quinta-feira, 1 de maio de 2014

Palença de Baixo

A melhor notícia de que dispomos desta fortaleza [fortim da Banática] é devida ao conde dos Arcos [D. José Manuel de Noronha e Menezes de Alarcão] que atribui a construção ao mandado de D. João III [que reinou de 1521 a 1577] e a localiza não na actual Banática mas sim em Palença de Baixo...

Vista da parte ocidental de Lisboa, Alexandre Jean Noel, início da década de 1790
Imagem: FRESS

Duarte Joaquim Vieira Junior refere que "onde está a fábrica de tijolo — hoje é fábrica de guano — existiu em tempos um fortim que foi construído no reinado de D. João III, e do qual ainda hoje há vestígios, existindo os paióis de pólvora, que foram feitos sob a rocha, para o lado de leste, e que ainda no tempo de D. Miguel foi este artilhado e guarnecido até 1833 pelas tropas do usurpador".

A informação é confusa quanto ao local... (1)

Lissabon, vista tomada de Palença, 1830
Imagem: Mundo do Livro, (Mundo do Livro no Facebook)

O portinho de Palença de Baixo é um pequeno varadouro com a praia de areia, situado a poente da Arrábida.

Carta Topográfica Militar da Península de Setúbal (detalhe), José Maria das Neves Costa, 1813
Imagem: IGeoE

Junto da praia, sobre um terrapleno murado, fica a quinta de S. Lourenço...

É topónimo que designou além da quinta o varadouro...

A quinta foi propriedade dos condes da Cunha, cujo brasão se pode observar sobre o portal de entrada, em fins do século XVII e manteve-se na posse destes até ao século XIX.

Segundo informação de Rui Manuel Mesquita Mendes, Palença, em Almada, já é mencionada em documentos da primeira metade do século XV e a família Cunha já vive na sua Quinta no início do século XVI.

D. Catarina da Cunha fundou em 1522 um morgado com obrigação de missas numa Capela da Sé de Lisboa pagas por um "Casal em Almada, junto à sua Quinta de Palença".

Foi uma das mais vastas propriedades do concelho. (2)

Casa e capela da quinta de S. Lourenço
Imagem: SIPA

Exemplo notável de integração na paisagem (encosta S. do Rio Tejo), dominando visualmente a cidade e o estuário do rio; o envolvimento do lado S. está hoje totalmente adulterado pela perturbação visual do complexo industrial da Tagol. (3)

Instalaram-se em Almada nos finais do século XIX cinco fábricas, entre as quais se destaca a Fábrica de Cerâmica de Palença, localizada na praia do mesmo nome e em laboração desde 1884.

Utilizava um forno contínuo e quatro intermitentes alimentados a carvão mineral e explorava barreiros locais.

Cais da Fábrica de Palença, ed. desc.
Imagem: Portimagem

Para além da cerâmica comum, produzia também materiais de construção, como tijolo e telha marselha.

Ocupando mais de uma centena de operários, a fábrica manteve a sua actividade até aos anos setenta do século XX. (4)

Telha marselha da Fábrica de Palença


(1) Pereira de Sousa, R. H., Fortalezas de Almada e seu termo, Almada, Arquivo Histórico da Câmara Municipal, 1981, 192 págs.

(2) Pereira de Sousa, R. H., Almada, Toponímia e História, Almada, Biblioteca Municipal, Câmara Municipal de Almada, 2003, 259 págs. 

(3) SIPA

(4) Silva, Francisco Manuel Valadares e, Ruralidade em Almada e Seixal nos séculos XVIII e XIX, Imagem, Paisagem e Memória, Lisboa, Universidade Aberta, 2008, 271 págs.

1 comentário:

Jose Martins disse...


Postagem sobre a telhas de Palença, muit utilizada, em Manaus, capital do Estado do Amazonas, Brasil. Sitio:
http://jmartinsrocha.blogspot.com.br/2014/02/caminhada-de-treze-quilometros-para.html