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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Almada no mapa do rio Tejo e da cidade de Lisboa em 1663 por Dirk Stoop

Chegaram esta manhã as gravuras do rio Tejo e da Cidade de Lisboa, que mediu com a sua própria mão e imprimiu por ordem do rei. My Lord agrada-se com isso, mas eu penso que deveria ter sido melhor feito se não tivesse sido um trabalho ocasional. Além disso, informei-o da tiragem sobre cetim branco, que ele logo encomendou. (1)  

Map of the river Tagus and the city of Lisbon (detail), Dirk Stoop, 1663.
British Museum

O primeiro conjunto de gravuras que Stoop produziu em 1662 após a sua chegada a Inglaterra foi uma série muito rara de oito longas vistas horizontais que mostram cada etapa da viagem de Catarina a Londres, desde a chegada de Lord Montagu ao Tejo, com a frota inglesa enviada para a transportar, até à procissão triunfal ao longo do Tamisa (Hollstein 31-8). 

Cada gravura tem textos em inglês e português, e cada um deles é dedicado a uma pessoa diferente, desde Lord Montagu (o Conde de Sandwich) e ao rei Charles, ao Mayor da Cidade de Londres.


A água-forte exibida aqui mostrada foi feita no ano seguinte e destaca-se da série anterior. A história encontra-se no diário de Pepys de 24 de Agosto de 1663 [v. acima ...]

Esta é a única impressão sobrevivente da água-forte e está impressa em cetim branco, como sugeriu Pepys. A falta de editor mostra que se tratava de uma água-forte particular não comercial. A cota de armas real dedica-a ao rei, enquanto as armas de Sandwich acima da cártula do título mostram seu papel no assunto.

Map of the river Tagus and the city of Lisbon, Dirk Stoop, 1663.
British Museum

O canto inferior esquerdo mostra o retrato de Sandwich a segurar a sua régua de medição, e o modo incompleto como o plano foca o estuário do Tejo prova que foi tirada do seu plano feito no local.

Map of the river Tagus and the city of Lisbon (detail), Dirk Stoop, 1663.
British Museum

Uma nota de rodapé de Sir Oliver Millar ao diário de Pepys (IV p.286) sugere que a fonte é um plano no diário de Sandwich, no qual ele registrou 'O restante das minhas observações do rio de Lisboa são aperfeiçoadas e impressas na minha gravura de cobre sobre a orientação de Kinges.' Evelyn regista que Sandwich também era um gravador amador ('Sculptura' p.131).


A depreciação de Pepys da água-forte como meio de impressão é uma expressão típica da preferência estética contemporânea em favor da gravura. Assim como seu desejo de vê-las impressos em seda em vez de papel. (2)


(1) The Diary of Samuel Pepys, Monday 24 August 1663

terça-feira, 4 de março de 2014

Castelo de Almada, vista nascente, em 1663

Não sei se Mallet desceu do escaler no cais onde mais tarde se contruíu a Fonte da Pipa e subiu a estrada até ao largo Boca do Vento;

ou se desceu na praia mais a montante e subiu pela Barroca até ao Meijão Frio;

ou se desceu no porto de Cacilhas e subiu o caminho junto ás ermidas, a nova de Sta. Luzia e, mais adiante, a velha de S. Lázaro.

"Em 1666, por mandado de D. Afonso VI, a fortaleza foi ampliada. Podem datar deste tempo as muralhas e a esplanada onde se encontra o jardim público; do lado oposto, leste, desconhecem-se quaisquer obras. Pelas gravuras conhecidas nada se pode avaliar pois mostram sempre o lado oeste…" (1)

(1) PEREIRA DE SOUSA, R. H., Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal, 1981, 192 págs.

MALLET, Alain Manesson, Les Travaux de Mars, ou l'art de la guerre, 1. Ed., Paris, 1671, 3 v.