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terça-feira, 21 de abril de 2020

Memórias da minha rua

Memórias da minha rua é um livro com memórias de vivências passadas numa rua do Município de Almada na década de 1955/65. 

Mutela, Cecília Alves e outras crianças, c. 1960.
Cecília Alves

Retrata a forma como então se vivia dia a dia num pequeno aglomerado urbano do nosso país, descrevendo não só as vidas de alguns moradores da rua, como as atividades económicas, recreativas, sociais e até políticas desenvolvidas pelos personagens. 

Rua Manuel Febrero, (álbuns de fotografia da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada).
InfoGestNet

A maior parte das histórias contadas são verdadeiras, havendo, contudo, algumas que são ficção.

Mutela, Cecília Alves e outras crianças, c. 1960.
Cecília Alves

No conjunto são as memórias de uma rua pela perspectiva do olhar de uma criança. (1)

Memórias da minha rua.
Cecília Alves


(1) Programa Fórum Municipal Romeu Correia, janeiro e fevereiro 2019

Informação relacionada (outras crianças em Mutela):
O meu livro de memórias: Os meus primeiros anos

Leitura relaacionada:
Cecília do Carmo Alves, Memórias da minha rua, Olhão, 2018, 155 pág.

Cecília Alves apresenta "Memórias da Minha Rua" em Olhão.
Região Sul

terça-feira, 13 de junho de 2017

Almada 1945-1965

Já não é difícil prognosticar o futuro da margem sul, sob os aspectos urbano, industrial, turístico, etc., porque se vé nitidamente a direcção do movimento, iniciado há cerca de 20 anos e que ultimamente se vem tornando cada vez mais firme.

Um dos actuais encantos de Almada está precisamente nos imprevistos aspectos que a cidade satélite nos desvenda: eis o velho e romântico petroleiro de carro puxado a mula, contrastando com a moderna linha dos edifícios.
Fotografia de António Homem Christo, in Almada, a cidade satélite, Revista Eva, Dezembro de 1960.
Imagem: Dias que Voam

A vila de Almada teria em 1940 sete ou oito mil habitantes, praticamente na totalidade oriundos de almadenses. Lisboa saltou o Tejo e desenvolveu rapidamente Almada, que transformou em cidade sua satélite e sua zona residencial. 

Almada, Vista Geral (tomada do Campo de S. Paulo), ed. desc., década de 1940.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Não tardará muito que Almada atinja o décuplo da sua população de há um quarto de século. Quem como nós, viveu em Almada a maior parte deste espaço de tempo, viu rasgar avenidas e alinhar prédios pelas quintas que alastravam pelas encostas do Vale Caramujo-Caparica; 

Paisagem rural. A caminho de Caparica, década de 1940. Pintura de José de Azevedo (1914-2000).
Imagem: Alexandre Flores no Facebook

viu deslocar-se o centro cívico de Almada e modificar-se radicalmente o aspecto de Cacilhas; 

Plano Parcial de Urbanização de Almada (PPUA) relativo à localização do Cento Cívico, 1947.
Imagem: Câmara Municipal de Almada

viu regular-se a margem do rio entre Cacilhas e a Cova da Piedade;

Porto de Lisboa, vista aérea de Cacilhas e dos lugares de Ginjal e Margueira, década de 1950.
Imagem: Porto de Lisboa

viu surgir no Laranjeiro-Feijó um grande centro, que não tardará a ser freguesia independente; viu lançar as bases da fixação populacional com a criação de escolas médias particulares e oficiais e com o auspicioso início da construção de um dos maiores estaleiros do mundo.

Vista aérea da variante à Estrada Nacional 10, zona da Mutela e da Margueira, 1958
Imagem: IGeoE

Os últimos 20 anos abriram a Almada perspectivas inteiramente novas: — de pequeno burgo monolítico, constituído pelo aglomerado de algumas famílias conhecidas, passou a ser a cidade sem coesão, formada na maioria por emigrados imigrados provindos de todos os recantos do País.

Praça da Renovação, década de 1960.
Imagem: Delcampe

Sob o ponto de vista urbano, Almada tornou-se grande; sob o ponto de vista social, não enriqueceu com o mesmo ritmo; e perdeu a unidade que tinha dantes. Almada deixou de ser um meio pequeno, para residência e trabalho de vizinhos; agora é uma cidade cujos habitantes mútuamente se desconhecem. 

Almada, Cacilhas - Vista Parcial, ed. J. Lemos, s/n, década de 1950.
Vista da Avenida Frederico Ulrich, atual 25 de Abril, Vila Brandão e morro do moinho.
Imagem: José Luis Covita

É fácil de prever o progressivo encarecimento de rendas e a consequente fixação na zona de Almada de pessoas de um mais alto nível de vida. Em contrapartida, é fatal que mais longe venha a construir-se a zona habitacional de classes pobres, para a qual veremos partir, infelizmente, muito bons almadenses de hoje.

Transportando a água, Júlio Diniz, década de 1950.
Imagem: O Pharol

Sob o ponto de vista industrial, Almada aproveitará principalmente a sua privilegiada situação sobre a margem do Tejo, em grande parte ainda por explorar. Aparecerão, por certo, novas instalações portuárias, para passagem de mercadorias destinadas ao "além-Tejo" ou dali provenientes. 

Cacilhas, ed. Supercor, 1808, década de 1980.
Imagem: Delcampe

É natural que a política de fixação à terra não permita o estabelecimento de muitas indústrias de outra natureza tão próximo da capital. Mas é sob o ponto de vista turístico que Almada aguarda um grande futuro.

Cova do Vapor, vista aérea (detalhe), 1953.
Imagem: Flickr

Rica de praias e de matas, incomparáveis pela grandeza e pela beleza, c colocada como obrigatória porta de passagem para a extraordinária península de Setúbal, Almada poderá ter no turismo urna das suas grandes fontes de riqueza.

Costa da Caparica, O Transpraia, ed. Passaporte, 615
Imagem: Delcampe, Oliveira

É isto, em linhas muito rápidas, o que será o futuro próximo de Almada. — E o distante?

O Berlinde por um Óculo, fotografia de Fernando Barão.
Imagem: Casario do Ginjal

Para esse, cumpre-nos lançar os alicerces, para que os futuros habitantes o construam. (1)


(1) Jornal de Almada 07 de agosto de 1966

Artigos relacionados:
Almada em 1960
O centro cívico

sábado, 21 de novembro de 2015

Amor de verão


A praia da minha infancia é hoje uma silhueta à contraluz,

Costa da Caparica, Aspecto da praia, ed. desc., s/n, c. 1960.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Recortada nos reflexos do mar, ou no espelho das falácias,

Pormenor da praia da Caparica, ed. Fotex, 149.
Imagem: Delcampe, Oliveira

Ou nas sombras das dunas, ou na mata de pinheiros e acácias,

Costa da Caparica, Uma Rua da Mata, ed. Passaporte, 27, década de 1960.
Imagem: Delcampe, Bosspostcard

Onde recordo brincar com minha amiga, com paixão que seduz.