua rara habilidade para o exercício da profissão, que imediatamente iniciou na terra da sua naturalidade [Almada], o que levou a Câmara, com o apoio da opinião pública, a nomeá-lo médico do partido do município, em junho de 1830 [...]

Lisbon from Almada, Drawn by Lt. Col. Batty, Engraved by William Miller, 1830
Por decreto de 19 do corrente mes

Cirurgião Mór das Fortalezas e Baterias ao Sul do Tejo, sem vencimento algum, o Cirurgião do partido da Camara da Villa de Almada
Francisco Ignacio Lopes.

in Gazeta de Lisboa, n.° 131, 4 de junho de 1833.
[...] em 1850, aquando das eleições municipais, foi eleito vereador, e a Câmara em breve, o elegeu Presidente.

Por duas vezes e em épocas diferentes foi o dr. Francisco Inácio Lopes presidente da Câmara Municipal de Almada, onde realizou uma obra notabilíssima.

Vue de la rade et de la ville de Lisbonne
Imagem: Le Monde illustré, 1858, M. de Bérard.

Funda o Serviço de Socorros de Incêndios em 1850; manda construir poços em Vale de Rosal e Romeira; reedifica o chafariz da Fonte Santa; restaura o caminho novo para a Costa de Caparica, a calçada da Fonte da Pipa,

Vista parcial do Tejo, Casa da Cerca e estrada da Fonte da Pipa, 1858.
Aguarela, aut. desc., datada 14 de Março de 1858.
Imagem: Cabral Moncada Leilões

a calçada da Trafaria, as estradas da Amendoeira, da Mutela e do Pombal, e promove muitas outras obras, entre as quais o cais de embarque e desembarque em Porto Brandão.

Enseada da Paulina, revista Branco e Negro n° 60, 1897 (ver artigo dedicado)
Imagem: Hemeroteca Digital

Contribui também para a construção da Capela do Cemitério; da Praça e Casa do Açougue; da Casa para a "Bomba", e, em 1860, voltando a ser presidente da Edilidade, promoveu a iluminação pública de Cacilhas e de Almada (luz de azeite).

Lisbonne
Imagem: L'Illustration, Journal Universel, 1860, Anastasi.

Finalmente, como último empreeendimento, manda construir o Grande Cais do Ginjal.

Cais do Ginjal, Óleo, Alfredo Keil
Imagem: Casario do Ginjal



Foi deputado às corte pelo círculo de Almada, vindo a ser reeleito três vezes até 15 de Janeiro de 1868 e, no ano de 1880, é novamente eleito procurador à Junta Geral do Distrito, o mesmo acontecendo no ano de 1886. (1)

Dr. Francisco Inácio Lopes.
Imagem: Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada
O resultado das eleições supplementares para deputados foi quasi todo favoravel ao ministério; apenas três candidaturas da oposição puderam vingar, e por pequena maioria: foram ellas as dos srs. Francisco Ignacio Lopes (cirurgião) [...]

in Diário do Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1860




(1) Correia, Romeu, Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada, (nas Artes, nas Letras e nas Ciências), Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978, 316 págs.

Mais informação:
Occidente n° 541, 1 de janeiro de 1894