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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Iconografia de Lisboa (cronologia)

Este breve alinhamento cronológico tem por objetivo, depois de clicada uma imagem, criar na lightbox um acesso a uma sequência imediata, temporal ou espacial, dos pictogramas, de modo que com simples avanços e recuos, a diferença ou a continuidade entre o que eles representam se possa evidenciar.

Panorâmicas — Lisboa Manuelina

1500-1510

Lisboa c. 1500–1510, Crónica de Dom Afonso Henriques, Duarte Galvão.
Imagem: Wikipédia

1513 (?)

Lisboa, iluminura do frontispício da primeira parte da Crónica de D. João I, Fernão Lopes, 1513 (?).
Imagem: A Iluminura

1521-1557

1521 - 1557, Galeria das Damas do Paço da Ribeira e Ribeira das Naus, Livro de Horas de D. Manuel, António de Holanda.
Imagem: PortugalWeb

1572

Lisboa, Civitates Orbis Terrarum, Georg Braun [Georgio Braúnio], Frans Hogenberg, 1572.
Imagem: Prosimetron

Anterior a 1580

As imagens estão ordenadas pelo conteúdo representado, embora, em alguns casos, tenham sido produzidas mais tarde.

Lisboa, Vrbivm praecipvarvm mundi theatrvm qvintvm Georg Braun  [Georgio Braúnio Agrippinate], Franz Hogenberg, 1598.
Imagem: Wikipedia

Anterior in 1580

Lisbona, Giuseppe Longhi, 1670.
Imagem: BLR

Anterior a 1580

Lisboa amplissima lusitaniæ civitas, totius indiæ orientalis et occidental:
emporium celeberrimum, 1619.
Imagem: World Digital Library

Anterior a 1580

Vista panorâmica de Lisboa, História Genealógica da Casa Real de Portugal, Simon Bening, entre 1580 e l584.
Imagem: British Museum

Panorâmicas — Período Filipino

1613

1613, Joyeuse entrée Filipe III de Castela, Castelo de Weilburg Alemanha.
Imagem: MNAA

1619

Chegada do D Filipe II de Portugal a Lisboa para uma viagem no Reino de Portugal,
Gravura Ioam Schorquens, segundo Domingos Vieira Serrão, 1619.
Imagem: Wikimedia

1620

Lisboa, Ex-voto, Nossa Senhora de Porto Seguro Roga a seu Precioso Filho por esta Cidade e sua Navegação de Lisboa,
Igreja de São Luís dos Franceses, c. 1620.
Imagem: do Porto e não só...

Vistas gerais e panorâmicas — Lisboa da Restauração

1662

Lisboa, Terreiro do Paço, A entrada do Embaixador Francisco de Mello e Torres, Dirck Stoop, 1662.
Imagem: Museu da Cidade de Lisboa

1693

1693, Lisboa, Entrada de Giorgio Cornaro para a Primeira Audiência com D. Pedro II, 1693.
Imagem:

1680-1720

Lisbone, Ville capitale du Royaume du Portugal... Pierre Aveline (1656-1722) entre 1680 e 1720.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

1730

Lisabona, Georg Balthasar Probst (1732-1801), c. 1730.
Imagem: Swaen

1730

D. João III e o núncio apostólico da Índia, ou A partida de São Francisco Xavier, aut. desc. c. 1730.
Imagem: Wikipédia

Anterior ao terremoto de 1755

Vista geral da cidade de Lisboa capital de Portugal antes do terremoto.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

Vistas gerais — Lisboa Manuelina

1521-1557

Galeria das Damas do Paço da Ribeira e Ribeira das Naus,
Livro de Horas de D. Manuel, António de Holanda.
Imagem: MatrizNet

1521-1557

Rua Nova dos Mercadores em 1521, Livro de Horas de D. Manuel,
iluminura atribuída a António de Holanda.
Imagem: MNAA

1570-1580

Relativamente aos quadros abaixo, ou faltam painéis sequenciais ou complementares,  ou os originais foram, possivelmente, cortados.

1570- 1580, Lisboa, Chafariz d’El-Rey, autor desconhecido (Colecção Berardo).
Imagem: Lisboa, cidade africana

1570-1620

Rua Nova dos Mercadores, aut. desc., século XVI.
Imagem: Society of Antiquaries of London

Rua Nova dos Mercadores, aut. desc., século XVI.
Imagem: Society of Antiquaries of London


Leitura adicional:
A genealogia das imagens de Lisboa...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Iconografia de Lisboa (7.ª parte)

Antes de prosseguir com as nossas anotações ao fio da leitura do texto de Vieira da Silva, e entrar em pleno no século XVIII, interessemo-nos brevemente por algumas simples imagens e detalhes, que vêm contextualizar a dinâmica da evolução urbana da Ribeira das Naus, do paço e do terreiro na época manuelina.

1521 - 1557, Galeria das Damas do Paço da Ribeira e Ribeira das Naus, Livro de Horas de D. Manuel, António de Holanda.
Imagem: PortugalWeb

O detalhe da Galeria das Damas e a vista poente sobre o rio.

Galeria das Damas do Paço da Ribeira e Ribeira das Naus,
Livro de Horas de D. Manuel, António de Holanda.
Imagem: MatrizNet

A ocupação do Terreiro do Paço e da Ribeira das Naus e as atividades.

1572, Civitates Orbis Terrarum, Georg Braun [Georgio Braúnio], Frans Hogenberg.
Imagem: Prosimetron

As novas construções.

1598, Vrbivm praecipvarvm mundi theatrvm qvintvm Georg Braun  [Georgio Braúnio Agrippinate], Franz Hogenberg.
Imagem: Wikipedia

E mais a montante, junto ao Chafariz d’El-Rey.

1540 - 1550  (ou 1570), Panorâmica de Lisboa (detalhe), Leiden University Library Bodel Nijenhuis Collectie Leyden.
Imagem: Wikimedia

A mesma cidade, a mesma gente.

O Chafariz d’El-Rey, década de 1570, sobre a Panorâmica de Lisboa da  Leiden University, 20 a 30 anos anterior.

O exotismo dos tipos do renascimento, misturado com cenários e elementos de um gótico tardio, mas nativo.

1570- 1580, Lisboa, Chafariz d’El-Rey, autor desconhecido (Colecção Berardo).
Imagem: Lisboa, cidade africana

E mais tarde, os que vieram, convidados, desejados ou não, como o rei que sempre adiava a chegada. Construiu-se dentro do tempo e fizeram-se imagens antes dele.

1613, Joyeuse entrée Filipe III de Castela, Castelo de Weilburg Alemanha.
Imagem: MNAA

Depois, no seu tempo, refeitas. E um dia também esses partiram.

Chegada do D Filipe II de Portugal a Lisboa para uma viagem no Reino de Portugal,
Gravura Ioam Schorquens, segundo Domingos Vieira Serrão, 1619.
Imagem: Wikimedia

E outros chegaram. E o rei que pagou para casar com a noiva que roubou...

1693, Lisboa, Entrada de Giorgio Cornaro para a Primeira Audiência com D. Pedro II, 1693.
Imagem:

E que interessa. As imagens de Lisboa junto ao rio emolduram-se no grasnar das gaivotas.


Artigos relacionados:
Da fábrica que falece à cidade de Lisboa
Delícias ou descrições de Lisboa
Panorâmica de Lisboa em 1763

Leitura adicional:
Vieira da Siva, Augusto, Iconografia de Lisboa, Revista Municipal n.° 32, Câmara Municipal de Lisboa, 1947
Viagem da Catholica Real Magestade del Rey D. Filipe II N.S. ao Reyno de Portvgal
A entrada pública do Núncio Giorgio Cornaro em Lisboa (1693)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Valderozal

Em o Collegio de S. Antam da cidade de Lisboa, hua quinta, ou pera melhor dizer, huma grande vinha, chamada Valderozal [Vale do Rosal], que está na banda dálem, no termo de Almada, limite de Caparica, na freguesia de nossa Senhora do Monte, distante do porto de Cafsilhas, quasi huma boa legoa:

Quinta do Vale do Rosal, 1911 in Ilustração Portuguesa, n° 263 II série.
Imagem: Hemeroteca Digital

fica esta quinta no meyo de huma grande, & estendida charneca; he o lugar todo á roda muy tosco, seco, & esteril, cheyo de sylvados incultos, côtinuado de matos maninhos & de areaes escalvados, escondido em valles, cercados de brenhas , cubertos de pinheiraes bravios, de zimbros, de tojos, & de outros frutices sylvestres:

Carta chorographica dos terrenos em volta de Lisboa (detalhe), 1814.
Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

he o sitio mais accommodado pera caças de monteria, que pera morada de gente culta, & por isso muy frequentado de corças, & veados, infestado de lobos, & de outros semelhantes animaes monteses.

Mas he por outra parte este deserto muy accommodado pera hum sancto retiro os homens, & contemplações com Deos; porque he muy solitario tem estradas, & caminhos muy livres, tem sahidas muy alegres, & entre ellas a principal he a que leva ao mar (que dista da quinta, pela parte do Poente, cousa de meya legoa) pera o qual se déce por humas quebradas entre algumas barrocas, que o tempo, & a corrente das agoas tem abertas.

O caminho do Cruzeiro, Quinta de Vale de Rosal.
Imagem: Histórias da História de Charneca de Caparica no Facebook

Do alto d'estas quebradas se sobe pera algumas assomadas, que tem vistas muy appraziveis, muy largas, & muy fermosas porque se descobre todo este grande valle, que começa quasi ao pé da montanha de Palmela, & se vay estendendo ate Nossa Senhora do Cabo, & dahi volta pera Caparica, & vem a fazer em roda cousa de doze, ou treze legoas;

N. S.ra DO CABO
Virgem Maria defendei dos perigos aos que na
vegaó sobre Augoas do Mar

alem dis­to se descobre daly muita parte da cidade de Lisboa, & se vem montes muy fermosos, como he o de S. Luis, & a serra da Arrábida, que ficam pera a parte do Sueste, & tambem se alcança pera o Noroeste a famosa serra de Sintra; & tem outras villas de longes muy saudosos.

Vems­e tambem huas grandes serranias de arèa, que aly chamam os Medos & vam quasi continuando até huma grande alagoa, chamada Albofeyra, de muita pescari­a, que está como trés legoas da quinta, pera a parte do Sul, caminho de Nossa Senhora do Cabo.

Escarpements formés par le Miocène et Pliocène entre Costa de Caparica et Adissa [Adiça], cliché P Choffat, c. 1900.
Imagem: Internet Archive

Destas assomadas se descobrem muy largamente as muy estendidas campinas do Oceano Atlantico,que aly vem tributar suas immensas agoas naquella fermosa praya, que se vay estendendo por espaço de seis legoas da ponta da Trafaria, junto a Caparica, até o Cabo de Espichel, a que os antiguos chamaram "caput Barbaricum":

Linha de costa da Torre do Bugio ao Cabo Espichel (fotomontagem).
Observam-se as elevações moinhos do Chibata, Monte Córdova (Serra de S. Luís) e Serra da Arrábida, conforme descrito no Plano hydrographico da barra do porto de Lisboa, Francisco Maria Pereira da Silva, 1857.
Imagem: AVM

& como toda aquella paragem he costa brava, o continuo bater que nella faz o rolo do mar, o quebrar das ondas encapelladas naquellas aréas s­olitarias, a largueza daquellas prayas, a solidão de todo aquelle si­tio, causa por huma parte grandes lembranças, & saudades da gloria aos contemplativos, por outra parte o continuo crecer, & baixar das marés, o rolo do mar, a resaca das ondas, a vista de muy fermosos orizentes, a largueza daquellas immensas agoas, dá grande occasiam pera discorrer na immensidade do creador, & dizer com o Propheta, Mirabiles elationes maris, mirabilis in altis Dominus [Maravilhosas são as ondas do mar; maravilhoso é o Senhor nas alturas, Salmo 92, 4].

Pera este sitio de Valderozal se veyo recolher o Padre Ignacio de Azevedo com aquelle seu esquadram de gente apostada ao martyrio:

Quarenta Mártires do Brasil, no Museu Diocesano de Arte Sacra da Catedral de Las Palmas.
Imagem: Wikipédia

há na quinta algumas casas, humas mais antigas, que já nella havia, quando os Padres a compraram, que foy no anno de 1559. outras que elles fizeram de novo, a saber, hum dormitorio com doze cellas, pera os Religiosos, huma capella muy bem traçada, muy airosa, & capás, por sy, & por suas tribunas (a qual ajudou a fazer Martim Gonçalves da Camara, escrivam da Puridade delRey Dom Sebastiam, por causa do muito que seu irmam o Padre Luis Gonçalves gostava deste sitio, como adiante veremos) (1)


(1) Telles, Balthazar, Chronica da Companhia de Iesu, na provincia de Portugal, Lisboa, Paulo Craesbeeck, 1647

Informação relacionada:
Quinta do Vale do Rosal